quarta-feira, outubro 19, 2005

Saddam Hussein

Saddam Hussein, capturado a 13 de Dezembro de 2003, oito meses após a queda do seu regime, comparecerá perante cinco juízes, numa audiência rodeada de medidas de segurança excepcionais.
Saddam Hussein e sete dos seus colaboradores sentam-se, hoje, no banco dos réus do Tribunal Especial Iraquiano, em Bagdade, acusados de um único crime, cujo processo foi concluído pela instrução o massacre de mais de uma centena de xiitas, em 1982.
Os oito acusados pela “execução de 143 aldeões, o sequestro de 399 famílias, a destruição das suas casas e terras” agrícolas na aldeia de Dujail, situada 60 quilómetros a norte de Bagdade, correm o risco de condenação à pena de morte.
Após disparos contra a coluna automóvel em que seguia Saddam, os aldeões de Dujail morreram na retaliação efectuada pelos serviços de segurança. Muitas propriedades foram destruídas, quintas e pomares saqueados e os sobreviventes condenados ao exílio interno durante quatro anos.
Além do caso pelo qual Saddam Hussein começa hoje a ser julgado, há instrução de mais 12 contra o ex-presidente iraquiano.
Saddam Hussein é suspeito por crimes contra a humanidade e crimes de guerra em vários casos a operação de Al-Anfal contra os curdos, em 1988, que fez 180.000 mortos; o gaseamento de cerca de 5.000 curdos em Halabja, no mesmo ano; a repressão dos xiitas, em 1991, com milhares de mortos; a invasão do Kuwait, um ano antes; o massacre de 8000 membros da tribo dos Barzani (um clã curdo), em 1983, e o assassínio de líderes de partidos políticos e de dignitários religiosos xiitas entre 1980 e 1999. Aliás, o Irão também quer julgar Saddam, tendo as autoridades de Teerão enviado, ontem, às homólogas iraquianas, uma acusação própria contra o ex-ditador.

Saddam Hussein nasceu a 28 de Abril de 1937 em Ouija, uma aldeia próxima de Tikrit, 170 quilómetros a Norte de Bagdad. O seu pai, um camponês pobre, morreu pouco tempo antes do filho nascer, e a sua mãe, Subna al-Tulfah, voltou a casar-se com Ibrahim al-Hassan.
Saddam não se dava bem com o padrasto. A sua biografia oficial relata uma infância difícil, com Ibrahim a obrigá-lo a acordar de madrugada para ir tratar dos rebanhos. Ele queria estudar e – contrariando a família – um dia pôs-se a caminho da escola sozinho. Devido ao mau relacionamento com o padrasto, quando Saddam tinha dez anos, Subna decidiu enviá-lo para Bagdad para viver com o tio Khairallah Tulfa, oficial do Exército e militante antibritânico (o tio era também o futuro sogro de Saddam, que aos cinco anos já tinha sido prometido em casamento à sua prima Sajida).
Foi aos 18 anos que Saddam se filiou no Partido Baas, aderindo aos seus ideais laicos e nacionalistas. Mas foi também nesse ano que viu rejeitada a sua candidatura à Academia Militar, por falta de habilitações. Os biógrafos apontam 1958 como a data do seu primeiro assassínio político – a vítima foi um militante comunista, morto em Tikrit com um tiro na cabeça. Terá sido esta acção – pela qual passou alguns meses na prisão – que chamou a atenção dos dirigentes do Baas para o jovem militante.
Saddam foi então incluído num comando de dez homens com a missão de assassinar o primeiro-ministro Abdel Karim Qassem. O atentado falha, Saddam é ferido numa perna e foge, a pé e a cavalo, para a Síria, depois de ter retirado, ele próprio, a bala com uma faca. Este é, provavelmente, um dos episódios de que o líder iraquiano mais se orgulha, a ponto de ter mandado fazer um livro e um filme (de seis horas) que relatam a história – com o título “The Long Days”. Durante os três anos seguintes, Saddam viveu em Damasco e no Cairo, onde estudou Direito.
O regresso a Bagdad dá-se depois de o Baas ter, finalmente, conseguido derrubar Qassem, num golpe dirigido pelo coronel Ahmad Hassan al-Bakr, que era também seu tio. O cristão Michel Aflak, ideólogo do Baas, convida-o para a direcção do partido. Saddam é “investigador”, o que significa que é o responsável pelos interrogatórios.
Pela mão de Al-Bakr foi subindo a escada do poder. Primeiro é vice-secretário-geral adjunto do Conselho do Comando da Revolução, depois vice-presidente, depois comandante do Exército. Em 1979, afasta Al-Bakr do poder e, com 42 anos, chega à chefia do Estado.
Pouco tempo após ter conquistado o poder, implementou uma violenta purga que levou à morte dezenas de membros do governo suspeitos de falta de lealdade. No inicio dos anos 80, utilizou armas químicas para pôr termo à rebelião Curda no norte do Iraque. A fome de poder de Saddam Hussein espalhou- se muito para além das fronteiras do Iraque; apostado em subjugar o mundo Islamico, atacou os países vizinhos. Em 1980 invadiu o Irão, iniciando um guerra de oito anos que não venceu. Em Agosto de 1990 invadiu o Kuwait, país rico em petróleo, que proclamou como a 19º província do Iraque.
Desafiou as Nações Unidas ao não cumprir as directivas que o obrigavam a retirar do Kuwait, provocando a que chamou “Mãe de Todas as Batalhas”, a Guerra do Golfo. O breve conflito dizimou as forças militares de Saddam, mas o ditador conseguiu reconstruir a sua república e a sua base de poder, a começar pela tenebrosa polícia secreta e manteve-se no poder mais 12 anos.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Budismo


Uma das grandes religiões do mundo, surgida na Índia cerca de 500 a.C. Derivou do ensinamento de Siddhartha Gautama, considerado como um de entre os seres iluminados designados por Buda. Não tem deuses. A noção de karma constitui a pedra de toque da doutrina. Essa noção significa boas e más acções que recebem a adequada recompensa ou castigo, quer nesta vida, quer através de uma longa sucessão de vidas, por meio da reencarnação.
As principais divisões do budismo são o Teravada (ou Hinayana), no sudeste da Ásia e o Maayana, no norte da Ásia. Entre as muitas seitas Maayana, contam-se o lamaísmo no Tibete e o zen no Japão. O seu símbolo é o lótus.
O cânone dos budistas do Sri Lanka, em pali, é o único cânone completo das escrituras budistas. Embora muitas outras escolas tenham o mesmo cânone, elas encontram-se em sânscrito. As escrituras, conhecidas por pitakas (cestos), datam de entre o século II e VI. Estão divididas em três grandes grupos: vinaya (disciplina), a lista das transgressões e regras de vida; sutras (discursos), ou darma (doutrina), a exposição tradicional do budismo feita por Buda e pelos seus discípulos; e abidarma (continuação da doutrina), discussões posteriores sobre a doutrina.
O eu é considerado como impermanente, uma vez que está sujeito à transformação e ao declínio. O que causa a desilusão, o sofrimento, a ganância e a aversão, é o seu apego a coisas que são, na sua essência, impermanentes. Estes sentimentos, por sua vez, originam karma, o que reforça o sentido do eu. As acções que conduzem ao altruísmo são consideradas como “karma conhecedor” e estão no caminho que conduz à iluminação.
Nas Quatro Nobres Verdades, o Buda reconheceu a existência do sofrimento e a sua causa e indicou a via de libertação através da Nobre Óctupla Senda. O objectivo desta última é quebrar as cadeias do karma e alcançar o desprendimento do corpo através da realização do nirvana, isto é, da erradicação de todos os desejos e do aniquilamento ou dissolução do eu no infinito.
É prestada uma grande devoção e reverência ao Buda histórico (Sakyamuni, ou, quando referenciado pelo seu nome de clã, Gautama), que é visto como um elo de uma longa série de sucessivos Budas. O próximo Buda (Maitreya) é esperado para o ano 3000.
O budismo Teravada, a Escola dos Anciãos, também conhecida como Hinayana, ou Pequeno Veículo, é maioritário no sudeste da Ásia (Sri Lanka, Tailândia). Sublinha a mendicância e a vida contemplativa como via para quebrar o ciclo da samsara, ou morte e renascimento. Os seus três objectivos alternativos são: arat, o estado daquele que alcançou uma visão profunda da verdadeira natureza das coisas; paccekabuda, um iluminado que vive retirado e não se dedica ao ensino; Buda, a iluminação total. As suas escrituras estão redigidas em pali, uma língua indo-ariana com raízes no norte da Índia.
Por volta do século XIII, o budismo extinguiu-se na própria Índia, tendo sido substituído pelo hinduísmo. No entanto, existem actualmente cinco milhões de devotos.
O budismo Maayana, ou Grande Veículo, surgiu no início da era cristã. Esta tradição põe o acento tónico em Buda como princípio eterno e sem forma, essência de todas as coisas. Exorta os indivíduos a alcançar pessoalmente o nirvana, e, inclusivamente, a tornarem-se sucessores de Buda ou Bodisatva, podendo, assim, salvar os outros. Isto significa que um crente pode alcançar a iluminação através de um Bodisatva sem seguir a austeridade do Teravada, e o culto dos diversos Budas e Bodisatvas anteriores. O budismo Maayana também acentua a doutrina sunyata, ou a compreensão obtida através da experiência do fundamental vazio (leia-se não substancialidade) de todas as coisas, incluindo a doutrina budista.
O budismo Maayana é dominante na China, Coreia, Japão e Tibete. No século VI, difundiu-se na China com os ensinamentos de Bodidarma, dando origem ao Tch’an, que se radicou no Japão desde o século XII como budismo Zen. O Zen privilegia a meditação silenciosa que apenas é interrompida por súbitas intervenções de um mestre com o objectivo de encorajar o despertar da mente. No Japão também foi organizada a sociedade laica Soka Gakkai (Sociedade para a Criação do Merecimento), fundada em 1930, e que compatibiliza a fé mais profunda com os benefícios materiais imediatos. Nos anos 80 contava mais de sete milhões de chefes de família entre os seus aderentes.

