Estive de férias em Marte, melhor dizendo, na Ilha do Sal, enquanto isso, o Filipe e o Hugo aproveitaram para pastar. Nada se passou nest' A Fábrica, que em abono da verdade, está a passar a uma autêntica xafarica. Vou-me voltar aplicar nos conteúdos. Tive que ir a Cabo Verde para constatar uma triste realidade, que não conhecia dos portugueses: Todos se chamam "mori" ou talvez "môri", difícil de compreender devido ao sotaque centro/sul. "Môri" isto, diz ele, "Mori" aquilo, diz ela. Até os filhos, que foram objecto de tantas discussões para escolherem o nome, são "môris". "Môri" não faças isso, "môri" dou-te um estalo, "môri" vai pedir uma Coca-Cola, diz a mãe, para um Gonçalo de cinco anos. Haja paciência!
Portugal e França disputam hoje a segunda meia-final do Mundial de futebol de 2006, em Munique, e quem vencer junta-se na final à Itália, que na ontem deixou a anfitriã Alemanha em pranto, com vitória por 2-0 no prolongamento. A selecção portuguesa pode converter o sonho de um pequeno país em realidade e chegar à "inalcançável" final de Berlim, depois de contrariar todos os prognósticos, chegando a Munique já entre as quatro melhores do Mundo, com espírito "insaciável", após a eliminação da Inglaterra nos oitavos-de-final (3-1 no desempate por penaltis). O sentimento de inferioridade latente nos jogos que ditaram as derrotas com a França nas meias-finais dos Europeus de 1984 (2-3) e 2000 (1-2), ambas no prolongamento, parece apagado e esta selecção, vice-campeã europeia, pode ultrapassar o feito dos "magriços", que em 1966 terminaram o Mundial de Inglaterra em terceiro. Os bravos conjuntos de 1966, 1984 e 2000 podem ser "vingados" quarta-feira, num palco à altura, a fantástica Allianz Arena de Munique, onde "Felipão" irá, certamente, apresentar o seu "onze ideal", face aos regressos, após castigo, de Costinha e Deco. O guarda-redes Ricardo, os defesa Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente, os médios Costinha, Maniche e Deco, os extremos Figo e Cristiano Ronaldo e o ponta-de-lança Pauleta, melhor marcador do último campeonato gaulês, serão, com toda a certeza, os primeiros a começar o ataque à final. Para repetir 2004, única vez que ganhou uma meia-final (2-1 à Holanda, em Alvalade), Portugal precisa de contrariar a França, liderada por Zinedine Zidane (acaba a brilhante carreira no Alemanha2006) e Thierry Henry, "carrascos" da equipa lusa em 2000. Se a vitória dá direito a confronto com a tricampeã Itália na final de Berlim, no domingo, quem perder disputará o jogo de "consolação", sábado, em Estugarda discutindo o terceiro lugar com a Alemanha, também vencedora em três ocasiões. Equipas prováveis: Estádio: Allianz Arena, Munique Árbitro: Jorge Larrionda (Uruguai) Assistentes: Walter Rial (Uruguai) e Pablo Fandiono (Uruguai) 4º árbitro: Mark Shield (Austrália). - Portugal: Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Costinha, Maniche e Deco; Figo, Cristiano Ronaldo e Pauleta. - França: Fabien Barthez; Willy Sagnol, William Gallas, Lilian Thuram e Éric Abidal; Claude Makelele e Patrick Vieira; Zinedine Zidane; Florent Malouda, Franck Ribéry e Thierry Henry.
O modelo de um fato-de-banho reduzido e composto por duas peças foi criado pelo engenheiro mecânico francês Louis Réard e apresentado ao Mundo cinco dias depois da detonação da primeira bomba atómica dos Estados Unidos no atol de Bikini, no Oceano Pacífico, faz amanhã 60 anos. Contudo, meses antes, o estilista Jacques Heim já havia anunciado a criação do menor traje de banho do Mundo, curiosamente, baptizado com nome alusivo à catástrofe nuclear - “atome”. Na época, Réard não conseguiu convencer nenhuma manequim a desfilar o modelo, pelo que a sua apresentação foi feita por Micheline Bernardini, uma ‘strip teaser’ do Cassino de Paris. “O biquini é a coisa mais importante que surgiu desde a invenção da bomba atómica”, declarou no final dos anos 40, Diana Vreeland, editora das revistas de moda “Vogue” e “Harper’s Bazaar”. Perante o modelo escandaloso que atentava contra os padrões sóbrios nos momentos finais da II Grande Guerra, o Papa Pio XII chegou mesmo a ordenar a sua proibição. Obviamente, não resultou. Na década de 50, a actriz Brigitte Bardot assumia mediaticamente o entusiasmo que as francesas nutriam pelo traje estival. Hoje, com a ampla divulgação do modelo tanga, nascido no Brasil nos anos 60, e do modelo de fio dental, oriundo do mesmo país nos anos 80, o biquini seria considerado demasiado grande. Contudo, o ‘design’ é retomado por muitos estilistas contemporâneos. O corte e estampados que parecem nunca sair de moda são os evocativos da década de 60. Foi nessa época que o biquini foi celebrizado no cinema pela actriz Ursula Andress, no primeiro filme da saga James Bond, “O Sâtanico Dr. No”. Nos anos ‘hippie chique’, na década de 70, a inovação prendeu-se com a combinação de peças que, aparentemente,não poderiam associar-se. Nos 80, veio a lycra e o abuso das cores fortes e, nos 90, o factor confortável dominou.JN. Uma invenção perfeita. Por razões diferentes, satisfaz ambos os sexos!
James Douglas Morrison, mundialmente conhecido como Jim Morrison, foi encontrado morto em Paris, faz hoje precisamente 35 anos. Nascido no dia 8 de Dezembro de 1943 na cidade de Melbourne, Florida – EUA, era filho do almirante George Stephen Morrison e sua mulher Clara Clark Morrison, ambos funcionários da marinha americana. Seus pais que eram conservadores e rigorosos, todavia Jim acabou por tomar para si pontos de vista completamente antagónicos aos que lhe foram ensinados. De acordo com Morrison, um dos eventos mais importantes da sua vida aconteceu em 1954 durante uma viagem de família ao Novo México, que descreveu assim: A primeira vez que descobri a morte…eu, os meus pais e os meus avós, íamos de automóvel no meio do deserto ao amanhecer. Um caminhão carregado de índios, tinha chocado com outra viatura e havia índios espalhados por toda a auto-estrada sangrando. Eu era apenas um miúdo e fui obrigado a ficar dentro do automóvel enquanto os meus pais foram ver o que se passava. Não consegui ver nada – para mim era apenas tinta vermelha esquisita e pessoas deitadas no chão, mas sentia que alguma coisa se tinha passado, porque conseguia perceber a vibração das pessoas à minha volta, então de repente apercebi-me que elas não sabiam mais do que sobre o que tinha acontecido. Esta foi a primeira vez que senti medo...e eu penso que nessa altura as almas daqueles índios mortos – talvez de um ou dois deles – andavam a correr e aos pulos e vieram parar à minha alma, ,e eu apenas como uma esponja, ali sentado a absorvê-las. Morrison tornou-se um descobridor, interessado em explorar novos caminhos e sensações diferentes, e seguiu uma vida de boémia na Califórnia, frequentou a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Após a graduação pela UCLA, Morrison leu alguns poemas a um colega seu Ray Manzarek e ambos decidiram na hora fazer uma banda rock. Para completar a banda vieram mais dois membros juntar-se a eles, Robby Krieger e John Densmore. O nome da banda – The Doors foi inspirado no livro The doors of perception de Aldous Huxley que o tinha ido buscar a um verso de um poema de William Blake, que dizia: “When the doors of perception are cleanesed/ Things will appear as they are, Infinite”, (quando as portas da percepção estão limpas/ as coisa aparecem como são, Infinitas). Morrison desenvolveu um estilo de cantar único e um estilo de poesia a tocar fortemente no misticismo. Em Março de 1971, Morrison mudou-se para Paris com o propósito de se concentrar na escrita. A 3 de Julho de 1971, foi encontrado morto na banheira, pela sua mulher Pamela Courson, tinha 27 anos. A causa oficial da sua morte foi ataque cardíaco, embora se especulasse que ele morreu de overdose de heroína, que viria a vitimar a sua mulher três anos depois. Adaptado da Wikipédia.
A selecção nacional de videojogos foi hoje coroada campeã do mundo no Xbox Cup, o torneio internacional de videojogos para Xbox 360, ao ganhar a última partida contra o México por 2-1. Depois de também já terem eliminado nas meias-finais a Espanha por 3-1, os jogadores nacionais Miguel Dinis e António Gomes levantaram o troféu perante o aplauso dos 8500 espectadores que encheram o estádio “adidas World of Football”, situado no centro de Berlim, na Alemanha. “Ter a possibilidade de jogar num torneio deste calibre é fantástico e a sensação da vitória é única”, disse Miguel Dinis, um dos jogadores portugueses. “É incrível que até há umas semanas atrás os nossos jogadores não se conheciam e regressamos agora como vencedores e com um enorme espírito de equipa.” “Foi uma grande honra ver os nossos jogadores receber o troféu”, referiu Ana Carvalho, Responsável de Marketing da Xbox em Portugal. “A atmosfera do último dia foi, de novo, fantástica, e a emoção dos jogos quase tão grande como ver uma partida real do Mundial de Futebol. Foi o primeiro torneio do género alguma vez realizado e um grande sucesso.” Para além de se terem tornado os melhores do mundo no videojogo da EA “2006 FIFA World Cup” e de terem participado num evento único com jogadores vindos dos quatro cantos do mundo, os “craques” portugueses trazem também para casa, tal como os restantes jogadores participantes, uma Xbox 360 com os mais recentes videojogos da Electronic Arts e um kit de produtos exclusivos adidas.
