terça-feira, fevereiro 22, 2005

A Fonte


Este urinol de porcelana branca assinado por R. Mutt - pseudómio do artista francês Marcel Duchamp- foi considerado por um painel de 500 artistas, críticos, historiadores e conservadores de museus a peça mais influente da arte moderna. "A Fonte", a obra criada em 1917 para o Salão dos Independentes de Nova Iorque, foi escolhida por 64 por cento dos inquiridos numa sondagem encomendada pela organização do Prémio Turner, o maior prémio britânico para as Artes Plásticas.
"A Fonte" de Duchamp é a primeira de uma lista de cinco obras que inclui duas pinturas de Pablo Picasso - "Les Demoiselles d'Avignon", 2º lugar, e "Guernica", 4º-, uma de Andy Warhol, "Marylin Diptych", 3º e outra de Henri Matisse, "O Atelier Vermelho"

Les Demoiselles d'Avignon


"Les Demoiselles d'Avignon", nesta obra Pablo Picasso subverte por completo os moldes tradicioanis de representação da figura humana. Para isso, defendem os especialistas, submete cinco figuras femininas a uma geometrização rigorosa que acaba por levar a uma deformação radical.Os corpos em "Les Demoiselles d'Avingnon", datado de 1907, são angulosos e desproporcionais, transformando-se num sinónimo da revolta do artista contra toda a arte ocidental desde o Renascimento.Esta obra, que para muitos é a fundadora do cubismo, está no Museum of Modern Art (MoMa), em Nova Iorque.

Marilyn Diptych


Na obra "Marilyn Diptych", Andy Warhol encontrou em Marilyn Monroe a fusão de dois dos temas mais recorrentes em toda a sua obra: a morte e o culto da celebridade. O díptico de 1962 é uma das 20 obras que o artista criou a partir da fotografia promocional do filme "Niagara", de 1953. O contraste entre cor e preto-e-branco nesta tela composta por 50 representações de Marilyn sugerem, segundo a crítica, uma mortalidade inevitável. A obra está na Tate Modern, em Londres.

Guernica


"Guernica", a obra "política" mais famosa do século XX foi motivada pelo bombardeamento da cidade do mesmo nome, centro da tradição cultural basca. O quadro é o reflexo da leitura subjectiva que Pablo Picasso faz da Guerra Civil de Espanha e vem provar que o tema da batalha também pode ser tratado pelos artistas modernos. O quadro foi pintado para a Exposição Mundial de Paris, em 1937. Está hoje no Museu Rainha Sofia, em Madrid.

Atelier Vermelho


Henri Matisse pintou o "Atelier Vermelho" em 1911.Trata-se de uma superfície monocromática em que o artista opta por traçar apenas contornos de alguns objectos representados(mesa,cadeira,cómoda,relógio e cavaletes), fazendo com que pareçam transparentes."Não sou capaz de copiar a natureza como um escravo, sinto-me,pelo contrário,obrigado a interpretá-la e adaptá-la ao espírito do quadro", dizia o pintor francês. A obra está no MoMa, em Nova Iorque.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Trabalho Infantil


Uma em cada 12 crianças ou adolescentes é vítima das piores formas de trabalho infantil, como escravatura ou exploração sexual, alerta um relatório da UNICEF que hoje é divulgado em Londres. No total, há 246 milhões de crianças e jovens a serem usados como mão-de-obra em todo o mundo, das quais 47 mil em Portugal(segundo o relatório, a maioria destes rapazes e raparigas está ligado à indústria de calçado. O organismo ressalva que há mais de uma década que os governos nacionais tentam combater o problema e que apesar do número de trabalhadores infantis nas fábricas ter decrescido, parte desta mão-de-obra se transferiu para casa, onde sa mantém a trabalhar).O relatório sobre a exploração do trabalho infantil a nível mundial, elaborado pelo Comité britânico da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), refere que 180 milhões de crianças e jovens vivem diariamente a pior expressão desta actividade, sobretudo devido à pobreza. São meninos-soldados, estão sujeitos a trabalho perigoso, a exploração sexual, escravatura, trabalhos forçados ou outras actividades ilícitas, como produção e tráfico de droga. A grande maioria destas crianças (97 por cento) trabalha nos países em desenvolvimento e em certos casos mais de 40 horas por semana. Ao longo das mais de 60 páginas do documento, a UNICEF demonstra como as crianças são arrastadas para o mundo do trabalho e da exploração pelas condições de pobreza e à falta de uma educação adequada, factores que estão a ser potenciados pelo flagelo do HIV/sida". As crianças tornam-se vulneráveis a este tipo de exploração quando a família, a comunidade ou o Estado não são capazes de as proteger devidamente, defende a UNICEF. As regiões mais problemáticas do mundo são África (41 por cento das crianças entre os cinco e os 14 anos trabalham), na Ásia (21 por cento) e na América Latina (17 por cento). É, contudo, na Ásia, onde a população é mais numerosa, que se concentram 60 por centro destes pequenos trabalhadores. A maioria serve de mão-de-obra na agricultura, na pesca ou em actividades ligadas à sobrevivência da família. Muitas são trabalhadores "invisíveis", sujeitos a diversos tipos de trabalho doméstico na família ou fora dela. Por outro lado, os mais novos continuam a ser um alvo apetecível para as entidades empregadoras: têm salários menores, são mais vulneráveis, intimidáveis, submissos e menos capazes de lutar por direitos que desconhecem. A UNICEF ressalva que um número crescente de crianças de meios urbanos trocou as fábricas pela rua, e dedica-se à mendicidade e a outro tipo de actividades.
In Público.