Até quarta-feira.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Chuck Yeager


Charles “Chuck” Yeager nasceu em Myra, Mud River, West Virgina, no ano de 1924, após a graduação na Hamlin High School (1941), alistou-se na Army Air Corps, então com 18 anos de idade. Estudou e tornou-se mecânico de aviões e piloto de testes, onde logo se afirmou como extraordinário.
A sua excelente coordenação, habilidade mecânica e memória privilegiada impressionaram os instrutores da escola de pilotagem. Após completar o curso básico, tornou-se piloto de caças, na Força Aérea do Exército, pilotando o “Bell P-39 Airacobra”. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, foi mandado para a Europa, onde passou a pilotar o “North American P-51 Mustang”, um dos melhores aviões da época.
Após terminar a Segunda Guerra Mundia, voltou aos Estados Unidos, e foi seleccionado para voar como piloto de testes. Após a guerra, a evolução no desenho de aviões e motores foi extraordinariamente rápida. Foi uma época de grandes experiências e novas formas aerodinâmicas, motores mais eficientes e novos combustíveis apareciam quase que diáriamente. Com a derrota da Alemanha, os americanos apoderaram-se de uma imensa quantidade de material resultante das pesquisas desenvolvidas naquele país. Os alemães vinham, desde antes da Guerra, desenvolvendo motores a jacto e a foguete. A empresa “Bell Aeronautics” desenhou um pequeno avião, com a fuselagem em forma de bala e asas curtas e rectas, e adaptou quatro motores a foguete, derivados dos motores “Walter” alemães. O seu objectivo era claro: Ultrapassar a barreira do som.
Assim, quando o X-1 ficou pronto, poucos dos pilotos de testes da época estavam dispostos a arriscar-se nesse terreno desconhecido. Chuck Yeager não era um deles, e aceitou a tarefa com entusiasmo.
O X-1 carregava o combustível estritamente necessário para seu voo supersónico, por isso, ele não podia descolar pelos seus próprios meios. Em vez disso, foi “pendurado” sob a “barriga” de um bombardeiro B-29, de onde foi lançado quando atingiu a altitude requerida. A 14 de Outubro de 1947, Yeager tomou o seu lugar no avião e, após ser libertado do B-29, ligou os quatro motores e projectou-se no ar. Ao terminar a sua corrida pelo céu, havia-se tornado o primeiro homem a ultrapassar a barreira do som.
Ao contrário de outras façanhas conseguidas por aviadores antes dele, a conquista de Yeager não teve repercussões imediatas: a Guerra Fria tinha começado, e o feito de Yeager foi mantido em segredo por algum tempo. Porém, tornou-se conhecido dentro do restrito grupo dos pilotos de teste, os quais o consideravam o melhor de todos eles.
Chuck Yeager continuou sua carreira como piloto de testes durante os anos 50, pilotando inúmeros aviões novos e experimentais, como o “Douglas X-3” e o “Bell X-5”, conseguindo muitos outros recordes. No final dos anos 50 comandou um esquadrão de caças “North American F-100”, e serviu depois no Vietname, comandando um esquadrão de bombardeiros leves “Martin B-57 Camberra”. Foi também inspector de acidentes da Força Aérea Americana e director da Escola Espacial da Base de Edwards ( 1960 ). No princípio dos anos setenta retirou-se da Força Aérea, com a patente de General.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Margaret Thatcher


A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher festeja hoje 80 anos. Cerca de 650 pessoas foram convidadas para uma cerimónia privada num grande hotel londrino, o Mandarin Oriental, cuidadosamente adaptado para receber a “Dama de Ferro”, hoje com saúde frágil e perdas de memória.
A rainha Isabel II e seu marido, o príncipe Philip, devem participar da cerimónia. O primeiro-ministro trabalhista Tony Blair, vários chefes e ex-chefes de Estado estarão presentes na festa, segundo a Fundação Thatcher.
Também foram convidados deputados, lordes e amigos de Thatcher—primeira e única mulher a ocupar o posto de primeira-ministra do Reino Unido, de 1979 a 1990. Os filhos de Thatcher, Carol e Mark, ambos com 48 anos, também estarão presentes na festa. Devido ao frágil estado de saúde de Thatcher, que se retirou da vida pública após uma série de acidentes vasculares cerebrais, em 2001 e 2002, a cerimónia terá duração de duas horas e meia e não terá jantar ou discursos.
Considerada nos anos 80 uma das mulheres mais poderosas do planeta, Thatcher continua a ler os jornais diariamente, assiste à televisão e visita regularmente a Câmara dos Lordes, da qual é membro, para ouvir os debates. Quinze anos após sua saída, adorada ou odiada, ela ainda recebe cerca de cinquenta cartas por dia.
Margaret Hilda Roberts, nasceu a 13 de Outubro de 1925. Filha de um dono de mercearia de classe média de Grantham, Norte da Inglaterra, ela foi uma estudante esforçada que ganhou uma bolsa para estudar Química na Universidade de Oxford, onde se formou. Em 1951 casou com Denis Thatcher, que a introduziu na política. Em 1953 começou a estudar direito tributário. Ingressou no Partido Conservador, do qual o seu marido já era membro, e em 1959 ganhou um lugar na Câmara dos Comuns. Dois anos mais tarde foi nomeada secretária de Estado para Assuntos Sociais, e posteriormente ministra da Educação e Ciência, durante o mandato do conservador Edward Heath. Considerada a líder mais enérgica da ala direita do Partido Conservador, substituiu Heath na direcção do partido em 1975. Elaborou um programa rigoroso para inverter a crise da economia britânica mediante a redução da intervenção estatal. O seu programa recebeu o apoio da opinião popular, e em 1979 conseguiu que os conservadores acedessem ao poder por ampla margem: converteu-se assim na primeira mulher britânica a ocupar o cargo de primeiro ministro. Quando se tornou primeira-ministra da Grã-Bretanha, em 04 de Maio de 1979, Margaret Thatcher tinha alguns objectivos: tirar o país do atraso económico e tecnológico, romper a força do sindicalismo e enfraquecer o socialismo. A sua assumida antipatia pelo comunismo fê-la ganhar, logo no início de sua gestão, o apelido de Dama de Ferro. Em 1982, Thatcher interveio energicamente no conflito das Malvinas. A sua atitude foi bem vista pela opinião pública britânica e nesse mesmo ano voltou a obter a vitória eleitoral Em 1984 enfrentou graves conflitos sociais, em especial a greve dos mineiros, que reprimiu com dureza. Em 1987 ganhou de novo as eleições, mas nesta ocasião por uma margem muito mais reduzida. A sua recusa à união social e política do Reino Unido com a Europa e a imposição do imposto regressivo, a poll tax, provocou una polémica generalizada que a enfrentou ao seu próprio partido. A impopularidade de seu último período no governo, no terceiro mandato, fez com que ela desistisse de lutar pela liderança do Partido Conservador, em 1990, o que acarretou sua renúncia à chefia do governo - em 22 de Novembro de 1990, sendo substituída por John Major. Margaret Thatcher governou durante 11 anos, foi o mais longo período na história da Inglaterra, no século XX, e marcou presença com o estilo directo e autoritário.

Prémio Nobel da Literatura


Harold Pinter distinguido com o Prémio 2005
O Prémio Nobel da Literatura 2005 foi hoje atribuído em Estocolmo ao dramaturgo britânico Harold Pinter. A Academia sueca de Literatura distinguiu Pinter por "nas suas peças revelar o abismo existente nas conversas banais e forçar a sua entrada nos espaços fechados da opressão".
O prémio, dotado com 1,1 milhões de euros, será entregue juntamente com os restantes galardões, a 10 de Dezembro, aniversário da morte do seu fundador, Alfred Nobel.

Dados Biográficos
Pinter nasceu a 10 de Outubro de 1930 em Hackney, Londres.
Durante a II Guerra Mundial saiu de Londres, com nove anos, regressando três anos depois.
Em 1948, Pinter, filho de pai com descendência luso-judaica, ingressou na Real Academia de Arte Dramática. Dois anos depois, publicou os primeiros poemas.
Iniciou-se na escrita de peças de teatro em 1957 com "The Room", seguindo-se, no mesmo ano, "The Birthday Party", considerada no início um fiasco, mas tornando-se depois duma das peças mais representadas.
Entre as suas peças mais conhecidas estão "The Caretaker" (1959), "The Homecoming" (1964), "No Man+s Land" (1974) e "Ashes to Ashes" (1996).
Nas obras de Pinter podemos encontrar pessoas que se defendem a si próprias contra a intrusão ou contra os seus próprios impulsos, mergulhando numa existência reduzida e controlada. Outro tema predominante é a volatilidade e o carácter esquivo do passado.
De um período inicial de realismo psicológico, Pinter passa depois para uma fase mais lírica com peças como "Landscape" (1967) e "Silence" (1968), e depois para outra ainda, mais política, com "One of the Road" (1984), "Mountain Language" (1988) ou "The New World Order" (1991).
A partir de 1973, Pinter ficou também conhecido como defensor dos direitos humanos. O dramaturgo escreveu ainda peças para rádio, cinema e televisão.
Lusa
Link:haroldpinter.
Para mim um ilustre desconhecido.

O Voo do Açor


Noite memorável para o avançado Pedro Pauleta, que ontem marcou dois dos três golos com que Portugal derrotou a Letónia, superando a marca de Eusébio, 41 golos em 64 jogos e passando a ser o melhor marcador de sempre da Selecção Nacional, com 42 golos.

Nome completo: Pedro Miguel Carreiro Resendes
Alcunhas: Pauleta e Ciclone dos Açores
Data de nascimento:28/04/1973
Naturalidade: Ponta Delgada, S.Miguel, Açores
Altura: 1.80
Peso: 78
Estado civil: casado (tem 1 filho e 1 filha)
Filhos: André e Daniela
Clubes por onde passou: Com. Jovens S. Pedro, Sta.Clara, Angrense,
Un.Micaelense, FCPorto, Estoril, Salamanca, Corunha e Bordéus
Clube actual: PSG
Camisola nº: 9
Estreia pela selecção: Portugal-Arménia (20/08/97)
Internacionalizações A:77
Golos pela selecção: 42


Os 42 golos de Pauleta, foram marcados aos seguintes adversários:

4 golos - Kuwait - Luxemburgo
3 golos - Andorra - Chipre - Letónia - Polónia
2 golos - Azerbeijão - Estónia - Liechtenstein - Lituânia - Holanda - Escócia
1 golo - Albânia - Brasil - Canadá - China - Inglaterra - Grécia - Noruega - Rússia - Suécia - Tunisia.

