quarta-feira, agosto 31, 2005

Solidariedade


Quando a 14 de Agosto de 1980, os trabalhadores do estaleiro naval de Gdansk, na Polónia, iniciaram uma greve para protestar contra o despedimento da operária Anna Walentynowicz, uma militante de um grupo anticomunista, estavam longe de sonharem, que era o começo do fim do agonizante regime comunista na Polónia. Seguiram-se 18 dias de luta sindical, liderado pelo então electricista Lech Walesa. A paralisação do sector naval terminou a 31 de Agosto com um acordo entre os grevistas e o regime comunista que deu aos trabalhadores o direito de criar a sua própria organização sindical, o Solidarnosc. Hoje comemora-se os 25 anos desta heróica jornada, que marcou o começo da desintegração do sistema comunista. Praticamente todos os países que formavam o antigo bloco comunista do leste europeu, da Albânia até a Geórgia passando pela Lituânia e Montenegro, estarão representados na cerimónia de comemoração do que foi o primeiro sindicato livre e independente do mundo comunista. No total, comparecerão em Gdansk, local de criação do sindicato, 23 presidentes e primeiros-ministros, além de representantes de muitas instituições internacionais, como o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, uma delegação do Parlamento Europeu ou a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).Estarão presentes altos representantes da França e dos Estados Unidos, o antigo Presidente George Bush, e também todas as grandes centrais sindicais do mundo que tanto ajudaram o sindicato polaco na época em que era perseguido e castigado pela ditadura do general Jaruzelski. Mas nem todos reconhecem o sindicato, responsável pelo acordo pioneiro assinado entre o regime e os operários em greve do estaleiro de Gdansk, que então tinha o nome de Lenin, como responsável pelo início da crise que levou ao desaparecimento da União Soviética. Os organizadores do aniversário, liderados por Lech Walesa - o mítico líder das greves e fundador do Solidariedade - convidaram, entre outros, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, pois queriam ter nas suas comemorações o dirigente da União Soviética que deu início à "Perestroika" e abriu caminho para a democratização da Rússia. No entanto, Gorbachov rejeitou o convite pois, como declarou a um jornal alemão, “sem querer menosprezar a importância do Solidariedade para os polacos, não acho que o seu papel tenha sido tão importante como alguns pensam. Acho que sem a minha "Perestroika" tudo teria continuado como antes”. Os polacos admitem que Gorbachov e sua "Perestroika" foram muito importantes, mas afirmam que foi o Solidariedade que mostrou que o modelo comunista tinha se esgotado. Esse talvez seja o motivo das várias ausências importantes em Gdansk, sobretudo de altos representantes da Rússia. Estará presente o dirigente da luta pelos direitos humanos, Serguei Kovaliov, mas não haverá ninguém que possa confirmar que o Solidariedade já não desperta em Moscovo a mesma hostilidade que despertava nos tempos de Brejhnev. Na época, parecia que o Exército Vermelho entraria na Polónia para esmagar os rebeldes e restabelecer a ordem, como fez em 1956 na Hungria e em 1968 na Checoslováquia. Com as greves de 1980 e sem derramar uma única gota de sangue, o Solidariedade conseguiu o que jamais havia sido conseguido na Polónia: recuperar a independência e a soberania, refazer a democracia e a economia de mercado. Com apenas três meses de existência, o primeiro sindicato livre e independente do Leste europeu já contava com 10 milhões de membros. A lei marcial decretada pelo general Wojciech Jaruzelski, em Dezembro de 1981, constituiu uma tentativa de acabar com o sindicato. No entanto, a medida teve um efeito contrário. O Solidariedade entrou na clandestinidade e com uma resistência ininterrupta, levou os dirigentes comunistas a sentar-se à mesa com os sindicalistas para negociar. No momento de assinar o acordo, num um gesto carregado de simbolismo, Walesa tirou do bolso uma caneta com o retrato do Papa João Paulo II. O dirigente sindicalista quis mostrar que a Igreja cumpriu um papel fundamental, quando o regime comunista impôs a lei marcial no país, para tentar destruir o Solidariedade e sufocar todas as aspirações de liberdade da população.

terça-feira, agosto 30, 2005

Che Guevara


Família de Che Guevara vai combater mau uso da sua imagem.
Com a sua foto presente em pósteres de bandas de rock, bonés de beisebol e lingerie feminina, o revolucionário Che Guevara já foi absorvido pela sociedade de consumo que ele morreu tentando derrotar.
A imagem do guerrilheiro argentino com olhar distante, de cabelos longos debaixo de uma boina com uma estrela, já virou ícone popular omnipresente do século 20. A foto foi feita por um fotógrafo cubano em 1960 e impressa em cartazes por um editor italiano após a execução de Che Guevara na Bolívia, sete anos mais tarde. A fotografia despertou a imaginação dos estudantes parisienses que se revoltaram nas ruas em Maio de 1968 e virou símbolo da revolta idealista de toda uma geração. Além de ser uma das fotos mais reproduzidas do mundo, a imagem de Che tornou –se numa das mais usadas em publicidade de produtos dos mais variados, e a família do guerrilheiro resolveu fazer um esforço para pôr fim a isso.
A família pretende mover acções judiciais em vários países contra empresas que estejam a explorar a imagem de Che. Advogados de vários países já se ofereceram para ajudar. Em entrevista, a viúva cubana de Guevara, Aleida March, explicou: “Não podemos atacar todo o mundo com lanças, como Dom Quixote, mas podemos tentar conservar a ética” do legado de Che.
A viúva, que comanda o esforço desde o Centro de Estudos Che Guevara, que será aberto em Havana este ano, disse que o centro pretende restringir o uso descontrolado da imagem de Che.
“Será um trabalho caro e difícil, porque cada país tem as suas leis, mas é preciso impor limites”, disse à Reuters a filha do lendário guerrilheiro, Aleida Guevara.
A Swatch já usou a imagem de Che Guevara num relógio de pulso, e o rosto de Che é usado para vender vodka. A supermodelo Gisele Bundchen chegou a desfilar com um biquini da marca Cia. Marítima com o rosto de Che estampado. Mas uma acção bem-sucedida contra a vodka Smirnoff na Grã-Bretanha em 2000 lançou o precedente das acções judiciais, determinando a propriedade da imagem fotográfica.

A foto mundialmente famosa foi feita pelo fotógrafo Alberto Diaz, mais conhecido como Korda, no funeral de vítimas da explosão de um cargueiro francês que levava armas para Cuba, um ano após a vitória da revolução cubana liderada por Fidel Castro, com a ajuda de Che Guevara.
A foto de Korda não foi publicada pelo jornal onde trabalhava, no dia seguinte. Sete anos mais tarde, quando o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli apareceu procurando uma foto para a capa de uma edição do “Diário Boliviano” de Che, Korda deu-lhe duas cópias da foto de graça.
Che Guevara foi capturado seis meses depois na selva boliviana, após o fracasso da sua tentativa de fazer uma revolta de camponeses na Bolívia. Ao ouvir a notícia de sua morte, Feltrinelli cortou a foto e publicou pósteres grandes, que em pouco tempo, venderam 1 milhão de cópias. O guerrilheiro foi transformado em mártir, celebridade pop e ícone radical. Korda disse que nunca recebeu um centavo de Feltrinelli. A febre em torno de Che Guevara foi intensificada no ano passado pela exibição do filme “Diários de Che Guevara”, de Walter Salles, sobre a viagem pela América do Sul feita por Che quando era um jovem estudante de medicina.
Reuters

Espero que uso da sua imagem, aqui na Fábrica, seja considerado pela família uma correcta utilização da fotografia de Che Guevara.

Falsa Crença Ameaça Espécies


A falsa crença de que os ovos de tartaruga marinha têm poderes afrodisíacos põe em perigo, todos os anos, o processo reprodutivo de mais de 1 milhão de animais que chegam ao litoral do México para desovar.
Mercados, barracas de rua e até restaurantes oferecem clandestinamente os ovos e a carne de tartaruga, cujo tráfico com fins comerciais é punido no México como crime grave desde 2002.
Os poderes atribuídos aos ovos de tartaruga “são um falso mito urbano sem qualquer base científica”, disse Luis Fueyo, director de Inspecção de Recursos Marítimos da Profepa (Procuradoria Federal de Protecção Ambiental).
O consumo desse produto começou há mais de 1.000 anos, quando fazia parte da dieta alimentar dos índios Zapotecas e de outras etnias. Estes grupos, no entanto, não atribuíam poderes extraordinários ao alimento, além dos meramente nutritivos.
No litoral mexicano estão contabilizadas 144 praias nas quais habitam seis espécies de tartarugas que,num ritual ancestral, retornam todo os anos ao mesmo lugar onde nasceram.
Embora cada ninho possa ter mais de cem ovos, calcula-se que apenas uma em cada 1.000 tartarugas que chegam à água alcançam a idade adulta.
As praias do Estado de Oaxaca e de Guerrero, no Pacífico, recebem todo ano quase 1 milhão de tartarugas da espécie oliva, a mais comum no México, e da qual procedem 90% dos ovos.
Para conter a comercialização deste produto, o governo mexicano estabeleceu patrulhas nas principais praias, que são vigiadas por 500 efectivos da Profepa, da Agência de Investigação Federal, da Marinha e das polícias locais.
Neste ano, diversas organizações—Wildcoast, Fundo de Conservação da Natureza e Wallace Research Foundation—lançaram uma campanha, onde a modelo argentina Dorismar garante, com atitude provocativa, que “o seu homem” não precisa de ovos de tartaruga.

Não tenho nenhuma razão para duvidar desta afirmação.

