segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Robert Edwin Peary


Robert Edwin Peary, explorador norte-americano nascido em Cresson, Pensilvânia, em 6 de Maio de 1856. Em 1881, alistou-se na marinha americana como engenheiro civil e, por vários anos, serviu na Nicarágua, onde trabalhou pesquisando a possibilidade da construção de um canal. Interessou-se pela exploração Árctica, e fez uma viagem ao interior da Groenlândia, em 1886.
Mais tarde, conseguindo uma licença da marinha, liderou uma expedição à Groenlândia para pesquisas científicas e exploração. Foram feitas importantes observações etnológicas e meteorológicas e, numa longa jornada de trenó à costa nordeste da Groenlândia, explorou a “Terra de Peary”, descobriu o fiorde Independência, e comprovou que a Groenlândia era uma ilha.
Estudou a população de esquimós e conquistou a simpatia dos montanheses do Árctico, uma tribo que o ajudou nas excursões. Outras expedições continuaram o trabalho em 1893-5 e em duas viagens, durante os verões de 1896 e 1897, Peary trouxe para os Estados Unidos alguns meteoritos que encontrou. Um relato de suas experiências árcticas apareceu no livro “Northward over the great Ice”.

Conseguindo outra licença da marinha, liderou outra expedição (1898 - 1902), desta vez com o objectivo de alcançar o Pólo Norte. Só conseguiu chegar aos 84º17’N, mas fez importantes pesquisas na “Terra de Ellesmere”, um estudo sobre a superfície e a composição da calote polar. No seu livro “Nearest the Pole” descreveu os eventos da sua expedição de 1905 – 6, quando alcançou o ponto 87 º6’N, que se encontrava a, apenas, 174 milhas (280 km) do seu objectivo.
Em 1908, Peary lançou-se na sua última tentativa de alcançar o Pólo Norte. Partindo da Terra de Ellesmere, acompanhado de Matthew Henson e quatro esquimós, fez uma arrancada final para o Pólo, o qual, afirmou ter alcançado a 6 de Abril de 1909. Anunciou publicamente ter alcançado seus objectivos porém, ao voltar aos Estados Unidos, descobriu que o Dr. Frederick A. Cook, num relato totalmente falso, havia afirmado ter alcançado o Pólo antes dele.
Seguiu-se uma amarga controvérsia. Cook, que havia sido médico da expedição de Peary de 1891 – 2, sustentou a sua conquista até ao fim da vida, no entanto, o Congresso americano reconheceu o feito de Peary, e ofereceu-lhe os seus agradecimentos em 1911, ano em que se retirou da Marinha, no posto de Contra – Almirante.
De qualquer modo e na realidade, Robert Peary não alcançou o Pólo Norte, ficou, sabe-se hoje, a cinco milhas do objectivo.
A esposa de Peary, Josephine Diebitsch Peary (1863 - 1955) acompanhou-o em várias das suas expedições, e deu à luz, no Árctico, à filha dos dois, Marie Ahnighito Peary.
Robert Peary morreu em Washington, D.C. em 20 de Fevereiro de 1920.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Abu Ghraib


Novas imagens do abuso de prisioneiros iraquianos por soldados americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, foram exibidas nesta quarta-feira pela rede de TV pública da Austrália SBS. As fotografias indicam que a tortura e abusos teriam sido ainda piores do que aquilo que já se sabia. As fotos mostram um preso coberto do que parece ser excrementos, outro preso com um corte na garganta e uma suposta sala de interrogatórios banhada de sangue.
“Estas são as fotografias que o governo americano não quer que você veja”, disse o apresentador da TV australiana antes de exibi-las.
Algumas das novas fotos trazem ângulos diferentes das fotos já famosas em todo o mundo, como a de um homem encapuzado com fios amarrados aos dedos, presos nus obrigados a empilhar-se uns sobre os outros e presos a ser ameaçados com cães.
De acordo com a emissora australiana, as novas imagens já haviam sido exibidas em sessões reservadas a membros do Congresso americano.
As imagens fazem parte de um total de mais de 100 fotos e quatro vídeos que foram confiscados a militares em Abu Ghraib e entregues à Divisão de Investigações Criminais do Exército americano.
De acordo com a televisão australiana, estas imagens são motivo de uma disputa judicial nos Estados Unidos, onde o governo americano se esforça para evitar que a imprensa tenha acesso a publicá-las.
A direcção de informação da estação televisiva australiana justificou a transmissão das fotografias e dos vídeos afirmando que eles revelam a verdadeira dimensão dos maus tratos.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

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Os protestos no mundo islâmico contra as caricaturas do profeta Maomé levaram muita gente no Médio Oriente a questionar-se porque é que os muçulmanos não costumam agitar-se da mesma forma quando se trata de questões como democracia e direitos humanos.
Numa região predominantemente governada por regimes absolutistas, há pouco incentivo a manifestações contra restrições a liberdades políticas, desemprego ou violações dos direitos humanos, frequentemente relatadas por organizações internacionais.
Nas últimas semanas, milhares de pessoas saíram às ruas do Médio Oriente para protestar contra as caricaturas publicadas originalmente em Setembro na Dinamarca e posteriormente reproduzidas em vários países. Os manifestantes queimaram bandeiras europeias e gritavam palavras de ordem contra o Ocidente. Diversas Embaixadas foram queimadas no Líbano e na Síria e no Irão.
“Por que vemos hoje toda esta solidariedade no protesto às caricaturas, como se só elas tivessem insultado o profeta Maomé?”, questionou Ali Mahdi em carta publicada no jornal libanês As-Safir.
“Vocês não acham que a injustiça, a tortura, o analfabetismo e as restrições às liberdades (no mundo islâmico) são também considerados insultos ao Profeta, que pediu respeito pelos direitos humanos?”
Um relatório divulgado em Setembro pela ONU dizia que o mundo árabe dificilmente atingirá as metas internacionais de redução da pobreza, da fome e do desemprego até 2015, em parte por causa da má distribuição dos rendimentos.
Jihad Al Khazen, influente colunista do jornal Al Hayat, disse que há consenso entre os muçulmanos de que as caricaturas insultaram a sua religião, algo que não ocorre a respeito de temas como democracia e política. “Mais de mil milhões de muçulmanos concordam que tais caricaturas foram um insulto à sua religião e ao Profeta e rejeitam isso”, afirmou.
“(Mas), não há consenso sobre a democracia. Alguns árabes desprezam a democracia como sendo um produto do Ocidente”.
Osama Safa, director do Centro de Estudos Políticos Libaneses, oferece uma perspectiva diferente. “A maioria dos protestos contra as caricaturas foram abençoados, se não organizados, por governos locais, que incentivaram tais actos desde que não toquem em questões domésticas delicadas”. Safa disse que o elevado desemprego na região faz com que os jovens árabes deixem de lado reivindicações como mais democracia e maior participação política.
“As pessoas preferem ventilar a sua ira num protesto que não irrite as autoridades locais a correrem o risco de perderem o que têm, mesmo que seja pouco, caso façam uma manifestação pedindo mais coisas”, disse a activista política libanesa Nora Mourad. Com agências.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Agostinho da Silva


Chamaram-lhe utópico, mestre, sábio, visionário, subversivo mas gostava de dizer de si mesmo, que era “um paradoxo”. “Considerando-me paradoxal, dirigem-me o maior elogio”. Agostinho da Silva. Cumpre-se hoje 100 anos do seu nascimento. “Teve vários filhos, assim em números redondos oito”, não tinha número de contribuinte nem bilhete de identidade. Espírito livre, não pactuava com nada excepto com a liberdade de pensamento.
George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906, o emprego do pai, alfandegário, leva-o do Porto Natal para Barca d’Alba, onde viveu parte da sua infância. Aprendeu a ler aos 4 anos com a sua mãe, Georgina do Carmo Baptista Rodrigues da Silva. Em 1915 a sua família regressa ao Porto, onde Agostinho da Silva faz o exame da 4ª classe .

