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domingo, janeiro 27, 2008

Greta Garbo


Greta Lovisa Gustafsson, nasceu em Estocolmo, Suécia a 18 de Setembro de 1905, de família pobre, ficou órfã aos 15 anos tendo começado a trabalhar nessa altura numa loja de moda, acabando por se tornar modelo de chapéus!
Descoberta pela publicidade foi convidada por E. A. Petschler para figurar num pequeno filme como banhista. Entrou para a Real Academia de Arte Dramática de Estocolmo, em 1922 e no ano seguinte faz o primeiro casting para cinema.
Em 1923, foi descoberta por Mauritz Stiller (um dos cineastas da idade de ouro do cinema sueco), que lhe oferece o nome (Garbo) e também o seu primeiro papel importante no cinema, em A Lenda de Gösta Berling (1924), depois de A Rua Sem Sol (1925), sob a direcção G. W. Pabst, vai para os EUA contratada por Louis B. Mayer, patrão da MGM, torna-se uma estrela fulgurante do cinema mudo, através de filmes como A Tentadora (1926), iniciado por Stiller e concluído por Fred Niblo, ou O Demónio e a Carne (1927), de Clarence Brown; apesar do cepticismo da indústria, resiste à passagem para o sonoro e, com Ana Cristina (1930). Quando apareceu neste filme, a publicidade foi feita com a expressão "Garbo talks!".
Em 1932 entra em "Mata Hari", seguindo-se "A Rainha Cristina", 1934, "Ana Karenina", 1935, "Camille", (para os críticos o seu melhor filme) e ainda "Margarida Gautier", 1936, "Maria Walewska" (1937) "Ninotchka", 1939. Heroína romântica e trágica, lenda viva da sétima arte, protagonizou uma década de apoteose artística e comercial.
Em 1941, logo após a conclusão de «A Mulher de Duas Caras», sob a direcção de George Cukor, contra todas as expectativas, Greta Garbo declarou que se ia afastar do cinema. E assim foi, nunca voltau a participar num filme. Saiu de cena no auge da fama tendo conquistado um lugar único na 7ª Arte.
Foi nomeada três vezes para o Óscar de melhor actriz. Em 1955 recebeu o Óscar da Academia pelo conjunto da sua carreira.
Símbolo universal do glamour, possuía uma beleza sofisticada e misteriosa, envolta numa aura de inacessibilidade, imagem que estendeu à sua vida privada. Faleceu em Nova Iorque, a 15 de Abril de 1990.

Suharto


O antigo ditador indonésio, Haji Muhammad Suharto morreu, aos 86 anos, num hospital da Indonésia, onde estava internado desde 4 de Janeiro, confirmou a polícia do país. Entrou em coma durante a noite, não tendo resistido aos problemas de coração, rins e pulmões.
Suharto governou a Indonésia durante a 32 anos com mão de ferro. Abdicou do poder em 1998, na sequência de uma grave crise económica.
Foi o segundo presidente da Indonésia, tendo chegado ao poder em 1967 na sequência de um golpe para retirar a presidência a Sukarno. Muhammad Suharto nasceu a 8 de Junho de 1921, em Kemusuk, na ilha de Java, numa família camponesa e muçulmana.
No percurso para chegar à liderança do país lutou contra o Partido Comunista Indonésio, que em 1965 acusou de tentativa de golpe de Estado, justificando desta forma mais de 500 mil mortes.Brandia a ameaça comunista ou do integrismo islâmico para conquistar o apoio da comunidade internacional, em particular dos Estados Unidos.
Construiu um Governo forte e de orientação centralista. Em nome da estabilidade no arquipélago tentou travar os separatismos regionais e tentou calar os dissidentes políticos.Foi eleito presidente da Indonésia, em 1968, pelo Parlamento, cujos membros eram nomeados pelo próprio Suharto.
O seu Governo da “Nova Ordem” permitiu que o conjunto de 17.500 ilhas atingisse a estabilidade económica, em virtude das exportações de têxteis.
Suharto era acusado com frequência pelas organizações de defesa dos direitos do Homem e foi criticado pelo massacre cometido em Timor-Leste, cuja invasão ordenou em 1975. Na luta contra a Fretilin terá morrido um terço da população de Timor ao longo de mais de 20 anos. Timor foi declarada a 27.ª província indonésia a 17 de Junho de 1976.
A Indonésia só aceitou a transferência da administração de Timor para as Nações Unidas e o referendo que iria dar a independência a Timor após a saída de Suharto.
Entregou o poder ao seu número dois em Maio de 1998, após a revolta popular estimulada pela crise financeira. Suharto foi alvo de suspeitas relativas ao seu enriquecimento, tendo mesmo sido acusado de corrupção pelo desvio de mais de 570 milhões de dólares de fundos públicos. Nunca chegou a ser julgado devido ao seu estado de saúde frágil. (Lusa).

sábado, janeiro 26, 2008

Marlene Dietrich


Marie Magdelene Dietrich von Losch, nasceu em Berlim, a 27 de Dezembro de 1901. Orfã de pai desde muito cedo, cresceu numa família conservadora da classe média alta alemã. Começou por aprender violino, mas cedo decidiu ser actriz. Em 1922, entrou para a escola de teatro de Max Reinhardt, começando pouco tempo depois a fazer pequenos papéis em peças de teatro e filmes mudos alemães, como Tragédia de Amor (1923) que assinalou a sua estreia como actriz de cinema. Em 1924 casou com Rudolf Sieber, de quem teve uma filha, Maria Riva. No final da década de 20 era já uma conhecida actriz na Alemanha, comparada a Greta Garbo e Elizabeth Bergner.
Foi descoberta por Josef Von Sternberg em 1930 em O Anjo Azul, onde contracenou com Emil Jannings. No mesmo ano, assinou um contracto com a Paramount e foi para Hollywood, deixando o marido e a filha. Dos seus sete primeiros filmes com a Paramount, seis foram dirigidos por Josef Von Sternberg que imortalizou para sempre Dietrich, transformando-a num mito.
Da sua filmografia destacam-se Marrocos (1930), O Expresso de Xangai (1932),A Vénus Loira (1932) e The Devil is a Woman (1935), o último filme da dupla Dietrich/Sternberg. Em 1939, obteve a cidadania americana. Durante a II Guerra Mundial interrompeu a carreira de actriz para acompanhar o contingente militar norte-americano na Europa, fazendo animações e espectáculos para as tropas, serviço pelo qual foi galardoada com diversas medalhas de honra e mérito, em França e nos EUA. Os seus filmes foram proibidos na Alemanha, por ter recusado ofertas para voltar a filmar no seu país e por ter participado em campanhas anti-.nazis. Após a guerra, regressou à América e retomou a sua carreira no cinema com Berlim Ocidental (1948), Pânico nos Bastidores (1950) e Sede do Mal (1958), tendo iniciado uma nova fase como cantora em espectáculos musicais.
Nos últimos anos era raramente vista em público. Colaborou ainda com Maximilian Schell na realização de um filme autobiográfico, mas nunca deixou que a filmassem. Apenas permitiu a gravação da sua voz. O resultado final do trabalho - Marlene (1984) - foi uma excelente montagem entre filmes antigos e o registo vivo da estrela. Morreu em Paris, a 6 de Maio de 1992.
Em 1993, a filha, Maria Riva, publicou uma biografia escrita pela própria Marlene, intitulada Marlene: An Intimate Memoir.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Walt Disney


Walter Elias Disney nasceu em Chicago a 5 de Dezembro de 1901. Passou a maior parte de sua infância numa quinta em Marceline, no Missouri. Com 14 anos entrou para o Kansas City Art Institute e aos 16 foi voluntário da Cruz Vermelha em França, no final da Grande Guerra.
Em 1919, começou a trabalhar num estúdio, em Kansas, onde conheceu Ub Iwerks, um promissor artista que se tornaria o seu mais longo e fiel colaborador.
Em 1923, fundou o seu próprio estúdio em Hollywood e, juntamente com o seu irmão Roy e o colaborador Iwerks, começou a produzir uma série de animação em movimento intitulada Alice in Cartoonland.
Em 1927, a produção continuou com a criação de uma outra série de desenhos animados: Oswald the rabbit.
No ano seguinte, em 1928, nascia Mickey Mouse, ou Rato Mickey. Os dois primeiros cartoons eram mudos (Plane Crazy e Gallopin Gaucho), sendo o terceiro já sonorizado (Steamboat Willie). A voz do Rato Mickey era a do próprio Walt Disney que, encorajado pelo recente sistema sonoro, concebeu uma nova série — Silly Symphony, em que a acção dos desenhos animados era criada de forma a acompanhar a música (pré-gravada). O mais famoso cartoon desta série é The Three Little Pigs (1933). Em 1932, começou a produzir filmes coloridos e a utilizar a câmara multiplana, que permitia uma maior perspectiva e profundidade.
O sucesso de Mickey originou uma série de animais que se tornaram verdadeiras estrelas populares: Minnie, Pato Donald, Pateta e Pluto. Às curtas-metragens vieram juntar-se as grandes produções de desenhos animados (em longa-metragem), como Snow White and the Seven Dwarfs/A Branca de Neve e os Sete Anões (1938), Pinocchio/Pinóquio (1940) e Dumbo (1941), com um enorme sucesso em todo o mundo.
A ideia de que miúdos e adultos vivessem o mesmmo sonho toma corpo em1955, a Walt Disney inaugurou o seu primeiro parque de diversões — a Disneylândia, na Califórnia. O rápido sucesso alcançado leva-o a desenvolver um projecto ainda mais ambicioso: a criação de um verdadeiro universo de lazer, a que não chega assistir porque morre a 15 de Dezembro de 1966, em Los Angeles.
Mas o seu irmão Roy e a sua equipa agarram no sonho e abrem, em 1971, a Walt Disney World Resort na Florida, um conceito que em 1992 é exportado para a Europa com o Disneyland Paris.
Os estúdios Disney dedicaram-se igualmente à produção de filmes de pura acção como Treasure Islands (1950) e documentários sobre a natureza, como The Living Desert (1953). Produziram também longas-metragens reais, com figuras humanas, entre as quais The Swiss Family Robinson/A Família Robinson (1960) e a famosa Mary Poppins (1964).
Em 1961, a figura de Walt Disney tornou-se familiar para milhões de pessoas através das primeiras séries televisivas a cores, que o próprio apresentava no início de cada sessão. Muitos filmes se seguiram tais como os famosos A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro, Anastasia, Alladino, Robin Hood, Rei Leão, Hercules, Pocahontas, Mulan e Tarzan.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Charles Chaplin