Jimi Hendrix


Nova biografia sobre Jimi Hendrix 35 anos após a sua morte
Depois da biografia definitiva de Kurt Cobain, o líder dos Nirvana, Charles R. Cross agora volta-se para Jimi Hendrix. Três décadas e meia depois de sua morte em Londres, o impacto impressionante deixado pela sua carreira de apenas quatro anos colocou Hendrix num lugar de destaque no panteão do rock.
Com “Room Full of Mirrors A Biography of Jimi Hendrix”, Charles Cross pode acrescentar pouco ao que se sabe sobre o que aconteceu a Hendrix , excepto uma anedota deliciosa: quando um “pub” de Liverpool se recusou a servi-lo, em 1967. Hendrix imaginou que isso tinha acontecido porque era negro, ou porque era um hippie. Nenhuma das duas razões estava certa: havia um circo na cidade e era norma do “pub” proibir a presença de palhaços fantasiados...

in JN
Jimi Hendrix vestia-se, como toda a gente na época, um pouco para o exagerado quase palhaço mas foi, é, o maior guitarrista de todos os tempos.

segunda-feira, agosto 29, 2005

domingo, agosto 28, 2005

I Have a Dream


Discurso de Martin Luther King , em 28 de Agosto de 1963.
Audio-Linkamericanrhetoric (Podem ler este post e ouvir o discurso de Martin Luther King)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive numa ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e encontram-se exilados na sua própria terra.
Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar a sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitectos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este Verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador Outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de acções de injustiças. Não vamos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo da chávena da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir a nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a rectidão rolem abaixo como águas de uma poderosa corrente.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.

Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir presos juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos Engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rocky do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade nas Montanhas do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espírito negro:
Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

sábado, agosto 27, 2005

Aquecimento Global Causa Desequilíbrio na Europa


As condições meteorológicas extremas que têm atingido a Europa—secas e incêndios nos países do sul e chuvas torrenciais nos Alpes e na bacia do rio Danúbio—são resultado da mudança climática provocada pelo modelo energético escolhido pela humanidade, afirmou nesta sexta-feira a organização ambientalista WWF. Link panda.
O relatório “Mudança Climática e Factores Meteorológicos na Europa”, divulgado pelo WWF, mostra como os desastres dos últimos anos no continente se encaixam nas previsões mais pessimistas sobre as consequências do aquecimento global. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera cresceu 36% em relação à era pré-industrial.
No último século, a temperatura média do planeta aumentou 0,6º C, enquanto a da Europa subiu 0,95º C. De acordo com os registros históricos, o aquecimento parece progressivo. Os dados mostram que os oito anos mais quentes da história da Europa se concentram no período dos últimos 15 anos.
O aumento da temperatura é geral, porém mais forte no sul do que no norte do continente. A variação traduz-se num comportamento ‘esquizofrénico das chuvas. Enquanto na Espanha, na Itália e em Portugal as chuvas diminuíram 20% durante o último século, no norte da Europa elas aumentaram entre 10% e 40%.
As projecções científicas citadas pelo WWF indicam que esse contraste é mais extremo no verão. Nesta época, as secas são mais severas e há maior risco de incêndios, além da diminuição das colheitas no sul e de chuvas torrenciais mais frequentes em direcção ao interior do continente. “Nunca teremos 100% de certeza sobre a relação directa entre esses factos e a mudança climática. Mas já há exemplos claros dos cenários que os meteorologistas previram nos últimos anos”, diz o relatório.
O documento fala de uma deterioração cada vez maior da situação, caso as emissões de dióxido de carbono não sejam reduzidas.
Para o WWF, a primeira tarefa deve ser a troca do modelo energético e a substituição dos processos produtivos baseados em combustíveis fósseis—carvão, petróleo ou gás natural—por fontes mais limpas e tecnologias mais eficientes.
Os países da UE, que desde o dia 1 de Janeiro, estabeleceram limites para a emissão de gases que provocam efeito estufa em distintos sectores, inclusive o energético, como a preparação para o cumprimento do Protocolo de Quioto.
Mas a organização ambiental acredita que os limites máximos impostos são “frágeis” diante da dimensão do problema, e critica a falta de empenho real das autoridades e empresas europeias na mudança do modelo com urgência.
Como exemplo, cita os planos estratégicos da companhia energética alemã RWE. “O maior contaminador climático europeu, a RWE, planeia abrir novas centrais energéticas de carvão, que elevam o aquecimento global. Os governos europeus podem e devem detê-lo”, afirmou a directora do Programa sobre Mudança Climática do WWF, Jennifer Morgan, em nota pública.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Charles Lindbergh


Charles Lindbergh nasceu a 4 de Fevereiro de 1902, em Detroit, Michigan, e cresceu numa pequena cidade, Little Falls, estado de Minnesota. Era filho de Charles A. Lindbergh, congressista de 1907 a 1917, e Evangelyne Lodge. Aos 18 anos, Charles entrou para a Universidade de Wisconsin, para estudar engenharia. Dois anos depois, abandonou a faculdade para se tornar piloto itinerante. Em 1924, alistou-se no exército, foi para o curso de piloto da Reserva do Serviço Aéreo Nacional. Em 1925 graduou-se como melhor piloto da sua classe. Após o serviço militar no Exército, foi contratado pela “Robertson Aircraft Corporation” para fazer voos de correio entre St. Louis e Chicago. Mas, secretamente, Charles acalentava o mesmo sonho de todos os pilotos da época: ganhar os 25.000 dólares, oferecidos pelo dono de um hotel de Nova York, Raymond Orteig, para o primeiro aviador a voar de Nova York a Paris sem escalas. Em 1927, vários pilotos já haviam perdido as suas vidas tentando. Lindbergh estava certo de que poderia vencer, se tivesse o avião adequado. Naquela época, a esmagadora maioria dos pilotos considerava os aviões mono motores muito frágeis para fazer um voo tão longo, e todas as tentativas haviam sido feitas com aviões de dois, três ou quatro motores. Lindbergh pensava diferente, e convenceu alguns homens de negócios de St. Louis a financiar a preparação de um avião mono motor para fazer o voo. A Companhia Aeronáutica Ryan, de San Diego, na Califórnia, foi escolhida para construir um avião especial. Lindbergh apelidou-o de “Spirit of St. Louis”, em honra aos seus patrocinadores. Nos dias 10 e 11 de Maio de 1927, Lindbergh testou o avião em voo, indo de San Diego a Nova York, com uma paragem em St. Louis. O tempo de duração do voo, 20 horas e 21 minutos, era um novo recorde transcontinental. A 20 de Maio, Lindbergh e o “Spirit of St. Louis” descolaram do campo Roosevelt, perto de Nova York, às 7:52 da manhã. Às 10:21 da noite do dia 21 ele pousou no Campo Le Bourget, próximo a Paris. Ele tinha voado mais de 5.700 km, em 33 horas e meia. O voo foi uma verdadeira epopeia, ele enfrentou neblina, ventos fortes, formação de gelo nas asas e, principalmente, o cansaço. Às vezes voando a 3.000 metros, outras rasando as águas do Atlântico, ele arrastou-se penosamente pelo ar até seu objectivo. O voo de Lindbergh electrizou as pessoas em todo o mundo. Prémios, celebrações, e paradas foram realizados em sua honra. O Presidente Calvin Coolidge entregou-lhe a Medalha de Honra do Congresso e a Cruz de Serviço Distintos. A julgar pela comoção que causou, e pela imensa multidão que o esperava em Paris, o seu voo pode ser comparado ao primeiro voo tripulado à Lua. Era quase inacreditável que aquele minúsculo avião pudesse voar através do Oceano Atlântico. Em 1927, Lindbergh publicou um livro sobre o seu voo transatlântico. O título, “Nós”, era uma referência a ele e ao avião. A seguir ao seu feito, voou através dos Estados Unidos, divulgando o trabalho da “Fundação Daniel Gugenheim para Promoção da Aeronáutica”. Conheceu a pesquisa sobre foguetes realizada por Robert H. Goddard, e convenceu a família Gugenheim a patrocinar suas experiências. Isto levou, eventualmente, ao futuro desenvolvimento de mísseis, satélites e às viagens espaciais. Lindbergh também trabalhou como consultor para várias empresas aeronáuticas e linhas aéreas comerciais. Em Dezembro de 1927, Charles visitou vários países latino-americanos, como “Embaixador da Boa Vontade”. Enquanto estava no México, conheceu Anne Spencer Morrow, com quem veio a casar. Ensinou-a a pilotar e, juntos, empreenderam várias viagens pelo mundo. Anne Morrow também se tornou conhecida pelas suas poesias e outras obras literárias. Outra realização de Lindbergh foi o coração artificial, para um cirurgião francês. Desenvolvido de 1931 a 1935, esse aparelho podia bombear o sangue através do corpo. Em Março de 1932, o primeiro filho de Charles e Anne foi raptado de sua casa. Dez semanas após o rapto, o seu corpo foi encontrado numa floresta. Os jornais passaram a perseguir os Lindbergh em qualquer parte, na ânsia de conseguir notícias. Para fugir dos repórteres, os Lindbergh mudaram-se para a Europa. Em 1934,Bruno Hauptman foi condenado à morte pelo rapto do bebé Lindbergh. Na Europa, Charles visitou os fabricantes de aviões alemães e franceses. Ficou impressionado com os avanços da aviação alemã, e pela qualidade de seus aviões. Em 1938, um alto dignitário nazista premiou-o com a Medalha de Honra Germânica. Isto fez com que muitos americanos anti-nazistas ficassem contra Lindbergh. Em 1939, ele voltou aos Estados Unidos e, em 1941, juntou-se a um comité que se opunha à II Guerra Mundial. Foi acusado de ser pró-nazista, por não ter devolvido a medalha com que fora agraciado na Alemanha. Após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, tentou alistar-se na Força Aérea do Exército, mas foi recusado. Então, entrou como consultor técnico na “Ford MotorCompany”. Em Abril de 1944, tornou-se consultor do Exército e da Marinha dos Estados Unidos. Mesmo ainda sendo tecnicamente um civil, voou em 50 missões de combate. Durante esse período, inventou um dispositivo que tornava os caças da época melhores e mais fáceis de pilotar. Após a Guerra, Lindbergh trabalhou como consultor para o Chefe do Estado-maior da Força Aérea. Em 1954, o Presidente Einsenhower nomeou-o General Brigadeiro da Força Aérea dos Estados Unidos. Também trabalhou como consultor para a empresa aérea Pan American, ajudando-os a escolher os aviões que iriam comprar. Em 1953, publicou uma expansão de seu livro “Nós”, o qual chamou de “The Spirit of St. Louis”. Lindbergh continuou a viajar pelo mundo. Visitou a África e as Filipinas. Durante os seus últimos anos, passou a interessar-se pela conservação da natureza. Lutou pela preservação das baleias, e era contra os aviões supersónicos, por achar que eles causavam perturbações na atmosfera. Charles Lindbergh morreu no dia 26 de Agosto de 1974, na sua casa em Mauí, no Hawai. Após a sua morte, em 1998, uma colecção de seus escritos foi publicada em forma de livro, chamado “The autobiography of Values”.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Excelência em Português