sábado, fevereiro 19, 2005

Um Filme para a Memória Colectiva


"Hotel Ruanda", um dos filmes-sensação do ano cinematográfico, estreou em Portugal, a duas semanas da entrega dos Óscares, onde conseguiu quatro nomeações, entre as quais as de melhor actor (para Don Cheadle), melhor actriz secundária (Sophie Okonedo) e melhor argumento original.É em situações muito complicadas que por vezes nasce um herói, alguém que graças à sua coragem consegue salvar muitas pessoas.
''Hotel Ruanda'' recupera a história verídica de uma dessas pessoas. Paul Rusesabagina (Don Cheadle) é um gerente de hotel que conseguiu esconder milhares de refugiados tutsis, durante o genocídio de 1994, salvando-os de uma morte certa.
A acção deste thriller político situa-se no Ruanda, um país dividido pelos conflitos étnicos entre os Hutus e os Tutsi.
Quase 85% da população ruandesa pertence aos Hutus, um povo proveniente da bacia do rio Congo. Os Tutsis, pastores de grande estatura provenientes da Etiópia, chegaram a este território por volta do século XV e impuseram o seu domínio feudal aos Hutus, a etnia maioritária.Em 1885, na Conferência de Berlim, as potências europeias repartiram entre si a maior parte do continente africano.
O Ruanda ficou então sob o domínio alemão, mas depois de a Alemanha ter sido derrotada na I Guerra Mundial, os belgas ocupam o país e transformam os tutsis na elite económica, política e militar.Nos anos 50, há um retrocesso e os privilégios passam a pertencer aos Hutus. Mas mais importante do que detalhar a (longa) cronologia do conflito é dizer que até à década de 80, o poder foi pertencendo alternadamente a cada uma das etnias, com muito sangue derramado e muitos acordos falhados de permeio.Os eventos de ''Hotel Rwanda'' ilustram um desses momentos conturbados: o período imediatamente posterior ao assassinato do presidente que faz despoletar a violência entre ambas as facções. O Ruanda é então palco de uma das maiores atrocidades da história da humanidade onde, em apenas 100 dias, quase um milhão de tutsis são brutalmente assassinados por milícias de etnia hutu.
Paul Rusesabagina, uma espécie de Oskar Schindler africano, era um Hutu moderado, casado com uma Tutsi (Sophie Okonedo), que geria um luxuoso hotel em Kigali e que, perante este cenário, promete proteger a sua família. Mas quando as perseguições aos Tutsis e Hutus moderados invadem a cidade, Paul acaba por encontrar a força e a coragem necessárias para salvar mais de um milhar de refugiados que acolhe no seu Hotel.Muitas destas pessoas são trazidas até ali pelo Coronel Olivier (Nick Nolte), responsável pelas acções militares da ONU no território.
Joaquin Phoenix é o repórter de serviço que testemunha o massacre. Como quase sempre acontece neste tipo de conflitos, as Nações Unidas não conseguiram reagir a tempo e a sua acção no terreno foi manifestamente ineficaz. Realizado pelo irlandês Terry George, este filme revela-nos a forma engenhosa como um homem vulgar conseguiu salvar milhares de pessoas e manter o hotel a salvo.
Uma parte das receitas de bilheteira deste filme será entregue à AMI, contribuindo para a ajuda das vítimas do tsunami e para a recuperação da Ásia Central.
Texto estreia on line.

Cuidado! A BESTA Anda Por Aí


Skins decididos a matar

Matar um «não branco» é uma das condições do novo estatuto dos «skinheads»


Na manifestação de Sábado passado, as autoridades confirmaram a associação do PNR e da Frente Nacional, liderada pelos «skins» mais radicais.
O movimento dos «skinheads» em Portugal registou, nos últimos meses, um recrudescimento que preocupa profundamente as autoridades. A constatação é comum ao SIS, PJ, GNR e PSP, que têm estado no terreno a acompanhar todos os passos deste grupo extremista.
Há duas semanas, foi atribuído à facção mais radical dos «skins» portugueses - o Prospect of the Nation - o título de HammerSkins, uma espécie de elite mundial dos cabeças-rapadas, que se destaca por um elevado grau de violência, pela capacidade organizativa e pela dedicação à defesa da supremacia da raça branca. A atribuição individual desta «distinção» depende de um conjunto de acções violentas praticadas pelo «candidato», entre as quais o assassínio de um não-branco.
Nos últimos relatórios, as forças de segurança registaram também uma associação entre o Partido Nacional Renovador (PNR) e um projecto designado Frente Nacional (a FN, inspirada na Front National Française de Jean-Marie Le Pen), constituída por neonazis já referenciados, pertencentes à Irmandade Ariana - uma designação global para as organizações extremistas. Recorde-se que estas foram alvo de uma operação da GNR em Junho de 2004, em Loures. Na ocasião, foram detidos 27 cabeças-rapadas e o tribunal mandou instaurar um inquérito por «crime contra a Humanidade».
Os investigadores da GNR estão convencidos de que a FN se prepara para se tornar no «braço armado» do PNR, aproveitando-se da existência legal deste para promover as suas ideias xenófobas. No sábado passado, uma manifestação do PNR em Lisboa, contra a entrada da Turquia na UE, serviu para as autoridades confirmarem esta aproximação.
Depois da operação na «skinhouse» de Loures - que está sob investigação da DCCB (Direcção Central de Combate ao Banditismo da Polícia Judiciária) - os cabeças-rapadas não desmobilizaram. Antes, aprumaram a sua organização com o objectivo de ascenderem à Hammerskin Nation (HSN).
Desde essa altura, as forças de segurança - principalmente a GNR, na zona de Loures, e a PSP, essencialmente junto às claques de futebol - reforçaram o controlo sobre o movimento e obtiveram provas de que a ambição de pertencer à elite mundial dos «skins» os estava a conduzir à violência contra pessoas.
Em Outubro, a PSP apreendeu, numa busca à casa de um «skinhead» de 24 anos, diverso material que indiciava a preparação de acções criminosas. Entre os objectos estava uma listagem de nomes e moradas, bem como mapas da localização das residências de pessoas que, presumivelmente, seriam alvo das acções do grupo. Na lista constavam os nomes de um elemento da direcção da Opus Gay, de duas pessoas ligadas à Sinagoga israelita de Lisboa e de dois activistas da associação SOS Racismo. Depois do primeiro interrogatório, o indivíduo foi colocado em prisão preventiva, situação que se mantém. Este caso está ainda sob investigação e, contactada pelo EXPRESSO, fonte oficial da PSP não quis comentar nem adiantar nada sobre o assunto.
O núcleo de investigação criminal da GNR de Loures, responsável pela operação de Junho sobre a «skinhouse», é quem tem acompanhado e aprofundado o conhecimento das movimentações dos extremistas. Foram esses agentes que confirmaram a atribuição do título HammerSkin aos portugueses a 29 de Janeiro e logo deram o alerta ao comando-geral sobre o impacto que esse facto teria no recrudescimento da violência do grupo.