Charles Spencer Chaplin nasceu a 16 de Abril de 1889, em Londres, e faleceu a 25 de Dezembro de 1977, em Vevey, na Suíça. Filho de artistas do vaudeville, viveu uma infância humilde, marcada pelo abandono do lar por parte do pai alcoólico.
Aos 5 anos, já participava em espectáculos, cantando e dançando nas ruas da capital inglesa ao lado do seu irmão Sydney. Depois duma breve passagem por um orfanato, junta-se a uma companhia infantil de teatro. Mais tarde, por influência de seu irmão Sidney, é contratado pela Companhia Teatral de Fred Karno, onde permaneceu até 1912, alcançando algum prestígio a nível interno.
Em 1912, durante uma digressão aos Estados Unidos, onde actuou ao lado de Stan Laurel, chamou a atenção do produtor cinematográfico Mack Sennett, patrão do Keystone Studios. Após uma difícil negociação, estrear-se-ia- em 1914 com uma prestação secundária em Making a Living (1914). Neste mesmo ano, participou em 35 filmes da Keystone e cada participação fez crescer a sua cotação como actor.
Em Mabel's Strange Predicament (A Estranha Aventura de Mabel, 1914), desempenhou pela primeira vez a personagem que o imortalizaria aos olhos de milhões de cinéfilos: Charlot, o vagabundo com o chapéu de coco, calças largas e bengala em constante movimento que numa sucessão de gags cómicos procura libertar-se de forma pouco ortodoxa de inúmeras situações desfavoráveis, ora pontapeando agentes da lei, ora cortejando belas mulheres. O facto de os espectadores se identificarem com as peripécias de Charlot ajudou ao retumbante êxito da personagem que surgiria novamente em The Masquerader (Charlot Faz de Vedeta, 1914), Laughing Gas (Charlot Dentista, 1914),The Rounders (Que Noite!, 1914) e Mabel's Busy Day (Charlot e as Salsichas, 1914).
Começou também a dirigir as suas próprias curtas-metragens, iniciando essa nova faceta com Making a Living (1914). Após mais um sucesso com The Tramp (Charlot Vagabundo, 1915), Chaplin recebeu um contrato milionário da First National Studios com uma cláusula irrecusável: a de manter o controlo absoluto da criação artística dos filmes que interpretava e dirigia. Dando asas a toda a sua imaginação e talento, somou êxitos em cadeia, dos quais se destacou o célebre The Kid (O Garoto de Charlot, 1921).
No início dos loucos anos 20, era o comediante mais bem pago de Hollywood, facto que o levou a enveredar por uma nova aventura: juntamente com o realizador D.W.Griffith e os actores Douglas Fairbanks e Mary Pickford, fundou a United Artists que em breve se tornou numa das produtoras de maior sucesso do Mundo. Nesta tripla faceta de actor-realizador-produtor, continuou a maravilhar os espectadores, imortalizando cenas clássicas como a de comer atacadores dos sapatos cozidos, em Gold Rush (A Quimera do Ouro, 1925).
Em 1928, ainda a Academia dava os seus primeiros passos, já Chaplin recebia nomeações para 2 Óscares como Actor e Realizador em The Circus (O Circo, 1928). O seu último filme mudo foi o inesquecível Modern Times (Tempos Modernos, 1936) onde caricaturou de forma genial o sistema industrial. No seu filme seguinte, fez uma brilhante sátira a Adolf Hitler e ao regime nazi em The Great Dictator (O Grande Ditador, 1940), mas o filme não caiu bem entre a sociedade conservadora norte-americana, encabeçada pelo magnata da imprensa William Randolph Hearst que procurou ridicularizar a película.
No entanto, a sua interpretação de Adenoid Hinkel, Ditador da Tomânia, permitiu a Chaplin ser nomeado para o Óscar de Melhor Actor. A partir daí, a carreira de Chaplin começou a ressentir-se duma constante publicidade negativa, devido a divórcios litigiosos, acusações de adultério e vários processos de paternidade. Para agravar a situação, veio o estrondoso falhanço comercial de Monsieur Verdoux (O Barba Azul, 1947), uma comédia negra demasiado avançada para a época sobre um homem que se casa constantemente, assassinando em seguida as suas esposas para beneficiar das respectivas heranças.
Em 1952, o senador McCarthy acusou-o de simpatias comunistas e recusou-lhe o visto de entrada nos EUA, obrigando Chaplin a refugiar-se na Suíça. Foi na Europa que Chaplin promoveu o seu filme seguinte, o brilhante drama Limelight (Luzes da Ribalta, 1952) sobre um palhaço decadente que se apaixona por uma jovem bailarina.
Neste filme, salientou-se a magistral banda sonora (da autoria de Chaplin que lhe valeu um Óscar em 1972, ano em que o filme foi lançado comercialmente em Hollywood), o sketch cómico-musical com Buster Keaton e uma breve aparição de Geraldine Chaplin, sua filha e que viria também a tornar-se actriz de créditos firmados.
Chaplin ainda realizaria mais dois filmes: A King in New York (Um Rei em Nova Iorque, 1957), que passou quase despercebido, e A Countess From Hong-Kong (A Condessa de Hong-Kong, 1967), uma comédia romântica que, apesar de protagonizada por Marlon Brando e Sophia Loren, foi um fiasco de bilheteira.
Em 1972, aos 83 anos, recebeu finalmente permissão para entrar nos Estados Unidos e foi aplaudido entusiasticamente de pé durante dez minutos por uma plateia em êxtase quando recebeu um Óscar Honorário pelo seu contributo à arte cinematográfica.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Pinto da Costa


Odiado pela esmagadora maioria dos benfiquistas e dos sportinguistas, é o líder incontestado e idolatrado dos sócios e simpatizantes do FC Porto: Jorge Nuno Pinto da Costa, o "Presidente", o "Grande Líder" ou o "Papa", como é apelidado. Provocador, zombeteiro, frontal, corrupto, génio, sarcástico, malabarista, cáustico, arguto, perspicaz, reservado, intriguista, repentista, irónico, brilhante, os adjectivos para caracterizar Pinto da Costa, esgotaram-se desde de há muito tempo. Já foi acusado de tudo e já acusou toda a gente de tudo. Já foi gozado e já foi elogiado na televisão, tanto pelos adeptos portistas como pelos rivais. Já inspirou caricaturas de todos os tipos, mas também tem fama de caricaturar todas as pessoas com quem se cruza. Mas acima de tudo, tirou um clube pequeno do anonimato, e levou-o à alta-roda do futebol mundial. Quase 26 anos depois de ser eleito presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa acumula títulos, paixões e ódios, como ninguém antes dele. Com Pinto da Costa, o FC Porto ganhou todas as competições em que entrou, pelo menos uma vez, excepto a Taça das Taças e ganhou muito: 1 vez a Taça dos Campeões Europeus e uma outra vez a Liga dos Campeões. Uma Supertaça europeia e uma Taça UEFA. Duas vezes a Taça Intercontinental. A nível nacional, em 25 anos ganhou, por 15 vezes o Campeonato Nacional, 9 taças de Portugal e 14 Supertaças Cândido de Oliveira. Nos anos de presidência de Pinto da Costa, o FC Porto ganhou, ainda, centenas de títulos em outras modalidades mas a lista é demasiado extensa para caber neste artigo.
Os títulos falam por si, mas em verdade se diga, Pinto da Costa, é o melhor presidente de sempre num clube de futebol, em Portugal. Faz hoje setenta anos, desejo-lhe muitos anos de vida, se possível longe do dirigismo desportivo e do “seu” FC Porto.
Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa nasceu na cidade do Porto a 28 de Dezembro de 1937, no seio de uma tradicional família da burguesia nortenha. Filho de José Alexandrino Teixeira da Costa e Maria Elisa Bessa Lima de Amorim Pinto, tem mais quatro irmãos. Marcado por uma severa educação matriarcal, o menino Jorge Nuno fez a escola primária no colégio Almeida Garrett, tendo simultaneamente aulas particulares de Inglês e Francês. Aos 10 anos vai estudar para o Colégio Jesuíta das Caldinhas, em Santo Tirso.
É por influência do tio Armando Pinto, entusiasta de futebol que fora presidente do Famalicão, que Jorge Nuno Pinto da Costa começa a interessar-se por futebol. Tinha 14 anos quando, no dia 28 de Maio de 1952, pela mão do tio, assistiu à pomposa cerimónia de inauguração do Estádio das Antas.
Desde então não mais se desligou do clube, nem mesmo quando se encontrava longe do Porto, procurando sempre que possível ouvir o relato das partidas. Quando completa 16 anos, em Dezembro de 1953, a avó materna inscreve-o como sócio do FC Porto.
Após terminar os estudos secundários, Pinto da Costa começou a trabalhar como bancário, no Banco Português do Atlântico. Com cerca de 20 anos, é convidado pelo responsável pela secção de hóquei em patins para ocupar o lugar de vogal, e aceita. Em 1962 passaria a chefe de secção, cargo que viria a acumular com o de chefe da secção de hóquei em campo. Em 1967 passa a ser também chefe da secção de boxe, onde conhece Reinaldo Teles, na altura atleta da modalidade.
Entretanto abandona o Banco onde trabalhava e nos anos seguintes passou por várias empresas, como vendedor, chefe de vendas e empresário, e pelo ramo imobiliário.
Em 1969, é convidado por Afonso Pinto de Magalhães a integrar a sua lista para as eleições desse ano como director das modalidades amadoras. Assim, Pinto da Costa assume pela primeira vez um cargo eleito no FC Porto, de 1969 a 1971. No final desse período, apesar de ter sido convidado por Américo de Sá a candidatar-se com ele, recusou o convite por considerar que o novo candidato deveria apresentar-se às urnas com uma lista totalmente renovada.
Em Maio de 1976, é eleito dirigente na lista de Américo de Sá, tornando-se chefe do departamento de futebol. Pinto da Costa iniciou a sua carreira como director desportivo de forma polémica, trazendo para o FCP o treinador José Maria Pedroto, que fora afastado do clube e proibido de entrar nas suas instalações. Assumiu, desde o início, a postura que o tornou célebre, com as declarações polémicas que ainda hoje mantém. Alterou a organização do clube e a forma de relacionamento com os jogadores.
É com Américo de Sá como presidente, Pinto da Costa como director do futebol e Pedroto como treinador que o FC Porto consegue, ser campeão nacional na época de 1977-78, quebrando um jejum de 19 anos sem vencer um campeonato nacional. Na época seguinte, o FC Porto tornar-se-ia bi-campeão de Portugal. Apesar disso, Pinto da Costa e Pedroto acabam por abandonar o FC Porto em 1980, no chamado "Verão quente" portista.

Em Dezembro de 1981 as coisas corriam mal ao FC Porto, parecia estar de volta o tempo antes de Pinto da Costa ter sido chefe do departamento do futebol e é então que um grupo de sócios se une com o objectivo de convencer Pinto da Costa a candidatar-se à presidência do clube. Relutante em assumir a liderança, o antigo chefe do departamento de futebol na série de dois títulos consecutivos, aceita finalmente ser candidato. Com o slogan, “se quer um FC Porto forte em Portugal e na Europa vota na Lista B – Jorge Nuno Pinto da Costa” e com uma agressiva campanha eleitoral com sessões de esclarecimento de sala cheia na cidade do Porto e nos arredores, que levou o outro concorrente, Afonso Pinto de Magalhães, a desistir a poucos dias das eleições, Jorge Nuno Pinto da Costa vence as eleições de 17 de Abril de 1982, tornando-se o 33º presidente do FC Porto.
A 23 de Abril de 1982, as ruas do Porto enchem-se para festejar a tomada de posse do novo presidente do Futebol Clube do Porto. Do FC Porto de então dizia-se que sofria do «complexo da Ponte da Arrábida», que começava a perder logo que atravessava a ponte. No discurso de tomada de posse, Pinto da Costa deu o mote, para a sua longa presidência: «Lisboa não pode continuar a colonizar o resto do País. O desejo deles é que o FC Porto desça de divisão». A talvez sua frase mais famosa, traduz claramente a profunda rivalidade, quase insana, entre por um lado Benfica e Sporting, e do outro lado, o FC Porto.
No prosseguimento da sua “descolonização”, para que não fosse apenas Lisboa a ter o prestígio desportivo, Pinto da Costa trava em 1983, uma batalha para que a final da Taça de Portugal fosse, nesse ano, no Estádio das Antas. “Ou a final é no Estadia das Antas ou não há Final”. Foi e o Benfica ganhou a final à equipa da casa, por 1-0, com uma "bomba" de Carlos Manuel.
Aquando da sua eleição, Pinto da Costa prometera uma final europeia: cumpriu a promessa em Basileia a 16 de Maio de 1984. No entanto, o FC Porto, perderia essa final das Taças das Taças, para a Juventus. Devido à doença de Pedroto, que já não tinha orientado a equipa nos últimos meses da época 1983/84, incluindo a final da Taça das Taças, Pinto da Costa vê-se na obrigação de contratar outro treinador. Desta vez, contrata Artur Jorge, que conquistaria os primeiros campeonatos do reinado Pinto da Costa em 1985 e 1986 e partiria à conquista da Europa.
Em 1987, Pinto da Costa assistiu finalmente à primeira vitória do seu clube na Taça dos Campeões Europeus. Em 27 de Maio de 1987, no estádio Prater de Viena, o FC Porto vence Taça dos Campeões Europeus em futebol, batendo na final o poderoso Bayern Munique por 2-1. A 13 de Dezembro desse mesmo ano, em Tóquio, o FC Porto, ganha a Taça Intercontinental, ao derrotar o campeão Sul-americano, o Peñarol por 2-1. Um mês depois, a 13 de Janeiro de 1988 o FC Porto conquista a Supertaça Europeia vencendo no Estádio das Antas, o Ajax por 1-0, depois de já ter vencido na primeira-mão, em Amesterdão, por 1-0.
“ Pinto da Costa foi a pessoa que conseguiu acabar com aquele medo de passar a ponte para Sul, ele viu longe e não se limitou a querer ser campeão de Portugal, mas a ser um clube europeu e mundial e conseguiu-o”.
A 9 de Março de 1994 o então Ministro das Finanças, Eduardo Catroga, com o argumento que FC Porto tinha dívidas à Segurança Social e ao Fisco, manda penhorar diversos bens, entre os quais, a retrete da cabine do árbitro do Estádio das Antas. A 25 de Março, no decorrer de uma Assembleia-geral do FC Porto, Pinto da Costa, disparou “Acabem-se as eleições com partidos e votemos em chefes de finanças”. O resultado desta aventura de Eduardo Catroga, nunca chegou a ser conhecido pelo grande público.
A 22 de Maio 1999, O FC Porto, conquista o penta-campeonato, sob orientação de Fernando Santos, que concluiu o trabalho iniciado por Bobby Robson, 94/95 e 95/96, e António Oliveira, 96/97 e 97/98. Na sucessão de títulos, O FC Porto conseguiu com Pinto da Costa à frente dos destinos do clube, dois feitos inéditos no clube: o “tri” e o “penta”. Os cinco títulos consecutivos são uma façanha exclusiva do FC Porto, na história da Primeira Divisão do futebol português.
Como presidente, confirmou a sua perspicácia para nomear treinadores, ao chamar em Janeiro de 2001, José Mourinho, um treinador sem currículo nenhum, para treinar a equipa do FC Porto. Com Mourinho à frente da equipa, Pinto da Costa teria mais algumas alegrias: Em 21 de Maio de 2003, o FC Porto conquista a Taça UEFA, em Sevilha, batendo o Celtic de Glasgow no prolongamento por 3-2. No ano seguinte, a 26 de Maio de 2004, o FC Porto conquista a Liga dos Campeões batendo na final, em Gelsenkirchen, o Mónaco por 3-0. Os resultados ficaram na história. Os elogios ao treinador também ficaram registados. “Mourinho é o grande obreiro desta equipa”, disse Pinto da Costa em declarações à TSF.
No dia em que comemorou 21 anos à frente do FC Porto, Pinto da Costa realizou o sonho de uma vida: ser recebido pelo Papa. A 23 de Abril de 2003, João Paulo II, no discurso feito no Vaticano, falou em português e referiu-se especificamente ao FCPorto.
"Foi um momento inesquecível. Senti um grande orgulho e felicidade quando tive oportunidade de lhe beijar o anel. Foi um grande orgulho ouvi-lo falar em português e referir-se ao nosso clube", disse, na altura, Pinto da Costa.
A 12 Dezembro de 2004, já com o espanhol Victor Fernandez como treinador, o F.C. Porto vence a Taça Intercontinental, batendo os colombianos do Once Caldas na marcação de grandes penalidades, depois de um empate a zero.
Entretanto, tinha sido inaugurado, em 5 de Agosto 2002, o Centro de Treinos do Olival, um projecto financiado pela Fundação Porto/Gaia, que inclui o F.C. Porto e a Câmara Municipal de Gaia e a 16 de Novembro de 2003, o novo e moderno recinto desportivo do clube: O Estádio do Dragão.
A 20 de Abril de 2004, a Polícia Judiciária, através da Directoria do Porto, desencadeou, uma vasta acção policial, destinadas a verificar a existência de comportamentos ilícitos, susceptíveis de alterarem a verdade e lealdade na competição desportiva e os seus resultados. A esta operação foi dada o nome de “Apito Dourado”.
No decurso da complexa operação, a Polícia Judiciária procedeu à detenção de 16 pessoas, dirigentes desportivos e árbitros, incluindo o presidente da Liga de clubes e da Câmara Municipal de Gondomar, Valentim Loureiro, o líder da arbitragem da FPF, Pinto de Sousa, e o presidente do Gondomar SC e vice-presidente da Câmara de Gondomar, José Luís Oliveira.
A 2 de Dezembro de 2004, a Polícia Judiciária desloca-se a casa de Pinto da Costa, com mandados de busca e detenção, mas não encontra o Presidente do FC Porto. O árbitro Jacinto Paixão é detido no âmbito da investigação de um alegado esquema com prostitutas após o jogo FC Porto – E. Amadora, bem como Augusto Duarte, José Chilrito e Manuel Quadrado e o empresário António Araújo. No dia seguinte, Pinto da Costa comparece no Tribunal de Gondomar. Os interrogatórios são adiados quatro dias e a 7 de Dezembro o presidente portista é interrogado, saindo em liberdade mediante uma caução de 200 mil euros. Em 31 de Janeiro de 2006, o Ministério Público acusa 27 arguidos no processo de Gondomar, incluindo Valentim Loureiro, José Oliveira e Pinto de Sousa, extraindo 81 certidões que são remetidas a diversas comarcas.
A 1 de Dezembro de 2006, é publicado o livro "Eu, Carolina", da autoria da ex-companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado, que volta a trazer para as primeiras páginas dos jornais o processo «Apito Dourado», ao revelar várias acusações.
Logo de seguida, a 14 de Dezembro, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, nomeia Maria José Morgado como coordenadora do caso «Apito Dourado», com poderes para reabrir processos. A 16 de Janeiro de 2007, Maria José Morgado assina despacho onde reabre oficialmente os processos conexos ao de Gondomar, justificando a decisão com as declarações de Carolina Salgado.
A 22 de Junho de 2007, Pinto da Costa é acusado de corrupção desportiva activa, no Nacional -Benfica da época 2003/04, depois de ter sido constituído arguido nos casos dos jogos FC Porto - E. Amadora e Beira Mar-FC Porto.
Em 2005 publicou a sua autobiografia, “Largos Dias Têm Cem Anos”, com prefácio de Lennart Johansson, presidente da UEFA entre 1990 e 2007, onde este afirma que “O mapa do futebol português foi virado de pernas para o ar. O domínio dos clubes lisboetas foi apagado”.
Disse um dia Francisco Lucas Pires, um grande benfiquista, que o único dirigente desportivo com direito a biografia seria Jorge Nuno Pinto da Costa. Apesar de não ser a biografia oficial, já tem desde de Maio de 2007, “PINTO DA COSTA - Luzes e Sombras de um Dragão”, escrita a quatro mãos, por Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Benazir Bhutto


Ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, morreu hoje na sequência dos ferimentos que sofreu num atentado suicida na cidade de Rawalpindi. A líder da oposição paquistanesa foi ainda hospitalizada em estado grave mas acabou por não resistir aos ferimentos. O ataque suicida ocorreu num encontro político de apoio a Benazir Buttho e fez pelo menos 20 mortos.
De acordo com a estação de televisão britânica Sky News, Benazir Bhutto foi baleada no peito e no pescoço já depois da explosão, no momento em que fugia do local do atentado e se dirigia para a sua viatura.
O porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, Javed Cheema, confirmou a morte de Benazir Bhutto e tinha anteriormente dado a indicação de que a explosão registada no comício de apoio à ex-primeira-ministra tinha sido provocada por bombista suicida.
O ataque acontece a duas semanas da realização das eleições legislativas e teve como alvo a ex-primeira-ministra paquistanesa e candidata ao escrutínio.
Benazir Bhutto era considerada uma das principais líderes da oposição ao Presidente Pervez Musharraf. Há apenas dois meses e precisamente quando regressou ao seu país após quase nove anos de exílio, a comitiva onde seguia sofreu um violento atentado que causou mais de uma centena de mortos.
Nascida em 21 de Junho de 1953 na província de Sindh, no seio de uma família abastada, Benazir é educada em Harvard e em Oxford, no Reino Unido, onde estudou Ciências Políticas e Filosofia. Inicialmente relutante em iniciar-se na política, ganha credibilidade com o apelido Bhutto. A família Bhutto é uma das dinastias políticas mais conhecidas do Mundo, tal quanto a Nehru-Gandhi, na Índia.
Em 1973, o país é convertido em República Federal e Zulfikar Alí Bhutto, pai de Benazir, é nomeado primeiro-ministro – o primeiro do país. É um dos poucos líderes que, desde a independência em 1947, gere os destinos da nação sem o cunho do poder militar. É, porém, destituído quatro anos depois pelo general Mohammad Zía ul-Haq, que islamiza o país e impõe fortes medias repressoras.
Em 1979, Zulfikar Alí Bhutto é executado. Toda a família é detida. Benazir passa os cinco anos seguintes numa cela solitária, no deserto. A mais velha de quatro irmãos, Benazir reunira em si as expectativas paternas de seguir uma carreira política. Ainda detida, em 1984 e uma infecção no ouvido vale-lhe a autorização para deslocar-se a Londres. Aí se exila e inicia a luta anti-general Zía até 86, quando regressa ao Paquistão. O país recebe-a de “braços abertos”, aclamando-a e tornando-a no símbolo da luta “anti-Zía”.
Zía Ul-Haq morre em 1988, na explosão do avião em que seguia, permitindo ao Paquistão o regresso à democracia. É então que entra em cena Benazir, já líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP), fundado pelo pai: nomeada primeira-ministra, é a primeira mulher da História a tornar-se governante de uma nação islâmica. Casada com Asif Ali Zardari – homem de família humilde escolhido pela mãe de Benazir para seu noivo – é acusada de abuso de poder e de corrupção.
Em 1990 é destituída, seguindo-lhe Nawaz Sharif no cargo. As mesmas acusações destituem-no, porém, em 1993. Benazir regressa ao poder, agora sob acusações de arrogância e de despotismo. Acumula os cargos de primeira-ministra e ministra das Finanças. Em 1996 volta a ser destituída por alegações de corrupção e em 1999 é condenada a cinco anos de prisão.Desde então, Benazir viveu fora do país, exilada no Dubai, sempre com a sombra das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Sharif volta ao poder com a vitória eleitoral da Liga Muçulmana do Paquistão. É destituído com um golpe de Estado pelo chefe do Exército, o general Pervez Musharraf, que se auto - proclama Presidente em 2001. No ano seguinte, um referendo – qualificado de farsa pela oposição – legitima-o no cargo.
Exilada, Benazir visitou regularmente as capitais ocidentais, para encontros com governantes e conferências em universidades. A 18 de Outubro, chega a Carachi com promessas de devolver ao país a democracia, apostada num acordo de partilha de poder com o Presidente. Muitos falaram, porém, numa trama para ganhar imunidade nos tribunais, em troca de apoio político a Musharraf. (SIC ON-LINE).