Há três cientistas portugueses na lista dos 250 mais influentes investigadores em mais de 20 áreas das ciências entre 1901 e 2002, indica um relatório da norte-americana Thomson ESI.
Entre estes está António Coutinho, o único dos cientistas portugueses citados a trabalhar em Portugal, um investigador da área da imunologia e que há sete anos dirige o Instituto Gulbenkian de Ciência. Este licenciado em Medicina e doutorado em Microbiologia é também director de investigação de primeira classe do Centro Nacional de Investigação Científica, em Paris.
Outro dos cientistas citados é António Damásio (na foto), considerado como o mais influente investigador português da actualidade, tem obra feita na área da neurociência, o que já lhe tem valido diversos prémios internacionais. O autor de «O Erro de Descartes», que se naturalizou norte-americano, é doutorado em Medicina e dirige o departamento de neurologia e o Centro de Investigação da doença de Alzheimer da Universidade do Iowa.
Carlos Duarte, que se naturalizou espanhol e trabalha no Instituto Mediterrânico de Estudos Avançados da Universidade das Ilhas Baleares nas áreas da Biologia e Botânica, é o outro investigador de origem portuguesa referido no documento da Thomson ESI.Este documento leva em conta as contribuições científicas consideradas como fundamentais para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e o número de vezes em que o trabalho de cada é referido pela comunidade internacional.


É muito triste que o país que os viu nascer, não lhes dê condições para fazerem as suas investigações, e que tenham de imigrar ou trocar de nacionalidade, para serem reconhecidos internacionalmente.

...
Esta a sina do inventor
Neste Portugal moribundo
Por pouco a ir ao fundo
Por culpa de tanto estupor

Querem cativar valores
Que fogem para outras terras
Mas só dáo os louvores
Ás nulidades e aos palermas

São estes ditos senhores
Que estão sempre arruinando
O país do saber e de valores
Que pelo mundo vão andando

Foram enriquecer outros paises
Porque sua Patria amada
Secou-lhes as veias e raizes
Não lhes dando chance para nada

fernando nogueira gonçalves Homepage

Sean Connery


Thomas Sean Connery nasceu no dia 25 de Agosto de 1930, Edimburgo, Escócia. Filho de um camionista e de uma empregada de limpeza, Sean Connery teve, até os 21 anos, uma vida quase tão diversificada quanto a sua galeria de personagens cinematográficos. Após abandonar a escola aos 15 anos, foi marinheiro, leiteiro, lustrador de caixões, pedreiro, salva-vidas, candidato a Mister. Universo e modelo. Foi a partir de 1954 que Sean começou a trilhar realmente, na televisão e no cinema, uma carreira de actor. Após participar em pequenos papéis de filmes pouco conhecidos a sua grande oportunidade surge em 1962, quando foi escolhido para ser O Agente Secreto James Bond nas telas do cinema. Combinando o charme e a virilidade exigidos pelo papel, e adicionando o humor cínico que viria a imagem de marca das suas interpretações, Connery ajudou a fazer do herói literário criado por Ian Fleming um dos ícones dos anos 60. Depois de ser o agente secreto durante quatro filmes, Sean Connery ficou preocupado com um possível estigma, e só retornou ao papel sob condições financeiras irrecusáveis, 1983, para o filme Nunca Mais Digas Nunca. De presença imponente, com rosto e voz altamente expressivos, Connery construiu uma filmografia de rara versatilidade, na qual, independente do tamanho da sua personagem, nunca ficou em segundo plano. Entre outros filmes, ele brilhou em , O Homem que Queria Ser Rei (1975, O Duelo Imortal (1986), O Nome da Rosa (1986), Os Intocáveis (1987), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), Caça ao Outubro Vermelho (1990), O Curandeiro da Selva (1992), O Primeiro Cavaleiro (1995), Entre Estranhos e Amantes (1996), Os Vingadores (1998), Descobrir Forrester (2000) e A Liga de Cavalheiros Extraordináros (2003). Ganhou durante a sua carreira o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actor Secundário pela sua interpretação no filme Os Intocáveis (1987), o Prémio da Academia Britânica por O Nome da Rosa (1986) e o Prémio Cecil B. De Mille pela sua carreira. Sean Connery recebeu em 2000 da parte da Rainha Isabel II o título de Sir, Cavaleiro do Império.Um actor discreto, imune às armadilhas do sucesso, sempre manteve sua vida particular protegida, mas sabe-se que ele é um dedicado homem de família, um apaixonado por golfe e tem predilecção por residências à beira-mar. Apesar de sempre fazer questão de se manter reservado, em relação à sua vida particular, no final de 2004, assinou um contrato com uma editora, para publicação do seu livro de memórias, pelo que futuramente, poderemos saber mais sobre este homem, que deu belíssimas prestações na 7ª Arte. No principio deste mês anunciou que quer terminar a sua carreira como actor, segundo ele, está “cheio dos idiotas” que trabalham actualmente em Hollywood. ”Eu estou cheio desses idiotas...do crescente abismo entre as pessoas que sabem como fazer filmes e as pessoas que dão luz verde para os fazer”, disse Connery.

Truman Capote


Truman Streckfus Persons nasceu em Nova Orleães, a 30 de Setembro de 1924, filho de um vendedor e de uma adolescente de 16 anos. Os seus pais divorciaram-se quando Truman tinha quatro anos, pelo que passou a ser criado por familiares próximos, residentes em Monroeville, no estado de Alabama.
Quando a sua mãe voltou a casar, Truman mudou-se para Nova Iorque, adoptando o apelido do padrasto. Aos 17 anos desistiu dos estudos e começou a trabalhar na revista The New Yorker, atraindo desde logo as atenções pela sua forma excêntrica de vestir.
Em 1949, Capote viajou para a Europa, onde escreveu ficção e não-ficção e argumentos para cinema e teatro.Após ter alcançado cedo o sucesso como escritor de prosa brilhante nas histórias de Other Voices, Other Rooms (1948), que retratava uma relação homossexual, e no romance Boneca de Luxo (1958), já de regresso aos EUA, a carreira de Capote decaiu até que o sensacional «romance não ficcional» A Sangue Frio (1965) fez dele uma celebridade.
Entre as suas obras posteriores incluem-se Music for Chameleons (1980) e a obra publicada a título póstumo Answered Prayers (1986), um romance inacabado constituído por escandalosos boatos sobre colunáveis.
A sua bibliografia inclui:A Tree of Night and Other Stories (1949), Local Color (1950), The Grass Harp (1951), Beat the Devil (1954), The House of Flowers (1954), The Muses have Heard (1956), The Innocents (1961), Observations (1959), Selected Writings (1963), A Christmas Memory (1966), The Thanksgiving Visitor (1967), Among The Paths to Eden (1967), Laura (1968), House of Flowers (1968), Trilogy (1969), Experiment in Multimedia (1969), Behind Prison Walls (1972), The Glass House (1972), The Dogs Bark (1973), Crimewatch (1973), Then it all Came Down (1976), One Christmas (1982), Conversations With Capote (1985), Súplicas Atendidas (1986), um retrato dos vícios e da perversão dos intelectuais e artistas que Capote conhecera, A Capot Reader (1987) e Marilyn Monroe: Photographs 1945-1962 (1994).
O escritor faleceu em Los Angeles a 25 de Agosto de 1984, devido a problemas causados pelo consumo exagerado de álcool.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Armas de Destruição Maciça, parte II


Os Estados Unidos criticaram duramente uma investigação independente que não encontrou evidências de um programa secreto para o desenvolvimento de armas nucleares no Irão. O inquérito, realizado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) com a participação de especialistas do governo americano e cientistas de vários países, concluiu que a pequena quantidade de urânio enriquecido para bombas encontradas no país há dois anos vinha de equipamento paquistanês contaminado e não era prova da existência de armamento. Mas as autoridades americanas disseram que essas conclusões não dissipavam a preocupação internacional porque o Irão pode estar a desenvolver armas nucleares de outras maneiras. O Irão insistiu que o programa é pacífico, e reiniciou, recentemente, o enriquecimento de urânio apesar de um acordo com Grã-Bretanha, França e Alemanha. Os três países cancelaram uma ronda de conversações que tinha o objectivo de persuadir o Irão a suspender as suas actividades nucleares, levando a protestos diante de suas embaixadas na capital iraniana, Teerão. As conversações deveriam começar no dia 31 de Agosto. Se o impasse continuar, os Estados Unidos e a União Europeia podem levar o caso para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e aplicar sanções contra o Irão. Em meados de Agosto, a União Europeia ofereceu um amplo acordo ao Irão, que incluía incentivos económicos, políticos e tecnológicos em troca da suspensão completa de pesquisas ligadas à produção de combustível nuclear. Mas o Irão, que insiste ter direito a um programa para produzir energia, rejeitou a oferta.
BBC On-line
Enquanto os principais países que detêm poderio nuclear - EUA, Rússia, China, Inglaterra, França, Indía e Paquistão- não assumirem uma irreversível politica de desarmamento, será muito dificil exigir o respeito pela não proliferação de armas nucleares, por pequenos países que ambicionam ser potências regionais.

