segunda-feira, setembro 05, 2005

Setembro Negro

No dia 5 de Setembro de 1972, o mundo acordou atordoado. Os brilhantes recordes e as sete medalhas de ouro do nadador americano Mark Spitz foram ofuscados pela terrível acção terrorista, de uma organização palestiniana contra a delegação israelita, deixando atónita grande parte da população mundial.
Eram 4h30 da manhã de 5 de Setembro, durante a última semana dos Jogos, quando cinco terroristas usando roupas desportivas escalaram a grade que cercava a vila olímpica. Já dentro da vila onde os atletas estavam alojados, encontraram-se com mais três que já haviam entrado com credenciais. No espaço de 24 horas, 11 israelitas, 5 terroristas e um polícia alemão morreriam, manchando de sangue a até então tranquila Olimpíada alemã e a para sempre a memória dos Jogos Olímpicos. Pouco antes das 5h da manhã, os terroristas já estavam no sector da delegação israelita, que havia formado um grande esquema de segurança para os jogos. Mesmo com as intensas medidas de segurança, o grupo armado não encontrou dificuldade para realizar a acção. Assim que chegaram ao andar da delegação, bateram na porta do quarto do técnico Israelita Moshe Weinberg que imediatamente a abriu, percebeu que havia algo de errado e começou a gritar. Weinberg e o halterofilista Joseph Romano tentaram segurar a porta enquanto outros atletas escapavam, mas ambos foram mortos. Logo depois, os terroristas cercaram nove israelitas e fizeram-nos reféns. Às 9h30, os terroristas anunciaram que eram palestinianos pertencentes ao desconhecido grupo “Setembro Negro”. Em troca dos reféns, exigiam a libertação de 234 prisioneiros árabes em prisões israelitas e de dois terroristas alemães que estavam detidos em Frankfurt. Também exigiram um avião para deixarem o país.
O governo israelita não quis negociar com os terroristas. Assim, quem deveria zelar pela vida dos reféns eram os alemães, que organizavam os jogos. Foram horas de negociações e de uma tensão que envolveu até os demais participantes daquelas Olimpíadas. Alguns atletas judeus, como o norte-americano Mark Spitz, maior recordista da história da natação até aquele momento, resolveram antecipar a volta para casa. As delegações inteiras da Noruega e da Holanda também se retiraram. Para tentar salvar a vida dos reféns, a polícia de Munique resolveu simular uma concessão. Foi combinado que os terroristas iriam de helicóptero até a base aérea da NATO em Firstenfeldbruck e depois embarcavam num avião para o Cairo, onde supostamente seriam recebidos sem nenhuma punição. Atiradores de elite do exército alemão foram posicionados na base com ordens de matar todos os terroristas mesmo antes de entregar os reféns.
Os terroristas pousaram na base às 22h30. Era o início da tragédia: os palestinianos perceberam a emboscada e lançaram uma granada para o helicóptero onde estavam os nove reféns. Todos foram mortos, dando início a um terrível tiroteio, em que cinco terroristas, um dos cinco atiradores alemães e o piloto de um dos helicópteros morreram. Três palestinianos foram capturados e levados para uma prisão alemã. Tudo levaria a crer que ali se encerrariam os Jogos Olímpicos de Munique, mas o Comité Olímpico Internacional (COI) resistiu e manteve o andamento dos jogos, realizando uma cerimónia dedicada à memória dos atletas. As Olimpíadas desenrolaram-se até ao fim. Mas nada conseguiu apagar aquele acontecimento, o mais trágico nos 108 anos de história dos Jogos Olímpicos na era moderna. Na época, os orgãos de informação internacionais,l responsabilizaram de certa forma as autoridades alemãs, que não tiveram calma para negociar com o grupo e optaram por tentar matá-los mesmo sem ter garantias de vida para os atletas israelitas. A polícia de Munique disse que não teve outra alternativa, pois o governo israelita negou-se a atender as exigências dos terroristas. Mais de 20 anos depois, o único terrorista ainda vivo culpou a então primeira-ministra de Israel, Golda Meir, e os serviços secretos israelitas, Mossad, alegando, que foi a intransigência do governo de Israel em negociar que levou às mortes.
Quem eram os terroristas de Munique?
O grupo que perpretou o ataque dizia ser pertencente ao "Setembro Negro". Uma organização dissidente da OLP de Arafat supostamente criada após um conflito em Setembro de 1971 entre soldados jordanos e palestinianos em Aman e em outras cidades da Jordânia.A Mossad e outras organizações israelitas afirmam que foi o líder da OLP, Yasser Arafat, quem forjou o grupo para poder lançar ataques terroristas sem sujar o nome da Organização.O envolvimento de Arafat no massacre de Munique continua indefenido.O único terrorista de Munique sobrevivente, Abu Daoud, disse na autobiografia "Memórias de um Terrorista Palestiniano", lançada em 1999, que Yasser Arafat ordenou o ataque à vila olímpica de Munique e escreveu ainda que o grupo não tinha intenção de matar os israelitas. Além disso, Daoud disse que o ataque foi perpetrado pela Fatah, de Arafat e que o nome "Setembro Negro" foi usado para proteger a imagem internacional da Fatah e os interesses políticos da OLP. "Não havia a organização Setembro Negro.A Fatah anunciou a operação sob esse nome para o grupo não aparecer como responsável directo da operação", disse.Daoud, recebeu o Prémio Palestiniano da Cultura em 1999 pela sua obra.Arafat negou sempre, veementemente, o seu envolvimento no ataque e disse que tais acusações faziam parte da estratégia israelita de desmoralizá-lo.O facto é que até hoje não há nenhuma evidência a mais do seu envolvimento no ataque.Com a morte de Arafat, no ano passado, o mistério será eterno.

domingo, setembro 04, 2005

UEFA: 50 anos de competições europeias


A União Europeia de Futebol (UEFA) comemora hoje 50 anos de competições europeias de clubes.O primeiro jogo da Taça dos Clubes Campeões Europeus (actual UEFA Champions League) foi disputado no dia 4 de Setembro de 1955. O Estádio Nacional, no Jamor, foi o palco escolhido, Sporting e FK Partizan de Belgrado as formações em confronto, o resultado final saldou-se numa igualdade a três golos.
As duas equipas estavam entre os 16 conjuntos que tinham carimbado a presença no campeonato europeu de clubes, concebido por Gabriel Hanot, editor do jornal desportivo francês L’Equipe, e adoptado pela recém-criada UEFA. A prova englobava equipas que não eram, propriamente, as mais cotadas dos seus países, um pouco à semelhança do que acontece actualmente na Liga dos Campeões. Sporting e Partizan estavam, precisamente, entre esse lote de clubes, juntamente com RSC Anderlecht, AGF Århus, Djurgårdens IF, AC Milan, Real Madrid CF, Stade de Reims Champagne e SC Rot-Weiss Essen, os sete campeões entre os 16 competidores. O Sporting, vencedor do campeonato português na época 1953/54 e ainda campeão em título quando decorreu o sorteio da prova, acabaria no terceiro posto em 1955, enquanto o Partizan se quedou, apenas, pelo quinto lugar da Liga jugoslava, na época 1954/55.
De qualquer forma, o primeiro de oito jogos referentes à ronda inaugural da primeira eliminatória, disputado em Lisboa, contou com uma excelente moldura humana, na ordem dos 30,000 espectadores. O Sporting apresentou-se moralizado pela extraordinária linha avançada, composta por , Manuel Vasques, , José Travassos e Albano Pereira, os que restavam do famoso quinteto conhecido pelos “cinco violinos”. Já os visitantes contavam com a presença de Branko Zebec e Milos Milutinovic, ao lado das estrelas do ataque, Stjepan Bobek e Marko Valok
Apesar das más condições atmosféricas, João Martins ofereceu, bem cedo, a liderança do marcador ao Sporting, uma vantagem que Milutinovic se encarregou de anular à beira do intervalo. O mesmo jogador haveria mesmo de colocar o Partizan em vantagem à passagem dos 50 minutos, antes de uma sequência de três golos em 15 minutos. Quim empatou para os leões, Bobek repôs a vantagem dos visitantes, mas Martins restaurou a igualdade, a 12 minutos do final.
Ficha do Jogo:
Sporting 3 - 3 Partizan
Local: Estádio Nacional (Lisboa) - 04/09/55
SPORTING
Carlos Gomes; Manuel Caldeira, João José Galaz, Armando Barros, Manuel Passos, Juca, Hugo Sarmento, Manuel Vasques, João Martins, José António Travassos, Quim
Treinador: Alejandro Scopelli
PARTIZAN
Slavko Stojanovic; Bruno Belin, Cedomir Lazarevic, Ranko Borozan, Branko Zebec, Bozidar Pajevic, Prvoslav Mihajlovic, Milos Milutinovic, Marko Valok, Stjepan Bobek, Anton Herceg
Treinador: Aleksandar Tomasevic
Golos: Martins 14, 78, Quim 65 / Milutinovic 45, 50, Bobek 73
Árbitro: Dean Harzic (França)
O encontro da segunda mão teve lugar a 12 de Outubro, com Milutinovic a apontar quatro golos no triunfo, por 5-2, da formação do Partizan.
William Gaillard, director de comunicação da UEFA, destacou a importância da ocasião: “O que aconteceu em 1955 foi algo extraordinário. Em pleno período da Guerra Fria, o futebol desempenhou, neste caso, um papel unificador. De um lado tínhamos um clube da Jugoslávia de Tito a visitar uma equipa de Portugal, então subjugado ao regime de Salazar. Tratou-se de um feito espectacular. O futebol antecipava, de várias formas, a união da Europa, que viria a acontecer 35 anos depois.
Durante os 50 anos, a UEFA organizou várias competições, como a Taça das Cidades com Feira e a Taça das Taças, ambas já extintas, a Taça dos Campeões Europeus, actualmente Liga dos Campeões, a Taça UEFA e a Supertaça Europeia. A primeira final da Taça dos Campeões Europeus, disputada a 13 de Junho de 1956, em Paris, foi ganha pelo Real Madrid, ao bater o Stade de Reims Champagne, por 4-3. “Quando a UEFA foi fundada, em 1954, teve, na sua origem, a necessidade urgente de criar competições europeias de clubes. Assim sendo, é importante, após o ano do Jubileu da UEFA (em 2004, por ocasião do Euro2004), que reconheçamos devidamente o papel crucial que a UEFA desempenhou no futebol europeu de clubes”, afirmou o porta- voz do organismo William Gaillard.

