sexta-feira, novembro 16, 2007

José Saramago


A vida de José Sousa começa às duas horas da tarde de 16 de Novembro de 1922, na pequena aldeia de Azinhaga, concelho da Golegã. A vida de José Saramago, começará dois dias mais tarde no Registo Civil da Golegã, “…indo o meu pai declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros.” (As Pequenas Memórias).
Filho de José de Sousa e de Maria da Piedade, ambos camponeses (o seu pai seria anos mais tarde polícia), viveria os primeiros tempos na aldeia ribatejana que o viu nascer. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha dois anos de idade. A maior parte da sua vida decorreu em Lisboa, embora até ao princípio da idade adulta, passase prolongadas estadias na sua aldeia natal, superiormente contadas no livro, As Pequenas Memórias.
Em 1929 iniciou a escola primária, na escola Morais Soares. Em 1933, matricula-se no Liceu Gil Vicente, onde estudaria dois anos. Vem-lhe dessa altura o gosto pela leitura: sem acesso a livros, passava a pente fino as páginas do “Diário de Notícias”, que o pai levava todos os dias para casa, oferecido por "algum amigo ardina". Em 1934 as dificuldades económicas fazem-se sentir e José transita para a Escola Industrial Afonso Domingues, concluindo o curso de Serralharia Mecânica em 1939.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, passando de seguida a desenhador, logo de seguida, obtém emprego nos Hospitais Civis de Lisboa. Por meio da leitura, procura melhorar a sua formação intelectual, frequentando a biblioteca do palácio das Galveias. É aí que inicia o seu contacto com a literatura.
Em 1942 é transferido para os serviços administrativos do Hospital Civil de Lisboa e no ano seguinte passa a trabalhar na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.
Em 1944 casou-se com a pintora Ilda Reis, de quem se divorciaria em 1970.
Em 1947, nasce a filha Violante e, a Minerva publica um romance seu, intitulado A Viúva, pelo autor e transformado em Terra de Pecado, pela editora.
Depois dessa primeira experiência, Saramago interrompe a escrita, que só retomará em 1966, ao publicar Os Poemas Possíveis. Em 1949, o apoio à campanha de Norton de Matos à Presidência da República leva-o a perder o emprego na caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica. No ano seguinte conseguiu ingressar na Caixa de Previdência da Companhia Indústrias Metálicas Previdente, onde permanecerá até 1959. Em 1955 começou a colaborar com a Editorial Estúdios Cor, à qual se dedicou em exclusivo desde 1959 até 1971, como editor literário.
Em 1966 retomou a actividade literária, publicando o seu primeiro livro de poesia, Os poemas possíveis. Daí em diante a escrita tornou-se uma actividade permanente. Em 1968 iniciou a actividade jornalística, publicando textos de crítica literária na revista “Seara Nova” e, em 1972, começou a trabalhar no “Diário de Lisboa”, passando, no ano seguinte, a dirigir o suplemento literário do jornal.
Colaborou também com a revista Arquitectura (1974). Entretanto, em 1969, aderiu ao Partido Comunista Português, ao qual permaneceu fiel até hoje. No entanto, em 1988 foi um dos subscritores do “documento da terceira via”.
Após o 25 de Abril chegou a trabalhar no Ministério da Comunicação Social, como assessor. Também nessa altura chegou a coordenar uma equipa de dinamização cultural no Fundo de Apoio aos organismos Juvenis (FAOJ).
Em 1975 é nomeado director-adjunto do “Diário de Notícias”, mas é dispensado após o 25 de Novembro. Que o levaria a dizer que como escritor, é um produto do 25 de Novembro: “Como escritor, sou um produto do 25 de Novembro. Com o 25 de Novembro, fiquei sem trabalho e com pouca esperança de conseguir um sítio onde o encontrar. Eu estava muito marcado. Decidi, aos 53 anos, que seria “agora ou nunca”. Se as circunstâncias me retiraram a possibilidade de trabalhar, iria escrever. Não foi fácil. Durante uns anos vivi de traduções. Eu já não estava no circuito, ninguém pensou mais em mim e ainda bem. Fechei-me em casa a traduzir para ganhar a vida e para escrever”. (Diário de Notícias, 2005-11-09).
A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.
Em 1982 edita a sua obra mais emblemática, O Memorial do Convento. O livro apresenta duas histórias paralelas: reescreve a história de Portugal através da construção do Convento de Mafra por D. João V; e paralelamente conta a história de amor entre Baltazar Mateus, o Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas.
A primeira história, irónica e crítica, revela episódios da história portuguesa no tempo da construção do Convento de Mafra. D. João V, persuadido pelo clero, oferece a obra a Deus para que a rainha engravide e lhe dê um herdeiro. Saramago satiriza e ridiculariza os hábitos da realeza, desnudando o poder exercido pela elite e pelo clero sobre o povo oprimido.
A segunda história, com a qual a primeira se entremeia, é a história de amor, entre Blimunda e Baltazar; ambos pessoas humildes do povo, que se unem ao Padre Bartolomeu Lourenço no seu sonho de voar, através da construção de uma máquina, a qual chamam de Passarola.
Blimunda tem poderes especiais, consegue ver as pessoas por dentro e torna-se a responsável por captar as vontades das pessoas moribundas. As vontades são recolhidas e servem de combustível para a passarola, uma espécie de metáfora de liberdade. O Padre Bartolomeu, Baltazar e Blimunda conseguem fazer com que a máquina voe, porém, o padre passa a ser perseguido pela Inquisição, e foge para Toledo, onde acaba por morrer.
Baltazar e Blimunda cuidam da passarola que foi escondida. Baltazar durante a manutenção da máquina acaba por voar nela e nunca mais volta. Blimunda procura-o durante nove anos por todas as partes do país, até que em Lisboa, durante um auto de fé, reconhece Baltazar a caminho da fogueira. Quando Baltazar está para morrer, desprendeu-se a sua vontade e é recolhida dentro do peito de sua amada Blimunda.”
Fez parte da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e, entre 1985 e 1994, foi presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Em 1988 casou com a jornalista espanhola Pilar del Rio.
