quarta-feira, setembro 27, 2006

Banksy


Banksy é uma lenda no meio dos artistas rua. Faz grafites um pouco por todo mundo, com um radical sentido de humor, que visa a sociedade, a política e o quotidiano.
É também conhecido por introduzir clandestinamente, em reputados museus, obras suas, como se fosse parte do acervo original, esperando para ver quanto tempo demora, até descobrirem a falsificação. Em alguns casos os trabalhos de Bansky, acabaram por serem comprados pelo museu, que sofreu o ataque de vandalismo.
A verdadeira identidade de Banksy é desconhecida. De acordo com o jornal The Guardian, ( que o entrevistou, no fim do post existe um link para esta entrevista) o seu verdadeiro nome é Robert Banks, está na casa dos 30 anos e é natural da cidade de Bristol. O secretismo à sua volta é tão grande, que Banksy afirma, que nem os seus pais sabem o que ele faz.
A sua arte (como é óbvio, para lá da obra de arte em si) tem como objectivo chocar o observador e choca mesmo!

Há muitas organizações que consideram o trabalho de Banksy puro vandalismo, mas o artista adquiriu projecção internacional quando fez a ilustração da capa do disco Think Tank, da famosa banda britânica, Blur, editado em 2003.
Uma das intervenções mais conhecidas de Banksy, foi um plano coordenado para infiltrar obras suas, nos quatro mais importantes museus de Nova Iorque no mesmo dia.
E conseguiu, no dia 13 de Março de 2005!
Primeiro colocou um dos seus trabalhos, um quadro de uma lata de sopa, ao estilo de Andy Warhol, no MoMa, onde permaneceu três dias sem ser notado. Seguiu-se o Museu Brooklyn. Neste museu, o quadro colocado, mostrava um almirante da era colonial, com uma lata de spray na mão e frases anti-guerra. Os outros dois museus "vandalizados" foram o Metropolitan Museum of Art e o Museu Americano de História Natural. No Metropolitan Museum, Banksy colocou uma tela de uma mulher usando uma máscara de gás e no Museu Americano de História Natural, Banksy colocou, por trás de um vidro, um besouro com asas de caça-bombardeiro e mísseis presos ao corpo.
Uma das suas obras mais polémicas é uma montagem com a célebre foto de Nick Ut, que simboliza toda a tragédia que foi a Guerra do Vietname. A fotografia retrata a pequena Kim Phuc, e outras crianças, a correrem momentos depois da sua aldeia ter sido bombardeada pelos americanos com bombas de Napalm. Na montagem de Bansky, primeira fotografia do post, Kim Phuc aparece ao lado do Mickey e de Ronald McDonald, numa implícita crítica ao capitalismo.
Numa outra pintura, que causou muita polémica em Inglaterra, Banksy mostra a rainha Vitória, símbolo do puritanismo e do Império Britânico, a fazer sexo oral com uma outra mulher.
A sua primeira e única exposição em Londres, em 2005, trouxe versões de pinturas tradicionais com detalhes da vida contemporânea. Nela, os visitantes eram obrigados a dividir o pequeno espaço da galeria com centenas de ratos, que circulavam livremente.

No ano passado, fez uma série de grafites no muro que separa Israel da Cisjordânia. São paisagens idílicas, que contrastam com a dura vida dos palestinianos. Com estas imagens, para além de protestar contra a construção do Muro por parte de Israel, foi intenção de Bransky transformar o horrendo em belo.
Também no ano passado, o artista deixou o Museu Britânico numa situação desagradável ao infiltrar na colecção do museu uma imitação de pintura rupestre, que mostrava um homem pré-histórico a empurrar um carrinho de supermercado. De acordo com Banksy, a obra passou despercebida durante três dias. A direcção do museu reagiu com bom humor. Comprou a obra.
No princípio deste mês, o artista britânico conseguiu substituir 500 CDs de Paris Hilton por versões adulteradas em lojas espalhadas pela Grã-Bretanha. Banksy trocou as músicas de Paris Hilton por versões suas, que receberam nomes como “Por que sou famosa?”, “O que fiz?” e “Para que sirvo?”.

O artista plástico também substituiu as fotos dos CD’s por imagens em que Paris Hilton aparece em topless com frases provocantes e na contra capa substituiu a fotografia da socialite, por uma fotografia em que esta aparece com uma cabeça de cadela.
Na semana passada, Banksy conseguiu colocar uma réplica em tamanho natural de um prisioneiro da base americana na Baía de Guantánamo na Disneyland, sem que os responsáveis pelo parque percebessem. A figura, vestida com o uniforme laranja que caracteriza os presos de Guantánamo, foi colocada no fim de semana dentro da área ocupada pela atracção Rocky Mountain Railroad. A réplica permaneceu no local por 90 minutos até que esta parte do parque para a figura ser removida. Um porta-voz de Banksy disse que a ideia era chamar atenção para a situação dos suspeitos de terrorismo presos no ignóbil centro de detenção americano em Cuba.

Banksy, um "vândalo" muito dotado.
Link:
http://arts.guardian.co.uk/features/story/0,,999712,00.html

segunda-feira, setembro 25, 2006

Vanessa Fernandes


A portuguesa Vanessa Fernandes, vice-campeã mundial de triatlo, igualou ontem o recorde de 12 vitórias consecutivas ao vencer a etapa chinesa da Taça do Mundo, assegurando um triunfo quase certo no circuito mundial. A benfiquista foi a atleta mais forte no percurso de Pequim, semelhante ao que será utilizado nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, terminando em 2.03,16 horas os 1500 metros de natação, 40 quilómetros de ciclismo e os 10 quilómetros de corrida da 14ª etapa do calendário de 2006.
Apesar da vitória, Vanessa Fernandes mostrou-se modesta no final da prova, considerando, em declarações à agência “Lusa”, que “o que fica na história é ser campeã do mundo e campeã olímpica”. Vanessa Fernandes deixou em segundo lugar a campeã mundial da modalidade, a australiana Emma Snowsill, com mais 1,07 minutos, tendo a atleta do Luxemburgo Elizabeth May chegado em terceiro lugar, com mais 1,56 minutos que a portuguesa. Com este triunfo, Vanessa Fernandes é a virtual vencedora do circuito mundial, mesmo sem participar nas duas últimas etapas, nas quais Emma Snowsill também já anunciou que não participa.
O recorde de 12 vitórias seguidas foi estabelecido por Emma Carney entre 1993 e 1995, quando apenas cerca de três dezenas de atletas femininas disputavam a Taça do Mundo.

Desde a sua participação nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, em que se qualificou em oitavo lugar, a filha do antigo ciclista Venceslau Fernandes ganhou todas as provas em que participou, excepto os campeonatos do Mundo. A série de 12 vitórias teve início em Madrid em 2004 até culminar na prova de Pequim. “O circuito obriga os atletas a ser fortes e inteligentes”, disse a atleta portuguesa, comentando o percurso da prova de ontem, que serviu de primeiro ensaio geral para o circuito dos Jogos Olímpicos de Pequim’2008. Vanessa Fernandes assumiu desde o início da prova um ritmo forte e atacante para desgastar as adversárias, tendo em especial cansado Emma Snowsill na prova de bicicleta, o que veio depois a ser vital nos 10 quilómetros finais de corrida.
Ontem, ao contrário de sempre, a vitória de Vanessa Fernandes, foi tema de abertura do telejornal da RTP. Já é tempo de dar valor a quem realmente o tem, e definitivamente olharem para outras modalidades e atletas, para além do futebol.Sem estágios de luxo,sem visitas presidenciais ou ministeriais, com muito treino, forçe de vontade e humildade, Vanessa Fernandes, vai levando bem alto o nome de Portugal, ainda por cima, numa modalidade recente e sem qualquer tradição em Portugal.

Perfil:
Nome Completo: Vanessa de Sousa Fernandes
Data de Nascimento: 14 de Setembro de 1985
Altura: 168 cm
Peso: 57 kg
Inicio na Modalidade: 1999
Equipa: Sport Lisboa e Benfica
Treinadores: Sérgio Santos
António Jourdan
Palmarés:
2006.
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Beijing (CHI);.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Hamburgo (GER);
.: Vice-Campeã nos Campeonatos do Mundo de Triatlo de Elite de Lausanne (SUI);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Corner Brook (CAN);
.: 5ª Classificada no Life Time Fitness Triathlon (USA);
.: Campeã da Europa de Triatlo Sub23 Feminina - Rijeka (CRT);
.: Campeã da Europa de Triatlo Elite Feminina - Autun (FRA);.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Madrid (ESP);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Mazatlán (MEX);
.: Vencedora da Taça da Europa de Triatlo do Estoril (POR);
.: 3º Lugar no Campeonato Nacional de Corta Mato Longo - Guimarães (POR);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Aqaba (JRD);
2005.
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de New Plymouth (NZL);
.: Campeã da Europa de Triatlo Elite Feminina - Lausanne (SUI);
.: Campeã da Europa de Triatlo Sub23 Feminina - Sófia (BUL);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Pequim (CHN);
.: 4ª Classificada nos Campeonatos do Mundo de Triatlo de Elite de Gamagori (JPN);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Madrid (ESP);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Mazatlán (MEX);
2004.
.: Campeã Nacional de Triatlo 2004;.: Vencedora da Taça do Mundo do Rio de Janeiro (BRA);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Madrid (ESP);
.: 8ª Classificada nos Jogos Olimpicos Atenas 2004;
.: Campeã da Europa de Triatlo Sub23 Feminina - Tiszaujvaros (HUN);