sábado, setembro 03, 2005

Greenpeace Critica Duramente Bush

O Greenpeace criticou duramente ontem o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, por supostamente subordinar o seu Governo às empresas petrolíferas e ignorar os alertas sobre os efeitos da mudança climática no planeta. Linkgreenpeace.org/mexico.
“A Administração Bush, subordinada à indústria petrolífera, ao negar reconhecer a mudança climática e seus possíveis impactos, fez com que não fossem tomadas medidas preventivas em áreas altamente vulneráveis, como New Orleans”, disse o director do Greenpeace México, Alejandro Calvillo.
Bush negou-se a assinar o Protocolo de Quioto e a reconhecer os impactos da mudança climática. Isto levou-o a recusar-se a tomar medidas para diminuir os impactos provocados por este tipo de evento climático. Hoje as consequências desta política estão aqui”, acrescentou o activista em comunicado.
Paradoxalmente, a indústria petrolífera também é vítima dessa política, pois 95% do petróleo e 98% do gás produzidos na plataforma continental são obtidos na região do Golfo do México, onde além disso há um grande número de refinarias”.
“Hoje tudo isto também está paralisado devido aos impactos do furacão Katrina”, acrescentou Calvillo na nota.
O comunicado citou ainda o relatório de 2001 “Confrontando a Mudança Climática na Região do Golfo”, em que duas organizações alertaram para a vulnerabilidade do litoral sul dos EUA diante desses fenómenos meteorológicos.
Os autores daquele estudo foram a Ecological Society of America (ESA) e a Union of Concerned Scientists (UCS).
Essas organizações advertiram então que o litoral sul dos EUA era vulnerável a um eventual aumento na potência dos furacões devido ao “aquecimento da superfície do mar tropical e extra - tropical”.
O Greenpeace disse que “o Governo de Bush tomou a decisão de reduzir o orçamento destinado à infra-estrutura de protecção de New Orleans, como diques e outro tipo de barreiras”, acrescentou Calvillo.



A organização ambientalista disse que os estados americanos da Louisiana, Mississippi, Texas e Florida são os mais vulneráveis aos furacões.
Trata-se de uma região com população maioritariamente democrata, pobre e negra”, afirmou o comunicado.O Greenpeace lembrou que até o momento o furacão mais devastador na região sul dos EUA foi o Andrew, em 1992, que deixou um prejuízo calculado em US$ 27 mil milhões, mas antecipou que os do Katrina podem chegar a US$ 50 mil milhões.


COMENTÁRIO DE C. INDICO.
Segundo soubemos pelos orgãos de informação comuns, dias antes já se sabia que o furacão ia lá bater.
1-Atrasadamente foi dada a ordem de Evacuação;
2-Uma parte substancial da população, os que tinham viaturas e dinheiro para pagar hotelaria, fujiu;
3-E os outros, a maioria?Parece-me, que seguindo certa corrente de pensamento,não são dignos de qualquer atenção. Não houve qualquer actividade prévia - isto é que assusta!
4-Os lugares de refugio, os hospitiais, os transportes, a segurança publica, nada, nada,nada foi preparado.Ou pior, foi calmamente ignorado. Sómente um ditado luso: tudo ao molhe e fé em Deus.
5-Já vêmos Economistas conceituados a dizerem que o Estado não deve gastar um centimo, porque estes desgraçados não pagam impostos, porque deverão os outros pagar por eles?.Têm razão.já vemos os Cristãos Renascidos -além dos Arrependidos- a dizerem que "a cidade está a pagar os seus pecados, tudo normal",etc.Têm razão.A 1ª medidad práctica foi pedir soldados com treino de Guerra!Têm razão.
6-Nas redondezas as pessoas estão-se a armar, "porque eles vêem sem nada e é normal que nos ataquem!".Têm razão.
7-A censura mediática em força,quando teremos reportagens como do Tsumani????,onde estão as outras zonas desvastadas?
8- Diz a nossa direita blogueira que num país como os EUA os responsáveis de CERTEZA serão responsabilizados!
9-Que indigência intelectual.Pelos menos "ter pena" dos que tudo perderam, pelo menos tão pouco.
10-Bush não vai ser afectado em nada.Se me perguntarem porque digo isto, respondo: Não sei.É uma resposta demasiado longa para caber aqui.Brevemente ninguém falará deste horror.Os amigos do Presidente vão receber muito dinheiro do Estado,dos contribuintes, para a reconstrução.É uma boa oportunidade que não deve escapar.Têm razão.Eles e ele.Tento não ser perverso em pensamento.
C. INDICO

sexta-feira, setembro 02, 2005

Nature


A fotomontagem não tem nada a ver com a notícia, de todas as maneiras, se quiser ver os pormenores, clique na fotografia para aumentar.
Homem e chimpanzé partilham 96 por cento do código genético
A primeira comparação do genoma do Homem e do chimpanzé revela que 96 por cento da sequência de ADN dos seres humanos é igual à destes primatas, segundo um estudo hoje publicado na revista Nature.
Investigadores do Instituto Nacional de Saúde e do Instituto Nacional de Investigações sobre o Genoma Humano (NHGRI), nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez sequenciar o genoma do chimpanzé e compararam-no com o do Homem.
Trata-se de da primeira sequenciação do genoma de um primata não humano e a quarta de um mamífero, incluindo o Homem, em 2001.
A equipa constatou que as grandes semelhanças entre os chimpanzés e os seres humanos os tornam dez vezes mais parecidos do que os ratos com as ratazanas e sessenta vezes mais do que os ratos e os próprios humanos.
Para esta investigação, os cientistas utilizaram o ADN (Ácido Desoxirribonucleico) do sangue de um chimpanzé macho de 24 anos, Clint, e descobriram que este primata partilha com o humano 29 por cento das suas proteínas.
Segundo os investigadores os genomas do Homem e do chimpanzé contêm um número idêntico de genes - entre 20 mil e 25 mil em três milhões de pares de bases (letras químicas que formam os genes) de ADN.
Os investigadores concluíram que os pares de bases totalmente diferentes entre as duas espécies representam apenas 1,2 por cento do total dos seus genomas, e que 2,7 por cento das diferenças existentes entre ambos os genomas se deve a processos de duplicação genética.
A restante diferença - até aos quatro por cento - que separa o Homem do chimpanzé é fruto de outros acontecimentos ao longo da evolução.
Lusa

O último antepassado comum às duas espécies viveu há cerca de seis milhões de anos, segundo os cientistas, apesar de a fotografia os desmentir.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Massacre de Beslan


1 de Setembro de 2004.
Era o primeiro dia de aulas.

Um dia de festa para centenas de crianças.
Pais, filhos e professores confraternizavam, num ambiente alegre.
Tiros inesperados.
Explosões súbitas.
Um comando tchetcheno sequestrou 1.200 pessoas na escola número 1 de Beslan, Ossétia do Norte, a maior parte das quais crianças que assistiam à cerimónia de início do ano escolar.

Cianças aterrorizadas, aos gritos e choros, agarradas aos adultos que nada poderiam fazer, sem água, sem comida, sobre um calor sufocante, vigiadas por terroristas armados e mascarados.
Os que resistiram foram abatidos imediatamente.
O assalto das tropas russas, a 3 de Setembro, é a resposta aos terroristas, deixando um rasto de sangue e de morte, de 331 civis, 186 dos quais crianças, além de 31 terroristas.
Um campo de flores à sua memória.
Para não esquecer.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Solidariedade