O pai matricula-o na Escola Industrial Mouzinho da Silveira, a fim de seguir uma carreira técnicoprofissional. O insucesso escolar e a falta aproveitamento aconselham uma mudança área. Em 1917 muda-se para o Liceu Rodrigues de Freitas.
Em 1919 com o esmagamento da “monarquia do Norte”, o pai, Francisco José Agostinho da Silva, é preso e demitido da função pública. Em 1924 Agostinho da Silva conclui o curso geral dos liceus com a classificação de 20 valores e ingressa na Faculdade de Letras do Porto, onde, em 1928, conclui a licenciatura em Filologia Clássica com 20 valores, defendendo uma tese sobre o poeta latino Catulo. Insurge-se contra a extinção da Faculdade de Letras do Porto e com um decreto que impõe a separação dos sexos nas escolas em todos os locais onde existisses mais de uma escola. Começa também a colaborar com a publicação Seara Nova.
Em 1929, com apenas 23 anos, conclui a sua tese de doutoramento: o Sentido Histórico das Civilizações Clássicas. Em 1931 uma bolsa de estudo leva-o até à Sorbonne e ao Collège de France. Dois anos mais tarde, regressa a Portugal e passa a leccionar no Liceu José Estêvão, em Aveiro.
Os textos sobre o desenvolvimento cultural e educativo do país, que divulga nas revistas «Labor» e «Seara Nova», inquietavam Salazar. Apenas dois anos depois de entrar para o ensino público, o professor é exonerado, por se recusar a assinar a Lei Cabral. Um documento onde tinha que jurar não pertencer a nenhuma sociedade secreta. Para além de Agostinho da Silva, só houve mais duas pessoas a dizer não: Fernando Pessoa e Norton de Matos.
Desempregado, Agostinho da Silva começa a dar aulas no ensino privado e explicações particulares. Mário Soares, mestre Lagoa Henriques, Manuel Vinhas, os irmãos Lima de Faria foram apenas alguns dos seus pupilos. O professor inicia também uma série de palestras públicas, de Norte a Sul do país. E começa a publicação dos seus famosos cadernos de iniciação cultural, sobre áreas tão diversas como religião ou arquitectura.
No total 120 cadernos foram escritos e editados por Agostinho da Silva, entre 1937 e 1944. Foram os cadernos «O Cristianismo», editado em 1943, e «Doutrina Cristã», 1944, que abriram um fogo-cruzado entre Agostinho da Silva, Igreja e Estado Novo. Mesmo exonerado, Agostinho da Silva incomodava. Depois de muitos duelos travados na imprensa com personalidades como o padre Raul Machado, da Universidade de Lisboa, ou o cardeal patriarca de Lisboa, Agostinho da Silva acaba preso na cadeia do Aljube. A sua biblioteca é confiscada e inventariada.
Cansado de Portugal, Agostinho da Silva parte para o Brasil, onde deu continuidade à sua «missão» de divulgador cultural. No outro lado do Atlântico, participou na fundação de universidades e centros de estudo, sobretudo fora dos centros urbanos: a Universidade Federal de Paraíba, a Federal de Santa Catarina, a Universidade de Brasília, o Centro de Estudos Africanos e Orientais da Universidade Federal da Baía. Um abraço entre o povo português, africano e brasileiro, foi um sonho que despertou em Agostinho desde novo.
É a ideia de uma Comunidade luso-afro-brasileira que partilha no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-brasileiros, em 1959, na universidade da Baía. No colóquio participa Marcelo Caetano (ainda como reitor e ex-ministro).
Contrariando todas as ideias em que assentava a intervenção o homem que viria a suceder a Salazar, Agostinho lança para a mesa aquilo que considera os verdadeiros problemas das colónias africanas.
«O futuro das ideias e das tradições em geral do mundo africano, a dignidade do indivíduo e a liberdade do homem, o impacto da civilização de carácter familiar sobre uma mentalidade fortemente tribal. E outro problema! Sabermos o que pensarão de nós no futuro milhões de africanos».
Como representante do Brasil, cuja cidadania adquiriu em 1958, esteve no Japão, em Macau e em Timor Leste. Viagens, por onde fundou por exemplo, o Instituto de Língua e Cultura Portuguesa, em Tóquio, o Centro de estudos Ruy Cinatti e o Centro de Estudos Brasileiros, ambos Dili. A chegada da ditadura ao Brasil, traz Agostinho de regresso a Portugal, em 1969. Por cá, passa pela direcção do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e foi consultor do Instituto Cultura e Língua Portuguesa (ICALP). Inicia também um grande contacto com a Galiza e com a Catalunha.
Marcando uma posição de certa forma marginal em relação aos grupos da intelectualidade portuguesa, as suas intervenções, por vezes desconcertantes ou provocadoras, e a sua visão utópica e voluntarista tornaram-no uma figura amada do grande público. Da variada temática a que se dedicou, salienta-se o tema do sentido histórico de Portugal e do povo português e seu futuro.
Nos últimos anos de sua vida, Agostinho da Silva tornou-se extremamente popular, quando, no início dos anos noventa, começou a participar no programa “Conversas Vadias” da RTP2. A partir daí, o avozinho de Portugal conquistou milhões de portugueses, eu incluído, que se colavam ao ecrã para ouvir os seus pensamentos.
Morreu em Lisboa no Hospital de S. Francisco de Xavier num domingo de Páscoa, a 3 de Abril de 1994.
A nível literário publicou a obra de poesia Uns Poemas de Agostinho (1989) e os ensaios Sentido Histórico das Civilizações Clássicas (1929), A Religão Grega (1930), Glosas (1934), Conversações com Diotima (1944), Reflexão (1957), Um Fernando Pessoa (1959), As Aproximações (1960), Fantasia Portuguesa para Orquestra de História e de Futuro (1981) e Educação de Portugal (1989).

domingo, fevereiro 12, 2006

Ai Brasil!


(clicar na fotografia para aumentar)
Mais de 6,5 milhões de brasileiros, cerca de 3,5 por cento da população total do país, vivem condições precárias em favelas, maioritariamente nas grandes cidades, revela um estudo divulgado hoje pelo jornal O Estado de São Paulo.
Metade da população das favelas, como são chamados os bairros pobres nos subúrbios das cidades brasileiras, está concentrada nos Estados de São Paulo (2,07 milhões) e Rio de Janeiro (1,38 milhões).
O estudo divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), revela que a população que vive em favelas aumentou 39 por cento nas capitais dos estados, na última década.
As excepções são as capitais Vitória (Espírito Santo), Florianópolis (Santa Catarina) e Campo Grande (Mato Grosso do Sul), onde o número de pessoas que vivem em favelas diminuiu.
Brasília foi a capital que registou o maior aumento, cerca de 400 por cento, da população que reside em favelas, seguida por João Pessoa (Paraíba), com 265 por cento.
Em Belém, a capital do Estado do Pará, na região Norte do Brasil, cerca de 35 por cento do total da população, a maior proporção entre todas as capitais, vive em favelas.
"Em dez anos praticamente se duplicou o número de ocupações irregulares", disse o secretário municipal de Habitação de Belém, Paulo Queiroz, em declarações ao jornal.Eduardo Marques, professor da Universidade de São Paulo (USP), um dos especialistas ouvidos pelo diário, avançou que a pobreza é um dos principais factores responsáveis pelo aumento da população nas favelas.
Outro factor que contribuiu para o aumento do problema é a migração da população pobre do interior do país para as grandes cidades em busca de emprego.Actualmente, a população brasileira é de cerca de 185,6 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE.
LUSA

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

World Press Photo


O canadiano Finbarr O´Reilly, da agência Reuters, foi hoje distinguido com o prémio World Press Photo 2005 por uma fotografia que ilustra a fome no Níger, anunciaram em Amesterdão os organizadores deste prestigiado prémio de fotojornalismo.
A imagem, que o júri considerou «ter tudo - beleza, horror e desespero», retrata um bebé com a mão colocada sobre a boca da mãe e foi tirada num centro de emergência alimentar de Tahoua, no noroeste do Níger, em Agosto de 2005.
«Esta imagem deixou-me assombrado desde a primeira vez que a vi, há duas semanas», comentou James Colton, presidente do júri internacional de 12 membros que escolheu esta como fotografia do ano de entre mais de 80.000 fotografias submetidas a concurso por 4.448 fotojornalistas de 122 países.
«Ficou-me na memória, mesmo depois de ter visto os milhares (de fotografias) em competição. Esta imagem é simples, elegante e comovente», disse, em comunicado.
Finbarr O´Reilly vai receber o prémio e os 10.000 euros que lhe correspondem numa cerimónia marcada para 23 de Abril em Amsterdão.
O World Press Photo foi criado em 1995 pela União de fotojornalistas holandeses (NVF), que quis dar uma dimensão internacional ao seu concurso anual.

Link:worldpressphoto.

Ramos-Horta


O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, garantiu que Portugal apoiará uma eventual candidatura de José Ramos Horta, a secretário-geral da ONU se houver um consenso entre os membros das Nações Unidas. Em entrevista à SIC Notícias, Freitas do Amaral afirmou que Portugal estará «na primeira linha» para apoiar uma candidatura de Ramos Horta e que já deu essa orientação ao embaixador português na ONU, João Salgueiro. O ministro afirmou que a ONU pediu à diplomacia portuguesa uma opinião sobre a possibilidade de Ramos Horta suceder ao ganês Kofi Annan e que o nome do ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste está numa lista de possíveis candidatos, na posse dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China. O nome de José Ramos Horta já foi citado pelo antigo embaixador norte-americano na ONU Richard Holbrooke como um dos diplomatas com possibilidade de ser o próximo secretário-geral da organização, ressalvando que o facto de Timor-Leste ser um país «muito pequeno» pode prejudicar as suas hipóteses.O próprio Ramos Horta já admitiu, em entrevista a um diário de Macau, que «em política nunca se deve dizer nunca», mas frisou que, por enquanto, não é um concorrente formal ao lugar.
José Luís Ramos-Horta, nasceu em Díli, a 26 de Dezembro de 1949, filho de mãe timorense e pai português, e foi educado numa missão católica em Soibada, fazendo depois estudos superiores nos EUA, onde concluiu o mestrado em relações internacionais, especializando-se em estratégia política em Haia e Oxford. Exerceu várias funções na área da imprensa, rádio e TV em Timor Leste, participando activamente na tomada de consciência política no território, o que lhe valeu o exílio em 1970-71, em Moçambique. A sua actividade política activa remonta a 1974, ano em que fundou a Associação Social-Democrata Timorense (ASDT), de que foi secretário para as relações externas e informações. Viria a desempenhar funções idênticas na Fretilin. Aquando da invasão de Timor pela Indonésia, encontrava-se fora do país, pelo que passou a dirigir, do exterior, a luta do povo timorense, movendo-se nos meios diplomáticos internacionais, procurando a sensibilização para a sua causa e, nomeadamente, o enfraquecimento da posição indonésia junto ao governo dos EUA, país onde residiu até 1989. Passou a chefiar a delegação da Fretilin junto à ONU, tornando-se o representante pessoal de Xanana Gusmão após a prisão deste. Simultaneamente, prosseguiu os seus estudos, concluindo, em 1984, um mestrado em estudo da paz. Dirige, desde 1990, o centro de estudos diplomáticos da Universidade de Nova Gales (Sidney) onde é também professor. O seu trabalho em prol da defesa da causa timorense valeu-lhe, em 1995, o prémio «Activista Internacional do Ano - 94» (da fundação norte-americana Gleitsman) e, em 1996, o Prémio Nobel da Paz, que compartilhou com D. Ximenes Belo, bispo de Timor, prémio este que muito contribuiu para o reavivar das esperanças quanto ao reconhecimento da questão dos direitos humanos e da autodeterminação do povo de Timor-Leste. Em Dezembro de 1999, Ramos-Horta conseguiu finalmente pisar o solo timorense, depois de 24 anos de exílio. Depois da independência de Timor Leste, Ramos-Horta tornou-se ministro dos Negócios Estrangeiros, cargo que ocupa actualmente.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Pensamento com Cafeína

...Ou politicamente incorrecto.
A esmagadora maioria dos muçulmanos não são fundamentalistas, a maioria dos fundamentalistas não são terroristas, mas a maioria dos terroristas são muçulmanos.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Pensamento Descafeinado

Com esta espiral de violência nos países islâmicos, é desejável para o mundo, que os hindus não se revoltem contra os cristãos e muçulmanos, por estes andarem a comer uma das suas divindades: a vaca.