.: 5ª Classificada nos Campeonatos do Mundo de Triatlo de Elite - Funchal (POR);
.: Campeã da Europa de Triatlo Elite Feminina - Valência (ESP);
2003.
.: 9ª Classificada na Taça do Mundo de São Petersburgo (EUA);.: 10ª Classificada na Taça do Mundo de Ishigaki (JPN);
.: 9ª Classificada na Taça do Mundo do Funchal (POR);.
: 3ª Classificada na Taça do Mundo do Rio de Janeiro (BRA);
.: 3ª Classificada na Taça do Mundo de Cancun (MEX);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Madrid (ESP);
.: Vencedora do Triatlo Internacional do Estoril (POR);
.: 2ª Classificada no Triatlo Internacional da Praia da Vitória (POR);
.: 5ª Classificada nos Jogos Mundias de Verão - Santos (BRA);
.: Medalha de Prata no Campeonato da Europa por Equipas Juniores Femininos - Carlsbad (CZE);
.: Medalha de Bronze no Campeonato do Mundo de Triatlo Juniores Femininos - Queenstown (NZL);
.: Campeã do Mundo de Duatlo Juniores Femininas - Affoltern (SUI);.
: Campeã da Europa de Triatlo Juniores Femininas - Carlsbad (CZE);
2002.
.: 4º Lugar no Campeonato do Mundo de Triatlo (Cancun - MEX) - Juniores Femininos;
.: 34ª Classificada na Taça do Mundo de Tizjausvaros (HUN);
.: 29ª Classificada na Taça do Mundo de Nice (FRA);
.: 12ª Classificada na Taça do Mundo do Funchal (POR);.
: Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Triatlo (Gyor - HUN) - Juniores Femininos;
.: Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Duatlo (Zeitz - GER) - Juniores Femininos;
2001.
.: Medalha de Prata por equipas no Campeonato da Europa de Duatlo (Mafra - POR) - Juniores Femininos;
.: 18ª no Campeonato da Europa de Triatlo (Carlsbad - CZE) - Juniores Femininos;

sábado, setembro 23, 2006

Contradições Humanas


Penso que foi Nietzsche quem disse que nós não gostámos das pessoas mas sim do efeito que o conjunto de reacções que elas suscitam tem, ou seja, é provocada uma espécie de descarga química e o bem-estar gerado no nosso corpo desta forma é o que induz a sensação física de contentamento. É, assim, desfeita a ilusão de que os sentimentos são uma manifestação metafísica, transcendente e espiritual, resumindo-se a uma vulgar reacção química cerebral. É, claramente uma visão redutora do ser humano esta noção de que todos os sentimentos são uma resposta fisiológica, uma simples reacção química a um qualquer estímulo.
É claro que esta teoria não explica os sentimentos de repulsa que temos quer com pessoas quer com objectos quer com acontecimentos e, se o interesse é puramente egoísta, porque é que são, normalmente, os momentos de sofrimento que nos empurram para um abismo emocional, abismo este que na maior parte das vezes se revela com uma intensidade de tal forma sufocante, que os comportamentos de índole egoísta não fazem qualquer sentido, a menos que o masoquismo demente imponha as suas regras, configurando assim um paradoxo.
Não interessa muito para a discussão a teoria, pois eu desconheço-a em absoluto. Reporto-me a uma citação. Interessa-me sobretudo enquadrar os sentimentos num espectro que vai desde a mais notável felicidade até ao mais vil sofrimento. Obviamente tudo resto se situa entre estas duas condições inatingíveis. As possibilidades são, por outro lado, infinitas e os acontecimentos que lhes dão origem são, também, infinitos. Muitos deles induzem contradições que são difíceis de gerir, existindo uma tendência natural para interiorizar as coisas pois, aquilo que esperamos é que as nossas reacções sejam passíveis de serem integradas sem culpas. Os sentimentos antagónicos não permitem que isto suceda. O isolamento é então a solução como resultado da estranha sensação de exclusividade. O desconhecimento da condição humana relativamente ao facto de que estas reacções são recorrentes e comuns, banais até, aumenta o sofrimento.
Para ilustrar esta situação nada é mais intenso que as emoções perante a morte. Quanto mais próxima mais marcante. A morte e sua inevitabilidade são conceitos para os quais é necessária uma resistência emocional elevada. Quando algo semelhante sucede, a alma é invadida pela consciência do nosso próprio fim, de quanto tudo é efémero e transitório.
A renovação das gerações implica, geralmente, a morte dos mais velhos nas famílias e estes acontecimentos são épocas de profundas contradições emocionais. O drama maior nestes casos será certamente a perda dos pais que vai para além da irreversibilidade da situação. A morte de um pai é uma espécie de princípio do fim. Para cada um de nós eles representam a primeira e a última barreira á fatalidade. Se os desígnios geracionais se cumprirem, os próximos na linha da continuidade para a morte são os filhos. Os pais têm, por isso mesmo, um papel que vai para além da paternidade. São pais e delimitam a nossa existência. É como se enquanto eles não morrerem, a morte fosse apenas um conceito com o qual convivemos numa perspectiva algo distante, como se estivéssemos rodeados por uma espécie de domo protector em que a matéria que constitui a sua estrutura fosse uma substância emanada pelos nossos progenitores onde a mortalidade inerente à vida luta por penetrar sem o conseguir até ao dia fatídico.
Esta conjectura faz as pessoas acordarem para se confrontarem com os seus próprios demónios, limites e para a sua condição humana. Assim, o sofrimento gerado por uma perda importante com o fim da ilusão da invulnerabilidade, o penoso quotidiano de contacto com doenças que se alimentam do que resta da vida até a sugarem completamente, o surgimento do sentimento de impotência perante a irreversibilidade, os apelos de quem tem de ficar sem resposta e que se lêem nos olhos de quem os faz com uma clareza desconcertante, são momentos que são responsáveis pelas mais perturbantes contradições.
O desejo da morte do ente querido e que seja rápida e o mais indolor possível, o sentimento de culpa que isto arrasta, torna-se uma espécie de sombra negra que se agarra parasitariamente a quem o sente. O desejo pelo desfecho de uma situação que imbui todos os envolvidos numa escuridão, é exactamente desejar a morte. Quando é alguém de quem gostamos imenso pensamos que este sentimento faz de nós um ser com a alma negra, porque ninguém deseja o mal a quem ama, a menos que o sentimento tenha sido desde sempre uma ilusão. E se o foi, porque a intensidade é semelhante, tudo o que sentimos pelos outros é também duvidoso. Sentimos um vazio tão intenso que é como se tudo se desmoronasse irremediavelmente e fosse necessário reaprender a viver. Se não formos capazes, o futuro insinua-se como um mero exercício de passar dos dias porque de repente perdemos a noção da realidade e do valor dos sentimentos.
Desejar a morte de alguém ao mesmo tempo desejar que viva é algo que aparenta ser inverosímil, mas que de facto não é. Tudo é uma resposta a diferentes estímulos, queremos que vivam porque o amor é real, e queremos que morram porque a razão e a percepção que temos dos acontecimentos nos dizem que a morte é inevitável e se o sofrimento e o definhamento exibidos perante os nossos olhos são tão profundamente desconcertantes então cada um dos sentimentos é igualmente profundo e perturbador.
A alma humana na sua mais exultante exteriorização, os infinitos paradoxos que os sentimentos arrastam consigo e que não temos a capacidade de encaixar porque a racionalização por vezes se revela impossível ou, por mais que tentemos, as nossas capacidades não permitem explora-los com a profundidade necessária. Ficamos a meio do caminho entre a raiz dos sentimentos que nos levam a saber viver com a nossa condição humana e a incapacidade para os verbalizar, incapacidade essa que traz consigo a culpa a cada recordação. Se tudo é uma resposta fisiológica, então uma vez que somos constituídos pela mesma matéria não podemos pensar que os nossos sentimentos são únicos. Este facto deveria servir de paliativo para o mal-estar gerado por algumas das coisas que sentimos. É esta capacidade de sentir que nos mantém vivos e nos diferencia da restante Criação.

Filipe Pinto.

sábado, setembro 16, 2006

Terry Fox e a Maratona da Esperança

Terrance Stanley Fox, mais conhecido como Terry Fox nasceu no dia 28 de Julho de 1958, em Winnipeg, província de Manitoba, no Canadá. Quando era criança a sua família mudou-se para a cidade de Port Coquitlam, na Colúmbia Britânica, situada na costa oeste do Canadá.

Como adolescente, Terry Fox envolveu-se na prática de diversos desportos escolares. Em 1976 diagnosticaram-lhe um sarcoma ósseo (cancro nos ossos) na perna direita, que lhe seria amputada, (15 centímetros acima do joelho) no ano seguinte.Mas nem assim se vergou.Os sofrimentos dele próprio, mas sobretudo os dos restantes doentes seus companheiros de hospital, levaram-no a conceber uma longa corrida através do Canadá para angariar fundos para a luta contra o cancro.

Chamou-lhe a Maratona da Esperança.

Partiu de St. John’s, na costa leste do Canadá, em 12 de Abril 1980 para essa última prova de resistência e valentia. Correu 143 dias, percorrendo, apesar da prótese, cerca de 42 quilómetros diários. Pedia a cada canadiano um dólar para essa luta desesperada. Ganhou. Obteve mais de 24 milhões de dólares. No dia 1 de Setembro, ao fim, de 143 dias e 5300 quilómetros depois, Terry Fox foi obrigado a parar a sua longa maratona, em Thunder Bay, no Ontário, pois o cancro tinha-se expandido até aos pulmões.

Terry Fox acabaria por ser arrebatado pela morte alguns meses mais tarde. Foi no dia 28 Junho de 1981, tinha 22 anos anos. Foi proclamado herói nacional, tendo recebido várias honras. Foi escolhido, numa pesquisa de opinião pública no Canadá, como o canadiano mais famoso do século XX.

A morte arrebatou-o, mas não o derrotou.Porque hoje, a Fundação Terry Fox continua a mesma luta. Organiza maratonas um pouco por todo o Mundo para recolher fundos para a pesquisa e combate ao cancro. A Maratona da Esperança arrecadou um total de 400 milhões de dólares canadianos para a pesquisa e combate ao Cancro. No ano passado, realizaram-se cerca de 200 provas em países tão diferentes como Portugal, Bélgica, China, Austrália ou Cuba, etc. E claro, no Canadá.

No Canadá, como sempre, a corrida Terry Fox é realizada no segundo Domingo de Setembro, após o Dia do Trabalhador.A XXV Maratona da Esperança Terry Fox acontecerá amanhã, 17 de Setembro.