Em 1991 publicou a sua obra mais polémica o Evangelho Segundo Jesus Cristo, obra incómoda para os sectores mais tradicionais da sociedade portuguesa, tendo o Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetado em 1992 a sua candidatura ao Prémio Literário Europeu. Quando perguntaram a Sousa Lara porque é que o romance de José Saramago foi cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, Sousa Lara afirmou, “Porque não representa Portugal. Esta minha atitude nada tem a ver com estratégias de venda, nem sequer com opções literárias. E muito menos com as escolhas políticas de Saramago. Não entrou em linha de conta o facto de ele ser comunista ou pertencer à Frente Nacional para a Defesa da Cultura”.(Público, 25 de Abril de 1992). Reafirmando dias mais tarde, em plena Assembleia da República que, “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.” Esta polémica, levou o escritor a ir viver definitivamente para Lanzarote, nas ilhas Canárias, corria o ano de 1993.
O romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi mal recebido pelos círculos religiosos, em quase todos os países católicos, mas na Rússia, foi alvo de um apelo especial. A 11 de Dezembro de 1998, os participantes da conferência “Segurança Espiritual da Rússia”, realizada em Moscovo, lançaram um apelo ao Presidente, Governo, Parlamento e Procuradoria-Geral da Rússia, no qual, entre outras coisas, se afirmava: “Consideramos absolutamente inadmissível a publicação na Rússia do livro “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie, que ofende até ao fundo da alma os sentimentos religiosos dos muçulmanos, do filme de Scorsese “A Última Tentação de Cristo” e do livro de José Saramago “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que é um insulto aos sentimentos de todos os cristãos da Rússia”. Foi publicado à mesma, com um relativo sucesso.
Em 9 de Outubro de 1998, a Real Academia Sueca comunicou a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago “que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia, torna constantemente compreensível uma realidade fugidia”.Com esta justificação, a referida Academia destacava pela primeira vez, não só um escritor português, mas também a Língua Portuguesa.
José Saramago reagiu com humildade quando soube da atribuição do Prémio Nobel da Literatura: “Sou português, não quero nem posso ser outra coisa, mas por circunstâncias várias a minha Pátria cresceu, que é o que mais podemos desejar. ... Não nasci para isto... O facto de ser Prémio Nobel não significa que seja o único que o merecia em Portugal. Fernando Pessoa merecia mil prémios Nobel.”
A 3 de Dezembro de 1998, o Presidente da República, Jorge Sampaio, concedeu-lhe, a título excepcional, o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada, distinção reservada tradicionalmente a chefes de estado.
Depois de José Saramago receber o Nobel da Literatura, a Fundação Círculo de Leitores, decidiu criar em sua homenagem o “Prémio Literário José Saramago” destinado a promover a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita por jovens autores de grande qualidade. O Prémio com periodicidade bienal e no valor de €25 000,00, distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país lusófono, excluindo as obras póstumas.
Em 29 de Junho de 2007, José Saramago criou uma fundação com o seu nome que irá preservar e estudar a sua obra literária e espólio e ainda tomar partido, “por grandes e pequenas causas”. Na declaração de princípios escrita pelo autor, determina este, que a fundação deve assumir nas suas actividades, como norma de conduta, “tanto na letra como no espírito”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que mereçam particular atenção os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, “os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo”. (Lusa/JL).
O percurso literário de sucesso de José Saramago, é acompanhado e recheado com diversas polémicas, de entre as quais se destaca a posição crítica em relação a Israel, no conflito eterno com os palestinianos. Numa entrevista ao jornal Globo, afirmou “que os Judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto... Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós. (Wikipédia).
A sua mais recente polémica foi espoletada, por uma entrevista ao jornal Diário de Notícias em 15 de Julho de 2007, o Nobel português defendeu, que Portugal deveria tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender as susceptibilidades dos portugueses. O escritor considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha. Portugal tornar-se ia assim, mais uma província de Espanha: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (a Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, seria uma questão a negociar" disse o escritor.(Lusa).
José Saramago tem uma extensa obra publicada, desde de poesia, Os Poemas Possíveis, 1966, Provavelmente Alegria, 1970, O Ano de 1993, 1975, também tem editado livros de Crónicas, e Memórias, Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL teve, 1974, Os Apontamentos, 1976, A Estátua e a Pedra, 1966, Folhas Políticas (1976-1998), 1999, Saramago na Universidade, 1999, Aquí soy Zapatista, 2000, Andrea Mantegna. Un’etica, un’estetica, 2002, El Nombre y la Cosa, 2006, As Pequenas Memórias, 2006, passando por livros de viagens, Viagem a Portugal, 1981, continuando com o Teatro, A Noite, 1979, Que Farei com Este Livro?, 1980, A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987, In Nomine Dei, 1993, Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido, 2005.
Escreveu também um diário em 5 partes, Cadernos de Lanzarote - I, 1994, Cadernos de Lanzarote - II, 1995, Cadernos de Lanzarote - III, 1996, Cadernos de Lanzarote - IV, 1997, Cadernos de Lanzarote - V, 1998, alguns contos, Objecto Quase, 1978, Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979, O Conto da Ilha Desconhecida, 1997, A Maior Flor do Mundo, 2001.