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Vladimir Putin


O presidente russo, Vladimir Putin, foi designado personalidade do ano 2007 pela "Time". Putin "impôs a estabilidade a um país que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", explicou a revista para justificar a escolha. Num artigo com o título "escolher a ordem antes da liberdade", a revista lembra que "ser a personalidade do ano da “Time” não é, nem nunca foi uma honra". "Não é um apoio, não é um concurso de popularidade", sublinhou a revista que pretende, com estas escolhas, designar as pessoas que desempenharam um papel preponderante na cena internacional.
"Putin não é um escuteiro. Não é um democrata, de acordo com os critérios do Ocidente. Não é um modelo da liberdade de expressão", acrescentou. Este reconhecimento é atribuído ao chefe de Estado russo por ter remodelado um país que tinha "desaparecido do nosso mapa mental", sublinhou um dos chefes de redacção Richard Stengel.
"Com o sacrifício de princípios e valores que uma nação livre estima, Putin realizou, enquanto dirigente, uma proeza extraordinária, impôs a estabilidade a uma nação que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", acrescentou Stengel. "Por estas razões, Vladimir Putin é o homem do ano 2007 da “Time", concluiu.
Putin foi escolhido em detrimento do Nobel da Paz Al Gore, considerado pelo cantor Bono a consciência ambiental da América; da autora das aventuras de Harry Potter J.K.Rowling; do Presidente da China Hu Jintao, que conjuga a sabedoria ancestral e a doutrina comunista, e do comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general David Petraeus.
A "Time" recorre habitualmente à provocação quando escolhe a "pessoa do ano". Entre os anteriores "eleitos" contam-se Adolf Hitler, Joseph Estaline, ou o presidente norte-americano George W. Bush em 2004, um ano depois da invasão do Iraque. O antigo dirigente iraniano, o ayatollah Khomeini, foi escolhido em 1979, ano do fim do regime do Xá da Pérsia.(LUSA).
Vladimir Vladimirovich Putin, nasceu a 7 de Outubro de 1952, em Leninegrado (mais tarde S. Petersburgo), na Rússia.
Filho único, Putin cresceu junto da mãe e do pai, trabalhador fabril e veterano da Segunda Guerra Mundial, num apartamento comunal que dividia com diversas famílias. Em criança estudou artes marciais, e aos 16 anos era já especialista em sambo, uma combinação Russa de judo e luta livre.
Por volta desta idade, Putin foi escolhido para estudar na Escola de Leninegrado Nº 281, um colégio – preparatório para os melhores estudantes da cidade. Em 1970, entrou para a prestigiada Universidade do Estado de Leninegrado, onde se formou em lei civil, continuando a aperfeiçoar as suas técnicas de artes marciais. Foi campeão de Leninegrado em Judo em 1974, e um ano mais tarde terminou o curso universitário com distinção. Após terminado o curso, Putin foi recrutado pelo KGB, o serviço de segurança da União Soviética, liderado então por Yuri Andropov, um fanático da disciplina e mais tarde, durante um breve período, líder da União Soviética em 1983. Após os estudos de espionagem e política externa em Moscovo, onde aprendeu Alemão e recebeu o cinturão negro de judo, Putin começou trabalhar em contra - inteligência, juntando - se mais tarde ao Primeiro Directório do KGB como agente de inteligência internacional.
Em 1985, o KGB enviou Putin para a Alemanha Democrata, onde residiu na cidade de Dresden sob nome falso e com um emprego fictício como chefe da denominada associação de amizade Germano-Soviética. A natureza exacta do seu trabalho na RDA continua motivo de debate; as suas funções principais incluíam, certamente, actividades de espionagem sobre uma série de nações pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), recrutamento de informadores e agentes e recolha e análise de dados para envio para Moscovo. Durante a sua permanência na Alemanha dividida, Putin ficou exposto a uma série de ideias Ocidentais, tanto económicas como políticas, que iriam mais tarde ter um papel fundamental na sua carreira pós-KGB.
Com a subida ao poder de Mikhail Gorbatchev e da sua "perestroika", que viria a ter um papel fundamental no colapso do Comunismo na Europa de Leste no final da década de 80, o trabalho de Putin na Alemanha de Leste foi interrompido de forma abrupta. Voltou a Moscovo em 1990, após a queda do Muro de Berlim e da reunificação da Alemanha, como um dos agentes mais condecorados do KGB. A agência recompensou-o com um posto administrativo na sua alma mater, A Universidade do Estado De Leninegrado, que lhe serviu de cobertura para continuar o seu trabalho como agente secreto.
Pouco depois, Putin encontrou o seu ex-professor, Anatoly Sobchak, que já era então presidente do concelho da cidade e um dos líderes do movimento democrata Russo. Atraído pela política, Putin abandonou o KGB para se tornar um dos principais assessores de Sobchak. Após a vitória de Sobchak nas eleições para a presidência da câmara da rebaptizada S. Petersburgo em 1991, Putin foi nomeado vice-presidente da câmara. Além de gerir as actividades diárias de S. Petersburgo, Putin era também responsável pela abertura da cidade a uma série de investimentos estrangeiros, incluindo às grandes companhias como o Credit Lyonnais, Coca-Cola e a NEC, o gigante Japonês de material electrónico.
Em 1996, Sobchak foi derrotado na sua campanha para a reeleição; Putin abandonaria o governo da cidade em lealdade com o seu velho professor. Apesar de Sobchak ter sido acusado de corrupção oficial após ter abandonado a câmara, Putin permaneceu virtualmente intocado pelas alegações. Recebeu em 1997 um convite para o Kremlin, como assessor de Pavel Borodin, o líder do poderoso departamento de propriedades do Kremlin, em Moscovo.
O ex-agente do KGB subiu as escadarias do poder dentro do Kremlin de forma rápida e eficaz: em 1998, o então Presidente Boris Yeltsin apontou Putin para a chefia do Serviço Federal de Segurança, o sucessor doméstico do KGB. Em Agosto de 1999, altura em que o conflito na República da Chechénia começou a entrar na fase mais dramática, Yeltsin nomeou Putin, então com 47 anos, primeiro-ministro (o último de uma série de políticos que Yeltsin apontou sucessivamente para este posto).
De início, poucos consideraram que Putin, como sucessor designado do próprio Yeltsin, viesse a revelar – se um candidato viável para a presidência da Rússia. Mas o pulso forte do novo primeiro-ministro, quer nos assuntos domésticos como internacionais, especialmente a sua atitude de dureza contra os rebeldes Chechenos garantiram-lhe o apoio da população e a reputação de mais popular político Russo.
A 31 de Dezembro de 1999, Yeltsin resignou da presidência do país, seis meses antes do termo do seu mandato. Num acto claramente desenhado para atrair o máximo da atenção internacional, apontou Putin para a presidência da Rússia, anunciando que "a Rússia deve entrar no novo milénio com novos políticos, novas personalidades e com um novo povo, mais inteligente, forte e energético". Se o verdadeiro programa de Putin para a Rússia permaneceu, de início e durante alguns meses, algo obscuro, o novo líder conseguiu contudo aproveitar o apoio popular para garantir a vitória na primeira volta das eleições presidenciais, a 27 de Março de 2000, quando se tornou o segundo presidente da Rússia e o mais jovem líder desde 1922, quando Josef Estaline foi apontado como secretário-geral do Partido Comunista. Nas eleições de 2004, conseguiu mais de 70% dos votos.
Os dois mandatos à frente dos destinos da Rússia, foram marcados por constantes atropelos aos direitos humanos, um controle rígido da imprensa e por uma luta contra as actividades terroristas na Chechénia. Apesar de toda esta repressão, não evitou que a 1 de Setembro de 2004, os terroristas invadissem uma escola em Beslam, e massacrassem 186 crianças. A imprensa internacional, viria a responsabilizar Putin pelo massacre, devido à sua política repressiva na Chechénia. Outro lado negro dos mandatos de Putin, é a eliminação física de todos os que se lhe opõem, sendo de referir neste caso, o assassínio de Anna Politkovskaia e o envenenamento de Alexander Litvinenko, além da eliminação física de outros 12 jornalistas.
Apesar de Putin continuar a ser uma figura algo enigmática, tanto politica como pessoalmente, tem uma alta popularidade na Rússia, onde cerca de 75% dos eleitores, acha que ele deveria cumprir um terceiro mandato á frente dos destinos do país, apesar de ir contra a Constituição. De todas as maneiras, Vladimir Putin, que não pode ser de novo presidente da Rússia, prepara-se para abandonar a presidência, mas não o poder, pois é o mais sério candidato a tornar-se primeiro-ministro da Rússia, depois de ter "nomeado" para seu sucessor, Dmitri Medvedev, para as eleições presidenciais de Março de 2008.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

John Steinbeck


John Steinbeck nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 27 de Fevereiro 1902. De uma família de classe baixa, John Steinbeck testemunhou desde cedo a vida dos trabalhadores urbanos e rurais. Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919, ingressando nesse ano na Universidade de Stanford. Para poder pagar os seus estudos, teve diversas profissões. No entanto, abandonou os estudos universitários em 1925, partindo para Nova Iorque, onde trabalhou como operário da construção civil, pouco tempo antes de conseguir um lugar de repórter no New York American, no intuito de seguir carreira literária. Regressou à Califórnia para ser caseiro de uma propriedade, aceitando trabalhos como servente, aprendiz de pintor ou apanhador de fruta, ocupações que foram indispensáveis à construção de algumas das suas personagens.
O seu primeiro romance, Cup of Gold (1929), uma narrativa histórica sobre um pirata jamaicano, antecedeu aquela que, segundo os críticos, seria a sua década de criação mais produtiva. A um Deus Desconhecido (1933) é o primeiro grande um romance de Steinbeck. Um romance quase místico, que tem por tema central "o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente".
Em 1935, publicou Tortilla Flat, o primeiro sucesso popular, um estudo humorístico da vida dos agricultores de Monterey. Seguiu-se, em 1936, Batalha Incerta, em 1937, Ratos e Homens.
Neste livro John Steinbeck, conta-nos a história de dois amigos inseparáveis, George e Lennie, mas completamente diferentes entre si. George é baixo, franzino e astuto, Lennie é um gigante, com uma força bruta impossível de calcular, mas com a inteligência de uma criança. O que os une é a simples amizade e a marginalização imposta pelo sistema. O livro passa-se numa quinta da Califórnia, onde ambos trabalham como contratados da quinta, ganhando pouco mais que a comida e a dormida. Durante o seu árduo trabalho na quinta, encontram outros pobres e explorados, mas também, outras personagens, o filho do patrão e a sua fogosa mulher, que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Ambos têm o sonho de ter um espaço de terra só para eles, situação que nunca se concretizará. Em Ratos e homens, Steinbeck, demonstrou a sua capacidade de criar personagens realistas e cativantes e também de, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna. Ratos e Homens é um dos primeiros grandes clássicos sobre o doloroso período da Grande Depressão americana.
Em 1939 edita As Vinhas da Ira, livro aclamado pela crítica popular mas que suscitou controvérsia, tendo alguns exemplares sido queimados publicamente como forma de protesto e a obra banida nas bibliotecas públicas do Kansas City e de Oklahoma, enquanto se tornava leitura obrigatória nos colégios de Nova Iorque. A obra foi mais tarde galardoada com os prémios Pullitzer e National Book Award.
As Vinhas da Ira, um dos melhores clássicos da literatura do século XX, dá a conhecer os Joad, uma família rural e pobre do Oklahoma que tenta uma nova vida, tendo por pano de fundo os horrores da Grande Depressão. Esta família vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. Ao seu lado estão milhares de migrantes que se deslocam pelos mesmos motivos, em velhos camiões, em direcção a um futuro incerto. Durante a viagem passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho camião pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.
Na maioria das suas obras, marcadas pela paisagem e o quotidiano californianos, o autor explora as duras condições de vida das populações rurais, obrigadas a sobreviver no limiar da pobreza ou forçadas a longas e miseráveis migrações. Procurando tornar evidente que cada ser humano deve ser analisado no ambiente em que se insere, o autor dedicou-se, sobretudo, ao retrato de personagens inadaptadas. A Leste do Paraíso (1952), adaptado ao cinema por Elia Kazan e protagonizado por James Dean, é um dos melhores exemplos, com homens e mulheres no limite das suas forças, prestes a renunciar aos valores morais que a América proclamava.
Em 1941, publicou Sea of Cortez em colaboração com Edward Ricketts. No ano seguinte, Noite Sem Lua, foi adaptado ao teatro, tendo-se seguido Bombs Away. Em 1943, foi correspondente de guerra do New York Herald Tribune nas frentes de combate da Europa e da África do Norte. Em 1945, publicou Bairro da Lata e A Pérola, em 1947. A Pérola é baseada num conto popular mexicano, conta-nos a história de Kino, e da sua família. Kino um pobre pescador encontrou a maior pérola do mundo, que desperta nele e nas pessoas que vivem numa pequena povoação do litoral mexicano sentimentos e desejos vis. Um livro a ler e a reler.
Em 1948, John Steinbeck foi eleito para a Academia Americana das Artes e das Letras. Em 1950, publicou Burning Bright, adaptado mais tarde, ao teatro. Dois anos depois, colaborou no filme Viva Zapata. Em 1953, o livro Os Náufragos do Autocarro foi incluído na listas dos livros desaconselhados pela comissão Gathings.
De 1954 a 1960, publicou Sweet Thursday, O Breve Reinado de Pepino IV e O Inverno do Nosso Descontentamento. No livro O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck, conta-nos a história de Ethan Hawley, descendente de uma família muito rica mas que ficou na ruína financeira. Ethan foi forçado a aceitar a humilde posição de empregado de balcão num armazém de um emigrante italiano com um passado desconhecido. Ethan fica constantemente dividido entre a sua vontade de ser íntegro e o deslumbramento da riqueza e da glória que tiveram os seus antepassados. John Steinbeck faz-nos penetrar na amargura e na infelicidade de Ethan Hawley, que questiona a sua relação com a mulher, filhos, patrão, clientes e amigos. Ethan começando por apresentar uma moralidade a toda a prova, que se vai transformando gradualmente, acabando por alcançar o sucesso financeiro à custa de golpes de moralidade duvidosa.
Afastando-se dos círculos intelectuais e académicos, John Steinbeck foi frequentemente repudiado na América, principalmente nos últimos anos, não merecendo a atenção de outros autores contemporâneos, como Hemingway ou Faulkner.
Em 1962, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Dois anos depois, recebeu a Medalha da Liberdade dos EUA e em 1966, publicou America and Americans, um conjunto de reflexões sobre a América contemporânea.
Morreu em 20 de Dezembro de 1968, em Nova Iorque.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Steven Spielberg


O realizador com maior êxito comercial na história de Hollywood, Steven Spielberg nasceu em Cincinnati a 18 de Dezembro de 1946 e começou a desenvolver as primeiras curtas-metragens quando era ainda criança, aprimorando essa capacidade na Universidade da Califórnia.
O seu percurso inicial como realizador foi marcado por trabalhos para a televisão, como nas séries “Columbo” e “Marcus Welby M.D.” ou no episódio-piloto de “Night Gallery”.
A estreia nas longas-metragens deu-se com “Duel”, em 1971, um thriller de baixo orçamento cuja gestão do suspense foi bastante elogiada, fazendo com que o filme, originalmente concebido para televisão, viesse a ter também passagem pelas salas de cinema e se tornasse numa obra de culto. “The Sugarland Express” (1974) voltou a valer-lhe o estatuto de realizador promissor e “Tubarão” confirmou o seu talento, destacando-se como o filme mais bem sucedido de 1975 e iniciando a tradição dos blockbusters, filmes de alto orçamento cuja estreia decorre maioritariamente no Verão e que são, muitas vezes, êxitos de bilheteira.
“Encontros Imediatos do Terceiro Grau” (1977) foi outro marco, uma obra determinante dentro da ficção científica que o cinema apresentou nas últimas décadas e que surpreendeu devido à inovação dos efeitos especiais. A comédia sobre os meandros da guerra, “1941” (1979) foi um fracasso comercial, mas “Os Salteadores da Arca Perdida” (1980) compensou, e muito, esse deslize pontual, figurando entre os grandes sucessos dos anos 80 e apresentando um dos seus heróis mais carismáticos: Indiana Jones, personagem que protagonizou ainda duas sequelas e uma série televisiva.
Outro filme capaz de conquistar o público de todas as idades foi “E.T.” (1982), outra aposta na ficção científica, um dos títulos mais emblemáticos de Spielberg que se tornou num clássico instantâneo e que ainda hoje cativa várias gerações. “A Cor Púrpura” (1985), drama sobre a xenofobia e a Grande Depressão, proporcionou-lhe 11 nomeações para os Óscares, e embora não tenha ganho nenhum foi mais um forte êxito de bilheteira. Menos bem sucedidos comercialmente foram “O Império do Sol” (1987) e “Sempre” (1989), outras apostas em domínios dramáticos, ou “Hook” (1991), que revisitou as clássicas aventuras de Peter Pan.
Em 1993, contudo, Steven Spielberg criaria dois dos marcos da sua carreira: “Parque Jurássico”, um portento de feitos especiais que despoletou um sucesso global (com receitas que ultrapassaram um bilhão de dólares); e “A Lista de Schindler”, um drama épico sobre o Holocausto, galardoado com sete Óscares que comprovou que o cineasta era capaz de oferecer mais do que consistentes filmes de entretenimento.
Para além do cargo de realizador, Spielberg desempenhou também funções de produtor em filmes da autoria de terceiros, como “Poltergeist” (1982), “Regresso ao Futuro” (1985) ou “Quem Tramou Roger Rabbit?” (1988), através da sua companhia, Ambli Entretainment.
Nos anos 90 formou a Dreamworks, juntamente com Jeffrey Katzenber (ex-patrão da Disney) e David Geffen (da editora Geffen), sendo produtor executivo de muitas das suas películas, casos de “Tornado” (1996), “Homens de Negro” (1997), “Impacto Profundo” (1998) ou “A Máscara de Zorro” (1998). “Mundo Perdido” e “Amistad”, ambos de 1997, não foram dos mais marcantes da sua filmografia, mas “O Resgate do Soldado Ryan”, surgido um ano depois, assinalou o regresso à forma, revitalizando o género do filme de guerra e arrecadando cinco Óscares, provando, mais uma vez, que o cineasta também era interessante quando enveredava por obras “sérias”, adultas e complexas. O regresso à ficção científica deu-se com “A.I. – Inteligência Artificial” (2001) e “Relatório Minoritário” (2002), o primeiro baseado numa ideia de Stanley Kubrick e o segundo num conto de Phillip K. Dick. Ambos inovaram na utilização das tecnologias e na sugestão de impressionantes cenários futuristas, embora “Relatório Minoritário” tenha obtido maior consenso tanto perante a crítica como junto do grande público.
“Apanha-me se Puderes” (2002) foi outro sucesso, desta vez baseado numa história verídica e seguindo os jogos de engano de Frank Abagnale Jr., e a aposta num misto de drama e comédia repetiu-se em “Terminal de Aeroporto” (2004), também inspirado num caso real e seguindo as peripécias de um imigrante que passa a habitar um aeroporto norte-americano.
“Guerra dos Mundos” (2005), foi mais um digno blockbuster e um dos seus filmes mais negros, baseado no livro homónimo de H.G. Wells e voltando a focar o confronto de humanos com alienígenas.
“Munique” (2005) é mais um olhar sobre questões polémicas, desta vez o conflito israelo-palestiniano, partindo de um episódio real decorrido durante os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique.