Golos em competições oficiais:

4 golos - Luxemburgo
3 golos - Chipre - Polónia - Letónia
2 golos - Azerbeijão - Estónia - Liechtenstein - Lituânia - Holanda
1 golo - Rússia

Palmarés

1 campeonato espanhol (2000)
1 Supertaça espanhola (2000)
1 taça da Liga de França (2002)
Melhor marcador do campeonaro francês (2002)
Melhor jogador do campeonato francês (2002 e 2003)
Avançado do campeonato francês (2001, 2002 e 2003)
Onze ideal do campeonato francês (2001, 2002 e 2003)
Vice-campeão europeu (2004)

Fonte FPF.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Philip Roth


Philip Roth nasceu em Newark, New Jersey, em 19 de Março de 1933. Nascido no seio de uma família judia proveniente do Leste da Europa, escreveu a sua primeira obra em 1959 “Goodbye, Columbus” (não traduzido para o português), que lhe valeu logo o National Book Award.
Viveu em Roma, Londres, Chicago e Nova York, antes de se mudar definitivamente para o interior dos Estados Unidos, mais precisamente para o Connecticut, onde leva uma vida de quase eremita. Acorda cedo, escreve seis horas por dia, seis dias por semana. Foi casado durante anos com a atriz Claire Bloom - casamento que acabou num divórcio litigioso em que Roth chegou a cobrar de Claire as horas que passou ajudando-a a decorar textos. Não vê televisão, e não vai ao cinama. Com os raros amigos, costuma conversar por telefone. Odeia ficção e só lê sobre o assunto que depois vai escrever.
Seu primeiro livro é de 1959, “Goodbye, Columbus”, seguindo-se a brilhante obra de 1969 “o Complexo de Portnoy” que se tornou um grande sucesso e convenceu os críticos da sua qualidade como escritor. Mas temos que esperar pelos anos noventa, pela sua trilogia, iniciada em 1997 com “Pastoral americana”, seguido de “Casei com um Comunista”, de 1998 e “Mancha Humana” de 2000, para ser reconhecido como muito provavelmente o melhor escritor vivo. Esta trilogia, narra a invenção dos EUA tais como são agora, sempre pelos olhos de personagens autobiográficos, principalmente Nathan Zuckerman, alter ego do autor na trilogia. A ficção começa com os anos 60, em “Pastoral Americana”, de seguida recua alguns anos em “Casei com um Comunista”, que revê o macarthismo, e conclui-se com “Mancha Humana”, em que o politicamente correcto e o escândalo Mónica Lewinski são o pano de fundo de um conflito racial . O seu último livro, editado recentemente pela Dom Quixote é “A Conspiração contra a América”, em que o autor escreve que, Charles Lindbergh nutria simpatias nazis.
Philip Roth ganhou os quatro mais importantes prémios literários da América:o National Book Critics Circle Award com The Counterlife (1986), o National Book Critics Circle Award com Patrimony (1991), o PEN/Faulkner Award com Operation Shylock (1993), o National Book Award com O Teatro de Sabbath (1995), e o Pulitzer Prize com Pastoral Americana (1997). Ganhou o Ambassador Book Award da União de Língua Inglesa com Casei com um Comunista (1998); no mesmo ano foi galardoado com a National Medal of Arts, na Casa Branca.
Com A Mancha Humana, Roth obteve o seu segundo PEN/Faulkner Award bem como o Britain’s W. H. Smith Award para o Melhor Livro do Ano. Em 2001 recebeu o mais alto galardão da Academia Americana de Artes e Letras, a Gold Medal para ficção, atribuída de seis em seis anos «para o conjunto da obra».

terça-feira, outubro 11, 2005

Reinhold Messner


Subir o monte Evereste, a montanha mais alta do mundo, foi um desafio para os alpinistas até 1953. Quando Edmund Hillary e Tenzing Norgay alcançaram finalmente o cume. Nas três décadas seguintes outras conquistas foram realizadas. A primeira escalada por uma mulher, a escalada de um alpinista por um lado da montanha, descida pelo outro, e a primeira descida em esqui. Um traço comum entre todas as façanhas realizadas foi o uso de oxigénio artificial.
Seria possível que o monte Evereste fosse conquistado sem o seu auxílio?
Desde 1920, alpinistas do mundo inteiro debatem sobre os prós e os contras do uso destas ajudas artificiais. Um deles, George Mallory, defendia a tese de que os alpinistas não se devem expor a ajudas artificiais, pois mesmo com estas, existe, a possibilidade de um colapso repentino, se o aparelho falhar. Esta filosofia de que nada deveria vir entre um alpinista e sua montanha continua a ter adeptos até hoje.
Em 1970, o alpinista Reinhold Messner alcançou notoriedade ao escalar uma série de rochas alpinas sem o uso do oxigénio. No ano de 1974, Messner junto com Peter Habeler -outro adepto da filosofia -continuaram as suas escaladas. Ligeiros e ágeis conquistaram o Matterhorm e o Eigerwand. Em 1975 fizeram uma notável escalada no Gasherbrum, a décima primeira montanha mais alta do mundo, sem o uso do oxigénio. A próxima meta era alcançar o Evereste. Messner e Habeler receberam muitas críticas da comunidade médica, que os chamaram de “lunáticos” por estarem colocando em risco a sua própria vida. Sem se importar com as críticas, os dois deram sequência aos seus objectivos.
Chegaram ao acampamento base do Evereste em Março de 1978. Iniciando a primeira tentativa no dia 21 de Abril. Alcançam o acampamento III no dia 23 daquele mês. Naquela noite Habeler passou mal devido a uma intoxicação alimentar. Na manhã seguinte, Messner decidiu prosseguir a subida, juntamente com dois sherpas. Ao alcançar o Colo Sul foram surpreendidos por uma violenta tempestade. Enfrentaram temperaturas de 40 graus negativos e ventos fortes durante dois dias seguidos. Exausto e com fome, Messner estava começando a acreditar que seria impossível alcançar o seu objectivo. Até que, finalmente, o tempo melhorou e ele pôde retornar ao acampamento base para se recuperar.
Messner e Habeler voltaram a discutir sobre a maneira de alcançar o cume. Habeler sugeriu o uso de oxigénio, mas Messner recusou a usá-lo. Dizendo que, mais importante do que conquistar o cume seria conseguir chegar no mais alto ponto possível sem o uso de oxigénio.
No dia seis de Maio eles iniciam outra tentativa. Alcançaram o acampamento III (7200m). Estando agora em altitudes onde poderiam sentir os efeitos da falta de oxigénio. Concordaram em carregar dois cilindros de oxigénio ao acampamento IV, em caso de uma emergência, e haviam feito também um pacto onde voltariam atrás se um ou outro se sentisse mal.
No dia seguinte demoraram três horas e meia para alcançar os 7986m do Colo Sul, onde acamparam a noite. Habeler queixou-se de uma forte dor de cabeça. Mas depois de descansar sentiu-se melhor.
No dia 8 de Maio, acordaram e iniciaram a tentativa de alcançar o cume. O tempo estava instável, e mesmo assim decidiram deixar o acampamento. A respiração tornava-se cada vez mais preciosa, e os dois passaram a comunicar por gestos. O progresso passou a ser lento, demorando quatro horas para alcançar o acampamento V (8500m), onde pararam para descansar cerca de 30 minutos. O tempo ainda ameaçava, mas decidiram continuar rumo ao cume, que estava a 260 metros acima.
Enfrentavam agora um cansaço jamais sentido até então. Os difíceis passos eram apoiados por machados de gelo e a respiração cada vez mais escassa. Messner disse mais tarde que se sentia como se fosse “estourar”. Alcançando o Pico Sul, o vento era muito forte, mas eles ainda tinham esperança de que o tempo melhorasse. Faltavam apenas 98 metros. Atravessaram o Passo de Hillary, descansando algumas vezes. Entre a uma e as duas horas da tarde de 8 de Maio de 1978, Messner e Habeler conquistaram o que até então parecia ser impossível – a primeira ascensão do Evereste sem oxigénio.
O sucesso desta expedição confundiu a comunidade médica, e causou uma reavaliação da Fisiologia da alta altitude. Em 1980, Messner volta ao monte Evereste para completar, desta vez sozinho, mais uma ascensão ao maior cume do mundo sem auxílios artificiais. Apenas cerca de 60 pessoas no mundo conquistaram essa façanha, sendo entre estas 4 mulheres.
Reinhold Messner, nasceu em 17 de Setembro de 1944 em Brixen, Áustria e a este feito tem ainda a juntar, outros dois feitos de monta na História do alpinismo: Foi o primeiro alpinista a escalar com êxito todas as 14 montanhas do mundo acima dos 8000 metros, sempre sem oxigénio.Com a escalada do Kanchenjunga em 1982, tornou-se o primeiro alpinista a escalar as três mais altas do mundo, tendo antes alcançado os picos do Evereste e do K2.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Dia Mundial Contra a Pena de Morte


No Dia Mundial Contra a Pena de Morte, que se assinala esta segunda-feira, a Amnistia Internacional coloca o enfoque em África, continente «que caminha no sentido da abolição», mas onde 20 países ainda continuam a aplicar a pena de morte. De acordo com os números da Amnistia Internacional, 13 países africanos já aboliram a pena de morte para todos os crimes, 20 continuam a ter a pena capital na lei mas não têm praticado qualquer execução e outros 20 mantêm a sua aplicação. Em todo o mundo, 86 países aboliram a pena de morte para todos os crimes, 24 são abolicionistas na prática (não ainda na lei) e 75 mantêm a pena capital. Segundo dados de 2004, os mais recentes disponibilizados no site da AI, a China lidera o número de execuções, com pelo menos 3.400 sentenças de morte aplicadas naquele ano. No entanto, a própria AI reconhece que este número deverá estar aquém da realidade. Irão, Vietname e Estados Unidos são os países que se seguem à China na tabela das execuções em 2004, respectivamente com 150, 64 e 59 pessoas mortas através da pena capital. No ano passado, 7.395 pessoas foram sentenciadas à morte em 64 países, das quais 3.797 acabaram por ser executadas em 25 países. Em 2005 atingiu-se já o número mais elevado de execução de crianças desde 1990, com seis mortes, todas elas levadas a cabo no Irão. Segundo Cláudia Pedra, da secção portuguesa da AI, apesar de o retrato da situação ainda ser negativo, é de assinalar que, em média, três países abolem a pena de morte por ano. «Esta tem sido a tendência nos últimos anos», disse à Agência Lusa. Acrescentou ainda que, mesmo que nalguns anos aumentem o número de execuções, isso não significa um maior número de países com pena de morte. Em 1977, apenas 16 países tinham abolido a pena de morte para todos os crimes, quando actualmente são já 86. Num ano em que o continente africano merece destaque pela AI, os responsáveis da organização internacional congratulam-se com o facto de o Senegal e da Libéria terem abolido recentemente a pena de morte para todos os crimes (respectivamente em Dezembro de 2004 e Setembro deste ano).
DADOS HISTÓRICOS: A abolição da pena de morte para os crimes políticos foi proposta na sessão de 10 de Março de 1852 da Câmara dos Deputados, em Aditamento ao Acto Adicional à Carta Constitucional. Iniciada a discussão em 29 de Março, as divergências incidiram apenas sobre o processo legislativo. Relativamente à questão de fundo, o representante do Governo sintetizou o que parecia corresponder ao sentimento unânime da Câmara: “...porque felizmente entre nós a pena de morte para os crimes políticos está abolida nos corações de todos; e se, porventura, aparecesse hoje entre nós, um Nero, ou um Calígula, não teria força para a impor; e ainda bem que damos ao mundo um exemplo de tolerância que muito nos honra”. A proposta foi aprovada e a abolição da pena de morte por crime político passou a constar do artigo 16º do Acto Adicional à Carta Constitucional (5 de Julho de 1852). Sabe-se que, desde 1834, não fora executada pena capital pela prática de crime político. Em 1867, viria a ser aprovada uma lei que aboliu a pena de morte para todos os crimes, exceptuados os militares - Lei de 1 de Julho de 1867. Relativamente a crimes do foro militar, a pena de morte manteve-se até ao Decreto com força de lei de 16 de Março de 1911 que a aboliu, vindo a Constituição de 1911 a prever que em nenhum caso poderia ser estabelecida tal pena.
Uns anos mais tarde, a participação de Portugal na guerra levaria, pela lei nº 635, de 28 de Setembro de 1916, a restabelecer a pena de morte para “caso de guerra com país estrangeiro, em tanto quanto a aplicação dessa pena seja indispensável, e apenas no teatro de guerra”. Com redacção ligeiramente diferente, este regime vigorou até à Constituição de 1976 que, no nº 2 do artigo 24º, estabeleceu que “em caso algum haverá pena de morte”. Portugal foi pioneiro na abolição da pena de morte e na renúncia à sua execução mesmo antes de abolida.
CONCLUSÃO: A pena de morte é um assunto que gera grandes polémicas não apenas entre os juristas, mas envolvendo a população em geral. Esta polémica já existe há séculos e nunca se chegou a uma unanimidade e talvez nunca se chegue, mas a partir do século XIX, que se tem dados passos firmes com o sentido de acabar com esta crueldade.
Muitas pessoas posicionam-se contra ou a favor da pena de morte, mas não sabem justificar com exactidão a posição que assumem. Os que são contra a pena de morte argumentam que a criminologia e as estatísticas provam que a existência da pena de morte não reduz os crimes punidos com essa pena, e geralmente os que sofrem com a aplicação dela são os mais desfavorecidos, uma vez que não possuem condições para arranjar um bom advogado e os advogados oficiosos muitas vezes nem se preocupam em verificar se o seu cliente é realmente culpado. Os que defendem a sua aplicação argumentam que o criminoso é um degenerado irrecuperável e que ficando preso para sempre só estaria gastando dinheiro do Estado e que a melhor solução é matá-lo, poupando dinheiro dos contribuintes. Até hoje não se conseguiu provar que a aplicação da pena de morte diminui os índices de criminalidade, uma vez que verifica-se que os países que a aplicam têm percentagens de crimes superiores às dos países que a aboliram.
A pena de morte é a punição mais cruel, desumana e degradante não apenas para o preso, mas também para sua família; além da aplicação da pena, o preso às vezes fica anos à espera que a execução seja cumprida, o que acaba por desgastar o preso e prejudicar sériamente a qualidade de vida da sua família. E, acima de tudo é, uma violação clara do direito à vida.