No entanto é a sua obra romanesca a mais importante. José Saramago tem editado uma extensa lista de romances:Terra do Pecado, 1947, Manual de Pintura e Caligrafia, 1977, Levantado do Chão, 1980, Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa, 1989, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991, Ensaio sobre a Cegueira, 1995, Todos os Nomes, 1997, A Caverna, 2000, O Homem Duplicado, 2002, Ensaio Sobre a Lucidez, 2004, As Intermitências da Morte, 2005. (Editorial Caminho).
Os livros de José Saramago encontram-se publicados em 53 países e em 42 idiomas.
O seu romance Memorial do Convento foi adaptado a ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título Blimunda. A estreia mundial, com encenação de Jerôme Savary, realizou-se no Teatro alla Scala, Milão, em 20 de Maio de 1990. Também da peça In Nomine Dei foi extraído um libreto, o da ópera Divara, estreada em Munster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf. Igualmente de Azio Corghi é a música da cantata A Morte de Lázaro sobre textos de Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e In Nomine Dei, interpretada pela primeira vez em Milão, na igreja de San Marco, em 12 de Abril de 1995. Ainda de Azio Corghi é a música da cantata sobre O Ano de 1993, interpretada pela primeira vez em Florença, em 8 de Junho de 1999. Da sua obra teatral Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido foi extraído o libreto da ópera de Azio Corghi Il Dissoluto Assolto, estreada em Lisboa, em 18 de Março de 2006, no Teatro Nacional de São Carlos. O seu romance A Jangada de Pedra foi adaptado ao cinema pelo realizador holandês George Sluizer em 2002, com o título de Het Stenen Vlot Spoorloos (Caminho).
Obras de José Saramago recebeu ao longo da sua carreira muitos prémios, de entre os quais se destacam:
Prémio da Associação de Críticos Portugueses “A Noite”, 1979, Prémio Cidade de Lisboa “Levantado do Chão”, 1980, Prémio PEN Clube Português “Memorial do Convento”, 1982, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1984, Prémio Literário Município de Lisboa “Memorial do Convento”, 1982, Prémio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, Prémio Dom Dinis “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1986, Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, 1992, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Camões, 1995, Prémio Grinzane-Cavour “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1987, Prémio Internacional Ennio Flaiano (Levantado do Chão), 1992, Prémio do jornal The Independent “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1993, Prémio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra), Prémio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 ( pelo conjunto da obra), Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Nobel da Literatura, 1998, Prémio Europeu de Comunicação Jordi Xifra Heras (Girona) 1998, Prémio Nacional de Narrativa Città di Pienne (Itália) 1998, Prémio Canárias Internacional, 2001).
Em reconhecimento do seu trabalho literário foram atribuídas a José Saramago as seguintes distinções honoríficas: Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada 1985); Grande Colar da Ordem Militar de Santiago de Espada (1998). Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras ( França 1991); Oficial da Legião de Honra (França), Grã-Cruz da Ordem «Ilhas Canárias» (Espanha), Medalha Guayasamin-UNESCO; Medalha Rumiñahui (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Cultural e Literário do Congresso Nacional (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Educativo e Cultural «Juan Montalvo» (Equador), Medalha Isidro Fabela da Faculdade de Direito da UNAM (México).
José Saramago é Doutor «Honoris Causa» pelas Universidades de Turim (Itália), Sevilha (Espanha), de Manchester (Reino Unido), de Castilla -La Mancha (Espanha), de Brasília (Brasil), de Évora (Portugal), de Rio Grande do Sul (Brasil), de Minas Gerais (Brasil), de Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), Politécnica de Valência (Espanha), Fluminense (Brasil), de Nottingham (Reino Unido), de Santa Catarina (Brasil), Michel de Montaigne – Bordéus (França), de Massachussets, Dartmouth (Estados Unidos da América), de Salamanca (Espanha), de Santiago (Chile), de la República del Uruguay (Uruguai), de Roma Tre (Itália), de Granada (Espanha), Carlos III (Espanha), Universitá per Stranieri di Siena (Itália), de Alberta (Canadá), Autónoma do Estado de México Toluca (México), de Tabasco (México), de Buenos Aires (Argentina), Charles-de-Gaulle – Lille 3 (França), de Alicante (Espanha), de Coimbra (Portugal), Autónoma de Madrid (Espanha), de El Salvador (São Salvador), Nacional (Heredia - Costa Rica), de Estocolmo (Suécia), Nacional de Irlanda (Dublin).
Membro «Honoris Causa» do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); Membro correspondente da Academia Argentina de Letras; Membro do Patronato de Honra da Fundação César Manrique, Lanzarote (Canárias); Membro da Academia Europeia de Yuste (Espanha); «Beca de Honor» da Residência de Estudantes da Universidade Carlos III (Espanha); Sócio Honorário da Academia de Ciências de Lisboa; Membro da Academia Internacional de Humanismo (Amherst, Estados Unidos da América); Membro Honorário do Instituto Caro Y Cuervo, de Bogotá (Colômbia); Membro titular da Academia Europeia das Ciências, das Artes e das Letras, de Paris (França); Membro do Conselho do Futuro (UNESCO), Paris; Membro da Academia da Latinidade; Membro da Academia do Mediterrâneo; Sócio Honorário da Associação Provincial de Sevilha de Amizade com o Povo Sahauri (Espanha); Professor Coordenador Honorário do Instituto Politécnico de Leiria (Portugal); Presidente Honorário de Son Latinos (Espanha); Presidente Honorário da Fundación Alonso Quijano (Málaga); Académico Honorário da Academia Canaria de la Lengua (Canárias); Presidente Honorário da Fundação Centro José Saramago (Castril – Espanha); Membro do Comité de Honor da Fundação Rafael Alberti; Membro do Conselho Supremo das Academias de Colômbia; Membro Honorário do Centro Nacional de Cultura (Lisboa); Membro Honorário do Conselho Consultivo do Brussels Tribunal.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Astrid Lindgren


