sexta-feira, outubro 27, 2006

Um País à Beira Mar Plantado


De acordo com as conclusões do “Painel População” dos Censos 2001, verifica-se a consolidação da faixa litoral ou da oposição litoral/interior, com extensão do litoral algarvio, através do Alentejo litoral, com 80% da população, evidenciando-se o eixo Braga-Setúbal, com 70%, sendo que, praticamente todas as zonas do litoral viram nas últimas décadas crescer a sua população enquanto as zonas do interior tiveram taxas de variação demográfica negativa.
A Partir dos Censos 2001, João Ferrão traça-nos uma panorâmica das dinâmicas territoriais e trajectórias de desenvolvimento do País.
Para o efeito considerou 4 domínios de observação: Ocupação do Território; Famílias; Empregabilidade e Condições de Vida.
Concluiu que estamos perante um país espacialmente desequilibrado – maior concentração de pessoas, actividades, competências, oportunidades, numa parcela reduzida do território.
O mesmo autor refere
“O Portugal urbanizado, industrializado, infra-estruturado e demograficamente dinâmico – o litoral – destaca-se do Portugal rural, agrícola, subdesenvolvido, demograficamente repulsivo – o interior…”
“…A oposição litoral/interior pressupõe acção, vinculada neste caso a uma ideia chave das sociedades modernas, deve ser ordenado e planeado através de politicas públicas”.
Refira-se que João Ferrão é tão só e apenas o actual Secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, pelo que caberá perguntar se terá o Governo alguma estratégia de desenvolvimento e de planeamento territorial que contrarie esta tendência.
Tomemos como exemplo, uma medida emblemática da actuação deste executivo - encerramento das urgências e maternidades – e leiam-se, a propósito, algumas passagens de uma intervenção, do deputado João Semedo, dirigida ao Ministro da Saúde:
“Sabemos que não são poucos nem pequenos os problemas do serviço de saúde. De cada vez que o governo tropeça num problema a resposta é invariavelmente a mesma: o encerramento do serviço em causa, trate-se de uma maternidade, hospital ou de uma urgência. Se o problema está numa maternidade fecha-se. Se o problema é o hospital fecha-se. Se é na urgência fecha-se. Este ministério não é um ministério é uma comissão liquidatária”.
“Muitos dos serviços que o governo se prepara para encerrar, precisam de mais meios humanos, técnicos e meios financeiros, para cumprirem as suas funções. E é isso que se exige que um governo faça”.
“O Governo refugia-se e argumenta com os múltiplos pareceres e relatórios como tudo se pudesse reduzir a uma questão de natureza exclusivamente técnica, insensível ao contexto local, à dimensão social e humana e tantas vezes dramática da prestação de cuidados de saúde e à necessidade de assegurar o equilíbrio e a solidariedade entre regiões no acesso aos serviços públicos de saúde”.
“Hoje é a maternidade que fecha, amanhã é o centro de saúde, mas, entretanto, o mesmo governo e a mesma politica já acabou com o posto de correios, a estação de comboios, a escola e o tribunal, deixando as populações entregues a si próprias. O Estado está em debandada. Esta politica contribui para a desertificação do interior e o esvaziamento das zonas menos desenvolvidas, dificulta a fixação nessas regiões e acentua as conhecidas assimetrias de desenvolvimento do país”.

Esta e muitas outras medidas parecem andar ao arrepio das verdadeiras necessidades de desenvolvimento do interior, com vista a uma maior coesão social e territorial e, cada vez mais acentuam, na dicotomia litoral/interior, aquilo que alguns autores referem como um país a duas velocidades. Eu não sei bem a que velocidade anda o litoral, mas seguramente que no interior está engrenada a marcha-atrás.
Numa lógica empresarial de rentabilidade e, de economia de escala, estaremos de acordo que nada será viável no interior, por isso não se fazem estádios, nem outros grandes equipamentos por que não há públicos, os serviços são onerosos, as infra-estruturas caras, os investimentos não têm retorno, e nesta perspectiva só há uma saída como qualquer empresa que não tem lucros, fecha-se a porta. Seja o governo, como dizia João Semedo, comissão liquidatária de todo o interior (neste caso) e vamos os restantes 20% viver para o litoral (ainda cabemos) e transforme-se o resto numa coutada, com parques de recreio e lazer para os nossos parceiros europeus.
Ou talvez não…
Estes dados demonstram a necessidade de outro tipo de desenvolvimento integrado e sustentado, que terá que passar por uma nova concepção social e politica da administração do território e aqui a Regionalização tem um papel fundamental a desempenhar por forma a combater as assimetrias no desenvolvimento do pais, a melhorar aproveitamento dos recursos, com definição de politicas concretas de povoamento, e da criação de centros urbanos com pólos de desenvolvimento, melhorar o investimento para vencer o isolamento e facilitar a fixação de quadros. Enfim, uma efectiva descentralização de poderes, competências e de meios.
É um debate que está por fazer na sociedade portuguesa.
Concordo com um dos comentadores a um anterior artigo que referia o papel fundamental da educação, pois sem massa crítica, digladiam-se argumentos de um e de outro lado, de forma dramática e, o “Zé” que está habituado a discutir cada assunto como discute o futebol, i.e., com entusiasmo clubista, nunca enxerga as faltas que a sua equipa comete e culpa os árbitros, os dirigentes, os adversários e a má sorte, pelos erros da sua própria equipa e vai deixando que (os do seu clube) governem a seu bel-prazer.
Apetece parafrasear o ilustre poeta futurista e tudo – Almada Negreiros – quando no início do século dizia “inventaram-se todos os remédios que hão-de salvar a humanidade, só falta mesmo salvar a humanidade”.


Jorge Gaspar

quarta-feira, outubro 25, 2006

A Razão Tem Sempre Cliente


O Humor Negro, melhor dizendo, o Miguel Velhinho, passou as crónicas do seu blogue, A Razão tem sempre Cliente, a livro. Penso que fui o primeiro blogger a dizer-lhe que as crónicas que ele escrevia, mereciam ser editadas em livro, por isso sinto-me contente, com a edição deste livro. Para além de estar contente, já o encomendei.
Com prefácio de Edson Athayde, o livro é uma caricatura de Portugal e dos Portugueses na boa tradição lusa de escárnio e maldizer. A Razão Tem Sempre Cliente é assim um retrato da alma lusa que reúne cerca de 150 crónicas que versam sobre os mais variados temas da actualidade: da Razão da Saudade, à Razão do Orgasmo, passando pela Razão da Improdutividade, pela Razão da Borla ou pela Razão do Fado, de Fátima e do Futebol. Enfim, razões de sobra para não perder este livro hilariante e acutilante.
Diz Edson Athayde: “Gosto de quem não tem medo de afirmar. Mesmo sabendo que amanhã pode mudar de opinião. Mesmo sabendo que por ter uma razão, não significa que todas as outras pessoas tenham que ter a mesma. É aqui que reside uma das grandes diferenças entre os chamados “fazedores de opinião” e os cronistas.Os cronistas querem é ter o prazer da narrativa e da escrita. Querem descrever, contar, aumentar um ponto e fazer um conto. Diferente dos comentadores tradicionais sempre hirtos e solenes na sua necessidade de explicar ao gentio que o mundo ou é preto ou é branco, nunca cinza. […]É um livro de crónicas, sim senhor. Dentro da melhor tradição lusa de escárnio e maldizer. São textos mais concisos do que curtos que tentam fazer a radiografia da nação com doses cavalares de material radioactivo. Típico método de quem não está à procura do melhor tratamento para o enfermo (até porque sabe que o doente é incurável nas suas manias, defeitos e feitios) e sim de uma forma de registar para a posteridade os pontos negros que tinha na alma.Alma. Estamos, pois claro, a falar da alma lusa. Sempre sob a forma de uma divertida caricatura.”

Título: A Razão Tem Sempre Cliente
Autor: Miguel Velhinho
Editor: 101 Noites
PVP: 16 euros

Se o livro for comprado on-line, será autografado pelo autor: http://www.101noites.com/encomendas.html
Texto das 101 Noites.

Uma questão de vírgulas


Onde colocar a vírgula na frase abaixo?

"Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de rastos à sua procura."

As mulheres geralmente colocam a vírgula após o substantivo "mulher"; os homens, por sua vez, gostam de colocar a vírgula após a forma verbal "tem".

Ambos, parecem ser, pouco letrados!

sexta-feira, outubro 20, 2006

Governem Contra Nós


Em tese pode aceitar-se que o país tem pela frente um desafio de consolidação das contas públicas e que o esforço da dívida nos vai empurrar para uma política de contenção das despesas públicas e de medidas restritivas ao consumo, com emagrecimento dos já parcos rendimentos das famílias.
Também é pacífico aceitar que o estado a que as coisas chegaram se deve a uma série de politicas erradas dos sucessivos governos que esbanjaram, sem qualquer critério, os milhões que recebemos da Europa com o propósito de modernizar e desenvolver o país com vista a uma plena integração no mercado europeu, mas que em vez de nos aproximar, nos foi afastando cada vez mais dos nossos parceiros e, sobre isto já muito foi dito e redito por políticos, economistas, gestores, empresários, jornalistas e demais comentadores.
Assistimos então a uma série de medidas governamentais e de iniciativa legislativa na Assembleia da Republica que visam esse desiderato de redução da despesa em todos os sectores de actividade (sem desperdiçar, numa primeira fase o aumento da receita, via aumento de impostos, porque esta tem um efeito imediato e urge diminuir o défice).
Estamos num processo reformista em larga escala, com especial incidência na Administração Pública, com uma série de medidas contundentes em todas as direcções: Congelamentos de carreiras; de salários; de admissões; o novo Estatuto da Carreira Docente; a Reforma da Segurança Social; o Pacto da Justiça, alterações no Sistema de Saúde com a racionalização das unidades de cuidados prestados, (sendo as Urgências e as Maternidades os exemplos mais visíveis); a nova Lei das Finanças Locais; os excedentários; a introdução de novas metodologias de avaliação de desempenho de Serviços e Funcionários, e assim por adiante, enfim, uma panóplia de iniciativas que traduz uma dinâmica governamental nunca antes vista.
Contudo poder-se-ia perguntar o que pensa cada um de nós sobre tais medidas?
Concordando, com a tese enunciada, que deve seguir-se uma politica de rigor e de contenção, damo-nos conta, desde logo, de muitos aspectos que nos deixam apreensivos.
Independente do mérito de todas as medidas anunciadas elas têm como denominador comum a redução da despesa e isto suscita a pergunta legitima de saber se há vontade de reformar para optimizar recursos, implementar novas técnicas de gestão, rentabilizar e aumentar a eficácia e eficiência dos serviços, premiando a competência e a qualidade nos serviços prestados e beneficiando os bons artificies ou, antes, elas têm apenas subjacente questões economicistas, de poupança, diminuindo as condições de vida dos trabalhadores e baixando a qualidade dos serviços prestados.
Sendo medidas consideradas boas para o país e para as populações a médio prazo, porque são tão penalizantes e tão mal recebidas pelos seus destinatários?
Porque não se tomam medidas efectivas para combater a corrupção que é generalizada na Administração Pública, importando saber quantas pessoas ao longo das últimas décadas entraram num emprego público pela sua competência?

