domingo, setembro 11, 2005

Salvador Allende


Salvador Allende nasceu em 26 de Junho de 1908, na cidade de Valparaíso. Em 1926, entra na Escola de Medicina da Universidad de Chile, concluindo o curso de Medicina. Em 1933 é um dos fundadores do Partido Socialista do Chile, de cujo grupo parlamentar faz parte entre 1937 e 1946. Por fazer oposição ao governo conservador do General Carlos Ibáñez, é exilado na região de Caldera. Em 1939, após o triunfo do Presidente Pedro Aguirre Cerda, aceita o cargo de Ministro da Saúde.
Casa-se, no ano de 1940, com Hortensia Bussi, que lhe deu três filhas: Laura, María Isabel e Beatriz. Foi eleito Secretário Geral do Partido Socialista chileno, em 1942. EM 1945 foi eleito Senador pelas províncias sulistas de Valdivia, Llanquihue, Chiloé, Aysén e Magallanes. Durante quase quinze anos, de 1949 a 1963, preside ao Colégio Médico do Chile.
Em 1952, candidata-se à Presidência da República pela primeira vez, recebendo 5% dos votos. É reeleito Senador, representando as províncias de Tarapacá e Antofagasta, no norte do país. Recandidata-se à Presidência da República, sendo derrotado pelo candidato independente Jorge Alessandri Rodríguez, que tinha o apoio de uma coligação de direita, em 1958. A pequena diferença de menos de trinta e cinco mil votos assusta a burguesia chilena. Em 1961, chega ao Senado pela sua região natal: Valparaíso, reduto conservador, tradicionalmente difícil para a esquerda.
Recandidata-se novamente em 1964. Para impedir a vitória dos socialistas, a direita chilena vota maciçamente em Eduardo Frei, democrata cristão. Allende recebe cerca de 40% dos votos.
Conquista a Presidência do Senado em 1966. Em 1969 reelege-se como Senador por Chiloé, Aysén e Magallanes. O candidato do Partido Comunista às eleições presidenciais, o poeta Pablo Neruda, desiste da candidatura, em favor de Salvador Allende.
Em 04 de Setembro de 1970, Salvador Allende obtém a primeira maioria relativa (36%) nas eleições presidenciais, apoiado pela Unidad Popular, sucessora da Frente Popular. Devido à Lei Eleitoral chilena, o Congresso Nacional deve escolher entre as duas primeiras maiorias relativas. Após um acordo com a Democracia Cristã, Salvador Allende é eleito Presidente da República, assumindo a Presidência, sob a apreensão e o temor de todos os conservadores, no dia 04 de Novembro de 1970.
Inicia-se a chamada Via Chilena ao Socialismo, “la revolución de empanada y vino tinto”.
Durante o Governo Popular, a luta popular incrementa-se, contra todas as campanhas destabilizadoras promovidas pela direita apoiada pelos democratas cristãos. A CIA observa, planeia, conspira. A Unidade Popular ganha a maioria absoluta nas eleições municipais de 1971, além de cerca de 43% dos votos parlamentares de 1973. Fracassada uma tentativa de impugnar Salvador Allende, o grupo de centro-direita começa uma intensa campanha para preparar a intervenção das forças armadas.
Sob intenso clima de agitação, provocado pelos sectores reaccionários e conservadores, com amplo apoio dos EUA, via CIA, fazem greves de sectores vitais, como transportes, para minar o abastecimento de víveres. Os motoristas de camiões são pagos, com vários meses de adiantamento, para ficar em casa. O Golpe de Estado de 11 de Setembro de 1973, derruba aquele que foi o mais democrático regime da América do Sul. Um dos líderes golpistas é Augusto Pinochet, Ministro da Defesa do Governo de Salvador Allende.
O Presidente Salvador Allende Gossens é covardemente assassinado no Palácio de La Moneda, no dia 11 de Setembro de 1973.
Iniciava-se no Chile uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina, comandada pelo general Augusto Pinochet, proclamado no ano seguinte "Chefe Supremo da Nação". Imediatamente após o golpe, o general inicia uma repressão cruel contra a oposição, proibindo qualquer actividade política e oprimindo os sectores da esquerda com prisões, torturas e execuções em massa, espalhando o terror por todo país e exterior. O Chile, que foi abrigo dos perseguidos de todo o continente, e um dos últimos pilares de liberdade na América do Sul, persegue implacavelmente os seus compatriotas.

A longa noite do horror fascista, cobriu o Chile.

9/11: Um Longo Dia de Terror


Há quatro anos, os Estados Unidos da América eram vítimas do maior atentado terrorista de que há memória.
Cronologia do ataque terrorista ao WTC e Pentágono:

8h45: Um Boeing 737,da Americain Airlines choca com a torre norte do World Trade Center, em Nova York deixando-a em chamas.
09h03: Um segundo avião, um Boeing 767 da Americain Airlines colide com a torre sul do World Trade Center. Agora as duas torres estão em chamas.
09h18:Todos os aeroportos dos Estados Unidos, numa acção inédita, são fechados.
09h21: Autoridades portuárias da cidade de Nova York fecham todas as pontes e túneis, que dão acesso a Nova York.
09h39: O presidente George W. Bush convoca uma reunião com membros do gabinete de segurança nacional, com a presença do vice-presidente, Dick Cheney, e do governador do Estado de NY, George Pataki.
09h43: Um avião Boeing 757-200 da Americain Airlines colide com o Pentágono, em Washington. O Governo determina evacuação imediata do prédio.
09h45: A Casa Branca é evacuada.
09h51: Administração Federal de Aviação suspende pela primeira vez na história todos os voos para os EUA.
10h00: A torre sul do World Trade Center desaba. Tinha 417 metros de altura.
10h08: Agentes da CIA armam-se e preparam-se para proteger a Casa Branca.
10h10: O voo 93 da United Airlines cai em Somerset County, Pittsburgh, Pensilvânia.
10h13: A sede da ONU é evacuada.
10h22: Em Washington, os Departamentos de Estado e de Justiça são evacuados.
10h24: Administração Federal de Aviação redirecciona todos os voos vindos do exterior para o Canadá.
10h29: A torre norte do World Trade Center desaba provocando uma grande cortina de fumo e de destroços.
10h45: Governo ordena evacuação de todos os escritórios oficiais nos EUA.
10h46: O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, suspende a sua visita ao Peru.
10h48: Polícia confirma a queda de um avião em Somerset County, Pittsburgh, Pensilvânia.
11h02: O “Mayor” de Nova York, Rudolph Giuliani, pede que a população se mantenha em casa e ordena a desocupação de áreas no sul da cidade.
11h16: O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças prepara equipas especializadas em bio-terrorismo, como medida de precaução. O centro informa, no entanto, que não há nenhuma denúncia de ataques do tipo.
11h18: A American Airlines informa a queda de dois aviões da empresa: um Boeing 767, de Boston para Los Angeles, com 81 passageiros a bordo e 11 tripulantes; e um Boeing 757, de Washington para Los Angeles, com 58 passageiros e seis tripulantes.
11h20: O editor da sucursal de Londres de um jornal árabe afirma que o terrorista Osama bin Laden havia alertado, há três semanas, que ele e seus partidários fariam um ataque sem precedentes aos Estados Unidos.
11h26: A United Airlines informa que o voo 93 da companhia, vindo de Newark rumo a São Francisco , caiu na Pensilvânia. Informações não oficiais revelam que o avião foi abatido.
11h53: Eleições primárias em Nova York são adiadas.
1h54: Israel evacua todos os escritórios diplomáticos do país nos EUA.
11h59: A United Airlines confirma a queda do vôo 175, de Boston para Los Angeles, com 56 passageiros a bordo. Há informações de que todos morreram na queda.
12h15: O Serviço de Imigração decreta alerta máximo nas fronteiras dos EUA com o Canadá e com o México.
12h15: O Aeroporto Internacional de São Francisco é evacuado e fechado. O aeroporto era o destino do voo 77 da American Airlines que chocou com o World Trade Center.
12h30: A FAA (Administração Federal de Aviação) informa que 50 voos estão sobre os EUA no momento, mas nenhum deles apresenta problemas.
13h04: O presidente George W. Bush faz discurso em local desconhecido, anunciando que o governo não poupará esforços para capturar o responsável pelos atentados.
13h27: É declarado estado de emergência na cidade de Washington.
13h44: O Pentágono informa que cinco navios e dois aviões deixarão a estação naval dos EUA, no Estado da Virgínia, para assumirem posições na costa de Nova York. Os navios e aviões aumentarão as defesas das cidades de Nova York e de Washington.
13h48: O presidente dos EUA, George W. Bush, embarca no avião presidencial, Força Aérea 1, rumo a local não divulgado.
14h21: Grupos muçulmanos negam a autoria dos atentados.
14h49: Cuba condena os atentados e abre aeroportos para aviões desviados dos EUA pousarem.
15h: O “Mayor” de Nova York, Rudolph Giuliani, afirma que primeiras informações sobre mortos só sairão após 24 horas.
15h30: O congressista americano Jim Moran diz que o número de mortos pode chegar a 10 mil, somente em Nova York. O Departamento de Polícia não confirma esses números.
15h57: O temor provocado pelos ataques terroristas fazem o preço do petróleo e do ouro fechar em alta.
16h01: As Actividades desportivas são suspensas nos EUA.
16h06: O governo da Califórnia envia equipas de socorro e de buscas para a cidade de Nova York para auxiliar as forças locais nos resgates de vítimas dos escombros do World Trade Center.
16h20: EUA confirmam o terrorista Osama Bin Laden como o principal suspeito da série de atentados. Israel fecha fronteiras com Egito e com a Jordânia.
16h21: Por causa de atentados, a cotação do dólar dispara.
16h27: Novo edifício do complexo do World Trade Center começa a arder.
16h36: O subsecretário de Estado dos EUA, Richard Armitage, afirma que inspeccionou o prédio do Departamento de Estado do país e que não houve explosão de carro-bomba.
16h52: Hospitais de Nova York estão superlotados com vítimas do atentado ao World Trade Center.
16h59: O hotel Marriot, em Nova York, que fica dentro do complexo de prédios do Word Trade Center ficou com a sua estrutura bastante danificada por causa da queda dos 110 andares das duas torres. Há riscos de desabamento.
17h09: O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, que está na Austrália, pede apoio dos americanos às medidas que o presidente George W. Bush irá tomar.
17h16: Atentados provocam congestionamento na Internet.
17h28: Edifício número sete do complexo World Trade Center desaba. Prédio número cinco começa a arder.
17h37: A americana Barbara Olson, 46, que estava em um dos aviões sequestrados que se chocou contra o World Trade Center, teria feito duas ligações para seu marido do próprio avião para avisar do sequestro.
17h57: Colónia árabe dos EUA teme represálias por causa de atentados.
17h58: Ameaça de bomba no Parlamento canadiano. Governo determina interdição do aeroporto de Ottawa.
18h05: A Disney anuncia o fecho de todos os seus parques nos EUA.
18h07: Uma explosão é registada na cidade de Cabul (capital do Afeganistão). Há suspeitas de que possa ser uma retaliação dos EUA ao país.
18h22: O governo anuncia que todas as autoridades dos EUA deixarão Washington e ficarão em locais não revelados, por medida de segurança. Bush ficará na capital para fazer um discurso ao País.
18h24: A UE (União Europeia) convoca reunião de emergência para debater medidas de segurança.
18h28: A United Airlines identifica os passageiros dos seus voos.
18h39: A NASA suspende os seus trabalhos e também evacua seu edifício.
18h40: Governo dos EUA negam ter atacado o Afeganistão como represália aos ataques terroristas que assolaram o país hoje.
18h58: Bush afirma que responsáveis pelos ataques “vão sofrer as consequências”.
19h23: Liga do Norte assume ataques na capital do Afeganistão. O grupo é oposição ao Regime Taliban.
20h24: FBI pede ajuda à população para encontrar os responsáveis pelos ataques e cria número de telefone e página na Internet para receber denúncias.
20h45: O presidente americano George Bush faz um discurso à nação em que promete encontrar os responsáveis pelos ataques e diz que amanhã os EUA voltam ao trabalho.
22h44: Após 12 horas da queda da primeira torre do WTC, o chefe de polícia de Nova York afirma que há sobreviventes entre os escombros.
22h50: Os primeiros números informam que pelo menos 800 pessoas teriam morrido no prédio do Pentágono.
22h52: A Polícia de Nova York intercepta um camião carregado de explosivos na ponte George Washington.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Pablo Neruda