sábado, dezembro 15, 2007

Oscar Niemeyer


O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, completa hoje 100 anos de vida. Considerado um génio da arquitectura mundial, é também, o maior arquitecto vivo do século XX.
Oscar Niemeyer Soares Filho, nasceu em 15 de Dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Formou-se na Universidade do Brasil, iniciando a carreira no escritório de Lúcio Costa, em 1934.
No ano seguinte, trabalhou com o arquitecto Le Corbusier no “revolucionário” projecto do edifício dos ministérios da Saúde e da Educação brasileiros, concluído em 1936.
A obra de Niemeyer começou a ser notada quando o jovem arquitecto tinha 33 anos, através de um projecto que englobou a construção de quatro edifícios em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Juscelino Kubistchek era, na altura, governador e encomendou-lhe os projectos de construção do Casino, da Casa de Baile, do Yatch Clube e da Igreja de São Francisco.
Em 1947, novamente com Le Corbusier, projecta a sede da Unesco, nos Estados Unidos. A originalidade e a imaginação que Niemeyer revelou nos seus trabalhos valeram-lhe a reputação de líder da arquitectura moderna.
Entre 1951 e 1954 Oscar Niemeyer assina outra grande obra: a Oca, Parque Ibirapuera, em S.Paulo, Brasil. Trata-se de um conjunto de três prédios destinados a exposições, incluindo um museu e um grande auditório.
Primou pela originalidade de todos os edifícios, e a partir daí, nunca mais parou e do seu gabinete começaram a surgir esquissos de edifícios para o Mundo inteiro, com incidência para o seu país, o Brasil.
Niemeyer empenhou-se, por exemplo, no projecto da criação da nova cidade de Brasília, nomeadamente do Palácio Planalto. Tinha 50 anos quando desenhou todos os edifícios oficiais de Brasília, a nova capital do Brasil, que foi construída em três anos e meio. A cidade foi inaugurada em 1960 e é considerada património cultural da humanidade pela Unesco desde 1987.
A arquitectura de Brasília, prevista nos esboços com que Lúcio Costa concorreu ao concurso internacional de projectos para a nova capital do Brasil, foi o impulso definitivo de Oscar Niemeyer na cena da história internacional da arquitectura contemporânea. As cúpulas, côncavas e convexas do Congresso Nacional e as colunas dos palácios da Alvorada, do Planalto e do Supremo Tribunal, deram-lhe grande prestígio internacional pela sua configuração original.
Em 1965, projecta a sede do partido Comunista Francês, em Paris. Majestoso e esteticamente brilhante, o edifício foi considerado, na altura, pelo presidente George Pompidou, “a única coisa boa que os comunistas fizeram”.
Mais recentemente (2003), projectou a Galeria Serpentina, em Londres, actualmente considerado um dos melhores edifícios existente na capital inglesa.
O Funchal é a única cidade de Portugal a possuir uma obra erguida de Oscar Niemeyer - o Pestana Casino Park, um projecto de 1966 mas concluído em 1976 e que é composto por três edifícios: um Casino, um Centro de Congressos e um hotel de 5 estrelas.
A presença constante de Oscar Niemeyer no cenário da arquitectura contemporânea internacional, desde 1936 até hoje, transformou-o na mais destacada figura brasileira da actualidade. Recebeu inúmeros prémios, destacando-se de entre eles o Prémio Pritzker (1988), sendo o primeiro arquitecto de língua portuguesa a receber tal distinção.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Johannes Heesters


Segundo o Guiness Book of Records, Johannes Heesters é o actor mais idoso do Mundo em actividade.
Não é de admirar. Ontem comemorou o seu centésimo quarto aniversário, com uma representação na casa de espectáculos, a Admiralpalast, em Berlim.
Nascido a 5 de Dezembro de 1903 em Amersfoort, na Holanda, Johannes Heesters queria ser sacerdote católico. Após ir com o pai assistir a um teatro, no dia em que completava 16 anos, decidiu tornar-se actor.
Teve aulas de canto e representação, estreando-se no palco com 17 anos em Amesterdão. Durante mais de uma década actuou na Holanda e na Bélgica em clássicos do teatro, com sucesso mediano.
Só chamou a atenção depois de se ter especializado em operetas, tendo sido convidado para participar numa representação de O Estudante Mendigo, na Ópera Popular de Viena, em 1934. Em 1936 interpretou o mesmo papel, em Berlim, no filme com o mesmo nome.
Entretanto, tinha-se casado com a actriz belga, Louise Ghijs, sua companheira durante 53 anos, com a qual teve duas filhas. Após a morte de Louise Ghijs, em 1983, Heesters voltaria a casar em 1992, com a actriz alemã Simone Rethel, 46 anos mais nova que ele.
Com ela, representou durante cinco anos, de 1996 até 2001, o papel principal na peça Gesegnetes Alter, sempre com a plateia esgotada.
Johannes Heesters goza de uma grande popularidade na Alemanha, ao contrário do seu país natal, a Holanda, onde é votado ao ostracismo e acusado de colaborar com o regime nazista.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Alberto Moravia


Passam hoje cem anos do nascimento de um dos mais prestigiados escritores italianos do século XX, Alberto Moravia.
Alberto Pincherle nasceu em Roma
em 28 de Novembro de 1907. Renunciaria anos mais tarde ao apelido judaico de seu pai (Carlo Pincherle Moravia), devido ao regime fascista, que começava a incomodar todos os judeus. Adoptou o apelido da sua avó paterna, e assim ficou mundialmente conhecido: Alberto Moravia. Tendo sofrido de tuberculose durante toda a sua infância, Moravia viveu toda a sua juventude internado em sanatórios e tornou-se um verdadeiro autodidacta.
Ele próprio aponta os factos decisivos da sua biografia: “O primeiro passou-se na minha juventude, quando estive cinco anos preso à cama, atingido pela tuberculose. O segundo foi o triunfo do fascismo, ao qual me opus, e que me proibiu de publicar o que pretendia. Estes dois factores formaram o meu carácter.”
Aos 22 anos estreia-se com Os Indiferentes, uma condenação moral do cinismo da burguesia, romance muito bem recebido pela crítica e pelo público; em 1935, com a publicação de La Bella Vita e de Le Ambizioni Sbagliate, a reacção da Itália oficial à obra de Moravia torna-se mais áspera. Alberto Moravia é proibido de publicar as suas obras e começa a ser perseguido.
Face estas perseguições do regime fascista de Mussolini, resolveu expatriar-se, primeiro para os EUA e depois para a China e Índia.
Em 1941 Alberto Moravia casou-se com a escritora Elsa Morante autora do romance "La Storia", que aborda as relações sociais durante os anos da Grande Guerra.
Regressa a Itália no final da Segunda Guerra Mundial e é daí em diante que publica a parte mais importante da sua obra. Em 1947 publica A Romana, crónica social do regime fascista Mussolini.
Os seus conhecimentos do humano, de diversos ambientes, aliados à perspectiva histórica a que nunca subtrai as suas personagens, continuarão a revelar-se em, A Desobediência (1948), O Conformista (1951) O Desprezo (1954) O Tédio (1960) e A Atenção (1965) e tantos outros pontos altos da vida literária de um romancista, ensaísta e polemista notável da cultura europeia, cuja a atenção se fixa sobre o estudo e condições objectivas, para nelas explorar todas as implicações psicológico-morais e sociais.
Nos anos cinquenta do século passado, depois de ter sido perseguido pelo fascismo, arranjou um outro inimigo de peso: O Vaticano. Todas as obras editadas por Alberto Moravia neste período, são condenadas pelo Vaticano devido “à linguagem realista e às temáticas indecentes”.
A Ciociara (1957) é no entender de Carlo Salinari, um dos maiores críticos italianos, “o romance mais acabado e bem realizado de Moravia, porque nele a dialéctica “normalidade-anormalidade” coincide com a relação histórica de “paz-guerra” e, dessa forma, a normalidade transforma-se numa aspiração consciente temperada pela dor, para superar as misérias, o luto e as destruições da guerra.”
No final dos anos cinquenta, surge o reconhecimento internacional de Alberto Moravia, quando este, ocupou a presidência do Pen Club Internacional entre os anos de 1959 e 1962, e é proposto por duas vezes, ao Nobel da Literatura.
Vários livros seus foram adaptados ao cinema, de entre eles O Desprezo (1963) realizado por Jean-Luc Godard e O Conformista, do realizador Bernardo Bertolucci, em 1970. O filme de 1960 do realizador italiano Vittorio de Sica, La Ciociara (Duas Mulheres em português), baseado na obra homónima de Moravia, daria nesse ano o Óscar de melhor actriz, a Sophia Loren.
Em 1984 é eleito pelo Partido Comunista deputado ao Parlamento Europeu, cargo que ocupou até à sua morte, ocorrida em Roma , a 26 de Setembro de 1990.
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domingo, novembro 25, 2007