Último Post Sobre as Caricaturas


A revista satírica francesa Charlie Hebdo publicou hoje uma série de caricaturas do profeta Maomé, entre elas as 12 divulgadas em Setembro pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten, que provocaram a onda de violência no mundo islâmico.
"A Charlie tenta analisar a polémica e as suas consequências. Queremos mostrar que a liberdade de expressão deve ser mais forte do que a intimidação", afirma a revista no seu editorial.
A primeira página do jornal, (na foto) com o título “Maomé ultrapassado pelos fundamentalistas”, mostra uma caricatura que representa o profeta Maomé, com as mãos no rosto, chorando e dizendo: “É duro ser adorado por idiotas”.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Concurso de Caricaturas sobre Holocausto


O jornal mais vendido do Irão, o Hamshahri, lançou um concurso internacional para encontrar a melhor caricatura sobre o Holocausto e os crimes dos Estados Unidos, sob o título "Onde está o limite da liberdade do Ocidente?".
O jornal faz este concurso, num gesto de retaliação pela publicação em jornais europeus das caricaturas do profeta Maomé.
O diário Hamshahri disse que o concurso foi pensado para testar os limites da liberdade de expressão—motivo dado por muitos jornais europeus para publicar as caricaturas de Maomé.Reuters.
O presidente iraniano (na foto), Mahmoud Ahmadinejad, foi condenado internacionalmente no ano passado, quando declarou que o Holocausto era um “mito” e que Israel deveria ser “riscado do mapa”.
Tenho a certeza que ninguém na Europa vai queimar bandeiras iranianas, nem fazer manifestações contra a caricatura vencedora.


Reacção da presidência austríaca da UE:

O presidente em exercício da União Europeia criticou hoje a "espiral de provocações" traduzida no lançamento de um concurso e na publicação de caricaturas sobre o Holocausto em resposta à publicação das caricaturas de Maomé na Europa."Essas caricaturas (sobre o Holocausto) põem em causa factos que até agora nunca foram contestados pela maioria do mundo islâmico.

Peço a todos os envolvidos que ponham fim à espiral de provocações e insultos recíprocos", afirmou o chanceler austríaco, Wolfgang Schuessel, num comunicado hoje divulgado pela presidência austríaca."
A publicação de caricaturas depreciativas de Maomé e a negação ou a troça do Holocausto não têm lugar num mundo em que as culturas e as religiões devem viver lado a lado num espírito de respeito mútuo", acrescenta o texto.Schuessel referia-se à publicação na página Internet da Liga Árabe Europeia - uma organização muçulmana de acompanhamento dos imigrantes com sede em Antuérpia (Bélgica) - de uma caricatura mostrando Hitler na cama com Anne Frank e outra em que "especialistas" se interrogam sobre o número e a confissão dos mortos de Auschwitz.
O chanceler austríaco referia-se também ao lançamento, segunda- feira, pelo jornal Hamshahri, o mais importante diário iraniano, de um concurso internacional de caricaturas sobre o Holocausto dos judeus pelo regime nazi na II Guerra Mundial.
Na terça-feira, a presidência austríaca da União Europeia pediu ao Alto Representante da UE para a Política Externa, Javier Solana, que medeie o conflito gerado pelas caricaturas de Maomé junto da Organização da Conferência Islâmica, OCI.
Segundo um comunicado oficial, a ministra dos Negócios Estrangeiros austríaca, Ursula Plassnik, pediu a Solana que viaje para Jeddah, na Arábia Saudita, para conduzir o diálogo com a OCI sobre medidas a tomar para reduzir as tensões suscitadas pelas caricaturas.
Segundo a ministra, Ekmeleddin Ihsanoglu, o secretário-geral da OCI, uma organização que reúne 57 países islâmicos, manifestou claramente o seu descontentamento com os recentes ataques contra representações diplomáticas europeias em países muçulmanos e considerou que actos de violência desse género "ultrapassam os limites dos protestos legítimos", pelo que "não devem repetir-se".
Plassnik sublinhou que, numa situação delicada como esta, é mais importante do que nunca chegar a "um consenso internacional contra a violência" e encorajar todas as partes moderadas a dialogarem.
O presidente do Parlamento Europeu, Josep Borrell, pediu por seu lado aos 'media' europeus que exerçam "com responsabilidade" o direito à liberdade de expressão e evitem uma escalada da tensão.Lusa.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Bob Marley


Ele cantou o desejo de uma África unida, protestou contra o racismo e a opressão colonial, proclamou a necessidade dos negros lutarem pela sua libertação.
Nas ruas da Cidade do Cabo, é mais conhecido que Elvis Presley. No Rio de Janeiro, rivaliza com os Beatles. Em Moscovo, os olhos tristes e os longos cabelos em "dreadlocks" são tão conhecidos como a barba e boina de Che Guevara. Em Londres, a iconografia "rasta" que popularizou continua presente em todo lado. Na Jamaica é Deus. Herói da música reggae e símbolo do movimento rastafari, Bob Marley completaria hoje 61 anos se fosse vivo.
Bob Marley, de seu verdadeiro nome, Robert Nesta Marley, nasceu a 6 de Fevereiro de 1945 em S.Ann, na Jamaica. Nos finais dos anos cinquenta a sua família muda-se para Trench Town, um subúrbio de Kingston.
A sua estreia em disco aconteceu em 1962, tinha então 17 anos, com o single "One Cup of Coffee". Dois anos mais tarde surgiram os Waillers cuja a formação inicial era composta por Bob Marley, Peter Tosh, Bunny Livingston, Junior Braithwaite e Beverley Kelso. Bob Marley parecia decidido a devolver o Rock ao ritmo seu inspirador e gravou então um tema ska "Simmer down", que foi um hit na Jamaica. Alterou entretanto a formação dos Wailers, mas nem por isso terminaram os êxitos. Bob Marley aspirava a ultrapassar fronteiras.O salto começa a ser dado em 1969 quando o cantor e o grupo gravam dois álbuns, "Soul Rebel" e "Soul Revolution".Vem o ano de 1970 e Bob Marley e os Waillers começam a pregar a doutrina do rastafarianismo.Como símbolos da sua fé na filosofia de Ras começam a usar cores vermelhas, verdes e cor de laranja e a usar cabelos entrelaçados, moda que ficou conhecida em Inglaterra com o nome de "dreadlocks". O ideário é plenamente assumido pelo grupo - a luta armada é encarada como inevitável. A violência que oprime também há-de servir para libertar. É disto que Bob Marley e os Waillers, em canções cada vez mais politizadas, começam a falar. A música assume assim a dimensão de religião. Dois trabalhos testemunham esta profissão de fé : "African Herbsman" e "Rasta Revolution". Em 1973 a Island Records, a que o grupo se tinha entretanto ligado, permite a gravação do sofisticado "Catch a Fire". Ainda no final de 1973 grava "Burnin'". Este trabalho seria um fracasso, compensado no entanto, por Eric Clapton que inclui no seu álbum "461 Ocean Boulevard" o tema de Marley "I Shot the Sheriff". Esta composição depois editada em single, alcançaria o top de vendas nos EUA e em Inglaterra. "Natty Dread", gravado em 1975 e que assinala a saída de Peter Tosh e Bunny Livingston dos Waillers, contém algumas das composições mais memoráveis de Bob Marley: "Lively Up", "Yourself" "Them Belly Full", "Natty Dread" e "No Woman, No Cry". Todas as atenções ficam viradas para Bob Marley e uma digressão triunfante pela Inglaterra e Estados Unidos fazem dele um novo ídolo.Um single gravado ao vivo contendo "No Woman, No Cry", gravado no Lyceum, em Londres, assinala a chegada de Bob Marley e dos Waillers ao lugar só alcançado pelas grandes estrelas. A fama de Marley no exterior crescia, mas na Jamaica já era um mito, com as vantagens e desvantagens que daí advêm. O seu poder gera também receios e, talvez por isso sofre em 1976 uma tentativa de assassinato.Exila-se 18 meses em Londres, e em 1977 é-lhe detectado um cancro, exactamente na altura em que lança o seu álbum mais festejado " Exodus", de onde foram retirados sucessos como "Jamming", ou "One Love, People get Ready".
Em 1978 foi agraciado com a Medalha da Paz das Nações Unidas."Uprising", de 1979 foi o seu último disco lançado em vida.
Bob Marley faleceu em 11 de Maio de 1981, apenas com 36 anos de idade, em Miami, depois de sete meses de luta contra um cancro no pulmão. Para a história ficam um punhado de discos fundamentais para compreender a história da música popular do século XX.