Um Tema Polémico


Os fetos só têm capacidade de sentir dor nos últimos meses da gravidez - indica um novo estudo que poderá reacender o debate entre defensores e detractores do aborto nos Estados Unidos.
O trabalho, hoje publicado na revista da Associação Médica Americana, afirma que a prescrição de analgésicos durante um aborto ou no quinto ou sexto meses da gravidez não serve para nada e pode pôr em perigo a saúde da mulher.
Depois de analisarem centenas estudos de relatórios médicos, investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) chegaram à conclusão de que os fetos são incapazes de sentir dor até ao sétimo mês da gravidez (28 semanas).
As estruturas cerebrais envolvidas na sensação da dor começam a formar-se muito antes, mas só funcionam nas últimas etapas da gravidez, afirmou o principal autor do estudo, o anestesista obstetra da UCSF Mark Rosen.Já antes da publicação deste trabalho, muitos opositores do aborto criticaram-no por alegada parcialidade.
“Literalmente, meteram as mãos num ninho de vespas”, afirmou Kanwaljeet Anand, um investigador da dor fetal na Universidade de Arkansas para as Ciências Médicas segundo o qual o feto já sente dor com 20 semanas. “Isto não é a última palavra”, acrescentou.
Para Nancy Chescheir, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Vanderbilt e directora da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, o estudo “ajudará a desenvolver algum consenso” sobre quando o feto sente dor. “Até agora não há nenhum”, afirmou.
Depois da legalização do aborto nos Estados Unidos, em 1973, um dos argumentos usados pelos seus detractores era que as mulheres que decidiam interromper a gravidez deviam ter em conta a dor que provocariam ao feto.
Nesse sentido, têm vindo a exigir leis sobre a dor fetal durante a gravidez como forma de controlar o aborto no país.
A medida afectaria cerca de 18.000 abortos que se realizam anualmente nos Estados Unidos no quinto mês da gravidez ou depois.
Lusa

terça-feira, agosto 23, 2005

Astérix “an mirandês”


A tradução em mirandês do livro “Asterix, L Goulés” (o título traduzido no dialecto) já tem data marcada para a sua apresentação pública a iniciativa vai decorrer no próximo dia 15 de Setembro, no El Corte Inglês, em Lisboa.Um mês depois estará a disposição dos leitores nas livrarias nacionais. Entretanto, o novo álbum original - provavelmente o último - é lançado em todo o mundo no dia 14 de Outubro.A tradução do álbum foi feita há cerca de três anos pelo escritor e investigador da língua mirandesa Amadeu Ferreira. Nos últimos meses procedeu a uma revisão e aperfeiçoamento dos textos iniciais, que contaram com a colaboração de Carlos Ferreira e Amadeu Ferreira, havendo ainda uma colaboração de António Santos, um apaixonado por banda desenhada que ajudou o autor a entender alguns aspectos da chamada 9.ª Arte. Inicialmente registaram-se diversos entraves com uma primeira editora que detinha os direitos de tradução, mas a situação foi ultrapassada, cabendo agora à editora ASA os direitos sobre a edição traduzida na “lhégua”.
Os livros do Astérix e do seu amigo Obélix estão actualmente traduzidos em 110 línguas e dialectos espalhados por todo o mundo, sendo esta tradução um passo importante para a divulgação da língua mirandesa, que se manteve isolada durante séculos nas aldeias do concelho de Miranda do Douro, e parte do concelho de Vimioso, sendo apenas transmitida de geração em geração por via oral. Actualmente a língua mirandesa está confinada a um universo de sete mil falantes de acordo com os últimos censos.
”O mirandês entra para o mundo do herói Gaulês não como uma língua isolada, mesmo sendo minoritária, mas acompanhando todo um conjunto de outras línguas universais”, revelou Amadeu Ferreira.
Nas várias edições livrescas de Astérix publicadas nas mais diversas línguas, na contracapa dá-se sempre nota das línguas em que a banda desenhada está traduzida, o que vem dar um novo alento ao mirandês - levando, assim, milhões de leitores a saber da existência de uma língua que se mantém viva num rincão do nordeste transmontano.Agora, as crianças das terras de Miranda também poderão dar gargalhadas com as aventuras e desventuras da turma de Astérix na sua cruzada contra os romanos e, ao mesmo tempo, apanharem o gosto por uma língua que já é disciplina opcional nas escolas do concelho de Miranda do Douro, uma região do país que se pretende bilingue.Como nota final, só os nomes de Astérix e Obélix se manterão na sua forma original; As outras personagens terão nomes diferentes, adaptando o nome originário latino, e seu significado, ao mirandês.
Por: Francisco Pinto/Jornal Nordeste

Anthony Hopkins


Anthony Hopkins foi eleito o melhor actor britânico de todos os tempos numa votação organizada pelo Teatro Old Vic, de Londres. Judy Dench foi considerada a melhor actriz.
Hopkins conseguiu mais votos do que nomes como Laurence Olivier, Sean Connery e Alec Guinness. Entre as actrizes, Judy Dench ficou à frente de Julie Walters e Elizabeth Taylor.