Ricardo parece ter sido eleito para brilhar nos desempates da marca de grande penalidade. Depois de ter desempenhado o papel principal no apuramento para os quartos-de-final do Euro'2004, defendendo sem luvas o remate do britânico Vassel, hoje o guarda-redes português estabeleceu um novo recorde na história dos campeonatos do Mundo, sendo o primeiro a conseguir defender três penáltis. O guarda-redes Ricardo defendeu três remates ingleses, Frank Lampard, Steven Gerrard e Jamie Carragher. Ao bater este recorde histórico, Ricardo deixou para trás oito guarda-redes que tinham defendido dois penáltis, na série pós-prolongamento, em fases finais de Mundiais, entre eles, o alemão Shumacher e o argentino Goycoechea. Ricardo o principal responsável, pela brilhante qualificação da selecção portuguesa para as meias-finais do Mundial de futebol Alemanha2006, ao ser o herói da vitória sobre a Inglaterra por 3-1, no desempate por grandes penalidades (0-0 no fim do prolongamento). Portugal bateu os ingleses da mesma forma como o fez no Euro2004, quando se impôs por 6-5 no desempate por grandes penalidades (2-2 no fim do prolongamento) e o seleccionador Luiz Felipe Scolari afastou a Inglaterra de Sven Goran-Eriksson pela terceira vez, depois de também o ter feito no comando do Brasil, em 2002. A selecção portuguesa actuou em superioridade durante uma hora, devido à expulsão do avançado Wayne Rooney aos 62 minutos, por agressão a Ricardo Carvalho, mas não conseguiu desfazer o "nulo", apesar de ter tido um golo anulado a Hélder Postiga, por fora de jogo. David Beckham lesionou-se pouco antes, aos 52 minutos, e foi substituído por Aaron Lenonn, deixando desfalcada do seu habitual capitão a selecção britânica, que voltou a baquear no desempate por grandes penalidades. A Inglaterra não conseguiu contrariar o que parece ser o seu destino, depois das eliminações nos penalties nos Mundiais de 1990 (frente à Alemanha) e 1998 (Argentina) e nos Europeus de 1996 (Alemanha) e 2004 (Portugal).
Arena AufSchalke, em Gelsenkirschen Árbitro: Horacio Elizondo (Argentina) Inglaterra – Robinson; Neville, Rio Ferdinand, John Terry e Ashley Cole; Owen Hargreaves; Beckham (Lennon, 51 m (Carragher, 118 m)), Gerrard, Frank Lampard e Joe Cole (Crouch, 65 m); Wayne Rooney. Suplentes não utilizados: David James, Carson, Sol Campbell, Wayne Bridge, Jermaine Jenas, Carrick, Downing e Walcott. Portugal – Ricardo; Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Tiago (Hugo Viana, 74 m), Petit e Maniche; Figo (Hélder Postiga, 85 m), Pauleta (Simão, 63 m) e Cristiano Ronaldo. Suplentes não utilizados: Quim, Paulo Santos, Paulo Ferreira, Caneira, Ricardo Costa, Boa Morte e Nuno Gomes. Disciplina: cartão amarelo a John Terry (29 m), Petit (43 m), Hargreaves (106), Ricardo Carvalho (110 m); cartão vermelho a Wayne Rooney (61 m) Resultado: 0-0 Desempate nas grandes penalidades: Simão marcou (0-1); Lampard falhou (0-1); Hugo Viana falhou (0-1); Hargreaves marcou (1-1); Petit falhou (1-1); Gerrard falhou (1-1); Hélder Postiga marcou (1-2); Carragher falhou (1-2); Cristiano Ronaldo marcou (1-3).
Portugal tenta hoje repetir a história e qualificar-se para as meias-finais de uma grande competição às custas da Inglaterra, em jogo dos quartos-de-final do Mundial de futebol Alemanha2006, depois da vitória de há dois anos no Euro2004. às 16:00 de Lisboa, em Gelsenkirchen, portugueses e ingleses dão o pontapé de saída para o terceiro jogo dos "quartos" do Alemanha2006, que colocará a equipa vitoriosa na rota de Brasil ou França, que reeditam às 20:00, em Frankfurt, a final do Mundial de 1998 no último encontro de acesso às meias-finais. Scolari, que já foi "carrasco" de Inglaterra no Euro2004 e no Mundial de 2002, ao serviço do Brasil, com o qual se sagraria campeão do Mundo, espera poder repetir a proeza, colocar Portugal entre as quatro melhores selecções do Mundo e levar de novo a melhor sobre o seu rival do banco inglês, o sueco Sven-Goran Eriksson. Equipas prováveis: Estádio: do Campeonato do Mundo, em Gelsenkirchen. Árbitro: Horacio Elizondo [Argentina] Assistentes: Dario Garcia [Argentina] e Rodolfo Otero [Argentina] 4º árbitro: Coffi Codjia [Benim]. Inglaterra: Robinson, Garry Neville, Rio Ferdinand, Terry, Ashley Cole, Hargreaves, Gerrard, Lampard, Beckham, Joe Cole e Rooney. Treinador: Sven-Goran Eriksson. Portugal: Ricardo, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Petit, Maniche, Figo, Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo e Pauleta. Treinador: Luiz Felipe Scolari.
Joguem e ganhem! O país parece ter a respiração suspensa, à espera deste momento de glória. Força, Portugal.
"Para as longas semanas do Campeonato do Mundo de Futebol", diz a publicidade. ...Provavelmente, a sugestão é mais adequada aos "intelectuais do rectângulo à beira-mar plantado", que à maioria das mulheres portuguesas.
Ronaldo tornou-se o melhor marcador da história do Campeonato do Mundo aos quatro minutos do jogo Brasil-Gana desta terça-feira. O golo que marcou em Dortmund foi o 15º do «Fenómeno» em fases finais e permitiu-lhe ultrapassar Gerd Muller, o «Bombardeiro» alemão que detinha o recorde há mais de 30 anos. Ronaldo já tinha marcado dois golos no Mundial 2006, frente ao Japão, que junta aos oito de 2002 e quatro de 1998. Por outro lado, o golo de Adriano contra Gana foi o 200.º golo do Brasil em Mundiais. É a primeira selecção a alcançar este número. O Brasil, que participou de todos os Mundiais, tem agora 200 golos e é perseguido pela Alemanha, com 186 tentos. Os germânicos participaram em menos dois Mundiais que o Brasil, mais concretamente em 1930 e 1950. O primeiro golo do Brasil foi marcado por Preguinho, a 14 de Julho de 1930. O centésimo aconteceu em 1970 e o seu autor foi Pelé, na final contra a Itália (4-1).
Fantástico! Portugal garantiu, este domingo, um lugar entre as oito melhores selecções do planeta ao alcançar, em Nuremberga, o apuramento para os quartos-de-final do Campeonato do Mundo Alemanha-2006. O triunfo (1-0) sobre a formação ‘laranja’ não só reforçou a ‘tradição’ de a Equipa das Quinas levar a melhor sobre o conjunto actualmente orientado por Marco Van Basten – seis vitórias em dez encontros disputados, havendo apenas lugar a um desaire –, como fez, ainda, os comandados de Luiz Felipe Scolari atingir os objectivos a que se propuseram desde que foi garantida a sua presença em terras germânicas: chegar aos ‘quartos’.Pela frente, a nossa Selecção terá, agora, a Inglaterra, vencedora, horas antes, do duelo com o Equador, com um tento solitário de David Beckham. Gelsenkirchen (sábado, pelas 16h00, hora de Portugal Continental) será, então, o palco da quinta etapa de uma caminhada que todos desejamos só termine no próximo dia 9 de Julho, em Berlim. - Ficha do Jogo - Oitavos-de-final do Campeonato do Mundo Alemanha-2006. Estádio do Campeonato do Mundo de Nuremberga. Assistência: 41 mil espectadores. Árbitro: Valentin Ivanov (Rússia).Árbitros Assistentes: Nikolay Golubev (Rússia) e Evgueni Volnin (Rússia).4º Árbitro: Marco Rodriguez (México). PORTUGAL: Ricardo, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente, Costinha, Maniche e Deco, Luís Figo (cap.) (Tiago, 84’), Cristiano Ronaldo (Simão Sabrosa, 33’) e Pauleta (Petit, 45’). Suplentes não utilizados: Quim, Paulo Santos, Paulo Ferreira, Ricardo Costa, Marco Caneira, Hugo Viana, Boa Morte, Hélder Postiga e Nuno Gomes. Treinador: Luiz Felipe Scolari. Golos: Maniche (23’). Disciplina: Cartão amarelo exibido a Maniche (19’), Costinha (31’ e 45’+1’), Petit (49’), Figo (59’), Deco (72’ e 77’), Ricardo (75’) e Nuno Valente (76’). Cartões vermelhos exibidos a Costinha (45’+1’) e a Deco (77’). HOLANDA: Edwin Van der Sar (cap.), Khalid Boulahrouz, Andre Ooijer, Joris Mathijsen (Rafael Van der Vaart, 54’), Giovanni Van Bronckhorst, Wesley Sneijder, Mark Van Bommel (John Heitinga, 67’), Phillip Cocu (Jan Vannegoor of Hesselink, 84’), Robin Van Persie, Dirk Kuyt e Arjen Robben. Suplentes não utilizados: Henk Timmer, Maarten Stekelenburg, Kew Jaliens, Denny Landzaat, Ruud Van Nistelrooy, Jan Kromkamp, Tim De Cler, Hedwiges Maduro e Ryan Babel. Treinador: Marco Van Basten. Disciplina: Cartões amarelos exibidos a Van Bommel (2’), Khalid Boulahrouz (7’ e 62’) e Van Bronckhorst (58’ e 90’+5’), Wesley Sneijder (72’) e Van der Vaart (74’). Catão vermelho exibido a Khalid Boulahrouz (62’) e a Van Bronckhorst (90’+5’).FonteFPF.