domingo, fevereiro 05, 2006

Betty Friedan


Betty Friedan, uma das fundadoras do movimento feminista nos Estados Unidos, morreu ontem, no dia do seu 85º aniversário. A família informou que morreu em consequência de uma crise cardíaca. Betty Friedan ganhou notoriedade ao escrever o livro “A Mística Feminina”, que combatia a ideia então amplamente aceita de que as mulheres deveriam apenas cuidar das suas casas, filhos e maridos. O texto teve uma profunda influência na visão que os americanos tinham sobre o papel das mulheres na sociedade e ajudou a mudar as leis do país em relação aos direitos das mulheres.
Betty Goldstein, Friedan mais tarde, nasceu em Peoria, Illinois, a 04 de Fevereiro de 1921, no seio de uma família judia, começou por frequentar círculos radicais marxistas e judeus. Licenciou-se em Psicologia e Sociologia, em 1942. Encorajada pela mãe seguiu jornalismo. Defensora dos direitos das mulheres denunciou o modelo tradicional de sociedade remetendo a mulher para a área restrita da casa. Casou em 1947 com Carl Friedan e tiveram três filhos.
Publicou em 1963 o importante livro com o título «The Feminine Mystic» (A Mística Feminina). Este livro sobre a mulher foi o mais vendido no mundo, na altura, e faz parte da trilogia dos livros fundamentais sobre feminismo que, além deste, são «A Room of One’s Own» de Virgínia Woolf (1929), e «O Segundo Sexo» (1949), de Simone de Beauvoir .
As ideias defendidas em “A Mística Feminina", soaram como proclamações revolucionárias aos ouvidos conservadores dos Estados Unidos ideias, como a ideia, de que ter marido e filhos não era tudo na vida de uma mulher.
Em 1966, fundou e foi a primeira presidente da, National Organization for Woman (NOW, à frente da qual tomou posições, então acolhidas como “extremas”, em matérias como o aborto, actividade laboral (trabalho igual salário igual), licença de parto, oportunidades iguais para homens e mulheres, entre outras.
Fundou também, em 1968, a Conferência nacional de rejeição das leis sobre o aborto, que se transformaria depois na Liga nacional de acção pelo direito ao aborto. Longe de ter unanimidade no movimento feminista, apesar de ser uma figura mítica, Betty Friedan foi duramente questionada, nos anos 70, por não querer levantar as bandeiras dos direitos sexuais, tendo dificuldade para compreender a inclusão das mulheres lésbicas, no movimento.
Também foi criticada por ser elitista e não considerar os recortes de raça e classe social. Betty Friedan admitiria mais tarde ter sido sempre um tanto “rígida” em relação à homossexualidade.
Este não foi, no entanto, obstáculo a que aprovasse, na Conferência nacional das mulheres realizada em 1977, em Houston, uma resolução destinada a proteger os direitos das lésbicas. Deu aulas em várias universidades e participou activamente, em vários pontos do globo, em conferências sobre os direitos das mulheres, actividade que a consagrou como uma das mais influentes feministas do século XX.
Para muitos admiradores, boa parte das conquistas femininas das últimas décadas teriam sido impossíveis sem as contribuições de Betty Friedan.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Caricaturas Satânicas ou Liberdade de Expressão?


O mundo muçulmano está em alvoroço e a revolta espalha-se rapidamente com manifestações a sucederem-se um pouco por todo mundo, do Paquistão à Indonésia, da Palestina à Arábia Saudita, tudo, por causa da publicação de caricaturas do profeta Maomé por jornais europeus. As caricaturas foram publicadas, em primeira mão a 30 de Setembro último pelo diário dinamarquês “Jyllands-Postan”. As 12 caricaturas do profeta Maomé, nomeadamente,esta do lado esquerdo, em que o profeta é caricaturado, com um turbante em forma de bomba com um rastilho aceso, provocou a cólera do mundo muçulmano e um boicote aos produtos dinamarqueses em numerosos países. A religião muçulmana proíbe a representação do profeta. Numa atitude de solidariedade e para defender a liberdade de expressão, jornais europeus decidiram publicar os referidos desenhos satíricos incluindo o, diário francês “France-Soir”, que alegavam pretender desta forma defender a liberdade de expressão. A tradição islâmica exclui qualquer imagem do profeta para prevenir a idolatria.
Para minimizar os efeitos com que o seu país está a ser atingido, o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, deu uma entrevista à rede de televisão árabe al-Arabiya, numa tentativa de conter os protestos no mundo islâmico. Rasmussen pediu desculpas aos que se sentiram ofendidos, mas repetiu que o seu governo não é responsável pelo que é publicado nos jornais.
Novos protestos devem ocorrer hoje em vários países. Grupos egípcios, palestinianos e iraquianos convocaram manifestações durante as orações dos muçulmanos nesta sexta-feira. O grupo radical palestiniano Hamas convocou uma grande manifestação contra as caricaturas em Gaza. Os governos de vários países cuja a população é de maioria islâmica criticaram ontem a republicação, por jornais da França, Espanha, Itália e Alemanha, das caricaturas consideradas ofensivas ao profeta fundador do islamismo. O presidente do Egipto, Hosni Mubarak, advertiu que a decisão de alguns jornais de publicar as caricaturas pode “encorajar terroristas”. O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, qualificou as imagens como um insulto aos muçulmanos do mundo.
O governo da Indonésia disse que a liberdade de expressão não deveria ser um pretexto para insultar uma religião. Centenas de estudantes saíram em protesto pelas ruas das cidades paquistanesas de Lahore e Multan, queimando bandeiras e retratos do primeiro-ministro da Dinamarca. Palestinianos armados cercaram brevemente o escritório da União Europeia na Cidade de Gaza. A Noruega fechou sua missão na Cisjordânia para o público em resposta a ameaças de dois grupos militantes contra noruegueses, franceses e dinamarqueses.
Vários consumidores muçulmanos continuam a boicotar alguns produtos fabricados na Europa, levando o comissário da União Europeia para o Comércio, Peter Mandelson, a acusar jornais que publicaram as caricaturas na quarta-feira de jogar gasolina no fogo.
Um jornal na Jordânia, Al-Shihan, tornou-se a primeira publicação árabe a divulgar as caricaturas, alegando que as pessoas precisam ver o contra o que estão protestando. Na quarta-feira, o editor de um jornal francês que publicou uma caricatura na primeira página foi demitido por “ofender os muçulmanos”. Jacques Lefranc foi demitido pelo dono do France Soir, após o seu jornal ter sido envolvido na crescente polémica entre os muçulmanos e a imprensa europeia.
O dono do jornal, Raymond Lakah, disse em um comunicado à agência France Presse que decidiu “demitir Jacques Lefranc como director-geral da publicação “como um poderoso sinal de respeito pelas crenças e convicções pessoais de todos os indivíduos”. “Expressamos nossas desculpas à comunidade muçulmana e a todas as pessoas que ficaram chocadas com a publicação”, disse ele.
Aparentemente, chegou-se a um impasse civilizacional, se por um lado os países ocidentais consideram como um direito inalienável a liberdade de expressão e a imprensa livre, por outro lado, os muçulmanos jamais permitirão, a caricatura do que eles consideram sagrado.
Fica uma pergunta: A publicação de um texto ou imagem que fira os sentimentos religiosos de um grupo de pessoas é compatível com a liberdade de imprensa?
LINK:
skender.be/supportdenmark.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Munique


O realizador Steven Spielberg regressa ao grande ecrã com o filme «Munique».
O thriller, nomeado para 5 Óscares, trata de forma ficcional a caçada empreendida por agentes da Mossad para assassinar os palestinianos acusados de organizar o sequestro dos atletas de Israel nos Jogos Olímpicos de Munique (1972), que resultou na morte de 11 deles.
"Munique", tem sido alvo de críticas tanto de israelitas, como de palestinianos, que destacam imprecisões históricas na história.
O filme lida com duas questões fundamentais:

responder ao terrorismo com violência é algo justificável?
Ou apenas alimenta mais terrorismo, como sugere a obra de Spielberg?
A estreia decorre hoje nas salas de cinema do País.
Ficha técnica:
Titulo:« Munique».

Título original:«Munich» .
Realização: Steven Spielberg.
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Geoffrey Rush.
Género: Drama.
Origem: EUA.
Ano:2005.
Duração: 164 minutos.

Os factos por trás do filme:
No dia 5 de Setembro de 1972, o mundo acordou atordoado. Os brilhantes recordes e as sete medalhas de ouro do nadador americano Mark Spitz foram ofuscados pela terrível acção terrorista, de uma organização palestiniana contra a delegação israelita, deixando atónita grande parte da população mundial.Eram 4h30 da manhã de 5 de Setembro, durante a última semana dos Jogos, quando cinco terroristas usando roupas desportivas escalaram a grade que cercava a vila olímpica. Já dentro da vila onde os atletas estavam alojados, encontraram-se com mais três que já haviam entrado com credenciais. No espaço de 24 horas, 11 israelitas, 5 terroristas e um polícia alemão morreriam, manchando de sangue a até então tranquila Olimpíada alemã e a para sempre a memória dos Jogos Olímpicos. Pouco antes das 5h da manhã, os terroristas já estavam no sector da delegação israelita, que havia formado um grande esquema de segurança para os jogos. Mesmo com as intensas medidas de segurança, o grupo armado não encontrou dificuldade para realizar a acção. Assim que chegaram ao andar da delegação, bateram na porta do quarto do técnico Israelita Moshe Weinberg que imediatamente a abriu, percebeu que havia algo de errado e começou a gritar. Weinberg e o halterofilista Joseph Romano tentaram segurar a porta enquanto outros atletas escapavam, mas ambos foram mortos. Logo depois, os terroristas cercaram nove israelitas e fizeram-nos reféns. Às 9h30, os terroristas anunciaram que eram palestinianos pertencentes ao desconhecido grupo “Setembro Negro”. Em troca dos reféns, exigiam a libertação de 234 prisioneiros árabes em prisões israelitas e de dois terroristas alemães que estavam detidos em Frankfurt. Também exigiram um avião para deixarem o país.O governo israelita não quis negociar com os terroristas. Assim, quem deveria zelar pela vida dos reféns eram os alemães, que organizavam os jogos. Foram horas de negociações e de uma tensão que envolveu até os demais participantes daquelas Olimpíadas. Alguns atletas judeus, como o norte-americano Mark Spitz, maior recordista da história da natação até aquele momento, resolveram antecipar a volta para casa. As delegações inteiras da Noruega e da Holanda também se retiraram. Para tentar salvar a vida dos reféns, a polícia de Munique resolveu simular uma concessão. Foi combinado que os terroristas iriam de helicóptero até a base aérea da NATO em Firstenfeldbruck e depois embarcavam num avião para o Cairo, onde supostamente seriam recebidos sem nenhuma punição. Atiradores de elite do exército alemão foram posicionados na base com ordens de matar todos os terroristas mesmo antes de entregar os reféns.Os terroristas pousaram na base às 22h30. Era o início da tragédia: os palestinianos perceberam a emboscada e lançaram uma granada para o helicóptero onde estavam os nove reféns. Todos foram mortos, dando início a um terrível tiroteio, em que cinco terroristas, um dos cinco atiradores alemães e o piloto de um dos helicópteros morreram. Três palestinianos foram capturados e levados para uma prisão alemã. Tudo levaria a crer que ali se encerrariam os Jogos Olímpicos de Munique, mas o Comité Olímpico Internacional (COI) resistiu e manteve o andamento dos jogos, realizando uma cerimónia dedicada à memória dos atletas. As Olimpíadas desenrolaram-se até ao fim. Mas nada conseguiu apagar aquele acontecimento, o mais trágico nos 110 anos de história dos Jogos Olímpicos na era moderna. Na época, os orgãos de informação internacionais,l responsabilizaram de certa forma as autoridades alemãs, que não tiveram calma para negociar com o grupo e optaram por tentar matá-los mesmo sem ter garantias de vida para os atletas israelitas. A polícia de Munique disse que não teve outra alternativa, pois o governo israelita negou-se a atender as exigências dos terroristas. Mais de 20 anos depois, o único terrorista ainda vivo culpou a então primeira-ministra de Israel, Golda Meir, e os serviços secretos israelitas, Mossad, alegando, que foi a intransigência do governo de Israel em negociar que levou às mortes.
Quem eram os terroristas de Munique?
O grupo que perpretou o ataque dizia ser pertencente ao "Setembro Negro". Uma organização dissidente da OLP de Arafat supostamente criada após um conflito em Setembro de 1971 entre soldados jordanos e palestinianos em Aman e em outras cidades da Jordânia.A Mossad e outras organizações israelitas afirmam que foi o líder da OLP, Yasser Arafat, quem forjou o grupo para poder lançar ataques terroristas sem sujar o nome da Organização.O envolvimento de Arafat no massacre de Munique continua indefenido.O único terrorista de Munique sobrevivente, Abu Daoud, disse na autobiografia "Memórias de um Terrorista Palestiniano", lançada em 1999, que Yasser Arafat ordenou o ataque à vila olímpica de Munique e escreveu ainda que o grupo não tinha intenção de matar os israelitas. Além disso, Daoud disse que o ataque foi perpetrado pela Fatah, de Arafat e que o nome "Setembro Negro" foi usado para proteger a imagem internacional da Fatah e os interesses políticos da OLP. "Não havia a organização Setembro Negro.A Fatah anunciou a operação sob esse nome para o grupo não aparecer como responsável directo da operação", disse.Daoud, recebeu o Prémio Palestiniano da Cultura em 1999 pela sua obra.Arafat negou sempre, veementemente, o seu envolvimento no ataque e disse que tais acusações faziam parte da estratégia israelita de desmoralizá-lo.O facto é que até hoje não há nenhuma evidência a mais do seu envolvimento no ataque.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Pinochet