Cinco melhores actores

1. Anthony Hopkins
2. Laurence Olivier
3. Sean Connery
4. Alec Guinness
5. Michael Caine


Cinco melhores actrizes

1. Judi Dench
2. Julie Walters
3. Elizabeth Taylor
4. Maggie Smith
5. Julie Andrews

sexta-feira, agosto 19, 2005

Bill Clinton


William Jefferson Blythe III à data de nascimento em Hope, Arkansas a 19 de Agosto de 1946. O nome original de Clinton vem do pai, falecido na sequência de um acidente antes do nascimento do filho. A mãe do futuro presidente Virginia Kelley, casou mais tarde com Roger Clinton, vendedor de automóveis, daí o apelido Clinton.
Na escola secundária em Hot Springs, Arkansas, Clinton considerou a possibilidade de se formar em medicina, mas após um encontro com o presidente John.F.Kennedy em Washington, foi determinante para a decisão de Clinton em abraçar a carreira política. Clinton tirou o curso de relações internacionais em 1968, na Georgetown University. No primeiro ano da universidade, Clinton trabalhou para o Senador do Arkansas J.William Fulbright. Mais tarde entre 1968 e 1970 – estudou em Rhodes, na cidade de Oxford. Frequentou ainda a Yale Law School, onde conheceu a futura esposa. Hillary Rodham Clinton. O casal tem uma filha, Chelsea.
Clinton deu aulas na Universidade do Arkansas entre 1974-1976, foi eleito para o posto de Procurador Geral do estado em 1976, e em 1979 tornou – se o mais jovem governador dos Estados Unidos. Mas não conseguiu ser reeleito quatro anos mais tarde, em grande parte devido à ira dos eleitores pelo aumento das licenças de automóveis no estado do Arkansas. Em 1982, no entanto, voltaria a ser eleito. Desta vez, o seu mandato foi marcado por tendências liberais de forma a acomodar a faixa mais conservadora do eleitorado.
Clinton tornou – se o 42º Presidente dos Estados Unidos após uma campanha complicada. Conseguiu ultrapassar os ataques pessoais ao seu carácter e à sua atitude durante a Guerra do Vietname, a que sempre se opôs. Às alegações de infidelidade conjugal, Clinton respondeu numa entrevista na televisão onde acompanhado da esposa, fez passar a imagem de uma relação sólida e impenetrável. Durante os oito anos da sua administração, Clinton enfrentou alegações relacionadas com a fraude imobiliária de Whitewater, processo no qual esteve envolvido juntamente com Hillary antes das eleições de 1992. Apesar de o casal nunca ter sido acusado de qualquer ilegalidade, os seus parceiros na empresa imobiliária foram condenados por fraude e conspiração durante um julgamento que teve lugar em 1996.
Os problemas enfrentados por Clinton foram tão complicados quando variados. Em Janeiro de 1993 envolveu – se numa enorme polémica com a estrutura militar norte-americana relacionada com a permissão de os homossexuais servirem abertamente nas forças armadas, uma promessa que fizera durante a campanha eleitoral. Mais tarde acabaria por aceitar um compromisso, definido como política do “não perguntem, não revelem”. No primeiro ano do seu mandato, Clinton teve que enfrentar duras negociações com o Congresso, de maioria Republicana, para fazer passar as suas propostas de Orçamento e política económica.
No segundo ano da administração Clinton, o Presidente continuou com problemas internos relacionados com os cuidados de saúde, reforma da segurança social e prevenção da criminalidade. Um pacote de reformas para os cuidados de saúde, concebido por Hillary, não conseguiu ganhar o sim do Congresso. O Presidente foi forçado a reduzir o objectivo a que se propunha com esta reforma.
Mas Clinton conquistaria duas enormes vitórias com a aprovação do Acordo de Livre Comércio para a América do Norte (NAFTA), que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 1994, e do Acordo Global de Tarifas e Comércio (GATT), que levou ao estabelecimento da Organização Mundial do Comércio (WTO) em 1995. O Congresso também aprovou uma lei para redução da divida, leis para o estabelecimento de conselheiros para o aborto em clínicas subsidiadas por fundos federais, um produto de espera para a permissão de compra de armas de fogo (a Lei Brady), e um programa nacional de serviços ao utente.
As relações internacionais, inicialmente o ponto fraco para um presidente eleito devido ás suas propostas internas, transformaram - se num campo de testes para Clinton. O Presidente melhorou a sua imagem internacional quando Israel e a Jordânia assinaram o acordo de paz, na casa Branca, em 1994. No Outono desse mesmo ano, a administração Clinton conseguiu restaurar a normalidade no Haiti, com o regresso do deposto Presidente Jean Bertrand Aristide ao poder. Clinton conseguiu ainda reavivar a popularidade do Presidente Russo Boris Yeltsin com promessas de ajuda económica.
Os problemas na Europa de Leste apresentaram – se como o próximo grande desafio de Clinton. Apesar de tencionar acabar definitivamente com a brutal limpeza étnica em curso na Bósnia, não quis soldados Americanos para o terreno. Um acordo de paz que previa o envolvimento de forças de manutenção de paz acabou por ser assinado em Dayton, Ohio, em Novembro de 1995.
Das eleições de 1994 saiu um Congresso controlado pelo Partido Republicano, e 1995 marcou um período de guerra aberta entre a Casa Branca e o Capitólio devido à discussão de um Orçamento controlado e outros factores muito importantes do programa “Contrato com a América” delineado pelo Partido Republicano, sobretudo pelo líder da maioria Newt Gingrich. Em 1996, a pensar já nas eleições presidenciais do Outono, Clinton fez uma viragem para o centro político aparecendo aprovando diversas medidas legislativas de grande importância e não menos popularidade. Incluída nestas medidas estava a reforma da segurança social, que alterou décadas e décadas de políticas federais.
Os assuntos externos voltaram a dar dores de cabeça a Clinton em 1996. Na Rússia, o apoio da Casa Branca a Yeltsin levantou enormes criticas numa altura em que teve início a guerra na Chechénia. No Médio Oriente continuava o braço de ferro Israelo – Palestiniano e o Iraque invadiu o território Curdo. Clinton respondeu à agressão Iraquiana com uma série de ataques aéreos contra estruturas e equipamento militar Iraquiano.
A excelente vitalidade da economia norte-americana facilitou o acordo para a aprovação do Orçamento controlado proposto por Clinton em 1997. No entanto, as relações políticas estavam longe de serem as ideais, há medida que as questões de carácter que perseguiram Clinton durante anos voltaram a surgir. Uma série de investigações ao Presidente e a Al Gore sobre a participação de ambos em operações de angariação de fundos duvidosas durante a campanha presidencial de 1996, causaram um clima político de enorme tensão.
Clinton conseguiu, mais uma vez, fortalecer a sua posição nos assuntos externos em 1998. Em Abril, o ex-líder da maioria no Congresso George Mitchell, escolhido pessoalmente por Clinton para ajudar a mediar o conflito entre Católicos e Protestantes na Irlanda do Norte, conseguiu acabar com um conflito que durava há décadas. Em Maio e Junho Clinton efectuou uma viagem controversa à China. Apesar das críticas que precederam a viagem, Clinton acabou por receber rasgados elogios pelos avanços conseguidos, sobretudo nas relações entre os estados Unidos e a China, sem no entanto deixar cair as críticas à situação dos direitos humanos naquele país comunista.
No plano interno, Clinton enfrentava a pressão cada vez maior de Kenneth Starr, o investigador independente que em 1994 assumiu as investigações do caso Whitewater. O papel de Starr foi ampliado mais tarde passando a incluir o apuramento de responsabilidades em outros aspectos igualmente complicados da vida dos Clinton: o falecimento do Advogado da Casa Branca Vincent Foster, a forma como se despediam funcionários no departamento de viagens da casa Branca e as alegações de conduta sexual imprópria do Presidente dos Estados Unidos.
O Presidente parece ter ganho pontos em Abril de 1998, quando um juiz federal do Arkansas anulou um caso de assédio sexual que se arrastava há vários anos, interposto por Paula Jones, ex-funcionária do estado do Arkansas. Mas Starr já investigava a possibilidade de Clinton ter cometido perjúrio durante o seu testemunho no caso Jones sobre uma alegada relação menos própria com uma jovem estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Meses antes, Clinton negara ter mantido relações sexuais com Lewinsky, ou ter pedido a alguém que mentisse de forma a encobrir a relação. Apesar destas acusações, a popularidade de Clinton entre os Americanos continuava muito alta. O povo Americano parecia preferir ignorar estes escândalos do Presidente em troca da estabilidade económica, da sua orientação política muito popular e da força externa do país.
A 17 de Agosto de 1998, Clinton entrou para a história como o primeiro Presidente a testemunhar frente a um grande júri, durante uma investigação sobre a sua própria conduta pessoal. Numa declaração à nação nessa mesma noite, Clinton admitiu pela primeira vez a existência de uma “relação imprópria” com Lewinsky, mas disse não ter pedido a ninguém para mentir sobre isso.
Em Agosto, o escândalo Lewinsky dominou de tal forma a agenda de Clinton que ao responder ao ataque terrorista a duas embaixadas Americanas em África com um ataque com mísseis de cruzeiro contra alegadas posições terroristas no Sudão e no Afeganistão, muita gente considerou que se tratou de uma iniciativa para desviar a atenção dos seus problemas internos.
A 9 de Setembro, Starr- um Republicano conservador cuja investigação era considerada uma vingança política pelos apoiantes de Clinton - entregou o seu relatórios final na Câmara de Representantes. Apesar deste relatório considerar a existência de 11 acusações passíveis de justificar o afastamento do Presidente, nenhuma se apoiou nos motivos iniciais que se propunha investigar, incluindo o escândalo Whitewater. O verdadeiro conteúdo das acusações centrava – se na conduta moral do presidente, e o “Relatório Starr” descrevia com detalhes gráficos o seu relacionamento sexual com Lewinsky.
Apesar de a maioria da população desaprovar o julgamento (facto que se reflectiu em quase todas as sondagens da altura), o Congresso avançou com o processo de limitação de poderes, marcado por uma enorme carga partidária. Em Dezembro, a Comissão Judicial do Congresso aprovou quatro artigos justificativos de uma limitação de poderes: perjúrio em declarações ao grande júri, processo civil de perjúrio, obstrução de justiça e abuso de poder. Os republicanos rejeitaram o pedido dos Democratas de uma acção de censura ao Presidente por “conduta repreensível”, e decidiram prosseguir com a acção.
A 19 de Dezembro, Clinton tornou - se o segundo Presidente dos Estados Unidos a ver os seus poderes limitados. Dois dos quatro artigos foram aprovados (Artigo 1: perjúrio frente a um grande júri e o Artigo III: obstrução de justiça), com os votos a reflectirem a sua carga partidária. Apesar de o julgamento ter ensombrado toda a restante actividade em Washington durante grande parte do ano de 1998, Clinton foi forçado a lidar com problemas contínuos no Iraque nos últimos meses do ano. Em Dezembro, Saddam Hussein bloqueou todas as inspecções de armamento das Nações Unidas no seu país. A ONU respondeu com ataques aéreos que se manteriam durante quase todos os dias durante os três meses seguintes, e mais tarde mais espaçados durante a Primavera e o Verão, à medida que o Iraque continuava a irritar os Estados Unidos e os seus aliados disparando sobre os aviões em patrulha nas zonas em que não são permitidos voos Iraquianos, estabelecidas após a Guerra do Golfo. Na Primavera de 1999, o Médio Oriente passou para segundo plano devido aos acontecimentos nos Balcãs. Relatórios de actividades continuadas de limpeza étnica, perpetrada pelos Sérvios no Kosovo, fizeram com que Clinton e o Primeiro-Ministro Britânico Tony Blair pressionassem a NATO para intervir no território. A NATO iniciou então, em Março, uma operação de bombardeamentos aéreos de grande envergadura. Durante 78 dias os aviões da Aliança Atlântica bombardearam quase diariamente a Sérvia. As divergências políticas para o envio de tropas terrestres para a região valeram fortes críticas a Clinton por adiar constantemente a intervenção terrestre. A atitude de Clinton acabou por ser justificada pela cedência do presidente Slobodan Milosevic, que aceitou assinar um tratado de paz a 9 de Junho. Após o conflito do Kosovo, Clinton enfrentou novo desafio: acalmar a tensão nas relações externas. A Rússia, aliada tradicional da Sérvia, opusera – se à intervenção da NATO desde o início. A frágil relação entre os Estados Unidos e a China atravessava um período complicado, provocado pelo bombardeamento acidental da embaixada Chinesa em Belgrado, por aviões da NATO, em que morreram 3 jornalistas.
No Verão de 1999, Washington procurava saber o que fazer com um enorme excedente no Orçamento federal. O Presidente, que continuava a marcar muitos pontos nas sondagens após um relatório que revelava que as alterações do sistema de segurança social registavam um enorme sucesso, forçou a aprovação de novas reformas sociais - no sistema de saúde e na tributação fiscal. Os Republicanos, ainda com maioria no Congresso, responderam com exigências de reduções nos impostos.
No Outono do ano 2000, o Médio Oriente voltou a dar dores de cabeça a Bill Clinton. Depois dos acordos de Camp David, assinados no Verão por Arafat e Barak, terem entrado num impasse, numa sangrenta onda de violência iniciada em fins de Setembro coloca em risco todo o processo de paz.
No último dia da sua presidência, a 19 de Janeiro de 2001, Bill Clinton viu retirados todos os processos judiciais contra si, pelo substituto de Tony Starr. Clinton escreveu uma declaração ao país onde confessou ter mentido sobre a sua relação com Monica Lewinsky.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Bono Candidato a Prémio Nobel da Paz


O vocalista do grupo U2, Bono Vox, é candidato ao Prémio Nobel da Paz. Foi seleccionado pela mobilização contra a pobreza na África que promoveu neste ano.
Na lista dos candidatos ao Nobel da Paz também estão, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, as organizações humanitárias que trabalharam na tragédia do maremoto de 26 de Dezembro, assim como o governo da Indonésia e os rebeldes de Aceh, que acabam de assinar um acordo de paz que põe termo a quase 30 anos de combates.
Outra candidatura é a da iniciativa “1.000 mulheres para o Prémio Nobel da Paz 2005”, que inclui mulheres de mais de 150 países comprometidas na defesa da paz e da dignidade humana.
Em 2004, o prémio foi atribuído pela primeira vez a uma mulher africana, a militante ecológica queniana Wangari Maathai.
O vencedor do Prémio Nobel da Paz será anunciado em Oslo no dia 14 de Outubro, e o prémio é 10 milhões de coroas suecas (1 milhão de Euros aproximadamente).

quarta-feira, agosto 17, 2005

Um Lapso Momentâneo de Memória?