Está na moda, pelo menos de parte de alguma da elite pensante portuguesa, atacar a alienação da população portuguesa provocada pelo mundial de futebol. Contudo, por muito que tentem esclarecer em longas e exaustivas dissertações, continuam sem explicar porque consideram que existe um problema com esta temporária fuga da realidade. Não é necessário um raciocínio demasiado elaborado para perceber que este corte com o quotidiano é auto induzido e, não sendo perceptível a diferença entre o antes e o depois na forma como abordam a vida e os seus problemas, tudo isto mais parece um ataque ao jogo do que outra coisa qualquer. A única diferença reside nos limites da alienação. Assim, a atitude normal é fingir que os problemas não existem, enquanto que neste momento, durante os jogos esvaziam o cérebro de todos os pensamentos e retrocede-se do ponto de vista existencial aos primórdios da evolução humana, quando o significado da vida não era a questão fundamental. Ao ler alguns artigos, sobreveio claramente uma ideia que quase se pode generalizar. Há pessoas que, na sua redutora concepção do mundo, não percebem que os outros possam ter interesses diversos dos seus. O comum dos mortais gosta de futebol. Quem se considera além dessa comunidade não pode sofrer dos mesmos males, sob pena de se tornar também comum. Se assim fosse, estes espíritos narcisistas estariam de alguma forma a negar-se o direito de serem condescendentes. Ao contemplarem extasiados a sua existência, intitulam-se de guardiães da moral pública e cívica, enquanto, deslumbrado e inconsciente, o povo apenas se preocupa com o futebol. Convencem-se que apenas eles continuam a manter a vigilância perante tudo o que corre mal neste país, alertando todos os incautos que, quando a festa chegar ao fim, todos os problemas ainda cá estarão. Esta atitude é de uma arrogância e de um autismo sem limites. De uma arrogância porque é uma forma de se colocarem à margem num patamar de superioridade, conseguindo, deste modo, evidenciar-se. A sua mensagem é simples: -As pessoas inconsequentes não têm a capacidade de perceber as consequências deste estado de transe futebolístico e são, por isso mesmo portadoras de uma insondável imoralidade, com origem na forma efusiva com que vivem o mundial de futebol. Para grandes males, grandes remédios e cá estão os auto nomeados protectores para impedir o esquecimento e, aproveitando a ocasião, exercerem a sua função de educadores. De autismo, e aqui é que se revelam no seu pior, porque não se apercebem o porquê da necessidade de alienação, ou melhor, de uns momentos de abstracção. Se atentarmos ás agruras com que quase todas as pessoas convivem diariamente, este distanciamento conseguido, ainda que efémero, constitui o único momento de ausência de preocupações, uma espécie purga momentânea do sofrimento suportado. Assim, com maior ou menor gravidade, a vida não está fácil para a maioria de população mundial. As guerras, a fome, as doenças, problemas ambientais, os problemas sociais, são factores não apenas de instabilidade social, mas também, e fundamentalmente, de instabilidade pessoal. Quem pode, por tudo isto, condenar esta busca de esquecer? Ninguém. Confrontar-se minuto a minuto com o espectro do desemprego, com o mês que sobra para o dinheiro que se tem, com a falta de expectativas para o futuro, é algo desesperante. Dói na alma com uma intensidade, que só que tem estes problemas o sente verdadeiramente. Para os outros, esses que escrevem, não passam de temáticas para emitirem um opinião massacrante e desfasada da realidade. Às pessoas a quem são pedidos continuamente sacrifícios, a quem se apontam todos os defeitos, para os quais crise e vida são uma e a mesma coisa exige-se mais do que é possível suportar. A título de exemplo e não raras vezes, eis que surge uma série de iluminados com comentários do género, - “temos que subir a taxa de juro, para controlar a inflação” – palavras que ferem com adagas o já muito mutilado cérebro obrigado a uma permanente ginástica mental para a sobrevivência económica, enquanto sentem o nó na garganta a apertar mais um bocadinho. Que convive diariamente com a subida dos lucros dos bancos em coexistência com a subida das suas dificuldades para sobreviver, não merece que lhe dêem alguma folga existencial? À sua escolha? Sem virem os arautos da desgraça e putativos portadores da moral cívica a exercer uma crítica que não é justa. O futebol é, deste modo, como o álcool, sem provocar os estragos quase permanentes que estão associados ao alcoolismo. Assim como a ressaca traz consigo as lembranças que o álcool pretendia afogar, o fim dos jogos ou da festa trazem a vida com eles. Só que uma purga pode ter efeitos rejuvenescedores, o distanciamento conseguido pode permitir amolecer uma qualquer obsessão e garantir um reposicionamento face aos problemas. Se assim não for, o caminho para a depressão é retomado, após um curto intervalo. Em suma, o que se procura é uma abstracção que permita alguma espécie de felicidade, ainda que efémera. Será isto condenável? Filipe Pinto.
... antes de comer os bifes! A Holanda volta hoje a estar no caminho de Portugal rumo à final de uma grande competição de futebol, agora nos oitavos-de-final do Mundial Alemanha2006, às 20:00 , em Nuremberga. A última vez que as duas equipas defrontaram foi a 30 de Junho de 2004 nas meias-finais do Euro2004, tendo então Portugal "carimbado" o acesso à final com uma vitória por 2-1, com golos de Cristiano Ronaldo e Maniche e um auto-golo de Jorge Andrade. O encontro do Estádio José Alvalade, em Lisboa, marcou a última derrota dos holandeses em competições oficiais e ainda a despedida de Dick Advocaat do comando técnico da equipa "laranja". A Holanda passou então a ser orientada por Marco van Basten e nos 12 encontros da qualificação para o Mundial averbou 10 vitórias e dois empates, pelo que, somando os jogos do Alemanha2006, já vai numa série de 15 jogos oficiais sem conhecer a derrota. O único desaire sob o comando de Van Basten aconteceu a 12 de Novembro de 2005, por 3-1 num encontro particular com a Itália, disputado em Amesterdão. Na Alemanha, a Holanda venceu os dois primeiros jogos, face à Sérvia e Montenegro (1-0, com um tento de Arjen Robben) e à Costa do Marfim (2-1, com golos de Robin van Persie e do "inevitável" Ruud van Nilstelrooy) e empatou com a Argentina (0-0). Se o passado recente dá aos holandeses razões para acreditar nas credenciais de Marco Van Basten, a história de confrontos com a turma das "quinas" é largamente favorável aos portugueses: cinco vitórias, três empates e uma derrota (11-5 em golos). Portugal pode ainda orgulhar-se de ter conseguido o pleno de pontos no Grupo D da fase preliminar do Mundial, a par com Alemanha, Brasil e Espanha, marcando cinco golos e apenas sofrendo um, na vitória sobre o México, por 2-1. Pauleta, Cristiano Ronaldo, Deco, Maniche e Simão foram os autores dos cinco golos de Portugal, que na primeira fase registou ainda triunfos frente a Angola (1-0) e Irão (2-0). Em Nuremberga, deverá quase repetir o "onze" que venceu a Holanda em Alvalade, excepção feita a Jorge Andrade, substituído por Fernando Meira devido à lesão sofrida pelo jogador do Deportivo da Corunha ainda antes do Mundial. A Holanda mudou bastante sob o comando de Van Basten e apenas o guarda-redes Van der Sar, o defesa Van Bronchorst, o médio Cocu, o extremo Robben e o avançado Van Nistelrooy se mantêm como prováveis titulares em relação ao jogo do Euro2004, embora o ponta-de-lança do Manchester possa até ceder o lugar Dirk Kuyt. O vencedor do encontro defronta nos quartos-de-final a selecção que ganhar o outro encontro de hoje, a disputar a partir das 16:00 entre Inglaterra e Equador, em Estugarda. - Em Nuremberga, 20:00 (SIC e SportTV). Equipas prováveis: Holanda: Van der Sar, Boulahrouz, Ooijer, Mathijsen, Bronckhorst, Van Bommel (Van der Vaart), Sneijder, Cocu, Van Persie, Van Nistelrooy (Kuyt) e Robben. Portugal: Ricardo, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Deco, Figo, Cristiano Ronaldo e Pauleta. Lusa.
O atacante Ronaldo igualou ontem o alemão Gerd Müller como o melhor marcador da história dos Campeonatos do Mundo, ao fazer dois golos na vitória do Brasil, por 4 a 1 contra o Japão, em Dortmund, na última jornada do Grupo F na competição. O jogador do Real Madrid marcou o primeiro e o quarto golo da selecção na goleada sobre os japoneses. Com isso, o atacante Ronaldo chegou à marca de 14 golos e igualou o alemão Müller, que havia marcado por dez vezes no Mundial do México em 1970 e quatro no Mundial da Alemanha em 1974. Além dos dois golos marcados ontem na partida diante do Japão, Ronaldo foi o goleador do Mundial Coreia-Japão em 2002 com oito golos, e fez mais quatro na edição de 1998, em França. Na partida em Dortmund, o avançado do Brasil deixou para trás na tabela dos melhores goleadores em Mundiais o francês Just Fontaine, que soma 13 golos, todos no Mundial da Suécia em 1958 e Pelé, que totaliza 12, em quatro edições do torneio. Lista dos melhores marcadores da história dos Mundiais: .1. Gerd Müller (ALE) 14 + Ronaldo (BRA) 14 . 2. Just Fontaine (FRA) 13 . 3. Pelé (BRA) 12 . 4. Sandor Kocsis (HUN) 11 .+. Juergen Klinsmann (ALE) 11 . 5. Helmut Rahn (ALE) 10 .+. Teófilo Cubillas (PER) 10 .+. Grzegorz Lato (POL) 10 .+. Gary Lineker (ING) 10 .+. Gabriel Batistuta (ARG) 10. 6. Eusébio (POR) 9.
