
Peter James Henry Solomon Benenson nasceu no dia 31 de Julho de 1921, em Londres e morreu no hospital John Radcliffe, em Oxford, faz precisamente um ano, em 25 de Fevereiro de 2005. Neto de um banqueiro judeu de origem russa, Benenson nunca passou por grandes dificuldades materiais. Na escola, preocupava os professores devido às suas “tendências revolucionárias” e aos 16 anos organizou a sua primeira campanha para obter apoios para a causa dos órfãos republicanos da guerra Civil Espanhola.
Quando se candidatou a Oxford, escolheu o curso que acreditava poder dar uma outra dimensão aos seus protestos: Direito. No entanto, quando se viu numa sala de audiências, apercebeu-se de que não seria assim.
Aos 39 anos, ao folhear um jornal, uma notícia chamou-lhe a atenção.
Referia que dois jovens tinham sido presos pelo regime de Salazar por terem gritado “Viva a Liberdade!” na via pública. Ao lê-la, Benenson sentiu-se mais impotente do que nunca. Indignado, lançou um apelo no sentido de se organizar uma ajuda prática às pessoas presas devido às suas convicções políticas ou religiosas, ou em virtude de preconceitos raciais ou linguísticos.
Nessa mesma manhã escreveu um artigo de protesto e apelo, intitulado The Forgotten Prisoners (Os Prisioneiros Esquecidos), que foi publicado na edição de 28 de Maio de 1961 do jornal "The Observer".
O artigo começava assim: “Abra o seu jornal em qualquer dia da semana e encontrará uma notícia que numa parte do mundo alguém foi detido, torturado ou executado, porque as suas opiniões ou religião são inaceitáveis para o governo do seu país... O leitor do jornal sente um mau estar de impotência. Contudo se estas sensações de indignação puderem ser unidas numa acção conjunta, algo de efectivo pode ser feito”.
O seu artigo estava ilustrado com fotografias de seis presos de Angola, Estados Unidos, Grécia, Hungria, Roménia e Checoslováquia, que tinham em comum terem sido presos por dissidência de opinião. O advogado então lançou um “pedido de amnistia”.

Nascia assim a Amnistia Internacional (AI). Uma jovem artista inglesa, Diana Redhouse, desenhou o logótipo do movimento: uma vela cercada por um arame farpado. Em seguida surgiram as ofertas de ajuda e foi confiada a cada militante a missão de adoptar três prisioneiros, um do bloco comunista, um do Ocidente e um do Terceiro Mundo. A neutralidade do movimento era primordial. Depois de um ano de existência, a Amnistia Internacional estava encarregada de 210 prisioneiros. Uma regra sagrada guiava todos seus membros: os “adoptados” não deviam ter empregue a violência, nem tê-la incentivado.
Com o passar dos anos, a lista de presos – e de libertados – amplia-se. Entre eles, há uma multidão de anónimos, mas também são muitos os prisioneiros célebres, como o russo Andrei Sakharov, o dramaturgo checoslovaco e futuro presidente checo Vaclav Havel, o pianista argentino Miguel Angel Estrella, a democrata birmanesa Aung Saan Suu Kyi (que ainda se encontra presa), os dissidentes chineses Wei Jingsheng e Fang Lizhi, da “Primavera de Pequim”, o sul-coreano Kim Dae-Jung, entre muitos outros. O prisioneiro político mais famoso, o sul-africano Nelson Mandela, sempre foi defendido pela Amnistia Internacional, mas jamais foi adoptado porque promoveu a violência como acção política.
Tem um voto consultivo junto da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), do Conselho da Europa, da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Organização da Unidade Africana (OUA).A AI possui 1,8 milhões de membros e delegações em 50 países. Para garantir a imparcialidade da AI, cada grupo ocupa-se de casos ou campanhas relativas a outros países diferentes do seu, escolhidos pela sua diversidade geográfica e política. A investigação sobre as violações dos direitos humanos e sobre as vítimas é conduzida pelo Secretariado Internacional da organização. Em 1977, foi-lhe atribuído o prémio Nobel da Paz.
Para terminar, ficam as palavras de Peter Benenson, proferidas na comemoração do 40º aniversário da Amnistia Internacional: “Quarenta anos passados a Amnistia Internacional obteve muitas vitórias. Os seus ficheiros estão cheios de cartas de antigos prisioneiros de consciência ou de vítimas de tortura agradecendo à Organização por ter “feito” a diferença. A tortura está proibida por acordos internacionais. Todos os anos mais países rejeitam a pena de morte. O mundo terá brevemente um Tribunal Penal Internacional que assegurará que os acusados dos piores crimes no mundo sejam apresentados à justiça. A mera existência do Tribunal será dissuasora de alguns crimes. Mas os desafios ainda são grandes. A tortura está proibida, mas em dois terços dos países do mundo ela ainda é praticada em segredo. Demasiados governos permitem que os seus agentes façam detenções arbitrárias, matem ou façam “desaparecer” pessoas, com total impunidade. Aqueles que hoje ainda sentem um sentimento de impotência podem fazer algo: apoiar a Amnistia Internacional, podem ajudá-la a impor-se pela justiça e liberdade. Em 1961 escrevi, “A pressão da opinião pública há 100 anos teve como consequência a emancipação dos escravos.” A pressão da opinião pública é agora necessária para ajudar a Amnistia Internacional a alcançar o seu objectivo máximo: deixar de ser necessária. Só então quando o último prisioneiro de consciência for libertado, quando a última câmara de tortura for fechada, quando a Declaração Universal dos Direitos Humanos for uma realidade para todo o mundo, o nosso trabalho estará terminado”.