Terry Fox um canadiano que decidiu bater-se denodadamente contra a morte, contra o cancro que o vitimaria. Enfrentou, como só os verdadeiros homens o podem fazer, um destino impiedoso.Venceu.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Oriana Fallaci


A jornalista e escritora italiana Oriana Fallaci morreu ontem à noite num hospital da cidade de Florença, informou hoje a agência Ansa. Fallaci, de 77 anos, sofria de cancro há vários anos. O enterro de Fallaci será estritamente íntimo, a pedido da própria, segundo os seus familiares. A jornalista tinha sido internada numa clínica de Florença, devido ao agravamento da sua doença.
Conhecida e respeitada pela sua carreira como jornalista política, Fallaci era uma das mais consagradas escritoras, na área da intervenção política, em todo o mundo.
Oriana Fallaci, nasceu em Florença em 29 de Junho de 1929. Começou a carreira de jornalista aos 17 anos, foi correspondente internacional em vários meios de comunicação, repórter de guerra e escreveu vários livros. Cobriu os conflitos no Vietname, no Oriente Médio e na América Latina, numa época em que eram escassas as mulheres na frente de batalha. Levou um tiro e foi espancada durante os protestos estudantis no México, em 1968.
Depois, fez sucesso com o romance de ficção “Um Homem”, inspirado no seu caso com o grego Alexandros Panagoulis.
Fallaci ficou famosa pelas suas entrevistas com líderes de todo o mundo.Golda Meir, a primeira-ministra indiana Indira Gandhi, Henry Kissinger, Willy Brandt, Muammar Kadhafi, Ayatollah Khomeini ou Yasser Arafat foram alguns dos nomes que enfrentaram a prova de fogo “Oriana Fallaci”.
Na entrevista que fez com Kissinger, Fallaci comparou-o a um cowboy e obrigou-o a admitir que a Guerra do Vietname era “inútil”. Kissinger escreveu depois que a entrevista foi “simplesmente a conversa mais desastrosa que já tive na vida com qualquer jornalista”.
Segundo o relato da própria Fallaci, ela discutiu aos gritos com Arafat e começou uma entrevista com o líder líbio Muammar Kadhafi ridicularizando o seu manifesto, dizendo que era “tão pequeno e insignificante que cabia na sua caixinha de pó-de-arroz”. Durante um encontro com o líder iraniano, Ayatollah Khomein rasgou um chador.
Entre os galardões que recebeu ao longo da vida está o Prémio Viareggio ganho em 1979 com a publicação "Um Homem".
Nos últimos anos, teve uma atenção mediática intensa, Fallaci adoptou uma posição radical contra o fundamentalismo islâmico, bem descrita em "A Raiva e o Orgulho", publicado em 2002, ainda no rescaldo dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque e em «A Força da Razão», onde a jornalista critica «as intenções secretas do Islão» e escreve que a fé islâmica “semeia o ódio no lugar do amor e a escravidão no lugar da liberdade”.
Fallaci lançou em Agosto de 2004 um livro, intitulado «Oriana Fallaci entrevista Oriana Fallaci», no qual analisou o «cancro moral que devora o Ocidente» e a sua própria doença.
Oriana Fallaci foi ainda professora nas Universidades de Chicago, Yale, Harvard e Columbia.
Vivia o seu tempo entre a Itália e os Estados Unidos.Nos livros alcançou uma notoriedade invejável. As obras foram traduzidos em 21 línguas. No ano passado, já doente, foi recebida por Bento XVI. Há vários anos, um cancro definiu-lhe o destino. A mulher que marcou a história mundial disse um dia que a morte não lhe metia medo, dava-lhe apenas uma sensação de melancolia.Com agências.

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Regresso d'El Niño


Cientistas americanos alertaram que as condições típicas do fenómeno climático El Niño, caracterizado por um aumento na temperatura dos oceanos, formaram-se no Oceano Pacífico. Um boletim da NOAA (Agência Oceânica e Atmosférica dos EUA), com o título “El Niño Returns”, diz que alguns impactos do fenómeno em formação já são visíveis na variação dos padrões de precipitações. “Nos últimos 30 dias, condições mais secas do que o normal vêm sendo observadas na Indonésia, Malásia e a maior parte das Filipinas, que são geralmente as primeiras áreas a experimentar os efeitos relacionados ao El Niño”, diz o boletim citado pela BBC on-line.
Segundo os cientistas, o desenvolvimento do El Niño explica em parte por que esta temporada de furacões no Oceano Atlântico tem sido menos activa do que o previsto. O fenómeno no Pacífico Sul, dizem, geralmente inibe a actividade dos furacões.
Ainda assim o meteorologista da NOAA Gerry Bell adverte que os impactos actuais do El Niño são por enquanto pequenos e que a temporada de furacões está longe de terminar. Pelas previsões do NOAA, esta seca deverá continuar pelo resto de 2006 e início de 2007.
O El Niño é um fenómeno de interacção atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da temperatura da superfície do mar e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a costa peruana e a Austrália.
Além da temperatura do mar, o fenómeno pode ser medido pela diferença média da pressão ao nível do mar entre os sectores do centro-leste (Taiti/Oceania) e oeste (Darwin/Austrália) do Pacífico Tropical. Esse índice está relacionado com o aquecimento e arrefecimento das águas na região. As fases positivas e negativas do fenómeno são denominadas de El Niño e La Niña, respectivamente.
Estes são fenómenos naturais que existem há vários anos e continuarão a existir como fenómenos cíclicos, sem um período regular. O fenómeno La Niña apresenta maior variabilidade e ocorre com uma frequência menor que o fenómeno El Niño; é atribuído a um arrefecimento anormal da superfície do mar , provocando chuvas torrenciais e agrava os efeitos das tempestades tropicais que fustigam alguns países.
O fenómeno El Niño de 1997-98 atingiu o máximo no início de Dezembro de 1997 com a irregularidade do oceano, atingindo mais de 4ºC. Em Janeiro e Fevereiro de 1998, apesar da superfície ocupada pelas anomalias terem diminuído, o impacto na atmosfera foi ainda maior, pois no Verão austral as temperaturas da superfície são máximas nesta estação.
O nome foi dado por pescadores peruanos, que notavam uma diminuição na quantidade de peixes na Costa do Peru, sempre na época do Natal, razão pela qual lhe deram o nome de El Niño (menino em espanhol).
LINK:http://www.noaanews.noaa.gov/stories2006/s2699.htm

Amnistia Internacional acusa Hezbollah de crimes de guerra


O movimento xiita libanês Hezbollah foi considerado culpado de crimes de guerra contra civis israelitas no recente conflito com Israel, acusou hoje a Amnistia Internacional. “Durante o mês que durou o conflito, o Hezbollah lançou perto de 4000 ‘rockets’ para o norte de Israel (...), um quarto dos quais foi lançado directamente para zonas urbanas”, anunciou a organização de Direitos Humanos com sede em Londres.
A Amnistia sublinha que o balanço dos bombardeamentos - 43 mortos e 33 feridos graves - teria sido muito mais grave se centenas de milhares de israelitas não tivessem fugido e se as cidades e vilas não estivessem equipadas com abrigos eficazes.
O Hezbollah utilizou, nomeadamente, “rockets katioucha” modificados, carregados com milhares de esferas metálicas, com o objectivo de atingirem alvos o mais longe possível. Oito dessas munições, afirma a Amnistia, causaram a morte de oito funcionários dos caminhos-de-ferro.
“A escala dos ataques do Hezbollah contra as cidades e vilas israelitas, a escolha de armas usadas e as declarações da direcção, confirmando a intenção de atingir civis, indicam claramente que o Hezbollah transgrediu as leis da guerra”, afirmou a secretaria-geral da Amnistia, Irene Khan.
Por outro lado, a Amnistia tinha já acusado Israel, em Agosto, de ter igualmente cometido “crimes de guerra” no Líbano, visando “deliberadamente” instalações civis e de ter utilizado bombas de fragmentação no final do conflito.
Para Irene Khan, “o facto de Israel ter igualmente cometido violações graves não justifica, de modo nenhum, as violações levadas a cabo pelo Hezbollah. Os civis não podem pagar o preço da conduta de cada campo”.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Triste Realidade


Os conhecimentos e aptidões da população adulta portuguesa não podiam ser piores: estamos em último lugar, entre 30 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no que se refere ao tempo médio que os cidadãos com mais de 25 anos passaram na escola. O indicador contabiliza em oito e meio os anos gastos em regime de educação formal no País, contra uma média global de 11,9 em todos os países.
Vale a pena dizer que a tendência está a mudar: a faixa etária dos 25 aos 34 anos apresenta uma subida de mais de 20 pontos percentuais, em relação ao grupo dos 45/54 anos, no que se refere à frequência do ensino secundário. Mesmo assim, os que realmente concluem o 12.º ano são apenas 40% dos indivíduos deste grupo etário. E 25 % do total da população portuguesa, contra 67% da média da OCDE. A manter-se a taxa de crescimento anual, estaremos a par da actual realidade dos outros países em 2013.
As más notícias e a perspectiva evolutiva pertencem ao relatório anual da OCDE dedicado ao ensino, Education at a Glance 2006. Na lista das qualificações da população adulta somos seguidos pelo México e Turquia, penúltimo e antepenúltimo lugares - países onde, tal como no nosso, mais de metade da população entre os 25 e os 64 anos não completou o secundário. No topo da escala surge a Noruega, onde a permanência média no sistema educativo é de quase 14 anos, seguida da Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos.
O relatório, extenso e dedicado a 26 indicadores principais, repartidos por 30 países, aborda também a polémica questão da Matemática. Portugal destaca-se mais uma vez pela negativa: é o segundo país da OCDE que menos tempo dedica à disciplina e às competências da língua materna no currículo do 2.º ciclo do Ensino Básico, a par com a Irlanda. Reportando-se a dados de 2004, o relatório assinala que apenas 12% do currículo dos alunos portugueses entre os nove e os 11 anos é consagrado à Matemática, menos 4% do que a média dos países analisados. Atrás de nós só a Austrália, que dedica 9% do tempo de aulas aos números - e 13% à sua língua materna, logo seguida por Portugal, com apenas 15%.
Mas há outros dados interessantes no que respeita à proficiência dos alunos portugueses com os números. Apenas 6% conseguiu atingir os dois níveis mais elevados de competência matemática do PISA 2003, outro estudo da OCDE dedicado apenas à disciplina - concentrando-se a quase totalidade dos alunos nos níveis mais baixos. A explicação tem mais a ver com as diferenças dentro de cada escola - isto é, alunos com a mesma idade mas retidos em diferentes níveis de escolaridade, devido a reprovações - do que entre escolas. No entanto, quando há assimetrias entre as instituições de ensino, estas estão anexadas a uma certa estratificação económica, social e cultural.
Apesar de terem menos tempo de aulas na maioria das áreas, os alunos portugueses passam mais horas na escola do que a média dos países da OCDE. Veja-se o exemplo do 2.º ciclo, com as crianças entre os nove e os 11 anos a passarem 874 horas por ano na sua instituição de ensino, mais 66 do que a média dos países analisados. Quanto aos gastos, em Portugal são 4 422 euros bem contabilizados por estudante, desde o ensino básico até ao superior: o País consegue o 23.º lugar entre todos os países no que se refere a este indicador. Abaixo da média da totalidade dos países, claro, que é de 5 381 euros por aluno. Uma salvaguarda: apesar de ser menos do que o que os outros gastam, esse montante representa para Portugal uma maior fatia do Produto Interno Bruto per capita do que para esses mesmos países. Aqui, a questão é mesmo relativa. DN.