De acordo com um inquérito aos fãs de futebol levado a cabo pelo Yahoo!, o controverso golo de Diego Maradona marcado com a “Mão de Deus” contra a Inglaterra, em 1986, é o momento mais recordado da história do Mundial de Futebol. O inquérito, patrocinado pela Philips, questionou 4.500 adeptos de futebol na Argentina, Brasil, México, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, França, Espanha e Holanda, sobre vários temas relativos ao Mundial de Futebol, antecipando o próximo Campeonato que se disputa na Alemanha e do qual a Philips é Patrocinador Oficial. 45% dos inquiridos consideraram o golo do jogador argentino contra a selecção da Inglaterra em 1986 como o momento mais memorável dos Campeonatos do Mundo. Este exemplo recolheu maioria de votos em países como a Argentina, Brasil, México e Itália. Passam hoje vinte anos. Certamente este foi um dos golos mais famosos da carreira do polémico génio argentino. A partida, válida para os quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1986, no México, estava cercada de expectativas. Poucos anos antes, Inglaterra e Argentina tinham- se envolvido num conflito armado pela posse das Ilhas Malvinas. Liderando uma selecção visivelmente limitada, Maradona era a maior fonte de preocupações da Selecção Inglesa. Com marcação especial, a selecção britânica vinha conseguindo segurar o jogador argentino até o sexto minuto do segundo tempo. Porém após uma tabela entre Maradona e o atacante Valdano, um recuo errado do defesa central Peter Reid propiciou ao craque argentino ter condições de disputar uma bola aérea com o guarda-redes inglês Peter Shilton. Contudo, Peter Shilton estava melhor colocado e a bola estava dentro da área, onde ele poderia se antecipar usando o braço. Surpreendendo Shilton, Maradona aproveitou-se do posicionamento que encobria a visão do árbitro tunisino Ben Naceur e esticou a mão, fazendo um “chapéu” ao guarda-redes e marcando o golo que abriria o caminho para a vitória. Os jogadores ingleses correram para o árbitro certos de que ele anularia o golo. Só a diferença de estatura entre Shilton e Maradona já era o suficiente para concluir que Maradona não podia alcançar a bola sem usar o braço. Mas Naceur olhou para o seu auxiliar, que validou o golo. O episódio destabilizou a equipa inglesa, que ainda veria Maradona marcar mais um, desta vez um golo legal, considerado o mais bonito golo de toda a história dos Mundiais.A uma pergunta sobre o lance após o jogo, Maradona limitou-se a responder: “Este golo foi feito pela cabeça de Maradona e a mão de Deus”.
Data: 22 de Junho de 1986
Assistência:114580 espectadores.
Argentina 2 – 1 Inglaterra
Local: Estádio Azteca, na Cidade do México.
Argentina: Pumpido; Cuciuffo, Brown, Ruggeri, Olarticoechea; Batista, Giusti, Burruchaga (Tapia) e Enrique; Valdano e Maradona.
Inglaterra: Shilton ; G.M.Stevens, Butcher, Fenwick e Sansom; Hoddle, Steven (Barnes), Reid (Waddle) e Hodge; Lineker e Beardsley.
Golos: Maradona aos 51 e aos 54 minutos; Lineker aos 80 minutos.
Portugal é um dos seis países da União Europeia onde mais de metade da população não tem quaisquer competências informáticas básicas. A nível global, os números são igualmente significativos mais de um terço da população europeia (37%) tem conhecimentos nulos de informática. Estes resultados obtidos pelo Eurostat, o instituto de estatística da UE, são uma má notícia para os responsáveis europeus, que perspectivam uma economia competitiva baseada na inovação. De acordo com o estudo realizado pelo Eurostat relativo ao ano 2005, a Itália, a Grécia, a Hungria, Portugal e Chipre são os países com os maiores índices de desconhecimento informático na Europa. Pelo contrário, são essencialmente os países nórdicos que apresentam os melhores indicadores, surgindo em primeiro lugar a Dinamarca, a Suécia e o Luxemburgo. Em Portugal, este “analfabetismo informático” atinge 54% da população, que é considerada incompetente de acordo com os seis critérios utilizados pelo Eurostat para medir tais capacidades. O estudo avaliou a capacidade de usar um “rato” para lançar programas como os que permitem aceder à Internet ou utilizar o processamento de texto “Word”; copiar ou mover um ficheiro; copiar, duplicar ou transferir informação; efectuar operações básicas de aritmética (subtracção, adição, divisão e multiplicação); comprimir ficheiros; ou ainda escrever um programa de computador usando linguagem especializada. Mas a idade tem uma importância fundamental nestes resultados. Do total de portugueses totalmente incompetentes na matéria, apenas 13% pertencem ao grupo etário dos 16-24 anos, enquanto 49% integram o grupo dos 25-54 anos. Em Portugal, como noutros estados-membros, a educação também é factor determinante das competências informáticas. Só 1% dos estudantes e 5% dos cidadãos com um grau de educação superior e se revelam incompetentes. Em contrapartida, os desempregados portugueses registam um índice elevado, 57%, de iliteracia informática.Piores que os portugueses, estão os gregos (dos quais 65% não sabem usar um computador), italianos (59%) e húngaros (57%). Chipre e Lituânia apresentam taxas de iliteracia informática de 54 e 53%, respectivamente. No extremo oposto, aparecem Dinamarca, Suécia, Luxemburgo, Alemanha e Reino Unido onde só menos de um quarto da população se encontra nessa situação.No conjunto da UE-25, mais de um terço da população não tem quaisquer competências na matéria, com diferenças assinaláveis entre gerações e entre grupos sociais. Em média, 65% dos idosos (entre 55 e 74 anos) não sabem usar o computador, embora a percentagem de iliteratos varie entre 93% na Grécia e 27% na Dinamarca e Suécia. Não foram disponibilizados dados relativos aos idosos portugueses. O Eurostat também quantifica a percentagem de população com um elevado nível de conhecimentos informáticos. Aqui a média europeia é de apenas 22%, contra 42% no Luxemburgo e 39% na Dinamarca e 32% na Suécia. Em Portugal, a distribuição da população com maiores conhecimentos informáticos é notória em particular na escalão dos 16-24 anos (42%) e entre os estudantes (65%) e os detentores de graus superiores (63%). Em termos gerais, 21%da população portuguesa revela bons conhecimentos nesta área. O estudo do Eurostat foi realizado sem os dados de oito países da UE (França, Espanha, Bélgica, Irlanda, República Checa, Malta, Holanda e Finlândia), tidos como fortes em conhecimentos informáticos, mas representa 60% da população europeia. JN.
Roald Engelbregt Grauning Amundsen, nasceu em 16 de Julho de 1872, perto de Oslo, Noruega e deixou a sua marca na era heróica das expedições antárcticas como um dos mais bem sucedidos exploradores polares. A sua carreira de aventuras começou aos 15 anos, quando abandonou os estudos medicina, para se juntar à expedição belga à Antártida em 1899,comandada por Adrien de Gerlache, esta expedição foi a primeira a passar um Inverno na Antártida. Mais tarde, Amundsen tornou-se o primeiro a atravessar a famosa Passagem do Noroeste, no seu navio “Gjoa”, entre 1903 / 1906. Após esta expedição, Amundsen estabeleceu os planos para alcançar o Pólo Norte, a bordo do famoso navio de Nansen, o “Fram”. Porém, a notícia do sucesso de Peary da chegada ao Pólo Norte fez com que ele mudasse o seu objectivo. “O Pólo Norte foi alcançado”, era a notícia que se espalhou por todo o mundo como um relâmpago. Robert E. Peary tinha alcançado o Pólo Norte em 6 de Abril de 1909 mas só em Setembro de 1909 a noticia chegou a Amundsen. O plano original para a terceira viagem do “Fram” – a exploração da calote polar norte – foi rapidamente deixado de lado. Para salvar a expedição, Amundsen imediatamente voltou a sua atenção para o Sul, enquanto enfatizava aos seus financiadores que a viagem do “Fram” ao Árctico seria, de todo modo, uma expedição científica, e não teria nenhum propósito de quebrar recordes. Daí por diante, tanto quanto os patrocinadores estavam cientes, a viagem de Amundsen ao Árctico não seria influenciada de nenhuma maneira pelo sucesso de Peary. Como ele estava tão endividado, sentiu que deveria manter os seus planos de dirigir-se ao Pólo Sul em segredo. Amundsen escreveu: “Eu sei que tenho sido reprovado por não ter esclarecido os meus planos publicamente ao menos uma vez, de maneira que, não apenas os meus patrocinadores, mas também os exploradores que se preparavam para seguir para as mesmas regiões tivessem conhecimento deles. Eu estava bem ciente de que essas críticas viriam e, daí por diante, sempre pesei cuidadosamente este lado da questão”.Também achou importante manter as suas intenções secretas para os colegas exploradores: “... Nem senti grandes escrúpulos em relação às outras expedições antárcticas que estavam a ser planeadas naquela época. Eu sabia que poderia informar o Capitão Scott da extensão de meus preparativos antes que ele deixasse a civilização, e então, alguns meses a mais ou a menos não poderiam ser de grande importância. Os planos e equipamentos de Scott eram tão diferentes dos meus próprios, que eu considerei o telegrama que lhe mandei mais tarde, com a informação de que estávamos de partida para a região antárctica, mais como um acto de cortesia do que como uma comunicação que pudesse fazê-lo alterar os seus planos no mais ínfimo grau. A expedição britânica foi planeada exclusivamente para fins de pesquisa científica. O Pólo Sul era apenas um objectivo secundário, enquanto no meu plano era o objectivo principal”. A intenção de Scott de tentar alcançar o Pólo Sul era amplamente conhecida, e certamente não era um objectivo secundário. Amundsen admitia que estava endividado, e sabia que a melhor maneira de conseguir dinheiro, para pagar as dívidas, seria alcançar um triunfo espectacular. Escreveu; “Se, àquela altura, eu tivesse tornado os meus planos públicos, somente teria dado ocasião para uma grande polémica pelos jornais, e possivelmente teria matado o meu projecto à nascença. Tudo tinha que ser aprontado rápida e calmamente. O meu irmão, em cuja absoluta discrição eu podia confiar cegamente, foi a única pessoa a quem eu confiei o segredo da minha mudança de planos, e ele fez muitos serviços importantes durante o tempo em que somente nós, dividimos este conhecimento. O outro homem a saber da mudança de planos foi o comandante do navio, Tenente Thorvald Nielsen. Amundsen manteve seus planos tão secretos, que apenas estes dois homens, juntamente com os Tenentes Prestrud e Gjertsen, sabiam deles antes que o “Fram” alcançasse a Ilha da Madeira, ostensivamente em rota para Buenos Aires, de onde partiria rumo ao Norte, para o Árctico. A viagem até a Ilha da Madeira tinha, supostamente, o propósito de pesquisa oceanográfica. Os noruegueses deixaram Oslo, na Noruega, a 9 de Agosto de 1910, oito semanas depois que a expedição de Scott havia deixado Cardiff. A bordo, estavam 97 cães da Groenlândia, a chave para o sucesso de Amundsen, junto com uma cabana e provisões para dois anos na Antártida. Um mês depois, o “Fram” chegou à Ilha da Madeira, e abasteceu-se de água e outras provisões. Pequenos reparos foram