Cumpre-se hoje 100 anos do nascimento de Astrid Lindgren, mundialmente famosa pela criação da personagem Pipi das Meias Altas.
Astrid Anna Emilia Ericsson, depois do casamento Lindgren, nasceu a 14 de Novembro de 1907, em Vimmerby, Smaland, filha de agricultores, pôde crescer em liberdade na quinta dos pais, que mantinham o costume de contar histórias aos quatro filhos, encorajando possíveis esforços literários. Em muitos dos seus livros, a escritora descreve lugares e aventuras que experimentou na sua infância.
Aos dezoito anos de idade engravidou e, face à reacção da família, optou por se mudar para Estocolmo. Fez estudos técnicoprofissionais para poder vir a tornar-se administrativa, tendo conseguido uma colocação no Real Automóvel Clube da Suécia. Em 1931, casou com Sture Lindgren.
Astrid Lindgren tornou-se conhecida internacionalmente como a criadora da Pippilotta Viktualia Rullgardina Krusmunta Efraemsdotter Laangstrump, ou seja, Pipi das Meias Altas, uma rapariga órfã, de sardas irreverentes, meias altas e tranças ruivas que vive sozinha com um macaco e um cavalo, dona de uma árvore que dá chocolates e limonadas e de uma mala cheia de ouro.
Astrid Lindgren começou a criar as suas histórias quando a sua filha Karin ficou doente aos 7 anos e pediu que lhe contasse as histórias de Pipi das Meias Altas. Na época em que foram publicadas (1945), as suas aventuras divertiram os mais novos, mas chocaram alguns críticos que temeram o efeito adverso na educação das crianças. A sua abordagem fantástica, desconcertante para alguns, do universo infantil, nascia, segundo a autora, "de uma tentativa de divertir a criança que havia em si e, através dela, outras crianças".
Apesar de ter sido um grande sucesso, Astrid Lindgren não encontrou receptividade para editar imediatamente as suas histórias. A sua primeira tentativa fracassou pois o editor não queria ter responsabilidade por histórias que mostravam crianças brincando e desarrumando tudo à sua volta. Felizmente, Astrid Lindgren procurou outro editor, que com os contos de Astrid Lindgren se salvou a si mesmo da falência. Graças a ele, o mundo pode conhecer as lindas histórias de Astrid Lindgren.
As aventuras de Pipi das Meias Altas, foram passadas para uma série de televisão nos anos sessenta que obteve um sucesso estrondoso em todo o mundo. A série passou em Portugal nos anos setenta.
Na década de 60 Astrid Lindgren protestou contra a Guerra do Vietname e, em 1976, resolveu empreender uma campanha contra a injustiça nos impostos do governo sueco, quando chegou à conclusão que lhe eram cobrados cento e dois por cento dos seus rendimentos. Foi também a responsável pela aprovação de uma lei em 1988, em favor dos direitos dos animais, que ficou conhecida como Lex Astrid.
Astrid Lindgren escreveu mais de cem obras, entre romances, contos adaptados ao cinema e televisão, livros de canções e poesia - e recebeu importantes distinções, nomeadamente os prémios literários Hans Christian Andersen, em 1958, Lewis Carrol, em 1973, o International Book Award, da Unesco, e o Right Livelihood Award, também conhecido como “Prémio Nobel Alternativo” em 1993 . Astrid Lindgren, foi traduzida para 86 línguas e vendeu mais de 80 milhões de livros.
Os seus livros têm quase sempre como cenário o campo e como personagens principais crianças, reflectindo a sua própria experiência. As suas histórias diferem muito dos clássicos infantis da época. Nos seus artigos de 1939 e 1949, Astrid Lindgren defendia os direitos das crianças a serem tratadas como seres humanos sem serem oprimidos. Na sua época Astrid Lindgren revolucionou a literatura infantil da mesma maneira que antes fizera Lewis Carrol e agora o faz J.K. Rowling.
Astrid Lindgren faleceu em Estocolmo, após doença prolongada, em 28 de Janeiro de 2002.
Para honrar a sua memória, e fomentar a literatura infantil e juvenil a nível mundial, o Governo Sueco estabeleceu um prémio internacional em sua memória: O Prémio de Literatura em Memória de Astrid Lindgren (ALMA – Astrid Lindgren Memorial Award).
O Prémio no valor de cinco milhões de coroas suecas é o maior prémio internacional de literatura infantil e juvenil, e o segundo maior prémio de literatura do mundo. O Prémio é atribuído todos os anos a um ou a mais premiados, independentemente do idioma ou nacionalidade. As obras deverão ser de alta qualidade artística e marcadas pelo humanismo profundo que caracterizava Astrid Lindgren.