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro


Comemora-se hoje o quinto aniversário dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono.
Cinco anos depois, há mais terrorismo, há mais mortes, há mais guerras, há menos liberdade, há mais violações dos Direitos Humanos e há mais violação de direitos constitucionais.
Cinco anos depois, deveríamos viver num mundo mais seguro mas aparentemente, a subtracção da liberdade não nos deu segurança. Como alguém já disse, quem troca a liberdade pela segurança, não merece nenhuma delas.
Cinco anos depois do maior ataque terrorista de sempre, o alegado autor, Bin Laden, continua à solta, apesar de duas guerras, Afeganistão e Iraque, milhares de vidas ceifadas e milhões de dólares gastos para a sua captura.
Cinco anos depois e nunca até hoje, as pessoas estiveram tão em desacordo, quanto à identidade dos verdadeireiros autores dos atentados, daquela manhã fatídica.

Se por um lado, na imprensa de referência, surge com clara evidência, a versão de um ataque terrorista efectuada pela Al-Qaeda, por outro lado alimentada pela Internet, surge a versão de um golpe terrorista, levado a cabo pelo aparelho de estado dos Estados Unidos da América.
Uma sondagem da Scripps-Howard Foundation, revelou, na semana passada, que 36 por cento dos americanos acham ser “provável” ou “muito provável” que a administração tenha sido cúmplice dos ataques de 11 de Setembro, ou participaram na conspiração ou não actuaram para evitar a sua execução. O mesmo inquérito indicava que 16 por cento da população acredita que o colapso das Torres Gémeas foi despoletado por explosivos, e 12 por cento considera que o Pentágono foi atingido por um míssil e não por um avião.

Existem duas versões claramente distintas dos ataques terroristas:

Versão Oficial

Eram 8h46 quando um Boeing 757 da American Airlines chocou contra a torre norte do World Trade Center. Cerca de um quarto de hora depois, às 9h03, já com todas as televisões em directo do local, um segundo aparelho, um Boeing 767 da United Airlines colidiu na torre sul. Imagens de terror, que arrepiaram todo o Mundo, cujo o assombro foi amplificado com o desmoronamento do edifício, cerca de hora e meia mais tarde.
Entretanto, meia hora depois do segundo embate no World Trade Center, um terceiro avião desviado despenhou-se sobre o Pentágono, em Washington.
Mais meia hora e um quarto aparelho caiu num campo aberto na Pensilvânia, o quarto ataque, que teria como alvo o Capitólio ou a Casa Branca, acabou por ser gorado pelos próprios passageiros do voo 93 da United Airlines, que já sabiam o que acabara de acontecer em Nova Iorque.
Quase 3.000 pessoas morreram: 2.602 no World Trade Center, 125 no Pentágono e 246 nos quatro aviões desviados.
O ataque foi reivindicado um ano depois pela Al-Qaeda, mas desde logo o seu líder Bin Laden foi apontado como o principal suspeito.
Por detrás dos maiores atentados terroristas de sempre, estiveram 19 jovens árabes extremistas que, armados com x-actos, canivetes e latas de ‘spray’ de pimenta, sequestraram e desviaram quatro voos domésticos. Ter-lhes-á bastado menos de 400 mil euros para levar a cabo a acção.

Versão Não Oficial

As Torres Gémeas vieram abaixo por demolição controlada com explosivos pré-posicionados e não devido a choques de aviões.
O edifício 7 do complexo do World Trade Center, onde não se verificou qualquer choque de avião, também veio abaixo por demolição controlada.
O Pentágono foi atingido por um míssil e não por um Boeing 757, ironicamente, no dia em que comemorava o 60º aniversário do início da sua construção.
No local onde se afirma ter-se despenhado o Voo 93 da United Airlines só ficou uma pequena cratera com seis metros de diâmetro e um amontoado de lixo que de forma alguma poderia pertencer ao Boeing 757.

Quase 3.000 pessoas morreram: 2.602 no World Trade Center, 125 no Pentágono e 246 nos quatro aviões desviados.
A Al-Qaeda foi uma criação dos serviços secretos americanos.
Por detrás dos maiores atentados terroristas de sempre, estão os antigos membros do think tank neoconservador Project for a New American Century (PNAC), Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Jed Bush, George Tenet e Donald Rumsfeld, que controlam actualmente a administração Bush, e que diziam no seu relatório de 2000, "O processo de transformação, mesmo que provoque mudança revolucionária, provavelmente será longo (O início de Um Novo Século Americano) se faltar um evento catastrófico e catalisador como um novo Pearl Harbour" (in Rebuilding America's defences: strategies, forces and resources for a New American Century).


Estas versões são irremediavelmente antagónicas, no entanto não tenho dúvidas, que no dia 11 de Setembro de 2001, os quatro atentados terroristas mataram quase 3000 inocentes.
Quanto à autoria dos atentados, não consigo responder claramente, se foi perpetrado pela Al-Qaeda, pelos Neo-conservadores do PNAC ou pelas agências de inteligência americanas, tais como a NSA, o FBI e a CIA..

quinta-feira, setembro 07, 2006

Terroristas na Festa do Avante!


O convite do Partido Comunista Português às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia- Exército do Povo (FARC-EP), para estar presentes na festa do Avante, representa um acto, que devemos condenar veemente.
As FARC-EP são, na realidade, uma organização mafiosa não uma organização revolucionária. A principais fontes de financiamento das FARC-EP são o tráfico de droga, os sequestros e as extorsões.
Segundo a Human Rights Watch os combatentes das FARC-EP são na sua esmagadora maioria crianças entre os 12 e os 18 anos. As crianças que tentarem escapar das suas fileiras, são punidas com tortura e a pena de morte.
Além de tudo o que já foi dito, é obrigatório acrescentar que as FARC-EP, são sucessivamente acusadas pela Amnistia Internacional, como uma das organizações que mais viola os Direitos Humanos.
Por último, mas não menos importante e nunca é de mais repetir, as FARC-EP são consideradas pela União Europeia, como uma organização terrorista e é, em conformidade com este estatuto que devem ser tratadas.