Quantos lugares de nomeação obedecem a esse critério?
Porque são nomeados milhares de fieis sempre que o governo muda?
Porque não se combatem interesses instalados no nosso País?
Porque temos que mandar os nossos filhos estudar medicina para a República Checa ou Espanha?
Porque tem a Banca um estatuto fiscal privilegiado?
Porque conseguem a banca e alguns grupos económicos arrecadar receitas fabulosas quando o resto da população vive um empobrecimento crescente?
Porque não se combate eficazmente a fraude e a evasão fiscal e não se acaba com o sigilo bancário?
Porque não se faz uma verdadeira reforma na justiça em vez de um vago pacto entre os 2 principais partidos passando esta a ser célere e eficaz não só para os pequenos infractores mas também para os chamados crimes de colarinho branco? E para quando deixam os tribunais de serem locais de humilhação e vexame para os cidadãos?
Porque se introduzem novos mecanismos de perequação na nova lei das finanças locais que, privilegiando o critério "população" em detrimento do" território", beneficiam deste modo os municípios do litoral e acentuam as assimetrias existentes?
Porque não se aposta no desenvolvimento do interior e em vez disso se vai deixando morrer aos poucos, encerrando Serviços, um atrás de outro, por questões de rentabilidade, quando a Europa preconiza exactamente o contrário, com apoios a regiões mais pobres e periféricas?
Porque temos mais de dois milhões de pessoas a viver no limiar da pobreza enquanto os 100 portugueses mais ricos têm uma fortuna equivalente a 17% do Produto Interno Bruto?
Porque se deixam cair uma a uma as promessas eleitorais dizendo que se vai baixar os impostos quando se aumentam? que se vão criar 150.000 postos de trabalho quando aumenta o desemprego? se vão manter as SCUTS, grande bandeira do partido do poder,, em sinal do apoio às zonas do país mais desfavorecidas e afinal verifica-se que também aqui era mentira.
Por onde vai o nosso País?

Qual o futuro dos nossos filhos?
Que medidas estão a ser tomadas que lhes possam dar esperança?
Que lhes dizemos?
Estas e muitas outras perguntas são as que ouvimos na rua, nos cafés, nos locais de trabalho, todos os dias, mas que pelos vistos os nosso governantes não escutam e vão continuando a (des)governar este país contra o povo que afinal, segundo dizem, foi quem os legitimou a tal tarefa - governem contra nós.


Jorge Gaspar.

Há muito tempo que tinha feito o convite ao Jorge Gaspar para escrever neste blogue. Parece que, finalmente, aceitou o desafio.
Bem vindo e um abraço.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Samora Machel


Samora Moisés Machel nasceu na aldeia de Madragoa, actual Chilembene em 29 de Setembro de 1933.Filho de um agricultor relativamente abastado, Samora entrou na escola primária com 9 anos, quando o governo colonial português entregou a “educação indígena” à Igreja Católica. Quando terminou a escola primária, o jovem de cerca de 18 anos quis continuar a estudar, mas os padres só lhe permitiam estudar teologia e Samora decidiu ir tentar a vida em Lourenço Marques.
Teve a sorte de encontrar trabalho no principal hospital daquela cidade e, em 1952 começou o curso de enfermagem. Em 1956, foi colocado como enfermeiro na ilha da Inhaca, em frente da cidade de Maputo, onde casou com Sorita Tchaicomo, de quem teve quatro filhos, Joscelina, Edelson, Olívia e Ntewane.
Samora Machel foi educado como nacionalista e, como estudante, foi sempre um “rebelde” e tomou conhecimento dos importantes acontecimentos que se davam no mundo: a formação da República Popular da China, com Mao Tse-Tung, em 1949 a independência do Gana, com Kwame Nkrumah, em 1957, seguida pela de vários outros países africanos. Mas foi o seu encontro com Eduardo Mondlane de visita a Moçambique, em 1961, que nessa altura trabalhava no Departamento de Curadoria da ONU, como investigador dos acontecimentos que levavam à independência dos países africanos, que juntamente com a perseguição política de que estava a ser alvo, levou à decisão de Samora de abandonar o país, em 1963 e juntar-se à FRELIMO, na Tanzânia. Para lá chegar, teve a sorte de, no Botswana, encontrar Joe Slovo com um grupo de membros do ANC que ofereceu boleia a Samora num avião que tinham fretado.
Dado que nessa altura, já a FRELIMO tinha chegado à conclusão que não seria possível conseguir a independência de Moçambique sem uma guerra de libertação, o jovem enfermeiro Samora Machel foi integrado num grupo de recrutas receber treino militar na Argélia. No seu regresso à Tanzânia, ele tornou-se imediatamente num comandante. Em Novembro de 1966, na sequência do assassinato do então Chefe do Departamento de Defesa e Segurança da Frelimo, Filipe Samuel Magaia, Samora foi nomeado chefe do novo Departamento de Defesa, com as mesmas funções do anterior, enquanto Joaquim Chissano foi nomeado chefe do Departamento de Segurança, tratando dos problemas de espionagem que estavam a minar aquele movimento de libertação.
Em 1967, Samora Machel criou o Destacamento Feminino para envolver as mulheres moçambicanas na luta de libertação e, em 1969 casou-se oficialmente com Josina Muthemba, de quem teve um filho, Samora Machel Jr. Em 1968, foi reaberta a “Frente de Tete”, que foi a forma como Samora respondeu a dissidências que se verificaram dentro do movimento, reforçando a moral dos guerrilheiros. Em 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane, então Presidente da FRELIMO, foi assassinado. Uria Simango, o Vice-Presidente, assumiu a presidência, mas o Comité Central, reunido em Abril, decidiu rodeá-lo de duas figuras – Machel e Marcelino dos Santos -, formando um triunvirato.
Simango, em Novembro desse ano, publicou um documento dando apoio aos antigos dissidentes (que não tinham sido ainda afastados do movimento) e acusando Samora e vários outros dirigentes de conspirarem para o matar. Em Maio de 1970, noutra sessão do Comité Central, Simango foi expulso do movimento e Samora Machel foi eleito Presidente da FRELIMO, com Marcelino dos Santos como Vice-Presidente.
Nos anos seguintes, até 1974, Samora conseguiu organizar a guerrilha de forma, não só a neutralizar a ofensiva militar portuguesa, comandada pelo General Kaúlza de Arriaga, a quem foi dado um enorme exército de 70 000 homens e mais de 15 000 toneladas de bombas, mas também organizar as Zonas Libertadas, que abrangiam cerca de 30 % do território. Para além disso, Samora dirigiu uma ofensiva diplomática, em que granjeou apoios, não só dos tradicionais aliados socialistas, mas inclusivamente do Papa, que era um tradicional aliado de Portugal.
A seguir ao 25 de Abril, que tinha tido como causa imediata a incapacidade de resolver a questão colonial pela força das armas, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Mário Soares, encabeçou uma delegação a Lusaka, em que propôs à FRELIMO um cessar-fogo e a realização dum referendo para decidir se os moçambicanos (incluindo os moçambicanos de origem portuguesa) queriam a independência. Samora recusou, afirmando que “A Paz é inseparável da independência” e expandiu as operações militares, contando com a fraqueza do exército colonial. Em Julho, cercou um destacamento português que se rendeu; este facto, muito propagandeado pela imprensa, levou Lisboa a mudar de atitude e, em 7 de Setembro de 1974, foram assinados os Acordos de Lusaka entre o governo português (cuja delegação era então dirigida por Melo Antunes, Ministro sem Pasta), em que se decidiu que no mesmo mês se formaria um governo de transição, integrando elementos nomeados por Portugal e pela FRELIMO, e que a independência teria lugar a 25 de Junho de 1975.
A FRELIMO decidiu que o Primeiro Ministro do governo de transição não devia ser Samora, mas Chissano, ainda chefe do Departamento de Segurança. Entretanto, Samora fez várias viagens aos países socialistas e a países vizinhos de Moçambique, para agradecer o seu apoio durante a luta armada e solicitar apoio para a construção do Moçambique independente. Durante uma sessão do Comité Central, realizada na praia do Tofo (Inhambane) e dirigida por Samora, foi aprovada a Constituição da República Popular de Moçambique e decidido que Samora Machel seria o Presidente da República.
No plano interno, Samora sempre assumiu uma política populista, tentando utilizar nos meios urbanos os métodos usados na guerrilha e angariar o apoio do povo para o desenvolvimento do país em bases socialistas. Menos de um mês depois da independência, Samora anunciou a nacionalização da saúde, educação e justiça; passado um ano, a nacionalização das casas de rendimento, criando a APIE (Administração do Parque Imobiliário do Estado), que alugava as casas com rendas que estavam de acordo com o rendimento do agregado familiar; lançou grandes programas de socialização do campo, com o apoio dos países socialistas, envolvendo-se pessoalmente numa campanha de colheita do arroz.
Conseguiu ainda o apoio popular, principalmente dos jovens, para operações de grande vulto, tais como o recenseamento da população, em 1980, e a troca da moeda colonial pela nova moeda, o Metical, no mesmo ano. Outras políticas populares foram as “ofensivas” a favor do aumento da produtividade e contra a corrupção, geralmente anunciadas em grandes comícios, com grande participação da população.
No entanto, poucas destas campanhas tiveram êxito e, em parte, levaram ao abandono do país de grande número de residentes de origem estrangeira, o que provocou a paralisação temporária de muitas empresas e, mais tarde, por falta de capacidade de gestão, ao colapso de muitos sectores, tais como a indústria têxtil, metalúrgica e química.
Outras medidas impopulares foram o encarceramento em “campos de reeducação” das Testemunhas de Jeová, dos “improdutivos” e das prostitutas e a colocação em locais remotos de jovens com cursos superiores; estas medidas tinham como alegado objectivo o desenvolvimento de regiões onde havia pouca população.
Na frente externa, Samora sempre seguiu uma política de angariar amizades e apoio para Moçambique, não só entre os “amigos” tradicionais, os países do “bloco soviético” e unindo os países vizinhos numa frente de integração regional, a SADCC, mas até entre os seus “inimigos”, tendo sido inclusivamente sido recebido (embora com frieza) por Ronald Reagan e assinado um acordo de boa-vizinhança com Pieter Botha, o presidente da África do Sul dos últimos anos do apartheid (o Acordo de Nkomati). Apesar disso, Samora não conseguiu suster a guerra que, iniciada logo a seguir à independência pelos vizinhos regimes racistas (a África do Sul e a Rodésia de Ian Smith, se tornou numa verdadeira guerra civil que durou 16 anos, provocou cerca de um milhão de mortos e cinco milhões de deslocados e destruiu grande parte das infra-estruturas do país.
O insucesso da sua política de socialização e a guerra levaram a um colapso económico e Samora, nos últimos anos, teve de abrandar a sua política de índole comunista, permitindo que os “quadros” tivessem acesso a bens que o comum dos cidadãos não tinham, encetando conversações com a RENAMO e, finalmente, organizando acordos com o Banco Mundial e FMI, no sentido de estancar a guerra e relançar a economia.
Não conseguiu, no entanto, ver realizados os seus propósitos, uma vez que, em 19 de Outubro de 1986, quando se encontrava de regresso duma reunião internacional em Lusaka, o Tupolev 134 em que seguia, junto com muitos dos seus colaboradores, se despenhou em Mbuzini, em território sul-africano, mas perto da fronteira com Moçambique.
O acidente foi atribuído a erros do piloto russo, “a tripulação estava embriagada com Vodka”, disse o ministro dos negócios estrangeiros sul africano, Pik Botha, mas ficou provado que este tinha seguido um radiofarol, cuja origem não foi determinada; isto levou a especulação sobre a possível cumplicidade do governo sul-africano, mas nunca se conseguiu provar.
Na passagem do vigésimo aniversário da sua morte, que se evoca hoje, , o presidente sul africano, Thabo Mbeki, anunciou que a África do Sul vai reabrir as investigações à morte de Samora Machel. Este compromisso, pretende de uma vez por todas desvendar se o acidente do Tupolev, que vitimou o Presidente Machel, foi causado por erro humano ou foi um atentado. Se foi um atentado, ainda é preciso desvendar, se há a participação do regime de apartheid sul-africano ou se porventura estão implicados os dirigentes da FRELIMO da altura.
Referência:Samora – Uma Biografia, de Iain Christie.