Neftalí Ricardo Reys Basoalto, nasceu a 12 de Julho de 1904 em Parral, no Chile. De família humilde, viveu no sul do Chile, em Temuco. A sua mãe morreu alguns meses após o seu nascimento. Estudou no liceu desta cidade, entrando aos 15 anos no Instituto Pedagógico da Universidade de Santiago. Começou aos 10 anos de idade a escrever.
Quando tinha apenas 12 anos conheceu Gabriela Mistral, uma famosa poetisa chilena, que lhe deu a conhecer os escritores clássicos que iriam influenciar a sua carreira e as suas decisões políticas.
A partir de 1920 passou a usar o nome de Pablo Neruda que adoptou legalmente em 1946. Em 1921 deixou Temuco e mudou-se para a capital Santiago. Neste ano ganhou o prémio da federação chilena de estudantes de poesia com “La canción de la fiesta” e a partir daí começou a publicar poemas na revista da federação, “Clarida”.
Em 1923 escreve o seu primeiro livro, “Crepusculário”. Para cobrir as despesas desta publicação viu-se obrigado a vender o relógio que o pai lhe tinha oferecido. Em 1924 encontrou quem lhe publicasse “Viente poemas de amor y una canción desesperada”. Este trabalho foi muito bem recebido pelo público e conservou a sua popularidade ao longo dos anos. Em 1927 foi nomeado cônsul em Rangoon, Birmânia, e durante 5 anos representou o seu país na Ásia. Seguidamente viajou para Ceilão e Indonésia onde casou com a sua primeira mulher de origem holandesa. Durante estes anos na Ásia escreveu “Residencia en la tierra”.
Em 1933 foi nomeado cônsul em Buenos Aires e daí data a sua amizade com o poeta espanhol Federico García Lorca. Em 1934 foi transferido para Barcelona para e depois para Madrid onde voltou a casar, desta vez com Delia del Carril. Em 1943 volta para o Chile, recebendo grande ovação dos seus conterrâneos.
Em 1945 foi eleito senador e nos 3 anos seguintes consagrou a maior parte do seu tempo aos interesses do país. A actividade política de Neruda foi interrompida quando foi eleito um governo de direita. Pablo Neruda comunista foi obrigado a ocultar a sua ideologia. Em Fevereiro de 1948, deixa o Chile.
Mas em 1952 depois da ordem para prisão dos escritores de esquerda e figuras políticas terem sido retirados, Pablo regressa ao Chile, e casa pela terceira vez com a chilena Matilde Urrutia. Entre 1960 e 1966 tem o reconhecimento internacional e a sua poesia é traduzida em quase todas as línguas. Indicado à Presidência da República do Chile, em 1969, renuncia à honra em favor de Salvador Allende.
Participante activo na campanha vitoriosa de Salvador Allende é nomeado, após a eleição de Allende, embaixador do Chile na França. Em 1971 recebe o Prémio Nobel da Literatura.
Entre as suas obras destacam-se «A canção da festa» (1921), «Crepusculário» (1923), «Vinte poemas de amor e uma canção desesperada» (1924), «Tentativa do homem infinito» (1925), «Residência na terra» (em três volumes publicados em 1931; 1935 e 1939) «Ode a Stalingrado» (1942), «Terceira residência» (1947), «Canto geral» (1950), «Odes elementares» (1954), «Navegações e retornos» (1959), «Canção de gesta» (1960).
Morreu a 23 de Setembro de 1973 em Santiago do Chile, doze dias após, o golpe militar fascista, que ditou a queda do Governo da Unidade Popular e a morte de Salvador Allende .

Mentira de Destruição Maciça

US Secretary of State Colin Powell addresses the United Nations Security Council 05 February, 2003 at the UN in New York. Powell was unveiling evidence that Iraq is harboring weapons of mass destruction in violation of UN resolutions. AFP PHOTO/Timothy A. CLARY.
O antigo secretário de Estado norte-americano Colin Powell admitiu quinta-feira que a sua apresentação em 2003 perante a ONU sobre as armas de destruição maciça (ADM) que o Iraque alegadamente tinha foi uma "mancha" na sua reputação.
"É uma mancha porque fui eu que fiz esta apresentação em nome dos Estados Unidos perante o mundo e isso fará sempre parte da minha ficha", disse Powell numa entrevista a Barbara Walters na ABCNews.
O antigo general, que foi o Secretário de Estado do presidente George W. Bush de 2001 a início de 2005, afirmou que a recordação deste episódio lhe era agora "dolorosa".
O militar-diplomata tinha feito a 05 de Fevereiro de 2003, perante o Conselho de Segurança da ONU, uma longa apresentação do dossier que os Estados Unidos elaboraram sobre as supostas ADM do regime de Saddam Hussein.
Estes argumentos serviram para justificar a invasão do país algumas semanas depois, mas nenhuma destas armas foi encontrada.
No discurso na ONU, Powell disse que se tinha baseado em informações recebidas em breafings na CIA (central de espionagem norte- americana).
O antigo secretário do Estado norte-americano desculpou quinta- feira o então director da Agência George Tenet defendendo que ele acreditava que os elementos que fornecia a eram "exactos".
Powell declarou-se também "consternado" com o facto de alguns responsáveis dos serviços secretos norte-americanos terem, segundo ele, sabido que algumas fontes não eram credíveis.
"Mas havia algumas pessoas no seio dos serviços secretos norte- americanos que sabiam na época que essas fontes não eram boas e nada disseram. Isso deixa-me consternado", disse.
Powell disse também "não ter visto" uma ligação entre os atentados anti-americanos de 11 de Setembro de 2001 e o regime de Bagdad.
"Nunca vi prova" de que houvesse uma ligação, declarou.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Índice de Desenvolvimento Humano (II)