O Tribunal de Apelação de Santiago confirmou hoje o processo contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet como co-autor do sequestro qualificado de três opositores no âmbito da Operação Colombo, anunciou o tribunal.
O tribunal, numa decisão adoptada por unanimidade, não aceitou o recurso da defesa, que alegava estar a saúde de Pinochet, de 90 anos, demasiado deteriorada para enfrentar um julgamento.Desta forma, os juízes confirmaram o processo contra o antigo general decidido a 05 de Dezembro pelo juiz Víctor Montiglio, quando os exames neurológicos, psiquiátricos e psicológicos realizados a Pinochet ditaram que está mentalmente apto para enfrentar julgamento.
A Operação Colombo foi uma montagem da polícia secreta da ditadura (1973-1990) para encobrir em 1975 o desaparecimento (morte) de 119 opositores do regime.No acórdão, os magistrados afirmam que a partir dos exames não se pode concluir que o militar não está em condições de comparecer em tribunal e lembram que o juiz Montiglio pôde interrogar Pinochet normalmente durante a fase de instrução do processo.Além disso, escrevem os juízes, depois do interrogatório, "existe a convicção" de que os sequestros dos militantes de esquerda Juan Carlos Perelman, Héctor Garay e Antonio Cabezas aconteceram realmente e que Pinochet teve neles participação.
Na versão oficial difundida pelos jornais controlados pelos militares, as autoridades anunciaram em Julho de 1975 a descoberta no Brasil e Argentina dos cadáveres de 119 membros do MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária) e de outras organizações opositoras em consequência de disputas internas.O termo "desaparecido" continua a ser usado na América do Sul para definir as vítimas da ditadura cujos corpos nunca foram recuperados pelas famílias.
Pinochet é acusado na Operação Colombo, bem como por fraude fiscal num outro caso, que diz respeito às contas secretas no estrangeiro em seu nome e no dos seus familiares mais directos.No final de 2004, princípio de 2005, chegou a ser decretada a sua prisão domiciliária durante 49 dias, sendo libertado depois de pagar uma fiança de 20 mil dólares.Lusa.
Os homens de boa vontade de todo o Mundo, esperam há mais de uma década, pelo julgamento deste carniceiro. Vamos a aguardar, para ver, se é desta vez que a justiça chilena é cega.

Promover a Leitura


A Associação de Professores de Português (APP) convida professores e escolas, em Portugal e nas comunidades portuguesas no estrangeiro, a organizarem sessões de leitura nas aulas de português, no âmbito do projecto «Ler Consigo».
Nesta iniciativa, pessoas exteriores à escola - encarregados de educação, antigos alunos ou personalidades relevantes - são convidados para lerem um texto numa sala de aula, de 27 a 31 de Março próximo, «promovendo assim junto dos alunos, da escola e da sociedade a ideia de que ler é importante», explica a APP.

Segundo uma nota informativa da associação, este projecto deve proporcionar «aprendizagens eficazes» nos alunos e, na sociedade, o desenvolvimento de uma ideia favorável à leitura. «Muitos professores enviaram relatos que nos incitam a continuar este projecto», destaca a APP, apelando ainda a todos os professores de português para que desenvolvam esta acção educativa.
Em 2004, a primeira edição do «Ler Consigo» envolveu cerca de 350 turmas em 60 concelhos portugueses e nas escolas portuguesas de quatro países, «em centenas de leituras nas salas de aula e bibliotecas das escolas participantes», acrescenta a associação. No ano passado, os números foram semelhantes, «mas aumentaram no estrangeiro», destaca a APP.
Autarcas, vizinhos, empresários, encarregados de educação, militares, ministros, membros do clero, diplomatas, deputados e eurodeputados, antigos alunos e estudantes voltaram à escola para ler os textos que escolheram e para transmitir o gosto pela leitura.
Link: http://www.app.pt/lc/index.html.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Bill Gates


O patrão da Microsoft está em Portugal para participar no “Government Leaders Forum”, organizado pela sua empresa e que Lisboa acolhe este ano - um fórum de discussão alargado a governantes de diferentes países europeus, para discutir práticas de governação e os contributos que as novas tecnologias podem dar nesse domínio.
Bill Gates vai falar, sobre o tema "os desafios da modernização administrativa", para uma audiência que, além de praticamente todo o Executivo, tem também a presença dos presidentes dos governos regionais, o presidente da Assembleia da República ou o Procurador-geral da República.
Antes da conferência, o Presidente da República, Jorge Sampaio, reúne-se com Bill Gates e condecora-o pelo seu papel no combate à pobreza e às doenças no mundo, nomeadamente em Moçambique e Angola.
Bill Gates será agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique «pelo seu esforço e dedicação no combate à pobreza e às doenças no Mundo, especialmente em África e nos países de língua oficial portuguesa», de acordo com uma nota oficial da Casa Civil do Presidente da República. Com LUSA.
William Henry Gates III, ou Bill Gates o homem mais rico do Mundo, nasceu em 28 de Outubro de 1955 numa família de posses, o seu pai, William H. Gates II, era advogado de grandes empresas e sua mãe, Mary Gates, era professora e membro do conselho da Universidade de Washington e presidente da United Way International. Cresceu em Seattle, ao lado das suas duas irmãs.Bill Gates, e as suas duas irmãs, sempre frequentaram as melhores escolas da sua cidade natal. Sempre gostou de ciências, sobretudo de computadores, e, aos 13 anos, já tinha desenvolvido o seu primeiro software.
Em 1973, Bill Gates entrou para a Universidade de Harvard, onde conheceu Paul Allen (co-fundador da Microsoft) e Steve Ballmer (actual presidente da Microsoft). Em Harvard, Gates desenvolveu uma versão da linguagem de programação BASIC para o primeiro microcomputador pessoal, o MITS Altair 8000, produzido no mesmo ano. O sucesso na comercialização daquele produto e a convicção de que, no futuro, o computador seria uma ferramenta de trabalho preciosa levaram, aos 19 anos, Bill Gates a abandonar o curso de economia e em conjunto com Paul Allen, a criarem a empresa Microsoft.
Guiado pela certeza de que o computador viria a tornar-se uma importante ferramenta em todo o mundo, começou a desenvolver softwares para computadores pessoais.
Em 1980 a empresa deu um passo decisivo ao adquirir da Seattle Computer Products o sistema operativo QDOS, vendido logo a seguir para a IBM, que preparava-se para lançar no mercado o primeiro PC . No contrato com a IBM, a Microsoft cedeu o MS-DOS e o Basic sem restrição para o número de microcomputadores IBM onde os programas seriam instalados. Não ganhou muito dinheiro no início.
Bill Gates, no entanto, deteve os direitos de autor sobre o software e pôde cobrá-los de todos os clones que surgiram nos anos seguintes e iniciar a construção do seu império.
Após 25 anos, a Microsoft detém o monopólio virtual do mercado, com 90% dos PC’s contendo os seus programas.
Actualmente a Microsoft emprega cerca de 60 mil funcionários em todo mundo e têm um valor de mercado de 216 mil milhões de Dólares, sendo a companhia mais rica e poderosa da actualidade. Gates casou-se a 1 de Janeiro de 1994.
O casal tem três filhos. Entre os prazeres pessoais do fundador da Microsoft, estão a leitura, o golf e o bridge. Bill Gates, também está ligado à filantropia.
Criou com a mulher em 1999, a Fundação Bill & Melinda Gates, à qual doou 27 mil milhões de dólares para providenciar apoio financeiro para iniciativas nas áreas de saúde e educação. A Fundação já doou 3,2 mil milhões dólares para programas globais de saúde e mais que 2 mil milhões dólares para programas de aprendizagem.
O casal Gates lidera o ranking de filantropia divulgado pela revista americana Business Week, um exemplo do empenho do ser humano em formar um mundo em que os que têm ajudam os que não têm, um exemplo de altruísmo, transferindo as oportunidades que ele tinha para outros, através de iniciativas humanitárias.
Recentemente a prestigiada revista "Time", elegeu o casal Melinda & Bill Gates, juntamente com o cantor Bono, as personalidades do ano em 2005.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