quinta-feira, outubro 12, 2006

Orhan Pamuk


O prémio Nobel da Literatura 2006 foi atribuído ao escritor turco Orhan Pamuk, anunciou a Academia Sueca. O escritor Orhan Pamuk, é um dos principais nomes da nova literatura turca e a sua obra está traduzida em 34 idiomas em mais de 100 países.
Orhan Pamuk tem uma obra reconhecida a nível europeu, que lhe valeram vários prémios no passado, de entre eles, destacam-se: O Prémio The Independent para ficção estrangeira, em 1990, o Prémio Descoberta Europeia, em 1991, o Prémio Francês da Cultura em 1995, Prémio do Melhor Livro Estrangeiro,França, em 2002, o Prémio Grinzane Cavour, em 2002, o Prémio irlandês IMPAC em 2003, o Prémio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, em 2005, o Prémio Médicis, França, para uma obra estrangeira, em 2005 e o Prémio Mediterrâneo - Estrangeiro, França, no corrente ano.
Ferit Orhan Pamuk nasceu a 7 de Junho de 1952, no seio de uma família rica de Istambul e formou-se em Jornalismo pelo Instituto de Jornalismo da Universidade de Istambul em 1976, depois de ter desistido de um curso de arquitectura.
Reside actualmente em Istambul, mas viveu três anos em Nova Iorque, para além de breves estadas na Alemanha.
Aos 23 anos decidiu consagrar a sua vida à literatura. Sete anos mais tarde publicou o seu primeiro romance, em 1982.
Mas, a obra que o daria a conhecer internacionalmente foi “O Livro Negro”, editado em 1990, um dos romances mais lidos da Turquia. Escreveu também “O Meu Nome é Vermelho” e “Neve”.
A sua última obra é um livro sobre a sua cidade natal, com um registo autobiográfico.
O comité Nobel anunciou que decidiu recompensar um escritor que “em busca da alma melancólica da sua terra natal encontrou novas imagens espirituais para o combate e para o cruzamento de culturas”, indica o comunicado que fundamenta a escolha.
Criticado pelos nacionalistas pela sua defesa das causas arménia e curda, Pamuk é autor de uma obra que descreve as divisões da sociedade turca entre ocidente e oriente.
“Um milhão de arménios e 30 mil curdos foram mortos aqui, mas ninguém para além de mim ousa dizê-lo”, afirmou em Fevereiro de 2005 em declarações a uma revista suíça.
Foi acusado de “insulto deliberado à nação turca”, um crime punido com pena de seis meses a três anos de prisão. Mas, a acusação acabou por ser abandonada no início deste ano, numa altura em que o Governo turco tentava não denegrir a sua imagem tendo em vista as negociações para adesão à União Europeia.
Descrito como alto, grisalho, desengonçado, nervoso e habituado a falar depressa, Pamuk foi o primeiro escritor do mundo muçulmano a condenar abertamente o fatwa de 1989 contra o escritor Salman Rushdie e também defendeu o seu colega turco Yasar Kemal quando este foi chamado aos tribunais em 1995.
Pai de uma menina adolescente, Ruya de seu nome, Pamuk é divorciado desde 2001 de Aylin Turegen, com quem se tinha casado em 1982. Apesar da controvérsia que suscita, o escritor evita aparecer em público e prefere a desordem do seu escritório aos ecrãs da televisão.
Este prémio tem o valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,1 milhões de euros) e será entregue a 10 de Dezembro.
O escritor turco, tem dois livros publicados em Portugal, pela Editorial Presença: “Os Jardins da Memória”, editado em Junho de 2004 e “A Cidadela Branca”, editado em Maio de 2000, ambos com uma tiragem de três mil exemplares.
Lista dos vencedores nos últimos quinze anos:
2005: Harold Pinter (Inglaterra)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Maxwell Coetzee (África do Sul)
2002: Imre Kertész (Hungria)
2001: VS Naipaul (Grã-Bretanha/Índia)
2000: Gao Xingjian (França/China)
1999: Günter Grass (Alemanha)
1998: José Saramago (Portugal)
1997: Dario Fo (Itália)
1996: Wislawa Szymborska (Polónia)
1995: Seamus Heaney (Irlanda)
1994: Kenzaburo Oe (Japão)
1993: Toni Morrison (Estados Unidos)
1992: Derek Walcott (Santa Lúcia)
1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
1990: Octavio Paz (México)