Guerra, Paula Rego.
Mais de 109, 5 milhões de pessoas morreram devido a conflitos violentos no século XX, número três vezes superior a “ todos os séculos precedentes juntos”, segundo cálculos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Percentualmente, no século XVI morreu 0,32% da população mundial, de 493,3 milhões de pessoas, e no XVII, 1,05% dos cerca de 579 milhões de habitantes que havia no planeta.
No século XVIII a percentagem caiu para 0,92% das 757,4 milhões de pessoas que habitavam a Terra então, e no XIX voltou a subir para 1,65% do cerca de 1,1729 mil milhões de pessoas.
No entanto, no século XX a percentagem de mortos em conflitos bélicos disparou para 4,35% da população mundial, de aproximadamente 2,519 mil milhões.
Um aspecto positivo assinalado pelo relatório é que, enquanto em 1991 houve 51 conflitos violentos no mundo, em 2003 esse número foi de 29, embora as guerras sejam cada vez mais longas e sangrentas.
Por exemplo, o genocídio de Ruanda de 1994 matou cerca de um milhão de pessoas; a guerra civil da República Democrática do Congo dizimou 7% da população, e o conflito entre o Norte e o Sul do Sudão deixou sem vida aproximadamente dois milhões de habitantes e deslocou quase seis milhões.
Outra característica da evolução das guerras ao longo do tempo é que os conflitos ocorrem actualmente nos países mais pobres. Assim, uma nação com um rendimento per capita médio de 600 dólares tem a metade de risco de atravessar uma guerra civil que outra com uma média de 250 dólares.
Assim, nove dos dez países com menor Índice de Desenvolvimento Humano viveram algum conflito bélico desde 1990, e só dois deles eram democracias.
No mesmo período, tiveram conflitos violentos cinco dos dez países com a esperança de vida mais baixa, nove dos dez com maior mortalidade infantil e oito dos dez com taxa de escolaridade mais baixa.
Entre 1946 e 1989, os países em desenvolvimento com baixo rendimento per capita respondiam por cerca de um terço dos conflitos violentos. Mas entre 1990 e 2003 esse nível subiu para mais de metade.
Vivemos num mundo cada vez mais violento, não só do ponto de vista histórico. A guerra é a eliminação mais brutal do desenvolvimento humano.

À atenção das senhoras...

As doenças cardíacas são a principal causa de morte entre as mulheres europeias, segundo um estudo apresentado numa conferência na Irlanda.
As doenças cardíacas são dez vezes mais frequentes que o cancro da mama, disse o professor Ian Graham, do hospital Adelaide and Meath, de Dublin, na conferência anual da Sociedade Europeia de Cardiologia.
Segundo a professora Caroline Daley, do Royal Brompton Hospital, de Londres, o estudo realizado em 32 países europeus indica que as doenças cardiovasculares contribuem para 55% da mortalidade feminina e para 43% da masculina.
O problema, afirmam especialistas, é que as mulheres têm menos probabilidades de receber um diagnóstico correcto e uma medicação adequada quando sofrem com esse tipo de doença.
Segundo Graham, as mulheres estão, além disso, muito pouco representadas nos testes de novos tratamentos contra essas doenças.
“O risco de uma mulher morrer no prazo de um ano após sofrer um primeiro ataque cardíaco é duas vezes maior do que o do homem”, explicou o professor Graham. Segundo o médico, as doenças cardíacas desenvolvem - se nas mulheres dez anos depois do que nos homens.
Em ambos os sexos, o tabaco, um alto nível de colesterol e a hipertensão aumentam o risco de sofrer de algum ataque cardiovascular.
Depois da menopausa, as mulheres que apresentam esses factores de risco têm mais riscos de desenvolver uma doença cardiovascular que os homens de mesma idade. Os riscos de morrerem também são maiores.
As probabilidades de uma mulher ser submetida a uma cirurgia cardiovascular, por outro lado, são menores. Além disso, o sexo feminino responde pior ao tratamento para desbloquear as artérias, porque geralmente a doença entre as mulheres é detectada numa idade mais avançada.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Índice de Desenvolvimento Humano


O índice de desenvolvimento humano, que mede as realizações de um país em termos de esperança de vida, nível educacional e rendimento real, coloca em primeiro lugar a Noruega, como no ano passado, e em último (177º lugar) o Níger (que trocou de lugar com a Serra Leoa). Portugal desceu um lugar na lista de países mais desenvolvidos do mundo e está agora em 27º, atrás da Eslovénia, segundo o relatório deste ano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
No relatório do ano passado Portugal estava em 26º lugar, à frente da Eslovénia. Em relação aos 25 países da União Europeia (UE), 15 estão à frente de Portugal, com os nove em pior situação a fazerem todos parte do grupo que entrou no ano passado.Da EU, o melhor posicionado, em quarto lugar, é o Luxemburgo, seguindo-se a Suécia, em sexto. A Grécia está em 24º e a Espanha em 21º. Abaixo de Portugal mas perto, em 29º lugar, está o Chipre, seguindo-se em 31º a República Checa e logo depois Malta. A Letónia é o país da UE em pior posição, em 48ª, ainda assim dentro dos 57 com desenvolvimento elevado.
No “mapa” do mundo em termos de desenvolvimento os primeiros 57 países são considerados como tendo um desenvolvimento humano elevado, seguindo-se como tendo desenvolvimento humano médio os numerados entre 58 e 145. De 146 a 177 estão os com desenvolvimento baixo. Dos países de língua oficial portuguesa destaca-se Timor-Leste, que está este ano em 140º lugar, no grupo dos países com desenvolvimento humano médio. No ano passado estava junto dos mais pobres, em 158º lugar.
O Brasil subiu também este ano, de 72º para 63º lugar, enquanto Cabo Verde se manteve no 105º lugar. S. Tomé e Príncipe desceu este ano, passando de 123º para 126º lugar, ainda assim dentro dos países de desenvolvimento médio. No grupo dos 32 países com desenvolvimento humano baixo estão este ano, como no ano passado, os outros três países de língua oficial portuguesa: Angola, Moçambique e Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau ocupa este ano a mesma posição, a 172ª, a cinco lugares do fim da lista. Moçambique registou uma subida, passando do 171º lugar para 168º, e Angola subiu também seis posições, estando este ano em 160º lugar. Do outro lado da lista, nos 10 primeiros lugares, destaca-se a subida de cinco lugares da Islândia, este ano em segundo lugar, e do Luxemburgo, que em 2004 ocupava a 15ª posição e está agora em quarto lugar.A Holanda, pelo contrário, caiu do quinto lugar para o 12º.
Lusa
Link:hdr.undp.org. (O ranking está na página 219 e seguintes)

O ilustre inventor Fernando Nogueira Gonçalves, fez este excepcional comentário, que não resisto a colocar no post.

Portugal cinzento e enjoado
Neste país de feição triste
Em que o político insiste
Pensando que o povo é parvo
Portugueses e Portugal mirrado
Por oportunistas enganado.

Sugaram-te o corpo e a mente
A terra queimada, vazia e pobre
As gentes buscando melhor sorte
Que aqui é tristeza e miséria
Com futuro adivinhando a Sibéria
Num Portugal pobre e doente.

Quando é que vais acordar
Apear os que te consomem
Portugueses que ainda dormem
Neste sono longo e profundo
Que te vai levar ao fundo
Se continuares a acreditar.

Já não poderás remediar
Os erros que deixaste fazer
Porque te deixaste adoecer
Nessa doença contagiante
Maleita que te pôs delirante
Pelos idiotas que estás a aguentar.

fernando nogueira gonçalves(inventor de rua) Fundão 2005
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Professora demitida por ser “muito sexy"


Ainda não se sabe o que levou a Igreja Católica Romana a demitir uma professora de religião, se foi a aparência ou o estilo de vida, provocando um frenesim nos jornais italianos.
Caterina Bonci disse que autoridades eclesiásticas decidiram que ela era simplesmente atraente demais e se vestia de forma muito sexy para ensinar religião, após 14 anos no ensino. A Igreja disse ter demitido a loira de 38 anos, da cidade de Fano, porque ela é divorciada.
Caterina Bonci exige que a deixem voltar a ensinar religião às crianças em escolas estaduais em nome da diocese local. Disse que, nunca escondeu o seu estado de divorciada das autoridades eclesiásticas, que se vestia com roupas discretas quando estava no trabalho e defendeu seu direito de se vestir como quiser em sua vida privada.
“Não vejo o que importa se uma professora é atraente ou não, contanto que ela seja qualificada”, disse .
“Na escola, visto-me normalmente. Na minha vida privada, tenho todo o direito de me vestir da maneira que quero.”
Os advogados da diocese dizem que ela foi demitida porque era divorciada e, portanto, não poderia ensinar religião para uma Igreja que não reconhece o divórcio.
Bonci disse que se separou do seu marido em 1995 e que se divorciou em 2000, e que ambos os eventos não afectaram o seu trabalho e não levantaram questões à Igreja Católica na época.
Os relatos de que os pais acompanhavam os filhos para as aulas de religião a fim de vê-la significavam pouco para ela, contanto que as crianças continuassem indo às aulas. Apesar de o seu caso a ter tornado conhecida em toda a Itália, Caterina Bonci diz que apenas “gostaria de ter meu emprego de volta. É um direito”.

Reuters

terça-feira, setembro 06, 2005

A mão esquerda lava a direita...