Os mais violentos.

A HSN, fundada em Dallas, nos anos 80, é o mais violento e melhor organizado grupo de «skinheads» neonazis dos Estados Unidos e da Alemanha, chegando a constituir pequenos exércitos fortemente armados. É composto quase exclusivamente por homens brancos, jovens, que defendem a supremacia da raça branca. Têm sido identificados por ligação a actividades criminais, incluindo assassínios, «batidas» (caçadas a não-brancos e anti-racistas), extorsões, cobranças difíceis e tráfico de armas.
A GNR não duvida de que os portugueses agora reconhecidos como Hammers («martelos») vão endurecer as suas acções para mostrar «trabalho».
Há suspeitas de que todos os seus membros se fazem acompanhar diariamente por armas de fogo, soqueiras e bastões. Aliás, foi o que se verificou na operação de Junho: um dos líderes estava na posse de um revólver ilegal, que foi apreendido e entregue ao tribunal.
Em Outubro, na sequência de desacatos no centro comercial Alvaláxia (Lisboa), esse mesmo indivíduo, foi encontrado na posse de uma arma do mesmo calibre, mas desta vez com a respectiva licença, emitida em Setembro de 2004 pela Direcção Nacional da PSP - ou seja, apenas dois meses depois de lhe ter sido apreendida a outra, ilegal.
Valentina Marcelino/Expresso

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

República Popular do Absurdistão


Na República Popular do Absurdistão, conhecida pelos norte-coreanos como República Democrática e Popular da Coreia (R.D.P.C.), e mundialmente conhecida como Coreia do Norte, ontem foi dia de comemoração do "principal feriado do país", o aniversário do "Querido Líder", Kim Jong-Il.
Kim Jong-Il nasceu em 1942, na "mais patriótica e revolucionária família coreana". O pai o fundador da República Popular do Absurdistão (R.D.P.C.), dirigiu o país até morrer em 1994. A mãe Kim Jong-suk falecida em 1949 foi " a maior mãe de todas as nobres mulheres que a História regista", o pequeno Kim nasceu "numa cabana improvisada com troncos de árvores, no acampamento onde seu pai comandava a guerrilha, no monte Paektu, o mais alto da Coreia. No céu surgiram nada menos que dois arco-íris e uma estrela cadente". Na realidade nasceu na Sibéria durante o exílio do seu pai. Estudou na Universidade Kim Il-Sung e depois de apresentar uma tese sobre as teorias agrárias do pai, foi trabalhar para um dos organismos do Partido dos trabalhadores Coreanos. É atribuida a Kim Jong-Il uma infindável lista de livros, que inclui manuais sobre jornalismo e tratados sobre cinema, sobre agricultura, sobre medicina, sobre indústria, sobre tudo, no entanto a obra memorável de Kim é o seu livro "O Socialismo é uma Ciência" que para a imprensa local constitui mesmo " um grande acontecimento na História da Humanidade".Em 1974, entrou para o Politburo do partido e terá sido nessa altura que Kim Il-sung o escolheu como seu sucessor. O tio do jovem Kim, Kim Yong-ju, considerado o numero dois do regime, deixou então de ser visto em público, reaparecendo apenas 20 anos mais tarde, quando o sobrinho era já Comandante Supremo das Forças Armadas, com o posto de marechal.Ontem foi "dia de festa para os povos progressistas de todo mundo" pelo comemoração do 63º aniversário do "Querido Líder", acontecimento que, "foi celebrado em todo mundo, do Bangladesh à França, da Polónia ao Paquistão, da Guiné a Singapura, da Rússia à Malásia" declarou a agência KCNA, norte-coreana.
Isto é quase cómico mas este mentecapto para além de oprimir todo um povo, tem armas nucleares que certamente, não terá nenhum remorso em as utilizar se ameaçarem o seu regime.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Protocolo de Quioto


O primeiro acordo sobre a situação das alterações climáticas ocorreu na Conferência do Rio em 1992. Pela primeira vez definiu-se um quadro de trabalho para controlar ou cortar as emissões de gases com efeito de estufa. Foi o primeiro compromisso mundial sobre a ameaça do efeito de estufa. A previsão de ondas de calor, secas, inundações, subida do nível do mar, entre outras catástrofes, levaram os 175 países que tinham assinado o acordo do Rio ao passo seguinte, o Protocolo de Quioto, que foi assinado no Japão, no dia 11 de Dezembro de 1997, e que prevê que os países desenvolvidos reduzam, em média 5,2 por cento das suas emissões em relação ao que emitiam em 1990 entre 2010 e 2012. As metas variam consoante os países, podendo uns diminuir e outros aumentar. O protocolo teve de ser ratificado por 55 países que representassem 55 por cento das emissões dos gases com efeito de estufa, com base nos valores de 1990, com a ratificação da Rússia, em 18 de Novembro de 2004, o protocolo ficou em condições de entrar em vigor, sendo para isso necessário passar 90 dias da ratificação russa, o que acontece hoje. Ratificaram o acordo até hoje 141 países.
Depois de ser um dos grandes impulsionadores do Protocolo de Quioto, através do Presidente Bill Clinton, e principalmente através do Vice-presidente Al Gore, os Estados Unidos o maior poluidor mundial, com a chegada à presidência de George W. Bush informaram o mundo em 2001 que não ratificariam o Protocolo, exigindo para assinar o acordo, um envolvimento mais efectivo da China, da Índia e do Brasil.
Espera-se um rápido e vital envolvimento dos Estados Unidos neste esforço mundial, no combate ao aquecimento global do planeta.