sexta-feira, outubro 06, 2006

Amália Rodrigues


Amália da Piedade Rebordão Rodrigues nasceu em 1920, em Lisboa, no seio de uma família pobre originária da Beira Baixa. A data certa do nascimento é desconhecida: em documentos oficiais nasceu a 23 de Julho, mas Amália sempre considerou que nasceu no dia 1 de Julho. Educada pela avó, cantou pela primeira vez em público em 1929 numa festa da Escola Primária da Tapada da Ajuda, que frequentava. Mais tarde trabalhou como bordadeira.
Em 1933, empregou-se numa fábrica de bolos e rebuçados em Lisboa e dois anos mais tarde, com a irmã Celeste, trabalhou numa loja de souvenirs no Cais da Rocha, acompanhada pela mãe, vendedora de fruta. Em 1935, desfilou na Marcha de Alcântara e cantou pela primeira vez acompanhada à guitarra numa festa de beneficência. Estreou-se em 1939 no Retiro da Severa, a casa de fados mais importante da altura, acompanhada por Armandinho, Jaime Santos, José Marques, Santos Moreira, Abel Negrão e Alberto Correia, interpretando três fados.
Em 1940 casa com o guitarrista amador Francisco da Cruz. No dia 25 de Junho de 1940 é a atracção convidada da revista do Teatro Maria Vitória, Ora Vai Tu! A primeira de muitas revistas em que participou.
A sua estreia no estrangeiro, a 7 de Fevereiro de 1943, ocorreu em Madrid, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira. Amália separa-se do primeiro marido. Em 1944 viajou pela primeira vez para o Brasil, onde actuou no Casino de Copacabana. O sucesso levou a prolongar a estada de seis semanas para três meses, tendo regressado no ano seguinte ao País. Amália Rodrigues gravou os primeiros discos de 78 rotações, a 17 de Outubro de 1945, no Brasil para a etiqueta Continental.
A estreia no cinema ocorreu a 16 de Maio de 1947 com o filme Capas Negras, de Armando Miranda, que bate todos os recordes de exibição, com 22 semanas consecutivas em cartaz no cinema Condes, em Lisboa. Em Fevereiro de 1948 recebeu o Prémio SNI para a melhor actriz de cinema pela sua interpretação de Fado, de Perdigão Queiroga, estreia no Porto e é anunciado como sendo inspirado na vida de Amália, o que a fadista sempre negou.
Em Abril de 1949 cantou pela primeira vez em Paris e em Londres, em festas do Departamento de Turismo organizadas por António Ferro. Em 1950 continua a sua tournée pela Europa, actuando em Berlim, Dublin e Berna. Começa a cantar poemas de Pedro Homem de Mello e David Mourão-Ferreira. Em Dublin, canta Coimbra, que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como Avril Au Portugal. Em 1951, Estreia de Vendaval Maravilhoso, de Leitão de Barros, um dos filmes preferidos de Amália entre aqueles em que participou. Gravou pela primeira vez em Portugal, para a editora Melodia (Rádio Triunfo) a. Numa digressão por África canta em Moçambique, Angola e Congo Belga. Em 1952 cantou em Nova Iorque, onde ficou 14 semanas em cartaz, e assinou contrato discográfico com a casa Valentim de Carvalho, fazendo as primeiras gravações nos estúdios da EMI, em Londres. Em 1953 Amália torna-se na primeira artista portuguesa a actuar na televisão americana no famoso programa Coke Time with Eddie Fisher, onde interpreta Coimbra. É de 1954 também o seu primeiro álbum, Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal And Flamenco From Spain, publicado nos EUA pela Angel Records. Este álbum nunca foi publicado em Portugal com o mesmo alinhamento.
No ano 1955 participou no filme Os Amantes do Tejo, de Henri Verneuil, onde interpreta a Canção do Mar e o Barco Negro. Filma no México Musica de Siempre com Edith Piaf. No dia 10 de Abril de 1956 estreou-se no famoso Olympia, de Paris, numa das festas de despedida de Josephine Baker, e em Julho de 1958 foi condecorada por Marcelo Caetano na Exposição Mundial de Bruxelas. No dia 4 de Novembro de 1958 estreou-se na televisão portuguesa no papel principal da peça O Céu da Minha Rua, adaptada de uma peça de Romeu Correia.
Em 1961, confirmam-se os boatos que desde há muito andam no ar. Amália casa-se no Rio de Janeiro com o engenheiro César Seabra, e anuncia que vai abandonar a carreira artística passando a viver no Brasil. Um ano depois Amália regressa a Lisboa. Em 1962 foi editado o álbum Amália Rodrigues, mais conhecido como Busto ou Asas Fechadas, grande viragem na sua vida artística, onde canta Estranha Forma de Vida, Povo Que Lavas No Rio, de Pedro Homem de Mello, e, pela primeira vez, músicas de Alain Oulman. Em 1963, em Beirute, é tal o seu prestígio, que a convidam a acompanhar com os seus fados uma Missa de Acção de Graças pela independência do Líbano. Continua sempre a voltar aos países que não se cansam de a reclamar. Em Paris, o acolhimento do público é sempre delirante, não só no Olympia, como participando nos mais sensacionais acontecimentos artísticos.
Em 1964 Amália regressa ao Cinema com Fado Corrido, um Filme de Brum do Canto baseado num conto de David Mourão Ferreira, onde mais uma vez lhe dão um papel de fadista. Na estreia do filme em Lisboa confirmou-se mais uma vez que Amália continuava a ser a artista preferida do público português. Onde quer que aparecesse era sempre uma sensação. Em 1965, Amália atinge a sua melhor interpretação no cinema em As Ilhas Encantadas do estreante Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. Neste filme, diferente de todos os outros da sua carreira, Amália pela primeira vez não canta. Amália volta a receber o prémio de melhor actriz com As Ilhas Encantadas e no ano seguinte aparece no filme francês Via Macau. Em 1966, é editado o primeiro disco em que recria o folclore, a que mais dois se seguirão. Com uma grande orquestra sinfónica, dirigida por André Kostelanetz, actua no Lincoln Center, em Nova Iorque, e no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Canta em França, Israel, Brasil, África do Sul, Angola e Moçambique. Amália cantou na inauguração da Ponte sobre o Tejo, gravou Concerto de Aranjuez, com uma letra em francês, e Vou Dar De Beber À Dor, de um compositor até então desconhecido, Alberto Janes, que se tornará num dos maiores êxitos de Amália, com mais de 100 mil cópias vendidas. Em 1967 em Cannes, Anthony Quinn, com enorme entusiasmo, anuncia oficialmente que prepara dois filmes para Amália, sendo o primeiro Bodas de Sangue de García Lorca. Mas Amália prefere exprimir-se no canto.
Em 1969 cantou na União Soviética, correndo o mundo que unanimemente lhe reconheceu o talento. Em Janeiro de 1970, Amália parte para Roma para actuar no Teatro Sistina em Roma. O sucesso foi tal que o fenómeno “Amália” se espalha por Itália. Começava então “La Folia per La Rodrigues”. Amália canta pela primeira vez em Tóquio, e também o Japão, apesar de tão longínquo e com uma cultura tão diferente, se rende ao fascínio de Amália. Desde então sucedem-se as tournées pelo Japão abrangendo várias cidades. Todos os seus discos são editados nesse país, que com ela tanto se identifica. É frequente, quando Amália parte para o Japão todos os seus espectáculos estarem já esgotados, lançando assim Amália, uma verdadeira ponte cultural entre Portugal e o Japão. Este disco conquista para Amália os mais importantes prémios da indústria discográfica: IX Prémio da Critica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975). Em 1972 no Brasil, estreia-se no Canecão do Rio de Janeiro Um Amor de Amália, onde pela primeira vez, num espectáculo organizado, Amália canta e conta histórias da sua vida. Tanto é o sucesso que, o show é repetido no ano seguinte. Esse espectáculo, onde Amália é acompanhada para além da guitarra e da viola, por uma orquestra e um coro, foi gravado em disco. No dia 25 de Abril de 1974 dá-se a revolução que derrubou o regime fascista que há 48 anos governava Portugal. Amália, devido a um contrato que tinha para actuar na televisão espanhola, partiu para Madrid no dia seguinte. Em Lisboa, a grande popularidade internacional de Amália fez que de imediato circulassem boatos que a ligavam ao regime deposto. Embora só ligeiramente prejudicando a sua carreira, estes boatos afectaram gravemente a sensibilidade de Amália. Apesar destes boatos, Amália aparece logo no Coliseu onde 5 mil pessoas aplaudem de pé, provando que o seu público nunca a abandonou. A partir dessa altura, faz as mais longas tournées por Portugal, e o seu sucesso internacional continuou a aumentar fazendo tournées por todo mundo.
Em 1976 são editados Amália no Canecão, álbum ao vivo que regista parte do show de Amália naquele palco brasileiro em 1973, e Cantigas da Boa Gente compilação de material lançado anteriormente em singles e Eps. Também neste ano canta no Théâtre de Champs Elysées, em Paris. É publicado pela UNESCO o disco Le cadeau de la vie, onde figura ao lado de Maria Callas, John Lennon, Yehudin Menuhim, Aldo Ciccolini, Gyorgy Cziffra e Daniel Barenboim.
No ano de 1977 são editadas mais duas compilações – Fandangueiro e Anda o Sol na Minha Rua – de um novo single de Alberto Janes, Caldeirada, e de Cantigas numa língua antiga, primeiro álbum de material original de Amália em três anos, embora dele façam parte alguns temas já anteriormente registados pela fadista, aqui gravados em novas versões. Neste ano volta ao Carnegie Hall de Nova York. Em 1980, Amália edita Gostava de ser quem era, o seu primeiro álbum de material inédito em três anos, composto por dez fados originais com letras da própria Amália, escritas em sua casa durante a convalescença de uma doença. Também em 1980 recebeu do Presidente da Republica a condecoração de grande oficial da ordem do infante D. Henrique. Logo em seguida é homenageada pela Câmara de Lisboa. Amália edita, em 1982, com poucos meses de intervalo, O senhor extra-terrestre, um maxi-single com duas canções de Carlos Paião, e “Fado”, um novo álbum de estúdio composto exclusivamente por novas gravações de composições de Frederico Valério, muitas delas criadas por Amália. O álbum atinge o 5º lugar do top de vendas de álbuns compilado pela revista Música & Som.
Em 1983, é editado o álbum Lágrima, composto por 12 originais gravados durante 1982 e 1983, de novo com letras suas. Será o seu último disco de material inédito até à edição de Obsessão, em 1990. É editado, em 1984, Amália na Broadway, que reúne oito standards de musicais americanos gravados por Amália em 1965 nos estúdios de Paço de Arcos com o maestro inglês Norrie Paramor, mas nunca antes editados em disco. As gravações haviam sido pensadas para um álbum de standards americanos que nunca veria a luz do dia. O álbum atinge o 17º lugar do top oficial de vendas de álbuns. A 19 de Abril de 1985, Amália dá o seu primeiro grande concerto a solo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O sucesso do Coliseu repete-se em Paris onde Amália é condecorada pelo Ministro da Cultura Jack Lang, com o mais alto grau da Ordem das Artes e das Letras. E de Paris de novo parte para o mundo. Em Julho é editado o duplo álbum O melhor de Amália – Estranha forma de vida, que reúne 24 dos mais populares e aclamados fados de Amália e atinge o 1º lugar do top de vendas, mantendo-se oito meses no top e vendendo para cima de 100 mil exemplares. Na sequência do êxito, é editado um segundo álbum compilação, O melhor de Amália volume II – Tudo isto é Fado, que ultrapassa as 50 mil cópias vendidas e atinge o 2º lugar do top.
Em 1987, é editada a biografia oficial de Amália, Amália – Uma biografia, por Vítor Pavão dos Santos, director do Museu Nacional do Teatro, jornalista e talvez o maior admirador de Amália em território português. O primeiro CD de Amália é editado em Portugal: Sucessos, uma compilação concebida originalmente para o mercado internacional, e que apenas ficará em catálogo até se iniciar a transferência para CD dos vários álbuns de Amália. É também lançado neste ano, o triplo - álbum de luxo Coliseu 3 de Abril de 1987, que regista na íntegra o concerto de Amália no Coliseu de Lisboa naquela data. Obtém o Disco de Ouro e atinge o 13º lugar dos tops. Em 1989, comemorando os 50 anos de carreira de Amália, a EMI-Valentim de Carvalho edita Amália 50 anos, uma colecção de oito duplos-álbuns ou CD´s temáticos agrupando muitas das gravações de Amália para a companhia, entre os quais várias raridades e gravações inéditas. Em Portugal sobre o patrocínio do Presidente da Republica Mário Soares, de quem recebe a Ordem Militar de Santiago de Espada, as comemorações são um verdadeiro acontecimento a nível nacional. Festas, condecorações, exposições, tudo para Amália não é demais. Estas festividades, prolongam-se numa grande tournée Mundial. -Lisboa, Madrid, Paris, Roma, Tel Aviv, Macau, Tóquio, Rio de Janeiro, Nova York. Também nesse ano é recebida pelo Papa, no Vaticano, em audiência privada. 1990 Vê ser editado Obsessão, o primeiro álbum de material original e inédito de Amália em sete anos, composto por temas gravados durante o interregno. É editada, em 1991, a cassete de vídeo Amália live in New York City registo do concerto no Town Hall de Novembro de 1990. Recebe do presidente francês, Georges Miterrand, a Legião de Honra. Em 1992 é editado o CD Abbey Road 1952, que reúne a totalidade das primeiras gravações realizadas por Amália para a Valentim de Carvalho nos estúdios de Abbey Road em Londres. Em 1995, é editada pela primeira vez em CD a compilação Estranha forma de Vida – O melhor de Amália, e a RTP transmite, ao longo de uma semana, a série documental Amália – uma estranha forma de vida, cinco episódios de uma hora dirigidos por Bruno de Almeida incluindo muitas imagens de arquivo provenientes dos cinco cantos do mundo e nunca antes exibidas em Portugal. Neste ano é ainda editado Pela primeira vez – Rio de Janeiro, CD que reúne as 16 gravações que Amália realizou no Rio de Janeiro em 1945 para a editora Continental. É a primeira edição oficial em CD destas gravações, há muitos anos indisponíveis em Portugal, restauradas digitalmente em Londres, nos estúdios de Abbey Road.
Em 1997 é editado o seu último álbum com gravações inéditas realizadas entre 1965 e 1975, O Segredo. Também em 1997 o falecimento do marido de Amália, César Seabra, após 36 anos de casamento. Amália publica um livro de poemas “Versos” na editora Cotovia. Nova homenagem nacional na Feira Mundial de Lisboa Expo98.