A União Europeia e a China, alcançaram ontem em Pequim, um acordo que poderá desbloquear os 80 milhões de artigos têxteis chineses retidos nas fronteiras comunitárias.
O acordo, obtido a escassas horas do início de uma cimeira UE-China, prevê a partilha entre as duas partes dos custos da comercialização, no mercado europeu, de cerca de 80 milhões de peças de vestuário e tecidos importados da China, a que havia sido negada a entrada na UE devido ao esgotamento das quotas relativas a sete de dez categorias de têxteis “made in China”, negociadas, em Junho, pelo Acordo de Xangai, em vigor até 2007.
O documento ontem assinado determina que a China transferirá cerca de metade dos produtos (40 milhões) para as quotas do próximo ano, o que implica a redução das taxas de crescimento das suas exportações de “soutiens”, calças e camisolas para a Europa, em 2005 e 2006, de 10 para 7,5%.
Em contrapartida, a UE aceita que as quotas recentemente restabelecidas pelo Acordo de Xangai, sejam excedidas em 40 milhões de artigos, sendo que uma parte dos produtos pertencentes a categorias cuja quota já foi ultrapassada será transferida para outras, cujo limite ainda não foi atingido.
As duas partes vão, assim, partilhar a responsabilidade pelas consequências económicas e comerciais do desalfandegamento, a partir da próxima semana, dos artigos bloqueados às portas da União.
Por outro lado, a empresa aérea chinesa China Southern Airlines encomendou nesta terça-feira dez aviões Airbus A330 no total de 1,2 mil milhões de Euros. Os aviões, com capacidade para mais de 300 passageiros cada, devem ser entregues até 2008. A assinatura do contrato foi testemunhada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que foi à China numa missão de negócios da União Europeia (UE).
Parece que a União Europeia, liderada por José Manuel Barroso, está mais interessada em vender tecnologia de ponta e aviões do que defender os produtores de têxteis e calçado europeus. O grave problema é que o sector têxtil e calçado emprega duzentos mil portugueses. Sou contra políticas proteccionistas, no entanto, o Governo português terá que salvaguardar os interesses dos produtores portugueses de têxteis e calçado, e não se deixar levar pelos interesses expansionistas de alguns exportadores europeus, de tecnologia de ponta e outros produtos, na sua ânsia de conquistar o mercado chinês, à custa dos produtores de têxteis e calçado.

E Tudo o Vento Levou


O filme E Tudo o Vento Levou, de 1939, lidera a lista dos filmes de maior sucesso nas bilheteiras americanas de todos os tempos. O segundo lugar na lista, publicada pela revista especializada em cinema Screen Digest, ficou a Guerra nas Estrelas, de 1977. O valor arrecadado com os filmes foi ajustado para valores actuais, levando em conta a inflação.
Além de E tudo o Vento Levou, outra produção da década de 30 também aparece no topo da lista: Branca de Neve e os Sete Anões, de 1937, que ficou no 10º lugar.
O filme mais recente a aparecer na lista é Titanic, de 1997, em sexto lugar.

Os dez mais

1. E Tudo o Vento Levou (1939)
2. Guerra nas Estrelas (1977)
3. Música no Coração (1965)
4. ET - O Extraterrestre (1982)
5. Os Dez Mandamentos (1956)
6. Titanic (1997)
7. Tubarão (1975)
8. Doutor Jivago (1965)
9. O Exorcista (1973)
10. Branca de Neve e os Sete Anões (1937)


A década de 70 é a mais representada entre os dez primeiros, com Tubarão (1975) e O Exorcista fazendo companhia ao clássico dirigido por George Lucas.
Na lista dos cem filmes mais rentáveis em bilheterias americanas, a Fox é quem aparece com o maior número de títulos, 17 no total. Disney e Paramount vêm em seguida, com 15 cada.
Fonte: Screen Digest

Terrorismo no Iraque pior que no Afeganistão


A invasão do Iraque, liderada pelos Estados Unidos, transformou este país num novo centro de terrorismo, pior do que o Afeganistão sob o regime Taliban, disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan,, ontem.
Kofi Annan—que descreveu como ilegal a invasão dos EUA e da Grã-Bretanha para derrubar o ex-presidente Saddam Hussein—disse à emissora de rádio BBC que a guerra no Iraque está a alimentar o ódio dos muçulmanos em todo o mundo.
“Acho que numerosos muçulmanos profundamente descontentes hoje. Descontentes porque se sentem vitimas, se sentirem isolados, sentem-se vitimas na sua própria sociedade e sentem-se vitimas no Ocidente... E a situação no Iraque não ajuda a resolver as questões”, disse.
“As pessoas costumavam-se preocupar com o Afeganistão como o centro das actividades terroristas, a minha percepção é a de que o Iraque tornou-se um problema maior e, na verdade, pior do que o Afeganistão”.
Reuters

segunda-feira, setembro 05, 2005

Setembro Negro

No dia 5 de Setembro de 1972, o mundo acordou atordoado. Os brilhantes recordes e as sete medalhas de ouro do nadador americano Mark Spitz foram ofuscados pela terrível acção terrorista, de uma organização palestiniana contra a delegação israelita, deixando atónita grande parte da população mundial.
Eram 4h30 da manhã de 5 de Setembro, durante a última semana dos Jogos, quando cinco terroristas usando roupas desportivas escalaram a grade que cercava a vila olímpica. Já dentro da vila onde os atletas estavam alojados, encontraram-se com mais três que já haviam entrado com credenciais. No espaço de 24 horas, 11 israelitas, 5 terroristas e um polícia alemão morreriam, manchando de sangue a até então tranquila Olimpíada alemã e a para sempre a memória dos Jogos Olímpicos. Pouco antes das 5h da manhã, os terroristas já estavam no sector da delegação israelita, que havia formado um grande esquema de segurança para os jogos. Mesmo com as intensas medidas de segurança, o grupo armado não encontrou dificuldade para realizar a acção. Assim que chegaram ao andar da delegação, bateram na porta do quarto do técnico Israelita Moshe Weinberg que imediatamente a abriu, percebeu que havia algo de errado e começou a gritar. Weinberg e o halterofilista Joseph Romano tentaram segurar a porta enquanto outros atletas escapavam, mas ambos foram mortos. Logo depois, os terroristas cercaram nove israelitas e fizeram-nos reféns. Às 9h30, os terroristas anunciaram que eram palestinianos pertencentes ao desconhecido grupo “Setembro Negro”. Em troca dos reféns, exigiam a libertação de 234 prisioneiros árabes em prisões israelitas e de dois terroristas alemães que estavam detidos em Frankfurt. Também exigiram um avião para deixarem o país.
O governo israelita não quis negociar com os terroristas. Assim, quem deveria zelar pela vida dos reféns eram os alemães, que organizavam os jogos. Foram horas de negociações e de uma tensão que envolveu até os demais participantes daquelas Olimpíadas. Alguns atletas judeus, como o norte-americano Mark Spitz, maior recordista da história da natação até aquele momento, resolveram antecipar a volta para casa. As delegações inteiras da Noruega e da Holanda também se retiraram. Para tentar salvar a vida dos reféns, a polícia de Munique resolveu simular uma concessão. Foi combinado que os terroristas iriam de helicóptero até a base aérea da NATO em Firstenfeldbruck e depois embarcavam num avião para o Cairo, onde supostamente seriam recebidos sem nenhuma punição. Atiradores de elite do exército alemão foram posicionados na base com ordens de matar todos os terroristas mesmo antes de entregar os reféns.
Os terroristas pousaram na base às 22h30. Era o início da tragédia: os palestinianos perceberam a emboscada e lançaram uma granada para o helicóptero onde estavam os nove reféns. Todos foram mortos, dando início a um terrível tiroteio, em que cinco terroristas, um dos cinco atiradores alemães e o piloto de um dos helicópteros morreram. Três palestinianos foram capturados e levados para uma prisão alemã. Tudo levaria a crer que ali se encerrariam os Jogos Olímpicos de Munique, mas o Comité Olímpico Internacional (COI) resistiu e manteve o andamento dos jogos, realizando uma cerimónia dedicada à memória dos atletas. As Olimpíadas desenrolaram-se até ao fim. Mas nada conseguiu apagar aquele acontecimento, o mais trágico nos 108 anos de história dos Jogos Olímpicos na era moderna. Na época, os orgãos de informação internacionais,l responsabilizaram de certa forma as autoridades alemãs, que não tiveram calma para negociar com o grupo e optaram por tentar matá-los mesmo sem ter garantias de vida para os atletas israelitas. A polícia de Munique disse que não teve outra alternativa, pois o governo israelita negou-se a atender as exigências dos terroristas. Mais de 20 anos depois, o único terrorista ainda vivo culpou a então primeira-ministra de Israel, Golda Meir, e os serviços secretos israelitas, Mossad, alegando, que foi a intransigência do governo de Israel em negociar que levou às mortes.
Quem eram os terroristas de Munique?
O grupo que perpretou o ataque dizia ser pertencente ao "Setembro Negro". Uma organização dissidente da OLP de Arafat supostamente criada após um conflito em Setembro de 1971 entre soldados jordanos e palestinianos em Aman e em outras cidades da Jordânia.A Mossad e outras organizações israelitas afirmam que foi o líder da OLP, Yasser Arafat, quem forjou o grupo para poder lançar ataques terroristas sem sujar o nome da Organização.O envolvimento de Arafat no massacre de Munique continua indefenido.O único terrorista de Munique sobrevivente, Abu Daoud, disse na autobiografia "Memórias de um Terrorista Palestiniano", lançada em 1999, que Yasser Arafat ordenou o ataque à vila olímpica de Munique e escreveu ainda que o grupo não tinha intenção de matar os israelitas. Além disso, Daoud disse que o ataque foi perpetrado pela Fatah, de Arafat e que o nome "Setembro Negro" foi usado para proteger a imagem internacional da Fatah e os interesses políticos da OLP. "Não havia a organização Setembro Negro.A Fatah anunciou a operação sob esse nome para o grupo não aparecer como responsável directo da operação", disse.Daoud, recebeu o Prémio Palestiniano da Cultura em 1999 pela sua obra.Arafat negou sempre, veementemente, o seu envolvimento no ataque e disse que tais acusações faziam parte da estratégia israelita de desmoralizá-lo.O facto é que até hoje não há nenhuma evidência a mais do seu envolvimento no ataque.Com a morte de Arafat, no ano passado, o mistério será eterno.