Os auto-retratos, “Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”e as representações de cenas do hospital ou de procedimentos médicos foram retratados de forma a fazer o observador partilhar da sua dor. Retratou a lápis a cena do acidente, sem respeito por regras ou perspectivas. Saída do hospital, e postas de lado as hipóteses de vir a tornar-se médica, Frida Kahlo começou a dedicar todo o seu tempo à pintura, afirmando que a sua obsessão era começar de novo e passar a pintar as coisas tais como os seus olhos as viam. Por esta altura, a artista decidiu quebrar os tabus do seu tempo e passou a representar nos seus quadros imagens muito pessoais, intimamente relacionadas com o corpo e sexualidade femininas. A pintora começa igualmente a relacionar-se com artistas e intelectuais do seu tempo e acaba por casar-se com Diego Rivera, um famoso pintor mural mexicano.
Quando se casou com Frida, a família dela comparou a união ao casamento de um elefante com uma pomba - ele era imenso e 21 anos mais velho. Mas os dois formaram o casal de artistas mais original da época. Frida amargou muito com os relacionamentos extra-conjugais do marido, seu grande amor e reconhecido mulherengo. No entanto Frida Kahlo, também viveu romances paralelos com mulheres e homens, o mais famoso com o revolucionário russo León Trotski. Apesar das traições do marido, a maior dor de Frida foi a impossibilidade de ter filhos, o que ficou claro em muitos dos seus quadros. Em 1930, viaja para os EUA com o marido. Frida Kahlo, mais mexicana do que nunca, chocava na sociedade americana, com as suas roupas, risos e gestos. Em Detroit, Frida engravida, mas sofre um aborto, facto que mais de uma vez leva embora o seu sonho de ser mãe. Nesse período, Frida começou a produzir telas, a respeito do aborto, do quarto do hospital e dos sentimentos inerentes a estas perdas.
De volta ao México, teve de superar ainda a morte da mãe, mais um aborto e algumas crises no seu casamento com Diego Rivera, que a traía com a sua irmã mais nova, Cristina. Em 1939 parte sozinha para Nova Iorque, onde faz a sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, que é um sucesso. Em seguida, segue para Paris, onde é hospitalizada com uma infecção renal, mas também entra no mundo da vanguarda artística dos surrealistas. Conhece Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Éluard e Max Ernst. O museu do Louvre adquire um dos seus auto-retratos. No mesmo ano, divorcia-se de Diego Rivera, com quem volta a casar-se um ano depois. Em 1942 começa a dar aulas de arte numa escola recém aberta na Cidade do México. Entretanto, o seu estado de saúde piorou, e o colete antes de gesso, foi substituído por um de ferro que impedia até a sua respiração. Em 1946 a sua coluna precisou ser operada. Com fortes dores na perna direita, em 1950 é tratada no Hospital Inglês durante todo o ano. Os médicos diagnosticam a amputação da perna e ela entra em depressão. Entre, 1950 e 1951, Frida Kahlo é submetida a sete operações na coluna, que infeccionam, devido ao colete de uso obrigatório.
Depois destas operações, Frida Kahlo volta a pintar sendo-lhe montado um cavalete especial na sua cama para que pudesse trabalhar, deitada de costas. Frida Kahlo pintou até à sua morte, que chegou na madrugada de 13 de Julho de 1954. A mexicana sofredora, tinha 47 anos e causa oficial da morte foi uma embolia pulmonar, no entanto a última anotação no seu diário permite aventar a hipótese de suicídio:"Espero alegre a minha partida e espero não retornar nunca mais."


As fotografias indicam que a tortura e abusos teriam sido ainda piores do que aquilo que já se sabia.
As fotos mostram um preso coberto do que parece ser excrementos, outro preso com um corte na garganta e uma suposta sala de interrogatórios banhada de sangue. 




