O Papa Bento XVI pediu desculpas nesta quarta-feira por ser esquecido, o que não ocorreu apenas uma vez, mas duas. No fim da audiência geral semanal, o Papa deixou a janela da sua residência de Verão, em frente da qual estavam milhares de pessoas, a ouvir a tradicional saudação papal em diversos idiomas, e teve que voltar pouco depois. Ao retornar, brincou. “Peço perdão. Esqueci-me do mais importante cumprimento, aquele destinado aos peregrinos que falam italiano”, afirmou em meio a risadas.
O papa de 78 anos então leu uma saudação em italiano, virou-se para sair, quando os assistentes lhe lembraram que havia mais alguma coisa a fazer. Então, o pontífice retornou à janela.
“Hoje, estou-me a esquecer de coisas muito importantes. Parece que eu já estou parcialmente em Colónia”, afirmou. “Eles disseram-me: ‘Você esqueceu o essencial, a bênção”’, acrescentou.
O pontífice deu a bênção e voltou a entrar na sua residência de Verão.
Sinceramente desejo que este esquecimento não tenha nada a ver com o seu compatriota, o senhor Alzheimer.

Louca América


Bébés suspeitos de terrorismo.
Crianças com nomes parecidos ou homónimas com os de suspeitos de envolvimento com o terrorismo internacional estão a ser impedidas de embarcar nos aeroportos dos Estados Unidos.
Uma menina de um ano não teve autorização para embarcar no aeroporto de Phoenix, no Estado de Arizona, impedindo a família de passar o Dia de Acção de Graças em Washington.
Desde o 11 de Setembro, as listas de pessoas que são impedidas de viajar em aviões nos Estados Unidos ou necessitam de permissão especial têm crescido significativamente. Críticos afirmam que o governo não está fornecendo informação suficiente, fazendo com que passageiros inocentes sejam confundidos com pessoas que estão na lista.
Um outro casal, ao tentar embarcar no aeroporto internacional de Dulles, próximo da capital Washington, gastou mais de meia hora em procedimentos burocráticos porque o nome de seu filho de 11 meses estava na lista divulgada pelo governo, aos aeroportos.
Pessoas conhecidas nos Estados Unidos como o senador Edward Kennedy e o actor David Nelson já foram questionadas pela segurança em aeroportos norte-americanos.
É dever de cada companhia aérea confrontar o nome dos passageiros com a relação montada pelo governo norte-americano. De acordo com pessoas ligadas a companhias aéreas, a lista vem crescendo desde 2001 e chega hoje a atingir cem mil nomes.
O órgão responsável pela segurança na área de transportes nos Estados Unidos, responsável pela lista, afirma que instruiu as companhias aéreas a não negar o embarque a crianças com menos de 12 anos, mesmo que seus nomes figurem na relação.

folha online.

terça-feira, agosto 16, 2005

Retirada da Faixa de Gaza


A retirada israelita da Faixa de Gaza representa uma grande mudança no cenário político do Médio Oriente. Ainda não se sabe se a iniciativa vai abrir caminho para um acordo final para a criação do Estado Palestiniano ou se é uma tentativa do primeiro-ministro Ariel Sharon de definir unilateralmente as fronteiras de Israel. Como os factos concretos costumam ser determinantes na região, a menos que haja pressão dos Estados Unidos para concessões, as manobras de Sharon vão pautar as negociações nos próximos anos. O Muro mandado construir por Ariel Sharon, parte dele sobre o que é internacionalmente reconhecido como território palestiniano, deverá , na prática, torna-se uma nova fronteira, ou pelo menos uma linha de demarcação. Jerusalém Oriental, vista pelos palestinianos como a sua capital, e considerada pelos israelitas como parte integrante de uma Jerusalém única e indivisível, ficará dentro dos limites estabelecidos pelo Muro. No total, cerca de 10% das terras que estão além da chamada linha verde, que marca as fronteiras anteriores à guerra de 1967, ficarão do lado israelita. O facto de Ariel Sharon ter desmantelado todos os colonatos da Faixa de Gaza e alguns da Cisjordânia, surpreendeu, todo o mundo. Mas é bom lembrar que Sharon foi um general e a sua tendência é encontrar a manobra decisiva que determinará a vitória. Pode-se ver isto no que está acontecendo agora. No plano de retirada, ele tem mostrado a mesma brutalidade-criatividade para a defesa que costumava apresentar em acções de ataque, como no Canal de Suez, em 1973, ou na invasão do Líbano de 1982.Na visão de Sharon, o conceito de segurança no país foi redefinido e agora é diferente do que era nos anos oitenta. Foi portanto necessário repensar toda a política de colonatos, que Israel tinha implantado desde da Guerra dos Seis Dias. A demografia foi um factor que influenciou essa mudança de pensamento de Sharon. Se Israel não fizesse nada, em 2025 teria uma maioria de árabes palestinianos na Faixa de Gaza. A questão após a retirada da Faixa de Gaza é se é possível realizar negociações com os palestinianos que levem a um acordo completo. Será a saída de Gaza uma volta ao “mapa da paz” no Oriente Médio, ou será apenas uma retirada e ponto final?
Há demasiadas incertezas.

segunda-feira, agosto 15, 2005

Fucking, Áustria


O presidente da câmara da vila austríaca de Fucking lançou um apelo aos turistas britânicos para que parem de roubar os sinais da estrada com o nome da localidade.
Siegfried Hoeppl refere que a vila está habituada a muitos turistas que se deslocam para tirar fotos junto das placas, beneficiando do dinheiro dos turistas, mas os habitantes locais estão «fartos» de substituir as placas roubadas como recordações. No ano passado, a vila, de 150 habitantes, realizou um escrutínio para decidir sobre uma eventual alteração do nome. No entanto, os habitantes votaram pela manutenção da designação Fucking. O nome da vila surgiu de um homem de nome Fuck, que com a sua família se instalou no local há cem anos, e acrescentou o sufixo «ing» (que significa vila) à localidade, explica Hoeppl. Os habitantes da vila só descobriram o significado da palavra em inglês quando os soldados aliados se deslocaram para a região em 1945. Na fotografia a segunda placa é uma advertência aos condutores que entram em Fucking, “Por favor - devagar”.

Woodstock


O ano de 1969 foi marcado pelo festival Woodstock o maior de todos os festivais de rock, realizado no fim-de-semana de 15 a 17 de Agosto, em Bethel, Nova York. O evento chamava-se Woodstock Music & Art Fair, com o sub-título "Primeira Exposiçao Aquariana".
O slogan "três dias de paz e música" logo foi modificado para "três dias de paz e amor". O valor do ingresso para o fim-de-semana era 18 dólares, mas a maior parte do público invadiu o local derrubando as cercas.
A Feira de Arte e Música de Woodstock, em 1969, trouxe mais de 450.000 pessoas para um pasto no Condado de Sullivan.
Durante quatro dias, o local tornou-se uma nação da contra-cultura, nunca a expressão sexo, drogas e rock & roll foi usada tão apropriadamente. Os organizadores do Woodstock foram quatro jovens, John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang, até hoje não chegaram a acordo de quem teve a ideia original de realizar o concerto, de todas as maneiras deveriam estar imbuídos no mesmo espírito de Kornfeld, quando afirma “O Woodstock não era uma questão de construir palcos, assinar contractos ou vender bilhetes.
O festival era para ser um estado de espírito, um acontecimento que tornaria uma geração num exemplo”.
A música começou na tarde de 15 de Agosto, sexta-feira, às 17:07h,com a actuação de Richie Heavens e continuou até a metade da manhã do dia 18 de Agosto, segunda -feira, com a actuação de Jimi Hendrix.
A música brotou 3 dias quase sem parar para mais de 450 000 jovens, com um conjunto de artistas que formavam um verdadeiro "Quem é Quem do rock".
No encerramento do festival, segunda-feira, dia 18 de Agosto, sob um imenso sol alaranjado, Jimi Hendrix sobe ao palco, brindando aqueles que ainda não tinham ido embora do local, com sua interpretação do hino nacional dos EUA, "The Star Spangled Banner" arrancando da sua guitarra explosões de bombas, granadas, rajadas de metralhadoras e roncos de helicópteros, numa clara alusão à guerra do Vietname.
Aqueles que tiveram o privilégio de ver e ouvir Jimi Hendrix, saíram do festival sentindo-se ungidos de santidade.

domingo, agosto 14, 2005

Supertaça Cândido de Oliveira


O Benfica venceu o V. Setúbal por 1-0, no Estádio Algarve, conquistando o primeiro troféu da temporada, o que poderá ser um bom tónico em vésperas do arranque da SuperLiga.
Numa partida sem grandes lances a registar valeu o golo apontado por Nuno Gomos aos 51 minutos para que o Benfica conquistasse uma taça que já lhe fugia desde 1990.