Quando a 14 de Agosto de 1980, os trabalhadores do estaleiro naval de Gdansk, na Polónia, iniciaram uma greve para protestar contra o despedimento da operária Anna Walentynowicz, uma militante de um grupo anticomunista, estavam longe de sonharem, que era o começo do fim do agonizante regime comunista na Polónia. Seguiram-se 18 dias de luta sindical, liderado pelo então electricista Lech Walesa. A paralisação do sector naval terminou a 31 de Agosto com um acordo entre os grevistas e o regime comunista que deu aos trabalhadores o direito de criar a sua própria organização sindical, o Solidarnosc. Hoje comemora-se os 25 anos desta heróica jornada, que marcou o começo da desintegração do sistema comunista. Praticamente todos os países que formavam o antigo bloco comunista do leste europeu, da Albânia até a Geórgia passando pela Lituânia e Montenegro, estarão representados na cerimónia de comemoração do que foi o primeiro sindicato livre e independente do mundo comunista. No total, comparecerão em Gdansk, local de criação do sindicato, 23 presidentes e primeiros-ministros, além de representantes de muitas instituições internacionais, como o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, uma delegação do Parlamento Europeu ou a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).Estarão presentes altos representantes da França e dos Estados Unidos, o antigo Presidente George Bush, e também todas as grandes centrais sindicais do mundo que tanto ajudaram o sindicato polaco na época em que era perseguido e castigado pela ditadura do general Jaruzelski. Mas nem todos reconhecem o sindicato, responsável pelo acordo pioneiro assinado entre o regime e os operários em greve do estaleiro de Gdansk, que então tinha o nome de Lenin, como responsável pelo início da crise que levou ao desaparecimento da União Soviética. Os organizadores do aniversário, liderados por Lech Walesa - o mítico líder das greves e fundador do Solidariedade - convidaram, entre outros, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, pois queriam ter nas suas comemorações o dirigente da União Soviética que deu início à "Perestroika" e abriu caminho para a democratização da Rússia. No entanto, Gorbachov rejeitou o convite pois, como declarou a um jornal alemão, “sem querer menosprezar a importância do Solidariedade para os polacos, não acho que o seu papel tenha sido tão importante como alguns pensam. Acho que sem a minha "Perestroika" tudo teria continuado como antes”. Os polacos admitem que Gorbachov e sua "Perestroika" foram muito importantes, mas afirmam que foi o Solidariedade que mostrou que o modelo comunista tinha se esgotado. Esse talvez seja o motivo das várias ausências importantes em Gdansk, sobretudo de altos representantes da Rússia. Estará presente o dirigente da luta pelos direitos humanos, Serguei Kovaliov, mas não haverá ninguém que possa confirmar que o Solidariedade já não desperta em Moscovo a mesma hostilidade que despertava nos tempos de Brejhnev. Na época, parecia que o Exército Vermelho entraria na Polónia para esmagar os rebeldes e restabelecer a ordem, como fez em 1956 na Hungria e em 1968 na Checoslováquia. Com as greves de 1980 e sem derramar uma única gota de sangue, o Solidariedade conseguiu o que jamais havia sido conseguido na Polónia: recuperar a independência e a soberania, refazer a democracia e a economia de mercado. Com apenas três meses de existência, o primeiro sindicato livre e independente do Leste europeu já contava com 10 milhões de membros. A lei marcial decretada pelo general Wojciech Jaruzelski, em Dezembro de 1981, constituiu uma tentativa de acabar com o sindicato. No entanto, a medida teve um efeito contrário. O Solidariedade entrou na clandestinidade e com uma resistência ininterrupta, levou os dirigentes comunistas a sentar-se à mesa com os sindicalistas para negociar. No momento de assinar o acordo, num um gesto carregado de simbolismo, Walesa tirou do bolso uma caneta com o retrato do Papa João Paulo II. O dirigente sindicalista quis mostrar que a Igreja cumpriu um papel fundamental, quando o regime comunista impôs a lei marcial no país, para tentar destruir o Solidariedade e sufocar todas as aspirações de liberdade da população.

terça-feira, agosto 30, 2005

Che Guevara


Família de Che Guevara vai combater mau uso da sua imagem.
Com a sua foto presente em pósteres de bandas de rock, bonés de beisebol e lingerie feminina, o revolucionário Che Guevara já foi absorvido pela sociedade de consumo que ele morreu tentando derrotar.
A imagem do guerrilheiro argentino com olhar distante, de cabelos longos debaixo de uma boina com uma estrela, já virou ícone popular omnipresente do século 20. A foto foi feita por um fotógrafo cubano em 1960 e impressa em cartazes por um editor italiano após a execução de Che Guevara na Bolívia, sete anos mais tarde. A fotografia despertou a imaginação dos estudantes parisienses que se revoltaram nas ruas em Maio de 1968 e virou símbolo da revolta idealista de toda uma geração. Além de ser uma das fotos mais reproduzidas do mundo, a imagem de Che tornou –se numa das mais usadas em publicidade de produtos dos mais variados, e a família do guerrilheiro resolveu fazer um esforço para pôr fim a isso.
A família pretende mover acções judiciais em vários países contra empresas que estejam a explorar a imagem de Che. Advogados de vários países já se ofereceram para ajudar. Em entrevista, a viúva cubana de Guevara, Aleida March, explicou: “Não podemos atacar todo o mundo com lanças, como Dom Quixote, mas podemos tentar conservar a ética” do legado de Che.
A viúva, que comanda o esforço desde o Centro de Estudos Che Guevara, que será aberto em Havana este ano, disse que o centro pretende restringir o uso descontrolado da imagem de Che.
“Será um trabalho caro e difícil, porque cada país tem as suas leis, mas é preciso impor limites”, disse à Reuters a filha do lendário guerrilheiro, Aleida Guevara.
A Swatch já usou a imagem de Che Guevara num relógio de pulso, e o rosto de Che é usado para vender vodka. A supermodelo Gisele Bundchen chegou a desfilar com um biquini da marca Cia. Marítima com o rosto de Che estampado. Mas uma acção bem-sucedida contra a vodka Smirnoff na Grã-Bretanha em 2000 lançou o precedente das acções judiciais, determinando a propriedade da imagem fotográfica.

A foto mundialmente famosa foi feita pelo fotógrafo Alberto Diaz, mais conhecido como Korda, no funeral de vítimas da explosão de um cargueiro francês que levava armas para Cuba, um ano após a vitória da revolução cubana liderada por Fidel Castro, com a ajuda de Che Guevara.
A foto de Korda não foi publicada pelo jornal onde trabalhava, no dia seguinte. Sete anos mais tarde, quando o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli apareceu procurando uma foto para a capa de uma edição do “Diário Boliviano” de Che, Korda deu-lhe duas cópias da foto de graça.
Che Guevara foi capturado seis meses depois na selva boliviana, após o fracasso da sua tentativa de fazer uma revolta de camponeses na Bolívia. Ao ouvir a notícia de sua morte, Feltrinelli cortou a foto e publicou pósteres grandes, que em pouco tempo, venderam 1 milhão de cópias. O guerrilheiro foi transformado em mártir, celebridade pop e ícone radical. Korda disse que nunca recebeu um centavo de Feltrinelli. A febre em torno de Che Guevara foi intensificada no ano passado pela exibição do filme “Diários de Che Guevara”, de Walter Salles, sobre a viagem pela América do Sul feita por Che quando era um jovem estudante de medicina.
Reuters

Espero que uso da sua imagem, aqui na Fábrica, seja considerado pela família uma correcta utilização da fotografia de Che Guevara.

Falsa Crença Ameaça Espécies


A falsa crença de que os ovos de tartaruga marinha têm poderes afrodisíacos põe em perigo, todos os anos, o processo reprodutivo de mais de 1 milhão de animais que chegam ao litoral do México para desovar.
Mercados, barracas de rua e até restaurantes oferecem clandestinamente os ovos e a carne de tartaruga, cujo tráfico com fins comerciais é punido no México como crime grave desde 2002.
Os poderes atribuídos aos ovos de tartaruga “são um falso mito urbano sem qualquer base científica”, disse Luis Fueyo, director de Inspecção de Recursos Marítimos da Profepa (Procuradoria Federal de Protecção Ambiental).
O consumo desse produto começou há mais de 1.000 anos, quando fazia parte da dieta alimentar dos índios Zapotecas e de outras etnias. Estes grupos, no entanto, não atribuíam poderes extraordinários ao alimento, além dos meramente nutritivos.
No litoral mexicano estão contabilizadas 144 praias nas quais habitam seis espécies de tartarugas que,num ritual ancestral, retornam todo os anos ao mesmo lugar onde nasceram.
Embora cada ninho possa ter mais de cem ovos, calcula-se que apenas uma em cada 1.000 tartarugas que chegam à água alcançam a idade adulta.
As praias do Estado de Oaxaca e de Guerrero, no Pacífico, recebem todo ano quase 1 milhão de tartarugas da espécie oliva, a mais comum no México, e da qual procedem 90% dos ovos.
Para conter a comercialização deste produto, o governo mexicano estabeleceu patrulhas nas principais praias, que são vigiadas por 500 efectivos da Profepa, da Agência de Investigação Federal, da Marinha e das polícias locais.
Neste ano, diversas organizações—Wildcoast, Fundo de Conservação da Natureza e Wallace Research Foundation—lançaram uma campanha, onde a modelo argentina Dorismar garante, com atitude provocativa, que “o seu homem” não precisa de ovos de tartaruga.

Não tenho nenhuma razão para duvidar desta afirmação.

Jimi Hendrix


Nova biografia sobre Jimi Hendrix 35 anos após a sua morte
Depois da biografia definitiva de Kurt Cobain, o líder dos Nirvana, Charles R. Cross agora volta-se para Jimi Hendrix. Três décadas e meia depois de sua morte em Londres, o impacto impressionante deixado pela sua carreira de apenas quatro anos colocou Hendrix num lugar de destaque no panteão do rock.
Com “Room Full of Mirrors A Biography of Jimi Hendrix”, Charles Cross pode acrescentar pouco ao que se sabe sobre o que aconteceu a Hendrix , excepto uma anedota deliciosa: quando um “pub” de Liverpool se recusou a servi-lo, em 1967. Hendrix imaginou que isso tinha acontecido porque era negro, ou porque era um hippie. Nenhuma das duas razões estava certa: havia um circo na cidade e era norma do “pub” proibir a presença de palhaços fantasiados...

in JN
Jimi Hendrix vestia-se, como toda a gente na época, um pouco para o exagerado quase palhaço mas foi, é, o maior guitarrista de todos os tempos.

segunda-feira, agosto 29, 2005

domingo, agosto 28, 2005

I Have a Dream


Discurso de Martin Luther King , em 28 de Agosto de 1963.
Audio-Linkamericanrhetoric (Podem ler este post e ouvir o discurso de Martin Luther King)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive numa ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e encontram-se exilados na sua própria terra.
Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar a sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitectos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este Verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador Outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de acções de injustiças. Não vamos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo da chávena da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir a nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a rectidão rolem abaixo como águas de uma poderosa corrente.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.

Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir presos juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos Engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rocky do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade nas Montanhas do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espírito negro:
Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

sábado, agosto 27, 2005

Aquecimento Global Causa Desequilíbrio na Europa


As condições meteorológicas extremas que têm atingido a Europa—secas e incêndios nos países do sul e chuvas torrenciais nos Alpes e na bacia do rio Danúbio—são resultado da mudança climática provocada pelo modelo energético escolhido pela humanidade, afirmou nesta sexta-feira a organização ambientalista WWF. Link panda.
O relatório “Mudança Climática e Factores Meteorológicos na Europa”, divulgado pelo WWF, mostra como os desastres dos últimos anos no continente se encaixam nas previsões mais pessimistas sobre as consequências do aquecimento global. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera cresceu 36% em relação à era pré-industrial.
No último século, a temperatura média do planeta aumentou 0,6º C, enquanto a da Europa subiu 0,95º C. De acordo com os registros históricos, o aquecimento parece progressivo. Os dados mostram que os oito anos mais quentes da história da Europa se concentram no período dos últimos 15 anos.
O aumento da temperatura é geral, porém mais forte no sul do que no norte do continente. A variação traduz-se num comportamento ‘esquizofrénico das chuvas. Enquanto na Espanha, na Itália e em Portugal as chuvas diminuíram 20% durante o último século, no norte da Europa elas aumentaram entre 10% e 40%.
As projecções científicas citadas pelo WWF indicam que esse contraste é mais extremo no verão. Nesta época, as secas são mais severas e há maior risco de incêndios, além da diminuição das colheitas no sul e de chuvas torrenciais mais frequentes em direcção ao interior do continente. “Nunca teremos 100% de certeza sobre a relação directa entre esses factos e a mudança climática. Mas já há exemplos claros dos cenários que os meteorologistas previram nos últimos anos”, diz o relatório.
O documento fala de uma deterioração cada vez maior da situação, caso as emissões de dióxido de carbono não sejam reduzidas.
Para o WWF, a primeira tarefa deve ser a troca do modelo energético e a substituição dos processos produtivos baseados em combustíveis fósseis—carvão, petróleo ou gás natural—por fontes mais limpas e tecnologias mais eficientes.
Os países da UE, que desde o dia 1 de Janeiro, estabeleceram limites para a emissão de gases que provocam efeito estufa em distintos sectores, inclusive o energético, como a preparação para o cumprimento do Protocolo de Quioto.
Mas a organização ambiental acredita que os limites máximos impostos são “frágeis” diante da dimensão do problema, e critica a falta de empenho real das autoridades e empresas europeias na mudança do modelo com urgência.
Como exemplo, cita os planos estratégicos da companhia energética alemã RWE. “O maior contaminador climático europeu, a RWE, planeia abrir novas centrais energéticas de carvão, que elevam o aquecimento global. Os governos europeus podem e devem detê-lo”, afirmou a directora do Programa sobre Mudança Climática do WWF, Jennifer Morgan, em nota pública.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Charles Lindbergh


Charles Lindbergh nasceu a 4 de Fevereiro de 1902, em Detroit, Michigan, e cresceu numa pequena cidade, Little Falls, estado de Minnesota. Era filho de Charles A. Lindbergh, congressista de 1907 a 1917, e Evangelyne Lodge. Aos 18 anos, Charles entrou para a Universidade de Wisconsin, para estudar engenharia. Dois anos depois, abandonou a faculdade para se tornar piloto itinerante. Em 1924, alistou-se no exército, foi para o curso de piloto da Reserva do Serviço Aéreo Nacional. Em 1925 graduou-se como melhor piloto da sua classe. Após o serviço militar no Exército, foi contratado pela “Robertson Aircraft Corporation” para fazer voos de correio entre St. Louis e Chicago. Mas, secretamente, Charles acalentava o mesmo sonho de todos os pilotos da época: ganhar os 25.000 dólares, oferecidos pelo dono de um hotel de Nova York, Raymond Orteig, para o primeiro aviador a voar de Nova York a Paris sem escalas. Em 1927, vários pilotos já haviam perdido as suas vidas tentando. Lindbergh estava certo de que poderia vencer, se tivesse o avião adequado. Naquela época, a esmagadora maioria dos pilotos considerava os aviões mono motores muito frágeis para fazer um voo tão longo, e todas as tentativas haviam sido feitas com aviões de dois, três ou quatro motores. Lindbergh pensava diferente, e convenceu alguns homens de negócios de St. Louis a financiar a preparação de um avião mono motor para fazer o voo. A Companhia Aeronáutica Ryan, de San Diego, na Califórnia, foi escolhida para construir um avião especial. Lindbergh apelidou-o de “Spirit of St. Louis”, em honra aos seus patrocinadores. Nos dias 10 e 11 de Maio de 1927, Lindbergh testou o avião em voo, indo de San Diego a Nova York, com uma paragem em St. Louis. O tempo de duração do voo, 20 horas e 21 minutos, era um novo recorde transcontinental. A 20 de Maio, Lindbergh e o “Spirit of St. Louis” descolaram do campo Roosevelt, perto de Nova York, às 7:52 da manhã. Às 10:21 da noite do dia 21 ele pousou no Campo Le Bourget, próximo a Paris. Ele tinha voado mais de 5.700 km, em 33 horas e meia. O voo foi uma verdadeira epopeia, ele enfrentou neblina, ventos fortes, formação de gelo nas asas e, principalmente, o cansaço. Às vezes voando a 3.000 metros, outras rasando as águas do Atlântico, ele arrastou-se penosamente pelo ar até seu objectivo. O voo de Lindbergh electrizou as pessoas em todo o mundo. Prémios, celebrações, e paradas foram realizados em sua honra. O Presidente Calvin Coolidge entregou-lhe a Medalha de Honra do Congresso e a Cruz de Serviço Distintos. A julgar pela comoção que causou, e pela imensa multidão que o esperava em Paris, o seu voo pode ser comparado ao primeiro voo tripulado à Lua. Era quase inacreditável que aquele minúsculo avião pudesse voar através do Oceano Atlântico. Em 1927, Lindbergh publicou um livro sobre o seu voo transatlântico. O título, “Nós”, era uma referência a ele e ao avião. A seguir ao seu feito, voou através dos Estados Unidos, divulgando o trabalho da “Fundação Daniel Gugenheim para Promoção da Aeronáutica”. Conheceu a pesquisa sobre foguetes realizada por Robert H. Goddard, e convenceu a família Gugenheim a patrocinar suas experiências. Isto levou, eventualmente, ao futuro desenvolvimento de mísseis, satélites e às viagens espaciais. Lindbergh também trabalhou como consultor para várias empresas aeronáuticas e linhas aéreas comerciais. Em Dezembro de 1927, Charles visitou vários países latino-americanos, como “Embaixador da Boa Vontade”. Enquanto estava no México, conheceu Anne Spencer Morrow, com quem veio a casar. Ensinou-a a pilotar e, juntos, empreenderam várias viagens pelo mundo. Anne Morrow também se tornou conhecida pelas suas poesias e outras obras literárias. Outra realização de Lindbergh foi o coração artificial, para um cirurgião francês. Desenvolvido de 1931 a 1935, esse aparelho podia bombear o sangue através do corpo. Em Março de 1932, o primeiro filho de Charles e Anne foi raptado de sua casa. Dez semanas após o rapto, o seu corpo foi encontrado numa floresta. Os jornais passaram a perseguir os Lindbergh em qualquer parte, na ânsia de conseguir notícias. Para fugir dos repórteres, os Lindbergh mudaram-se para a Europa. Em 1934,Bruno Hauptman foi condenado à morte pelo rapto do bebé Lindbergh. Na Europa, Charles visitou os fabricantes de aviões alemães e franceses. Ficou impressionado com os avanços da aviação alemã, e pela qualidade de seus aviões. Em 1938, um alto dignitário nazista premiou-o com a Medalha de Honra Germânica. Isto fez com que muitos americanos anti-nazistas ficassem contra Lindbergh. Em 1939, ele voltou aos Estados Unidos e, em 1941, juntou-se a um comité que se opunha à II Guerra Mundial. Foi acusado de ser pró-nazista, por não ter devolvido a medalha com que fora agraciado na Alemanha. Após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, tentou alistar-se na Força Aérea do Exército, mas foi recusado. Então, entrou como consultor técnico na “Ford MotorCompany”. Em Abril de 1944, tornou-se consultor do Exército e da Marinha dos Estados Unidos. Mesmo ainda sendo tecnicamente um civil, voou em 50 missões de combate. Durante esse período, inventou um dispositivo que tornava os caças da época melhores e mais fáceis de pilotar. Após a Guerra, Lindbergh trabalhou como consultor para o Chefe do Estado-maior da Força Aérea. Em 1954, o Presidente Einsenhower nomeou-o General Brigadeiro da Força Aérea dos Estados Unidos. Também trabalhou como consultor para a empresa aérea Pan American, ajudando-os a escolher os aviões que iriam comprar. Em 1953, publicou uma expansão de seu livro “Nós”, o qual chamou de “The Spirit of St. Louis”. Lindbergh continuou a viajar pelo mundo. Visitou a África e as Filipinas. Durante os seus últimos anos, passou a interessar-se pela conservação da natureza. Lutou pela preservação das baleias, e era contra os aviões supersónicos, por achar que eles causavam perturbações na atmosfera. Charles Lindbergh morreu no dia 26 de Agosto de 1974, na sua casa em Mauí, no Hawai. Após a sua morte, em 1998, uma colecção de seus escritos foi publicada em forma de livro, chamado “The autobiography of Values”.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Excelência em Português