terça-feira, novembro 13, 2007

Luís Sepúlveda


Luís Sepúlveda, nascido a 4 de Outubro de 1949 na cidade de Ovalle, província de Limarí, é mundialmente conhecido como escritor, apesar de ser também, jornalista, activista político e realizador de cinema. Membro da Juventude Comunista a partir de 1964, licenciou-se em Santiago do Chile em encenação teatral.
Em 1969 ganha uma bolsa de estudo de cinco anos, na Universidade Lomonosov de Moscovo. No entanto só ficaria cinco meses na capital soviética, pois foi expulso da Universidade por “atentado à moral proletária”, causado, segundo a versão oficial, por Luís Sepúlveda manter contactos com alguns dissidentes soviéticos.
De regresso ao Chile é expulso da Juventude Comunista, adere ao Partido Socialista Chileno e torna-se membro da guarda pessoal do presidente Salvador Allende. No golpe militar do dia 11 de Setembro de 1973, que levou ao poder o ditador general Augusto Pinochet, Luís Sepúlveda encontrava-se no Palácio de La Moneda a fazer guarda ao Presidente Allende.
Depois do golpe de Estado, foi preso por dois anos e meio, mas a pressão da secção alemã da Amnistia Internacional conseguiu que Luís Sepúlveda deixasse a prisão de Temuco e fosse colocado em prisão domiciliária. Conseguiu escapar da prisão domiciliária e durante um ano viveu no Chile clandestinamente. Com a ajuda de um amigo formou um grupo de teatro que se converteu no primeiro foco de resistência cultural, à propaganda fascista do General Pinochet.
A polícia secreta conseguiu descobrir o paradeiro de Luís Sepúlveda levando-o novamente à prisão. Desta vez foi condenado a prisão perpétua, por traição e subversão. No entanto a pena foi imediatamente reduzida para 28 anos de prisão.
Mais uma vez a secção alemã da Amnistia Internacional o ajudou e a sentença de prisão foi convertida em 8 anos de exílio. Em 1977 a ditadura chilena autoriza a partida de Luís Sepúlveda para a Suécia, para ensinar literatura espanhola.
Na viagem para a Suécia, durante uma paragem técnica em Buenos Aires, escapou-se do avião e foi para o Uruguai. Depois de uma passagem fugaz pelo Brasil e pelo Paraguai, instalou-se em Quito, capital do Equador. Nesta cidade dirigiu o teatro da Aliança Francesa e fundou uma companhia teatral. Viveu durante sete meses no seio da comunidade dos índios Shuar, participando numa missão de estudo da UNESCO, que tinha como objectivo estudar o impacto da colonização na forma de vida deste povo.
Em 1979 alistou-se nas fileiras sandinistas, na Brigada Internacional Simon Bolívar, que lutava contra a ditadura de Anastácio Somoza. Depois da vitória da revolução sandinista, trabalhou como repórter.
A partir de 1982 Luís Sepúlveda instalou-se em Hamburgo na Alemanha, por causa da admiração que tinha pela literatura alemã. Nesta cidade trabalhou durante algum tempo como motorista. Entretanto a revista alemã Der Spiegel contratou-o como correspondente de guerra em Angola, de onde narrou a intervenção cubana e a derrota das tropas de elite da África do Sul. Por esta altura começa também a sua ligação activa ao Greenpeace, que duraria até 1987.
Esta actividade na Greenpeace será pano de fundo de muitas das obras de Luís Sepúlveda nomeadamente o seu maior sucesso, "O Velho que Lia Romances de Amor" (1989), que Luís Sepúlveda dedica ao seu amigo Chico Mendes, o grande defensor da floresta amazónica.
Em 1996, muda de país e instala-se em Gijón, Espanha, onde vive actualmente. Nesta cidade fundou o Salão do livro ibero-americano, destinado a promover o encontro de escritores, editores e livrarias latino-americanas com os seus homólogos europeus.
Luís Sepúlveda já vendeu mais de 15 milhões de exemplares na Europa e é um dos autores hispano-americanos mais traduzidos das últimas décadas.
À sua primeira obra narrativa, “Crónicas de Pedro Nadie” (1969) seguiu-se um longo silêncio resultante do seu empenhamento político durante o breve Governo de Salvador Allende e dos problemas com a ditadura chilena. Em 1986 publicou a colectânea de contos “Los Miedos, las Vidas, las Muertes y Outras Alucinaciones”, e a partir de então, a sua produção literária não parou de crescer.
De entre inúmeros títulos, são de mencionar O Velho Que Lia Romances de Amor 1989), O Mundo do Fim do Mundo (1989), Encontro de Amor Num País em Guerra, (1997), Nome de Toureiro (1994), Diário de um Killer Sentimental (1999), História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (1996), Patagónia Express (1996), As Rosas de Atacama (2000), O General e o Juiz (2003), Uma História Suja (2004), O Poder dos Sonhos (2006).
Luís Sepúlveda já recebeu vários prémios, entre eles, "Prémio Gabriela Mistral de Poesia" (1976), "Prémio Rómulo Gallegos de Novela"(1978), "Primer Prémio de Novela Corta Juan Chabás" (1990), "Prix France de Culture" (1992) e "Prémio Internazionale Ennio Flaiano"(1993).
 