Ramalho Eanes


António dos Santos Ramalho Eanes, filho de Manuel dos Santos Eanes e Maria do Rosário Ramalho, nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco a 25 de Janeiro de 1935, no seio de uma família modesta, mas desafogada. A formação académica teve início em 1942, quando entra para o Liceu de Castelo Branco.
Após completar os estudos liceais, abandona o sonho de ser médico e segue a carreira militar entrando para o exército em 1952, onde concluiu, em 1956, o curso da Escola do Exército, sendo promovido a alferes no ano seguinte. Militar de carreira, foi sucessivamente promovido a: tenente (1959); capitão (1961); graduado a major (1970); major (1973); tenente-coronel (1974); coronel (1976); graduado general (1975) e general (1976).
Durante a guerra colonial prestou serviço no Estado Português da Índia (1958-1960) e em Macau (1962). Esteve também em Moçambique (1964 e 1966-1968), na Guiné (1969-1971) e em Angola (1971 até Abril de 1974).
Nomeado para a Comissão Ad-hoc para os Meios de Comunicação Social, foi director de programas e presidente do conselho de administração da RTP entre 1974 e 1975.No período conturbado que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes comandou as operações militares de 25 de Novembro de 1975.
Ao longo de todo o Verão e começo do Outono de 1975, confrontaram-se duas concepções de modelo de sociedade para Portugal. Uma, de matriz europeia, sustentada numa democracia representativa; e uma segunda, importada da União Soviética, para a “sovietização” do país.
Os militares, no poder desde o 25 de Abril de 1974, dividiram-se entre os dois apelos e tornaram-se nos principais protagonistas de uma disputa que terminou com a vitória das forças moderadas, precisamente no dia 25 de Novembro de 1975, quando uma revolta iniciada por tropas pára-quedistas, que contariam, numa segunda fase, com o apoio de unidades do Exército e da Armada, foi sustida e derrotada. O detonador involuntário do 25 de Novembro foi Vasco Lourenço.
No dia 20 de Novembro tinha sido nomeado pelo Conselho da Revolução para comandante da Região Militar de Lisboa. A sua nomeação foi prontamente contestada pelos sectores político-militares influenciados quer pelo PCP quer pela extrema-esquerda. Posto em causa, o então capitão, exigiu ser reconfirmado, o que sucedeu na reunião de 24 de Novembro do Conselho da Revolução. Sem demora e sem formalidades, Vasco Lourenço tomou posse do cargo na manhã de 25 e instalou-se no Palácio de Belém.
Nesta altura, durante a madrugada, já os pára-quedistas da Base Escola de Tancos, tinham ocupado o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas, na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 pára-quedistas de Tancos. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva.
O golpe estava na rua, logo de seguida o contra-golpe estaria em marcha.Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove, (grupo militar liderado por Ramalho Eanes e composto por Garcia dos Santos, Gabriel Teixeira, Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Aurélio Trindade, Tomé Pinto, José Pimentel e José Manuel Barroco), como o indício de um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda.
Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país, recorrendo às poucas forças verdadeiramente operacionais de que o país dispunha, ou seja, o Regimento de Comandos da Amadora, comandado pelo então coronel Jaime Neves; a Força Aérea, que deslocou para a Base de Cortegaça os principais meios, a Região Militar do Norte, comandada pelo então brigadeiro Pires Veloso, que enviou para Lisboa três companhias.
Os focos de resistência foram sendo neutralizados ao longo do dia sem grande oposição dos revoltosos, verificando-se um confronto armado apenas na calçada de acesso ao Regimento de Polícia Militar, em Lisboa, em que morreram dois militares do Regimento de Comandos - o tenente José Coimbra e o aspirante José Ascenso. Testemunhos da época garantem que foram baleados pelas costas por civis armados. Na troca de tiros, foi também atingido mortalmente o furriel Joaquim Pires.
Numa mensagem ao país, feita pelo telefone e transmitida através dos estúdios do Porto da Emissora Nacional, cerca das 22 horas, o presidente da República decretou estado de sítio parcial na região de Lisboa, uma medida que restringia o direito de liberdade de reunião. Os bancos encerraram e os jornais de Lisboa não se publicaram. No resto do país, a situação foi sempre menos tensa. A emissão da RTP passou igualmente a ser assegurada do Porto, depois de uma tentativa de um dos revoltosos em falar ao país, a pedir apoio para os revoltosos.
O clima de radicalização inerente ao PREC , chegou ao fim com o 25 de Novembro de 1975, o dia em que o país esteve a um pequeno passo da guerra civil.
O 25 de Novembro trouxe a Ramalho Eanes um grande prestígio. Nomeado Chefe do Estado-Maior do Exército nesse mesmo mês, manteve-se no cargo até 1976, para logo de seguida ocupar o de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas até 1981.
Devido ao seu desempenho, Ramalho Eanes facilmente reuniu em torno da sua candidatura a presidente da República, em 1976, o apoio de três dos quatro partidos principais de então: o Partido Socialista (PS), o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS).
Sá Carneiro e o PPD anunciaram o apoio a 28 de Abril e o PS a 12 de Maio, dois dias antes da apresentação da candidatura. Ramalho Eanes era o candidato presidencial dos que defendiam o fim do PREC (processo revolucionário em curso), batendo-se, sobretudo, contra Otelo Saraiva de Carvalho e Octávio Pato.
A garantia de estabilidade e segurança que representava, depois de momentos tão agitados na história política portuguesa, garantiu-lhe a vitória, com 61,6% dos votos. Após a vitória, fez a declaração que os seus sucessores adoptaram, no discurso de vitória: "Sou Presidente de todos os portugueses".
Ao longo do primeiro mandato, empossou um governo minoritário do PS, outro de coligação do PS com o CDS e três de iniciativa presidencial. Acusando-o de deriva esquerdista, Sá Carneiro cria a AD e proclama a máxima "uma maioria, um Governo, um Presidente".
Entretanto, na conferência de Imprensa da apresentação da sua recandidatura, Eanes tenta "namorar" o eleitorado da AD, quando já tinha o apoio expresso do PS e tácito do PCP. No entanto a AD, apresenta o seu candidato, o General Soares Carneiro. Mário Soares, abrindo a crise com o Secretariado, que iria repercutir-se na história do partido, ao não conseguir convencer o PS, retira-lhe o seu apoio pessoal.
Ramalho Eanes venceria as eleições presidenciais de 1980, à primeira volta, com 56,44% do eleitorado, derrotando o General Soares Carneiro, que recebeu 40,23% dos votos.
Em 1985, impulsionou a criação de um novo partido, o PRD (Partido Renovador Democrático), chefiado a princípio por Hermínio Martinho, mas do qual ele próprio veio a assumir a liderança, entre 1986 e 1987. O PRD alcançou 17,9% dos votos nas eleições legislativas de 1985, a primeira vez que participou nas eleições para a Assembleia, tornando-se o terceiro partido a seguir ao PSD e ao PS.
Em 1987, a aprovação de uma moção de censura, apresentada pelo PRD na Assembleia, provocou a queda do governo minoritário do PSD. O presidente Mário Soares convocou eleições em que o PRD não passou dos 4,9%. Mais tarde, nas eleições de 1991, já dirigido por Pedro Canavarro, o PRD perdeu a representação parlamentar.
Ramalho Eanes é General de quatro estrelas desde 1978 e passou à reserva em Maio de 1986.
Recebeu vários louvores e condecorações militares, entre os quais a Cruz de Guerra e a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma. Detém ainda a Ordem da Torre e Espada. Actualmente, é por inerência (como todos os Presidentes, que tenham já cumprido os seus mandatos, e tenham sido eleitos na vigência da actual Constituição) conselheiro de Estado vitalício (desde 18.3.1986). Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões ético-políticas, a promoção a Marechal.
No dia 15 de Novembro de 2006, o General António Ramalho Eanes, defendeu a sua tese de Doutoramento em Ciência Política, intitulada Sociedade Civil e Poder Político em Portugal, na Universidade de Navarra, em Pamplona. O ex-presidente da República foi aprovado por unanimidade e com nota máxima ‘Suma cum laude’ nesta prova de doutoramento. Fonte principal, página oficial da Presidência da República e DN.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Luiz Felipe Scolari


Luiz Felipe Scolari nasceu a 9 de Novembro de 1948, em Passo Fundo, no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Apelidado de “Felipão” pelos seus compatriotas, Scolari iniciou a sua carreira desportiva aos 19 anos, como defesa central da equipa Aymoré, de São Leopoldo, seguindo os passos do seu pai, Benjamim Scolari, um dos melhores defesas centrais brasileiros da época.
A carreira de Scolari enquanto jogador foi marcada pela sua forte presença, distinguindo-se pelo espírito de liderança, nunca sendo um jogador tecnicamente muito dotado, foi, no entanto, consistentemente titular e capitão das equipas em que jogou.
Após a sua estreia no Aymoré, Scolari, transferiu-se em 1973 para o Caxias, clube de maior importância, em que haveria de permanecer durante sete anos. Passou, ainda, pelos clubes Juventude, Novo Hamburgo e, finalmente, CSA, de Alagoas, clube que assistiu ao fim da sua carreira enquanto jogador, em 1982, e que o acolheu na sua primeira experiência enquanto treinador. Entretanto formou-se em Educação Física na Universidade de Porto Alegre, com especialização em futebol e voleibol.
No início da sua carreira como treinador, conseguiu alguma notoriedade à frente do Grêmio Esportivo Brasil, conseguindo o título de Campeão do Interior do Rio Grande do Sul e o segundo lugar no Campeonato Gaúcho. Após passar pelo Al Sabbab, na Arábia Saudita, Scolari treinou o Criciúma, clube com o qual conquistou o seu primeiro título nacional, a Copa do Brasil de 1991.
Em 1993, iniciou um percurso triunfante de quatro anos durante os quais alcançou Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Taça dos Libertadores, Recopa Sul Americana, Taça Mercosul à frente do plantel do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.
Em 1997, foi convidado para treinar o Palmeiras e, durante a sua permanência neste clube, conquistou, novamente, tanto o título nacional como a Copa dos Libertadores da América. Após uma breve passagem pelo Cruzeiro, Luiz Felipe Soclari tornou-se o treinador da selecção brasileira em 2001, pegando no «escrete» numa fase difícil na qual até o apuramento para o Mundial da Coreia e do Japão parecia posto em causa. O seu carisma impôs-se e Luiz Filipe Scolari tornou o Brasil Penta Campeão Mundial, em 2002.
Luiz Felipe Scolari foi por duas vezes considerado o melhor treinador da América do Sul, em 1999 e 2002, e nesse mesmo ano, recebeu o Prémio de Melhor Treinador do Mundo.
Luiz Felipe Scolari foi o seleccionador escolhido para assumir o comando técnico da equipa portuguesa depois do desaire lusitano no Mundial de 2002, na Coreia. "Felipão" chegou a Portugal em fins de 2002 com o título mundial como maior trunfo do seu currículo e conseguiu que a selecção portuguesa se sagrasse vice-campeã no Euro 2004, do qual Portugal foi o país anfitrião.
Neste Campeonato Europeu, Portugal conseguiu a sua melhor classificação de sempre, tendo chegado à final, onde perdeu contra a Grécia, a única equipa que venceu, por duas vezes, a selecção nacional.
Em 2006, após uma magnífica fase de apuramento, Luiz Felipe Scolari, leva a Selecção Portuguesa às meias-finais do Mundial, onde Portugal acabou por ser afastado da final pela França. Na disputa do terceiro e quarto classificados, Portugal voltou a perder, desta vez com Alemanha, o que não invalidou, de ter sido considerada uma excelente classificação, o meritório quarto lugar.
Neste Campeonato do Mundo, Luiz Felipe Scolari tornou-se o primeiro treinador da história dos Mundiais a obter 11 vitórias consecutivas: sete pelo “Escrete” durante o Mundial da Coreia - Japão, em 2002, e quatro “pela Selecção das Quinas” no Mundial da Alemanha.
No decorrer da fase de apuramento para o Euro 2008, Luiz Felipe Scolari, esteve momentaneamente ausente do banco da selecção portuguesa. Em 12 de Setembro de 2007, no fim do jogo Portugal - Sérvia, para a fase de apuramento do Euro 2008, a realizar-se na Aústria e Suiça, na sequência de um incidente com o defesa sérvio Dragutinovic, uma tentativa de agressão de Scolari, a Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA puniu o treinador da selecçaõ nacional com três jogos de suspensão e 12.000 euros de multa.
Este castigo impediu Felipe Scolari de se sentar no banco em três importantes jogos de apuramento para o Euro 2008 – visitas ao Azerbaijão e Cazaquistão (13 e 17 de Outubro 2007) e na recepção à Arménia (17 de Novembro 2007).
No último jogo da fase de apuramento, entre a Selecçaõ Portuguesa e a Finlândia, realizado em 21 de Novembro de 2007, no Estádio do Dragão, no Porto, Luiz Felipe Scolari, comandou a Selecção das Quinas, a mais um apuramento para a fase final do Campeonato da Europa de Futebol. Portugal terminou em segundo lugar no seu grupo atrás da Polónia, somando vinte sete pontos, menos dois que o primeiro classificado. Este apuramento, foi a quarta classificação consecutiva de Portugal para Europeu e a quinta em todo o seu historial.
Depois de uma carreira inteiramente ligada ao desporto-rei, Luiz Felipe Scolari tornou-se um treinador de topo a nível internacional. Excelente condutor de homens e metódico, Luiz Felipe Scolari, deixa trabalho feito por onde passa. Com fama de duro e disciplinador dentro do grupo de trabalho, é paradoxalmente, idolatrado por jogadores, colaboradores e mesmos dirigentes. Primeiro defensor dos jogadores, não se coíbe a ter querelas públicas com jornalistas ou dirigentes de clubes, se para tal for necessário. Figura polémica para uns e incontestada para outros, "Felipão" é, na realidade, um dos melhores treinadores do mundo.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Amílcar Cabral