Há três cientistas portugueses na lista dos 250 mais influentes investigadores em mais de 20 áreas das ciências entre 1901 e 2002, indica um relatório da norte-americana Thomson ESI.
Entre estes está António Coutinho, o único dos cientistas portugueses citados a trabalhar em Portugal, um investigador da área da imunologia e que há sete anos dirige o Instituto Gulbenkian de Ciência. Este licenciado em Medicina e doutorado em Microbiologia é também director de investigação de primeira classe do Centro Nacional de Investigação Científica, em Paris.
Outro dos cientistas citados é António Damásio (na foto), considerado como o mais influente investigador português da actualidade, tem obra feita na área da neurociência, o que já lhe tem valido diversos prémios internacionais. O autor de «O Erro de Descartes», que se naturalizou norte-americano, é doutorado em Medicina e dirige o departamento de neurologia e o Centro de Investigação da doença de Alzheimer da Universidade do Iowa.
Carlos Duarte, que se naturalizou espanhol e trabalha no Instituto Mediterrânico de Estudos Avançados da Universidade das Ilhas Baleares nas áreas da Biologia e Botânica, é o outro investigador de origem portuguesa referido no documento da Thomson ESI.Este documento leva em conta as contribuições científicas consideradas como fundamentais para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e o número de vezes em que o trabalho de cada é referido pela comunidade internacional.


É muito triste que o país que os viu nascer, não lhes dê condições para fazerem as suas investigações, e que tenham de imigrar ou trocar de nacionalidade, para serem reconhecidos internacionalmente.

...
Esta a sina do inventor
Neste Portugal moribundo
Por pouco a ir ao fundo
Por culpa de tanto estupor

Querem cativar valores
Que fogem para outras terras
Mas só dáo os louvores
Ás nulidades e aos palermas

São estes ditos senhores
Que estão sempre arruinando
O país do saber e de valores
Que pelo mundo vão andando

Foram enriquecer outros paises
Porque sua Patria amada
Secou-lhes as veias e raizes
Não lhes dando chance para nada

fernando nogueira gonçalves Homepage

Sean Connery


Thomas Sean Connery nasceu no dia 25 de Agosto de 1930, Edimburgo, Escócia. Filho de um camionista e de uma empregada de limpeza, Sean Connery teve, até os 21 anos, uma vida quase tão diversificada quanto a sua galeria de personagens cinematográficos. Após abandonar a escola aos 15 anos, foi marinheiro, leiteiro, lustrador de caixões, pedreiro, salva-vidas, candidato a Mister. Universo e modelo. Foi a partir de 1954 que Sean começou a trilhar realmente, na televisão e no cinema, uma carreira de actor. Após participar em pequenos papéis de filmes pouco conhecidos a sua grande oportunidade surge em 1962, quando foi escolhido para ser O Agente Secreto James Bond nas telas do cinema. Combinando o charme e a virilidade exigidos pelo papel, e adicionando o humor cínico que viria a imagem de marca das suas interpretações, Connery ajudou a fazer do herói literário criado por Ian Fleming um dos ícones dos anos 60. Depois de ser o agente secreto durante quatro filmes, Sean Connery ficou preocupado com um possível estigma, e só retornou ao papel sob condições financeiras irrecusáveis, 1983, para o filme Nunca Mais Digas Nunca. De presença imponente, com rosto e voz altamente expressivos, Connery construiu uma filmografia de rara versatilidade, na qual, independente do tamanho da sua personagem, nunca ficou em segundo plano. Entre outros filmes, ele brilhou em , O Homem que Queria Ser Rei (1975, O Duelo Imortal (1986), O Nome da Rosa (1986), Os Intocáveis (1987), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), Caça ao Outubro Vermelho (1990), O Curandeiro da Selva (1992), O Primeiro Cavaleiro (1995), Entre Estranhos e Amantes (1996), Os Vingadores (1998), Descobrir Forrester (2000) e A Liga de Cavalheiros Extraordináros (2003). Ganhou durante a sua carreira o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actor Secundário pela sua interpretação no filme Os Intocáveis (1987), o Prémio da Academia Britânica por O Nome da Rosa (1986) e o Prémio Cecil B. De Mille pela sua carreira. Sean Connery recebeu em 2000 da parte da Rainha Isabel II o título de Sir, Cavaleiro do Império.Um actor discreto, imune às armadilhas do sucesso, sempre manteve sua vida particular protegida, mas sabe-se que ele é um dedicado homem de família, um apaixonado por golfe e tem predilecção por residências à beira-mar. Apesar de sempre fazer questão de se manter reservado, em relação à sua vida particular, no final de 2004, assinou um contrato com uma editora, para publicação do seu livro de memórias, pelo que futuramente, poderemos saber mais sobre este homem, que deu belíssimas prestações na 7ª Arte. No principio deste mês anunciou que quer terminar a sua carreira como actor, segundo ele, está “cheio dos idiotas” que trabalham actualmente em Hollywood. ”Eu estou cheio desses idiotas...do crescente abismo entre as pessoas que sabem como fazer filmes e as pessoas que dão luz verde para os fazer”, disse Connery.

Truman Capote


Truman Streckfus Persons nasceu em Nova Orleães, a 30 de Setembro de 1924, filho de um vendedor e de uma adolescente de 16 anos. Os seus pais divorciaram-se quando Truman tinha quatro anos, pelo que passou a ser criado por familiares próximos, residentes em Monroeville, no estado de Alabama.
Quando a sua mãe voltou a casar, Truman mudou-se para Nova Iorque, adoptando o apelido do padrasto. Aos 17 anos desistiu dos estudos e começou a trabalhar na revista The New Yorker, atraindo desde logo as atenções pela sua forma excêntrica de vestir.
Em 1949, Capote viajou para a Europa, onde escreveu ficção e não-ficção e argumentos para cinema e teatro.Após ter alcançado cedo o sucesso como escritor de prosa brilhante nas histórias de Other Voices, Other Rooms (1948), que retratava uma relação homossexual, e no romance Boneca de Luxo (1958), já de regresso aos EUA, a carreira de Capote decaiu até que o sensacional «romance não ficcional» A Sangue Frio (1965) fez dele uma celebridade.
Entre as suas obras posteriores incluem-se Music for Chameleons (1980) e a obra publicada a título póstumo Answered Prayers (1986), um romance inacabado constituído por escandalosos boatos sobre colunáveis.
A sua bibliografia inclui:A Tree of Night and Other Stories (1949), Local Color (1950), The Grass Harp (1951), Beat the Devil (1954), The House of Flowers (1954), The Muses have Heard (1956), The Innocents (1961), Observations (1959), Selected Writings (1963), A Christmas Memory (1966), The Thanksgiving Visitor (1967), Among The Paths to Eden (1967), Laura (1968), House of Flowers (1968), Trilogy (1969), Experiment in Multimedia (1969), Behind Prison Walls (1972), The Glass House (1972), The Dogs Bark (1973), Crimewatch (1973), Then it all Came Down (1976), One Christmas (1982), Conversations With Capote (1985), Súplicas Atendidas (1986), um retrato dos vícios e da perversão dos intelectuais e artistas que Capote conhecera, A Capot Reader (1987) e Marilyn Monroe: Photographs 1945-1962 (1994).
O escritor faleceu em Los Angeles a 25 de Agosto de 1984, devido a problemas causados pelo consumo exagerado de álcool.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Armas de Destruição Maciça, parte II


Os Estados Unidos criticaram duramente uma investigação independente que não encontrou evidências de um programa secreto para o desenvolvimento de armas nucleares no Irão. O inquérito, realizado pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) com a participação de especialistas do governo americano e cientistas de vários países, concluiu que a pequena quantidade de urânio enriquecido para bombas encontradas no país há dois anos vinha de equipamento paquistanês contaminado e não era prova da existência de armamento. Mas as autoridades americanas disseram que essas conclusões não dissipavam a preocupação internacional porque o Irão pode estar a desenvolver armas nucleares de outras maneiras. O Irão insistiu que o programa é pacífico, e reiniciou, recentemente, o enriquecimento de urânio apesar de um acordo com Grã-Bretanha, França e Alemanha. Os três países cancelaram uma ronda de conversações que tinha o objectivo de persuadir o Irão a suspender as suas actividades nucleares, levando a protestos diante de suas embaixadas na capital iraniana, Teerão. As conversações deveriam começar no dia 31 de Agosto. Se o impasse continuar, os Estados Unidos e a União Europeia podem levar o caso para o Conselho de Segurança das Nações Unidas e aplicar sanções contra o Irão. Em meados de Agosto, a União Europeia ofereceu um amplo acordo ao Irão, que incluía incentivos económicos, políticos e tecnológicos em troca da suspensão completa de pesquisas ligadas à produção de combustível nuclear. Mas o Irão, que insiste ter direito a um programa para produzir energia, rejeitou a oferta.
BBC On-line
Enquanto os principais países que detêm poderio nuclear - EUA, Rússia, China, Inglaterra, França, Indía e Paquistão- não assumirem uma irreversível politica de desarmamento, será muito dificil exigir o respeito pela não proliferação de armas nucleares, por pequenos países que ambicionam ser potências regionais.