Carlos Paredes


Nascido em Coimbra a 16 de Fevereiro de 1925, Carlos Paredes faria hoje 80 anos. Filho, neto e bisneto de guitarristas, o pai Artur Paredes, ensinou-o a tocar aos cinco anos. A mãe, Alice, ainda lhe arranjou professores de piano e violino, mas de nada serviu.Quando a família se mudou para Lisboa, o aprendiz de mestre tinha nove anos.Concluída a instrucção primária no Jardim Escola João de Deus, entrou para o Liceu Passos Manuel antes de rumar ao Instituto Superior Técnico e a uma licenciatura que ficaria por concluir. Entretanto casou e teve filhos. Tímido e introvertido, escudou-se na sombra tutelar do pai, com quem tocou em programas da Emissora Nacional e gravou um disco nos anos 50. Em 1958 é preso pela em Caxias, e a PIDE acusa-o de ser comunista. Saído da prisão, 18 meses depois, Carlos Paredes é expulso da função Pública, era funcionário administrativo, arquivista de radiografias do Hospital de São José, por pertencer ao PCP. Até ao 25 de Abril, altura que é reintegrado, exerce a profissão de delegado de propaganda médica. Durante os anos sessenta, uma década de muito trabalho para Carlos Paredes, compõe e interpreta a banda sonora do filme Verdes Anos , de Paulo Rocha, em 1962, seguindo-se a música para filmes, como Fado Corrido, de Brum Canto, em 1964, As Pinturas do Meu Irmão Júlio, de Manoel de Oliveira, em 1965 ou mudar de Vida, de Paulo Rocha em 1966.Durante esta fase inicia a composição de temas para peças de teatro e anima festas estudantis fazendo da sua guitarra a sua voz contra a ditadura de Salazar. O primeiro LP, Guitarra portuguesa gravou-o em 1967, tendo de seguida feito, um concerto memorável no Olympia de Paris. Quatro anos depois, em 1971 grava o dificílimo albúm Movimento Perpétuo, que o celebrizaria. Quando chegou o 25 de Abril, deixou para trás as promessas de uma carreira internacional e embarcou no sonho da Revolução levando o seu olhar de esperança e a guitarra a fábricas e colectividades. Nos anos oitenta grava, os albuns Invenções livres com António Vitorina d'Almeida, em 1986, Espelho de Sons em 1987. Em Julho de 1993 sai Inéditos, e em Outubro desse ano dá um concerto memorável na Aula Magna da Univerdisidade de Lisboa, onde partilhou o palco com Luísa Amaro, ex. aluna e companheira de música e de vida desde 1983. Depois dessa noite memorável, não mais voltaria a sentir o nervosismo dos concertos, pois durante o mês de Novembro é-lhe diagnosticado uma mielopatia crónica. Nunca mais poderá tocar. Em Janeiro, entra no lar da Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa onde viveu até à sua morte. Nos anos seguintes ao seu internamento sucedem-se homenagens e é recordado num enorme concerto da Expo 98 e nas festas de Lisboa. Em Fevereiro de 2000, o Presidente Jorge Sampaio vai visitá-lo no dia do seu aniversário e a TSF faz uma emissão especial para o Rádio que tem no seu quarto.
Muito antes de falecer a 23 de Julho de 2004, o guitarrista já se havia tornado numa figura incortonável da cultura portuguesa. Deixou-nos a sua música, que era segundo ele, "Uma invenção ligada à vida simples, activa, ao dia-a-dia da gente simples de qualquer estrato social".

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Um-faz-que-avança-mas-não-sai-do-sítio

A Direcção-Geral de Contribuições e Impostos notificou quer a Liga Portuguesa de Futebol Profissional quer a Federação Portuguesa de Futebol da existência de uma dívida de 19.957.145 euros de divídas no âmbito do totonegócio não cobertas pelas apostas do Totobola e ainda outra dívida no valor de 8.464.789.45 Euros, criadas até ao dia 31 de Julho de 1996 e não abrangidas pelo totonégócio. A Federação Portuguesa de Futebol reagiu, pela voz do seu presidente, Gilberto Madaíl dizendo que "Bagão Félix está querer dividendos políticos do totonegócio. A FPF não tem massa associativa", por sua vez o Director executivo da Liga de Clubes Cunha Leal, diz que "os clubes cumpriram escrupolosamente as suas obrigações fiscais, tudo isto não se pode dissociar do momento eleitoral", o fiscalista Lobo Xavier diz que os "clubes não devem absolutamente nada ao Estado" enquanto que o Presidente do FC porto diz num tom jocoso que o problema " é dos árbitros, que vão ver as retretes dos seus balneários penhoradas, e a precaver-se comprou uns potes", por último o Sporting durante o fim de semana, reage em comunicado afirmando que "o clube não deve nada ao fisco".
Hoje o Jornal Público afirma que os clubes de futebol que vão receber uma notificação do Fisco para liquidar as suas dívidas fiscais não abrangidas pelo totonegócio, poderão estar na posse de declarações das Finanças que nada devem, segundo um despacho de 1 de Março de 2001, assinado pelo então ministro, Pina Moura, determinando que essas dívidas não seriam considerads para o efeito de passagem de certidões, sem as quais os clubes não poderiam participar nas competições desportivas. Contactado para comentar os motivos desta decisão, Pina Moura respondeu "Não se lembrar do referido despacho".
Esta situação caricata certamente nunca se passaria com um pequeno contribuinte, o que nos leva à questão, se o Estado no geral e o Fisco no particular, tem ou não tem, dois pesos e duas medidas, isto é, um pagamento coercivo e imediato para os pequenos contribuintes em falta para com o fisco, e um-faz-que-avança-mas-não-sai-do-sítio, quando as dívidas são contraídas por clubes de futebol, ou por contribuintes de peso na economia. Como diz Maria José Morgado, vamos ver se o Estado não fica de joelhos perante o futebol.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