sábado, agosto 13, 2005

Fidel Castro


O presidente de Cuba, Fidel Castro, completa hoje 79 anos como o líder político há mais tempo no poder. No poder desde 1959, Fidel diz que continuará enquanto for "útil".
Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em 13 de Agosto de 1926 em Mayarí, na província cubana de Oriente, filho de um proprietário rural ligado à produção da cana do açúcar. Estudou em escolas católicas de Santiago de Cuba e, em Havana, no prestigioso Colégio de Belém, dirigido por jesuítas. Formou-se em Direito pela Universidade de Havana, onde iniciou as suas actividades políticas. Por essa época, participou de uma tentativa frustrada de derrubar o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo e tomou parte, na capital colombiana, do motim popular de 1948, que ficou conhecido pelo nome de Bogotazo. Fidel entrou para o Partido do Povo Cubano em 1947 e por ele foi candidato a deputado na eleição programada para 1952, frustrada pelo golpe militar encabeçado por Fulgencio Batista em 10 de Março daquele ano. Em 26 de Julho de 1953, à frente de um pequeno grupo de rapazes, tentou tomar o quartel de Moncada, em Santiago, no Chile. O ataque fracassou e Fidel, com o irmão mais novo Raúl, foi condenado à prisão. Amnistiados em 1955, os dois dirigiram-se para o México, onde organizaram, com Ernesto Che Guevara, o Movimento 26 de Julho. A bordo do iate Granma, Fidel e seus companheiros dirigiram-se para a parte oriental de Cuba, onde desembarcaram em 2 de Dezembro de 1956 e iniciaram nas montanhas de Sierra Maestra uma vitoriosa campanha de guerrilhas contra Batista, que fugiu do país em 31 de Dezembro de 1958. O movimento para derrubar Baptista era genuinamente popular, e o código moral aliado aos ideais igualitários de Castro receberam, de inicio, o apoio da Igreja Católica. Mas em 1960, após a nacionalização de todas as propriedades norte - americanas em Cuba e a assinatura de um acordo petrolífero com a União Soviética, os cubanos ricos começaram a fugir do país e os exilados iniciaram na Florida o treino de uma força contra revolucionária. Mas Castro continuou no poder a apertar as rédeas do seu país em reacção as tentativas de assassínio e ao fracassado desembarque na Baía dos Porcos, patrocinado pela CIA. Humilhado pela crise dos mísseis cubanos, mandou prender executar ou exilar todos os que lhe faziam ou poderiam vir a fazer frente, reforçou os laços com a união Soviética e jurou levar a sua cruzada anti - imperialismo para outros países do Mundo, ao mesmo tempo que os Estados Unidos impunham o seu embargo económico sobre Cuba.
Durante os anos sessenta e princípios de setenta, Fidel Castro patrocinou muitos dos movimentos revolucionários da América Latina e os governos marxistas de Angola e da Etiópia, na África, continente ao qual Cuba chegou a enviar dezenas de milhares de soldados. Em 1976 promulgou-se em Cuba uma nova constituição, pela qual Fidel Castro passou a ser presidente do Conselho de Estado (chefe de estado) e do Conselho de Ministros, sem abandonar os cargos de chefe das forças armadas e secretário-geral do Partido Comunista de Cuba, o único permitido.
O regime dependeu economicamente da União Soviética até o fim do socialismo naquele país. A desintegração da União Soviética e o fracassos dos regimes comunistas provocaram o isolamento de Fidel Castro; a sua revolução quase não consegue alimentar os cubanos e os exilados em Miami há muito que prevêem a sua queda.
A Oposição alega, e com razão, que o regime não é democrático, por impedir eleições directas para os cargos máximos, por proscrever meios de comunicação independentes e organizações políticas fora do sistema oficial.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Carlos Lopes


Los Angeles, 12 de Agosto de 1984.
O andamento vivo e a temperatura elevada foram desgastando Salazar, que cedeu ao quilómetro 19, Castella descolou aos 34, Seko e Takeshi ficaram para trás aos 36.
Na cabeça do pelotão ficaram, então, Lopes, John Tracy e Charles Speddeing. Mas, aos 38 quilómetros, Lopes desferiu um ataque rumo à vitória, rumo ao sonho.
Entrou no estádio com 200 metros de vantagem, em passada firme, com o sorriso nos lábios. Os braços erguidos ao céu.
Lopes conquistava para Portugal, a primeira medalha de ouro numas Olimpíadas.
Eram 3horas10 minutos da madrugada em Lisboa.
O tempo que Lopes realizou continua a ser record Olímpico.

1º Carlos Lopes(Por)..........2.09.21
2º John Tracy(Irl)..............2.09.56
3º Charles Spedding(Ing)...2.09.58

" Se foi dura a Maratona?
Não, foram os 42 km do costume. Nunca tive medo de ser derrotado, bater não me batem, ralhar não dói... Nervoso estava Moniz Pereira.
Nunca o vi assim.
Nervoso de mais.
Estou feliz, o professor merecia esta medalha.
"Decidi não me preocupar antes dos 37 km, a partir daí sabia que tinha de dar forte e feio, foi o que fiz." Depois da vitória, Lopes mostrou-se desagradado com a FPA e não deixou de comparar o tratamento que lhe deram, com o que foi dado a Mamede.
"Fui campeão do Mundo de Corta-Mato em Nova Iorque e campeão Olímpico em Los Angeles, ajustei as contas com os americanos que sempre me desvalorizaram. Mas, uma coisa é certa: tudo isto só foi possível porque tinha uma grande firma atrás de mim - a Nike. A Nike afastou-me da aldeia Olímpica para me darem melhores condições e para que evitasse o contacto com certos...vírus. Não foi, por acaso que a Nike colocou ao meu serviço um dos melhores massagistas do Mundo."
Lopes refere que a federação recusou um bilhete para que a sua esposa o pudesse apoiar, no estádio Olímpico, e também a falta de apoio durante o controle anti-doping, onde teve que recorrer à Rita Borralho (Maratonista) para assegurar a tradução.
Lopes classifica esta situação:
" Uma vergonha! Antes de uma outra prova (10 mil metros) andava tudo muito preocupadinho com um certo senhor (Mamede), de tal forma que até punham cadeiras atrás das portas para que ninguém chateasse o reizinho, que afinal era um... tigre de papel. Por tudo isto não fui à festa da Missão Portuguesa, fui à festa da Nike. É que se nunca fui ingrato, também nunca fui parvo, nem masoquista."
A vitória de Carlos Lopes na Maratona Olímpica valeu-lhe o reconhecimento de Mundo. Ronald Reagan convidou-o a visitá-lo na Casa Branca. Tony Monk, uma das mais célebres pintoras americanas, fascinada pela sua saga, em Los Angeles, pintou-lhe retrato a óleo. Lopes gostou muito.
A chegada a Lisboa foi apoteótica, palmas que estrugiram, bandeiras que tremularam.
Portugal descobria, de novo, um novo sentido de si, da sua grandeza.
Em 1984, Lopes foi Campeão do Mundo de Corta-Mato, rebocou Mamede para o record do Mundo de 10 mil metros e foi campeão Olímpico da Maratona, tudo isto, contribuiu para que os jornalistas espanhóis o elegessem como o "Melhor Desportista Mundial" do ano de 1984.
O prémio foi entregue, em Madrid, pelo Rei D. Juan Carlos.
Mário Soares, na altura, primeiro-ministro, ofereceu-lhe um churrasco em São Bento e condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem do Infante, a mais importante comenda nacional. Lopes garantiu-lhe que caso se candidatasse à presidência da república teria o seu apoio. Cumpriu a promessa algum tempo depois.
Fonte: Jornal "A Bola".

quinta-feira, agosto 11, 2005

Efeito de Estufa na Europa


Artwork Ciruello Cabral
As temperaturas nas principais cidades europeias estão a aumentar a um ritmo mais rápido do que o previsto, alerta o novo relatório da organização ambientalista WWF (Fundo Mundial para a Natureza). Link wwf.be.
O estudo divulgado nesta quinta-feira analisou as temperaturas em 16 cidades da Europa durante o Verão nos últimos 30 anos e concluiu que, na maioria dos casos, houve um aumento de pelo menos um grau Celsius.

Madrid foi a cidade que registou o maior aumento nas temperaturas máximas, cerca de dois graus mais altas do que nos anos 70.
As cidades de Londres, Paris, Estocolmo, Lisboa e Atenas também tiveram um acréscimo de 1,5 grau nos seus termómetros.
O WWF atribui o aquecimento principalmente aos gases causadores do efeito estufa, como o dióxido de carbono, que é libertado na atmosfera por automóveis e outros veículos e por centrais eléctricas movidas a combustíveis fósseis.
Segundo o relatório, o Continente europeu deve esperar mais ondas de calor extremo, períodos de seca e chuvas torrenciais e algumas cidades podem ser especialmente afectadas.
Embora muitos europeus possam ver o aumento de temperatura como boa notícia, a entidade não-governamental alerta que um clima mais quente não significa apenas mais noites ao ar livre, mas também exaustão para os que trabalham e riscos de saúde para os idosos e crianças.
O WWF também adverte que medidas para aliviar o calor a curto prazo, como o ar condicionado, que usa electricidade, podem apenas piorar o problema.

O relatório defende que as autoridades europeias cortem as emissões de dióxido de carbono e invistam em fontes alternativas de energia.
Segundo a WorldWide Fund, se as temperaturas continuarem a aumentar neste ritmo, algumas das principais cidades europeias podem-se tornar inabitáveis.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Obrigado, Rui Silva


Fotografia: REUTERS/Michael Dalder
O atleta português Rui Silva conquistou a medalha de bronze nos 1.500 metros nos Mundiais de Atletismo que decorrem em Helsínquia, na Finlândia.
A prova foi ganha por Rachid Ramzi, do Bahrein, com o tempo de 3m37s88.
A medalha de prata foi para o marroquino Adil Kaouch (3:38:00), que prevaleceu por dois centésimos de segundo sobre Rui Silva (3m38s02).