feitos no navio, enquanto a tripulação aproveitava algum tempo livre em terra. Na noite de 9 de Setembro, cerca de três horas antes de partir para a Antártida, Amundsen pediu a atenção da tripulação. Muitos dos homens ficaram intrigados e irritados, pois estavam a escrever as últimas cartas para casa. Quando chegaram ao “deck”, Amundsen estava em pé, próximo a um mapa da Antártida pregado ao mastro principal. Então disse: “É minha intenção rumar ao Sul, desembarcar um grupo no continente, e tentar alcançar o Pólo Sul”.Gjertsen escreveu: “A maioria ficou, boquiaberta, olhos pregados no Chefe, como outros tantos pontos de interrogação”.Amundsen perguntou pessoalmente, a cada homem, se, se juntariam a ele nesta jornada épica. O último homem a ir à terra foi o irmão de Amundsen, Leon. A sua tarefa seria enviar as cartas da tripulação, e enviar uma mensagem a Scott... mas nunca antes do início de Outubro, quando Amundsen sabia que estaria além do ponto de retorno possível. Depois de deixar a Ilha da Madeira, Amundsen desapareceu, rumando para destino desconhecido. Scott nunca sonharia que este era o Mar de Ross, na Antártida. Scott, a bordo do “Terra Nova”, chegou a Melbourne na noite de 12 de Outubro de 1910. Junto com o correio que o esperava, estava o telegrama de Amundsen, mandado da Ilha da Madeira, o qual trazia uma completa surpresa:“Estou partindo. Informo-o. Destino Antárctida. Amundsen”. Levou quatro meses para que o “Fram” chegasse à Baía do Mar de Ross, em 14 de Janeiro de 1911. Amundsen escolheu a Baía das Baleias como quartel-general de Inverno, por várias razões. Primeiro, eles desembarcariam um grau mais perto do Pólo Sul do que Scott, que o colocaria 60 milhas mais perto do Pólo. Segundo, Amundsen poderia instalar o seu quartel-general bem junto ao campo de trabalho. Terceiro, a vida animal na Baía das Baleias era extraordinariamente rica, e oferecia toda a carne fresca que a tripulação precisava, na forma de focas, pinguins, etc. Além disso, ela oferecia um local favorável para investigação das condições meteorológicas em todas as direcções, e era muito fácil de ser atingida por navio. O descarregamento começou a 15 de Janeiro, com o acampamento estabelecido 2 milhas (3,2 km) terra adentro. O primeiro trenó foi carregado com mantimentos, atado a oito cães, e conduzido para lá por Amundsen.Durante as três semanas seguintes, cinco trenós, 46 cães e cerca de 10 toneladas de mantimentos foram descarregados no campo base. Enquanto isso, o carpinteiro, Jorgen Stubberud, supervisionava a montagem da cabana pré-fabricada. Depois de uma visita do “Terra Nova” de Scott, o campo base foi baptizado de “Framheim – A casa de Fram”, e as viagens para estabelecer os depósitos de mantimentos de apoio começaram. Dentro de um período de três semanas, depósitos foram estabelecidos a 80ºS, 81ºS, 82ºS... Mais de uma tonelada e meia de mantimentos foram armazenadas dentro de um raio de 480 milhas (770 km) do Pólo. Em 21 de Abril, o Sol finalmente pôs-se, e o longo Inverno começou. Uma grande quantidade de trabalho tinha que ser feita durante os quatro meses seguintes, preparando a expedição ao Pólo. Amundsen estava plenamente consciente dos problemas potenciais que poderiam advir de ter nove homens confinados em quartos pequenos durante as longas noites de Inverno, e assim introduziu rapidamente uma rotina estrita. Durante seis dias da semana, os homens levantavam às 7:30 da manhã, tomavam o café da manhã, começavam a trabalhar às 9:00 e almoçavam às 12:00. Voltavam para o trabalho às 2:00 da tarde até às 5:15, com o resto dia para fazer o que quisessem. Em 24 de Agosto o Sol reapareceu, e os trenós carregados foram tirados dos seus abrigos subterrâneos. Porém, outros dois longos e frustrantes meses se passaram, até que o tempo aquecesse o suficiente para permitir a partida. A tensão aumentava a cada dia que passava. Amundsen, várias vezes, preparou os homens e os cães para partirem, apenas para cancelar tudo à última hora. No dia 8 de Setembro, partiram através do gelo: oito homens com trenós, puxados por 86 cães. A princípio, o tempo estava esplêndido, e eles cobriram 31 milhas em três dias. Mas, as condições mudaram abruptamente, com a temperatura caindo vertiginosamente, tiveram que desistir, e voltar ao acampamento. Finalmente, a 20 de Outubro de 1911, Amundsen, Bjaaland, Wisting, Hassel and Hanssen partiram na sua jornada definitiva para o Pólo Sul. Quatro trenós foram usados, cada um puxado por 13 cães. O progresso foi bastante bom, apesar de alguns problemas com fendas no gelo, chegaram ao depósito situado a 80ºS a 24 de Outubro. Alimentaram os cães com carne de foca, armazenada ali, e repuseram as provisões que gastaram no caminho. No dia seguinte, partiram cedo, com os cinco homens em esquis. Percorriam em média 20 milhas (32 km) por dia, e alcançaram 82ºS a 4 de Novembro.Em 11 de Novembro, avistaram alguns picos de montanhas ao longe, as quais Amundsen chamou de “Serra da Rainha Maud”, em homenagem à então Rainha da Noruega. Chegando ao sopé da serra, acamparam e discutiram a estratégia a ser empregada na arrancada final para o Pólo, distante ainda, cerca de 340 milhas (544 km).O plano final consistiu em separarem provisões para 30 dias, juntamente com os restantes 42 cães, e subir a serra. Depois de alcançar o topo, 24 dos cães seriam mortos, e a carne utilizada para alimentar os outros, pois não seriam mais necessários, usando os outros 18 cães para chegar ao Pólo. Lá chegando, mais 6 cães seriam mortos, para alimentar os 12 restantes na viagem de volta à base. A 17 de Novembro, eles começaram a escalada do glaciar Axel Heiberg.O tempo estava agradável, e a escalada foi muito tranquila, pois cobriram 12 milhas (19,2 km) antes de montar acampamento, a 650 m de altitude. Quatro dias depois, a 21 de Novembro, encontravam-se no topo, tendo conseguido carregar 1 tonelada de provisões a 3.000 m. 24 Cães foram mortos, e a equipa permaneceu ali por mais 4 dias, antes de partir. Como já haviam esperado dois dias a mais do que haviam planeado, não tinham escolha, que a de sair dali o mais rápido possível.Durante os 10 dias seguintes lutaram, 5 homens e 18 cães, contra a neve, rajadas de vento de até 35 milhas (56 km) por hora, e espessa neblina. Finalmente alcançaram o planalto, só para se defrontarem com o “Salão de Dança do Diabo”, um glaciar com uma fina camada de neve cobrindo perigosas e profundas fendas no gelo. Esta provou ser a parte mais difícil da jornada.A 8 de Dezembro, com o sol brilhando, cruzaram o ponto mais ao sul alcançado por Shackleton, 88º23’S. Estavam a apenas 95 milhas (152 km) do Pólo. Os cães estavam famintos e exaustos, e os homens tinham muitos ferimentos, e queimaduras faciais, mas ainda assim, seguiram em frente. Quanto mais se aproximavam do Pólo, mais Amundsen temia ser derrotado por Scott.A tentação de correrem para o Pólo, a toda velocidade, era compartilhada por todos eles. Às 15.00 horas do dia 14 de Dezembro de 1911, houve um grito geral de “Alto”, pois os instrumentos dos trenós marcavam a chegada ao Pólo Sul. Haviam alcançado o seu objectivo. Num acto simbólico do seu esforço e união, todos os homens empunharam uma bandeira da Noruega nas suas mãos queimadas pelo gelo, e fincaram-na no chão duro do Pólo Geográfico Sul. Amundsen nomeou o planalto de “Planalto do Rei Haakon VII”.Houve uma pequena festa na tenda, naquela noite, com cada homem recebendo uma pequena porção de carne de foca. À meia-noite, observações astronómicas situaram-nos a 89º56’S. Prontamente, eles circularam em redor da tenda, num raio de cerca de 2,5 milhas (4 km), para se certificarem de passar sobre o Pólo. Ao meio-dia de 17 de Dezembro, as medições finais foram feitas, e ficou claro que eles haviam feito tudo que podiam, e era hora de partir. Uma tenda foi erguida, e recebeu o nome de “Poleheim – Casa do Pólo”, onde Amundsen deixou uma mensagem para Scott, juntamente com uma carta para o rei Haakon.Entretanto, Robert Falcon Scott (nasceu 1868, morreu em 1912) tinha partido do seu acampamento – base no dia 1 de Novembro de 1911 com 16 homens, 233 cães, 10 póneis siberianos e 13 trenós, com um pesado equipamento para pesquisa científica. Em determinados intervalos, alguns homens propositadamente abandonavam a equipa e retornavam ao acampamento base, deixando mantimentos ao longo do caminho para assegurar o retorno de Scott e a sua equipa. Alguns trenós quebraram, os póneis tiveram de ser abatidos e os cães não tinham condições para carregar tanto peso. No dia 4 de Janeiro de 1912, enquanto Amundsen já fazia a viagem de regresso do Pólo Sul, o último auxiliar deixou a equipa. Scott, ficou com 4 homens, Bowers,Evans, Oates e Wilson. Com enormes dificuldades alcançaram o Pólo Sul no dia 17 de Janeiro de 1912 e descobriram que Amundsen já tinha alcançado o feito histórico.Os britânicos, exaustos e desiludidos começaram a viagem de regresso ao acampamento base. Entretanto condições de tempo muito adversas e problemas de falta de mantimentos iria impedi-los de chegarem ao acampamento. O primeiro a morrer foi Evans. Alguns dias depois Oates abandonou a barraca improvisada e nunca mais voltou.As fortes ventanias obrigaram os 3 homens restantes a permanecer no interior da barraca a cerca de 18 quilómetros do próximo depósito de mantimentos. Scott continuou a escrever no seu diário, sabendo que “o fim está próximo... pela Graça de Deus, tomem conta das nossas famílias”. Os corpos congelados de Scott, Wilson e Bowers foram encontrados juntos aos seus pertences oito meses depois.Amundsen entretanto retornava ao acampamento base, como planeado, com todos os cinco homens e 11 cães pura “pele e osso”, era o dia 25 de Janeiro de 1912 após uma caminhada ininterrupta de três meses ao longo de 3000 quilómetros.A viagem de 30 dias até a Tasmânia foi extremamente frustrante para Amundsen, que queria ser o primeiro a anunciar sua conquista. A 7 de Março de 1912, Amundsen finalmente pode enviar uma mensagem ao seu irmão Leon a noticiar o feito histórico.Apesar do drama vivido por Scott, a comunidade internacional celebrou o feito de Amundsen que foi possível graças à excelente organização e à escolha do melhor equipamento.Durante a Primeira Guerra Mundial, Amundsen conseguiu uma quantia significativa de dinheiro, comerciando com os países beligerantes. Assim, conseguiu construir um navio, o “Maud”, com o qual continuou as suas aventuras árcticas. Completou a passagem noroeste, em redor da Sibéria mas falhou a sua tentativa de ir ainda mais ao Norte.A seguir, Amundsen passou a dedicar-se ao voo. Juntamente com seu patrocinador, Lincoln Ellsworth, fez história quando foi de Spitzbergen ao Alasca, sobrevoando o Pólo Norte, no aeroplano “Norge”.Este foi o primeiro voo Trans – Árctico directamente feito sobre o Pólo. Depois disso, Amundsen, com sua reputação solidamente estabelecida, retirou-se das explorações. Quando fazia uma expedição de resgate e salvamento do explorador italiano Umberto Nobile, o seu avião despenhou-se, e Amundsen desapareceu sem deixar rasto, era o dia 18 de Junho de 1928.