Amália Rodrigues, foi encontrada sem vida no dia 6 de Outubro de 1999. A morte da Amália Rodrigues aconteceu quando faltavam dois dias para o fim da campanha eleitoral das legislativas de Outubro de 1999. No dia da morte da fadista o Primeiro – ministro António Guterres anunciou três dias de luto nacional e o Presidente da República, Jorge Sampaio, depois de consultados os partidos com assento parlamentar, confirmou um funeral com honras de Estado. O funeral realizou-se no dia 8 de Outubro, sendo Amália Rodrigues sepultada no cemitério nos Prazeres. No dia 8 de Julho de 2001, os restos mortais de Amália Rodrigues foram transladados do Cemitério dos Prazeres para a galeria do Panteão Nacional.
Amália Rodrigues é a única mulher, cujo os restos mortais, se encontram no Panteão Nacional. Fontes Diversas .

quinta-feira, outubro 05, 2006

Bob Geldof


Robert Frederick Zenon Geldof, conhecido mundialmente como Bob Geldof, nasceu a 5 de Outubro de 1951, em Country Dublin, Irlanda. Fez os seus estudos no Colégio de Blackrock. No início dos anos setenta, trabalhou como jornalista no New Musical Express e no Melody Maker, ao mesmo tempo que se tornava editor da revista musical canadiana, Geórgia Straight.
Em 1975 forma o grupo rock The Boomtown Rats, banda que liderou até ao seu desaparecimento em 1986. Dos tempos dos The Boomtown Rats, o único grande momento a assinalar, é a edição em 1979 do tema I Don’t Like Mondays. Este tema composto por Bob Geldof,, tornou-se num sucesso estrondoso tendo alcançado o primeiro lugar dos tops em 32 países. Nos anos seguintes os The Boomtown Rats nunca mais conseguiram fazer algo parecido, levando à extinção da banda no inicio de 1986.
Entretanto, Bob Geldof, tinha começado a fazer o seu trabalho humanitário. Em 1984 cria o Fundo Band Aid. Em conjunto com o músico Midge Ure, dos Ultravox, Geldof conseguiu reunir um grande número de celebridades pop na gravação do seu próprio tema Do They Know It’s Christmas?. O disco vendeu mais de 7 milhões de cópias, conseguindo angariar 4 milhões de dólares para ajudar a matar a fome na Etiópia. No total, o Fundo viria a reunir 150 milhões de dólares e acabaria por forçar a então primeira-ministra britânica, Margaret Tatcher a reavaliar a política britânica para a ajuda humanitária em África.
Esta iniciativa culminou com a realização do Live Aid, em 1985, concerto realizado simultaneamente em Londres e em Filadélfia e que foi transmitido televisivamente para todo o mundo. Esta iniciativa gerou uma receita de 40 milhões de dólares, que foi aplicada na ajuda a combater a pobreza na Etiópia.
Neste mesmo ano, Bob Geldof torna-se co-fundador da produtora de televisão Planet 24. Em 1986, como reconhecimento dos seus esforços no plano humanitário, a rainha de Inglaterra Isabel II, arma-o Cavaleiro.
Mais tarde, nesse mesmo ano, Sir Bob Geldof casa-se com a sua companheira de sempre, Paula Yates. O casamento viria a terminar em 1995, quando Bob Geldof, descobriu que a sua mulher mantinha um romance com Michael Hutchence, o líder dos INXS. Depois de uma longa batalha judicial, o tribunal atribui a custódia das três filhas do casal, a Bob Geldof. Nesse mesmo ano, 1997, o vocalista dos INXS é encontrado morto num quarto de hotel em Sydney, Austrália. Paula Yates, viria a morrer em 2000, devido a uma overdose de heroína. A filha que tinha com Michael Hutchence, Tiger Lily de seu nome, foi viver com Bob Geldof, com a argumentação que seria criada com as três meias-irmãs.
Entretanto, Bob Geldof tinha regressado à música, iniciando uma carreira a solo, que diga-se em abono da verdade, sem grande sucesso comercial. Em 1999, Bob Geldof vendeu a Planet 24 por 8 milhões de dólares e funda outra produtora de televisão, a super rentável Tem Alps.

Toda a sua carreira humanitária, teve o ponto alto, com a organização do maior concerto humanitário da história, vinte anos depois a histórica edição do Live Aid.

Em 2 de Julho de 2005, dezenas de concertos gratuitos decorrem entre Paris, Londres, Roma, Tóquio, Filadélfia, Berlim, Joanesburgo, Moscovo, Cornualha e Barrie. O maior concerto humanitário da história, foi baptizado “Live 8” porque decorreu perto da data em que os representantes do G-8 se encontraram na Escócia . O Live 8 inseriu-se na campanha Make Poverty History, que incluiu um desfile com a presença de cerca de 1 milhão pessoas e que contou também, com o apoio de centenas de Organizações Não-Governamentais. Ao contrário do que sucedeu com a iniciativa de 1985 , a causa do "Live 8" não se prendeu com a recolha de fundos para África, mas com a criação de uma consciência mundial contra a pobreza africana. No total, o evento foi seguido por cerca de 3 mil milhões de pessoas, através da televisão, rádio e internet.
Bob Geldof tem inúmeros prémios e distinções, de entre eles destaca-se o titulo Nobel Man Of Peace de 2005 em reconhecimento pelo seu trabalho contra a fome em África. O título é concedido por um comité que inclui todos os vencedores do Prémio Nobel da Paz ainda vivos.
Este ano, Bob Geldof está indicado para o Nobel da Paz.
Parabéns, Sir Bob Geldof.

quinta-feira, setembro 28, 2006

A Padaria Aljubarrota

Se eu escrevesse o que sinto quando ouço o hino da República Portuguesa ou quando vislumbro a bandeira dos lusitanos a flutuar ao vento, provavelmente seria preso. Historicamente é uma falácia que se diga que Portugal é a “pátria lusitana”, sabendo nós que os Lusitanos nunca habitaram a norte do rio Douro (essa secção do território esteve grande parte do tempo sob domínio dos Suevos).
Portugal está recheado de alucinações mitológicas, de lendários devaneios. A impossibilidade que este país tem em se desquitar é um mal histórico. Vejamos: Um dos episódios maiores da história da República Portuguesa relata uma padeira que, farta de fazer roscas (sabe-se lá a quem), decide com uma pá(!!!!!) o resultado final de uma batalha! Que histórias de bravura serão contadas no futuro? Um pescador da Póvoa do Varzim que violentamente afundou a totalidade da armada americana somente com um anzol? Um portuense que, numa noite de S. João dizimou o exército indiano com um alho-porro? Um lisboeta que cilindrou o défice enquanto encomendava um bolo-rei? Uma possível explicação para este delírio colectivo seria o facto de todos os automóveis funcionarem a cannabis e não a derivados do petróleo. Mas nesse cenário teríamos nas ruas gente sorridente, o que não é o caso. O povo português só fica alegre quando ejacula ou quando recebe a devolução do IRS.
Os “Lusíadas” são outra obra de infausto título e embaraçoso conteúdo. A questão do título está relacionada com o facto, já anteriormente por mim descrito, do domínio territorial Suevo no norte do país. O conteúdo é um conjunto de embaraços mais ou menos evidentes. Recomendo a leitura do “achamento” da Ilha dos Amores. De súbito, tudo faz sentido: a incompetência dos portugueses é um facto histórico, pois já naquele tempo a ilha teve que se deslocar para poder ser alcançada pelas naus.
Em tempo idos, se já Internet existisse, provavelmente os “achadores” portugueses teriam “surfado” na onda digital e não nos mares do mundo para expandir território. A página online para conquistas e afins teria, mais ou menos, o seguinte aspecto.

Olá! Sejais vós bem-vindos à página de expansão do Reino Português. Ao preço de cada opção acresce a taxa de 20% (como se faz na Phinlândia).

Seleccione a opção que deseja:

- Chacinar povos selvagens

- Assinar um tratado para o empossar como dono de metade de um mundo que é de todos

- Enviar uma mensagem para o phuturo para um primeiro-ministro que teima em castigar constantemente os que menos têm

- Encomendar uma francesinha

Tudo isto é triste, mas não é fado. Na realidade, a música popular portuguesa é somente uma desculpa para se beber mau vinho.
A pátria não é coisa que se possa impor. Aquilo que o homem hoje separa com fronteiras foi, outrora, um campo livre. Então que filiação é esta? Que sentido faz a palavra pátria se nos incita a marchar contra os canhões? O mundo é um só, a minha casa. As barreiras fronteiriças somente separam aquilo que é de todos. Deixemo-nos de bandeiras tingidas de sangue. Foi-se a padeira, mas a padaria, retrógrada e atrasada, sobrevive. Este país é como um campo estrumado: parece lindo ao longe, mas o odor a esterco aumenta à medida que nos aproximamos. Acabaram-se as férias. Bem-vindos.

Hugo Machado

quarta-feira, setembro 27, 2006

Banksy


Banksy é uma lenda no meio dos artistas rua. Faz grafites um pouco por todo mundo, com um radical sentido de humor, que visa a sociedade, a política e o quotidiano.
É também conhecido por introduzir clandestinamente, em reputados museus, obras suas, como se fosse parte do acervo original, esperando para ver quanto tempo demora, até descobrirem a falsificação. Em alguns casos os trabalhos de Bansky, acabaram por serem comprados pelo museu, que sofreu o ataque de vandalismo.
A verdadeira identidade de Banksy é desconhecida. De acordo com o jornal The Guardian, ( que o entrevistou, no fim do post existe um link para esta entrevista) o seu verdadeiro nome é Robert Banks, está na casa dos 30 anos e é natural da cidade de Bristol. O secretismo à sua volta é tão grande, que Banksy afirma, que nem os seus pais sabem o que ele faz.
A sua arte (como é óbvio, para lá da obra de arte em si) tem como objectivo chocar o observador e choca mesmo!

Há muitas organizações que consideram o trabalho de Banksy puro vandalismo, mas o artista adquiriu projecção internacional quando fez a ilustração da capa do disco Think Tank, da famosa banda britânica, Blur, editado em 2003.
Uma das intervenções mais conhecidas de Banksy, foi um plano coordenado para infiltrar obras suas, nos quatro mais importantes museus de Nova Iorque no mesmo dia.
E conseguiu, no dia 13 de Março de 2005!
Primeiro colocou um dos seus trabalhos, um quadro de uma lata de sopa, ao estilo de Andy Warhol, no MoMa, onde permaneceu três dias sem ser notado. Seguiu-se o Museu Brooklyn. Neste museu, o quadro colocado, mostrava um almirante da era colonial, com uma lata de spray na mão e frases anti-guerra. Os outros dois museus "vandalizados" foram o Metropolitan Museum of Art e o Museu Americano de História Natural. No Metropolitan Museum, Banksy colocou uma tela de uma mulher usando uma máscara de gás e no Museu Americano de História Natural, Banksy colocou, por trás de um vidro, um besouro com asas de caça-bombardeiro e mísseis presos ao corpo.
Uma das suas obras mais polémicas é uma montagem com a célebre foto de Nick Ut, que simboliza toda a tragédia que foi a Guerra do Vietname. A fotografia retrata a pequena Kim Phuc, e outras crianças, a correrem momentos depois da sua aldeia ter sido bombardeada pelos americanos com bombas de Napalm. Na montagem de Bansky, primeira fotografia do post, Kim Phuc aparece ao lado do Mickey e de Ronald McDonald, numa implícita crítica ao capitalismo.
Numa outra pintura, que causou muita polémica em Inglaterra, Banksy mostra a rainha Vitória, símbolo do puritanismo e do Império Britânico, a fazer sexo oral com uma outra mulher.
A sua primeira e única exposição em Londres, em 2005, trouxe versões de pinturas tradicionais com detalhes da vida contemporânea. Nela, os visitantes eram obrigados a dividir o pequeno espaço da galeria com centenas de ratos, que circulavam livremente.

No ano passado, fez uma série de grafites no muro que separa Israel da Cisjordânia. São paisagens idílicas, que contrastam com a dura vida dos palestinianos. Com estas imagens, para além de protestar contra a construção do Muro por parte de Israel, foi intenção de Bransky transformar o horrendo em belo.
Também no ano passado, o artista deixou o Museu Britânico numa situação desagradável ao infiltrar na colecção do museu uma imitação de pintura rupestre, que mostrava um homem pré-histórico a empurrar um carrinho de supermercado. De acordo com Banksy, a obra passou despercebida durante três dias. A direcção do museu reagiu com bom humor. Comprou a obra.
No princípio deste mês, o artista britânico conseguiu substituir 500 CDs de Paris Hilton por versões adulteradas em lojas espalhadas pela Grã-Bretanha. Banksy trocou as músicas de Paris Hilton por versões suas, que receberam nomes como “Por que sou famosa?”, “O que fiz?” e “Para que sirvo?”.