domingo, novembro 11, 2007

Norman Mailer


O escritor norte-americano Norman Mailer, (nascido em Long Branch, Nova Jersei, a 31 de Janeiro de 1923), morreu, ontem, no Hospital de Mount Sinai, em Nova Iorque, Estados Unidos, de insuficiência renal, informou J. Michael Lennon, o seu executor literário e biógrafo oficial. Contava 84 anos.
Duas vezes vencedor do Prémio Pulitzer, Norman Mailer ganhou cedo o epíteto de "enfant terrible" da literatura norte-americana do pós-guerra.
Com opinião formada sobre quase todos os assuntos, o escritor combinou um formidável talento para a escrita com uma atitude de lutador de rua. Ligado à contracultura, autor de 11 romances e vários ensaios e peças de teatro, o autor de "Os nus e os mortos" foi um dos intelectuais mais famosos dos Estados Unidos.
Com escritores como Gore Vidal, Tom Wolfe e John Updike, fez parte de um clube único de novelistas e ensaístas que desafiaram e, muitas vezes, ultrajaram os leitores, com as suas reflexões sobre a vida, história e moralidade norte-americanas.
Co-fundador da revista alternativa nova-iorquina "Village Voice", Norman Mailer é também um dos pais do "novo jornalismo", que ajudou a divulgar a partir dos anos 60, com artigos em dezenas de jornais e revistas.
"O fantasma de Hitler" é a sua obra mais recente lançada em Portugal, onde estão também editados "Os nus e os mortos", "O canto do carrasco" (Prémio Pulitzer em 1979), "Os duros não dançam", "O exército da noite" (Prémio Pulitzer em 1968) e "Um sonho americano".
Elogiado e criticado ao mesmo tempo e com a mesma veemência, a primeira obra significativa de Norman Mailer foi o já referido "Os nus e os mortos", de 1948."Deaths for the Ladies and Other Disasters" é o livro de poesia, lançado em 1962.
Dirigiu, ainda, quatro filmes, entre 1967 e 1987 "Wild 90", "Beyond the Law", "Maidstone" e "Tough Guys Don't Dance".
No final dos anos 40, trabalhou em Hollywood como argumentista e o seu terceiro romance, "O Parque dos Veados", é sobre a corrupção dos valores naquele meio cinematográfico. Em 1973, escreveu "Marilyn", sobre a loura estrela de cinema.
Candidato independente a "mayor" de Nova Iorque em 1969, Norman Mailer foi sempre muito crítico da autoridade institucional do seu país.
Apesar de, quando atingiu a meia idade, ter abandonado muitos dos vícios que ostentava (nos quais não faltavam as drogas e o álcool), para muitos críticos, Norman Mailer permaneceu como a autêntica e ultrajante voz de toda uma geração.
"Norman Mailer revolucionou o grande jornalismo do século XX e, como consequência, o próprio romance de actualidade", declarou o jornalista e escritor Fernando Dacosta.
"De maneira muito habilidosa, Mailer parte de factos concretos, de acontecimentos e figuras reais e depois conta a história disso usando as técnicas da grande ficção". O resultado é a construção de "textos que são, ao mesmo tempo, obras-primas do jornalismo e da literatura".
Para Dacosta, chavões como objectividade empobrecem o jornalismo e Mailer "fica na história como uma figura de charneira" dessa corrente que, nos Estados Unidos, rompeu com preconceitos existentes no jornalismo, como Truman Capote e Ernest Hemingway.
Em Portugal, o escritor José Cardoso Pires, "fascinado pelo 'novo jornalismo', escreveu dentro dessa linha a 'Balada da Praia dos Cães'", disse.
Por seu lado, o também jornalista e escritor Baptista-Bastos considerou Norman Mailer um "grandessíssimo e importantíssimo escritor, que saiu da linha da grande tradição liberal norte-americana, cujos valores não são os mesmos dos actuais, e é quem mais se aproxima de Ernest Hemingway".
Acrescentou que Mailer era igualmente um "homem violentíssimo", que tinha um enorme "peso por ser judeu" e que interveio sempre de forma "extremamente violenta" na sociedade norte-americana.
Baptista-Bastos, recorda, a propósito, o livro "Os exércitos da noite", publicado em Portugal pela D. Quixote antes do 25 de Abril de 1974 e que foi "imediatamente apreendido pela PIDE"."
Apesar de ser acusado pelas feministas de ser um machista do piorio, e era-o porque até batia nas mulheres, Mailer era um escritor fenomenal", frisou.Fonte: JN.