Fontes:Amnistia Internacional/ Lusa /Procuradoria-Geral da República

domingo, outubro 09, 2005

John Lennon


O músico John Lennon, morto em 1980, completaria 65 anos neste Domingo. O cantor foi assassinado no dia 8 de Dezembro, em frente ao edifício onde morava, em Nova Iorque.
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 em Liverpool. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda a sua vida e acabou sendo criado por uma tia. Estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que viu o nascimento dos “Quarrimen” ( que mais tarde dariam origem aos Beatles). Aprendeu a tocar guitarra com a sua mãe, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso aproximou-o de Paul McCartney, que havia perdido a sua mãe na mesma época. Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria a sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962. Naquela época os Beatles começavam a escalada da fama e digressões, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, o seu filho Julian, nascido em 1963, pouco contacto tivesse tido com ele..
John Lennon sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele foi o grande responsável pela maioria das canções da banda, facto que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: “In His Ows Write” ( 1964 ) e “A Spaniard in The Works” ( 1965 ). Em 1966 fez a famosa declaração de que "os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo”, frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original. Recebeu em 1966 a medalha do Império Britânico ( devolvida em 1969 em repúdio pelo envolvimento da Inglaterra na guerra do Biafra ). No mesmo ano, numa exposição de artes na ‘Indica Gallery’, em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a envolver-se com drogas pesadas. No final desse mesmo ano vai para a Espanha filmar “How I Won The War”’, de Richard Lester. Em 1968 o casamento de John e Cynthia terminou, começando a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como ‘Two Virgins’ ( que se tornaria famoso pela capa dos dois nus ), ‘Life With The Lions’ e ‘Wedding Album’. Nesse mesmo ano, os dois são presos por posse de haxixe numa rusga policial.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como ‘Fly’,’Self Portrait’, ‘Smile’ e ‘Erection’. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama num hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal, um símbolo da paz.
Formou a banda ‘The Plastic Ono Band’ para um concerto pela paz em Toronto, e a música “Give Peace a Chance” tornou-se o hino do movimento Hippie.
Com o fim dos Beatles, em 1970, John inicia uma carreira a solo. O segundo disco a solo, ‘Imagine’, tornou-se um fenómeno de vendas e a música uma obra prima.
No final de 1971 o casal muda-se para Nova Iorque, onde estabelecem residência, facto pelo qual durante quase 5 anos fez com que John Lennon não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência ( devido à posse de drogas na Inglaterra ). Só iria conseguir o ‘Green Card’ em 1976. Campanhas anti Guerra do Vietname e posições políticos de esquerda, fizeram dele uma pessoa “perigosa” para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pelo FBI e teve o seu telefone sobre escuta. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco “Sometime in New York City”.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: “Mind Games”’ e ‘Walls and Bridges”. Nessa época começa a gravar o disco “Rock’n’Roll”, que só seria terminado 2 anos mais tarde.A separação de John Lennon e Yoko Ono termina em 1975.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em Nova Iorque, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John Lennon começa então um jejum musical de 5 anos, fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko Ono toma conta dos negócios. O movimento “new wave” deu um novo fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, para gravarem em 1980, o disco “Double Fantasy”. O Disco tornou-se um mega sucesso comercial. A 8 de Dezembro de 1980, John Lennon foi abordado por um fã que lhe pediu um autografo à saída do seu prédio em Nova Iorque. Lennon assinou a capa do disco. Mark David Chapman, permaneceu junto ao edifício durante algumas horas. Quando Lennon regressou, Chapman disparou cinco tiros certeiros ao corpo de John. Lennon faleceu a caminho do hospital. Tinha 40 anos.

Concordo com Sir Paul McCartney, quando afirmou, dois dias após a sua morte: “John era um grande homem, que será lembrado pelas suas originais contribuições na arte, na música e na paz mundial”.

terça-feira, setembro 27, 2005

Blogosfera em Felgueiars

No século XX tinhamos os fenómenos no Entroncamento. Mas hoje há Felgueiras, "o Entroncamento do século XXI". Esta descrição - fenomenal - consta do blogue Felgueiras 2005.blogspot.com e é anterior à reaparição da autarca do mesmo nome lá na terra. Uma blogosfera activa segue os acontecimentos políticos locais, à margem do que dizem os media nacionais. Exemplos de como a blogosfera, potencialmente global, como a Internet, forma uma esfera pública alternativa, a nível local. Um fenómeno do século XXI que retrataremos aqui, durante as autárquicas. Na blogosfera felgueirense entram páginas como o Diário de Felgueiras (endereço JoséCarlosPereira.blogspot.com), com muita informação, actualizada diariamente. Este diário virtual puxa por um ataque do Bloco à isenção da RTP que é retomado na página Ovelhanegra, que bate em todos os partidos excepto no... Bloco, uma das duas organizações partidárias com página própria nesta blogosfera. A outra é a Juventude Socialista e, pelo que se lê, o candidato socialista não é bem visto por lá. Também há as páginas apolíticas, como o EN-101 (nome conseguido) ou A Fábrica. Mas este reproduz o texto onde um candidato autárquico escreve "o conselho de Felgueiras". Um fenómeno, a blogosfera. M.G.
Notícia DN.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Fernando Alonso


O espanhol Fernando Alonso, da Renault, fez o suficiente para assegurar o título de campeão Mundial de F1. Neste domingo, terminou em terceiro lugar no GP do Brasil, disputado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, e tornou-se o mais jovem campeão da história da categoria. Também foi o primeiro espanhol a ser campeão da F1.
Com 24 anos, Fernando Alonso, tornou-se o mais jovem campeão da F1.
O recorde anterior era do brasileiro Emerson Fittipaldi, que tinha 25 anos, oito meses e 28 dias quando se tornou campeão no ano de 1972. O espanhol, por sua vez, tornou-se ontem campeão com 24 anos, um mês e 27 dias.
A excelente notícia é, que com esta vitória, Fernando Alonso acaba com a hegemonia do alemão Michael Schumacher, que vinha de conquistar cinco títulos consecutivos.

Fernando Alonso, nasceu em 28 de Julho de 1981 em Oviedo Espanha. Oriundo de uma família humilde, o pai era torneiro mecânico e a mãe funcionária do El Corte Inglês, nasceu com vocação para vingar no mundo do desporto automóvel. Por influência paterna, aos 4 anos já se sentava num kart de fabrico caseiro, porque as economias não permitiam outra coisa. Ainda como infantil, correu sempre com miúdos mais velhos, nas provas organizadas em diversas localidades da região das Astúrias, mas nem por isso deixava de os derrotar, ganhando a primeira prova oficial aos 7 anos. O pai, Jose Luis Alonso, dedicava todo o tempo livre de que dispunha aos cuidados da preparação do kart para as corridas do fim de semana.
Com a subida de escalão, os gastos aumentavam quase em proporção, criando dificuldades ao modesto orçamento gerido pelo pai Alonso, que apenas quando o miúdo tinha nove anos e já ostentava o título das Astúrias e da Galiza lhe comprou um kart em primeira mão.
Já detentor de vários títulos em Espanha, chegava o momento de dar o salto, em termos de competição, para a Europa, mas o problema era sempre o mesmo: escassos recursos financeiros. Um importador de karts, Genis Marco, acabaria por ser determinante no futuro da carreira do actual piloto da Renault. Passou a apoiá-lo oficialmente, angariando também patrocínios e Alonso podia dispor, finalmente, de material novo e competitivo em cada prova. Um salto qualitativo que lhe permitiu, a partir de então, brilhar também a nível internacional, conquistando, entre outros sucessos, um título de campeão mundial de karting na categoria júnior. Passa de seguida pela Fórmula 3000, em 2001 chega finalmente à F1, onde se estreia pela Minardi, no Grande Prémio da Austrália, tornando-se o terceiro mais jovem piloto de sempre a fazê-lo. Em 2002 é chamado para piloto de testes da Renault e no ano seguinte torna-se piloto oficial da marca. Em 2003, a 22 de Março alcança a sua primeira Pole Position, tornando-se o piloto mais jovem de sempre a alcançá-la. Nesse mesmo ano, no Grande Prémio da Hungria, com 22 anos e 26 dias, torna-se o mais jovem piloto a ganhar um Grande Prémio.
Ontem, voltou a fazer história.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Afinal o que é... Sexo?


Recebi este texto por mail, como lhe acho piada, decidi fazer este post.
Afinal o que é... Sexo?
Para o médico o sexo é
... uma doença porque sempre termina na cama.
Para o advogado o sexo é... uma injustiça porque sempre há quem fica por baixo.
Para o engenheiro o sexo é... uma máquina perfeita porque é a única em que se trabalha deitado.
Para o arquitecto o sexo é... um erro de projecto porque a área de lazer fica muito próxima da área de saneamento.
Para o político o sexo é... um acto de democracia perfeito porque todos gozam independentemente da posição.
Para o economista o sexo é... um desajuste porque entra mais do que sai. Às vezes nem sabe o que é activo ou passivo.
Para o contabilista o sexo é... um exercício perfeito: põe-se o bruto, faz-se o balanço, tira-se o bruto e fica o líquido. Podendo, na maioria dos casos, ainda gerar dividendos.
Para o matemático o sexo é... uma perfeita equação porque a mulher coloca entre parênteses, eleva o membro à sua máxima potência, e extrai-lhe o produto, reduzindo-o à sua mínima expressão.
Para o psicólogo o sexo é...explicar é foda!