Exceptuando o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, penso que nenhum outro português, consegue ter "Uma viagem inesquecível de avião para Frankfurt...".Mas enfim, também nunca pensei, que o professor fosse capaz de tentar escrever sobre futebol e ainda por cima, muito mal. Sempre me considerei equilibrado, mas desde que começou o Mundial que desconfio que tenho um lado masoquista. Este lado "sado-maso", advém do facto de ler diariamente no jornal "A Bola", a crónica do professor Marcelo, intitulada "O Postal do Professor". Não haverá ninguém das relações dele, que lhe possa passar a informação para deixar de escrever sobre aquilo que não percebe nada, é confrangedor ter que ler todas estas parvoíces. Até, tento ser politicamente correcto, mas há crónicas que extravasam todo e qualquer bom-senso, daquilo que deve ser informação, ainda por cima num jornal auto-intitulado a “ bíblia do desporto". Não restam dúvidas que o Professor é muito melhor a falar dos livros que não lê...
Tive uma fase de branca. Não conseguia escrever, pura e simplesmente. Nem sequer era por preguiça, apenas uma absoluta, e espero que passageira, incapacidade de dissertar sobre o que quer que fosse que apoquentava a alma. Nem sequer eram as famosas horas de angústia perante a folha de papel imaculada à espera de ser desflorada, somente uma espécie de desmoronamento interior onde, por algum tempo, deixou de ser possível encaixar os pedaços. Sentimentos ambivalentes surgem. Uma vontade imensa de escrever e de não o fazer, acompanhada por uma estranha letargia mental e física que se sobrepõe a tudo, sentem-se as ideias mas estas têm preguiça de saltar para o papel como se donas de vontade própria e as palavras fossem inimigas mortais. Uma espécie de dor auto-infligida num processo de nostalgização que é absolutamente desconcertante. À minha escala percebi as convulsões interiores geradas pelo confronto entre a vontade de escrever e criar e a impossibilidade de o fazer perante forças que escapam ao controlo de que tem este tipo de vivências. Os bloqueios que dominam o pensamento, que se tornam obsessões incontroláveis e que, por sua vez, dominam a existência, associado a uma noção cristalina da inexorabilidade do tempo que se escapa, são certamente os piores inimigos dos verdadeiramente grandes, quando perante uma folha a caneta não avança. Nem fraco nem bom, apenas nada. Há também alturas em que o rio das ideias seca, uma aridez semelhante ao deserto provocada por uma episódica alienação da realidade, que é evidente quando os assuntos que normalmente nos inquietam o espírito e, apesar de nos revelarem as suas incongruências, não nos empurram para as usuais reflexões. A inércia vence, como se a existência fosse um fardo difícil de suportar. As ideias não são coerentes, saltam aleatoriamente de neurónio em neurónio, são tantas e tão vagas e tão desprovidas de profundidade. Nada serve, como se de repente o nosso discernimento fosse mais profundo que o habitual e apenas restassem devaneios deprimentes que nos parecem, constantemente, de uma pobreza aviltante. É por isso que a cada fase assim, sucede uma melhor e nos reencontramos com alguma paz interior. A desordem que lhe deu origem e que se apoderou da pessoa cria um estado de espírito que nos atira para uma crise existencial. Como dizem os psicólogos, reconhecer um problema é o primeiro passo para a cura, e nesse instante apercebemo-nos que permitimos que um pensamento obsessivo nos dominasse por um período, mais ou menos longo, o que possibilita o regresso ao equilíbrio, de dimensão obviamente subjectiva. Esta de conquista configura uma espécie de regresso. Com talento ou sem ele, exercer o direito à indignação perante as pragas que induzem o sofrimento de milhões é uma obrigação de todos. A presença de qualquer coisa que nos indigna deveria constituir um motivo com força suficiente para nos arrancar de qualquer estado letárgico. Tentar enquadrar um qualquer conceito que exponha a condição humana, descrevendo a vida nem que seja numa das mais simples dentro das suas infinitas cambiantes, pode ser uma forma de melhorar a existência de alguém. Não fazer nada, tendo a possibilidade para o fazer será um acto que, muito provavelmente, tornará o arrependimento uma obsessão implacável. Perante isto, a única forma de acabar com a óbvia indiferença que grassa pela humanidade, claramente contra ela própria, é a exposição pública do mal. Escrever é a forma mais consistente de o fazer. As palavras, quando colocadas na ordem certa, podem ganhar a imortalidade e influenciar o futuro, pela denúncia daquilo que se afigura como inconsequente. Sonhar com um mundo melhor não basta é preciso lutar por ele com os recursos que possuímos. O melhor, por isso, é aproximarmo-nos de qualquer sítio onde costumamos escrever, porque as reflexões fazem-se em todos os momentos de solidão, e assim tentar estabelecer um diálogo com a folha à nossa frente, colocar a caneta na posição, como que abraçada pelos dedos, e deixa-la fluir, ganhar vida própria, ser o prolongamento físico do nosso corpo, o objecto que permite a transmigração das ideias desde o cérebro até ao plano físico, acessíveis a todos, pois só aí desempenham o papel que lhes está reservado. É que as ideias também querem sair, mas por vezes não o sabem. E quando ganham coragem para o fazer, se tiverem valor, podem mudar o mundo, ou pelo menos alterar visão que alguns têm dele. Nesses instantes é como se se conseguisse eliminar uma doença qualquer, uma espécie de demónio interior que nos faz levantar, sentar coçar, andar, estar parado, sentar outra vez, falar, calar numa inquietude incessante. Então, o silêncio das ideias passa a ser coisa do passado, as palavras parecem fluir como água num rio, não nos limitamos a ver as coisas, reparámos nelas, devoramos a sua existência numa ânsia desmedida e incontrolável de aprisionar a sua essência. Deixamo-nos envolver pela beleza, pelo que provoca felicidade, sorvendo todos os segundos como se um único perdido fosse motivo para chorar. Este texto é apenas isto, uma tentativa de ordenar a minha mente, dominada pelo cansaço e que algures no tempo se rendeu sem a determinação necessária ao medo de não o conseguir. Filipe Pinto.
Sempre nos demos mal com a norma. Os portugueses não são um povo dado a insurreições mas se poderem defecar em cima da lei, fazem-no. Este é o país onde um acidente por excesso de velocidade é encarado como uma contingência da audácia rodoviária. Somos heróis à nossa maneira. Europeus, mas especiais. Uma espécie de Epá sem chiclet. De facto, Portugal vê a Europa como um gelado. O problema é que está sempre a chupar no pau. Falemos agora dos males da época. A espécie mais exemplificativa do charme luso é John Matias. Quem é John Matias? Passo a explicar:
Newark – 8:30 a.m.
Numa casa de um bairro de subúrbio votado ao esquecimento pela polícia, um casal com dois filhos faz as malas para partir de férias. - Bob, onde está a tua irmã? – pergunta a mãe – Já são horas! - Está no W.C. a vomitar. Ontem ela break-up com o boyfriend e depois apanhou uma carroça. - Ó Bob, diz a essa motherfucker que se não sai da casa de banho enfio-lhe um estouro no ass! – grita, John Matias, o extremoso pai revoltado. Tudo se resolve. A família sai de casa bem trajada: Pai – T-Shirt lilás sem mangas, contrafacção da Armani, calções pretos e sapatilhas brancas Nike. Mãe – Fato-de-treino adidas verde, também contrafacção, sapatilhas Nike brancas, óculos de sol castanhos e duas latas de laca no cabelo. Filho – T-Shirt do Benfica, calções Benfica TBZ e sapatilhas brancas Nike. Filha – T-Shirt branca com a cara da Madonna estampada, mini-saia de ganga e sapatos rosa de salto alto. A ida para o aeroporto faz-se de autocarro disponibilizado pela companhia aérea. Pelo caminho, o pai Matias recorda com saudade os seus tempos de menino e o lançamento do primeiro álbum do Boy George. A viagem de avião para Portugal é rapidamente efectuada. No aeroporto de Lisboa as irmãs de John Matias esperam-no. - Oh, João, Oh, João – gritam com as lágrimas nos olhos. - Ó pai, quem é esse João? – pergunta Christie Carina, a filha do casal. - Era assim que me chamavam quando eu ainda vivia in Portugal – responde - Voltaste! – continuam as histerias irmãs – Estás mais gordo. Já viste o ácido úrico? Olha que o Sr. Justino da junta morreu a semana passada por causa disso. A conversa, as lágrimas, o ranho e a loucura continuam. Ao longe, os dois filhos do casal visionam toda esta cena com o espanto de quem chegou a um zoo. John Matias, mede 1,64m. Pesa 94kg. Ostenta bigode, é calvo e usa mais comprida a unha do dedo mínimo da mão direita. Fuma. Cospe para chão e rega a sua existência com flatos. Em breve estará a caminho do Lindoso, onde, depois de cumprimentar o resto da família, comerá meio presunto e dois litros de vinho para empanturrar a saudade. Calada a boca da fome, falará nas vicissitudes da emigração e no quão infinitamente melhor é viver um ano na penúria para poder esbanjar tudo no verão em futilidades num país que já foi seu. Christie Carina e Bob estarão sentados no alpendre da casa. Ele suspirando pela Playstation e por civilização, ela vertendo lágrimas de dor depois de ter descoberto que o sexo anal pode não ser o suficiente para obrigar um adolescente a continuar um namoro. Sheila Maria, a mulher de John, olha para fotos do marido no tempo da tropa com 40 Kg a menos e questiona-se como é que um homem outrora atraente pôde degenerar numa espécie de estupidez com sotaque.