terça-feira, setembro 05, 2006

Freddie Mercury


Se fosse vivo, Freddie Mercury faria 60 anos hoje. Líder incontestado dos lendários Queen, Freddie Mercury, continua a ser uma figura incontornável e inesquecível, da cena musical mundial. Possuidor de um forte carisma, que punha na sua música, especialmente nas suas actuações ao vivo, arrastava multidões que o idolatravam.
Freddie Mercury nasceu a 5 de Setembro de 1946 em Zanzibar, actual Tanzânia, foi baptizado com o nome Farookh Bulsara. Os seus pais, Bomi e Jer Bulsara, eram britânicos. Foi educado na St. Peter Boarding School, na Índia, onde começou a tocar piano aos oito anos. Foi na escola que ele começou a ser chamado "Freddie"; com o tempo até os seus pais o passaram a chamar assim. Aos onze anos, foi campeão de ténis de mesa e ganhou o prémio de aluno com mais capacidades artísticas. Em 1964, a família Bulsara muda-se para Inglaterra, devido a uma revolução sangrenta na Tanzânia. Matricula-se no Ealing College Of Art em Londres, onde se forma em artes gráficas em 1969. Freddie dotado de uma enorme sensibilidade artística, começa-se a interessar pela música Pop. Fez as suas primeiras composições em grupos como Sour Milk Sea e Wreckage.
Freddie teve como colega no Ealing College, Tim Staffel, um baixista que tinha uma banda chamada Smile. Um dia Tim leva Freddie a um dos ensaios dos Smile, e conhece Brian May e Roger Taylor. Brian May e Roger Taylor andavam insatisfeitos e queriam abandonar o projecto Smile. Nessa altura Freddie Mercury virou-se para Brian May e Roger Taylor e disse-lhes "Porque é que vocês perdem tempo a fazer isto? Vocês são capazes de coisas bem mais originais. Aliás, se eu fosse o vocalista da vossa banda , era o que eu estaria a fazer". Predispuseram-se a formar uma banda com Freddie Mercury. Durante o ano de 1970 ensaiaram e compuseram. A necessidade de encontrarem um baixista que se adaptasse ao grupo levou-os a experimentarem seis baixistas num curto período de tempo, até que conseguiram dar com John Deacon . A banda estava formada, Freddie dá-lhe o nome de Queen. Os primeiros dois álbuns da banda, “Queen I” e “Queen II”, passaram praticamente despercebidos do grande público. Só em 1973 o mundo conhece os Queen com “Killer Queen”. Em 1975, editam aquele que é um dos mais carismáticos singles da banda “Bohemian Rhapsody”, retirado do álbum “ A Night at The Opera”, tema que pela sua diferente estrutura, um misto de rock e ópera, e longa duração já mais estaria destinado a single não fosse a sua teimosia. O certo é que “Bohemian Rhapsody” chegou aos 1ºs lugares dos Tops de Inglaterra e por lá ficou durante 9 semanas. A partir deste momento foi um somar de grandes êxitos mundiais sem interrupções, desde o fundamental “We Are The Champions”, hino dos vencedores em todas as competições desportivas, passando pelo rock duro de “We Will Rock You” ou ainda “Another One Bites The Dust”. Os Queen atingem o sucesso em vários estilos musicais.
Em 1979, uma canção escrita por ele triunfa em todo o mundo, tornando-se num estrondoso êxito. Estamos a falar de “Crazy Little Thing Called Love”. Em 1981, os Queen editam “Greatest Hits I”, que se mantém nos Top's ingleses durante 165 semanas. No mesmo ano, fazem a primeira digressão na América do Sul, onde dão concertos nos maiores estádios de futebol. No palco, Freddie dava tudo de si, "Eu sou tão poderoso no palco que parece que criei um monstro. Quando estou no palco, sou extrovertido, mas lá por dentro sou um gajo completamente diferente" e como tal, os espectáculos dos Queen eram sempre um acontecimento. Eles foram conhecidos como os percursores dos concertos de estádio, um desses momentos inesquecíveis foi o concerto que deram em S. Paulo no Brasil, para 231.000 pessoas. Um recorde mundial naquela altura. Foram eles também a chave para a inovação nos videoclips com duração de 3 minutos. Os videoclips tornaram-se cada vez mais aventureiros no estilo, tamanho e conteúdos. O sucesso estrondoso dos Queen continua através dos anos 80 e atinge o auge com a estrondosa actuação no Live Aid em 1985. Mas Freddie nunca parava, as ideias fervilhavam na sua mente e por isso e a par dos Queen começa a concentrar-se na sua carreira a solo, é assim que em 1985 edita o álbum Mr Bad Guy.
Os Queen fazem a última digressão em 1986 promovendo o álbum “A Kind Of Magic”. Foram a primeira grande banda de rock a actuarem para lá da Cortina de Ferro, com um monumental concerto na capital húngara, Budapeste, porém esta digressão atinge o auge mais tarde, com o mítico concerto no estádio do Wembley, onde Mercury arrasa e faz a sua última grande actuação, recusando o epíteto de mito com que um jornalista da BBC o rotulou: “Sou apenas uma prostituta musical, querido”. Em 1988, torna-se realidade um dos seus maiores sonhos, fazer um dueto com a grande diva Monserrat Caballé, e assim nasce o clássico e inesquecível Barcelona, que viria a ser o tema oficial dos Jogos Olímpicos de 1992.
Nestes anos Freddie raramente aparece publicamente, correm os primeiros rumores que pode estar a sofrer de uma doença grave. É lançado “The Miracle” em 1989 e “Innuendo”, em 1991, último álbum a ser editado durante a vida de Freddie. Nos videoclips deste período Freddie aparece extremamente magro e debilitado. Despede-se dos fãs em “Thease Are The Days Of Our Lives” que é a sua última aparição em vídeo. Freddie Mercury era exuberante e dado a excessos, "Gosto de levar uma vida de extremos, é a minha natureza. Ninguém me diz o que eu devo fazer ou deixar de fazer", e esses excessos, fizeram com que ele partisse prematuramente. A 23 de Novembro de 1991, anuncia que sofre de SIDA: "Bem, resolvi confirmar ao público as suspeitas que a imprensa vem levantando há algumas semanas: Tenho SIDA e venho lutando contra essa doença há alguns anos. Espero que daqui para a frente todos se consciencializem e se unam para enfrentar esse terrível mal".
A 24 de Novembro de 1991, a morte apareceu, precisamente 24 horas após ter comunicado oficialmente que era seropositivo.
Em 1995 é editado “Made In Heaven” álbum que reúne os últimos registos musicais de Freddie Mercury.
Freddie Mercury, continua vivo na memória de todos os que gostam do fenómeno rock, e as suas palavras, aos outros membros dos Queen em 1970 vieram a dar-lhe razão: "Não serei famoso. Serei uma lenda".

sábado, setembro 02, 2006

O Independente


O jornal "O Independente" saiu ontem para as bancas pela última vez.
Nestes 18 anos, nunca tinha comprado "O Independente".
Hoje, como trazia boas notícias...comprei!

Fotografias Sem História

Fotografia EPA/Channel 4

"George W. Bush "Assassinado"

A estação de TV inglesa, Channel 4, divulgou esta imagem, que diz respeito a um documentário onde se mostra, de forma ficcionada, o assassinato do presidente norte-americano George W. Bush por parte de um atirador de elite, durante uma manifestação contra a Guerra do Iraque. Intitulado "Death of a President" este documentário já suscitou muitos protestos mas o canal de televisão mantém a sua posição e vai transmiti-lo.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Naguib Mahfouz


EPA/STR
O escritor egípcio Naguib Mahfouz, prémio Nobel da Literatura em 1988, morreu hoje no Cairo, indicaram fontes oficiais à agência France Presse.
O único escritor de língua árabe premiado com o Nobel da Literatura, era considerado pela crítica o maior cronista do Egipto da actualidade.
O mais novo de sete filhos de um funcionário público, Naguib Mahfouz, nascido a 11 de Dezembro de 1911, casado e pai de duas filhas, adquiriu um profundo conhecimento da literatura medieval e arábica durante o bacharelato. Quando frequentava a Universidade Rei Faruk I (a actual Universidade do Cairo), onde estudou Filosofia, começou a escrever artigos para revistas especializadas, como Al-Mayal, Al-Yadid e Ar- Risala.
Em 1932, para aperfeiçoar o domínio da língua inglesa, traduziu para árabe a obra de James Baikie sobre o Egipto antigo. Terminados os estudos, começou a escrever ficção e publicou bastantes contos nos anos seguintes. Em 1938, lançou uma colectânea intitulada "Whisper of Madness (Sussurro de Loucura)".
Entre 1939 e 1954, enquanto trabalhava no Ministério de Assuntos Religiosos, publicou três volumes de uma projectada série de 40 novelas históricas passadas no período faraónico.
Posteriormente, abandonou esse projecto e dedicou-se a escrever sobre temas sociais, ao mesmo tempo que elaborava vários guiões para cinema. A esta fase pertence, por exemplo, o filme "Bidayah wa-Nihayah (O princípio e o fim)", que contou com a participação de um jovem Omar Sharif.
Naguib Mahfouz é considerado um dos escritores árabes contemporâneos mais inovadores, sendo o tema central das suas novelas o homem e a sua impotência para lutar contra o destino e certas convenções sociais. Em 1947, lançou o romance "A Viela de Midaq", que se tornou uma das suas mais obras mais famosas, passada para o grande ecrã pelo realizador mexicano Jorge Fons, que a situou no México actual e com a qual ganhou o Prémio Goya para o Melhor Filme Estrangeiro de Língua Espanhola em 1996.
No clima de mudança política que se seguiu à queda da monarquia egípcia, em 1952, a sua "Trilogia do Cairo" (1956-1957) obteve um grande êxito. A obra é inspirada na sua biografia e narra a história de uma família humilde durante o período entre 1917 e 1944 no Egipto.
Apelidado como "Balzac do Egipto", fez, ao longo da sua carreira, experiências com a técnica narrativa e, em especial, com o monólogo e a literatura do absurdo, numa produção que inclui cerca de 40 novelas e colecções de contos, na maioria traduzidos em inglês e francês.
Mahfouz foi também um escritor politicamente comprometido, tendo manifestado apoio incondicional ao tratado de paz entre o Egipto e Israel em 1978, o que lhe custou a inclusão nas listas negras de vários países árabes.
No final da década de 80, o líder islâmico radical Omar Abdel Rahman, actualmente na prisão pelo atentado às Torres Gémeas de Nova Iorque em 1993, condenou-o à morte pelo seu mais famoso romance, "Children of Gebelaawi (Filhos do Nosso Bairro)".
Esta obra, que lhe valeu o reconhecimento mundial, está, paradoxalmente, proibida no Egipto, desde a publicação em 1959 de vários fragmentos num jornal diário do país.
Mahfouz foi, além disso, alvo de vários atentados. Em 1994, foi apunhalado no pescoço por um fundamentalista e dois anos mais tarde foi classificado como "herege" e sentenciado à morte por grupos islâmicos radicais. Desde então, permaneceu praticamente em reclusão domiciliária, com saídas esporádicas e controladas pela polícia.
Em 1988, a Academia Sueca galardoou-o com o Prémio Nobel da Literatura, por "ter elaborado uma arte novelística árabe com validade universal". Conta ainda, entre outros, com o Prémio da Academia da Língua Árabe e o Prémio Egípcio da Literatura. Candidato ao Prémio Príncipe das Astúrias em 2000, deu o seu nome a um Prémio de Tradução promovido pelo Instituto Cervantes.
Há três anos, foi hospitalizado depois de sofrer uma repentina crise cardíaca. A sua saúde começou a deteriorar-se em 1994, após o esfaqueamento, que lhe causou graves danos na visão e audição, bem como uma paralisia do braço direito.
Desde o passado 18 de Julho, encontrava-se internado no Hospital da Polícia de Al Aguza, no Cairo.Lusa.

terça-feira, agosto 22, 2006

Joe Rosenthal

Joe Rosenthal nasceu em 9 de Outubro de 1911 em Washington. Durante a Grande Depressão mudou-se para São Francisco, onde começou a trabalhar no Newspaper Entrepise Association. Depois de concluir o curso universitário foi trabalhar para o San Francisco News onde trabalhou como redactor e fotógrafo. Na altura da célebre fotografia ("Raising the Flag on Iwo Jima"), Joe Rosenthal trabalhava para a Associated Press. Depois da Segunda Guerra Mundial mudou-se para o San Francisco Chronicle, onde trabalharia 35 anos até se reformar. Ontem o San Francisco Chronicle, anunciou que, Joe Rosenthal, morreu. Tinha 94 anos e morreu enquanto dormia no domingo, num um asilo para idosos em Novato, Califórnia.
Joe Rosenthal ficou mundialmente conhecido pela fotografia dos marines americanos a colocarem a bandeira americana em Iwo Jima (Japão). Rosenthal, ganhou o Prémio Pulitzer com a lendária foto, tirada no dia 23 de Fevereiro de 1945, quando trabalhava como correspondente de guerra da Associated Press.
A fotografia a preto e branco, mostra seis soldados esforçando-se para içar um mastro com a bandeira americana no Monte Suribachi, durante a batalha pela estratégica ilha de Iwo Jima, na qual morreram quase 20 mil japoneses e mais de seis mil norte-americanos.
Rosenthal, teve que lutar durante toda a vida contra aqueles que diziam que a fotografia tinha sido foi forjada. Joe Rosenthal sempre afirmou que o momento foi espontâneo. No entanto, numa uma entrevista de 1995, explicou que aquela fora a segunda vez que os marines erguiam a bandeira no monte porque os comandantes das forças americanas quiseram colocar uma bandeira maior que a içada originalmente.