O artista plástico também substituiu as fotos dos CD’s por imagens em que Paris Hilton aparece em topless com frases provocantes e na contra capa substituiu a fotografia da socialite, por uma fotografia em que esta aparece com uma cabeça de cadela.
Na semana passada, Banksy conseguiu colocar uma réplica em tamanho natural de um prisioneiro da base americana na Baía de Guantánamo na Disneyland, sem que os responsáveis pelo parque percebessem. A figura, vestida com o uniforme laranja que caracteriza os presos de Guantánamo, foi colocada no fim de semana dentro da área ocupada pela atracção Rocky Mountain Railroad. A réplica permaneceu no local por 90 minutos até que esta parte do parque para a figura ser removida. Um porta-voz de Banksy disse que a ideia era chamar atenção para a situação dos suspeitos de terrorismo presos no ignóbil centro de detenção americano em Cuba.

Banksy, um "vândalo" muito dotado.
Link:
http://arts.guardian.co.uk/features/story/0,,999712,00.html

segunda-feira, setembro 25, 2006

Vanessa Fernandes


A portuguesa Vanessa Fernandes, vice-campeã mundial de triatlo, igualou ontem o recorde de 12 vitórias consecutivas ao vencer a etapa chinesa da Taça do Mundo, assegurando um triunfo quase certo no circuito mundial. A benfiquista foi a atleta mais forte no percurso de Pequim, semelhante ao que será utilizado nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, terminando em 2.03,16 horas os 1500 metros de natação, 40 quilómetros de ciclismo e os 10 quilómetros de corrida da 14ª etapa do calendário de 2006.
Apesar da vitória, Vanessa Fernandes mostrou-se modesta no final da prova, considerando, em declarações à agência “Lusa”, que “o que fica na história é ser campeã do mundo e campeã olímpica”. Vanessa Fernandes deixou em segundo lugar a campeã mundial da modalidade, a australiana Emma Snowsill, com mais 1,07 minutos, tendo a atleta do Luxemburgo Elizabeth May chegado em terceiro lugar, com mais 1,56 minutos que a portuguesa. Com este triunfo, Vanessa Fernandes é a virtual vencedora do circuito mundial, mesmo sem participar nas duas últimas etapas, nas quais Emma Snowsill também já anunciou que não participa.
O recorde de 12 vitórias seguidas foi estabelecido por Emma Carney entre 1993 e 1995, quando apenas cerca de três dezenas de atletas femininas disputavam a Taça do Mundo.

Desde a sua participação nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, em que se qualificou em oitavo lugar, a filha do antigo ciclista Venceslau Fernandes ganhou todas as provas em que participou, excepto os campeonatos do Mundo. A série de 12 vitórias teve início em Madrid em 2004 até culminar na prova de Pequim. “O circuito obriga os atletas a ser fortes e inteligentes”, disse a atleta portuguesa, comentando o percurso da prova de ontem, que serviu de primeiro ensaio geral para o circuito dos Jogos Olímpicos de Pequim’2008. Vanessa Fernandes assumiu desde o início da prova um ritmo forte e atacante para desgastar as adversárias, tendo em especial cansado Emma Snowsill na prova de bicicleta, o que veio depois a ser vital nos 10 quilómetros finais de corrida.
Ontem, ao contrário de sempre, a vitória de Vanessa Fernandes, foi tema de abertura do telejornal da RTP. Já é tempo de dar valor a quem realmente o tem, e definitivamente olharem para outras modalidades e atletas, para além do futebol.Sem estágios de luxo,sem visitas presidenciais ou ministeriais, com muito treino, forçe de vontade e humildade, Vanessa Fernandes, vai levando bem alto o nome de Portugal, ainda por cima, numa modalidade recente e sem qualquer tradição em Portugal.

Perfil:
Nome Completo: Vanessa de Sousa Fernandes
Data de Nascimento: 14 de Setembro de 1985
Altura: 168 cm
Peso: 57 kg
Inicio na Modalidade: 1999
Equipa: Sport Lisboa e Benfica
Treinadores: Sérgio Santos
António Jourdan
Palmarés:
2006.
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Beijing (CHI);.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Hamburgo (GER);
.: Vice-Campeã nos Campeonatos do Mundo de Triatlo de Elite de Lausanne (SUI);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Corner Brook (CAN);
.: 5ª Classificada no Life Time Fitness Triathlon (USA);
.: Campeã da Europa de Triatlo Sub23 Feminina - Rijeka (CRT);
.: Campeã da Europa de Triatlo Elite Feminina - Autun (FRA);.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Madrid (ESP);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Mazatlán (MEX);
.: Vencedora da Taça da Europa de Triatlo do Estoril (POR);
.: 3º Lugar no Campeonato Nacional de Corta Mato Longo - Guimarães (POR);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Aqaba (JRD);
2005.
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de New Plymouth (NZL);
.: Campeã da Europa de Triatlo Elite Feminina - Lausanne (SUI);
.: Campeã da Europa de Triatlo Sub23 Feminina - Sófia (BUL);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Pequim (CHN);
.: 4ª Classificada nos Campeonatos do Mundo de Triatlo de Elite de Gamagori (JPN);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Madrid (ESP);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Triatlo de Mazatlán (MEX);
2004.
.: Campeã Nacional de Triatlo 2004;.: Vencedora da Taça do Mundo do Rio de Janeiro (BRA);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Madrid (ESP);
.: 8ª Classificada nos Jogos Olimpicos Atenas 2004;
.: Campeã da Europa de Triatlo Sub23 Feminina - Tiszaujvaros (HUN);

.: 5ª Classificada nos Campeonatos do Mundo de Triatlo de Elite - Funchal (POR);
.: Campeã da Europa de Triatlo Elite Feminina - Valência (ESP);
2003.
.: 9ª Classificada na Taça do Mundo de São Petersburgo (EUA);.: 10ª Classificada na Taça do Mundo de Ishigaki (JPN);
.: 9ª Classificada na Taça do Mundo do Funchal (POR);.
: 3ª Classificada na Taça do Mundo do Rio de Janeiro (BRA);
.: 3ª Classificada na Taça do Mundo de Cancun (MEX);
.: Vencedora da Taça do Mundo de Madrid (ESP);
.: Vencedora do Triatlo Internacional do Estoril (POR);
.: 2ª Classificada no Triatlo Internacional da Praia da Vitória (POR);
.: 5ª Classificada nos Jogos Mundias de Verão - Santos (BRA);
.: Medalha de Prata no Campeonato da Europa por Equipas Juniores Femininos - Carlsbad (CZE);
.: Medalha de Bronze no Campeonato do Mundo de Triatlo Juniores Femininos - Queenstown (NZL);
.: Campeã do Mundo de Duatlo Juniores Femininas - Affoltern (SUI);.
: Campeã da Europa de Triatlo Juniores Femininas - Carlsbad (CZE);
2002.
.: 4º Lugar no Campeonato do Mundo de Triatlo (Cancun - MEX) - Juniores Femininos;
.: 34ª Classificada na Taça do Mundo de Tizjausvaros (HUN);
.: 29ª Classificada na Taça do Mundo de Nice (FRA);
.: 12ª Classificada na Taça do Mundo do Funchal (POR);.
: Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Triatlo (Gyor - HUN) - Juniores Femininos;
.: Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Duatlo (Zeitz - GER) - Juniores Femininos;
2001.
.: Medalha de Prata por equipas no Campeonato da Europa de Duatlo (Mafra - POR) - Juniores Femininos;
.: 18ª no Campeonato da Europa de Triatlo (Carlsbad - CZE) - Juniores Femininos;

sábado, setembro 23, 2006

Contradições Humanas


Penso que foi Nietzsche quem disse que nós não gostámos das pessoas mas sim do efeito que o conjunto de reacções que elas suscitam tem, ou seja, é provocada uma espécie de descarga química e o bem-estar gerado no nosso corpo desta forma é o que induz a sensação física de contentamento. É, assim, desfeita a ilusão de que os sentimentos são uma manifestação metafísica, transcendente e espiritual, resumindo-se a uma vulgar reacção química cerebral. É, claramente uma visão redutora do ser humano esta noção de que todos os sentimentos são uma resposta fisiológica, uma simples reacção química a um qualquer estímulo.
É claro que esta teoria não explica os sentimentos de repulsa que temos quer com pessoas quer com objectos quer com acontecimentos e, se o interesse é puramente egoísta, porque é que são, normalmente, os momentos de sofrimento que nos empurram para um abismo emocional, abismo este que na maior parte das vezes se revela com uma intensidade de tal forma sufocante, que os comportamentos de índole egoísta não fazem qualquer sentido, a menos que o masoquismo demente imponha as suas regras, configurando assim um paradoxo.
Não interessa muito para a discussão a teoria, pois eu desconheço-a em absoluto. Reporto-me a uma citação. Interessa-me sobretudo enquadrar os sentimentos num espectro que vai desde a mais notável felicidade até ao mais vil sofrimento. Obviamente tudo resto se situa entre estas duas condições inatingíveis. As possibilidades são, por outro lado, infinitas e os acontecimentos que lhes dão origem são, também, infinitos. Muitos deles induzem contradições que são difíceis de gerir, existindo uma tendência natural para interiorizar as coisas pois, aquilo que esperamos é que as nossas reacções sejam passíveis de serem integradas sem culpas. Os sentimentos antagónicos não permitem que isto suceda. O isolamento é então a solução como resultado da estranha sensação de exclusividade. O desconhecimento da condição humana relativamente ao facto de que estas reacções são recorrentes e comuns, banais até, aumenta o sofrimento.
Para ilustrar esta situação nada é mais intenso que as emoções perante a morte. Quanto mais próxima mais marcante. A morte e sua inevitabilidade são conceitos para os quais é necessária uma resistência emocional elevada. Quando algo semelhante sucede, a alma é invadida pela consciência do nosso próprio fim, de quanto tudo é efémero e transitório.
A renovação das gerações implica, geralmente, a morte dos mais velhos nas famílias e estes acontecimentos são épocas de profundas contradições emocionais. O drama maior nestes casos será certamente a perda dos pais que vai para além da irreversibilidade da situação. A morte de um pai é uma espécie de princípio do fim. Para cada um de nós eles representam a primeira e a última barreira á fatalidade. Se os desígnios geracionais se cumprirem, os próximos na linha da continuidade para a morte são os filhos. Os pais têm, por isso mesmo, um papel que vai para além da paternidade. São pais e delimitam a nossa existência. É como se enquanto eles não morrerem, a morte fosse apenas um conceito com o qual convivemos numa perspectiva algo distante, como se estivéssemos rodeados por uma espécie de domo protector em que a matéria que constitui a sua estrutura fosse uma substância emanada pelos nossos progenitores onde a mortalidade inerente à vida luta por penetrar sem o conseguir até ao dia fatídico.
Esta conjectura faz as pessoas acordarem para se confrontarem com os seus próprios demónios, limites e para a sua condição humana. Assim, o sofrimento gerado por uma perda importante com o fim da ilusão da invulnerabilidade, o penoso quotidiano de contacto com doenças que se alimentam do que resta da vida até a sugarem completamente, o surgimento do sentimento de impotência perante a irreversibilidade, os apelos de quem tem de ficar sem resposta e que se lêem nos olhos de quem os faz com uma clareza desconcertante, são momentos que são responsáveis pelas mais perturbantes contradições.
O desejo da morte do ente querido e que seja rápida e o mais indolor possível, o sentimento de culpa que isto arrasta, torna-se uma espécie de sombra negra que se agarra parasitariamente a quem o sente. O desejo pelo desfecho de uma situação que imbui todos os envolvidos numa escuridão, é exactamente desejar a morte. Quando é alguém de quem gostamos imenso pensamos que este sentimento faz de nós um ser com a alma negra, porque ninguém deseja o mal a quem ama, a menos que o sentimento tenha sido desde sempre uma ilusão. E se o foi, porque a intensidade é semelhante, tudo o que sentimos pelos outros é também duvidoso. Sentimos um vazio tão intenso que é como se tudo se desmoronasse irremediavelmente e fosse necessário reaprender a viver. Se não formos capazes, o futuro insinua-se como um mero exercício de passar dos dias porque de repente perdemos a noção da realidade e do valor dos sentimentos.
Desejar a morte de alguém ao mesmo tempo desejar que viva é algo que aparenta ser inverosímil, mas que de facto não é. Tudo é uma resposta a diferentes estímulos, queremos que vivam porque o amor é real, e queremos que morram porque a razão e a percepção que temos dos acontecimentos nos dizem que a morte é inevitável e se o sofrimento e o definhamento exibidos perante os nossos olhos são tão profundamente desconcertantes então cada um dos sentimentos é igualmente profundo e perturbador.
A alma humana na sua mais exultante exteriorização, os infinitos paradoxos que os sentimentos arrastam consigo e que não temos a capacidade de encaixar porque a racionalização por vezes se revela impossível ou, por mais que tentemos, as nossas capacidades não permitem explora-los com a profundidade necessária. Ficamos a meio do caminho entre a raiz dos sentimentos que nos levam a saber viver com a nossa condição humana e a incapacidade para os verbalizar, incapacidade essa que traz consigo a culpa a cada recordação. Se tudo é uma resposta fisiológica, então uma vez que somos constituídos pela mesma matéria não podemos pensar que os nossos sentimentos são únicos. Este facto deveria servir de paliativo para o mal-estar gerado por algumas das coisas que sentimos. É esta capacidade de sentir que nos mantém vivos e nos diferencia da restante Criação.