Lá fora está calor, o país desidrata-se; seca. Bandeiras na janela. Scolari na presidência. O défice social adormece ao som de relatos de futebóis. Um povo embalado pela falsa música de um hino ao serviço de uma federação.
Não. Não.
Deixem-me dormir. Deixem-me. A minha bandeira é branca.
De 9 de Junho a 9 de Julho o planeta inteiro vai ser submergido por uma vaga muito particular: a do futebol, cuja fase final do Campeonato do Mundo se desenrolará na Alemanha. Trata-se do mais universal acontecimento desportivo e televisivo. Vários milhares de milhões de telespectadores, em audiência acumulada, vão seguir as sessenta e quatro partidas da prova, que opõe trinta e duas equipas nacionais representando seis continentes. A confrontação atingirá a sua máxima intensidade no domingo 9 de Julho quando, em Berlim, no estádio olímpico (construído por Hitler para os jogos olímpicos de 1936), as duas equipas finalistas disputarão o final. Nesse momento, mais dois mil milhões de pessoas – um terço da humanidade – em duzentos e treze países (quando a Organização das Nações Unidas só conta com 191 Estados) se encontrarão frente aos seus écrans. E nada mais contará para elas. A competição funcionará então como um colossal pára-vento e esconderá qualquer outro acontecimento. Para grande tranquilidade de alguns. Por exemplo, em França: Chirac e Dominique de Villepin esperam sem dúvida esta hipnótica distracção para fazer esquecer o “caso Clearstream”. E respirar um pouco. «Peste emocional» [1] para uns, «paixão exaltante» [2] para outros, o futebol é o desporto internacional número um. Mas é indiscutivelmente mais do que um desporto. Senão não suscitaria um tal tropel de sentimentos contrastantes. «Um facto social total», disse dele o grande ensaísta Norbert Elias. Poder-se-ia afirmar também que ele constitui uma metáfora da condição humana. Porque ele dá a ver, segundo o antropólogo Christian Bromberger, a incerteza dos estatutos individuais e colectivos, assim como todas as dimensões da fortuna e do destino [3]. Ele convida a uma reflexão sobre o papel do indivíduo e do trabalho em equipa, e origina debates apaixonados sobre a simulação, o arbitrário e a injustiça. Como na vida, os perdedores no futebol são mais numerosos que os ganhadores. Por isso mesmo é que este desporto sempre foi de multidões que vêem nele, consciente ou inconscientemente, uma representação do seu próprio destino. Elas sabem também que amar o seu clube é aceitar o sofrimento. O importante, em caso de derrota, é permanecer unidos, manter a união. Graças a esta paixão partilhada fica-se com a garantia de não mais se estar isolado. «You’ll never walk alone» [«Tu nunca mais caminharás sozinho»], cantam os fãs do Liverpoll FC, o clube proletário inglês. O futebol é o desporto político por excelência. Ele está na encruzilhada de questões cruciais como a pertença, a identidade, a condição social e até, por causa do seu aspecto sacrificial e a sua mística, da religião. É por isso que os estádios se prestam tão bem a cerimónias nacionalistas, aos localismos e aos extravasamentos identitários ou tribais que desencadeiam por vezes violências entre apoiantes fanáticos. Por todas estas razões – e, sem dúvida, por outras, bem mais positivas e festivas – este desporto fascina as massas. Estas, por sua vez, interessam não só aos demagogos mas sobretudo aos publicitários. Pois, mais do que uma prática desportiva, o futebol é hoje um espectáculo televisionado para um vasto público com as suas vedetas pagas a preço de ouro. A compra e venda de jogadores reflecte bem o estado do mercado nesta época da globalização liberal: as riquezas localizam-se no Sul mas são consumidas no Norte, uma vez que só este último tem os meios de as comprar. E este mercado (de enganos, frequentemente) produz modernas formas de tráfico de seres humanos [4]. Os meios financeiros que são mobilizados são demenciais. Se a França se qualificar para a final, o preço de um anúncio publicitário de 30 segundos na TV atingirá o montante de 250.000 euros (ou seja, quinze anos de salário mínimo francês!). E a Federação Internacional de Futebol (FIFA) vai receber nunca menos de 1.172 mil milhões de euros pelos direitos de transmissão televisivos e patrocínios do campeonato do mundo na Alemanha. Estima-se, por outro lado, que o total de investimentos publicitários ligados a esta competição seja de 3 mil milhões de euros. Tais montantes de dinheiro enlouquecem. Toda uma fauna de negócios gira à volta da bola redonda. Ela controla o mercado de transferências de jogadores, ou o das apostas desportivas. Certas equipas, a fim de garantir a vitória, não hesitam em fazer batota. Casos desses são uma legião. Como confirma o escândalo que actualmente abala a Itália. E que poderia levar a Juventus de Turim, acusada de ter comprado os árbitros, a descer de divisão. Assim vai pois este desporto fascinante. No meio de esplendores sem igual e das suas infâmias, cujo efeito é semelhante ao da lama colocada num ventilador. Cada qual fica enlameado. Ignacio Ramonet. Le Monde diplomatique. [1] Jean-Marie Brohm, La Tyrannie sportive. Théorie critique d’un opium du peuple, Beauchesne, Paris, 2005. [2] Pascal Boniface, Football et mondialisation, Armand Colin, Paris, 2006. [3] Christian Bromberger, Football, la bagatelle la plus sérieuse du monde, Bayard, Paris, 1998. [4] Johann Harscoët, "Tu seras Pelé, Maradona, Zidane" ou... rien, Le Monde diplomatique, Junho de 2006.
Milhares de pessoas reuniram-se, ontem, num parque de Hong Kong para render uma emotiva homenagem às vítimas da batalha de Tiananmen.Este foi o único acto público verificado em toda a China para celebrar o ocorrido. Os manifestantes acenderam velas, criando um mar de luzes no parque Victoria de Hong Kong. Mantiveram-se em silêncio durante alguns instantes e cantaram um hino à democracia, enquanto os organizadores colocaram coroas de flores num sepulcro improvisado dedicado aos "mártires da democracia". É certo que a maior parte da população não participou em qualquer acto, mas também é verdade que o Governo de Pequim proibiu qualquer manifestação. Na Praça de Tiananmen, a Polícia montou vigilância apertada e, pelo menos, duas pessoas foram detidas.A matança de Tiananmen continua a ser um tema tabu no grande país asiático, à excepção de algumas regiões semi-autónomas, como Hong Kong e Macau.(JN). A 3 de Junho de 1989 atinge-se o auge de uma série de manifestações pro-democráticas, lideradas por estudantes chineses. A 15 de Abril, a seguir à morte do secretário-geral do partido comunista e do reformista democrático Hu Yaobang os estudantes desencadearam manifestações pacíficas em Xangai, Pequim e noutras cidades. Hu tornou-se um herói entre os chineses liberais quando recusou fazer parar os distúrbios em Janeiro de 1987. As manifestações pro-democráticas continuaram com as pessoas a pedirem a mudança do líder supremo da China, Deng Xiaoping e também a cúpula de todos os funcionários do Partido. A 4 de Maio cerca de 100 000 estudantes e trabalhadores marcharam em Pequim pedindo reformas democráticas. No fim desse mês as manifestações continuaram mesmo durante a visita de Mikhail Gorbachev. Durante as sete semanas que duraram as históricas manifestações dos estudantes universitários de Pequim, irradiou da praça da Paz Celestial para o mundo um sopro de entusiasmo e esperança. Eles pediam democracia e fim da corrupção, a justeza das suas reivindicações fez em poucos dias multiplicarem-se os manifestantes, que passaram de 20 mil para quase 2 milhões, envolvendo praticamente todos os sectores da sociedade. Mas o fim seria trágico. Depois da tentativa frustrada do Exército controlar Pequim pacificamente, porque os soldados recuaram frente aos apelos dos manifestantes. A cúpula do Partido Comunistas e do Exército de libertação, obrigaram os soldados a intervir activamente e a tropa abre fogo sobre os estudantes e o povo da cidade de Pequim. Os mortos são estimados entre duzentos e quatro mil, ferindo dez mil pessoas e prendendo milhares de estudantes e trabalhadores. A repressão continuou em todo o país, até hoje, com prisões e execuções sumárias, controle da imprensa e não respeito pelos Direitos humanos.
A colega do blogue cao-com-pulgas, Fátima Pinto Ferreira, vai lançar no próximo dia 7 de Junho o livro "São Judas Iscariotes". Já li alguns trechos do livro no seu blogue, editados na altura da Páscoa, e parece-me um livro extremamente interessante, que certamente comprarei na primeira oportunidade.