domingo, setembro 04, 2005

UEFA: 50 anos de competições europeias


A União Europeia de Futebol (UEFA) comemora hoje 50 anos de competições europeias de clubes.O primeiro jogo da Taça dos Clubes Campeões Europeus (actual UEFA Champions League) foi disputado no dia 4 de Setembro de 1955. O Estádio Nacional, no Jamor, foi o palco escolhido, Sporting e FK Partizan de Belgrado as formações em confronto, o resultado final saldou-se numa igualdade a três golos.
As duas equipas estavam entre os 16 conjuntos que tinham carimbado a presença no campeonato europeu de clubes, concebido por Gabriel Hanot, editor do jornal desportivo francês L’Equipe, e adoptado pela recém-criada UEFA. A prova englobava equipas que não eram, propriamente, as mais cotadas dos seus países, um pouco à semelhança do que acontece actualmente na Liga dos Campeões. Sporting e Partizan estavam, precisamente, entre esse lote de clubes, juntamente com RSC Anderlecht, AGF Århus, Djurgårdens IF, AC Milan, Real Madrid CF, Stade de Reims Champagne e SC Rot-Weiss Essen, os sete campeões entre os 16 competidores. O Sporting, vencedor do campeonato português na época 1953/54 e ainda campeão em título quando decorreu o sorteio da prova, acabaria no terceiro posto em 1955, enquanto o Partizan se quedou, apenas, pelo quinto lugar da Liga jugoslava, na época 1954/55.
De qualquer forma, o primeiro de oito jogos referentes à ronda inaugural da primeira eliminatória, disputado em Lisboa, contou com uma excelente moldura humana, na ordem dos 30,000 espectadores. O Sporting apresentou-se moralizado pela extraordinária linha avançada, composta por , Manuel Vasques, , José Travassos e Albano Pereira, os que restavam do famoso quinteto conhecido pelos “cinco violinos”. Já os visitantes contavam com a presença de Branko Zebec e Milos Milutinovic, ao lado das estrelas do ataque, Stjepan Bobek e Marko Valok
Apesar das más condições atmosféricas, João Martins ofereceu, bem cedo, a liderança do marcador ao Sporting, uma vantagem que Milutinovic se encarregou de anular à beira do intervalo. O mesmo jogador haveria mesmo de colocar o Partizan em vantagem à passagem dos 50 minutos, antes de uma sequência de três golos em 15 minutos. Quim empatou para os leões, Bobek repôs a vantagem dos visitantes, mas Martins restaurou a igualdade, a 12 minutos do final.
Ficha do Jogo:
Sporting 3 - 3 Partizan
Local: Estádio Nacional (Lisboa) - 04/09/55
SPORTING
Carlos Gomes; Manuel Caldeira, João José Galaz, Armando Barros, Manuel Passos, Juca, Hugo Sarmento, Manuel Vasques, João Martins, José António Travassos, Quim
Treinador: Alejandro Scopelli
PARTIZAN
Slavko Stojanovic; Bruno Belin, Cedomir Lazarevic, Ranko Borozan, Branko Zebec, Bozidar Pajevic, Prvoslav Mihajlovic, Milos Milutinovic, Marko Valok, Stjepan Bobek, Anton Herceg
Treinador: Aleksandar Tomasevic
Golos: Martins 14, 78, Quim 65 / Milutinovic 45, 50, Bobek 73
Árbitro: Dean Harzic (França)
O encontro da segunda mão teve lugar a 12 de Outubro, com Milutinovic a apontar quatro golos no triunfo, por 5-2, da formação do Partizan.
William Gaillard, director de comunicação da UEFA, destacou a importância da ocasião: “O que aconteceu em 1955 foi algo extraordinário. Em pleno período da Guerra Fria, o futebol desempenhou, neste caso, um papel unificador. De um lado tínhamos um clube da Jugoslávia de Tito a visitar uma equipa de Portugal, então subjugado ao regime de Salazar. Tratou-se de um feito espectacular. O futebol antecipava, de várias formas, a união da Europa, que viria a acontecer 35 anos depois.
Durante os 50 anos, a UEFA organizou várias competições, como a Taça das Cidades com Feira e a Taça das Taças, ambas já extintas, a Taça dos Campeões Europeus, actualmente Liga dos Campeões, a Taça UEFA e a Supertaça Europeia. A primeira final da Taça dos Campeões Europeus, disputada a 13 de Junho de 1956, em Paris, foi ganha pelo Real Madrid, ao bater o Stade de Reims Champagne, por 4-3. “Quando a UEFA foi fundada, em 1954, teve, na sua origem, a necessidade urgente de criar competições europeias de clubes. Assim sendo, é importante, após o ano do Jubileu da UEFA (em 2004, por ocasião do Euro2004), que reconheçamos devidamente o papel crucial que a UEFA desempenhou no futebol europeu de clubes”, afirmou o porta- voz do organismo William Gaillard.

sábado, setembro 03, 2005

Greenpeace Critica Duramente Bush

O Greenpeace criticou duramente ontem o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, por supostamente subordinar o seu Governo às empresas petrolíferas e ignorar os alertas sobre os efeitos da mudança climática no planeta. Linkgreenpeace.org/mexico.
“A Administração Bush, subordinada à indústria petrolífera, ao negar reconhecer a mudança climática e seus possíveis impactos, fez com que não fossem tomadas medidas preventivas em áreas altamente vulneráveis, como New Orleans”, disse o director do Greenpeace México, Alejandro Calvillo.
Bush negou-se a assinar o Protocolo de Quioto e a reconhecer os impactos da mudança climática. Isto levou-o a recusar-se a tomar medidas para diminuir os impactos provocados por este tipo de evento climático. Hoje as consequências desta política estão aqui”, acrescentou o activista em comunicado.
Paradoxalmente, a indústria petrolífera também é vítima dessa política, pois 95% do petróleo e 98% do gás produzidos na plataforma continental são obtidos na região do Golfo do México, onde além disso há um grande número de refinarias”.
“Hoje tudo isto também está paralisado devido aos impactos do furacão Katrina”, acrescentou Calvillo na nota.
O comunicado citou ainda o relatório de 2001 “Confrontando a Mudança Climática na Região do Golfo”, em que duas organizações alertaram para a vulnerabilidade do litoral sul dos EUA diante desses fenómenos meteorológicos.
Os autores daquele estudo foram a Ecological Society of America (ESA) e a Union of Concerned Scientists (UCS).
Essas organizações advertiram então que o litoral sul dos EUA era vulnerável a um eventual aumento na potência dos furacões devido ao “aquecimento da superfície do mar tropical e extra - tropical”.
O Greenpeace disse que “o Governo de Bush tomou a decisão de reduzir o orçamento destinado à infra-estrutura de protecção de New Orleans, como diques e outro tipo de barreiras”, acrescentou Calvillo.



A organização ambientalista disse que os estados americanos da Louisiana, Mississippi, Texas e Florida são os mais vulneráveis aos furacões.
Trata-se de uma região com população maioritariamente democrata, pobre e negra”, afirmou o comunicado.O Greenpeace lembrou que até o momento o furacão mais devastador na região sul dos EUA foi o Andrew, em 1992, que deixou um prejuízo calculado em US$ 27 mil milhões, mas antecipou que os do Katrina podem chegar a US$ 50 mil milhões.


COMENTÁRIO DE C. INDICO.
Segundo soubemos pelos orgãos de informação comuns, dias antes já se sabia que o furacão ia lá bater.
1-Atrasadamente foi dada a ordem de Evacuação;
2-Uma parte substancial da população, os que tinham viaturas e dinheiro para pagar hotelaria, fujiu;
3-E os outros, a maioria?Parece-me, que seguindo certa corrente de pensamento,não são dignos de qualquer atenção. Não houve qualquer actividade prévia - isto é que assusta!
4-Os lugares de refugio, os hospitiais, os transportes, a segurança publica, nada, nada,nada foi preparado.Ou pior, foi calmamente ignorado. Sómente um ditado luso: tudo ao molhe e fé em Deus.
5-Já vêmos Economistas conceituados a dizerem que o Estado não deve gastar um centimo, porque estes desgraçados não pagam impostos, porque deverão os outros pagar por eles?.Têm razão.já vemos os Cristãos Renascidos -além dos Arrependidos- a dizerem que "a cidade está a pagar os seus pecados, tudo normal",etc.Têm razão.A 1ª medidad práctica foi pedir soldados com treino de Guerra!Têm razão.
6-Nas redondezas as pessoas estão-se a armar, "porque eles vêem sem nada e é normal que nos ataquem!".Têm razão.
7-A censura mediática em força,quando teremos reportagens como do Tsumani????,onde estão as outras zonas desvastadas?
8- Diz a nossa direita blogueira que num país como os EUA os responsáveis de CERTEZA serão responsabilizados!
9-Que indigência intelectual.Pelos menos "ter pena" dos que tudo perderam, pelo menos tão pouco.
10-Bush não vai ser afectado em nada.Se me perguntarem porque digo isto, respondo: Não sei.É uma resposta demasiado longa para caber aqui.Brevemente ninguém falará deste horror.Os amigos do Presidente vão receber muito dinheiro do Estado,dos contribuintes, para a reconstrução.É uma boa oportunidade que não deve escapar.Têm razão.Eles e ele.Tento não ser perverso em pensamento.
C. INDICO