Um Tema Polémico


Os fetos só têm capacidade de sentir dor nos últimos meses da gravidez - indica um novo estudo que poderá reacender o debate entre defensores e detractores do aborto nos Estados Unidos.
O trabalho, hoje publicado na revista da Associação Médica Americana, afirma que a prescrição de analgésicos durante um aborto ou no quinto ou sexto meses da gravidez não serve para nada e pode pôr em perigo a saúde da mulher.
Depois de analisarem centenas estudos de relatórios médicos, investigadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) chegaram à conclusão de que os fetos são incapazes de sentir dor até ao sétimo mês da gravidez (28 semanas).
As estruturas cerebrais envolvidas na sensação da dor começam a formar-se muito antes, mas só funcionam nas últimas etapas da gravidez, afirmou o principal autor do estudo, o anestesista obstetra da UCSF Mark Rosen.Já antes da publicação deste trabalho, muitos opositores do aborto criticaram-no por alegada parcialidade.
“Literalmente, meteram as mãos num ninho de vespas”, afirmou Kanwaljeet Anand, um investigador da dor fetal na Universidade de Arkansas para as Ciências Médicas segundo o qual o feto já sente dor com 20 semanas. “Isto não é a última palavra”, acrescentou.
Para Nancy Chescheir, chefe do departamento de obstetrícia e ginecologia na Universidade de Vanderbilt e directora da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, o estudo “ajudará a desenvolver algum consenso” sobre quando o feto sente dor. “Até agora não há nenhum”, afirmou.
Depois da legalização do aborto nos Estados Unidos, em 1973, um dos argumentos usados pelos seus detractores era que as mulheres que decidiam interromper a gravidez deviam ter em conta a dor que provocariam ao feto.
Nesse sentido, têm vindo a exigir leis sobre a dor fetal durante a gravidez como forma de controlar o aborto no país.
A medida afectaria cerca de 18.000 abortos que se realizam anualmente nos Estados Unidos no quinto mês da gravidez ou depois.
Lusa

terça-feira, agosto 23, 2005

Astérix “an mirandês”


A tradução em mirandês do livro “Asterix, L Goulés” (o título traduzido no dialecto) já tem data marcada para a sua apresentação pública a iniciativa vai decorrer no próximo dia 15 de Setembro, no El Corte Inglês, em Lisboa.Um mês depois estará a disposição dos leitores nas livrarias nacionais. Entretanto, o novo álbum original - provavelmente o último - é lançado em todo o mundo no dia 14 de Outubro.A tradução do álbum foi feita há cerca de três anos pelo escritor e investigador da língua mirandesa Amadeu Ferreira. Nos últimos meses procedeu a uma revisão e aperfeiçoamento dos textos iniciais, que contaram com a colaboração de Carlos Ferreira e Amadeu Ferreira, havendo ainda uma colaboração de António Santos, um apaixonado por banda desenhada que ajudou o autor a entender alguns aspectos da chamada 9.ª Arte. Inicialmente registaram-se diversos entraves com uma primeira editora que detinha os direitos de tradução, mas a situação foi ultrapassada, cabendo agora à editora ASA os direitos sobre a edição traduzida na “lhégua”.
Os livros do Astérix e do seu amigo Obélix estão actualmente traduzidos em 110 línguas e dialectos espalhados por todo o mundo, sendo esta tradução um passo importante para a divulgação da língua mirandesa, que se manteve isolada durante séculos nas aldeias do concelho de Miranda do Douro, e parte do concelho de Vimioso, sendo apenas transmitida de geração em geração por via oral. Actualmente a língua mirandesa está confinada a um universo de sete mil falantes de acordo com os últimos censos.
”O mirandês entra para o mundo do herói Gaulês não como uma língua isolada, mesmo sendo minoritária, mas acompanhando todo um conjunto de outras línguas universais”, revelou Amadeu Ferreira.
Nas várias edições livrescas de Astérix publicadas nas mais diversas línguas, na contracapa dá-se sempre nota das línguas em que a banda desenhada está traduzida, o que vem dar um novo alento ao mirandês - levando, assim, milhões de leitores a saber da existência de uma língua que se mantém viva num rincão do nordeste transmontano.Agora, as crianças das terras de Miranda também poderão dar gargalhadas com as aventuras e desventuras da turma de Astérix na sua cruzada contra os romanos e, ao mesmo tempo, apanharem o gosto por uma língua que já é disciplina opcional nas escolas do concelho de Miranda do Douro, uma região do país que se pretende bilingue.Como nota final, só os nomes de Astérix e Obélix se manterão na sua forma original; As outras personagens terão nomes diferentes, adaptando o nome originário latino, e seu significado, ao mirandês.
Por: Francisco Pinto/Jornal Nordeste

Anthony Hopkins


Anthony Hopkins foi eleito o melhor actor britânico de todos os tempos numa votação organizada pelo Teatro Old Vic, de Londres. Judy Dench foi considerada a melhor actriz.
Hopkins conseguiu mais votos do que nomes como Laurence Olivier, Sean Connery e Alec Guinness. Entre as actrizes, Judy Dench ficou à frente de Julie Walters e Elizabeth Taylor.