A Fábula da Rata

Estava uma rata preparando-se para comer uma mosca, quando um mocho que observava a cena disse:
- "Rata, não comas já a mosca! Espera que a abelha a coma, depois tu comes a abelha. Ficarás melhor alimentada."
Então a abelha comeu a mosca.
A rata preparou-se, então, para comera abelha, mas o mocho interrompeu-a novamente:
- "Rata, não comas a abelha, ela vai ficar presa na teia da aranha e a aranha vai comê-la, então tu comes a aranha e ficarás melhor alimentada."
A rata de novo esperou.
A abelha levantou voo, caiu na teia da aranha, veio a aranha e comeu-a. A rata preparou-se para saltar sobre a aranha, mas de novo,o mocho interveio:
- "Rata, não sejas precipitada! Há-de vir o pássaro que comerá a aranha, que comeu a abelha, que comeu a mosca. Comerás o pássaro e ficarás melhor alimentada."
A rata, reconhecendo os bons conselhos do mocho, aguardou.Logo após, chegou o pássaro que comeu a aranha.Entretanto, começou a chover, e a rata, ao atirar-se sobre o pássaro para o comer, escorregou e caiu numa poça de água.
Moral da história:Quanto mais duram os preliminares, mais molhada fica a rata.

sábado, janeiro 28, 2006

Desastre do Challenger


28 de Janeiro de 1986, 11 horas e 38 minutos, estava um dia frio, apenas 2º C, o Vaivém Challenger partia para a sua décima missão. Setenta e três segundos depois do lançamento, a cerca de 14 mil metros de altitude, começaram a sair chamas de um dos foguetes, que se soltou e bateu contra um dos tanques de combustível externos do vaivém. A nave explodiu como um terrível fogo-de-artifício.

Aquela missão nunca deveria ter partido, porque estava demasiado frio — e os técnicos da empresa que fabricava os foguetes de combustível sólido que permitem ao vaivém escapar à atracção da gravidade da Terra pronunciaram-se veementemente contra o lançamento. Até havia gelo na pista do Cabo Canaveral, na Florida. A administração da NASA, no entanto, estava ansiosa por cumprir o calendário: em vez de aceitar a opinião dos técnicos, exigiu provas de que não se deveria fazer o lançamento.

O presidente norte-americano Ronald Reagan ordenou a formação de uma comissão de inquérito, exterior à NASA, para apurar as causas do acidente. Faziam parte desta comissão Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar a Lua) e o Nobel da Física Richard Feynman.

Passando por cima da lentidão dos procedimentos da comissão, Richard Feynman fez investigações por conta própria, soube então que todos os lançamentos anteriores do vaivém, tinham sido feitos em dias em que a temperatura ambiente era igual ou superior a 12º C. No entanto, no dia da tragédia a temperatura ambiente era de dois graus. Este foi o problema: sob baixas temperaturas, a borracha perde a sua elasticidade e assim perde a capacidade de vedar adequadamente as juntas dos foguetes.

Para convencer os membros da comissão, Richard Feynman fez perante todos um experiência simples. Pegou um pedaço da borracha usada nas juntas e mergulhou-a em água gelada. Quando a retirou a borracha tinha perdido grande parte da sua elasticidade. A explosão do Challenger ficou para a história como exemplo paradigmático daquilo que a NASA não deve nunca fazer: Captar financiamentos a troco da segurança dos astronautas.

Atrás da Esquerda para a direita:Ollison Onizuka, Christa McAuliffe, Greg Jarvis,Judy Resnik, à frente no mesmo sentido, Michael Smith, Dick Scobee, Ronald McNair .

Todos estes sete tripulantes morreram, onde estava incluída a professora de História Christa McAuliffe, de 38 anos, que deveria dar aulas a partir do espaço, o que fez com que milhões de estudantes presenciassem a tragédia em directo pela televisão, pondo em estado de choque a América: a maioria dos norte-americanos lembra-se de onde estava, na altura do acidente, tal como no momento do assassinato do Presidente John Kennedy.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Mozart nasceu há 250 anos


Amantes da música erudita de todo o mundo, comemoram hoje o 250º aniversário de nascimento do compositor Wolfgang Amadeus Mozart. Ao longo dos seus intensos 35 anos de vida, Mozart escreveu mais de 600 obras musicais, a primeira aos cinco anos de idade, a última no leito de morte.
A Vida de Mozart em datas:
1756 - Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart - mudaria depois o seu quarto nome para Amadeus - nasce às 20horas do dia 27 de Janeiro de 1756, no número 9 da rua Getreidegasse, na cidade de Salzburgo, era o filho mais novo de Leopold Mozart. Era já o sétimo filho, mas até aí só Maria Ana, conhecida por Nannerl, tinha sobrevivido.
1761 - Mozart apresenta-se em público pela primeira vez, no dia 1º de Setembro de 1761, em Salzburgo, numa apresentação escolar. O pai, Leopold, compositor da corte austríaca, ensina os filhos a ler e escrever, além de os ensinar a tocar, cravo, órgão e violino. Mozart escreve sua primeira composição: um Minueto e trio para piano.
1762: Tournée de Mozart e Nannerl em Viena, durante vários meses. As crianças-prodígio apresentam-se diante da imperatriz Maria Theresia.
1763 - No Verão, Mozart acompanhado pelo pai, fazem uma grande viagem por diversos países, no meio da qual o jovem músico faz o seu primeiro concerto, em Augsburgo (Alemanha), cidade natal de Leopold Mozart. As suas primeiras composições são publicadas em Paris.
1768 -Após uma proposta do imperador Joseph II da Áustria, Mozart começa com a composição da Ópera “La Finta Semplice”, que se estreia em Maio de 1769 na sua cidade natal.
1769 - Aos 13 anos, é nomeado “Mestre de Concerto” da orquestra da corte de Salzburgo. Viagem à Itália. No Scala de Milão, o papa nomeia-o Cavaleiro da Ordem da Espora Dourada.
1770 - Mozart dá o seu primeiro concerto em Itália, em Verona. Em Milão, triunfa com sua ópera “Mitridate, re di Ponto” KV.87 (74ª), que foi posta em cena em Dezembro de 1770 sob a direcção do jovem Mozart, que tinha apenas 14 anos de idade.
1772–75: Passa a receber salário pelas suas funções na Corte. Nova tournée por Itália. Mozart escreve as suas primeiras sinfonias e o primeiro concerto para piano e orquestra.
1777–78: Visita Paris, onde a sua mãe morre.
1780 -Viaja para Munique para a representação de sua ópera “Idomeneo, re di Creta” (KV 366). No dia 12 de Março de 1781, é apresentada em Viena, onde faz amizade com os Weber, família de sua futura esposa, Constance.
1781 -Mozart deixa Salzburgo após romper com o seu mecenas da Corte arcebispal, instalando-se em Viena, onde trabalha como compositor de óperas, pianista e professor, tornando-se amigo de Joseph Haydn.
1782 -É aclamado em Viena com “O Rapto do Seralho” (KV 384).Nesse mesmo ano, sem o consentimento de seu pai, casa-se com Constance Weber.
1783: O primeiro filho do casal morre, com apenas dois meses de idade.
1784 -Mozart muda-se para perto da catedral de Viena, na Domgasse número 5, onde vive até 1787, e compõe algumas das suas obras mais conhecidas como “As Bodas de Fígaro” e “Don Giovanni”.
1785: Mozart inicia o seu catálogo de obras. Nascimento do segundo filho, Carl Thomas. Ingresso na Maçonaria.
1786 -Estreia em Viena “As Bodas de Fígaro”.
1787 -Mozart é nomeado por decreto Músico de Câmara da Corte austríaca, com um salário anual de 800 florins. Começa a endividar-se para pagar as suas despesas da sua vida social. Mozart viaja com a sua esposa para Praga para assistir à estreia de “Don Giovanni” (KV 527). Morte de seu pai, Leopold Mozart.
1790: Estréia de Così fan tutte e faz última grande viagem de concertos (pela Alemanha).
1791 - É recebido em Berlim por Frederico II da Prússia. Em Setembro, estreia em Praga “La Clemenza di Tito” (KV 621). Mozart é nomeado Suplente do Maestro de Capela da Catedral de São Estevão, em Viena.

A estreia da “A Flauta Mágica” acontece no dia 30 de Setembro de 1791, sob a direcção musical do próprio Mozart. Em Dezembro, Mozart, doente, trabalha na sua última obra, o Requiem (KV 626), que não foi concluída.
Morre aos 35 anos, no dia 5 de Dezembro, à 1 hora da madrugada. É enterrado no dia seguinte, numa vala comum do cemitério de Saint Marx de Viena.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Auschwitz


Amanhã assinala-se mais um ano da libertação por parte do exército soviético do complexo da morte de Auschwitz-Birkenau.
"Arbeit Macht Frei", (O trabalho liberta), lia-se provocatoriamente à entrada do complexo da morte de Auschwitz-Birkenau. Este campo de extermínio situado na Polónia, foi criado pelo regime nazista em 1940, com o objectivo inicial de reunir os prisioneiros políticos polacos. Entretanto, com o decorrer da guerra, Auschwitz-Birkenau tornou-se no campo de concentração mais atroz do genocídio do povo judeu, devido às execuções em massa. Calcula-se que cerca de um milhão e quinhentos mil judeus, tenham sido dizimados neste campo. Tudo começou em fins de 1941, quando a Gestapo recebe a ordem para executar a "solução final da questão judia", ou seja exterminar a raça judia.