terça-feira, outubro 16, 2007

Adriano Correia de Oliveira


Adriano Correia de Oliveira morreu faz hoje 25 anos. Tinha apenas 40 anos, deixava para trás uma luta infindável pela liberdade, e cerca de 90 canções que testemunharam esse empenho no combate político e pela cultura portuguesa.
Herói da música de intervenção e da resistência antifascista foi segundo Manuel Alegre, "o mais corajoso de todos, o primeiro a cantar os versos proibidos, a canção que punha em causa o regime e a guerra colonial". Apesar, da generalidade os seus contemporâneos lhe reconhecerem o génio, o legado artístico de Adriano Correia de Oliveira foi de longe, o mais esquecido de toda uma geração de cantores de intervenção, (José Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Manuel Freire ou Fausto), que através da viola e da voz, tentavam abrir brechas na longa noite fascista, que cobriu Portugal durante 48 anos.
Adriano Maria Correia Gomes de Oliveira nasceu na Rua Formosa, nº 370, na cidade do Porto, em 9 de Abril de 1942 e com alguns meses de vida a sua família muda-se para Avintes, para a Quinta das Porcas.
Criado, no seio de uma família católica e tradicionalista, foi em Avintes que fez a instrução primária. Em Avintes também se iniciou no teatro amador e foi co-fundador da União Académica de Avintes. Depois de feita a instrução primária, Adriano foi estudar para o Porto, no Colégio Almeida Garrett e no Liceu Alexandre Herculano, onde acabaria o curso do liceu, em 1959.
Nesse mesmo ano, Adriano Correia de Oliveira chegou a Coimbra, com apenas 17 anos, para tirar o curso de Direito, que nunca viria a concluir. Adriano Correia de Oliveira ingressou em vários organismos culturais e desportivos da Associação Académica de Coimbra: foi solista no Orfeão de Coimbra, fazia parte de um grupo de teatro e jogava voleibol. No início da década de 60, Adriano torna-se militante do Partido Comunista Português.
Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD).
O primeiro disco sai em 1963, intitulado "Fados de Coimbra", que incluía já o tema emblemático "Trova do Vento que passa", um poema de Manuel Alegre, e que se tornará um hino da resistência antifascista. Quando faltava apenas uma cadeira para terminar o curso de Direito em Coimbra, Adriano ruma a Lisboa. Casa-se em Outubro de 1966 e passa a trabalhar no Gabinete de Imprensa da FIL, tendo sido ainda produtor da revista Orfeu.
Em 1967 gravou o disco "Adriano Correia de Oliveira" que entre outras canções tem Canção com lágrimas. Em 1969 é lançado um dos seus discos mais marcantes: "O Canto e as Armas", um álbum em que a figura central é a obra do poeta Manuel Alegre. Nesse mesmo ano ganhou o Prémio Pozal Domingues.
Seguiram-se os álbuns "Cantaremos" (1970) e "Gente De Aqui e de Agora" (1971), este último com José Niza como principal compositor. Só quatro anos depois Adriano decide lançar um novo disco, pois, recusava-se a enviar os seus textos à comissão da censura.
Em 1975 lança "Que nunca mais", um disco com direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca, e com o qual Adriano foi eleito Artista do Ano pela revista britânica Music Week.
O último disco sai em 1980, intitulado "Cantigas Portuguesas".
Dois anos depois, a 16 de Outubro de 1982, Adriano Correia de Oliveira falecia, nos braços da mãe, vitimado por uma hemorragia no esófago, contava 40 anos de vida, cumprindo os versos de António Gedeão que cantara:
"Tenho pressa de viver,que a vida é água a correr".