A Irmã Lúcia, os Políticos e os Oportunistas


Morte da Irmã Lúcia - Lúcia de Jesus dos Santos a última sobrevivente dos três pequenos pastores que em 1917, afirmaram ter visto a Virgem na Cova da Iria, morreu ontem com 97 anos de idade. Nascida a 22 de Março de 1907, numa povoação perto de Fátima, lúcia tinha dez anos quando afirmou ter visto pela primeira vez, Nossa Senhora na Cova da Iria, juntamente com os primos Jacinta e Francisco, tendo sido a única a alegar ter ouvido as palavras da Virgem.Inicialmente a Igreja encarou cepticismo os relatos dos três pequenos pastores e só em 13 de Outubro de 1930 o bispo de Leiria proclamou aficialmente que as aparições eram dignas de crédito.Procurando recato, Lúcia entrou em 1921 num colégio de doroteias no Porto, vindo a professorar como doroteia em Tuy, Espanha. Em 1946 regressou a Portugal, entrando dois anos mais tarde, em 25 de Março de 1948 para o Carmelo de Santa Tersa, em Coimbra, tendo aí vivido até à sua morte, ocorrida ontem.
Os políticos - O PSD e o PP cancelaram ontem todas as acções de campanha eleitoral previstas para hoje e para amanhã, depois de saberem da morte da Irmã Lúcia. O primeiro-ministro, que já tinha suspenso as acções de campanha eleitoral durante o dia de Carnaval, fez ainda saber que vai propor que seja decretado luto nacional pela morte da Irmã Lúcia. O PP, que pelo seu líder, deu a conhecer aos portugueses que a, Irmã Lúcia é uma figura ímpar do século XX português, anulou todas as acções de campanha "em forma de respeito e recolhimento". O PS, vá-se lá saber porquê, foi a reboque do PSD e do PP, e decidiu não fazer campanhas de rua e condicionou algumas das suas acções de campanha. O PCP e BE, deram um voto de pesar, mas baseados, e na minha opinião certos, na salutar separação institucional entre o Estado e a Igreja, decidiram continuar com as acções de campanha agendadas para hoje e para amanhã.
Os Oportunistas- D. Manuel Martins, bispo resignatário de Setúbal, faz uma crítica feroz aos partidos que alteraram as acções de campanha eleitoral. Em declarações à TSF, não esconde a sua indignação e considera um absurdo interromper a campanha eleitoral em homenagem à irmã Lúcia. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra e a campanha eleitoral devia continuar. Não tenho dúvidas nenhumas" adiantou. D Manuel Martins considera que se está a verificar " um oportunismo político" e que " não fiquei nada contente nem convencido da sinceridade no tocante à suspensão de actividades políticas" Mais uma vez estes políticos, recorrem a truques baixos, para uma exploração oportunista dos sentimentos mais profundos dos portugueses.

domingo, fevereiro 13, 2005

Obviamente, Demito-o!


Bastou uma simples frase, para que Humberto Delgado, escrevesse o seu destino na história política de Portugal contemporâneo. O episódio a que esta frase se refere, passou-se no café lisboeta, Chave D'Ouro, no dia 10 de Maio de 1958, respondendo a uma pergunta feita pelo jornalista Mário Neves, sobre qual seria o destino do Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, se o general vencesse as eleições, disse: "demito-o, obviamente", a afirmação passaria à história com as palavras em ordem inversa. Sete anos depois de ter perdido, vencendo não fosse uma monumental fraude, as eleições a PIDE assassinaria o general Humberto Delgado em Espanha. Faz hoje precisamente 40 anos. A PIDE, que já no Brasil fizera uma tentativa de assassinar Humberto Delgado, infiltrou certos círculos da oposição mantendo uma apertada vigilância sobre todos os movimentos do líder da oposição portuguesa no exílio. Uma intensa campanha de descrédito e de isolamento alimentada pelos serviços secretos, fomentou gradualmente ao longo de um período de cinco anos, a criação de uma rede de informadores que conseguiu obter a confiança do general. Foi assim que ele anuiu ir ao encontro de Badajoz.Convencido que se ia reunir com oficiais portugueses interessados em derrubar o regime, Delgado foi de facto ao encontro da morte.Uma brigada da PIDE chefiada pelo inspector Rosa Casaco atravessou a fronteira utilizando passaportes falsos, a fim de montar a cilada que vitimaria o general e a sua secretária brasileira, Arajarir Campos Moreira. 13 de Fevereiro de 1965 é a data do encontro fatídico, marcado para os correios de Badajoz, donde aliás enviou quatro postais a quatro amigos em quatro países diferentes e assinados com o nome de sua irmã- Deolinda.O objectivo do envio destes postais correspondia a um código, previamente combinado, que significava: estou vivo e não estou preso. Foi o último sinal de vida e por isso esta data é considerada a data do seu assassinato que se pressupõe ter ocorrido perto de Olivença. O desaparecimento de Humberto Delgado deixa os seus companheiros de exílio mergulhados na inquietação.Passam-se semanas sem qualquer notícia do seu paradeiro. Dois meses e meio, a 26 de Abril, os corpos do general e da secretária são encontrados por duas crianças, em adiantado estado de decomposição. No entanto diversos elementos permitem identificá-los, dando início a um longo e árduo processo judicial, que só terminaria após o 25 de Abril de 1974, com a condenação em tribunal militar dos ex. agentes da PIDE directamente implicados e com a trasladação dos restos mortais do "general sem medo" para o Panteão Nacional. Como diz Severiano Teixeira " A democracia veio finalmente prestar homenagem à sua memória e dar-lhe o lugar que ele merecia na História de Portugal, fazendo-o marechal"