Filipe Pinto.

sábado, setembro 16, 2006

Terry Fox e a Maratona da Esperança

Terrance Stanley Fox, mais conhecido como Terry Fox nasceu no dia 28 de Julho de 1958, em Winnipeg, província de Manitoba, no Canadá. Quando era criança a sua família mudou-se para a cidade de Port Coquitlam, na Colúmbia Britânica, situada na costa oeste do Canadá.

Como adolescente, Terry Fox envolveu-se na prática de diversos desportos escolares. Em 1976 diagnosticaram-lhe um sarcoma ósseo (cancro nos ossos) na perna direita, que lhe seria amputada, (15 centímetros acima do joelho) no ano seguinte.Mas nem assim se vergou.Os sofrimentos dele próprio, mas sobretudo os dos restantes doentes seus companheiros de hospital, levaram-no a conceber uma longa corrida através do Canadá para angariar fundos para a luta contra o cancro.

Chamou-lhe a Maratona da Esperança.

Partiu de St. John’s, na costa leste do Canadá, em 12 de Abril 1980 para essa última prova de resistência e valentia. Correu 143 dias, percorrendo, apesar da prótese, cerca de 42 quilómetros diários. Pedia a cada canadiano um dólar para essa luta desesperada. Ganhou. Obteve mais de 24 milhões de dólares. No dia 1 de Setembro, ao fim, de 143 dias e 5300 quilómetros depois, Terry Fox foi obrigado a parar a sua longa maratona, em Thunder Bay, no Ontário, pois o cancro tinha-se expandido até aos pulmões.

Terry Fox acabaria por ser arrebatado pela morte alguns meses mais tarde. Foi no dia 28 Junho de 1981, tinha 22 anos anos. Foi proclamado herói nacional, tendo recebido várias honras. Foi escolhido, numa pesquisa de opinião pública no Canadá, como o canadiano mais famoso do século XX.

A morte arrebatou-o, mas não o derrotou.Porque hoje, a Fundação Terry Fox continua a mesma luta. Organiza maratonas um pouco por todo o Mundo para recolher fundos para a pesquisa e combate ao cancro. A Maratona da Esperança arrecadou um total de 400 milhões de dólares canadianos para a pesquisa e combate ao Cancro. No ano passado, realizaram-se cerca de 200 provas em países tão diferentes como Portugal, Bélgica, China, Austrália ou Cuba, etc. E claro, no Canadá.

No Canadá, como sempre, a corrida Terry Fox é realizada no segundo Domingo de Setembro, após o Dia do Trabalhador.A XXV Maratona da Esperança Terry Fox acontecerá amanhã, 17 de Setembro.

Terry Fox um canadiano que decidiu bater-se denodadamente contra a morte, contra o cancro que o vitimaria. Enfrentou, como só os verdadeiros homens o podem fazer, um destino impiedoso.Venceu.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Oriana Fallaci


A jornalista e escritora italiana Oriana Fallaci morreu ontem à noite num hospital da cidade de Florença, informou hoje a agência Ansa. Fallaci, de 77 anos, sofria de cancro há vários anos. O enterro de Fallaci será estritamente íntimo, a pedido da própria, segundo os seus familiares. A jornalista tinha sido internada numa clínica de Florença, devido ao agravamento da sua doença.
Conhecida e respeitada pela sua carreira como jornalista política, Fallaci era uma das mais consagradas escritoras, na área da intervenção política, em todo o mundo.
Oriana Fallaci, nasceu em Florença em 29 de Junho de 1929. Começou a carreira de jornalista aos 17 anos, foi correspondente internacional em vários meios de comunicação, repórter de guerra e escreveu vários livros. Cobriu os conflitos no Vietname, no Oriente Médio e na América Latina, numa época em que eram escassas as mulheres na frente de batalha. Levou um tiro e foi espancada durante os protestos estudantis no México, em 1968.
Depois, fez sucesso com o romance de ficção “Um Homem”, inspirado no seu caso com o grego Alexandros Panagoulis.
Fallaci ficou famosa pelas suas entrevistas com líderes de todo o mundo.Golda Meir, a primeira-ministra indiana Indira Gandhi, Henry Kissinger, Willy Brandt, Muammar Kadhafi, Ayatollah Khomeini ou Yasser Arafat foram alguns dos nomes que enfrentaram a prova de fogo “Oriana Fallaci”.
Na entrevista que fez com Kissinger, Fallaci comparou-o a um cowboy e obrigou-o a admitir que a Guerra do Vietname era “inútil”. Kissinger escreveu depois que a entrevista foi “simplesmente a conversa mais desastrosa que já tive na vida com qualquer jornalista”.
Segundo o relato da própria Fallaci, ela discutiu aos gritos com Arafat e começou uma entrevista com o líder líbio Muammar Kadhafi ridicularizando o seu manifesto, dizendo que era “tão pequeno e insignificante que cabia na sua caixinha de pó-de-arroz”. Durante um encontro com o líder iraniano, Ayatollah Khomein rasgou um chador.
Entre os galardões que recebeu ao longo da vida está o Prémio Viareggio ganho em 1979 com a publicação "Um Homem".
Nos últimos anos, teve uma atenção mediática intensa, Fallaci adoptou uma posição radical contra o fundamentalismo islâmico, bem descrita em "A Raiva e o Orgulho", publicado em 2002, ainda no rescaldo dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque e em «A Força da Razão», onde a jornalista critica «as intenções secretas do Islão» e escreve que a fé islâmica “semeia o ódio no lugar do amor e a escravidão no lugar da liberdade”.
Fallaci lançou em Agosto de 2004 um livro, intitulado «Oriana Fallaci entrevista Oriana Fallaci», no qual analisou o «cancro moral que devora o Ocidente» e a sua própria doença.
Oriana Fallaci foi ainda professora nas Universidades de Chicago, Yale, Harvard e Columbia.
Vivia o seu tempo entre a Itália e os Estados Unidos.Nos livros alcançou uma notoriedade invejável. As obras foram traduzidos em 21 línguas. No ano passado, já doente, foi recebida por Bento XVI. Há vários anos, um cancro definiu-lhe o destino. A mulher que marcou a história mundial disse um dia que a morte não lhe metia medo, dava-lhe apenas uma sensação de melancolia.Com agências.

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Regresso d'El Niño


Cientistas americanos alertaram que as condições típicas do fenómeno climático El Niño, caracterizado por um aumento na temperatura dos oceanos, formaram-se no Oceano Pacífico. Um boletim da NOAA (Agência Oceânica e Atmosférica dos EUA), com o título “El Niño Returns”, diz que alguns impactos do fenómeno em formação já são visíveis na variação dos padrões de precipitações. “Nos últimos 30 dias, condições mais secas do que o normal vêm sendo observadas na Indonésia, Malásia e a maior parte das Filipinas, que são geralmente as primeiras áreas a experimentar os efeitos relacionados ao El Niño”, diz o boletim citado pela BBC on-line.
Segundo os cientistas, o desenvolvimento do El Niño explica em parte por que esta temporada de furacões no Oceano Atlântico tem sido menos activa do que o previsto. O fenómeno no Pacífico Sul, dizem, geralmente inibe a actividade dos furacões.
Ainda assim o meteorologista da NOAA Gerry Bell adverte que os impactos actuais do El Niño são por enquanto pequenos e que a temporada de furacões está longe de terminar. Pelas previsões do NOAA, esta seca deverá continuar pelo resto de 2006 e início de 2007.
O El Niño é um fenómeno de interacção atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da temperatura da superfície do mar e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a costa peruana e a Austrália.
Além da temperatura do mar, o fenómeno pode ser medido pela diferença média da pressão ao nível do mar entre os sectores do centro-leste (Taiti/Oceania) e oeste (Darwin/Austrália) do Pacífico Tropical. Esse índice está relacionado com o aquecimento e arrefecimento das águas na região. As fases positivas e negativas do fenómeno são denominadas de El Niño e La Niña, respectivamente.
Estes são fenómenos naturais que existem há vários anos e continuarão a existir como fenómenos cíclicos, sem um período regular. O fenómeno La Niña apresenta maior variabilidade e ocorre com uma frequência menor que o fenómeno El Niño; é atribuído a um arrefecimento anormal da superfície do mar , provocando chuvas torrenciais e agrava os efeitos das tempestades tropicais que fustigam alguns países.
O fenómeno El Niño de 1997-98 atingiu o máximo no início de Dezembro de 1997 com a irregularidade do oceano, atingindo mais de 4ºC. Em Janeiro e Fevereiro de 1998, apesar da superfície ocupada pelas anomalias terem diminuído, o impacto na atmosfera foi ainda maior, pois no Verão austral as temperaturas da superfície são máximas nesta estação.
O nome foi dado por pescadores peruanos, que notavam uma diminuição na quantidade de peixes na Costa do Peru, sempre na época do Natal, razão pela qual lhe deram o nome de El Niño (menino em espanhol).
LINK:http://www.noaanews.noaa.gov/stories2006/s2699.htm