Ordem da Liberdade para os U2


O Presidente da República, Jorge Sampaio, vai atribuir a Ordem da Liberdade, no próximo domingo, aos quatro músicos dos U2, uma condecoração que distingue uma banda rock que colocou a fama ao serviço de causas humanitárias. Inicialmente foi apenas anunciada a condecoração ao vocalista dos U2, Bono, conhecido pelo seu envolvimento em causa humanitárias, mas segundo o Palácio de Belém, todos os quatro membros do grupo vão ser condecorados. Os U2 são formados por Bono, Adam Clayton, The Edge e Larry Mullen.
Desde os primeiros álbuns, a banda de Dublin tem presente nas suas canções a vertente intervencionista e muitas delas acabam por ser adoptadas para outras causas pela pertinência e por questionarem a globalização ou a sociedade de consumo.
O rosto mais visível da banda, é Bono Vox, que nos últimos anos se empenhou no perdão da dívida aos países mais desfavorecidos ou, mais recentemente, no combate à sida no continente africano. O envolvimento da banda ao nível da dívida do terceiro mundo, a associação às iniciativas da Amnistia Internacional, o apoio à causa da liberdade da Birmânia e ao povo de Timor-Leste foram outros motivos apontados por Jorge Sampaio para a atribuição da Ordem da Liberdade. Bono, é dos poucos artistas que se movimenta no meio político, sendo recebido ao mais alto nível e tendo já sido apontado para o Nobel da Paz pelo empenho e pelo esforço naquelas causas.

terça-feira, agosto 09, 2005

A Ética da Terra


“A Ética da Terra simplesmente amplia as fronteiras da comunidade para incluir o solo, a água, as plantas e os animais, ou colectivamente: O Planeta.

Isto parece simples: nós já não cantamos o nosso amor e a nossa obrigação para com a terra da liberdade e o lar dos corajosos ?

Sim, mas quem e o que propriamente amamos ?

Certamente não o solo, o qual nós mandamos desordenadamente rio abaixo.

Certamente não as águas, que assumimos que não tem função, excepto para fazer funcionar turbinas, flutuar barcaças e limpar os esgotos.

Certamente não as plantas, as quais exterminamos, comunidades inteiras, num piscar de olhos.

Certamente não os animais, dos quais já extirpamos muitas da mais bonitas e maiores espécies.

A Ética da Terra não pode, é claro, prevenir a alteração, o manejo e o uso destes recursos, mas afirma os seus direitos de continuarem existindo e, pelo menos em reservas, de permanecerem no seu estado natural…

As obrigações não tem sentido sem consciência, e o problema que nos defrontamos hoje, é a extinção da consciência social das pessoas para com o Planeta.”
Prof. Aldo Leopold no livro “Sand County Almanac”

segunda-feira, agosto 08, 2005

Morreu Ibrahim Ferrer


O cantor cubano Ibrahim Ferrer, um dos membros mais famosos do mítico grupo musical Buena Vista Social Club, morreu ontem aos 78 anos de idade, em Havana, anunciou a sua mulher, Caridad Diaz, à AFP. Ibrahim Ferrer morreu às 23h20 de Lisboa, no centro de investigações médico-cirúrgicas de Havana, onde estava internado há alguns dias por sofrer sintomas de uma gastroenterite, depois de um mês de “tournée” pela Europa. O artista tinha regressado da Europa, onde promoveu o seu último trabalho, "Mi sueno. A bolero songbook", uma colecção de boleros antigos com os quais Ferrer se distanciou do tradicional som cubano.Com este novo álbum, o cantor confessou em Barcelona, há poucos dias, que "tornou-se realidade um velho sonho".
Nascido em 1927 em San Luis, perto de Santiago, Ibrahim Ferrer ficou órfão aos 12 anos, altura em que começou a fazer pequenos trabalhos, para ganhar o sustento. A música depressa surgiu na sua vida, , começou a cantar muito jovem em Santiago de Cuba, e em 1955 teve um êxito com o disco "el Plantanar de Bartolo" com a orquestra mais popular daquela cidade, a Chepín-Chóven.Dois anos depois mudou-se para Havana onde trabalhou com a orquestra Ritmo Oriental e Benny More. Juntou-se ao grupo de Pacho Alonso Y Los Bocucos com o qual se manteve até 1991, quando decidiu retirar-se da música, dizendo-se "desencantado". Regressou com o projecto Buena Vista Social Club, com os seus companheiros Compay Segundo (que morreu em Julho de 2003), Ruben Gonzalez (morreu em Dezembro de 2003), Eliades Ochoa e Omara Portuondo, graças ao filme Buena Vista Social Club, do cineasta Wim Wenders, depois do lançamento do álbum com o mesmo nome, produzido pelo norte-americano Ry Cooder. Foi transformado numa estrela quando o disco do grupo ganhou um prémio Grammy, após o que passou os últimos anos a viajar por todo o mundo com a banda que integra o trompetista Guajiro Mirabal ou o baixista Cachaito.

Depois do sucesso do filme, Ibrahim Ferrer lançou dois álbuns a solo: “Buena Vista Social Club presents Ibrahim Ferrer” e “Buenos Hermanos".
Nos últimos anos, Ibrahim Ferrer acumulou vários prémios e vários discos de ouro.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Lançamento da Bomba Atómica em Hiroxima


Para que a bomba atómica fosse lançada sobre o Japão, as Forças Armadas dos Estados Unidos criaram com elementos seleccionados entre várias unidades, o 509º Grupo Aéreo, composto de cerca de 1.500 homens entre oficiais e praças. Para comandar o Grupo, foi escolhido o Coronel Paul Tibbets Jr. Experimentado piloto de 29 anos que na Europa, em missões sobre a Alemanha, já se tinha revelado competentíssimo piloto de bombardeiro de primeira classe.
Em Fevereiro de 1945, o Grupo 509 começou a realizar exercícios especiais, inteiramente diferentes daqueles que até então a Força Aérea Americana vinha ministrando. Os exercícios de bombardeamento, faziam-se sempre a 9 mil metros de altura, cada avião não lançava mais que uma bomba de 4.335 kg. Insistiam muito em efectuar tais bombardeamentos a olho nu. Isso intrigava os pilotos veteranos, diga-se de passagem que ninguém do Grupo 509º, com excepção do próprio Tibbets, sabia para que missão estava sendo treinada.
O treino com uma única bomba evidentemente, simulava o eventual voo, para o ataque atómico. Em tal caso a tripulação não poderia de modo algum errar o alvo e não se poderia confiar num bombardeamento orientado “pelo”radar”.
Nos últimos dias de Abril de 1945, o Grupo 509º foi transferido para a ilha de Tinian pequena e inóspita, no Arquipélago das Marianas, no meio do Pacífico. Ali no dia 5 de Agosto de 1945, um dos B-29, o Enola Gay, baptizado pelo comandante Coronel Paul Tibbets Jr em homenagem a sua mãe, foi escolhido para lançar a primeira bomba atómica.
No dia seguinte, 6 de Agosto de 1945 poucos minutos antes de o Enola Gay descolar, descolou de Tinian, sob o comando do Coronel Claude Eatherly o Straight Flush avião de observação meteorológica, que teria a missão de informar o Enola Gay em que ponto do Japão deveria ser lançado a bomba atómica. Às 6h40 minutos já tinham três opções para o lançamento da bomba: as cidades de Nokura, Nagasaqui e Hiroxima.
Às 7h47 de 6 de Agosto de 1945 são verificados pela última vez, todos os circuitos do Enola Gay. Doze minutos depois o Coronel Paul Tibbets avista Hiroxima. A manhã é clara, com raríssimas nuvens no céu. Às 8h 15 minutos, o Major Tom Ferebec, enquadra no visor de sua mira uma ponte sobre o rio Ota, que corta Hiroxima.
Ao aproximar-se de Hiroxima o B-29 voava a mais de 9 mil metros, mas, para lançar a bomba, teve que descer até 4.550 metros. Após o lançamento como fora instruído o Coronel Tibbets teria de se afastar imediatamente do alvo, para não ser apanhado pelas ondas de choque provocadas pela explosão da bomba atómica. Às 8h15 minutos, a bomba a que levava o nome de Litle Boy é lançada da Superfortaleza voadora B-29, quarenta e três segundo depois Hiroxima já é um mar de chamas.
E quando as chamas começaram a apagar-se cedendo lugar a uma espessa e corrosiva chuva negra, os sobreviventes da cidade além de chorar os seus cerca de oitenta mil mortos, verificaram, cheios de espanto e terror, que Hiroxima havia simplesmente desaparecido.
A bordo do Enola Gay, ao olhar o aterrorizante cogumelo de fogo e cinza que se erguia a centenas de metros, o Capitão Robert Lewis, co-piloto do Coronel Tibbets murmurou:
“Meu Deus, que fizemos”.
Cerca de 92% dos edifícios e casas foram destruídas num raio de 4 kms. Criou uma luminosidade que cega e em queda uma bola de fogo com uma temperatura no núcleo de cerca de um milhão de graus. A bola de fogo expandiu-se de 25,6 metros para 256 de diâmetro num segundo, criando uma enorme onda de explosivos e em seguidas ondas de abalos. Ventos de 1600 quilómetros/hora e poeira são sugados para cima e criam nuvens em forma de cogumelo, que espalha detritos radioactivos. Entre 70 mil e 80 mil pessoas terão morrido instantaneamente. Milhares de vítimas que estavam queimadas, mutiladas, cegas pelo clarão da explosão, vagavam entre os cadáveres calcinados e uma quantidade incalculável de escombros, procurando desesperadamente socorro.
No dia 9 de Agosto seria lançada nova bomba atómica, alcunhada de Fat Man, desta feita em Nagasaqui.
O Japão rendeu-se incondicionalmente no dia 15 de Agosto, terminando com isso a Segunda Guerra Mundial.