sexta-feira, setembro 02, 2005

Nature


A fotomontagem não tem nada a ver com a notícia, de todas as maneiras, se quiser ver os pormenores, clique na fotografia para aumentar.
Homem e chimpanzé partilham 96 por cento do código genético
A primeira comparação do genoma do Homem e do chimpanzé revela que 96 por cento da sequência de ADN dos seres humanos é igual à destes primatas, segundo um estudo hoje publicado na revista Nature.
Investigadores do Instituto Nacional de Saúde e do Instituto Nacional de Investigações sobre o Genoma Humano (NHGRI), nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez sequenciar o genoma do chimpanzé e compararam-no com o do Homem.
Trata-se de da primeira sequenciação do genoma de um primata não humano e a quarta de um mamífero, incluindo o Homem, em 2001.
A equipa constatou que as grandes semelhanças entre os chimpanzés e os seres humanos os tornam dez vezes mais parecidos do que os ratos com as ratazanas e sessenta vezes mais do que os ratos e os próprios humanos.
Para esta investigação, os cientistas utilizaram o ADN (Ácido Desoxirribonucleico) do sangue de um chimpanzé macho de 24 anos, Clint, e descobriram que este primata partilha com o humano 29 por cento das suas proteínas.
Segundo os investigadores os genomas do Homem e do chimpanzé contêm um número idêntico de genes - entre 20 mil e 25 mil em três milhões de pares de bases (letras químicas que formam os genes) de ADN.
Os investigadores concluíram que os pares de bases totalmente diferentes entre as duas espécies representam apenas 1,2 por cento do total dos seus genomas, e que 2,7 por cento das diferenças existentes entre ambos os genomas se deve a processos de duplicação genética.
A restante diferença - até aos quatro por cento - que separa o Homem do chimpanzé é fruto de outros acontecimentos ao longo da evolução.
Lusa

O último antepassado comum às duas espécies viveu há cerca de seis milhões de anos, segundo os cientistas, apesar de a fotografia os desmentir.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Massacre de Beslan


1 de Setembro de 2004.
Era o primeiro dia de aulas.

Um dia de festa para centenas de crianças.
Pais, filhos e professores confraternizavam, num ambiente alegre.
Tiros inesperados.
Explosões súbitas.
Um comando tchetcheno sequestrou 1.200 pessoas na escola número 1 de Beslan, Ossétia do Norte, a maior parte das quais crianças que assistiam à cerimónia de início do ano escolar.

Cianças aterrorizadas, aos gritos e choros, agarradas aos adultos que nada poderiam fazer, sem água, sem comida, sobre um calor sufocante, vigiadas por terroristas armados e mascarados.
Os que resistiram foram abatidos imediatamente.
O assalto das tropas russas, a 3 de Setembro, é a resposta aos terroristas, deixando um rasto de sangue e de morte, de 331 civis, 186 dos quais crianças, além de 31 terroristas.
Um campo de flores à sua memória.
Para não esquecer.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Solidariedade


Quando a 14 de Agosto de 1980, os trabalhadores do estaleiro naval de Gdansk, na Polónia, iniciaram uma greve para protestar contra o despedimento da operária Anna Walentynowicz, uma militante de um grupo anticomunista, estavam longe de sonharem, que era o começo do fim do agonizante regime comunista na Polónia. Seguiram-se 18 dias de luta sindical, liderado pelo então electricista Lech Walesa. A paralisação do sector naval terminou a 31 de Agosto com um acordo entre os grevistas e o regime comunista que deu aos trabalhadores o direito de criar a sua própria organização sindical, o Solidarnosc. Hoje comemora-se os 25 anos desta heróica jornada, que marcou o começo da desintegração do sistema comunista. Praticamente todos os países que formavam o antigo bloco comunista do leste europeu, da Albânia até a Geórgia passando pela Lituânia e Montenegro, estarão representados na cerimónia de comemoração do que foi o primeiro sindicato livre e independente do mundo comunista. No total, comparecerão em Gdansk, local de criação do sindicato, 23 presidentes e primeiros-ministros, além de representantes de muitas instituições internacionais, como o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, uma delegação do Parlamento Europeu ou a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).Estarão presentes altos representantes da França e dos Estados Unidos, o antigo Presidente George Bush, e também todas as grandes centrais sindicais do mundo que tanto ajudaram o sindicato polaco na época em que era perseguido e castigado pela ditadura do general Jaruzelski. Mas nem todos reconhecem o sindicato, responsável pelo acordo pioneiro assinado entre o regime e os operários em greve do estaleiro de Gdansk, que então tinha o nome de Lenin, como responsável pelo início da crise que levou ao desaparecimento da União Soviética. Os organizadores do aniversário, liderados por Lech Walesa - o mítico líder das greves e fundador do Solidariedade - convidaram, entre outros, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, pois queriam ter nas suas comemorações o dirigente da União Soviética que deu início à "Perestroika" e abriu caminho para a democratização da Rússia. No entanto, Gorbachov rejeitou o convite pois, como declarou a um jornal alemão, “sem querer menosprezar a importância do Solidariedade para os polacos, não acho que o seu papel tenha sido tão importante como alguns pensam. Acho que sem a minha "Perestroika" tudo teria continuado como antes”. Os polacos admitem que Gorbachov e sua "Perestroika" foram muito importantes, mas afirmam que foi o Solidariedade que mostrou que o modelo comunista tinha se esgotado. Esse talvez seja o motivo das várias ausências importantes em Gdansk, sobretudo de altos representantes da Rússia. Estará presente o dirigente da luta pelos direitos humanos, Serguei Kovaliov, mas não haverá ninguém que possa confirmar que o Solidariedade já não desperta em Moscovo a mesma hostilidade que despertava nos tempos de Brejhnev. Na época, parecia que o Exército Vermelho entraria na Polónia para esmagar os rebeldes e restabelecer a ordem, como fez em 1956 na Hungria e em 1968 na Checoslováquia. Com as greves de 1980 e sem derramar uma única gota de sangue, o Solidariedade conseguiu o que jamais havia sido conseguido na Polónia: recuperar a independência e a soberania, refazer a democracia e a economia de mercado. Com apenas três meses de existência, o primeiro sindicato livre e independente do Leste europeu já contava com 10 milhões de membros. A lei marcial decretada pelo general Wojciech Jaruzelski, em Dezembro de 1981, constituiu uma tentativa de acabar com o sindicato. No entanto, a medida teve um efeito contrário. O Solidariedade entrou na clandestinidade e com uma resistência ininterrupta, levou os dirigentes comunistas a sentar-se à mesa com os sindicalistas para negociar. No momento de assinar o acordo, num um gesto carregado de simbolismo, Walesa tirou do bolso uma caneta com o retrato do Papa João Paulo II. O dirigente sindicalista quis mostrar que a Igreja cumpriu um papel fundamental, quando o regime comunista impôs a lei marcial no país, para tentar destruir o Solidariedade e sufocar todas as aspirações de liberdade da população.

terça-feira, agosto 30, 2005

Che Guevara


Família de Che Guevara vai combater mau uso da sua imagem.
Com a sua foto presente em pósteres de bandas de rock, bonés de beisebol e lingerie feminina, o revolucionário Che Guevara já foi absorvido pela sociedade de consumo que ele morreu tentando derrotar.
A imagem do guerrilheiro argentino com olhar distante, de cabelos longos debaixo de uma boina com uma estrela, já virou ícone popular omnipresente do século 20. A foto foi feita por um fotógrafo cubano em 1960 e impressa em cartazes por um editor italiano após a execução de Che Guevara na Bolívia, sete anos mais tarde. A fotografia despertou a imaginação dos estudantes parisienses que se revoltaram nas ruas em Maio de 1968 e virou símbolo da revolta idealista de toda uma geração. Além de ser uma das fotos mais reproduzidas do mundo, a imagem de Che tornou –se numa das mais usadas em publicidade de produtos dos mais variados, e a família do guerrilheiro resolveu fazer um esforço para pôr fim a isso.
A família pretende mover acções judiciais em vários países contra empresas que estejam a explorar a imagem de Che. Advogados de vários países já se ofereceram para ajudar. Em entrevista, a viúva cubana de Guevara, Aleida March, explicou: “Não podemos atacar todo o mundo com lanças, como Dom Quixote, mas podemos tentar conservar a ética” do legado de Che.
A viúva, que comanda o esforço desde o Centro de Estudos Che Guevara, que será aberto em Havana este ano, disse que o centro pretende restringir o uso descontrolado da imagem de Che.
“Será um trabalho caro e difícil, porque cada país tem as suas leis, mas é preciso impor limites”, disse à Reuters a filha do lendário guerrilheiro, Aleida Guevara.
A Swatch já usou a imagem de Che Guevara num relógio de pulso, e o rosto de Che é usado para vender vodka. A supermodelo Gisele Bundchen chegou a desfilar com um biquini da marca Cia. Marítima com o rosto de Che estampado. Mas uma acção bem-sucedida contra a vodka Smirnoff na Grã-Bretanha em 2000 lançou o precedente das acções judiciais, determinando a propriedade da imagem fotográfica.