Bom fim de semana, esqueçam o trabalho...

quinta-feira, setembro 22, 2005

Furacão Rita


O furacão Rita, que atingiu a categoria máxima na escala Saffir-Simpson, é já o terceiro de maior intensidade na história da bacia das Caraíbas, anunciou o Centro norte-americano de Furacões.
O Centro Nacional de Furacões disse que os ventos do Rita atingiram 265 quilómetros por hora ao passarem sobre as águas quentes do golfo do México, depois de atingir as ilhas Key, na Flórida, na terça-feira. A tempestade provocou poucos danos no arquipélago, mas na de quarta-feira tornou-se um furacão de categoria 5, superando o poder de destruição do furacão Katrina, que devastou parte da Louisiana, Mississippi e Alabama em 29 de Agosto.

Mais de um milhão de pessoas estão a entupir as auto-estradas do estado do Texas para tentar sair das cidades de Houston e Galveston, por causa do avanço do furacão Rita naquela direcção.
O Presidente George W. Bush criticado pela falta de reacção da Administração ao desastre do furacão “Katrina”, pediu agora aos americanos que «ouçam com atenção as instruções dadas pelas autoridades estaduais e locais» em relação ao “Rita”.
«Esperamos e rezamos para que o furacão “Rita” não seja uma tempestade devastadora, mas temos de estar preparados para o pior», disse Bush num discurso perante a Coligação Judaica Republicana.
Centenas de camiões de água, gelo e refeições pré-preparadas chegaram terça-feira às localidades que estão no caminho do “Rita” e equipas médicas e de emergência encontram-se de prevenção.
«Sabemos que haverá um espaço de tempo antes de a ajuda chegar, por isso, têm de ter o plano da vossa família pronto, o plano de evacuação pronto. Verifiquem se têm comida, água, medicamentos e todas as coisas que precisam para sobreviver alguns dias sozinhos», pediu o novo director da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), David Paulison.
Entretanto o último balanço de mortes em consequência do furacão Katrina é de 1037 vítimas mortais.
*Seguem-se os nomes de alguns dos mais mortais furacões que atingiram o sul dos Estados Unidos desde 1900, por número de mortes:
1900 -- Um furacão sem nome, conhecido desde então como Galveston, atinge o Texas, matando pelo menos 8.000 pessoas.
1928 -- Cerca de 2.500 pessoas são mortas na Flórida por um furacão que provocou tempestades e enormes ondas no lago Okeechobee.
2005 -- O furacão Katrina ataca Louisiana e Mississippi com ventos de 224 quilómetros por hora e ondas de nove metros. O total de mortos pelo Katrina é de 1.037 até 21 de Setembro.
1935 -- Um furacão sem nome, de categoria 5, varre as ilhas Key, da Flórida, deixando 408 mortos. O furacão passou a ser mencionado como o do Dia do Trabalho de 1935 e é a tempestade mais intensa a atingir os Estados Unidos desde o início dos registos.
1957 -- Furacão Audrey atinge o sudoeste da Louisiana e Texas, matando 390 pessoas.
1919 -- Um furacão sem nome atinge a Flórida e o Texas, matando 287 pessoas.
1969 -- Furacão Camille, a segunda tempestade mais intensa a investir contra os EUA, mata 256 pessoas no Mississippi, Virgínia e Louisiana.
1972 -- Furacão Agnes, apesar de ser apenas da categoria 1, mata 122 pessoas ao atingir a Flórida.
1954 -- Furacão Hazel ataca a Carolina do Norte e a Carolina do Sul, matando 95 pessoas.
1965 -- Nova Orleans recebe um golpe do furacão Betsy, de categoria 3, que inunda a cidade e mata 75 pessoas.
1961 -- Furacão Carla atinge o Texas, matando 46.
1989 -- Furacão Hugo inunda a Carolina do Sul, matando 32.
1992 -- Furacão Andrew, de categoria 5, dilacera a Flórida e a Louisiana, deixando 29 mortos e causando mais de 25 mil milhões de dólares em danos. Foi o furacão que causou mais prejuízo entre os que atingiram os Estados Unidos e o terceiro mais intenso da história.
2004 -- Furacão Ivan, de categoria 3, atinge a Flórida e o Alabama, matando 25. O furacão Charley, de categoria 4, investe contra a Flórida, matando 23.
*Fonte: www.nhc.noaa.gov.

Outono


Fotografia chez-moi.

Num pálido desmaio a luz do dia afrouxa
E põe, na face triste, um véu de seda roxa...
Nuvens, a escorrer sangue, esvoaçam, no poente.
E num ermo, que o Outono adora eternamente,
Vê-se velhinha casa, em ruínas de tristeza,
Onde o espectro do vento, às horas mortas, reza
E o luar se condensa em vultos de segredo...
Almas da solidão, sombras que fazem medo,
Vidas que o sol antigo, um outro sol, doirou,
Fumo ainda a subir dum lar que se apagou.

Paisagens, de Teixeira de Pascoaes

quarta-feira, setembro 21, 2005

Leonard Cohen


“Como um pássaro no fio, como um bêbado numa cantoria nocturna, eu vou buscando a minha maneira de ser livre”, definiu-se na sua mais emblemática canção, “Bird on the wire”.
Faz hoje setenta e um anos, um dos melhores poetas e músicos do nosso tempo.
Nascido numa família tradicional judaica, em 21 de Setembro de 1934, Leonard Cohen escreveu os primeiros poemas aos 15 anos, dando início a uma busca pessoal que o levou também à boémia, à música, às drogas e a insolúveis conflitos em todos os caminhos que tem percorrido, incluindo o religioso. Enquanto frequentava a universidade, Cohen começou a escrever poesia e passou a fazer parte de uma cena literária local tão underground que era apelidada de «subversiva». A sua primeira colectânea de poesia, Let Us Compare Mythologies, foi editada em 1956, quando Cohen ainda estava a estudar. Mas foi o segundo livro de poemas, The Spice Box of Earth, de 1961, que lhe deu o reconhecimento internacional. As suas origens, além do hábito de se vestir bem, afastaram dele os poetas da geração beat. Allen Ginsberg, Jack Kerouac, William Burroughs consideravam-no “muito classe média para nós”.
Depois da licenciatura, Leonard Cohen partiu para uma viagem pela Europa e acabou por se fixar na ilha grega de Hidra, onde viveu durante sete anos. Na Grécia, escreveu mais dois livros de poesia, Flowers For Hitler (1964) e Parasites of Heaven (1966) e dois romances, O Jogo Preferido (1963) e Belos Vencidos (1966).
Depois da passagem pela Grécia, Cohen decidiu regressar ao continente americano e iniciar uma carreira musical. Em 1967, apareceu no Festival Folk de Newport, onde chamou a atenção de John Hammond, o responsável pela edição de nomes como Billie Holiday, Bob Dylan. Finalmente, em 1967, aos 33 anos, lançou Songs of Leonard Cohen, que já trazia alguns temas muito conhecidos, como Sisters of Mercy e So long Marianne, além de Suzanne. Este disco apresentava as principais características da sua obra musical, feita de melodias suaves, aparentemente monótonas, quase declamativas, porém dotadas de uma beleza que dispensa teorizações. Em 1968, Cohen editou mais um livro de poesia, Selected Poems: 1956-1968, e, no ano seguinte, o seu segundo álbum de originais, Songs From a Room.
Os anos que se seguiram foram prolíferos, tanto em termos de poesia como de música. Songs of Love and Hate (1971), Live Songs (1972), New Skin For the Old Ceremony (1973), Best of Leonard Cohen (1975), Death of a Lady´s Man (1977), Recent Songs (1979), Various Positions (1985), I´m Your Man (1988), The Future (1992), Cohen Live (1994), Field Commander Cohen - Tour of 1979 (2001), Ten New Songs (2001) e The Essential Leonard Cohen (2002) foram os álbuns editados por Cohen e The Energy of Slaves (1972), Death of a Lady´s Man (1978), The Book of Mercy (1984), Stranger Music (1993), os livros de poemas.
Pouco tempo depois da digressão do álbum The Future, Cohen começou a passar cada vez mais tempo num retiro zen no topo do monte Baldy, no sul da Califórnia. Passava a maior parte do tempo a meditar, a exercitar os koans e a cozinhar para o seu mestre, Sasaki Roshi.
Em 1999, depois de quase cinco anos no monte Baldy, período em que Cohen foi ordenado monge zen e baptizado com o nome dharma de Jikan (O Silencioso), o compositor desceu a montanha com centenas de novos poemas e letras de canções. Começou imediatamente a trabalhar as canções e daí nasceu o álbum Ten New Songs.
Voltou aos registos discográficos em 2004, com mais um disco intimista intitulado Dear Heather.

Parabéns Mister Cohen!

Fátima Felgueiras


A ex-presidente da Câmara de Felgueiras Fátima Felgueiras foi detida hoje pelas autoridades policiais portuguesas no aeroporto de Lisboa, onde chegou às 7:00 vinda do Rio de Janeiro, no Brasil, disse à Lusa fonte policial.
A fonte da Polícia Judiciária adiantou que a autarca pediu para ser detida, o que foi cumprido pela PJ, que estava na posse de um mandado de detenção emitido pelo Tribunal da Relação de Guimarães.
Fátima Felgueiras deverá agora ser conduzida ao Tribunal Judicial de Felgueiras onde será ouvida, provavelmente ainda hoje, pelo delegado do Procurador da República.
Fátima Felgueiras vai entregar ao Tribunal um requerimento solicitando a alteração do regime de prisão preventiva a que foi sujeita em Maio de 2003, data em que se fugiu para o Brasil.
No documento, a ex-autarca argumenta que já não existem as três razões invocadas pela Relação para lhe impor aquela medida: o perigo de perturbação do inquérito, o de continuação da alegada actividade criminosa na Câmara e o de fuga.
No primeiro caso, lembra que o inquérito está terminado pelo que não pode nele intervir, no segundo, assinala que já não governa os destinos da Câmara, dado ter renunciado ao mandato, e, no terceiro, usará o argumento de que regressou voluntariamente do Brasil para "provar" a sua inocência em Tribunal.
Caso o Tribunal não lhe conceda a liberdade, poderá manter a prisão preventiva, ou alterar a medida de coacção, optando pela prisão domiciliária, pelo pagamento de uma caução, ou mesmo pela imposição do sistema de pulseira electrónica.
Ao regressar a Portugal, Fátima Felgueiras cumpre a promessa feita a 03 de Agosto ao Tribunal de Felgueiras, e concretiza aquilo que vinha dizendo desde que foi para o Brasil, para fugir a um mandado de captura das autoridades portuguesas.
Fátima Felgueiras está acusada de 23 crimes, seis dos quais de corrupção passiva para acto ilícito e quatro de abuso de poderes.
O caso, conhecido como o "saco azul de Felgueiras", envolve 14 outros arguidos, estando julgamento marcado para dia 11 de Outubro em Felgueiras.
A autarca sempre se disse "inocente", garantindo que o conseguirá "provar em julgamento" e "nunca geriu qualquer saco azul ilegal, em benefício próprio, do PS ou do Município".