O “pai” das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi “um fazedor de utopias”, que enfrentou muitas contradições pessoais e no movimento de libertação que liderou, acabando por morrer precisamente por causa delas.
A convicção é do antropólogo e antigo jornalista angolano António Tomás, ao comentar à Agência Lusa a figura de Amílcar Cabral, dias antes de lançar, em Lisboa, a biografia que escreveu sobre o nacionalista cabo-verdiano nascido na Guiné-Bissau, intitulada “O Fazedor de Utopias”. Recusando o “politicamente correcto” – “por uma questão de rigor e de factualidade” –, o autor do livro, a lançar hoje na Casa Fernando Pessoa, apontou, “entre muitas”, quatro contradições na vida e obra de Amílcar Cabral, geralmente caracterizado como um dos idealistas mais importantes da história recente do continente africano.
“Não se pode falar em erros, mas em contradições. Há muitas mas a mais importante talvez seja a relacionada com a sua própria identidade, pois formou-se profissional e culturalmente em Portugal e pensava como português”, sublinhou.
No entender de António Tomás, a ideia de Cabral, assassinado em Janeiro de 1973 (um crime que nunca foi totalmente esclarecido), oito meses antes da declaração unilateral da independência da Guiné-Bissau, a ideia da “reafricanização dos espíritos” esbarrou na “verdadeira cultura africana”. “Da teoria à prática foi muito duro, pois sempre pensou que a mística africana fora apagada pela colonização, o que não se verificou”, sustentou o antropólogo, dando como exemplos os casos, ainda hoje actuais, da “excisão feminina” e da “dominação masculina”.
A lógica da “guerra anti-colonial”, por si só, é, segundo os valores defendidos por Cabral, outra das contradições importantes entre a teoria e a prática de um homem que “tentou um meio termo entre o ideal comunista de Mao Tsé Tung - o poder da classe camponesa - e de Ernesto Che Guevara - o poder da revolução de quadros”.
“Errou, aí sim, ao tentar expandir a guerra para Cabo Verde, embora não o tenha conseguido, apesar do sonho irrealista de defender a unidade entre guineenses e cabo-verdianos”, sustentou António Tomás, natural de Luanda, onde nasceu a 11 de Abril de 1973.
Outra “contradição” é de “cariz mais pessoal”, apontou, dando como exemplo, “um humanista que acabou por defender a guerra (1963/74) como meio para alcançar a independência”, em que foi “obrigado a tomar medidas drásticas e contrárias” aos seus próprios ideais.
“Amílcar Cabral tinha um lado ingénuo muito grande. Entregou-se generosamente à causa da independência, na qual depositava uma grande esperança. Acreditou até ao fim, mesmo quando começaram algumas traições dentro do próprio PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde)”, defende o autor do livro que, apesar de tudo, o considera como “um grande pensador e nacionalista”.
Os elogios a Amílcar Cabral feitos por António Tomás, actual doutorando em Antropologia pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde reside desde 2004, sobem de tom quando fala sobre o seu lado prático. “Era um homem muito prático, embora agarrado à teoria. Tentou resolver as contradições mas não conseguiu. A guerra não se faz com um homem só. Tentou tudo, mas era o único que pensava e esqueceu-se do resto: que há outros que também pensam”, sublinhou o autor, licenciado em Comunicação Social, pela Universidade Católica de Lisboa e colaborador do Jornal de Angola e Angolense.
“Tentou sobretudo conciliar as revoluções campesinas (de Mao Tsé Tung) com as de quadros (de Che Guevara). Foi o primeiro a colocar grande parte do esforço de guerra ao serviço da organização das zonas libertadas e, paralelamente, a travar o conflito com Portugal nas frentes interna e diplomática”, advogou o autor. No primeiro caso, promoveu a educação, saúde e os armazéns do povo nas zonas libertadas e, no segundo, privilegiou os contactos internacionais, sustentou António Tomás, deixando no ar a questão sobre se havia mesmo a necessidade de se partir para o conflito com o regime colonial de Lisboa.
Quanto à morte de Amílcar Cabral, abatido em Conacri a 20 de Janeiro de 1973, afirmou que as dúvidas sobre os mandantes e executantes “são muitas”, mas defendeu que o assassinio foi “consequência” de não ter conseguido resolver as contradições do movimento de libertação que liderou durante mais de década e meia.
“A história do homem que liderou a independência das colónias portuguesas em África”, tal como o autor definiu no livro, é considerada pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa uma obra importante.
“Tenta devolver ao grande público essa figura maior de África. Fá-lo numa linguagem jornalística, apoiada numa investigação rigorosa. O facto de o seu autor ser angolano não me parece irrelevante. Trata-se de dar a ver um pensador e combatente africano numa perspectiva africana. Algo que teria certamente agradado a Amílcar Cabral”, sustenta Agualusa num pequeno texto publicado no livro. Lusa.

terça-feira, novembro 20, 2007

Nadine Gordimer


Nadine Gordimer nasceu na cidade de Springs, uma pequena cidade mineira situada na periferia de Joanesburgo, em 20 Novembro de 1923. Os pais, Isidore e Nan Gordimer, eram emigrantes judeus. O pai era joalheiro, proveniente da Lituânia, e a mãe originária da Inglaterra. A mãe de Nadine impressionada com o modo como eram tratadas as crianças negras, abriu uma creche, para dar apoio gratuito a essas crianças. Apesar da origem judaica da família, Nadime Gordimer, estudou numa escola de orientação cristã. Começou a escrever com 9 anos e a sua primeira história, Come Again Tomorrow, foi publicada na secção infantil da revista sul-africana Forum quando Nadine tinha apenas 14 anos.
Passou pela Universidade de Witwaterstrand de Joanesburgo, onde estudou apenas um ano, desistindo de tirar um curso superior. A sua escrita caracteriza-se pelas belas evocações da ruralidade do Transvaal, pelas eficazes interpretações da sexualidade e pela interacção de personagens de origens raciais diferentes, onde é possível imaginar, o que poderia ser a vida na África do Sul, se não existisse o apartheid.
O primeiro romance da autora, The Lying Days, surgiu em 1953, e teve como cenário a cidade mineira onde nasceu.
Toda a sua obra, assume uma frontal oposição e denúncia do apartheid e à censura, o que levou que alguns dos seus livros, fossem banidos da África do Sul, até à queda do regime. Ficou conhecida, apesar das suas posições anti-apartheid, por nunca ter querido deixar o seu país, nem durante os anos de violenta repressão política.
Em 1974 recebeu o Booker Prize, pelo seu livro O Conservador e no ano seguinte, o prémio francês Grand Aigle d'Or. Em 2002 ganhou o Commonwealth Writer's Prize para África, com o seu livro O Engate.
Foi fundadora do Congresso dos Escritores Sul-Africanos e é vice-presidente do PEN Club Internacional.
Em 1991 a Real Academia Sueca, ao atribuir-lhe o Prémio Nobel da Literatura, explicou que este Prémio foi '' Atribuído a alguém que, através da sua obra épica, trouxe um grande benefício à humanidade.”
Entre as suas obras, que incluem contos e romances, destacam-se Face to Face (1949), The Soft Voices of the Serpent (1952), The Lying Days (1953), Six Feet of the Country (1956), Um Mundo de Estranhos (1958), Friday’s Footprint and Other Sttories (1960), Occasion for Loving (1963), Not for publication (1965), O Fim dos Anos Burgueses (1966), South African Writing Today (1967), Guest of Honour (1970), Livingstone’s Companions (1971), The Black Interpreters (1973), O Conservador (1974), Some Monday For Sure (1976), A Filha de Burger (1979), No place Like (1979), A Soldier’s Embrace (1980), Town and Country Lovers (1980), A Gente de July (1981), Something Out There (1984), Lifetimes: Under Apartheid (1986), Um Capricho da Natureza (1987), The Essential Gesture (1988), A História de Meu Filho (1990), Crimes of Conscience (1991), Jumps and Other Stories (1991), Why Haven’t you Written? (1992), Ninguém me Seguirá (1994), Writing and Being (1995), In The House Gun (1998) e The O Engate (2001) e Loot and Other Stories (2003), Get a Life (2005).
Está traduzida em mais de trinta línguas e recebeu numerosos doutoramentos Honoris Causa, entre os quais se destacam: Universidades de, Yale, Harvard, Columbia e New School for Social Research, (EUA); Universidade de Leuven, Bélgica, Universidade de York (Inglaterra), Universidades da Cidade do Cabo e de Witwatersrand de Joanesburgo (África do Sul) e a Universidade de Cambridge (Inglaterra).

Magda Szabo


A escritora húngara Magda Szabo faleceu ontem, aos 90 anos, quando lia um livro em sua casa, informou hoje fonte editorial.
Romancista, dramaturga, ensaísta e poetisa, Magda Szabo, nascida em 5 de Outubro de 1917 em Debrecen no seio de uma família burguesa, começou a publicar antes da II Grande Guerra.
A escritora estava actualmente a trabalhar no segundo volume da sua autobiografia "Für Elise".
Licenciou-se em Latim e Húngaro pela Universidade de Debrecen, em 1940, onde começou a leccionar, e casou-se em 1947 com o também escritor Tibor Szobotka, falecido em 1982.
Mais tarde funcionária do Ministério da Educação e Religião, vê as suas obras proibidas pelas autoridades comunistas depois de 1948, chegando os seus títulos às livrarias só em finais da década de 1950.
Magda Szabó tornou-se uma figura maior da literatura húngara e recebeu vários prémios literários, entre eles, os prémios Baumgarten (1949) e Lajos Kossuth (1978), tendo as suas obras sido publicadas em várias línguas.
A Porta, publicado em 1987, (que as Publicações D. Quixote editaram no ano passado em Portugal), alcançou grande sucesso internacional, tendo-lhe sido atribuído o Prix Betz Corporation, nos Estados Unidos e o Prix Femina Étranger, em França.
Em comunicado, o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, sublinhou que o país "perdeu não só uma pessoa reconhecida em toda a Hungria, mas, mais importante do que isso, sobretudo amada por todos".Com a agência Lusa.