A foto mundialmente famosa foi feita pelo fotógrafo Alberto Diaz, mais conhecido como Korda, no funeral de vítimas da explosão de um cargueiro francês que levava armas para Cuba, um ano após a vitória da revolução cubana liderada por Fidel Castro, com a ajuda de Che Guevara.
A foto de Korda não foi publicada pelo jornal onde trabalhava, no dia seguinte. Sete anos mais tarde, quando o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli apareceu procurando uma foto para a capa de uma edição do “Diário Boliviano” de Che, Korda deu-lhe duas cópias da foto de graça.
Che Guevara foi capturado seis meses depois na selva boliviana, após o fracasso da sua tentativa de fazer uma revolta de camponeses na Bolívia. Ao ouvir a notícia de sua morte, Feltrinelli cortou a foto e publicou pósteres grandes, que em pouco tempo, venderam 1 milhão de cópias. O guerrilheiro foi transformado em mártir, celebridade pop e ícone radical. Korda disse que nunca recebeu um centavo de Feltrinelli. A febre em torno de Che Guevara foi intensificada no ano passado pela exibição do filme “Diários de Che Guevara”, de Walter Salles, sobre a viagem pela América do Sul feita por Che quando era um jovem estudante de medicina.
Reuters

Espero que uso da sua imagem, aqui na Fábrica, seja considerado pela família uma correcta utilização da fotografia de Che Guevara.

Falsa Crença Ameaça Espécies


A falsa crença de que os ovos de tartaruga marinha têm poderes afrodisíacos põe em perigo, todos os anos, o processo reprodutivo de mais de 1 milhão de animais que chegam ao litoral do México para desovar.
Mercados, barracas de rua e até restaurantes oferecem clandestinamente os ovos e a carne de tartaruga, cujo tráfico com fins comerciais é punido no México como crime grave desde 2002.
Os poderes atribuídos aos ovos de tartaruga “são um falso mito urbano sem qualquer base científica”, disse Luis Fueyo, director de Inspecção de Recursos Marítimos da Profepa (Procuradoria Federal de Protecção Ambiental).
O consumo desse produto começou há mais de 1.000 anos, quando fazia parte da dieta alimentar dos índios Zapotecas e de outras etnias. Estes grupos, no entanto, não atribuíam poderes extraordinários ao alimento, além dos meramente nutritivos.
No litoral mexicano estão contabilizadas 144 praias nas quais habitam seis espécies de tartarugas que,num ritual ancestral, retornam todo os anos ao mesmo lugar onde nasceram.
Embora cada ninho possa ter mais de cem ovos, calcula-se que apenas uma em cada 1.000 tartarugas que chegam à água alcançam a idade adulta.
As praias do Estado de Oaxaca e de Guerrero, no Pacífico, recebem todo ano quase 1 milhão de tartarugas da espécie oliva, a mais comum no México, e da qual procedem 90% dos ovos.
Para conter a comercialização deste produto, o governo mexicano estabeleceu patrulhas nas principais praias, que são vigiadas por 500 efectivos da Profepa, da Agência de Investigação Federal, da Marinha e das polícias locais.
Neste ano, diversas organizações—Wildcoast, Fundo de Conservação da Natureza e Wallace Research Foundation—lançaram uma campanha, onde a modelo argentina Dorismar garante, com atitude provocativa, que “o seu homem” não precisa de ovos de tartaruga.

Não tenho nenhuma razão para duvidar desta afirmação.

Jimi Hendrix


Nova biografia sobre Jimi Hendrix 35 anos após a sua morte
Depois da biografia definitiva de Kurt Cobain, o líder dos Nirvana, Charles R. Cross agora volta-se para Jimi Hendrix. Três décadas e meia depois de sua morte em Londres, o impacto impressionante deixado pela sua carreira de apenas quatro anos colocou Hendrix num lugar de destaque no panteão do rock.
Com “Room Full of Mirrors A Biography of Jimi Hendrix”, Charles Cross pode acrescentar pouco ao que se sabe sobre o que aconteceu a Hendrix , excepto uma anedota deliciosa: quando um “pub” de Liverpool se recusou a servi-lo, em 1967. Hendrix imaginou que isso tinha acontecido porque era negro, ou porque era um hippie. Nenhuma das duas razões estava certa: havia um circo na cidade e era norma do “pub” proibir a presença de palhaços fantasiados...

in JN
Jimi Hendrix vestia-se, como toda a gente na época, um pouco para o exagerado quase palhaço mas foi, é, o maior guitarrista de todos os tempos.

segunda-feira, agosto 29, 2005

domingo, agosto 28, 2005

I Have a Dream


Discurso de Martin Luther King , em 28 de Agosto de 1963.
Audio-Linkamericanrhetoric (Podem ler este post e ouvir o discurso de Martin Luther King)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive numa ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e encontram-se exilados na sua própria terra.
Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar a sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitectos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este Verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador Outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de acções de injustiças. Não vamos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo da chávena da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir a nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente à nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a rectidão rolem abaixo como águas de uma poderosa corrente.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.
Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos.

Eu tenho um sonho hoje!
Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ir presos juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos Engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rocky do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade nas Montanhas do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi. Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espírito negro:
Livre afinal, livre afinal.
Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

sábado, agosto 27, 2005

Aquecimento Global Causa Desequilíbrio na Europa


As condições meteorológicas extremas que têm atingido a Europa—secas e incêndios nos países do sul e chuvas torrenciais nos Alpes e na bacia do rio Danúbio—são resultado da mudança climática provocada pelo modelo energético escolhido pela humanidade, afirmou nesta sexta-feira a organização ambientalista WWF. Link panda.
O relatório “Mudança Climática e Factores Meteorológicos na Europa”, divulgado pelo WWF, mostra como os desastres dos últimos anos no continente se encaixam nas previsões mais pessimistas sobre as consequências do aquecimento global. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera cresceu 36% em relação à era pré-industrial.
No último século, a temperatura média do planeta aumentou 0,6º C, enquanto a da Europa subiu 0,95º C. De acordo com os registros históricos, o aquecimento parece progressivo. Os dados mostram que os oito anos mais quentes da história da Europa se concentram no período dos últimos 15 anos.
O aumento da temperatura é geral, porém mais forte no sul do que no norte do continente. A variação traduz-se num comportamento ‘esquizofrénico das chuvas. Enquanto na Espanha, na Itália e em Portugal as chuvas diminuíram 20% durante o último século, no norte da Europa elas aumentaram entre 10% e 40%.
As projecções científicas citadas pelo WWF indicam que esse contraste é mais extremo no verão. Nesta época, as secas são mais severas e há maior risco de incêndios, além da diminuição das colheitas no sul e de chuvas torrenciais mais frequentes em direcção ao interior do continente. “Nunca teremos 100% de certeza sobre a relação directa entre esses factos e a mudança climática. Mas já há exemplos claros dos cenários que os meteorologistas previram nos últimos anos”, diz o relatório.
O documento fala de uma deterioração cada vez maior da situação, caso as emissões de dióxido de carbono não sejam reduzidas.
Para o WWF, a primeira tarefa deve ser a troca do modelo energético e a substituição dos processos produtivos baseados em combustíveis fósseis—carvão, petróleo ou gás natural—por fontes mais limpas e tecnologias mais eficientes.
Os países da UE, que desde o dia 1 de Janeiro, estabeleceram limites para a emissão de gases que provocam efeito estufa em distintos sectores, inclusive o energético, como a preparação para o cumprimento do Protocolo de Quioto.
Mas a organização ambiental acredita que os limites máximos impostos são “frágeis” diante da dimensão do problema, e critica a falta de empenho real das autoridades e empresas europeias na mudança do modelo com urgência.
Como exemplo, cita os planos estratégicos da companhia energética alemã RWE. “O maior contaminador climático europeu, a RWE, planeia abrir novas centrais energéticas de carvão, que elevam o aquecimento global. Os governos europeus podem e devem detê-lo”, afirmou a directora do Programa sobre Mudança Climática do WWF, Jennifer Morgan, em nota pública.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Charles Lindbergh