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Longa Caminhada para a Liberdade


Ainda tenho bem presente na memória, as imagens da televisão daquele Domingo 11 de Fevereiro de 1990, quando Nelson Mandela foi libertado da cadeia de Robben Island, após 27 anos de encarceramento. Vejo-o a dar uns tímidos passos abraçado á sua mulher Winnie Mandela, e com o braço direito levantado e de punho cerrado, saúda uma multidão que o aclama. Vejo a seguir esta multidão a acompanha-lo num lento e festivo cortejo até à Cidade do Cabo, onde da varanda da câmara municipal se dirige, pela primeira vez a uma multidão de mais de 50 mil pessoas. As primeiras palavras são para o Presidente De Klerk, que diz ser um homem íntegro, acrescentando "Mas a nossa luta atingiu um momento decisivo. A nossa marcha para a liberdade é irreversível". Nelson Mandela foi um incansável maratonista na longa corrida contra o appartheid.
Recusou várias vezes a liberdade em troca de desistir de combater a segregação racial. A sua persistência, a estatura moral que manifestou na cadeia, a ligação que conseguiu continuar a manter com as estruturas do ANC, serviram para alimentar campanhas mundiais pelo seu prestígio e pela sua libertação.
A libertação de Nelson Mandela foi a confissão do regime de que estava à beira do esgotamento.A instabilidade interna provocada pela degradação das estruturas do sistema, pela luta social e política contra a segregação racial, pelos efeitos das sanções económicas internacionais, fizeram com que as figuras mais realista do regime percebessem que a situação não podia prolongar-se por muito mais tempo.
Frederik De Klerk tomou a decisão corajosa de libertar Nelson Mandela sem que este fizesse concessões em relação aos princípios que sempre defendera. E quando Nelson Mandela saiu da prisão naquele Domingo, o Mundo que finalmente ficou a conhecê-lo de vista e não apenas de nome, advinhou que aqueles timídos passos eram dados em direcção a uma nova África do Sul, o fim de uma longa caminhada para a liberdade.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Fim da Intifada


O registo histórico de acordos não cumpridos entre israelitas e palestinianos, deixa-nos uma ténue esperança, para os resultados conseguidos na cimeira Sharm el-Sheikh, realizado no passado dia 8 de Fevereiro, se cumpram. Ariel Sharon e Mahmoud Abbas, com o alto patrocínio de Hosni Mubarak, do Egipto e do rei Abdallah II da Jordânia, declararam um cessar fogo mútuo e total, pondo assim fim à segunda Intifada. Durante os quatros anos de violência que durou a Intifada, morrerram mais de 4000 pessoas, (3350 palestinianos e 970 israelitas).Neste acordo Israel abandona todas as operações militares nos territórios ocupados e pôe fim aos assassínios selectivos, enquanto que os palestinianos suspendem todos os ataques contra israelitas. Serão libertados 900 prisioneiros palestinianos e a desocupação de cinco cidades cisjordanas. Foi um primeiro passo, que espero leve à criação de um estado independente para os palestinianos, mas pela frente tanto o lado israelita como o lado palestiniano, têm um árduo trabalho. Da parte palestiniana, Mahmoud Abbas terá que controlar os grupos armados, principalmente o Hamas e a Jihad Islâmica, do lado israelita Ariel Sharon terá que ter pulso para controlar a extrema direita que se opôe a qualquer acordo com os palestinianos. Nas eleições para presidente da autoridade palestiniana todos queriam Mahmoud Abbas, agora, espera-se que Israel, Ariel Sharon, EUA, George W. Bush e Condoleezza Rice se capacitem que têm neste interlocutor a última oportunidade para a paz.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Naked Portrait


Hoje a Christie's, realiza em Londres um leilão dedicado à arte contemporânea, onde será leiloado o "Naked Portrait 2002", que mostra a famosa modelo Kate Moss grávida e nua. Este quadro é de autoria de Lucian Freud, que é considerado o maior pintor britânico vivo. A obra está avaliada entre 3,5 milhões de Euros e 5 milhões de Euros.
Vendido por: 5 milhões e 600 mil Euros.

Lucian Freud


Auto-retrato, 1985
Lucian Freud nasceu em 1922, neto de Sigmund Freud, é considerado o maior pintor britânico vivo, depois da morte de Francis Bacon. É o grande pintor figurativo pós-moderno, herdeiro da tradição iconoclasta do Renascimento. Pinta o corpo nu, despojado, solitário, do nascimento à morte. Talvez por ter sido sempre figurativo, um realista, num mundo que até há pouco tempo só valorizava o abstrato, Freud foi desprezado durante décadas.Insultado e ignorado, Lucian Freud disse que a essência da sua pintura, é a decadência do corpo humano. Por trás de modelos definidos perpassa algo invisivelmente repulsivo. As telas de Freud não são as pessoas, mas sim as intrepretações de pessoas. Lucian Freud na pintura, como o seu avô na psicologia, tentou devolver a humanidade à realidade ordinária.