Esta medida foi adoptada em 20 de Janeiro de 1942 por altura da Conferência de Wannsee.As execuções em massa começaram em Maio de 1942, quando mil e duzentos judeus, são enviados para as câmaras de Gás.
A partir de Setembro de 1942, o esforço militar alemão impôs uma mudança de filosofia -"o extermínio pelo trabalho"- que se traduziu na aniquilação massiva de prisioneiros. Os primeiros beneficiados com esta alteração foram as SS, que a partir de então se transformaram nos verdadeiros patrões desta quase inesgotável mão de obra, manejando-a e utilizando-a a seu bel prazer .Deles passa a depender o recrutamento destes operários forçados, imprescindíveis para o aparelho produtivo alemão. A alimentação, de muita má qualidade e quase inexistente, surge como a principal causa de morte de várias centenas de milhar de prisioneiros, facto que, pasme-se deixou o chefe máximo das SS, Heinrich Himmler, profundamente indignado. A espiral de homicídios atingia em 1944, a espantosa cifra mensal de 30 mil mortos.

O avanço dos Aliados em duas frentes, ocidental e oriental e o colapso da economia do Reich parecem ter enlouquecido ainda mais os líderes nazis. O extermínio converteu-se nas palavras do próprio Himmler, numa "necessidade imperiosa, nos numerosos campos de concentração. Os métodos usados até então eram baseados no pressuposto de que o terror era a melhor forma de negar a personalidade do individuo e de o manipular. A partir de então com os campos em risco de cair em mãos inimigas, a morte quantitativa substitui o principio do castigo.Mais do que castigar urgia exterminar.
Em 27 de Janeiro de 1945, ( entretanto institucionalizado Dia da Memória em diversos países ocidentais) o exército soviético liberta o campo da morte e encontra perto de três mil homens e mulheres escanzelados, pesando entre 23 e 35 kg.
Auschwitz, símbolo do Mal para todos os homens de boa vontade, têm suscitado as mais diversas paixões desde da sua libertação.
Sectores da extrema-direita pretenderam lançar o boato de que a "solução final nunca existiu".Os soviéticos ofereceram-lhes, aliás, o pretexto de bandeja, ao propagandearem que em Auschwitz tinham sido mortos "quatro milhões de antifascistas", ou seja mais que duplicaram o número e omitindo o facto de 90 por cento das vítimas serem judeus apolíticos.
É bom para a Humanidade que o complexo de Auschwitz-Birkenau , permaneça de pé.
Não como um exorcismo. Não como um símbolo do mal. Antes como um inestimável suporte para a breve memória humana. Para que não volte a repetir-se.

Que Besta!


Adolfo Hitler tinha prometido casamento a Eva Bruan, no momento em que não tivesse um futuro político. Em 29 de Abril de 1945, dois dias antes da capitulação da Alemanha, Hitler pede em casamento Eva Braun:

Queres desposar-me?
Eva Braun julgou ter ouvido mal.
-Eva, queres desposar-me? - gritou Hitler, que berrava sempre desde que tinha os tímpanos rebentados.
Os olhos de Eva embaciaram-se; ele propunha finalmente o que ela lhe pedira cem vezes e que provocara todas as suas discussões. Caiu no solo, soluçando.
-Eva, fiz-te uma pergunta que nunca fiz a ninguém. Gostaria de ouvir uma resposta.
Eva precipitou-se para ele, para o beijar perdidamente.
-Sim, meu amor. Claro que sim. Era o meu maior sonho. Sempre to pedi.
Cobria-o de beijos, o que dava náuseas a Hitler mas, vistas as circunstâncias, limitou-se a afastá-la.
-És feliz?
-É o mais belo dia da minha vida.
-Muito bem. Nesse caso casamo-nos esta noite e suicidamo-nos amanhã.


Diálogo do livro "A Parte do Outro", de Eric-Emmanuel Schmitt.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O Presidente da República


"Neste exacto momento se dissolve a maioria que me elegeu.
Quero ser e serei o Presidente de todos os portugueses".
Cavaco Silva.
A Democracia é bela.
A Democracia é selectiva.
Mas acima de tudo, não pode ser considerada estúpida, quando se perde.

domingo, janeiro 22, 2006

Guarda Suíça


A Guarda Suíça foi criada em 22 de Janeiro de 1506, em Roma, faz hoje Quinhentos anos. Trata-se do menor e do mais antigo exército do mundo. O minúsculo corpo de defesa do Vaticano é o último vestígio de uma longa tradição de emigração de soldados suíços. Obrigados a deixar o seu país por causa da pobreza, muitos suíços partiam como mercenários ao serviço das grandes potências, actividade que naquela época era bem remunerada. Nos campos de batalha, os suíços obtiveram uma sólida reputação de destemidos guerreiros, fiéis e invencíveis. A tal ponto que o papa Júlio II escolheu-os para formar a sua guarda pessoal.
Os primeiros 150 mercenários suíços chegaram à cidade de Roma em 22 de Janeiro de 1506, data em que a Guarda Suiça foi oficialmente fundada.Com o tempo, os soldados suíços provaram a sua abnegação ao chefe da Igreja Católica, enfrentado todos os perigos.
A prova mais trágica foi dada quando do saque de Roma, no dia 6 de Maio de 1527: as tropas protestantes de Carlos V, imperador da Alemanha e rei de Aragão e Castela, invadiram e saquearam Roma. Na luta, que chegou até ao altar da Basílica de São Pedro, a Guarda Suíça perdeu não só o seu comandante, mas também 147 soldados.
Os quarenta e dois suíços que sobreviveram, conseguiram no meio da confusão esconder o Papa Clemente VII. Abriram com as suas lanças e espadas, uma via de escape e colocaram o Papa Clemente VII, a salvo no castelo de Santo Ângelo. Assim nasceu a verdadeira Guarda Suíça .
Até hoje, a guarda ainda celebra o 6 de Maio como um dia heróico e trágico.
Esse é o dia do juramento.
Cada um dos novos soldados marcha até o centro da Praça de S. Pedro e segura, com o braço esquerdo, a bandeira oficial do Vaticano. Ao mesmo tempo, a mão direita abre-se em três dedos. Os três dedos em riste, simbolizam os três primeiros cantões suíços que se reuniram na Confederação Helvética: Schwyz, Uri e Unterwalden. Cada um dos “Hellebardieri”, como são conhecidos os soldados suíços devido às suas lanças, pronuncia as palavras do juramento.
“Juro servir fielmente, lealmente e honorificamente o Papa em exercício...e os seus sucessores e, com todas as minhas forças, dedicar-me a ele, podendo sacrificar mesmo a minha vida na sua defesa...”
A partir desse momento, cada um desses guardas suíços transforma-se num membro do exército de 110 homens, cinco deles oficiais, encarregado de defender até com a própria vida o chefe da Igreja Católica e do Estado do Vaticano.
A Guarda Suiça quase foi extinta em 1970, quando João Paulo VI decidiu suprimir todos os corpos militares do Vaticano. Mesmo assim, foi feita uma excepção para a pequena força de segurança.
Segundo o regulamento, revisto por João Paulo II em 1979, a guarda tem hoje 110 soldados. Além do serviço de honra, controlam o acesso à Cidade do Vaticano, fazem a vigilância do Palácio Apostólico e a segurança pessoal do Papa.
A história recente da guarda suíça foi marcada por um drama ainda obscuro: em 1998, cabo Cédric Tornay, abateu o comandante Alois Estermann e sua esposa e depois suicidou-se. Estermann era um dos guardas que estavam junto de João Paulo II, quando o Papa foi vitima do atentado, em 13 de Maio de 1981, na Praça de S. Pedro. O inquérito foi concluído rapidamente pelos magistrados do Vaticano. Tratou-se de acto de loucura mas para muitas outras pessoas o drama continua sendo um mistério.

Esse caso talvez tenha em parte contribuído para a ligeira queda do número de voluntários registada desde o início desta década. Todos os candidatos devem ser católicos, ter feito treino militar no Exército suíço, uma reputação “irrepreensível” e um curso superior.
Para reverter a tendência de queda no número de voluntários, foram feitas algumas reformas. A qualidade do serviço melhorou, a fim de abrir novas perspectivas profissionais para os recrutas. Fazem parte da formação actual cursos de informática, comunicação, inglês e italiano. Essas mudanças começam a dar resultados porque o número de voluntários voltou a crescer desde o ano passado.
No futuro, o pequeno exército poderá continuar a fazer a guarda do Vaticano.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Anti-terrorismo Prejudica Direitos Humanos


A organização Human Rights Watch, baseada em Nova Iorque, diz que as políticas anti-terroristas das potências ocidentais estão a prejudicar a defesa dos direitos humanos no mundo.
No seu relatório anual divulgado ontem, a organização critica particularmente os Estados Unidos.
A Human Rights Watch diz que a política dos Estados Unidos tem sido: a de submeter suspeitos de terrorismo a tratamento cruel e degradante.

O estudo também descreve como “sem sentido” as tentativas do Reino Unido de obter garantias de que suspeitos de terrorismo não serão torturados se forem enviados para outros países.
Segundo a Human Rights Watch, a União Europeia com frequência respondeu de forma ineficaz à violações dos direitos humanos noutros países.
O presidente americano, George W. Bush, “continua a oferecer garantias enganadoras de que os Estados Unidos não torturam suspeitos, mas essas garantias soam vazias”, diz o relatório.
Como resultado da falta de credibilidade do país em assuntos de Direitos Humanos, os Estados Unidos deixaram “vazia a liderança mundial quando a questão é defender os direitos humanos”.
O relatório de 532 páginas diz que 2005 foi marcado por uma “tendência continuada a subordinar os Direitos Humanos a vários interesses políticos e económicos”.
Segundo a organização, o Reino Unido em especial ignorou abusos na Rússia e na Arábia Saudita para garantir contratos comerciais.