Uma Causa Nobre

O músico João Gil lançou uma petição no seu blog (http://joaogil.blogspot.com/) a pedir a aprovação de uma lei que proíba a transação comercial de terrenos vitimas de incêndios num prazo nunca inferior a trinta anos.
Diz João Gil, "Acreditando ser esta uma das soluções para o fim do flagelo, vimos por este meio pedir ao Sr. Primeiro-Ministro e ao Sr. Presidente da República a proibição imediata da comercialização dos terrenos ardidos, por um período nunca inferior a trinta anos".
Por estar completamente de acordo com esta iniciativa já a assinei.
Se quiserem assinar a petição, vão aqui: Fim para os incêndios.

sábado, agosto 19, 2006

Sérgio Vieira de Mello


(15 de Março 1948 – 19 de Agosto 2003)
Passam hoje três anos sobre o brutal atentado que vitimou Sérgio Vieira de Mello. À frente de importantes missões humanitárias da ONU no Líbano, no Ruanda, em Timor Leste, no Kosovo e no Iraque, Sérgio Vieira de Mello era uma das mais respeitadas figuras da diplomacia internacional.
A sua actividade profissional, até a sua trágica morte em 19 de Agosto de 2003, esteve dedicada à reconstrução de comunidades que sofreram as nefastas consequências de guerras e de violências extremas. O carácter humanista de sua formação, associado ao seu talento para a negociação e a defesa da democracia mesmo em situações adversas, foram factores chave do sucesso de muitas de suas iniciativas.
Sérgio Vieira de Mello nasceu no Rio de Janeiro em 15 de Março de 1948. Com menos de um mês de vida mudou-se para Buenos Aires, onde o pai era diplomata.Formou-se na Universidade de Paris em 1969, e nesse mesmo ano entrou para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em Genebra, Suíça.Na década de 70, simultaneamente com os estudos em Paris, trabalhou em missões da ONU em Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique e Peru.
Em 1974, Vieira de Mello completou o seu doutoramento em Filosofia em Paris e, na década seguinte, terminou o doutoramento em Ciências Humanas na Universidade de Sorbonne, também na capital francesa. No início dos anos 80, foi conselheiro político das Nações Unidas no Líbano, durante a ocupação israelita.
Nos anos 90, Vieira de Mello actuou na repatriação de refugiados do Camboja e foi representante das Nações Unidas na Bósnia-Herzegovina.
Teve também uma importante participação como administrador do governo de transição do Timor Leste, até que fossem feitas as primeiras eleições no recém-criado país.
Em 12 de Setembro de 2002, foi nomeado Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU e, em Junho de 2003, tornou-se representante especial do secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, para o Iraque.
Perdeu tragicamente a vida, num ataque terrorista no dia 19 de Agosto de 2003.
O seu exemplar desempenho, em defesa dos direitos e dos valores humanos, inspira a perpetuação da sua memória.

quinta-feira, agosto 03, 2006

...E as Crianças, Senhor...


“As sociedades não se mudam pela força das armas, é esse o grande erro que, de geração em geração, se continua a cometer. Não é a força militar que deve constituir a panaceia para resolver todos os problemas, porque a violência para resolver os conflitos é contrária á dignidade humana. A discussão e o diálogo são os meios que abrem a via pacífica para terminar com a violência. Como parte da sociedade temos o direito de nos salvarmos por nós mesmos sem que as armas falem por nós. Já sei que isto é quase uma utopia mas não de todo inalcançável. “ Citação do Livro "Um mundo sem medo", de Baltazar Gárzon – Juiz Espanhol.
Sempre procurei manter alguma objectividade relativamente aos problemas quando se estão a discutir assuntos relacionados com Israel. Por um lado penso que os israelitas agem indiscriminadamente e com violência gratuita protegidos por uma espécie de complexo de culpa do ocidente, que os faz desculpabilizar alguns actos, face ao holocausto, por outro lado, os países fronteiriços para fazerem ouvir as suas pretensões, recorrem a métodos igualmente bárbaros. Não há, por isso, ninguém inocente. Ás vezes revela-se impossível manter a sanidade perante tantas mortes inocentes. Se a guerra já é, em si mesmo, uma perversão da alma humana, a perversão última é a aparente indiferença perante o facto de que, por incrível que pareça, os danos colaterais terem passado a ser os soldados mortos, a julgar pelos números dos ataques.
Faço parte do grupo de pessoas que deseja efectivamente a paz e a sã convivência entre os povos. Só que estes ataques estão a condicionar tudo. As nossas fileiras estão a perder adeptos e, claramente, não estão a ajudar as facções moderadas a prevalecerem. Muito pelo contrário. Temo que a escalada de violência arraste outros países para o conflito e que piore a situação. Pode estar iminente algo com dimensões mundiais com consequências a um nível nunca antes visto. Já não bastavam as condições de vida inerentes á localização geográfica, a falta de recursos que permitam a melhoria da qualidade de vida, ainda tem que se suportar uma situação da responsabilidade dos Homens, sem solução á vista.
Assim, com o passar do tempo o problema agrava-se quando se percebe que se alguém cede na sua posição moderada ao extremismo, normalmente torna-se mais extremista que os que já o eram, pois é como se tivesse de provar aos que agora o rodeiam, e em cada momento da sua vida, a sua nova postura. Por outro lado, matar os cabecilhas nada resolve. Seguindo o mesmo raciocínio, quem os substitui, vê-se na contingência de ser mais violento, para provar ser merecedor do lugar que ocupa. Como em qualquer empresa, a sua competência é avaliada na medida em que consegue superar o seu antecessor e, como o negócio é a violência, só recorrendo a formas mais requintadas, pode almejar a consegui-lo. Seguindo esta lógica e se nada se alterar, o contínuo extremar de posições, perpetuará a situação até que, no limite, as partes se exterminem.
As reacções à violência são compreensíveis. E o amor tem destas coisas. Quando nos privam do que amamos, o discernimento não é algo que prevaleça, principalmente quando o sofrimento se impõe de forma tão violenta. Quase não há ninguém que possa de alguma forma ajudar a suportar a dor, pois toda a gente está a sofrer de forma intensa pelos mesmos motivos. A morte torna-se uma banalidade. Não se conseguem desligar as imagens e a sensação de impotência perante os acontecimentos. Não é fácil assimilar o sofrimento e o sentimento de culpa, resultante da incapacidade em proteger os seres amados. Isto é algo que transporta em si um sentimento de tal forma avassalador que viver se torna uma agonia. Para atenuar as coisas desviam-se as frustrações para terceiros. Não existem perspectivas para as coisas se alterarem e, por isso, nunca há um desfecho para que a vida possa continuar, ainda que isto seja um lugar comum. Surgem continuamente casos semelhantes e todos revivem o seu problema como se da primeira hora se tratasse.
É difícil compreender o desespero de quem convive diariamente com tal nível de violência. De dia qualquer som que se pareça com uma arma, provoca sobressaltos de verdadeiro terror. É como se se caminhasse em permanência com uma arma apontada á cabeça e nunca se soubesse quando ia disparar, embora se sentisse que era uma questão de tempo. A incerteza conjugada com a inevitabilidade. A morte em lugar incerto. À noite, os pesadelos, os suores frios e o silêncio ensurdecedor em que qualquer som soa a ameaça. Ninguém dorme. Na escuridão, que potencia todos os medos quando todas as formas são indefinidas, este clima de morte latente torna-se insuportável.
As crianças acordam de pesadelos em choros sufocantes e perguntam porquê. Não há resposta. Embora saiba que algures em Israel ou em qualquer lugar do mundo, qualquer criança que pergunte a qualquer pai, obterá como resposta um longo silêncio ou uma referência vaga á maldade dos homens, ou então uma explicação fundamentada numa visão do mundo toldada por um qualquer sentimento de vingança de quem já não reage á violência sobre os inocentes. É destas convulsões que se geram as tendências para os mártires. Estou convencido que todos ganhariam mais se os de convicções fortes ajudassem a implementar uma nova ordem local, mais humanitária.
Ainda que se aprenda a conviver com a diferença e cesse a violência, os ressentimentos e a desconfiança vão fazer sentir os seus efeitos por muitos anos. Será uma tarefa árdua, mas valerá a pena acabar com as fotografias das mortes que se vão sucedendo a um ritmo desconcertante. Parece que é, nesta fase, muito mais fácil partir para a guerra e esquecer que os outros também têm sentimentos. É um profundamente narcisista pensar que se possui a exclusividade da dor.
Por isso mesmo, as questões sociológicas deveriam merecer maior atenção e servir de base ao aparecimento de um espírito comunitário na região. Se pensarmos que os israelitas têm um nível de vida incomparavelmente superior ao da esmagadora maioria dos países muçulmanos e, se o objectivo dos governos é trabalhar em prol do desenvolvimento económico e social em benefício das populações, então as parcerias são a melhor maneira de o fazer. A região é pobre. Os israelitas fizeram de um enorme pedaço de areia um país evoluído. Aliaram-se ao Conhecimento e conseguiram um feito notável. Não interessa a dimensão das críticas, esta é a grande verdade que é necessário sublinhar. Criar sinergias que permitam ás pessoas ter condições de vida que garantam uma existência digna, desde o saneamento básico, educação, saúde e segurança é a única solução para esta situação, que pode e deve ser feita em conjunto.