Cinco melhores actores

1. Anthony Hopkins
2. Laurence Olivier
3. Sean Connery
4. Alec Guinness
5. Michael Caine


Cinco melhores actrizes

1. Judi Dench
2. Julie Walters
3. Elizabeth Taylor
4. Maggie Smith
5. Julie Andrews

sexta-feira, agosto 19, 2005

Bill Clinton


William Jefferson Blythe III à data de nascimento em Hope, Arkansas a 19 de Agosto de 1946. O nome original de Clinton vem do pai, falecido na sequência de um acidente antes do nascimento do filho. A mãe do futuro presidente Virginia Kelley, casou mais tarde com Roger Clinton, vendedor de automóveis, daí o apelido Clinton.
Na escola secundária em Hot Springs, Arkansas, Clinton considerou a possibilidade de se formar em medicina, mas após um encontro com o presidente John.F.Kennedy em Washington, foi determinante para a decisão de Clinton em abraçar a carreira política. Clinton tirou o curso de relações internacionais em 1968, na Georgetown University. No primeiro ano da universidade, Clinton trabalhou para o Senador do Arkansas J.William Fulbright. Mais tarde entre 1968 e 1970 – estudou em Rhodes, na cidade de Oxford. Frequentou ainda a Yale Law School, onde conheceu a futura esposa. Hillary Rodham Clinton. O casal tem uma filha, Chelsea.
Clinton deu aulas na Universidade do Arkansas entre 1974-1976, foi eleito para o posto de Procurador Geral do estado em 1976, e em 1979 tornou – se o mais jovem governador dos Estados Unidos. Mas não conseguiu ser reeleito quatro anos mais tarde, em grande parte devido à ira dos eleitores pelo aumento das licenças de automóveis no estado do Arkansas. Em 1982, no entanto, voltaria a ser eleito. Desta vez, o seu mandato foi marcado por tendências liberais de forma a acomodar a faixa mais conservadora do eleitorado.
Clinton tornou – se o 42º Presidente dos Estados Unidos após uma campanha complicada. Conseguiu ultrapassar os ataques pessoais ao seu carácter e à sua atitude durante a Guerra do Vietname, a que sempre se opôs. Às alegações de infidelidade conjugal, Clinton respondeu numa entrevista na televisão onde acompanhado da esposa, fez passar a imagem de uma relação sólida e impenetrável. Durante os oito anos da sua administração, Clinton enfrentou alegações relacionadas com a fraude imobiliária de Whitewater, processo no qual esteve envolvido juntamente com Hillary antes das eleições de 1992. Apesar de o casal nunca ter sido acusado de qualquer ilegalidade, os seus parceiros na empresa imobiliária foram condenados por fraude e conspiração durante um julgamento que teve lugar em 1996.
Os problemas enfrentados por Clinton foram tão complicados quando variados. Em Janeiro de 1993 envolveu – se numa enorme polémica com a estrutura militar norte-americana relacionada com a permissão de os homossexuais servirem abertamente nas forças armadas, uma promessa que fizera durante a campanha eleitoral. Mais tarde acabaria por aceitar um compromisso, definido como política do “não perguntem, não revelem”. No primeiro ano do seu mandato, Clinton teve que enfrentar duras negociações com o Congresso, de maioria Republicana, para fazer passar as suas propostas de Orçamento e política económica.
No segundo ano da administração Clinton, o Presidente continuou com problemas internos relacionados com os cuidados de saúde, reforma da segurança social e prevenção da criminalidade. Um pacote de reformas para os cuidados de saúde, concebido por Hillary, não conseguiu ganhar o sim do Congresso. O Presidente foi forçado a reduzir o objectivo a que se propunha com esta reforma.
Mas Clinton conquistaria duas enormes vitórias com a aprovação do Acordo de Livre Comércio para a América do Norte (NAFTA), que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 1994, e do Acordo Global de Tarifas e Comércio (GATT), que levou ao estabelecimento da Organização Mundial do Comércio (WTO) em 1995. O Congresso também aprovou uma lei para redução da divida, leis para o estabelecimento de conselheiros para o aborto em clínicas subsidiadas por fundos federais, um produto de espera para a permissão de compra de armas de fogo (a Lei Brady), e um programa nacional de serviços ao utente.
As relações internacionais, inicialmente o ponto fraco para um presidente eleito devido ás suas propostas internas, transformaram - se num campo de testes para Clinton. O Presidente melhorou a sua imagem internacional quando Israel e a Jordânia assinaram o acordo de paz, na casa Branca, em 1994. No Outono desse mesmo ano, a administração Clinton conseguiu restaurar a normalidade no Haiti, com o regresso do deposto Presidente Jean Bertrand Aristide ao poder. Clinton conseguiu ainda reavivar a popularidade do Presidente Russo Boris Yeltsin com promessas de ajuda económica.
Os problemas na Europa de Leste apresentaram – se como o próximo grande desafio de Clinton. Apesar de tencionar acabar definitivamente com a brutal limpeza étnica em curso na Bósnia, não quis soldados Americanos para o terreno. Um acordo de paz que previa o envolvimento de forças de manutenção de paz acabou por ser assinado em Dayton, Ohio, em Novembro de 1995.
Das eleições de 1994 saiu um Congresso controlado pelo Partido Republicano, e 1995 marcou um período de guerra aberta entre a Casa Branca e o Capitólio devido à discussão de um Orçamento controlado e outros factores muito importantes do programa “Contrato com a América” delineado pelo Partido Republicano, sobretudo pelo líder da maioria Newt Gingrich. Em 1996, a pensar já nas eleições presidenciais do Outono, Clinton fez uma viragem para o centro político aparecendo aprovando diversas medidas legislativas de grande importância e não menos popularidade. Incluída nestas medidas estava a reforma da segurança social, que alterou décadas e décadas de políticas federais.
Os assuntos externos voltaram a dar dores de cabeça a Clinton em 1996. Na Rússia, o apoio da Casa Branca a Yeltsin levantou enormes criticas numa altura em que teve início a guerra na Chechénia. No Médio Oriente continuava o braço de ferro Israelo – Palestiniano e o Iraque invadiu o território Curdo. Clinton respondeu à agressão Iraquiana com uma série de ataques aéreos contra estruturas e equipamento militar Iraquiano.
A excelente vitalidade da economia norte-americana facilitou o acordo para a aprovação do Orçamento controlado proposto por Clinton em 1997. No entanto, as relações políticas estavam longe de serem as ideais, há medida que as questões de carácter que perseguiram Clinton durante anos voltaram a surgir. Uma série de investigações ao Presidente e a Al Gore sobre a participação de ambos em operações de angariação de fundos duvidosas durante a campanha presidencial de 1996, causaram um clima político de enorme tensão.
Clinton conseguiu, mais uma vez, fortalecer a sua posição nos assuntos externos em 1998. Em Abril, o ex-líder da maioria no Congresso George Mitchell, escolhido pessoalmente por Clinton para ajudar a mediar o conflito entre Católicos e Protestantes na Irlanda do Norte, conseguiu acabar com um conflito que durava há décadas. Em Maio e Junho Clinton efectuou uma viagem controversa à China. Apesar das críticas que precederam a viagem, Clinton acabou por receber rasgados elogios pelos avanços conseguidos, sobretudo nas relações entre os estados Unidos e a China, sem no entanto deixar cair as críticas à situação dos direitos humanos naquele país comunista.
No plano interno, Clinton enfrentava a pressão cada vez maior de Kenneth Starr, o investigador independente que em 1994 assumiu as investigações do caso Whitewater. O papel de Starr foi ampliado mais tarde passando a incluir o apuramento de responsabilidades em outros aspectos igualmente complicados da vida dos Clinton: o falecimento do Advogado da Casa Branca Vincent Foster, a forma como se despediam funcionários no departamento de viagens da casa Branca e as alegações de conduta sexual imprópria do Presidente dos Estados Unidos.
O Presidente parece ter ganho pontos em Abril de 1998, quando um juiz federal do Arkansas anulou um caso de assédio sexual que se arrastava há vários anos, interposto por Paula Jones, ex-funcionária do estado do Arkansas. Mas Starr já investigava a possibilidade de Clinton ter cometido perjúrio durante o seu testemunho no caso Jones sobre uma alegada relação menos própria com uma jovem estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Meses antes, Clinton negara ter mantido relações sexuais com Lewinsky, ou ter pedido a alguém que mentisse de forma a encobrir a relação. Apesar destas acusações, a popularidade de Clinton entre os Americanos continuava muito alta. O povo Americano parecia preferir ignorar estes escândalos do Presidente em troca da estabilidade económica, da sua orientação política muito popular e da força externa do país.
A 17 de Agosto de 1998, Clinton entrou para a história como o primeiro Presidente a testemunhar frente a um grande júri, durante uma investigação sobre a sua própria conduta pessoal. Numa declaração à nação nessa mesma noite, Clinton admitiu pela primeira vez a existência de uma “relação imprópria” com Lewinsky, mas disse não ter pedido a ninguém para mentir sobre isso.
Em Agosto, o escândalo Lewinsky dominou de tal forma a agenda de Clinton que ao responder ao ataque terrorista a duas embaixadas Americanas em África com um ataque com mísseis de cruzeiro contra alegadas posições terroristas no Sudão e no Afeganistão, muita gente considerou que se tratou de uma iniciativa para desviar a atenção dos seus problemas internos.
A 9 de Setembro, Starr- um Republicano conservador cuja investigação era considerada uma vingança política pelos apoiantes de Clinton - entregou o seu relatórios final na Câmara de Representantes. Apesar deste relatório considerar a existência de 11 acusações passíveis de justificar o afastamento do Presidente, nenhuma se apoiou nos motivos iniciais que se propunha investigar, incluindo o escândalo Whitewater. O verdadeiro conteúdo das acusações centrava – se na conduta moral do presidente, e o “Relatório Starr” descrevia com detalhes gráficos o seu relacionamento sexual com Lewinsky.
Apesar de a maioria da população desaprovar o julgamento (facto que se reflectiu em quase todas as sondagens da altura), o Congresso avançou com o processo de limitação de poderes, marcado por uma enorme carga partidária. Em Dezembro, a Comissão Judicial do Congresso aprovou quatro artigos justificativos de uma limitação de poderes: perjúrio em declarações ao grande júri, processo civil de perjúrio, obstrução de justiça e abuso de poder. Os republicanos rejeitaram o pedido dos Democratas de uma acção de censura ao Presidente por “conduta repreensível”, e decidiram prosseguir com a acção.
A 19 de Dezembro, Clinton tornou - se o segundo Presidente dos Estados Unidos a ver os seus poderes limitados. Dois dos quatro artigos foram aprovados (Artigo 1: perjúrio frente a um grande júri e o Artigo III: obstrução de justiça), com os votos a reflectirem a sua carga partidária. Apesar de o julgamento ter ensombrado toda a restante actividade em Washington durante grande parte do ano de 1998, Clinton foi forçado a lidar com problemas contínuos no Iraque nos últimos meses do ano. Em Dezembro, Saddam Hussein bloqueou todas as inspecções de armamento das Nações Unidas no seu país. A ONU respondeu com ataques aéreos que se manteriam durante quase todos os dias durante os três meses seguintes, e mais tarde mais espaçados durante a Primavera e o Verão, à medida que o Iraque continuava a irritar os Estados Unidos e os seus aliados disparando sobre os aviões em patrulha nas zonas em que não são permitidos voos Iraquianos, estabelecidas após a Guerra do Golfo. Na Primavera de 1999, o Médio Oriente passou para segundo plano devido aos acontecimentos nos Balcãs. Relatórios de actividades continuadas de limpeza étnica, perpetrada pelos Sérvios no Kosovo, fizeram com que Clinton e o Primeiro-Ministro Britânico Tony Blair pressionassem a NATO para intervir no território. A NATO iniciou então, em Março, uma operação de bombardeamentos aéreos de grande envergadura. Durante 78 dias os aviões da Aliança Atlântica bombardearam quase diariamente a Sérvia. As divergências políticas para o envio de tropas terrestres para a região valeram fortes críticas a Clinton por adiar constantemente a intervenção terrestre. A atitude de Clinton acabou por ser justificada pela cedência do presidente Slobodan Milosevic, que aceitou assinar um tratado de paz a 9 de Junho. Após o conflito do Kosovo, Clinton enfrentou novo desafio: acalmar a tensão nas relações externas. A Rússia, aliada tradicional da Sérvia, opusera – se à intervenção da NATO desde o início. A frágil relação entre os Estados Unidos e a China atravessava um período complicado, provocado pelo bombardeamento acidental da embaixada Chinesa em Belgrado, por aviões da NATO, em que morreram 3 jornalistas.
No Verão de 1999, Washington procurava saber o que fazer com um enorme excedente no Orçamento federal. O Presidente, que continuava a marcar muitos pontos nas sondagens após um relatório que revelava que as alterações do sistema de segurança social registavam um enorme sucesso, forçou a aprovação de novas reformas sociais - no sistema de saúde e na tributação fiscal. Os Republicanos, ainda com maioria no Congresso, responderam com exigências de reduções nos impostos.
No Outono do ano 2000, o Médio Oriente voltou a dar dores de cabeça a Bill Clinton. Depois dos acordos de Camp David, assinados no Verão por Arafat e Barak, terem entrado num impasse, numa sangrenta onda de violência iniciada em fins de Setembro coloca em risco todo o processo de paz.
No último dia da sua presidência, a 19 de Janeiro de 2001, Bill Clinton viu retirados todos os processos judiciais contra si, pelo substituto de Tony Starr. Clinton escreveu uma declaração ao país onde confessou ter mentido sobre a sua relação com Monica Lewinsky.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Bono Candidato a Prémio Nobel da Paz


O vocalista do grupo U2, Bono Vox, é candidato ao Prémio Nobel da Paz. Foi seleccionado pela mobilização contra a pobreza na África que promoveu neste ano.
Na lista dos candidatos ao Nobel da Paz também estão, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, as organizações humanitárias que trabalharam na tragédia do maremoto de 26 de Dezembro, assim como o governo da Indonésia e os rebeldes de Aceh, que acabam de assinar um acordo de paz que põe termo a quase 30 anos de combates.
Outra candidatura é a da iniciativa “1.000 mulheres para o Prémio Nobel da Paz 2005”, que inclui mulheres de mais de 150 países comprometidas na defesa da paz e da dignidade humana.
Em 2004, o prémio foi atribuído pela primeira vez a uma mulher africana, a militante ecológica queniana Wangari Maathai.
O vencedor do Prémio Nobel da Paz será anunciado em Oslo no dia 14 de Outubro, e o prémio é 10 milhões de coroas suecas (1 milhão de Euros aproximadamente).

quarta-feira, agosto 17, 2005

Um Lapso Momentâneo de Memória?