A ex-autarca Fátima Felgueiras, invocou a imunidade dos candidatos autárquicos para evitar a prisão preventiva, disse à Lusa fonte da Polícia Judiciária.
A mesma fonte disse que a ex-presidente da Câmara de Felgueiras pediu à Polícia Judiciária do Porto, em cujas instalações se encontra detida, para transmitir o seu pedido de imunidade ao Tribunal Judicial de Felgueiras. Felgueiras ficará nas instalações da PJ do Porto a aguardar a decisão do Tribunal.
O pedido de imunidade significa que Fátima Felgueiras decidiu levar por diante a sua candidatura como independente à Câmara de Felgueiras, anteriormente formalizada por um grupo de apoiantes.
Além dos telejornais terem de que falar à hora do almoço, mostrando uma vez mais, o lixo de informação a que nos habituaram, a senhora arrisca-se sériamente, a ser reeleita presidente da Câmara de Felgueiras.

terça-feira, setembro 20, 2005

Simon Wiesenthal


O “caçador de nazis” Simon Wiesenthal, morreu hoje em Viena aos 96 anos.
Fundador do Centro Judaico de Documentação, em Viena, ajudou a capturar cerca de 1.100 criminosos de guerra nazistas, entre eles Adolf Eichmann, o carrasco que planeou o extermínio dos judeus. Wiesenthal recebeu mais de uma centena de prémios e condecorações, entre os quais a “Medalha Presidencial da Liberdade”, maior condecoração civil dos Estados Unidos, oferecida por Bill Clinton, em 2000, e o “World Tolerance Award”, outorgado para premiar o seu compromisso com a justiça, a tolerância e a paz. Também foi homenageado por movimentos de resistência de vários países europeus, recebeu “Medalhas da Liberdade” na Holanda e no Luxemburgo, e a Medalha de Ouro do Congresso americano. Foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra, na França, e seu trabalho em prol dos refugiados foi reconhecido pelas Nações Unidas.
Simon Wiesenthal nasceu em 31 de Dezembro de 1908, em Buczacz, então parte do Império Austro-húngaro, hoje Lvov, na Ucrânia. Recusado pelo Instituto Politécnico da sua cidade natal pelas cotas restritivas a alunos judeus, fez os seus estudos na Universidade de Praga, onde se formou em Arquitectura, em 1932.
Em 1936 casou-se com Cyla Mueller e trabalhou num gabinete de arquitectura em Lvov. Em 1939, a Alemanha e a Rússia assinaram o pacto de não-agressão e concordaram em dividir a Polónia entre si. O exército russo logo entrou em Lvov. O padrasto de Wiesenthal foi detido pelo NKVD (Comissariado do Povo para os Assuntos Internos - polícia soviética) morrendo na prisão. O meio-irmão foi abatido a tiro e o próprio Wiesenthal viu-se obrigado a encerrar o seu gabinete, tornando-se mecânico numa fábrica. Mais tarde conseguiu salvar-se, e à mulher e à mãe, da deportação para a Sibéria subornando o comissário do NKVD. No início de 1942, os nazis decidiram pôr em prática a “Solução Final” para o “Problema judeu “ - Aniquilação.
Em Agosto de 1942, a mãe de Wiesenthal foi enviada para o campo de morte de Belzec. Em Setembro, a maior parte da família da mulher estava morta. No total, sucumbiram 89 elementos de ambas as famílias.
Conseguiu fugir em 1943, mas foi recapturado no ano seguinte e enviado novamente para o campo de Janovska. Com o avanço do Exército Vermelho, as SS decidiram manter vivos os 34 mil prisioneiros que ainda restavam dos 149 mil que havia inicialmente no campo. Durante a marcha de retirada rumo ao Ocidente, que passou pelo campo de Buchenwald e terminou em Mauthausen, pouquíssimos prisioneiros sobreviveram.
Quando, em 5 de Maio 1945, o campo de Mauthausen foi libertado pelos americanos, Simon pesava menos de 50 quilos. Assim que recuperou as suas forças, começou a reunir provas das atrocidades cometidas pelos nazistas para a secção dos crimes de guerra do exército americano. Além desse trabalho, dirigia o Comité Judaico da Áustria, uma organização assistencial beneficente.
No final de 1945, Simon e Cyla reencontraram-se e uniram-se novamente, após anos acreditando que o outro morrera. Um ano depois, nasceu sua filha Pauline. Simon Wisenthal criou em 1947 o centro de informação e documentação sobre criminosos nazis, ponto de partida para a procura de nazis.
Após anos de perseguição obstinada na Argentina, localizou Eichmann, que os serviços secretos israelitas raptaram em Buenos Aires em 1960. Levado perante a justiça em Israel, em 1961, o dirigente nazi foi condenado à morte e executado pelo Estado hebraico a 31 de Maio de 1962. Em 1967, Simon Wiesenthal desferiu mais um golpe de mestre com a detenção do comandante do campo de concentração de Treblinka, Franz Stangl. “Para que Auschwitz não se interponha sempre entre os judeus e os alemães é preciso que os criminosos de guerra sejam condenados”, defendia Wiesenthal. Ao retirar-se, em 2003, observou: “Os criminosos que procurei, encontrei-os. Sobrevivi a todos eles”.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Maria Callas


Maria Anna Sofia Cecilia Kalogeropoulos, filha de emigrantes gregos, nasceu em Nova Iorque, no dia 2 de Dezembro de 1923. Depois do divórcio dos pais, em 1937, foi viver para a Grécia, onde começou a estudar canto, no Conservatório de Atenas. Aos 16 anos, substituiu uma outra cantora em Tosca, na Ópera de Atenas. Em 1945 regressou a Nova Iorque, na esperança de iniciar uma carreira internacional, mas foi em Verona, Itália, ao interpretar «La Gioconda», que deu o primeiro grande passo para se tornar na mais célebre soprano de todos os tempos. A partir daí, as interpretações em óperas dos maiores compositores tornaram conhecidas as suas extraordinárias capacidades vocais e de expressão dramática. Embora a sua técnica não fosse considerada perfeita, Maria Calas contribuiu para a popularidade dos papéis clássicos da coloratura através da expressividade que lhes conseguia imprimir e do seu carisma. Em Verona conheceu o empresário Giovanni Battista Meneghini, com quem viria a casar. A sua carreira prosseguiu então, acumulando sucessos, tornando-se a cantora de ópera mais célebre e procurada do seu tempo.
Em 1957, Maria Callas conheceu o milionário grego Onassis, por quem deixou o marido em 1959, tornando pública a sua relação amorosa com o armador grego, um dos homens mais ricos do mundo, que insistia para que ela deixasse os palcos .Aristóteles Onassis viria depois a separar-se dela, casando com Jacqueline Kennedy em 1968. Desde inícios dos anos 60, a voz de Callas começara a acusar algum desgaste, chegando mesmo os médicos a proibi-la de cantar. A sua última grande interpretação em palco foi na ópera «Tosca», no teatro de Covent Garden, em Londres, em 1965. Após um longo período em que se afastou dos palcos, Maria Callas voltou aos palcos em 1973 em companhia de Di Stefano numa digressão mundial que se inicia na Alemanha e termina no Japão. Mas, Callas não recupera a paixão e a vontade de viver. Em 1974, apresentou-se pela última vez em público e recolhe-se no seu apartamento de Paris.A 16 de Setembro de 1977, pouco antes de completar 54 anos, “La Diva” acordou de manhã e sucumbiu duas horas depois, vítima de um ataque cardíaco. Encontrava-se sozinha, no seu apartamento em Paris.

Equidade de Género


Em Nenhum País do Mundo As Mulheres Têm as Mesmas Oportunidades que os Homens
Não existe, actualmente, um único país do mundo onde as mulheres gozem das mesmas oportunidades que os homens. Apesar do progresso em algumas áreas nos últimos anos, as mulheres estão ainda em desvantagem na vida económica e política, de acordo com o último relatório anual da Social Watch.
O Social Watch é uma rede internacional de 400 organizações não governamentais de mais de 50 países – entre as quais a Oikos em Portugal – dedicada a monitorizar o cumprimento dos compromissos nacionais e internacionais para a erradicação da pobreza, que tem a equidade de género como uma das suas dimensões fundamentais.
A exclusão das mulheres é muito visível na arena política. Apesar de representarem mais de metade da população mundial, somente 15 por cento das mulheres têm assento nos parlamentos no mundo.
De acordo com os estudos internacionais, para que as mulheres possam exercer uma influência real sobre os processos políticos é necessário que ocupem pelo menos 30 por cento dos cargos políticos. No entanto, apenas alguns países, na sua maioria na Europa do Norte, superam esta taxa: Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca.
Em Portugal, e após as eleições de 2005, as mulheres representam apenas 17,8% entre os deputados da Assembleia da República e há apenas duas mulheres entre os 16 ministros do actual Governo.
De facto, a presença de mulheres nos centros de poder de decisão política é o único indicador de equidade de género que não varia segundo a pobreza do país. Em alguns dos países mais ricos do mundo como a França ou o Japão, as mulheres ocupam apenas entre 10 e 12 por cento dos assentos parlamentares, que é menor do que a taxa de 13 por cento alcançada pela África subsariana, a região mais pobre do mundo.
De um modo geral, os decisores políticos nacionais continuam a ser homens, e isto acaba por se reflectir no tratamento dos temas que preocupam as mulheres: 47 países membros da ONU continuam sem assinar ou ratificar a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, adoptada em 1979, e outros 43 fizeram-no com reservas, diz o relatório.
Quanto à participação económica, a nível mundial as mulheres enfrentam diferentes níveis de discriminação laboral. Elas têm um acesso limitado ao mercado do trabalho, e o salário médio que recebem é menor do que o dos homens. As maiores iniquidades nestes dois aspectos encontram-se nos países do Médio Oriente, no Norte de África e alguns na América Latina como o Chile, México e Peru.
Contrariamente ao que muitos podem assumir, os países não necessitam de altos níveis de rendimento para conceder oportunidades iguais para homens e mulheres. Existem algumas nações com problemas sérios de pobreza e que têm feito um progresso assinalável no alcance de uma maior equidade de género, revela o relatório Social Watch.

Fonte Oikos.

quinta-feira, setembro 15, 2005

O Embus(h)te Americano


Apesar de milhões de dólares gastos na prevenção, para responder a catástrofes de todos os níveis, a resposta da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), à passagem do furacão Katrina, foi feita de uma maneira descoordenada, com falhas de comunicação e confusão generalizada, que custou a vida a muitas centenas, ou mesmo milhares de americanos. Acusado de ter demorado demasiado tempo a reagir à catástrofe – só abandonou o seu rancho no Texas, onde estava de férias, dois dias depois de o Katrina ter destruído New Orleans, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu na segunda-feira que foram cometidos erros na forma como as autoridades responderam à catástrofe criada pelo furacão Katrina, há cerca de duas semanas. George Bush disse em New Orleans, que houve uma inoperância dos serviços de protecção civil e que as críticas que alguns sectores lhe fizeram, são justas.
George W. Bush, fez estas declarações num momento em que as sondagens publicadas pelas revistas Time e Newsweek, dizem que a esmagadora maioria dos americanos estava descontente com a velocidade de reacção do governo norte-americano à tragédia de 29 de Agosto.