Kate Moss



sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Grandes Homens, Grandes Causas


No âmbito da campanha internacional, "Faça da Pobreza História", Nelson Mandela, defendeu ontem num magacomício em Trafalgar Square, Londres, a libertação dos escravos da pobreza, insistindo que tratando-se de obra do homem, pode ser erradicada pela acção do homem. "Neste novo século, milhões de pessoas dos países mais pobres do Mundo continuam presas, escravizadas e acorrentadas.Chegou a altura de as libertar", disse Nelson Mandela à multidão que o ouvia. Acrescentando que " Tal como a escravatura e o apartheid, a pobreza não é natural. É obra do homem e pode ser erradicada pelas acções dos seres humanos." Para que o Mundo se liberte de uma "desigualdade obscena", Mandela pediu aos dirigentes dos países ricos para "não hesitarem, não desviarem o olhar, porque o mundo está sedento de acções e não de palavras".
Uma grande causa, defendida por um grande Homem.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

The Day the Music Died


Depois de um concerto no Surf Ballroom em Clear Lake, no Iowa, os músicos-cantores Buddy Holly, Ritchie Valens e J.P. Richardson, apanharam uma pequena avioneta de 4 lugares, para regressarem a casa, debaixo de uma intensa tempestade de neve. Algumas milhas após a descolagem, a avioneta despenhou-se provocando a morte de Buddy Holly, Ritchie Valens, J.P. Richardson e do piloto Roger Peterson.
Este acidente inspirou o cantor Dan McLean a criar em 1971 a famosa música "American Pie", que imortalizou o dia 3 de Fevereito como o dia em que a música morreu.

O Aviador


O filme "O Aviador", nomeado para 11 Óscares da Academia de Cinema de Hollywood, é o grande favorito a receber o Óscar de Melhor Filme do Ano.
Filme realizado por Martin Scorsese, conta com a participação, de Leonardo Di Caprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin , Alan Alda e, é baseado no percurso do multimilionário Howard Hughes, cujas as principais paixões foram os aviões, as mulheres e o cinema.
Estreia hoje, num cinema perto de nós.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Perfil do Político Estúpido


O psicólogo Vítor J. Rodrigues, no seu livro " A Nova Ordem Estupidológica", traça o perfil do político estúpido elegível, para quem não conhece o livro, aqui fica a prosa.
Um político estúpido elegível:
"1. Estupidamente flexível, no sentido de ser capaz de mudar de ideias, orientações, colorações e declarações para se adaptar às vicissitudes da faena na arena política...
2. Estupidamente magnético, no sentido de poder atrair muitos votos independetemente do seu potencial para governar segundo os interesses da nação.
3.Estupidamente carismático, no sentido de ter uma imagem geradora de impacto e fácil de memorizar, capaz, por exemplo, de agitar e convencer os cidadãos independetemente da veracidade dos argumentos...
4.Esgrimista verbal estúpido, no sentido de ser muito capaz de usar as palavras e os argumentos como armas pontiagudas para vencer debates.Uma vez mais, a relação disto com a verdade ou a realidade não é importante devido aos direitos do político sobre elas.
5.Estupidamente bom vendedor, no sentido de saber relacionar-se com a clientela eleitoral e saber convencê-la a adquirir o seu produto (esta aquisição é paga em votos).
6.Estupidamente bom líder, no sentido de ser capaz de chefiar estúpidos encaminhando-os e motivando-os com base nos seus desejos, impulsos institivos, necessidades elementares e visões parcelares encurtadas..."
Felizmente que tudo isto é ficção, não têm absolutamente nada a ver com a realidade portuguesa.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Morte das Ideologias



Só mesmo um psiquiatra para explicar, este "reality show" que chegou a campanha eleitoral. Sem política e sem ideologia, esta campanha eleitoral apenas versa as pessoas, com tricas personalizadas e com críticas destrutivas como único argumento. Veja -se Santana Lopes no comício de Braga, apregoar referindo-se a José Socrates " o outro candidato tem outros colos. Estes colos sabem bem", rodeado de mil mulheres. Se não houver uma inflexão no discursos dos líderes partidários, teremos de escolher no próximo dia 20 de Fevereiro o próximo primeiro-ministro, não pela sua qualidade como político e pelas suas políticas, mas sim pela cor dos olhos, pelo seu penteado, pelo seu corpo, pelo seu tom de voz ou pelo sentido de humor. A incoerência e a campanha negativista chegou ao limite do racional. A retórica política encheu-se de meras palavras ou slogans- choque de valores, choque tecnológico, choque de gestão, choque fiscal, competência, responsabilidade, utilidade, mudança, mérito , desafio- usados tanto pela esquerda como pela direita, na sua ânsia de conquistar o eleitorado.
Os políticos tentam todos os dias convencer-nos que o tempo das ideologias acabou, mas se as ideologias acabaram, o que é a política?
Uma simples gestão da administração pública?
Para isso contrate-se, os melhores gestores portugueses, e deixem o combate político para os filósofos. Que a política morra!

O Senhor que se Segue


O FC Porto despediu o segundo treinador da temporada.Victor Fernandez não resistiu a uma série de maus resultados. Tudo aponta para que José Couceiro, treinador do Vitória de Setúbal seja o senhor que se segue.
Mais um rombo no mito que o FC Porto, não despede os treinadores a meio da época.Nunca no reinado de Jorge Nuno Pinto da Costa o FC Porto demonstrou tantas fragilidades a nível de estruturação de uma equipa, como na corrente época. O balneário e a indisciplina, também ajudam a destruir o grande trabalho feito por José Mourinho. Aguarda-se a confirmação da contratação de José Couceiro.