Filipe Pinto.

sábado, julho 29, 2006

Piadas Feministas


PORQUE É QUE O CORAÇÃO DE MULHER É IGUAL A UM CIRCO:
Há sempre lugar para mais um palhaço.
O QUE SE DEVE DAR A UM HOMEM QUE PENSA QUE TEM TUDO?
Uma mulher para ensiná-lo como funciona !
PORQUE É QUE AS ARANHAS VIÚVAS-NEGRAS MATAM O MACHO DEPOIS DA CÓPULA?
Para acabar com o ronco antes que ele comece .
PORQUE É QUE OS HOMENS QUEREM CASAR COM VIRGENS ?
Porque não suportam críticas!
COMO SE CHAMA UM HOMEM INTERESSANTE EM PORTUGAL?
Turista .
PORQUE É QUE DEUS CRIOU O HOMEM ?
Porque os vibradores não substituem lâmpadas.
O QUE TÊM EM COMUM O CLITÓRIS, OS ANIVERSÁRIOS E A SANITA?
Os homens nunca acertam !
PORQUE É QUE MUITAS MULHERES FINGEM O ORGASMO ?
Porque os homens fingem os preliminares
PORQUE É QUE APENAS 10% DOS HOMENS VÃO PARA O CÉU?
Porque se fossem todos, seria o inferno !
QUAL A DIFERENÇA ENTRE HOMENS E PORCOS ?
Os porcos não ficam homens quando bebem ...
QUAL A DIFERENÇA ENTRE UM HOMEM E UM PAPAGAIO?
Pode-se ensinar o papagaio a falar cordialmente .
O QUE AS MULHERES MAIS ODEIAM OUVIR QUANDO ESTÃO TENDO SEXO DE BOA QUALIDADE?
Querida, cheguei! ....
PORQUE É QUE OS HOMENS NA CAMA SÃO COMO COMIDA DE MICROONDAS ?
30 segundos e já está pronto !
QUAL O NOME DA DOENÇA QUE PARALISA AS MULHERES DA CINTURA PRA BAIXO?
Casamento .
O QUE ACONTECEU À MULHER QUE CONSEGUIU ENTENDER OS HOMENS?
Morreu de tanto rir e não teve tempo de contar a ninguém.
PORQUE É QUE OS HOMENS TÊM A CONSCIÊNCIA LIMPA ?
Porque nunca a usam!
O QUE ACONTECE COM UM HOMEM, QUANDO ENGOLE UMA MOSCA VIVA ?
Fica com mais neurónios activos no estômago do que no cérebro!
PORQUE FOI QUE DEUS CRIOU PRIMEIRO O HOMEM, E DEPOIS A MULHER?
Porque as experiências são feitas primeiro com animais e depois com humanos!
PORQUE È QUE OS HOMENS GOSTAM DE MULHERES INTELIGENTES?
Porque os opostos atraem-se!
QUAL O LIVRO MAIS FINO DO MUNDO ?
"Tudo o que os homens sabem sobre as mulheres".
QUAL A DIFERENÇA ENTRE OS HOMENS E AS FRUTAS?
Um dia, as frutas amadurecem...
ATÈ AS PILHAS SÃO MELHORES QUE OS HOMENS?
Porque tem pelo menos um lado positivo..
PORQUE É QUE UM HOMEM NÃO PODE TER UM BOM CARÁTER E SER INTELIGENTE AO MESMO TEMPO?
Porque assim seria mulher !
O QUE DEUS DISSE DEPOIS DE CRIAR O HOMEM ?
Preciso de aperfeiçoar isto...
PORQUE SÃO NECESSÁRIOS MILHÕES DE ESPERMATOZÓIDES PARA FERTILIZAR UM ÚNICO ÓVULO ?
Porque os espermatozóides são masculinos e negam-se a perguntar o caminho!
QUANDO É QUE UM HOMEM PERDE 90% DE SUA INTELIGÊNCIA ?
Quando fica viúvo !
E QUANDO É QUE ELE PERDE OS 10% RESTANTES ?
Quando morre o cão!
PORQUE È QUE CADA VEZ HÀ MAIS HOMENS A QUERER MUDAR DE SEXO?
Porque confirmaram tudo o acima descrito AH..AH..AH..AH.

Piadas Feministas (II)

segunda-feira, julho 24, 2006

Fracas Perspectivas

Há momentos na vida em que nos pomos a pensar sobre o futuro. Imensas coisas fazem divagar o nosso pensamento para este assunto, mas nada mais forte do que quando nos nasce um filho. Ela nasceu há dias, juntou-se à irmã e, em conjunto, tornaram-se a minha proximidade com o divino. Não é uma afirmação com um carácter especial, apenas acho que se existir alguma divindade, aquilo que lhe garante esse atributo é, em primeiro lugar, a capacidade de criar vida. E, de certa forma, foi o que eu fiz. A diferença, que é obviamente tremenda, é que eu criei uma vida e não vida.
Nestes momentos que deveriam ser quase só felicidade, sou assolado por sentimentos ambivalentes. É desconcertante avaliar a actual conjuntura planetária e não ficar, no mínimo apreensivo, relativamente ao futuro das vidas que criamos. Desde as guerras que estão a decorrer, ao fanatismo terrorista e antiterrorista, ao mundo da economia, à aviltante pobreza dos países do terceiro mundo, à degradação ambiental do planeta, tudo é motivo para um pessimismo realista. Tentar explicar à inocência as suas incongruências é uma tarefa impossível de cumprir sem que durante a explicação, a própria inconsistência com que a construímos não nos invada a alma.
As guerras. A primeira vez que tomei a noção da iniquidade da guerra foi há muitos anos num programa do Jô Soares, num Sketch que nunca mais me saiu da cabeça. A estória centrava-se na conversa entre dois militares inimigos. Um perguntava ao outro qual era o prato favorito do seu povo, qual era o desporto favorito, etc. um sem número de coisas em que a resposta de ambos era invariavelmente igual. No fim da conversa pergunta um deles. Se temos as mesmas preferências, porque motivos nos guerreamos? A resposta veio no silêncio dos olhares quando os dirigem para as armas que constituíam a única diferença. Afastam-se muito rapidamente como se a comunidade em que se viram imbuídos, de repente caísse morta pelas balas das suas armas.

As motivações para a guerra são difusas e a razão nunca é propriedade absoluta. Serão elas de origem religiosa? Não me parece. A religião é apenas uma desculpa para escamotear o ódio por quem é diferente. Por outro lado, Deus não existe, pelo menos o Deus das religiões dos Homens. Nós, seres humanos, somos a prova disto mesmo. O que se venera do ponto de vista religioso é a perfeição divina. Ora um ser perfeito, não pode, por definição, criar nada imperfeito, sob pena de deixar de o ser. E não é mais que óbvio que nós somos imperfeitos? Não é isto um paradoxo?
Às vezes a sensação que tenho é que algumas situações de guerra são despoletadas porque têm efeitos directos sobre o preço do petróleo. Como se tudo fosse um jogo, e as marionetas são manipuladas porque todos sabem que ao mais pequeno desacato no médio oriente o preço dispara. Os custos de produção não variam na mesma medida e, por isso mesmo, quem mete mais dinheiro ao bolso são os produtores.
A economia, essa ciência transcendental, que define para que lado o planeta se deve virar não é acessível ao comum dos mortais. A sensação que dá é que é necessário um talento singular para apreender o significado de todas as suas variáveis, correlacioná-las de forma a obter uma qualquer receita para o sucesso, seja ele individual ou colectivo. O estranho é que o consenso geralmente não aparece.
A economia deixou de ser uma ciência social na era no reinado das multinacionais onde, aparentemente, aos olhos das suas cúpulas dirigentes, os restantes não passam de simples peças de um mecanismo sem alma, números que nada significam do ponto de vista humano. Os sentimentos de quem dirige possuem uma barreira que os impede de vislumbrar os dramas humanos, que normalmente sucedem aos despedimentos, como algo que deveria entrar nas suas equações no momento de tomar decisões. Há uma história notável que elucida na perfeição este aparente autismo. Na escola perguntam a uma menina rica para descrever uma família pobre. Ela reponde - é aquela em que o jardineiro é pobre, o motorista é pobre, as criadas são pobres, enfim são todos pobres.
Esta situação criou uma espécie de fenómeno Darwiniano, uma selecção natural capitalista de que resultam os marginais, os indigentes, os inadaptados e os sem-abrigo. O expoente máximo do liberalismo económico, os EUA, só na sua capital tem aproximadamente 15000 sem abrigo. Ao que parece, isto não incomoda ninguém como algo de profundamente perverso. Para que um viva bem é necessário que muitos vivam mal. Muito mal. Provavelmente, nesta era de indiferença deliberada, o mecanismo de defesa que o cérebro desenvolveu para suportar o choque emocional provocado por estas situações foi uma espécie de memória selectiva em que se atribui a culpa dos problemas a quem os tem, desresponsabilizando desta forma quem os cria e quem não os resolve.
A maioria dos economistas tem delírios quase sexuais quando sucede algo no mundo do dinheiro, desde OPAS a reestruturações nas empresas que, invariavelmente, se traduzem em despedimentos, aos quais se referem com uma frieza incomodativa, como se o deus lucro fosse a questão fundamental. Por um lado, normalmente as modificações são apenas para trocar lucros, por mais lucros. Por outro lado, ao anunciar as reestruturações, é importante dizer aos accionistas que se vão reduzir custos e aumentar os lucros. Posto isto, selecciona-se o pessoal a mandar embora, normalmente aos milhares, e toca a andar para a frente. O estranho é que nunca vi nenhum anúncio a mencionar uma empresa que, ao ser reestruturada, tivesse implicado contratação de mão-de-obra. Das duas uma, ou não é digno de ser notícia ou então nunca sucedeu. Também acontece que vão de reestruturação em reestruturação até à falência.
Ninguém consegue ter uma vida digna se não tiver dinheiro para o fazer e o emprego é para a maioria é única forma de o garantir. O sujeito que disse que o dinheiro não traz felicidade era obviamente rico, caso contrário não o poderia fazer. O pobre, por definição, não pode fazer um comentário destes. O problema é que a situação vai agravar-se e gerir a insatisfação de milhões, quando as frustrações e o ódio prevalecerem. As manifestações recentes de França são um prelúdio do que poderá suceder quando as pessoas deixarem de acreditar.
Em relação à pobreza no terceiro mundo, já muito foi dito mas como explicar ás crianças quando confrontados com o choro de alguém com fome, o choro de desespero, as mães com os seios enrugados, flácidos, precocemente envelhecidos, vazios, que pendem dos peitos como lágrimas gigantes, onde os bebés em vão procuram saciar-se, ao mesmo tempo que perscrutam em seu redor aos berros como que a implorarem por uma oportunidade para viver. Como é que se explica que coexista o desperdício de uns com a total ausência de meios de subsistência de outros? Refugiamo-nos no cliché – é a vida. Será que não se pode fazer mesmo nada? Será que se vai manter a inércia perante esta desumanidade?
As questões ambientais também já foram sobejamente debatidas. No entanto num recente relatório da OCDE dizia que até ao ano 2030 o consumo de energia no mundo inteiro vai aumentar 60%. A dependência do petróleo implica que a emissões dos gases de estufa também aumentem 60%. Se neste momento as alterações climáticas já têm um impacto significativo sobre o planeta fruto das emissões, que já se deveriam ter começado a reduzir, esse aumento provavelmente levar-no-à a um ponto sem retorno. Só que não é a nós mas sim ás gerações vindouras, se as houver, que isto interessa pois o ponto sem retorno significa certamente a extinção.
Estamos a destruir o planeta e a fazer filhos para que vivam nele, e estes que se preparem para resolver os problemas que nós criamos. A nossa geração vive uma vida patética, absorvida numa luta diária para a acumulação de riquezas e o futuro são os próximos cinco minutos. Já agora podemos ir preparando o discurso a pedir perdão aos nossos descendentes pelo mal que fizemos, é que caminhamos para um ponto além da possibilidade de redenção. A História, caso seja possível continuar a escreve-la, não se irá referir a esta era como uma particularmente feliz da humanidade, onde existem os meios para fazer quase tudo o que é necessário para melhor a vida no planeta e nada é feito. Ora como quem vai resolver os problemas é quem vai escrever a História, só posso imaginar os termos com que seremos descritos. Se a época medieval foi a idade das trevas, nós seremos algo muito pior.