Obrigado, Humor Negro.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Acção Governativa


Quadro Pleasure Principle - René Magritte
Num país mal governado, em que os salários de miséria são uma regra, é, de certa forma, escandaloso ouvirmos notícias de pessoas que são nomeadas para cargos para os quais, sem nunca ter demonstrado alguma competência, auferem salários milionários. Ao longo destes seis meses, foram muitas as nomeações que indignaram de uma forma ou de outra o cidadão comum. Assim de cabeça lembro-me: Pina Moura, Fernando Gomes, Armando Vara, Oliveira Martins e ainda ontem, Maria Rui. A lista seria certamente muito mais extensa se fizesse uma pequeníssima pesquisa. Mas para o efeito estes nomes são os bastantes. Ontem estava numa pequena arrumação aos meus livros, quando me veio parar à mão o livro “A Nova Ordem Estupidológica” do psicólogo Vítor J. Rodrigues. Já há muito que não lhe punha os olhos em cima , por isso decidi folheá-lo, e encontrei este texto que quero partilhar convosco:
“…Um governo de estúpidos não se avalia realmente a si mesmo, nem fornece aos outros elementos para que o avaliem: pelo contrário, apresenta dados que convençam os outros de que é um bom governo. A fim de assegurar a perpetuação do poder, é fundamental fazer quatro coisas:
a - Consolidar o poder. Acelerar o acesso de primos, conhecidos, comparsas, colegas, enfim, estúpidos de confiança a lugares-chave .Elaborar legislação destinada a favorecer e proteger as conquistas de todos os interessados em que o político estúpido continue a governar.
b – Convencer o público de que os seus interesses estão a ser objecto de um zelo desvelado. Isto será grandemente facilitado pelo facto de uma parte destes interesses ser de natureza estúpida – o que, nos tempos que correm, é frequentemente o caso.
c – justificar cuidadosamente as decisões tomadas. O que importa é justificá-las a posteriori, razão pela qual elas podem e devem ser tomadas segundo conveniências políticas momentâneas deixando depois a técnicos esforçados o cuidado de inventarem justificações que pareçam convincentes (até mesmo científicas).Isto costuma ser especialmente interessante e útil na esfera educativa e laboral.
d – Afastar do poder as pessoas inteligentes. Este aspecto costuma ser fácil pois essas pessoas tomam frequentemente a iniciativa de se conservarem afastadas – sob o efeito do enjoo – ou, noutra variante, não têm hipóteses pois uma boa parte do mundo está nas mãos dos estúpidos…
Apesar deste texto ser ficção, e não ter nadinha a ver com o que se passa no nosso país, não resisti a partilhá-lo.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio


Em Setembro de 2000, 189 Chefes de Estado e de Governo, reunidos a nível de Cimeira, aprovaram a Declaração do Milénio. Exactamente um ano depois da assinatura desta declaração o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou um projecto contendo oito medidas essenciais para que a declaração do milénio pudesse ser executada até a data estipulada de 2015. Ficando conhecido este documento como Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). O mais importante objectivo é a redução da pobreza e da fome para metade. Os outros sete objectivos são menos ousados. Quando a 60ª sessão da Assembleia-Geral da ONU for inaugurada na próxima quarta-feira são exactamente estes “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” que estarão em cima da mesa:
ODM 1: redução da pobreza e da fome
O primeiro ODM é a redução da pobreza extrema e da fome para metade. Para as Nações Unidas, pobres são as pessoas que têm de viver com menos de um dólar por dia, uma definição um tanto formal, pois quem tem que lutar diariamente pelo que comer geralmente está excluído de todo o resto: educação, saúde, participação política e social. A luta contra a pobreza é portanto o cerne da questão, sem a qual nenhuma das outras metas é alcançável.
ODM 2: educação
O segundo objectivo para as Nações Unidas é o alcance de níveis básicos de educação. A garantia de acesso à educação básica é a condição para que cada um possa desenvolver plenamente o seu potencial de modo a poder participar activamente no processo de formação social e político.
Até 2015, pretende-se assegurar que todas as crianças possam completar o nível escolar básico.
ODM 3: igualdade dos sexos
O terceiro objectivo é a igualdade dos sexos.Com um empenhamento especial para pôr fim à violência contra a mulher, especialmente à violência doméstica, ao comércio de mulheres e à mutilação genital.
ODM 4, 5 e 6: saúde
Os objectivos 4, 5 e 6 estão ligados à saúde, especialmente a redução da mortalidade infantil (ODM 4) Saúde materno - infantil (ODM 5). O sexto ODM, prevê o aumento da luta contra a Sida, malária e outras doenças. Entre 1,5 e 2,7 milhões de pessoas morrem por ano vítimas da malária, que chega a infectar entre 300 a 500 milhões de pessoas ao ano. Outros dois milhões de pessoas morrem de tuberculose e mais de meio milhão de mulheres sucumbem devido a complicações na gravidez e no parto em cada ano. Mais de 42 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus HIV, que já custou a vida de mais de 20 milhões de pessoas.
ODM 7: meio ambiente
A situação é complicada quanto à chamada “garantia de sustentabilidade ecológica”. Enquanto que nos países industrializados a causa da destruição ambiental está ligada a formas descontroladas de produção e consumo, em países em desenvolvimento as causas são a pobreza, o crescimento populacional, falta de condições básicas e o desconhecimento de alternativas.
ODM 8: desenvolvimento
O oitavo e último objectivo é a “construção de uma parceria internacional pelo desenvolvimento”. Como a criação de um sistema comercial e financeiro justo e aberto, o perdão da dívida externa aos países em desenvolvimento, o aumento da ajuda para o desenvolvimento, e cada vez mais, a cooperação da economia privada nessa ajuda.
Mais de mil milhões de pessoas, vivem na pobreza extrema, carecendo da água, alimentação adequada , cuidados de saúde básicos e serviços sociais de que precisam para sobreviver. Cidadãos do terceiro mundo precisam de oportunidades, não de esmola. É necessário um avanço importante ao nível das políticas globais, na maior Cimeira das Nações Unidas, de sempre, que tem lugar entre 14 e 16 de Setembro, para que os países mais pobres do planeta fiquem em condições de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Ainda há tempo de realizar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, mas já não resta muito. Mesmo nos países mais pobres, é possível alcançar os Objectivos até 2015.
Mas esta é a última oportunidade.
Esta Assembleia-Geral vai contar com a presença de mais de 170 chefes de Estado e de Governo, o Presidente da República, Jorge Sampaio representará Portugal.

domingo, setembro 11, 2005

Chovia em Santiago


No dia 11 de Setembro de 1973, o presidente Salvador Allende apareceu pela última vez na varanda do palácio presidencial de La Moneda. Com um capacete de combate e uma metralhadora em punho, observou o cerco dos militares em redor do palácio. O presidente, voltou ao seu escritório, onde escreveu a última mensagem transmitida ao país através da Rádio Magallanes:
“Esta será certamente a última oportunidade que terei de falar com vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas de Rádio Magallanes. As minhas palavras não expressam amargura, mas decepção.

Que elas sejam um castigo moral para quem traiu o seu juramento:
soldados do Chile, comandantes titulares, o almirante Merino, que se auto proclamou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general desprezível que só ontem manifestou a sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se auto promoveu Director Geral do Corpo de Fuzileiros.
Diante destes factos só me cabe dizer aos trabalhadores:
Eu não vou renunciar!
Colocado num caminho histórico, pagarei com a minha vida a fidelidade do povo. E digo-vos que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser apagada definitivamente. Eles têm a força avassaladora, mas não detêm os processos sociais, nem com o crime nem com a força.
A história é nossa e é escrita pelos povos.
Trabalhadores da minha Pátria:

Quero agradecer-vos a vossa constante lealdade, a confiança que depositaram num homem que só foi intérprete de grandes desejos de Justiça, que se comprometeu a respeitar a Constituição e a lei, e assim o fiz.
Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aprendam a lição:
o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reacção, criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem com sua tradição, que lhes foi ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítimas do mesmo sector social que hoje estará à espera de reconquistar o poder para continuar a defender os seus lucros e privilégios.
Dirijo-me a vocês, principalmente à modesta mulher da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças.

Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que sempre trabalharam contra a sedição das corporações profissionais, corporações de classe que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, aqueles que cantaram e deram a sua alegria e o seu espírito de luta.
Dirijo-me ao homem chileno, o trabalhador incansável, o camponês, o intelectual, aqueles que serão perseguidos, pois no nosso país o fascismo já esteve presente nos atentados terroristas, explodindo as pontes e as vias ferroviárias, e destruindo os oleodutos e condutas de gás, ante o silêncio de quem tinha obrigação de proceder.
Estavam comprometidos.
A história os julgará.
A Rádio Magallanes será certamente cortada e o metal tranquilo da minha voz não chegará a vocês.
Não importa.
Continuarão a ouvi-la.

Sempre estarei junto de vocês.
Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi fiel à Pátria.
O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se.
O povo não deve deixar arrasar-se, molestar-se, nem deve humilhar-se. Trabalhadores da minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino.
Outros homens superarão este momento negro e amargo no qual a traição pretende impor-se. Fiquem sabendo que, muito mais cedo do que tarde, as grandes alamedas por onde passará o homem livre, serão abertas novamente, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile!

Viva o povo!
Vivam os trabalhadores!
Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição.”
Nas suas últimas palavras, o presidente Salvador Allende antecipou a sua própria morte como uma “lição moral” para os seus inimigos responsáveis, pelo golpe de Estado que instalou no Chile a ditadura do general Augusto Pinochet.