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Gandhi


Ontem passou mais aniversário da morte de Mahatma Gandhi. Como tenho vindo a fazer, com outros grandes homens que forjaram a história, vou escrever algumas notas biográficas.
Mohandas Karamchand Gandhi, nasceu em 2 de Outubro de 1869 em Porbandar, estado de Gujarat na Índia. Apóstolo da não violência, cognominado o Mahatma (A grande alma) pelo seu povo. Nascido de uma família rica e culta, fez os estudos de Direito em Londres, entre 1888 e 1891 e consagra-se à leitura do Bhagavad-Giza, do Novo Testamento e dos filósofos ocidentais, que tão grande influencia teriam sobre ele. De 1893 a 1914 estabelece-se como advogado na África do Sul, defendendo os direitos políticos e sociais da vasta comunidade indiana contra a segregação racial, nomeadamente através do jornal Opinião Indiana, por ele fundado. De regresso à Índia, participa na vida política, tornando-se chefe do Congresso, em 1919. Depois do massacre de Amritsar, convence os seus compatriotas a boicotar as instituições e produtos ingleses, iniciando-se uma série de manifestações não violentas. Em 1930 toma a chefia de um movimento de luta aberta contra a Inglaterra.Através de longas greves de fome, manifesta a sua revolta contra o domínio inglês, sendo encarcerado várias vezes: no plano interno tenta conciliar muçulmanos e hindus e melhorar a condição dos Intocáveis. Em 1947 a sua política triunfa com a obtenção da independência da Índia, mas não pode impedir a separação do Paquistão. Foi assassinado, em 30 de Janeiro de 1948, em Nova Deli, por um fanático brâmane que desaprovava a sua política de tolerância religiosa. As suas cinzas foram imersas no rio Ganges perante uma multidão consternada. A sua dignidade moral e o exemplo da sua vida fazem de Gandhi uma figura inesquecível. Deixou uma obra intitulada "Experiências da Verdade".
Se pretender saber mais, não deixe de visitar www.gandhiserve.org.

sábado, janeiro 29, 2005

O País Está Perdido?



"O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido.Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta cada dia. Vivemos todos ao acaso.Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Toda a vida espiritual, intelectual parada...
A ruína económica cresce,cresce,cresce. As quebras (falências) sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.O país vive numa sonolência enfastiada.A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!
Ninguém se ilude."

Quando lemos este texto de Eça de Queiroz, publicado no primeiro número d'As Farpas, corria o mês de Maio de 1871, não podemos deixar de pensar, que o retrato que Eça fazia do país no século XIX, não é muito diferente do Portugal dos dias que correm. O nosso País continua a ser um país de imbecilidades, de conveniências,de compadrios nas altas esferas do Estado, de nomeações descaradas para pagar favores,de vazio de objectivos económicos e sociais, de indústria em decadência e por consequência desemprego, de comércio falido, de miséria social, de falta de solideriedade, de salários de miséria, de um sistema judicial inerte, de corrupção fiscal. A acção política perdeu a responsabilidade, a nobreza, a paixão dos homens e das mulheres dispostas a lutar e a sofrer pelos seus ideais.Um país triste, como é a sua música. Espero estar enganado, mas não me parece que vamos conseguir inverter este sentimento no próximo dia 20 de Fevereiro."Diz-se por toda a parte: o país está perdido!"

Texto nas páginas 16 e 17 de "As Farpas", de Eça de Queiroz/Ramalho Ortigão, coordenação Maria Filomena Mónica, edição Principia.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Aborto


Há 70 anos, 28 de Janeiro de 1935, a Islândia tornou-se o primeiro país do mundo a legalizar o aborto.
Enquanto isso, em Portugal temos de continuar a ler notícias como esta:
Em 2003, o aborto clandestino terá levado aos hospitais portugueses mais de mil mulheres, uma média de três por dia, a crer em dados ontem adiantados pela Lusa, que cita um relatório da Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Nomeado Pior Actor do Ano


Quando vi o filme de Michael Moore "Fahrenheit 9/11", fiquei com a certeza absoluta que George W. Bush, mais a sua Administração eram muito maus actores.Ontem veio a confirmação, pela Golden Raspery Award Foundation, ao nomear George W. Bush na categoria de "Pior Actor do Ano". A Golden Raspery Award Foundation organiza de à 25 anos para cá, a gala dos prémios Razzie, os galardões do pior que se faz no Cinama. As nomeações deste ano, contemplaram com generosidade toda a Administração de George W. Bush: a conselheira de segurança nacional Condoleezza Rice foi nomeada para "Pior Actriz Secundária" e o secretário da Defesa Donald Rumsfeld para "Pior Actor Secundário", todos pelas suas prestações(involuntárias) no filme "Fahrenheit 9/11".Na boa tradição de receber as más notícias antes das boas, os vencedores dos Razzie serão conhecidos a 26 de Fevereiro próximo, um dia antes da cerimónia de entrega dos Óscares.
Para saber, sobre todos os nomeados, queiram visitar Annual Golden Raspberry (RAZZIE®) Award Nominations.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Dia da Memória


No dia 27 de Janeiro assinala-se os 60 anos de libertação por parte do exército soviético,( entretanto institucionalizado Dia da Memória em diversos países ocidentais) do complexo da morte de Auschwitz-Birkenau. Auschwitz, símbolo do Mal para todos os homens de boa vontade, têm suscitadado as mais diversas paixões desde da sua libertação.Sectores da extrema-direita pretenderam lançar o boato de que a "solução final nunca existiu".Os soviéticos ofereceram-lhes, aliás, o pretexto de bandeja, ao propagandearem que em Auschwitz tinham sido mortos "quatro milhões de antifascistas", ou seja mais que duplicaram o número e omitindo o facto de 90 por cento das vítimas serem judeus apolíticos. É bom para a Humanidade que o complexo-Birkenau, permaneça de pé. Não como um exorcismo.Não como um simbolo do mal.Antes como um inestimável suporte para a breve memória humana. Para que não volta a repetir-se.
Estes, sete post's abaixo colocados, é para evocar os milhões de vítimas, e para dizer bem alto, NUNCA MAIS!
Se pretender saber mais, não deixe de visitar o excepcional blog de Pedro Éfe,salvoseafogados.