Filipe Pinto.

sexta-feira, julho 21, 2006

LUCAS 23:34*

Crianças Israelitas escrevem mensagens em peças de artilharia pesada, antes do ataque de 17 Julho de 2006, por parte do exército israelita ao Líbano.



As crianças libanesas, recebem as mensagens enviadas, pelas crianças israelitas!





*Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.

quarta-feira, julho 19, 2006

Nelson Mandela


O ex-presidente Nelson Mandela comemorou ontem os seus 88 anos. Ao contrário dos últimos 16 anos, o líder histórico passou o dia longe das máquinas fotográficas sem manifestações públicas. O 88º aniversário do mais famoso combatente sul-africano desperta a consciência nacional para a inevitabilidade do seu desaparecimento gradual dos olhares públicos, ditado por um acentuado enfraquecimento físico. Apesar de um estado de saúde bom para a idade, Mandela já não tem a energia necessária para manter o ritmo a que se sujeitou desde que foi libertado em 1990. Na semana passada foi fotografado ao lado do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, mas as aparições públicas de Mandela são cada vez mais raras. A sua mobilidade está diminuída pela artrite que lhe afecta os joelhos e os seus colaboradores mais próximos dizem que a sua memória já não é o que era. Se os anos da Presidência de Mandela - entre 1994 e 1999 - foram mágicos e constituíram marcos da democracia e do orgulho nacional para um povo recém libertado do «Apartheid», os últimos sete deram projecção crescente ao velho líder, sempre ligado a grandes causas, como as crianças desfavorecidas, as vítimas da SIDA, do cancro e da violência doméstica e sexual. Lusa.
Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918, em Qunu, na região sul-africana do Transkei, aos sete anos quando entrou para a escola foi-lhe dado o nome inglês de Nelson. Filho adoptivo de um chefe da tribo Thembu, Mandela foi educado com o sentido de vir a dirigir a sua tribo. Mas a exemplo de todos os não – branco da África do Sul, Mandela depressa se apercebeu dos dolorosos efeitos do apartheid, o sistema legal que obrigava à separação de raças no seu país. As injustiças que testemunhou levaram – no a seguir a carreira política e judicial. O jovem estudante universitário foi suspenso por se ter juntado a um boicote de protesto. Mudou – se para Joanesburgo, onde terminou o curso universitário por correspondência, e juntou – se ao Congresso Nacional Africano (ANC), um movimento nacionalista negro.
Mandela ajudou a escrever os princípios políticos do ANC, que pediam a redistribuição de terras, direitos de associativismo sindical, e educação gratuita e obrigatória. Em 1952, Mandela viajava por todo o país recrutando voluntários para uma campanha de desobediência civil a nível nacional. Depois de ter sido detido e condenado pela organização da campanha, Mandela ficou com residência fixa em Joanesburgo. Aí passou o exame de advocacia, e juntamente com o seu amigo e activista Oliver Tambo, fundou a primeira agência de advogados negros na Africa do Sul.
Neste período, Mandela construiu o Plano M, que organizou os membros do ANC numa rede nacional clandestina. À medida que Mandela emergia como líder natural do ANC, o Governo começou a apertar o cerco ao jovem advogado. Em 1961, Mandela entrou na clandestinidade e fundou a Umkhonto we Sizwe, a ala armada do ANC.
No regresso de uma viagem ilegal ao exterior, onde tratou de todos os detalhes envolvendo treino de guerrilha, Mandela foi detido e condenado por ter saído do país sem autorização e incitamento à greve. Mais tarde seria julgado por sabotagem e conspiração para derrubar o governo, no seu discurso de defesa perante o Tribunal, diz Mandela, “ Tenho lutado contra a dominação branca e contra a dominação negra. Tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas possam viver juntas, em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para cuja concretização espero viver. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”. Condenaram-no a prisão perpétua...
Nos 27 anos de detenção, Mandela galvanizou o apoio contra o apartheid em todo o Mundo, tornando – se um símbolo da igualdade de direitos e da justiça.
A libertação de Nelson Mandela em 11 de Fevereiro de 1990 da cadeia de Robben Island, foi a confissão do regime de que estava à beira do esgotamento. A instabilidade interna provocada pela degradação das estruturas do sistema, pela luta social e política contra a segregação racial, pelos efeitos das sanções económicas internacionais, fizeram com que as figuras mais realista do regime percebessem que a situação não podia prolongar-se por muito mais tempo.Frederik De Klerk tomou a decisão corajosa de libertar Nelson Mandela sem que este fizesse concessões em relação aos princípios que sempre defendera. E quando Nelson Mandela saiu da prisão naquele Domingo, com o braço direito levantado e de punho cerrado, o Mundo, finalmente ficou a conhecê-lo de vista e não apenas de nome, adivinhou que aqueles tímidos passos eram dados em direcção a uma nova África do Sul. Nelson Mandela, diria perante a multidão que se concentrou na Cidade do Cabo no dia da libertação, “ A nossa marcha para a liberdade é irreversível. Não podemos permitir que o medo se atravesse no nosso caminho”.
Após a sua libertação, teve um papel decisivo como presidente do ANC nas negociações que conduziram ao fim do apartheid.

Em 1993 dividiu o Nobel da Paz com o Presidente sul-africano F.W. de Clerk, e um ano mais tarde, aos 75 anos de idade, foi eleito Presidente da África do Sul.
Os 27 anos que passou na cadeia não deram a Nelson Mandela sentimentos de vingança. Um dos seus maiores desgostos, após a sua libertação da cadeia de Robben Island, foi ter – se esquecido de agradecer aos seus carcereiro. Desta forma, ninguém se surpreendeu que, após ter vencido as primeiras eleições multi- raciais de 1994, Mandela telefonasse diversas vezes aos seus ex. captores para se aconselhar sobre a melhor forma de construir uma sociedade racialmente integrada e politicamente democrática.
Entre cânticos de "Poder para o Povo!", Mandela assinou a nova constituição do País, que defende a defesa dos direitos humanos e a anti-discriminação. Mandela deixou o cargo de Presidente em 1999, depois de ter preparado durante ano o Vice-presidente Thabo Mbeki, para seu sucessor. Ao abandonar a presidência, Mandela deixou um país ainda perturbado pelo ódio racial, enorme pobreza e uma altíssima taxa de criminalidade.

Mas continua o mais adorado homem do país, sendo creditado pela positiva transição da tirania para a democracia, e pelo empenho na promoção da reconciliação que salvou o país de um imenso banho de sangue.
Depois de um complicadíssimo divórcio de Winnie Madikizela em 1996, casou com Graça Machel, viúva do ex. Presidente de Moçambique Samora Machel, no dia do seu 80º aniversário.
Após a reforma, disse que queria apenas aproveitar a paz e a liberdade que levou uma vida inteira a conseguir, na sua aldeia natal de Eastern Cape, passar muito tempo com a sua mulher e com os netos, e escrever as suas memórias.

Um verdadeiro "Freedom Fighter", apesar da banalização do uso da expressão, nomeadamente, pelos actuais inquilinos da Casa Branca.
PARABÉNS, Mister Mandela!

segunda-feira, julho 17, 2006

A Tribo "Môri"


Estive de férias em Marte, melhor dizendo, na Ilha do Sal, enquanto isso, o Filipe e o Hugo aproveitaram para pastar.
Nada se passou nest' A Fábrica, que em abono da verdade, está a passar a uma autêntica xafarica.

Vou-me voltar aplicar nos conteúdos.
Tive que ir a Cabo Verde para constatar uma triste realidade, que não conhecia dos portugueses: Todos se chamam "mori" ou talvez "môri", difícil de compreender devido ao sotaque centro/sul.
"Môri" isto, diz ele, "Mori" aquilo, diz ela.
Até os filhos, que foram objecto de tantas discussões para escolherem o nome, são "môris".

"Môri" não faças isso, "môri" dou-te um estalo, "môri" vai pedir uma Coca-Cola, diz a mãe, para um Gonçalo de cinco anos.
Haja paciência!

quinta-feira, julho 06, 2006

Obrigado, Conquistadores!


Não quero falar da mafia da arbitragem mundial...

Obrigado, pelo momento!
Obrigado pelo futebol.
Obrigado,por fazerem sentir, frente ao mundo,
a honra e a glória de ser Português!
Muito obrigado.