Salvador Allende


Salvador Allende nasceu em 26 de Junho de 1908, na cidade de Valparaíso. Em 1926, entra na Escola de Medicina da Universidad de Chile, concluindo o curso de Medicina. Em 1933 é um dos fundadores do Partido Socialista do Chile, de cujo grupo parlamentar faz parte entre 1937 e 1946. Por fazer oposição ao governo conservador do General Carlos Ibáñez, é exilado na região de Caldera. Em 1939, após o triunfo do Presidente Pedro Aguirre Cerda, aceita o cargo de Ministro da Saúde.
Casa-se, no ano de 1940, com Hortensia Bussi, que lhe deu três filhas: Laura, María Isabel e Beatriz. Foi eleito Secretário Geral do Partido Socialista chileno, em 1942. EM 1945 foi eleito Senador pelas províncias sulistas de Valdivia, Llanquihue, Chiloé, Aysén e Magallanes. Durante quase quinze anos, de 1949 a 1963, preside ao Colégio Médico do Chile.
Em 1952, candidata-se à Presidência da República pela primeira vez, recebendo 5% dos votos. É reeleito Senador, representando as províncias de Tarapacá e Antofagasta, no norte do país. Recandidata-se à Presidência da República, sendo derrotado pelo candidato independente Jorge Alessandri Rodríguez, que tinha o apoio de uma coligação de direita, em 1958. A pequena diferença de menos de trinta e cinco mil votos assusta a burguesia chilena. Em 1961, chega ao Senado pela sua região natal: Valparaíso, reduto conservador, tradicionalmente difícil para a esquerda.
Recandidata-se novamente em 1964. Para impedir a vitória dos socialistas, a direita chilena vota maciçamente em Eduardo Frei, democrata cristão. Allende recebe cerca de 40% dos votos.
Conquista a Presidência do Senado em 1966. Em 1969 reelege-se como Senador por Chiloé, Aysén e Magallanes. O candidato do Partido Comunista às eleições presidenciais, o poeta Pablo Neruda, desiste da candidatura, em favor de Salvador Allende.
Em 04 de Setembro de 1970, Salvador Allende obtém a primeira maioria relativa (36%) nas eleições presidenciais, apoiado pela Unidad Popular, sucessora da Frente Popular. Devido à Lei Eleitoral chilena, o Congresso Nacional deve escolher entre as duas primeiras maiorias relativas. Após um acordo com a Democracia Cristã, Salvador Allende é eleito Presidente da República, assumindo a Presidência, sob a apreensão e o temor de todos os conservadores, no dia 04 de Novembro de 1970.
Inicia-se a chamada Via Chilena ao Socialismo, “la revolución de empanada y vino tinto”.
Durante o Governo Popular, a luta popular incrementa-se, contra todas as campanhas destabilizadoras promovidas pela direita apoiada pelos democratas cristãos. A CIA observa, planeia, conspira. A Unidade Popular ganha a maioria absoluta nas eleições municipais de 1971, além de cerca de 43% dos votos parlamentares de 1973. Fracassada uma tentativa de impugnar Salvador Allende, o grupo de centro-direita começa uma intensa campanha para preparar a intervenção das forças armadas.
Sob intenso clima de agitação, provocado pelos sectores reaccionários e conservadores, com amplo apoio dos EUA, via CIA, fazem greves de sectores vitais, como transportes, para minar o abastecimento de víveres. Os motoristas de camiões são pagos, com vários meses de adiantamento, para ficar em casa. O Golpe de Estado de 11 de Setembro de 1973, derruba aquele que foi o mais democrático regime da América do Sul. Um dos líderes golpistas é Augusto Pinochet, Ministro da Defesa do Governo de Salvador Allende.
O Presidente Salvador Allende Gossens é covardemente assassinado no Palácio de La Moneda, no dia 11 de Setembro de 1973.
Iniciava-se no Chile uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina, comandada pelo general Augusto Pinochet, proclamado no ano seguinte "Chefe Supremo da Nação". Imediatamente após o golpe, o general inicia uma repressão cruel contra a oposição, proibindo qualquer actividade política e oprimindo os sectores da esquerda com prisões, torturas e execuções em massa, espalhando o terror por todo país e exterior. O Chile, que foi abrigo dos perseguidos de todo o continente, e um dos últimos pilares de liberdade na América do Sul, persegue implacavelmente os seus compatriotas.

A longa noite do horror fascista, cobriu o Chile.

9/11: Um Longo Dia de Terror


Há quatro anos, os Estados Unidos da América eram vítimas do maior atentado terrorista de que há memória.
Cronologia do ataque terrorista ao WTC e Pentágono:

8h45: Um Boeing 737,da Americain Airlines choca com a torre norte do World Trade Center, em Nova York deixando-a em chamas.
09h03: Um segundo avião, um Boeing 767 da Americain Airlines colide com a torre sul do World Trade Center. Agora as duas torres estão em chamas.
09h18:Todos os aeroportos dos Estados Unidos, numa acção inédita, são fechados.
09h21: Autoridades portuárias da cidade de Nova York fecham todas as pontes e túneis, que dão acesso a Nova York.
09h39: O presidente George W. Bush convoca uma reunião com membros do gabinete de segurança nacional, com a presença do vice-presidente, Dick Cheney, e do governador do Estado de NY, George Pataki.
09h43: Um avião Boeing 757-200 da Americain Airlines colide com o Pentágono, em Washington. O Governo determina evacuação imediata do prédio.
09h45: A Casa Branca é evacuada.
09h51: Administração Federal de Aviação suspende pela primeira vez na história todos os voos para os EUA.
10h00: A torre sul do World Trade Center desaba. Tinha 417 metros de altura.
10h08: Agentes da CIA armam-se e preparam-se para proteger a Casa Branca.
10h10: O voo 93 da United Airlines cai em Somerset County, Pittsburgh, Pensilvânia.
10h13: A sede da ONU é evacuada.
10h22: Em Washington, os Departamentos de Estado e de Justiça são evacuados.
10h24: Administração Federal de Aviação redirecciona todos os voos vindos do exterior para o Canadá.
10h29: A torre norte do World Trade Center desaba provocando uma grande cortina de fumo e de destroços.
10h45: Governo ordena evacuação de todos os escritórios oficiais nos EUA.
10h46: O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, suspende a sua visita ao Peru.
10h48: Polícia confirma a queda de um avião em Somerset County, Pittsburgh, Pensilvânia.
11h02: O “Mayor” de Nova York, Rudolph Giuliani, pede que a população se mantenha em casa e ordena a desocupação de áreas no sul da cidade.
11h16: O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças prepara equipas especializadas em bio-terrorismo, como medida de precaução. O centro informa, no entanto, que não há nenhuma denúncia de ataques do tipo.
11h18: A American Airlines informa a queda de dois aviões da empresa: um Boeing 767, de Boston para Los Angeles, com 81 passageiros a bordo e 11 tripulantes; e um Boeing 757, de Washington para Los Angeles, com 58 passageiros e seis tripulantes.
11h20: O editor da sucursal de Londres de um jornal árabe afirma que o terrorista Osama bin Laden havia alertado, há três semanas, que ele e seus partidários fariam um ataque sem precedentes aos Estados Unidos.
11h26: A United Airlines informa que o voo 93 da companhia, vindo de Newark rumo a São Francisco , caiu na Pensilvânia. Informações não oficiais revelam que o avião foi abatido.
11h53: Eleições primárias em Nova York são adiadas.
1h54: Israel evacua todos os escritórios diplomáticos do país nos EUA.
11h59: A United Airlines confirma a queda do vôo 175, de Boston para Los Angeles, com 56 passageiros a bordo. Há informações de que todos morreram na queda.
12h15: O Serviço de Imigração decreta alerta máximo nas fronteiras dos EUA com o Canadá e com o México.
12h15: O Aeroporto Internacional de São Francisco é evacuado e fechado. O aeroporto era o destino do voo 77 da American Airlines que chocou com o World Trade Center.
12h30: A FAA (Administração Federal de Aviação) informa que 50 voos estão sobre os EUA no momento, mas nenhum deles apresenta problemas.
13h04: O presidente George W. Bush faz discurso em local desconhecido, anunciando que o governo não poupará esforços para capturar o responsável pelos atentados.
13h27: É declarado estado de emergência na cidade de Washington.
13h44: O Pentágono informa que cinco navios e dois aviões deixarão a estação naval dos EUA, no Estado da Virgínia, para assumirem posições na costa de Nova York. Os navios e aviões aumentarão as defesas das cidades de Nova York e de Washington.
13h48: O presidente dos EUA, George W. Bush, embarca no avião presidencial, Força Aérea 1, rumo a local não divulgado.
14h21: Grupos muçulmanos negam a autoria dos atentados.
14h49: Cuba condena os atentados e abre aeroportos para aviões desviados dos EUA pousarem.
15h: O “Mayor” de Nova York, Rudolph Giuliani, afirma que primeiras informações sobre mortos só sairão após 24 horas.
15h30: O congressista americano Jim Moran diz que o número de mortos pode chegar a 10 mil, somente em Nova York. O Departamento de Polícia não confirma esses números.
15h57: O temor provocado pelos ataques terroristas fazem o preço do petróleo e do ouro fechar em alta.
16h01: As Actividades desportivas são suspensas nos EUA.
16h06: O governo da Califórnia envia equipas de socorro e de buscas para a cidade de Nova York para auxiliar as forças locais nos resgates de vítimas dos escombros do World Trade Center.
16h20: EUA confirmam o terrorista Osama Bin Laden como o principal suspeito da série de atentados. Israel fecha fronteiras com Egito e com a Jordânia.
16h21: Por causa de atentados, a cotação do dólar dispara.
16h27: Novo edifício do complexo do World Trade Center começa a arder.
16h36: O subsecretário de Estado dos EUA, Richard Armitage, afirma que inspeccionou o prédio do Departamento de Estado do país e que não houve explosão de carro-bomba.
16h52: Hospitais de Nova York estão superlotados com vítimas do atentado ao World Trade Center.
16h59: O hotel Marriot, em Nova York, que fica dentro do complexo de prédios do Word Trade Center ficou com a sua estrutura bastante danificada por causa da queda dos 110 andares das duas torres. Há riscos de desabamento.
17h09: O ex-presidente dos EUA Bill Clinton, que está na Austrália, pede apoio dos americanos às medidas que o presidente George W. Bush irá tomar.
17h16: Atentados provocam congestionamento na Internet.
17h28: Edifício número sete do complexo World Trade Center desaba. Prédio número cinco começa a arder.
17h37: A americana Barbara Olson, 46, que estava em um dos aviões sequestrados que se chocou contra o World Trade Center, teria feito duas ligações para seu marido do próprio avião para avisar do sequestro.
17h57: Colónia árabe dos EUA teme represálias por causa de atentados.
17h58: Ameaça de bomba no Parlamento canadiano. Governo determina interdição do aeroporto de Ottawa.
18h05: A Disney anuncia o fecho de todos os seus parques nos EUA.
18h07: Uma explosão é registada na cidade de Cabul (capital do Afeganistão). Há suspeitas de que possa ser uma retaliação dos EUA ao país.
18h22: O governo anuncia que todas as autoridades dos EUA deixarão Washington e ficarão em locais não revelados, por medida de segurança. Bush ficará na capital para fazer um discurso ao País.
18h24: A UE (União Europeia) convoca reunião de emergência para debater medidas de segurança.
18h28: A United Airlines identifica os passageiros dos seus voos.
18h39: A NASA suspende os seus trabalhos e também evacua seu edifício.
18h40: Governo dos EUA negam ter atacado o Afeganistão como represália aos ataques terroristas que assolaram o país hoje.
18h58: Bush afirma que responsáveis pelos ataques “vão sofrer as consequências”.
19h23: Liga do Norte assume ataques na capital do Afeganistão. O grupo é oposição ao Regime Taliban.
20h24: FBI pede ajuda à população para encontrar os responsáveis pelos ataques e cria número de telefone e página na Internet para receber denúncias.
20h45: O presidente americano George Bush faz um discurso à nação em que promete encontrar os responsáveis pelos ataques e diz que amanhã os EUA voltam ao trabalho.
22h44: Após 12 horas da queda da primeira torre do WTC, o chefe de polícia de Nova York afirma que há sobreviventes entre os escombros.
22h50: Os primeiros números informam que pelo menos 800 pessoas teriam morrido no prédio do Pentágono.
22h52: A Polícia de Nova York intercepta um camião carregado de explosivos na ponte George Washington.