O estudo destaca ainda que a França e a Alemanha pressionaram a União Europeia para acabar com embargo de armas à China, apesar da falta de avanços no processo de punir os responsáveis pelo ataque a manifestantes na Praça de Tianenmen em 1989.
De acordo com a Human Rights Watch, existe uma “competição sem sentido” entre os líderes do Reino Unido, França e Alemanha de aprofundar as relações bi-laterias com a Rússia, apesar de o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não ter o mínimo respeito pelos Direitos Humanos na Tchetchénia.

Link:hrw.

Eugénio de Andrade


Não é a primeira antologia que reúne a poesia de Eugénio de Andrade, mas a obra a apresentar hoje, às 18.30 horas, na Fundação do autor de "As mãos e os frutos", no Porto, vem anunciada como a "edição definitiva" da obra de um dos mais profícuos poetas portugueses do século XX.
O professor universitário e ensaísta Arnaldo Saraiva teve a cargo a tarefa de organizar a edição, respeitando as instruções deixadas pelo poeta.
Os critérios que presidiram ao trabalho de organização são explicados num texto inserido no final do volume, no qual Arnaldo Saraiva justifica o motivo por que não recorreu aos textos escritos nos últimos anos de vida, quando o autor já se encontrava enfermo.
Em relação à última antologia, datada de 2000, o livro agora editado pela Fundação Eugénio de Andrade mantém não só o título como o grafismo de Armando Alves, com a reprodução de uma gravura de Ângelo de Sousa. A maior novidade prende-se com a inclusão de "Os sulcos da sede", editado em 2001, que contribui para que o volume tenha um pouco mais de 600 páginas. JN.
Eugénio de Andrade, falecido a 13 de Junho de 2005, se fosse vivo, completaria hoje 83 anos.
Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia, Fundão, região da Beira Baixa, no seio de uma família de camponeses. A sua infância foi passada com a mãe na sua aldeia natal, fixando-se em Lisboa em 1932 com a mãe, que entretanto se separara do pai.
Estudou no Liceu Passos Manuel e na Escola Técnica Machado de Castro, tendo escrito os seus primeiros poemas em 1936, o primeiro dos quais, intitulado «Narciso», publicou três anos mais tarde.
Em 1943 mudou-se para Coimbra, onde regressa depois de cumprido o serviço militar, convivendo com Miguel Torga e Eduardo Lourenço. Em 1947, entrou para a Inspecção Administrativa dos Serviços Médico-Sociais, exercendo durante 35 anos as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde.
Em 1948, publica «As mãos e os frutos», que mereceu os aplausos de críticos como Jorge de Sena ou Vitorino Nemésio.
Uma transferência de serviço levá-lo-ia a instalar-se no Porto em 1950, onde fixou residência. Abandonou a ideia de um curso de Filosofia para se dedicar à poesia e à escrita, actividades pelas quais demonstro desde de cedo profundo interesse, a partir da descoberta de trabalhos de Guerra Junqueiro e António Botto. Camilo Pessanha constituiu outra forte influência do jovem poeta Eugénio de Andrade.
Entre as dezenas de obras que publicou encontram-se, na poesia, «Os amantes sem dinheiro» (1950), «As palavras interditas» (1951), «Escrita da Terra» (1974), «Matéria Solar» (1980), «Rente ao dizer» (1992), «Ofício da paciência» (1994), «O sal da língua» (1995) e «Os lugares do lume» (1998).
Em prosa, publicou «Os afluentes do silêncio» (1968), «Rosto precário» (1979) e «À sombra da memória» (1993), além das histórias infantis «História da égua branca» (1977) e «Aquela nuvem e as outras» (1986).
As suas obras foram traduzidas para alemão, asturiano, basco, castelhano, catalão, galego, chinês, francês, italiano, inglês, jugoslavo e russo.
A sua poesia caracteriza-se pela importância dada à palavra, quer no seu valor imagético, quer rítmico, sendo a musicalidade um dos aspectos mais marcantes da poética de Eugénio de Andrade.
O tema central da sua poesia é a figuração do Homem, não apenas do eu individual, integrado num colectivo, com o qual se harmoniza ou luta.
Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com “essa debilidade do coração que é a amizade”.
Recebeu inúmeras distinções, entre as quais, o Prémio de Poesia Jean Malrieu (1984), o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários (1986), Prémio D. Dinis (1988), Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), o Prémio Europeu de Poesia (1996), Prémio Camões (2001) e o Prémio Pen Club (2003).

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Eutanásia


O Supremo Tribunal dos Estados Unidos emitiu hoje um acórdão que valida o “suicídio medicamente assistido” no estado do Oregon , o único Estado norte-americano que dispõe de uma legislação nesse domínio e que poderá inspirar outros. Nesta decisão, tomada por uma maioria de seis votos contra três, a mais alta instância judicial do país considera que o governo não pode proibir os médicos daquele Estado de prescreverem medicamentos para fins de eutanásia. A legislação federal “não autoriza o Procurador-Geral (secretário da Justiça) a proibir a administração de substâncias regulamentadas para fins de suicídio assistido, perante uma legislação médica estadual que permite tal procedimento”, concluiu o tribunal. O secretário da Justiça norte-americano, Alberto Gonzales, recorreu ao tribunal para contestar o despacho de um tribunal de apelação federal invalidando uma decisão do seu ministério que proibia tal prática no Oregon. Aprovada por duas vezes pelos eleitores do Oregon, a lei “Morrer com Dignidade” é aí aplicada desde 1997. A lei enquadra estritamente a eutanásia, exigindo que dois médicos concluam que a esperança de vida do doente atingido por uma doença incurável é inferior a seis meses, que este tenha solicitado esse procedimento e que a sua escolha seja feita com plena consciência. A administração do actual Presidente, George W. Bush, apoiada por numerosas organizações religiosas, tenta desde o final de 2001 combater este texto. LUSA.
A palavra eutanásia deriva do grego eu (bom) e thanatos (morte) significa morte boa, morte calma, morte doce ou indolor. A expressão teve origem no século XVII, quando Francis Bacon cunhou-a como designação da função do médico, quando este proporcionava ao enfermo morte indolor, calma e doce.

Muitos autores, ao tratar o assunto, citam, macabramente, usos de povos antigos, cuja sensibilidade ética não tem nada a ver com a nossa. Em Esparta, por exemplo, era prática comum precipitar os recém-nascidos mal-formados do alto do monte Talgeto. Os birmaneses, por sua vez, enterravam vivos os idosos e os enfermos graves. Populações sul-americanas, forçosamente nómadas por factores ambientais, sacrificavam os anciãos e enfermos, para não os abandonar ao ataque de animais selvagens.
Em Novembro de 2000, a Holanda tornou-se o primeiro país do mundo onde a eutanásia e o suicídio assistido são legais. Na Holanda, onde o tema sempre suscitou grande preocupação nas classes médica e jurídica, há estimativas que variam de três a doze mil casos anuais de morte por eutanásia. Até aqui, esta prática era condenada por lei, mas tolerada pela sociedade desde 1996, quando praticada em doentes adultos e sob a tutela directa do Ministério Público.
A lei aprovada foi criticada severamente pelo Vaticano, considerando que «viola a dignidade humana» e está em contradição com a Declaração de Genebra de 1948, da Associação Médica Mundial, bem como os princípios da ética clínica aprovados por doze países da União Europeia em 1987.
Além disto, a Academia Pontífica para a Vida procurou fazer valer que a aceitação legal da morte voluntária de um membro da sociedade por outro perverte, na sua raiz, um dos princípios fundamentais da convivência civil.
Também defende que a legalização é susceptível de conduzir à perda da necessária confiança nos médicos por parte dos pacientes e de abrir toda a espécie de abusos e injustiças, principalmente em detrimento dos mais débeis.
O direito de um paciente em recusar procedimentos terapêuticos que lhe prolonguem a vida é reconhecido em vários países.

Inúmeros casos, em diferentes locais do mundo trazem, de tempos a tempos, a discussão sobre a eutanásia, com posições extremadas em ambos os campos, de pró ou contra, a eutanásia.
Se por um lado os que são a favor da eutanásia, pretender que a eutanásia seja um direito a morrer dignamente e sem dor, do outro lado retaliam dizendo que é legalizar o homicídio, e que o direito sobre a vida é um direito divino.

A eutanásia provocada por outrém, ou a morte realizada por misericórdia ou piedade, constitui homicídio, pelo nosso direito penal. Talvez, seja o momento de a legislação portuguesa avançar nesta matéria.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Albert Hofmann


O Herói dos “Hippies” e da “Flower Power Generation” faz cem anos.
O químico suíço Albert Hofmann, inventor da droga conhecida como LSD, abreviatura da expressão alemã Liserg Saure Diethylamid ( dietilamida do ácido lisérgico), completa cem anos hoje. Será homenageado num simpósio internacional que discutirá os efeitos do uso dessa substância.
O LSD é uma droga com efeitos alucinógenos e foi a muito consumida dentro do movimento hippie nos anos 60. Depois disso, acabou sendo proibida e perdeu popularidade até os anos 90, quando voltou timidamente à ribalta entre os fãs de música electrónica.
Hofmann, que nasceu em 1906 na cidade de Baden, descobriu a substância em 1943, quando trabalhava nos laboratórios Sandoz, actualmente parte do grupo farmacêutico Novartis.
Em declarações à imprensa de seu país, o químico confessou não estar surpreso pelo facto de ter entrado para a história apenas por causa do LSD, apesar de ter feito outras descobertas.
“Trata-se de um produto muito especial que actua na consciência, que é, afinal de contas, o que nos distingue dos animais”, afirmou o químico, acrescentando que sob os efeitos do LSD, “vemos, ouvimos e sentimos de forma diferente e intensa, mesmo com uma dose ínfima”.
Em 1943, quando realizava experiências para desenvolver um estimulante circulatório e respiratório, Hofmann descobriu o LSD de forma acidental e foi cobaia da sua própria descoberta.
Entre 1947 e 1966, a Sandoz manufacturou o LSD em cápsulas e ampolas para utilização médica em tratamentos psiquiátricos e neurológicos, mas adquiriu uma má reputação por abusos no seu consumo—o que resultou no fim da produção.
Actualmente, Hoffman reconhece que não se trata da “droga do prazer”, e adverte que seu consumo pode ser “extremamente perigoso”.