Amnistia Internacional acusa Hezbollah de crimes de guerra


O movimento xiita libanês Hezbollah foi considerado culpado de crimes de guerra contra civis israelitas no recente conflito com Israel, acusou hoje a Amnistia Internacional. “Durante o mês que durou o conflito, o Hezbollah lançou perto de 4000 ‘rockets’ para o norte de Israel (...), um quarto dos quais foi lançado directamente para zonas urbanas”, anunciou a organização de Direitos Humanos com sede em Londres.
A Amnistia sublinha que o balanço dos bombardeamentos - 43 mortos e 33 feridos graves - teria sido muito mais grave se centenas de milhares de israelitas não tivessem fugido e se as cidades e vilas não estivessem equipadas com abrigos eficazes.
O Hezbollah utilizou, nomeadamente, “rockets katioucha” modificados, carregados com milhares de esferas metálicas, com o objectivo de atingirem alvos o mais longe possível. Oito dessas munições, afirma a Amnistia, causaram a morte de oito funcionários dos caminhos-de-ferro.
“A escala dos ataques do Hezbollah contra as cidades e vilas israelitas, a escolha de armas usadas e as declarações da direcção, confirmando a intenção de atingir civis, indicam claramente que o Hezbollah transgrediu as leis da guerra”, afirmou a secretaria-geral da Amnistia, Irene Khan.
Por outro lado, a Amnistia tinha já acusado Israel, em Agosto, de ter igualmente cometido “crimes de guerra” no Líbano, visando “deliberadamente” instalações civis e de ter utilizado bombas de fragmentação no final do conflito.
Para Irene Khan, “o facto de Israel ter igualmente cometido violações graves não justifica, de modo nenhum, as violações levadas a cabo pelo Hezbollah. Os civis não podem pagar o preço da conduta de cada campo”.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Triste Realidade


Os conhecimentos e aptidões da população adulta portuguesa não podiam ser piores: estamos em último lugar, entre 30 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no que se refere ao tempo médio que os cidadãos com mais de 25 anos passaram na escola. O indicador contabiliza em oito e meio os anos gastos em regime de educação formal no País, contra uma média global de 11,9 em todos os países.
Vale a pena dizer que a tendência está a mudar: a faixa etária dos 25 aos 34 anos apresenta uma subida de mais de 20 pontos percentuais, em relação ao grupo dos 45/54 anos, no que se refere à frequência do ensino secundário. Mesmo assim, os que realmente concluem o 12.º ano são apenas 40% dos indivíduos deste grupo etário. E 25 % do total da população portuguesa, contra 67% da média da OCDE. A manter-se a taxa de crescimento anual, estaremos a par da actual realidade dos outros países em 2013.
As más notícias e a perspectiva evolutiva pertencem ao relatório anual da OCDE dedicado ao ensino, Education at a Glance 2006. Na lista das qualificações da população adulta somos seguidos pelo México e Turquia, penúltimo e antepenúltimo lugares - países onde, tal como no nosso, mais de metade da população entre os 25 e os 64 anos não completou o secundário. No topo da escala surge a Noruega, onde a permanência média no sistema educativo é de quase 14 anos, seguida da Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos.
O relatório, extenso e dedicado a 26 indicadores principais, repartidos por 30 países, aborda também a polémica questão da Matemática. Portugal destaca-se mais uma vez pela negativa: é o segundo país da OCDE que menos tempo dedica à disciplina e às competências da língua materna no currículo do 2.º ciclo do Ensino Básico, a par com a Irlanda. Reportando-se a dados de 2004, o relatório assinala que apenas 12% do currículo dos alunos portugueses entre os nove e os 11 anos é consagrado à Matemática, menos 4% do que a média dos países analisados. Atrás de nós só a Austrália, que dedica 9% do tempo de aulas aos números - e 13% à sua língua materna, logo seguida por Portugal, com apenas 15%.
Mas há outros dados interessantes no que respeita à proficiência dos alunos portugueses com os números. Apenas 6% conseguiu atingir os dois níveis mais elevados de competência matemática do PISA 2003, outro estudo da OCDE dedicado apenas à disciplina - concentrando-se a quase totalidade dos alunos nos níveis mais baixos. A explicação tem mais a ver com as diferenças dentro de cada escola - isto é, alunos com a mesma idade mas retidos em diferentes níveis de escolaridade, devido a reprovações - do que entre escolas. No entanto, quando há assimetrias entre as instituições de ensino, estas estão anexadas a uma certa estratificação económica, social e cultural.
Apesar de terem menos tempo de aulas na maioria das áreas, os alunos portugueses passam mais horas na escola do que a média dos países da OCDE. Veja-se o exemplo do 2.º ciclo, com as crianças entre os nove e os 11 anos a passarem 874 horas por ano na sua instituição de ensino, mais 66 do que a média dos países analisados. Quanto aos gastos, em Portugal são 4 422 euros bem contabilizados por estudante, desde o ensino básico até ao superior: o País consegue o 23.º lugar entre todos os países no que se refere a este indicador. Abaixo da média da totalidade dos países, claro, que é de 5 381 euros por aluno. Uma salvaguarda: apesar de ser menos do que o que os outros gastam, esse montante representa para Portugal uma maior fatia do Produto Interno Bruto per capita do que para esses mesmos países. Aqui, a questão é mesmo relativa. DN.

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro


Comemora-se hoje o quinto aniversário dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono.
Cinco anos depois, há mais terrorismo, há mais mortes, há mais guerras, há menos liberdade, há mais violações dos Direitos Humanos e há mais violação de direitos constitucionais.
Cinco anos depois, deveríamos viver num mundo mais seguro mas aparentemente, a subtracção da liberdade não nos deu segurança. Como alguém já disse, quem troca a liberdade pela segurança, não merece nenhuma delas.
Cinco anos depois do maior ataque terrorista de sempre, o alegado autor, Bin Laden, continua à solta, apesar de duas guerras, Afeganistão e Iraque, milhares de vidas ceifadas e milhões de dólares gastos para a sua captura.
Cinco anos depois e nunca até hoje, as pessoas estiveram tão em desacordo, quanto à identidade dos verdadeireiros autores dos atentados, daquela manhã fatídica.

Se por um lado, na imprensa de referência, surge com clara evidência, a versão de um ataque terrorista efectuada pela Al-Qaeda, por outro lado alimentada pela Internet, surge a versão de um golpe terrorista, levado a cabo pelo aparelho de estado dos Estados Unidos da América.
Uma sondagem da Scripps-Howard Foundation, revelou, na semana passada, que 36 por cento dos americanos acham ser “provável” ou “muito provável” que a administração tenha sido cúmplice dos ataques de 11 de Setembro, ou participaram na conspiração ou não actuaram para evitar a sua execução. O mesmo inquérito indicava que 16 por cento da população acredita que o colapso das Torres Gémeas foi despoletado por explosivos, e 12 por cento considera que o Pentágono foi atingido por um míssil e não por um avião.

Existem duas versões claramente distintas dos ataques terroristas:

Versão Oficial

Eram 8h46 quando um Boeing 757 da American Airlines chocou contra a torre norte do World Trade Center. Cerca de um quarto de hora depois, às 9h03, já com todas as televisões em directo do local, um segundo aparelho, um Boeing 767 da United Airlines colidiu na torre sul. Imagens de terror, que arrepiaram todo o Mundo, cujo o assombro foi amplificado com o desmoronamento do edifício, cerca de hora e meia mais tarde.
Entretanto, meia hora depois do segundo embate no World Trade Center, um terceiro avião desviado despenhou-se sobre o Pentágono, em Washington.
Mais meia hora e um quarto aparelho caiu num campo aberto na Pensilvânia, o quarto ataque, que teria como alvo o Capitólio ou a Casa Branca, acabou por ser gorado pelos próprios passageiros do voo 93 da United Airlines, que já sabiam o que acabara de acontecer em Nova Iorque.
Quase 3.000 pessoas morreram: 2.602 no World Trade Center, 125 no Pentágono e 246 nos quatro aviões desviados.
O ataque foi reivindicado um ano depois pela Al-Qaeda, mas desde logo o seu líder Bin Laden foi apontado como o principal suspeito.
Por detrás dos maiores atentados terroristas de sempre, estiveram 19 jovens árabes extremistas que, armados com x-actos, canivetes e latas de ‘spray’ de pimenta, sequestraram e desviaram quatro voos domésticos. Ter-lhes-á bastado menos de 400 mil euros para levar a cabo a acção.

Versão Não Oficial

As Torres Gémeas vieram abaixo por demolição controlada com explosivos pré-posicionados e não devido a choques de aviões.
O edifício 7 do complexo do World Trade Center, onde não se verificou qualquer choque de avião, também veio abaixo por demolição controlada.
O Pentágono foi atingido por um míssil e não por um Boeing 757, ironicamente, no dia em que comemorava o 60º aniversário do início da sua construção.
No local onde se afirma ter-se despenhado o Voo 93 da United Airlines só ficou uma pequena cratera com seis metros de diâmetro e um amontoado de lixo que de forma alguma poderia pertencer ao Boeing 757.

Quase 3.000 pessoas morreram: 2.602 no World Trade Center, 125 no Pentágono e 246 nos quatro aviões desviados.
A Al-Qaeda foi uma criação dos serviços secretos americanos.
Por detrás dos maiores atentados terroristas de sempre, estão os antigos membros do think tank neoconservador Project for a New American Century (PNAC), Dick Cheney, Paul Wolfowitz, Jed Bush, George Tenet e Donald Rumsfeld, que controlam actualmente a administração Bush, e que diziam no seu relatório de 2000, "O processo de transformação, mesmo que provoque mudança revolucionária, provavelmente será longo (O início de Um Novo Século Americano) se faltar um evento catastrófico e catalisador como um novo Pearl Harbour" (in Rebuilding America's defences: strategies, forces and resources for a New American Century).


Estas versões são irremediavelmente antagónicas, no entanto não tenho dúvidas, que no dia 11 de Setembro de 2001, os quatro atentados terroristas mataram quase 3000 inocentes.
Quanto à autoria dos atentados, não consigo responder claramente, se foi perpetrado pela Al-Qaeda, pelos Neo-conservadores do PNAC ou pelas agências de inteligência americanas, tais como a NSA, o FBI e a CIA..