O Papa Bento XVI pediu desculpas nesta quarta-feira por ser esquecido, o que não ocorreu apenas uma vez, mas duas. No fim da audiência geral semanal, o Papa deixou a janela da sua residência de Verão, em frente da qual estavam milhares de pessoas, a ouvir a tradicional saudação papal em diversos idiomas, e teve que voltar pouco depois. Ao retornar, brincou. “Peço perdão. Esqueci-me do mais importante cumprimento, aquele destinado aos peregrinos que falam italiano”, afirmou em meio a risadas.
O papa de 78 anos então leu uma saudação em italiano, virou-se para sair, quando os assistentes lhe lembraram que havia mais alguma coisa a fazer. Então, o pontífice retornou à janela.
“Hoje, estou-me a esquecer de coisas muito importantes. Parece que eu já estou parcialmente em Colónia”, afirmou. “Eles disseram-me: ‘Você esqueceu o essencial, a bênção”’, acrescentou.
O pontífice deu a bênção e voltou a entrar na sua residência de Verão.
Sinceramente desejo que este esquecimento não tenha nada a ver com o seu compatriota, o senhor Alzheimer.

Louca América


Bébés suspeitos de terrorismo.
Crianças com nomes parecidos ou homónimas com os de suspeitos de envolvimento com o terrorismo internacional estão a ser impedidas de embarcar nos aeroportos dos Estados Unidos.
Uma menina de um ano não teve autorização para embarcar no aeroporto de Phoenix, no Estado de Arizona, impedindo a família de passar o Dia de Acção de Graças em Washington.
Desde o 11 de Setembro, as listas de pessoas que são impedidas de viajar em aviões nos Estados Unidos ou necessitam de permissão especial têm crescido significativamente. Críticos afirmam que o governo não está fornecendo informação suficiente, fazendo com que passageiros inocentes sejam confundidos com pessoas que estão na lista.
Um outro casal, ao tentar embarcar no aeroporto internacional de Dulles, próximo da capital Washington, gastou mais de meia hora em procedimentos burocráticos porque o nome de seu filho de 11 meses estava na lista divulgada pelo governo, aos aeroportos.
Pessoas conhecidas nos Estados Unidos como o senador Edward Kennedy e o actor David Nelson já foram questionadas pela segurança em aeroportos norte-americanos.
É dever de cada companhia aérea confrontar o nome dos passageiros com a relação montada pelo governo norte-americano. De acordo com pessoas ligadas a companhias aéreas, a lista vem crescendo desde 2001 e chega hoje a atingir cem mil nomes.
O órgão responsável pela segurança na área de transportes nos Estados Unidos, responsável pela lista, afirma que instruiu as companhias aéreas a não negar o embarque a crianças com menos de 12 anos, mesmo que seus nomes figurem na relação.

folha online.

terça-feira, agosto 16, 2005

Retirada da Faixa de Gaza


A retirada israelita da Faixa de Gaza representa uma grande mudança no cenário político do Médio Oriente. Ainda não se sabe se a iniciativa vai abrir caminho para um acordo final para a criação do Estado Palestiniano ou se é uma tentativa do primeiro-ministro Ariel Sharon de definir unilateralmente as fronteiras de Israel. Como os factos concretos costumam ser determinantes na região, a menos que haja pressão dos Estados Unidos para concessões, as manobras de Sharon vão pautar as negociações nos próximos anos. O Muro mandado construir por Ariel Sharon, parte dele sobre o que é internacionalmente reconhecido como território palestiniano, deverá , na prática, torna-se uma nova fronteira, ou pelo menos uma linha de demarcação. Jerusalém Oriental, vista pelos palestinianos como a sua capital, e considerada pelos israelitas como parte integrante de uma Jerusalém única e indivisível, ficará dentro dos limites estabelecidos pelo Muro. No total, cerca de 10% das terras que estão além da chamada linha verde, que marca as fronteiras anteriores à guerra de 1967, ficarão do lado israelita. O facto de Ariel Sharon ter desmantelado todos os colonatos da Faixa de Gaza e alguns da Cisjordânia, surpreendeu, todo o mundo. Mas é bom lembrar que Sharon foi um general e a sua tendência é encontrar a manobra decisiva que determinará a vitória. Pode-se ver isto no que está acontecendo agora. No plano de retirada, ele tem mostrado a mesma brutalidade-criatividade para a defesa que costumava apresentar em acções de ataque, como no Canal de Suez, em 1973, ou na invasão do Líbano de 1982.Na visão de Sharon, o conceito de segurança no país foi redefinido e agora é diferente do que era nos anos oitenta. Foi portanto necessário repensar toda a política de colonatos, que Israel tinha implantado desde da Guerra dos Seis Dias. A demografia foi um factor que influenciou essa mudança de pensamento de Sharon. Se Israel não fizesse nada, em 2025 teria uma maioria de árabes palestinianos na Faixa de Gaza. A questão após a retirada da Faixa de Gaza é se é possível realizar negociações com os palestinianos que levem a um acordo completo. Será a saída de Gaza uma volta ao “mapa da paz” no Oriente Médio, ou será apenas uma retirada e ponto final?
Há demasiadas incertezas.

segunda-feira, agosto 15, 2005

Fucking, Áustria


O presidente da câmara da vila austríaca de Fucking lançou um apelo aos turistas britânicos para que parem de roubar os sinais da estrada com o nome da localidade.
Siegfried Hoeppl refere que a vila está habituada a muitos turistas que se deslocam para tirar fotos junto das placas, beneficiando do dinheiro dos turistas, mas os habitantes locais estão «fartos» de substituir as placas roubadas como recordações. No ano passado, a vila, de 150 habitantes, realizou um escrutínio para decidir sobre uma eventual alteração do nome. No entanto, os habitantes votaram pela manutenção da designação Fucking. O nome da vila surgiu de um homem de nome Fuck, que com a sua família se instalou no local há cem anos, e acrescentou o sufixo «ing» (que significa vila) à localidade, explica Hoeppl. Os habitantes da vila só descobriram o significado da palavra em inglês quando os soldados aliados se deslocaram para a região em 1945. Na fotografia a segunda placa é uma advertência aos condutores que entram em Fucking, “Por favor - devagar”.

Woodstock


O ano de 1969 foi marcado pelo festival Woodstock o maior de todos os festivais de rock, realizado no fim-de-semana de 15 a 17 de Agosto, em Bethel, Nova York. O evento chamava-se Woodstock Music & Art Fair, com o sub-título "Primeira Exposiçao Aquariana".
O slogan "três dias de paz e música" logo foi modificado para "três dias de paz e amor". O valor do ingresso para o fim-de-semana era 18 dólares, mas a maior parte do público invadiu o local derrubando as cercas.
A Feira de Arte e Música de Woodstock, em 1969, trouxe mais de 450.000 pessoas para um pasto no Condado de Sullivan.
Durante quatro dias, o local tornou-se uma nação da contra-cultura, nunca a expressão sexo, drogas e rock & roll foi usada tão apropriadamente. Os organizadores do Woodstock foram quatro jovens, John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang, até hoje não chegaram a acordo de quem teve a ideia original de realizar o concerto, de todas as maneiras deveriam estar imbuídos no mesmo espírito de Kornfeld, quando afirma “O Woodstock não era uma questão de construir palcos, assinar contractos ou vender bilhetes.
O festival era para ser um estado de espírito, um acontecimento que tornaria uma geração num exemplo”.
A música começou na tarde de 15 de Agosto, sexta-feira, às 17:07h,com a actuação de Richie Heavens e continuou até a metade da manhã do dia 18 de Agosto, segunda -feira, com a actuação de Jimi Hendrix.
A música brotou 3 dias quase sem parar para mais de 450 000 jovens, com um conjunto de artistas que formavam um verdadeiro "Quem é Quem do rock".
No encerramento do festival, segunda-feira, dia 18 de Agosto, sob um imenso sol alaranjado, Jimi Hendrix sobe ao palco, brindando aqueles que ainda não tinham ido embora do local, com sua interpretação do hino nacional dos EUA, "The Star Spangled Banner" arrancando da sua guitarra explosões de bombas, granadas, rajadas de metralhadoras e roncos de helicópteros, numa clara alusão à guerra do Vietname.
Aqueles que tiveram o privilégio de ver e ouvir Jimi Hendrix, saíram do festival sentindo-se ungidos de santidade.

domingo, agosto 14, 2005

Supertaça Cândido de Oliveira


O Benfica venceu o V. Setúbal por 1-0, no Estádio Algarve, conquistando o primeiro troféu da temporada, o que poderá ser um bom tónico em vésperas do arranque da SuperLiga.
Numa partida sem grandes lances a registar valeu o golo apontado por Nuno Gomos aos 51 minutos para que o Benfica conquistasse uma taça que já lhe fugia desde 1990.