Clint Eastwood nasceu a 31 de Maio de 1930, em São Francisco. Em 1955, fixou-se em Hollywood, fazendo pequenos papéis como actor. Foi em Itália que ganhou fama ao interpretar o herói «homem sem nome» com os chamados western spaghetti, dirigidos por Sergio Leone. Protagonizou a trilogia For a Fistful of Dollars/Por Um Punhado de Dólares (1964), The Good, the Bad, and the Ugly/O Bom, o Mau e o Vilão (1966) e For a Few Dollars More/Por Mais Alguns Dólares (1967). No início dos anos 70, criou a sua própria companhia produtora - a Malpaso Productions. O filme que o consagrou definitivamente como estrela de cinema foi Dirty Harry (1971). Como realizador dirigiu vários trabalhos na categoria de western, ganhando o respeito do público e da crítica. Em 1980, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque produziu uma retrospectiva dos seus filmes e em 1985, na sequência também de uma retrospectiva do seu trabalho na Cinemateca Francesa, foi condecorado pelo governo francês. De 1986 a 1988 foi eleito presidente da câmara de Carmel, na Califórnia. Da filmografia de Clint Eastwood enquanto actor destacam-se: The Good, the Bad, and the Ugly/O Bom, o Mau e o Vilão (1966), Where Eagles Dare/O Desafio das Águias (1969), Kelly’s Heroes/Heróis Por Conta Própria (1970), The Beguiled/Ritual de Guerra (1971), High Plains Drifter/O Pistoleiro do Diabo (1973), The Outlaw Josey Wales (1976), The Gauntlet/Barreira de Fogo (1977), Any Which Way You Can/O Regresso do Rebelde (1980), Honkytonk Man (1982), Tightrope/Um Agente na Corda Bamba (1984), Pale Rider/O Justiceiro Solitário (1985), The Dead Pool/Na Lista do Assassino (1988), White Hunter, Black Heart/Caçador Branco, Coração Negro (1990), Unforgiven/Imperdoável (1992), In The Line of Fire/Na Linha de Fogo (1993), A Perfect World/Um Mundo Perfeito (1993), The Bridges of Madison County/As Pontes de Madison County (1995), Wild Bill: Hollywood Maverick (1996), Absolute power/Poder Absoluto (1997), City (1998), True Crime/Um Crime Real (1999), Space Cowboys/Cowboys do Espaço (2000) e Blood Work/Dívida de Sangue (2002).A sua carreira de realizador conta já com vários títulos: The Gauntlet/Barreira de Fogo (1977), Bird/Fim do Sonho (1988), White Hunter, Black Heart/Caçador Branco, Coração Negro (1990), Unforgiven/Imperdoável (1992), galardoado com os Óscares de melhor filme e melhor realizador, A Perfect World/Um Mundo Perfeito (1993), The Bridges of Madison County/As Pontes de Madison County (1995), Absolute power/Poder Absoluto (1997), Midnight in the Garden of Good and Evil/Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal (1997), True Crime/Um Crime Real (1999), Space Cowboys/Cowboys do Espaço (2000), Blood Work/Dívida de Sangue (2002) e Mystic River (2003). Em 2003, Clint Eastwood foi candidato à Palma de Ouro do Festival de Cannes com o filme realizado por si, Mystic River. Apesar de não ter ganho o galardão máximo do festival, Eastwood saiu de Cannes com o Carosse d´Or, um prémio atribuído por um conjunto de cineastas franceses a um realizador de carreira. Em 2004, Mystic River voltou a receber novas nomeações, desta feita para os Óscares. O filme foi nomeado em seis categorias: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor Principal, Melhor Actor Secundário, Melhor Actriz Secundária e Melhor Argumento Adaptado. Em 2005, o realizador voltou a dar cartas. O seu filme Million Dollar Baby arrebatou dois Globos de Ouro: o de Realizador e o de Actriz Dramática, para Hilary Swank. Na cerimónia dos Óscares, venceu 4 estatuetas douradas: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actriz Principal e Melhor Actor Secundário. Fonte Biblioteca Universal.
Após os longos meses de Inverno, podemos finalmente convidar uns amigos e fazer um barbecue.Talvez porque há um certo risco envolvido na actividade, este é o único tipo de cozinha a que um verdadeiro homem se deve dedicar.Contudo, não é tarefa fácil. Quando um homem aceita fazer o barbecue põe-se em marcha uma cadeia de acções: 1º) A mulher compra os alimentos; 2º) A mulher faz as saladas, prepara as batatas fritas, o arroz, o feijão preto e a sobremesa; 3º) A mulher prepara a carne para ser cozinhada, tempera-a, coloca-a numa travessa e leva-a ao homem que já está à espera ao pé do grelhador, de cerveja fresca na mão; Aqui vem a primeira parte realmente importante da questão: 4º) O homem coloca a carne na grelha; 5º) A mulher vai para dentro e põe a mesa; 6º) A mulher apercebe-se que o homem está com os outros homens a contar anedotas e vem cá fora a correr a avisar que a carne se está a queimar; 7º) O homem aproveita e pede-lhe mais uma cerveja fresquinha; 8º) A mulher vem cá fora trazer a cerveja e uma travessa... ... e é então que aparece a segunda parte importante do processo: 9º) O homem tira a carne da grelha e entrega-a à mulher; 10º) Depois de comerem, a mulher levanta a mesa, lava a louça, arruma a cozinha e lava a grelha; 11º) Toda gente dá os parabéns ao homem pela fantástica refeição que ele preparou; 12º) O homem pergunta à mulher se lhe soube bem o tempo de folga de que usufruiu e, perante o ar chateado dela, conclui que há mulheres que nunca estão satisfeitas com nada ... (Recebido por e-mail.A minha mulher teve a gentileza de me enviar este e-mail, apesar de eu não compreender o sentido e a intenção do envio...).
Sejamos claros: Se Portugal é um país voltado para o Atlântico, Espanha invadiu-nos por trás. É uma canzana que ainda hoje dói no Portalegre de cada um (fabulosa analogia anal!). Serve isto para introduzir o tema que hoje vou tratar: o sexo em Portugal. Por entre os brandos costumes, o português comum não para de pensar em sexo. Na verdade, depois de um pequeno inquérito por mim efectuado a duas pessoas residentes em Mondim de Basto, conclui que o comum cidadão trocaria a sua vida actual por uma dose de sexo industrial e duas latas de atum. Este priapismo lusitano tem duas faces: a masculina e feminina.
O homem sexual português:
Este espécimen é adepto da linguagem frontal. O seu grande sonho é encontrar mulheres semi-inconscientes que utilizem com frequência diária a expressão “Penetra-me na varanda”. Porém, esta aparente virilidade detém-se quando falamos do acto propriamente dito. O homem português é fã do legado missionário, posição que pratica com invariável mecânica, se possível com uma sandes de chouriço ferrada entre os dentes. E sim: o sexo e a comida são, para o descendente de Viriato, a mesma coisa. Berrar e grunhir, pelo contrário, estão totalmente reservados ao futebol. Assim quando ouvir um homem gemer, provavelmente a culpa é do Ronaldo ou do Figo.
P.S. – Para o homem, 69 é mais do que um simples ano em que não houve campeonato do mundo de futebol
A mulher portuguesa e o sexo:
No que toca ao género feminino tudo é diferente. Na mulher o ímpeto não está à superfície (encontra-se encoberto por pilosidades). Para ela o sexo é um casino, sendo elas o croupier, a roleta e o próprio baralho de cartas. A sedução é uma espécie de jogo constantemente no intervalo até que a mulher sopre o apito (mais uma brilhante alusão sexual!). A fêmea reserva a si o direito constitucional no que diz respeito às relações. Adora fins-de-semana românticos recheados de luxos e imploração. Eis algumas frases que o raçudo lusitano deve evitar dizer a uma mulher para obter sexo:
- Viste a vaselina? - Telefonei para a Abanderado e eles dizem que já não fazem XXXL há dois anos - Ou te despes ou masturbo-me - Ordenha-me - Tira-me um galão
Já agora, a roleta sexual é a única na qual o jogador pode usar mais do que uma bola sem ser penalizado por isso.
Estive ausente oito dias, uma constatação, mas certamente que ainda não tinham dado por isso. Fui em trabalho à China e como toda a gente sabe, na "República Popular" ninguém têm acesso ao "blogspot", portanto pura e simplesmente, não podia escrever nada. Por falar na China, os chineses estão cada vez piores, imaginem que ainda não conseguiram copiar o filme " O Código Da Vinci" para DVD! Tive que me contentar em comprar o "Voo 93" e o "Basic Instinct 2" e mais alguns, ao "astronómico" preço de 80 cêntimos de Euro por filme! Um abraço a todos. Vou dormir!
Este título poderia facilmente conduzir a pertinentes desdobramentos tais como “O Espectacular e o Menos Lindo”, “O Escorreito e o Indecoroso” ou mesmo “O meu tio e uma lista telefónica”. No início deste texto a probabilidade de eu optar por qualquer um destes títulos era igual para todos eles. As probabilidades são um caso estranho de intermitência lógica. Senão vejamos: Enquanto lê o primeiro parágrafo deste texto existem 0,6% de hipóteses de morrer de enfarte, 0,4% de hipóteses de estar a chulear um par de calças 0,2% de hipóteses de casar com um trintão sudanês e 1% de hipóteses de ser cego. Pior somente as estimativas à escala planetária. Eis o que se estará passar no mundo quando mudar para o segundo parágrafo:
(Valores percentuais relativos ao total da população terrestre)
49% - Alimentam-se 46% - Têm relações sexuais 2% - Têm relações sexuais envolvendo afecto 1,8% - Estudam 1,0% - Trabalham 0,2% - Desbloqueiam uma “box” da TV por Cabo.
Entramos pois no segundo parágrafo (com todas as consequências que isso acarreta). Que podemos fazer para trocar as voltas às comuns quantificações probabilísticas? Eis uma pequena, quiçá singela, lista de coisas que pode fazer para arruinar qualquer aspiração estatística:
- Organizar um bacanal nas margens do rio Nilo - Fazer um Papanicolau dentro de um táxi - Fundar uma república - Mudar de sexo - Urinar sem sujar o tampo da sanita - Desvitalizar um dente ao som de Diana Ross
As mulheres têm a tarefa facilitada no que diz respeito a novidades. Por exemplo, podem apaixonar-se por uma pasta de dentes. Uma fonte anónima, garantiu que a única diferença entre um tubo de Colgate e um homem é o sabor final a flúor, já que a cor se mantém. Essa mesma fonte revelou ainda a chave do EuroMilhões para esta semana e duas fotografias a preto e branco.