sexta-feira, novembro 16, 2007

José Saramago


A vida de José Sousa começa às duas horas da tarde de 16 de Novembro de 1922, na pequena aldeia de Azinhaga, concelho da Golegã. A vida de José Saramago, começará dois dias mais tarde no Registo Civil da Golegã, “…indo o meu pai declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros.” (As Pequenas Memórias).
Filho de José de Sousa e de Maria da Piedade, ambos camponeses (o seu pai seria anos mais tarde polícia), viveria os primeiros tempos na aldeia ribatejana que o viu nascer. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha dois anos de idade. A maior parte da sua vida decorreu em Lisboa, embora até ao princípio da idade adulta, passase prolongadas estadias na sua aldeia natal, superiormente contadas no livro, As Pequenas Memórias.
Em 1929 iniciou a escola primária, na escola Morais Soares. Em 1933, matricula-se no Liceu Gil Vicente, onde estudaria dois anos. Vem-lhe dessa altura o gosto pela leitura: sem acesso a livros, passava a pente fino as páginas do “Diário de Notícias”, que o pai levava todos os dias para casa, oferecido por "algum amigo ardina". Em 1934 as dificuldades económicas fazem-se sentir e José transita para a Escola Industrial Afonso Domingues, concluindo o curso de Serralharia Mecânica em 1939.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, passando de seguida a desenhador, logo de seguida, obtém emprego nos Hospitais Civis de Lisboa. Por meio da leitura, procura melhorar a sua formação intelectual, frequentando a biblioteca do palácio das Galveias. É aí que inicia o seu contacto com a literatura.
Em 1942 é transferido para os serviços administrativos do Hospital Civil de Lisboa e no ano seguinte passa a trabalhar na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.
Em 1944 casou-se com a pintora Ilda Reis, de quem se divorciaria em 1970.
Em 1947, nasce a filha Violante e, a Minerva publica um romance seu, intitulado A Viúva, pelo autor e transformado em Terra de Pecado, pela editora.
Depois dessa primeira experiência, Saramago interrompe a escrita, que só retomará em 1966, ao publicar Os Poemas Possíveis. Em 1949, o apoio à campanha de Norton de Matos à Presidência da República leva-o a perder o emprego na caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica. No ano seguinte conseguiu ingressar na Caixa de Previdência da Companhia Indústrias Metálicas Previdente, onde permanecerá até 1959. Em 1955 começou a colaborar com a Editorial Estúdios Cor, à qual se dedicou em exclusivo desde 1959 até 1971, como editor literário.
Em 1966 retomou a actividade literária, publicando o seu primeiro livro de poesia, Os poemas possíveis. Daí em diante a escrita tornou-se uma actividade permanente. Em 1968 iniciou a actividade jornalística, publicando textos de crítica literária na revista “Seara Nova” e, em 1972, começou a trabalhar no “Diário de Lisboa”, passando, no ano seguinte, a dirigir o suplemento literário do jornal.
Colaborou também com a revista Arquitectura (1974). Entretanto, em 1969, aderiu ao Partido Comunista Português, ao qual permaneceu fiel até hoje. No entanto, em 1988 foi um dos subscritores do “documento da terceira via”.
Após o 25 de Abril chegou a trabalhar no Ministério da Comunicação Social, como assessor. Também nessa altura chegou a coordenar uma equipa de dinamização cultural no Fundo de Apoio aos organismos Juvenis (FAOJ).
Em 1975 é nomeado director-adjunto do “Diário de Notícias”, mas é dispensado após o 25 de Novembro. Que o levaria a dizer que como escritor, é um produto do 25 de Novembro: “Como escritor, sou um produto do 25 de Novembro. Com o 25 de Novembro, fiquei sem trabalho e com pouca esperança de conseguir um sítio onde o encontrar. Eu estava muito marcado. Decidi, aos 53 anos, que seria “agora ou nunca”. Se as circunstâncias me retiraram a possibilidade de trabalhar, iria escrever. Não foi fácil. Durante uns anos vivi de traduções. Eu já não estava no circuito, ninguém pensou mais em mim e ainda bem. Fechei-me em casa a traduzir para ganhar a vida e para escrever”. (Diário de Notícias, 2005-11-09).
A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.
Em 1982 edita a sua obra mais emblemática, O Memorial do Convento. O livro apresenta duas histórias paralelas: reescreve a história de Portugal através da construção do Convento de Mafra por D. João V; e paralelamente conta a história de amor entre Baltazar Mateus, o Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas.
A primeira história, irónica e crítica, revela episódios da história portuguesa no tempo da construção do Convento de Mafra. D. João V, persuadido pelo clero, oferece a obra a Deus para que a rainha engravide e lhe dê um herdeiro. Saramago satiriza e ridiculariza os hábitos da realeza, desnudando o poder exercido pela elite e pelo clero sobre o povo oprimido.
A segunda história, com a qual a primeira se entremeia, é a história de amor, entre Blimunda e Baltazar; ambos pessoas humildes do povo, que se unem ao Padre Bartolomeu Lourenço no seu sonho de voar, através da construção de uma máquina, a qual chamam de Passarola.
Blimunda tem poderes especiais, consegue ver as pessoas por dentro e torna-se a responsável por captar as vontades das pessoas moribundas. As vontades são recolhidas e servem de combustível para a passarola, uma espécie de metáfora de liberdade. O Padre Bartolomeu, Baltazar e Blimunda conseguem fazer com que a máquina voe, porém, o padre passa a ser perseguido pela Inquisição, e foge para Toledo, onde acaba por morrer.
Baltazar e Blimunda cuidam da passarola que foi escondida. Baltazar durante a manutenção da máquina acaba por voar nela e nunca mais volta. Blimunda procura-o durante nove anos por todas as partes do país, até que em Lisboa, durante um auto de fé, reconhece Baltazar a caminho da fogueira. Quando Baltazar está para morrer, desprendeu-se a sua vontade e é recolhida dentro do peito de sua amada Blimunda.”
Fez parte da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e, entre 1985 e 1994, foi presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Em 1988 casou com a jornalista espanhola Pilar del Rio.
Em 1991 publicou a sua obra mais polémica o Evangelho Segundo Jesus Cristo, obra incómoda para os sectores mais tradicionais da sociedade portuguesa, tendo o Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetado em 1992 a sua candidatura ao Prémio Literário Europeu. Quando perguntaram a Sousa Lara porque é que o romance de José Saramago foi cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, Sousa Lara afirmou, “Porque não representa Portugal. Esta minha atitude nada tem a ver com estratégias de venda, nem sequer com opções literárias. E muito menos com as escolhas políticas de Saramago. Não entrou em linha de conta o facto de ele ser comunista ou pertencer à Frente Nacional para a Defesa da Cultura”.(Público, 25 de Abril de 1992). Reafirmando dias mais tarde, em plena Assembleia da República que, “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.” Esta polémica, levou o escritor a ir viver definitivamente para Lanzarote, nas ilhas Canárias, corria o ano de 1993.
O romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi mal recebido pelos círculos religiosos, em quase todos os países católicos, mas na Rússia, foi alvo de um apelo especial. A 11 de Dezembro de 1998, os participantes da conferência “Segurança Espiritual da Rússia”, realizada em Moscovo, lançaram um apelo ao Presidente, Governo, Parlamento e Procuradoria-Geral da Rússia, no qual, entre outras coisas, se afirmava: “Consideramos absolutamente inadmissível a publicação na Rússia do livro “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie, que ofende até ao fundo da alma os sentimentos religiosos dos muçulmanos, do filme de Scorsese “A Última Tentação de Cristo” e do livro de José Saramago “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que é um insulto aos sentimentos de todos os cristãos da Rússia”. Foi publicado à mesma, com um relativo sucesso.
Em 9 de Outubro de 1998, a Real Academia Sueca comunicou a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago “que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia, torna constantemente compreensível uma realidade fugidia”.Com esta justificação, a referida Academia destacava pela primeira vez, não só um escritor português, mas também a Língua Portuguesa.
José Saramago reagiu com humildade quando soube da atribuição do Prémio Nobel da Literatura: “Sou português, não quero nem posso ser outra coisa, mas por circunstâncias várias a minha Pátria cresceu, que é o que mais podemos desejar. ... Não nasci para isto... O facto de ser Prémio Nobel não significa que seja o único que o merecia em Portugal. Fernando Pessoa merecia mil prémios Nobel.”
A 3 de Dezembro de 1998, o Presidente da República, Jorge Sampaio, concedeu-lhe, a título excepcional, o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada, distinção reservada tradicionalmente a chefes de estado.
Depois de José Saramago receber o Nobel da Literatura, a Fundação Círculo de Leitores, decidiu criar em sua homenagem o “Prémio Literário José Saramago” destinado a promover a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita por jovens autores de grande qualidade. O Prémio com periodicidade bienal e no valor de €25 000,00, distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país lusófono, excluindo as obras póstumas.
Em 29 de Junho de 2007, José Saramago criou uma fundação com o seu nome que irá preservar e estudar a sua obra literária e espólio e ainda tomar partido, “por grandes e pequenas causas”. Na declaração de princípios escrita pelo autor, determina este, que a fundação deve assumir nas suas actividades, como norma de conduta, “tanto na letra como no espírito”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que mereçam particular atenção os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, “os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo”. (Lusa/JL).
O percurso literário de sucesso de José Saramago, é acompanhado e recheado com diversas polémicas, de entre as quais se destaca a posição crítica em relação a Israel, no conflito eterno com os palestinianos. Numa entrevista ao jornal Globo, afirmou “que os Judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto... Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós. (Wikipédia).
A sua mais recente polémica foi espoletada, por uma entrevista ao jornal Diário de Notícias em 15 de Julho de 2007, o Nobel português defendeu, que Portugal deveria tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender as susceptibilidades dos portugueses. O escritor considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha. Portugal tornar-se ia assim, mais uma província de Espanha: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (a Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, seria uma questão a negociar" disse o escritor.(Lusa).
José Saramago tem uma extensa obra publicada, desde de poesia, Os Poemas Possíveis, 1966, Provavelmente Alegria, 1970, O Ano de 1993, 1975, também tem editado livros de Crónicas, e Memórias, Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL teve, 1974, Os Apontamentos, 1976, A Estátua e a Pedra, 1966, Folhas Políticas (1976-1998), 1999, Saramago na Universidade, 1999, Aquí soy Zapatista, 2000, Andrea Mantegna. Un’etica, un’estetica, 2002, El Nombre y la Cosa, 2006, As Pequenas Memórias, 2006, passando por livros de viagens, Viagem a Portugal, 1981, continuando com o Teatro, A Noite, 1979, Que Farei com Este Livro?, 1980, A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987, In Nomine Dei, 1993, Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido, 2005.
Escreveu também um diário em 5 partes, Cadernos de Lanzarote - I, 1994, Cadernos de Lanzarote - II, 1995, Cadernos de Lanzarote - III, 1996, Cadernos de Lanzarote - IV, 1997, Cadernos de Lanzarote - V, 1998, alguns contos, Objecto Quase, 1978, Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979, O Conto da Ilha Desconhecida, 1997, A Maior Flor do Mundo, 2001.
No entanto é a sua obra romanesca a mais importante. José Saramago tem editado uma extensa lista de romances:Terra do Pecado, 1947, Manual de Pintura e Caligrafia, 1977, Levantado do Chão, 1980, Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa, 1989, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991, Ensaio sobre a Cegueira, 1995, Todos os Nomes, 1997, A Caverna, 2000, O Homem Duplicado, 2002, Ensaio Sobre a Lucidez, 2004, As Intermitências da Morte, 2005. (Editorial Caminho).
Os livros de José Saramago encontram-se publicados em 53 países e em 42 idiomas.
O seu romance Memorial do Convento foi adaptado a ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título Blimunda. A estreia mundial, com encenação de Jerôme Savary, realizou-se no Teatro alla Scala, Milão, em 20 de Maio de 1990. Também da peça In Nomine Dei foi extraído um libreto, o da ópera Divara, estreada em Munster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf. Igualmente de Azio Corghi é a música da cantata A Morte de Lázaro sobre textos de Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e In Nomine Dei, interpretada pela primeira vez em Milão, na igreja de San Marco, em 12 de Abril de 1995. Ainda de Azio Corghi é a música da cantata sobre O Ano de 1993, interpretada pela primeira vez em Florença, em 8 de Junho de 1999. Da sua obra teatral Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido foi extraído o libreto da ópera de Azio Corghi Il Dissoluto Assolto, estreada em Lisboa, em 18 de Março de 2006, no Teatro Nacional de São Carlos. O seu romance A Jangada de Pedra foi adaptado ao cinema pelo realizador holandês George Sluizer em 2002, com o título de Het Stenen Vlot Spoorloos (Caminho).
Obras de José Saramago recebeu ao longo da sua carreira muitos prémios, de entre os quais se destacam:
Prémio da Associação de Críticos Portugueses “A Noite”, 1979, Prémio Cidade de Lisboa “Levantado do Chão”, 1980, Prémio PEN Clube Português “Memorial do Convento”, 1982, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1984, Prémio Literário Município de Lisboa “Memorial do Convento”, 1982, Prémio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, Prémio Dom Dinis “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1986, Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, 1992, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Camões, 1995, Prémio Grinzane-Cavour “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1987, Prémio Internacional Ennio Flaiano (Levantado do Chão), 1992, Prémio do jornal The Independent “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1993, Prémio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra), Prémio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 ( pelo conjunto da obra), Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Nobel da Literatura, 1998, Prémio Europeu de Comunicação Jordi Xifra Heras (Girona) 1998, Prémio Nacional de Narrativa Città di Pienne (Itália) 1998, Prémio Canárias Internacional, 2001).
Em reconhecimento do seu trabalho literário foram atribuídas a José Saramago as seguintes distinções honoríficas: Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada 1985); Grande Colar da Ordem Militar de Santiago de Espada (1998). Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras ( França 1991); Oficial da Legião de Honra (França), Grã-Cruz da Ordem «Ilhas Canárias» (Espanha), Medalha Guayasamin-UNESCO; Medalha Rumiñahui (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Cultural e Literário do Congresso Nacional (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Educativo e Cultural «Juan Montalvo» (Equador), Medalha Isidro Fabela da Faculdade de Direito da UNAM (México).
José Saramago é Doutor «Honoris Causa» pelas Universidades de Turim (Itália), Sevilha (Espanha), de Manchester (Reino Unido), de Castilla -La Mancha (Espanha), de Brasília (Brasil), de Évora (Portugal), de Rio Grande do Sul (Brasil), de Minas Gerais (Brasil), de Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), Politécnica de Valência (Espanha), Fluminense (Brasil), de Nottingham (Reino Unido), de Santa Catarina (Brasil), Michel de Montaigne – Bordéus (França), de Massachussets, Dartmouth (Estados Unidos da América), de Salamanca (Espanha), de Santiago (Chile), de la República del Uruguay (Uruguai), de Roma Tre (Itália), de Granada (Espanha), Carlos III (Espanha), Universitá per Stranieri di Siena (Itália), de Alberta (Canadá), Autónoma do Estado de México Toluca (México), de Tabasco (México), de Buenos Aires (Argentina), Charles-de-Gaulle – Lille 3 (França), de Alicante (Espanha), de Coimbra (Portugal), Autónoma de Madrid (Espanha), de El Salvador (São Salvador), Nacional (Heredia - Costa Rica), de Estocolmo (Suécia), Nacional de Irlanda (Dublin).
Membro «Honoris Causa» do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); Membro correspondente da Academia Argentina de Letras; Membro do Patronato de Honra da Fundação César Manrique, Lanzarote (Canárias); Membro da Academia Europeia de Yuste (Espanha); «Beca de Honor» da Residência de Estudantes da Universidade Carlos III (Espanha); Sócio Honorário da Academia de Ciências de Lisboa; Membro da Academia Internacional de Humanismo (Amherst, Estados Unidos da América); Membro Honorário do Instituto Caro Y Cuervo, de Bogotá (Colômbia); Membro titular da Academia Europeia das Ciências, das Artes e das Letras, de Paris (França); Membro do Conselho do Futuro (UNESCO), Paris; Membro da Academia da Latinidade; Membro da Academia do Mediterrâneo; Sócio Honorário da Associação Provincial de Sevilha de Amizade com o Povo Sahauri (Espanha); Professor Coordenador Honorário do Instituto Politécnico de Leiria (Portugal); Presidente Honorário de Son Latinos (Espanha); Presidente Honorário da Fundación Alonso Quijano (Málaga); Académico Honorário da Academia Canaria de la Lengua (Canárias); Presidente Honorário da Fundação Centro José Saramago (Castril – Espanha); Membro do Comité de Honor da Fundação Rafael Alberti; Membro do Conselho Supremo das Academias de Colômbia; Membro Honorário do Centro Nacional de Cultura (Lisboa); Membro Honorário do Conselho Consultivo do Brussels Tribunal.