
Escrevia ontem no jornal Público, o ex. Presidente da ex.União Soviética, Mikhail Gorvatchov, que “ o desastre nuclear de Tchernobil…foi, ainda mais do que o lançamento da minha Perestroika, a verdadeira causa do colapso da União Soviética cinco anos depois. De facto, a catástrofe de Tchernobil foi um momento de viragem histórico :houve uma era antes do desastre e há uma nova era depois dele”, sendo verdade que o colapso da União Soviética, foi um dos acontecimentos históricos mais significativos para o Mundo, no último quarto do século passado, o preço pago e a pagar, é demasiado elevado.
Há 20 anos, em 26 Abril de 1986, o mundo acorda para o pesadelo dos desastres nucleares .
Às 01h23 da manhã, explode o reactor número quatro do complexo nuclear de Tchernobil, na União Soviética. O incêndio provoca a destruição parcial do coração do reactor que, no momento, funcionava a apenas sete por cento da sua potência normal, pois encontrava-se em fase de descarga de combustível. Às 01h25 os bombeiros da central começam a atacar o incêndio. Às 02h15, as autoridades de Pripyat (localidade mais próxima) interditam a região num raio de 15 quilómetros. Entretanto, a estação meteorológica mais próxima regista um aumento anormal de radioactividade. No dia 27, com a extinção do incêndio, começa a evacuação de 50 mil pessoas da cidade de Pripyat, em 1100 autocarros formando uma coluna de 27 quilómetros. Na Ucrânia, as autoridades estendem o perímetro de segurança para 30 quilómetros. No dia 28, o ministro sueco da energia e o ministro do ambiente da Dinamarca solicitam à União Soviética explicações sobre a origem da poluição radioactiva detectada, fazendo-se a evacuação dos habitantes num raio de 30 quilómetros da central. Às 21h00, a agência noticiosa soviética, TASS, emite um comunicado do Conselho de Ministros da União Soviética, admitindo um acidente nuclear em Tchernobil, com uma quantidade indefinida de mortos.
Sobre este atraso na divulgação da notícia ao mundo, diz Gorbatchov, que “…o mundo soube do desastre através de cientistas suecos, criando a impressão de que estávamos a esconder alguma coisa. Mas, na verdade, não tínhamos nada a esconder e, simplesmente, não tivemos qualquer informação durante um dia e meio. Só alguns dias depois soubemos que o que aconteceu não foi um simples acidente mas uma verdadeira catástrofe nuclear…” .
A nuvem radioactiva afectou principalmente a Ucrânia, a Finlândia, a Suécia, a Polónia, a Alemanha Ocidental e Oriental e a França. Além das perdas humanas, a radioactividade de Tchernobil contaminou os solos e águas de 137 mil quilómetros quadrados de territórios na Ucrânia, na Bielorússia e na Rússia. Tchernobil inutilizou ainda 114 mil hectares de terra e 492 mil hectares de floresta, forçando cerca de, 400 mil pessoas a abandonarem as suas habitações. O acidente provocou a morte de 59 pessoas e libertou uma radiação duzentas vezes superior às bombas atómicas de Hiroxima e Nagasáqui.“Tchernobil abriu-me os olhos como nenhum outro acontecimento: mostrou-me as horríveis consequências do poder nuclear, mesmo quando não é usado para fins militares. Agora todos podemos perceber melhor o que aconteceria se uma bomba atómica explodisse. Há cientistas que dizem que apenas um SS-18 pode conter 100 Tchernobils.”, diz Gorbatchov.
Fotografia, EPA/Sergey Dolzhenko. Vyacheslav Konovalov, biólogo ucraniano exibe um feto humano e um de um porco. Konovalov estuda as mutações biológicas provocadas pela exposição a radiações.
Passados 20 anos sobre Tchernobil, ainda não há consenso sobre o número de vítimas. Segundo a Organização das Nações Unidas, apenas 59 pessoas morreram devido ao acidente e estima em 4 mil o número dos que podem vir a perder a vida devido a cancros. Por sua vez a Organização Não Governamental, Greenpeace, garante que o acidente causou, nos países mais afectados, a Ucrânia, a Rússia, e a Bielorússia, cerca de 200 mil mortos.
Mikhail Gorbachov termina o seu artigo com uma mensagem de esperança, “O 20º aniversário da catástrofe de Tchernobil recorda-nos que não devemos esquecer a terrível lição ensinada ao mundo em 1986. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para tornar as instalações nucleares seguras. E devemos também começar seriamente a trabalhar na produção de formas de energia alternativa.”
Numa altura em que o debate sobre a energia nuclear parece querer voltar à agenda política portuguesa, estas sábias palavras de Mikhail Gorbatchov, devem servir de alavanca a todos aqueles, que querem o país longe, da opção da energia nuclear.




Até 1506, os cristãos - novos puderam levar uma vida relativamente calma e prosperar. Mas o clero insistia:” O comportamento ambíguo dos marranos,( termo pejorativo, que designava os judeus obrigados a baptizarem-se à força, mas que continuavam a professar secretamente a sua fé), põe em causa muitas das certezas dos cristãos. E as consequências estão à vista: os costumes vão-se degradando, treme até o equilíbrio social. São necessários castigos exemplares, regras rígidas e dissuasoras. Nos casos mais graves, a própria morte.”


















Ao tomar conhecimento da realidade transmitida por estas palavras, parece-me óbvio que seria necessário um condicionamento genético na abordagem a alguns problemas fundamentais. A mensagem “erro fatal”, como em qualquer programa de computador, deveria invalidar as opções erradas logo na base. Por ser evidente que somos o resultado da conjugação de uma série de factores e que se as coisas tivessem sido ligeiramente diferentes, as consequências ter condicionariam o surgimento da vida inteligente, tudo deveria ser visto na devida perspectiva. Este facto merece uma reflexão, sobretudo na abordagem que temos tendência a fazer aos nossos problemas, ou melhor, na incapacidade por vezes demonstrada de os relativizar. Com efeito, cada ser humano atribui aos seus problemas a dimensão personalizada, o que o condiciona automaticamente. Este comportamento é recorrente, principalmente naqueles que têm uma visão simplista do mundo e que revelam em permanência uma indiferença absoluta perante os problemas que ultrapassam a esfera da sua existência. Os grandes problemas da Humanidade, onde temos de incluir a sua sobrevivência a longo prazo, são os verdadeiros dilemas que têm que ser enfrentados.