Charles Lindbergh nasceu a 4 de Fevereiro de 1902, em Detroit, Michigan, e cresceu numa pequena cidade, Little Falls, estado de Minnesota. Era filho de Charles A. Lindbergh, congressista de 1907 a 1917, e Evangelyne Lodge. Aos 18 anos, Charles entrou para a Universidade de Wisconsin, para estudar engenharia. Dois anos depois, abandonou a faculdade para se tornar piloto itinerante. Em 1924, alistou-se no exército, foi para o curso de piloto da Reserva do Serviço Aéreo Nacional. Em 1925 graduou-se como melhor piloto da sua classe. Após o serviço militar no Exército, foi contratado pela “Robertson Aircraft Corporation” para fazer voos de correio entre St. Louis e Chicago. Mas, secretamente, Charles acalentava o mesmo sonho de todos os pilotos da época: ganhar os 25.000 dólares, oferecidos pelo dono de um hotel de Nova York, Raymond Orteig, para o primeiro aviador a voar de Nova York a Paris sem escalas. Em 1927, vários pilotos já haviam perdido as suas vidas tentando. Lindbergh estava certo de que poderia vencer, se tivesse o avião adequado. Naquela época, a esmagadora maioria dos pilotos considerava os aviões mono motores muito frágeis para fazer um voo tão longo, e todas as tentativas haviam sido feitas com aviões de dois, três ou quatro motores. Lindbergh pensava diferente, e convenceu alguns homens de negócios de St. Louis a financiar a preparação de um avião mono motor para fazer o voo. A Companhia Aeronáutica Ryan, de San Diego, na Califórnia, foi escolhida para construir um avião especial. Lindbergh apelidou-o de “Spirit of St. Louis”, em honra aos seus patrocinadores. Nos dias 10 e 11 de Maio de 1927, Lindbergh testou o avião em voo, indo de San Diego a Nova York, com uma paragem em St. Louis. O tempo de duração do voo, 20 horas e 21 minutos, era um novo recorde transcontinental. A 20 de Maio, Lindbergh e o “Spirit of St. Louis” descolaram do campo Roosevelt, perto de Nova York, às 7:52 da manhã. Às 10:21 da noite do dia 21 ele pousou no Campo Le Bourget, próximo a Paris. Ele tinha voado mais de 5.700 km, em 33 horas e meia. O voo foi uma verdadeira epopeia, ele enfrentou neblina, ventos fortes, formação de gelo nas asas e, principalmente, o cansaço. Às vezes voando a 3.000 metros, outras rasando as águas do Atlântico, ele arrastou-se penosamente pelo ar até seu objectivo. O voo de Lindbergh electrizou as pessoas em todo o mundo. Prémios, celebrações, e paradas foram realizados em sua honra. O Presidente Calvin Coolidge entregou-lhe a Medalha de Honra do Congresso e a Cruz de Serviço Distintos. A julgar pela comoção que causou, e pela imensa multidão que o esperava em Paris, o seu voo pode ser comparado ao primeiro voo tripulado à Lua. Era quase inacreditável que aquele minúsculo avião pudesse voar através do Oceano Atlântico. Em 1927, Lindbergh publicou um livro sobre o seu voo transatlântico. O título, “Nós”, era uma referência a ele e ao avião. A seguir ao seu feito, voou através dos Estados Unidos, divulgando o trabalho da “Fundação Daniel Gugenheim para Promoção da Aeronáutica”. Conheceu a pesquisa sobre foguetes realizada por Robert H. Goddard, e convenceu a família Gugenheim a patrocinar suas experiências. Isto levou, eventualmente, ao futuro desenvolvimento de mísseis, satélites e às viagens espaciais. Lindbergh também trabalhou como consultor para várias empresas aeronáuticas e linhas aéreas comerciais. Em Dezembro de 1927, Charles visitou vários países latino-americanos, como “Embaixador da Boa Vontade”. Enquanto estava no México, conheceu Anne Spencer Morrow, com quem veio a casar. Ensinou-a a pilotar e, juntos, empreenderam várias viagens pelo mundo. Anne Morrow também se tornou conhecida pelas suas poesias e outras obras literárias. Outra realização de Lindbergh foi o coração artificial, para um cirurgião francês. Desenvolvido de 1931 a 1935, esse aparelho podia bombear o sangue através do corpo. Em Março de 1932, o primeiro filho de Charles e Anne foi raptado de sua casa. Dez semanas após o rapto, o seu corpo foi encontrado numa floresta. Os jornais passaram a perseguir os Lindbergh em qualquer parte, na ânsia de conseguir notícias. Para fugir dos repórteres, os Lindbergh mudaram-se para a Europa. Em 1934,Bruno Hauptman foi condenado à morte pelo rapto do bebé Lindbergh. Na Europa, Charles visitou os fabricantes de aviões alemães e franceses. Ficou impressionado com os avanços da aviação alemã, e pela qualidade de seus aviões. Em 1938, um alto dignitário nazista premiou-o com a Medalha de Honra Germânica. Isto fez com que muitos americanos anti-nazistas ficassem contra Lindbergh. Em 1939, ele voltou aos Estados Unidos e, em 1941, juntou-se a um comité que se opunha à II Guerra Mundial. Foi acusado de ser pró-nazista, por não ter devolvido a medalha com que fora agraciado na Alemanha. Após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, tentou alistar-se na Força Aérea do Exército, mas foi recusado. Então, entrou como consultor técnico na “Ford MotorCompany”. Em Abril de 1944, tornou-se consultor do Exército e da Marinha dos Estados Unidos. Mesmo ainda sendo tecnicamente um civil, voou em 50 missões de combate. Durante esse período, inventou um dispositivo que tornava os caças da época melhores e mais fáceis de pilotar. Após a Guerra, Lindbergh trabalhou como consultor para o Chefe do Estado-maior da Força Aérea. Em 1954, o Presidente Einsenhower nomeou-o General Brigadeiro da Força Aérea dos Estados Unidos. Também trabalhou como consultor para a empresa aérea Pan American, ajudando-os a escolher os aviões que iriam comprar. Em 1953, publicou uma expansão de seu livro “Nós”, o qual chamou de “The Spirit of St. Louis”. Lindbergh continuou a viajar pelo mundo. Visitou a África e as Filipinas. Durante os seus últimos anos, passou a interessar-se pela conservação da natureza. Lutou pela preservação das baleias, e era contra os aviões supersónicos, por achar que eles causavam perturbações na atmosfera. Charles Lindbergh morreu no dia 26 de Agosto de 1974, na sua casa em Mauí, no Hawai. Após a sua morte, em 1998, uma colecção de seus escritos foi publicada em forma de livro, chamado “The autobiography of Values”.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Excelência em Português


Há três cientistas portugueses na lista dos 250 mais influentes investigadores em mais de 20 áreas das ciências entre 1901 e 2002, indica um relatório da norte-americana Thomson ESI.
Entre estes está António Coutinho, o único dos cientistas portugueses citados a trabalhar em Portugal, um investigador da área da imunologia e que há sete anos dirige o Instituto Gulbenkian de Ciência. Este licenciado em Medicina e doutorado em Microbiologia é também director de investigação de primeira classe do Centro Nacional de Investigação Científica, em Paris.
Outro dos cientistas citados é António Damásio (na foto), considerado como o mais influente investigador português da actualidade, tem obra feita na área da neurociência, o que já lhe tem valido diversos prémios internacionais. O autor de «O Erro de Descartes», que se naturalizou norte-americano, é doutorado em Medicina e dirige o departamento de neurologia e o Centro de Investigação da doença de Alzheimer da Universidade do Iowa.
Carlos Duarte, que se naturalizou espanhol e trabalha no Instituto Mediterrânico de Estudos Avançados da Universidade das Ilhas Baleares nas áreas da Biologia e Botânica, é o outro investigador de origem portuguesa referido no documento da Thomson ESI.Este documento leva em conta as contribuições científicas consideradas como fundamentais para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e o número de vezes em que o trabalho de cada é referido pela comunidade internacional.


É muito triste que o país que os viu nascer, não lhes dê condições para fazerem as suas investigações, e que tenham de imigrar ou trocar de nacionalidade, para serem reconhecidos internacionalmente.

...
Esta a sina do inventor
Neste Portugal moribundo
Por pouco a ir ao fundo
Por culpa de tanto estupor

Querem cativar valores
Que fogem para outras terras
Mas só dáo os louvores
Ás nulidades e aos palermas

São estes ditos senhores
Que estão sempre arruinando
O país do saber e de valores
Que pelo mundo vão andando

Foram enriquecer outros paises
Porque sua Patria amada
Secou-lhes as veias e raizes
Não lhes dando chance para nada

fernando nogueira gonçalves Homepage

Sean Connery


Thomas Sean Connery nasceu no dia 25 de Agosto de 1930, Edimburgo, Escócia. Filho de um camionista e de uma empregada de limpeza, Sean Connery teve, até os 21 anos, uma vida quase tão diversificada quanto a sua galeria de personagens cinematográficos. Após abandonar a escola aos 15 anos, foi marinheiro, leiteiro, lustrador de caixões, pedreiro, salva-vidas, candidato a Mister. Universo e modelo. Foi a partir de 1954 que Sean começou a trilhar realmente, na televisão e no cinema, uma carreira de actor. Após participar em pequenos papéis de filmes pouco conhecidos a sua grande oportunidade surge em 1962, quando foi escolhido para ser O Agente Secreto James Bond nas telas do cinema. Combinando o charme e a virilidade exigidos pelo papel, e adicionando o humor cínico que viria a imagem de marca das suas interpretações, Connery ajudou a fazer do herói literário criado por Ian Fleming um dos ícones dos anos 60. Depois de ser o agente secreto durante quatro filmes, Sean Connery ficou preocupado com um possível estigma, e só retornou ao papel sob condições financeiras irrecusáveis, 1983, para o filme Nunca Mais Digas Nunca. De presença imponente, com rosto e voz altamente expressivos, Connery construiu uma filmografia de rara versatilidade, na qual, independente do tamanho da sua personagem, nunca ficou em segundo plano. Entre outros filmes, ele brilhou em , O Homem que Queria Ser Rei (1975, O Duelo Imortal (1986), O Nome da Rosa (1986), Os Intocáveis (1987), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), Caça ao Outubro Vermelho (1990), O Curandeiro da Selva (1992), O Primeiro Cavaleiro (1995), Entre Estranhos e Amantes (1996), Os Vingadores (1998), Descobrir Forrester (2000) e A Liga de Cavalheiros Extraordináros (2003). Ganhou durante a sua carreira o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actor Secundário pela sua interpretação no filme Os Intocáveis (1987), o Prémio da Academia Britânica por O Nome da Rosa (1986) e o Prémio Cecil B. De Mille pela sua carreira. Sean Connery recebeu em 2000 da parte da Rainha Isabel II o título de Sir, Cavaleiro do Império.Um actor discreto, imune às armadilhas do sucesso, sempre manteve sua vida particular protegida, mas sabe-se que ele é um dedicado homem de família, um apaixonado por golfe e tem predilecção por residências à beira-mar. Apesar de sempre fazer questão de se manter reservado, em relação à sua vida particular, no final de 2004, assinou um contrato com uma editora, para publicação do seu livro de memórias, pelo que futuramente, poderemos saber mais sobre este homem, que deu belíssimas prestações na 7ª Arte. No principio deste mês anunciou que quer terminar a sua carreira como actor, segundo ele, está “cheio dos idiotas” que trabalham actualmente em Hollywood. ”Eu estou cheio desses idiotas...do crescente abismo entre as pessoas que sabem como fazer filmes e as pessoas que dão luz verde para os fazer”, disse Connery.