sexta-feira, outubro 12, 2007

Al Gore


O ex. Vice-presidente dos Estados Unidos e activista internacional pelo combate ao aquecimento global Al Gore e o Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas, foram hoje laureados com o Prémio Nobel da Paz de 2007.
O Comité do Nobel da Paz explica que foi atribuído aos vencedores o Nobel da Paz pelo seu “esforço na acumulação e disseminação de um maior conhecimento sobre a influência humana nas mudanças climáticas, e pelo lançamento das bases necessárias para combater essas mudanças”.
Albert Arnold Gore Jr., nasceu a 31 de Março de 1948, em Washington, DC, foi vice-presidente dos Estados Unidos da América durante a presidência de Bill Clinton e candidato presidencial democrata derrotado pelo presidente George W. Bush em 2000.
Apesar de sempre se ter preocupado com o meio ambiente, foi após a sua derrota eleitoral, que Al Gore se transformou num proeminente activista internacional contra os efeitos das mudanças climáticas, em particular graças ao filme "Uma Verdade Inconveninete", vencedor de um Óscar, melhor documentário, este ano.
O IPCC, um painel da ONU que reúne cerca de 3 mil cientistas e especialistas de várias áreas, é tido como a principal autoridade científica sobre aquecimento global e o seu impacto no mundo.
O prémio, constituído por um diploma, uma medalha de ouro e um cheque no valor de 1,08 milhões euros será entregue, juntamente com os outros galardões no dia 10 de Dezembro.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Doris Lessing


A escritora britânica Doris Lessing, hoje distinguida com o Nobel da Literatura a poucos dias de completar 88 anos, é a mais idosa laureada com o Prémio Nobel de Literatura.
Doris Lessing é autora de uma obra rica e variada, com cerca de 50 títulos. Nascida a 22 de Outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia (actualmente Irão), filha de pais britânicos, Doris Lessing cresceu na Rodésia (Zimbabué), onde a família se instalou numa quinta quando ela tinha cinco anos.
Frequentou uma escola católica que viria a abandonar aos 14 anos para trabalhar como baby-sitter e a sua infância em África viria a marcar algumas das suas obras.
Foi impiedosa nas críticas aos governos racistas na África do Sul e da Rodésia, o que lhe valeu a proibição de entrada nesse países (na África do Sul entre 1956 e 1995).
Tem três filhos de dois casamentos e depois de dois divórcios instalou-se em Londres, em 1949, com um dos filhos. Encontrou emprego como secretária, mas viria a abandonar essa tarefa depois do sucesso dos seus primeiros livros. Em 1950 publicou “A erva canta”. Em 1962 lançou a obra que lhe daria fama internacional, “The Golden Notebook”, e consolidou essa fama com uma série de títulos sobre temática africana como “African stories” (1964).
Comunista na juventude, Doris Lessing, que continuou sempre uma mulher empenhada na defesa dos seus ideais, publicou depois várias obras de ficção científica, a primeira das quais “Shikasta” (1981).
Em 1995, publicou o primeiro volume da sua autobiografia “Under My Skin”. Três anos depois publicaria o segundo volume, com o título “Walking in the Shade”.
Em 2001, ganhou o prémio Princípe das Astúrias de Letras.
Mais recentemente, criticou o regime ditatorial do presidente Robert Mugabe e foi de novo declarada indesejável no Zimbabué.
Actualmente vive nos arredores de Londres, tem-se dedicado à ficção científica e este ano publicou “The Cleft”.
AGÊNCIA LUSA.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Prémio Nobel da Literatura


Se a Real Academia Sueca, que atribui amanhã o Prémio Nobel da Literatura, decidir começar a laurear escritores, coisa que não faz há pelo menos dez anos, em vez de políticos, o senhor que está na fotografia, Philip Roth, será muito provavelmente o próximo escritor a inscrever o seu nome na extensa lista de laureados com o Nobel da Literatura, apesar da lista ter alguns nomes, que nada contribuem para o prestígio da distinção.
É a minha aposta.

LISTA DE PAÍSES COM PENA DE MORTE

A pena de morte vêm de outra Era.
Ainda há 76 países que a aplicam.
.
AFEGANISTÃO, ANTÍGUA E BARBUDA, AUTORIDADE PALESTINIANA, BAHAMAS, BAHRAIN, BANGLADESH, BARBADOS, BIELORÚSSIA, BELIZE, BOTSWANA, BURUNDI, CAMARÕES, CAZAQUISTÃO, CHADE, CHINA, COMOROS, R.D. CONGO, COREIA DO NORTE, COREIA DO SUL, CUBA, DOMINICA, EGIPTO, EMIRADOS ÁRABES UNIDOS, ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, ERITREIA, ETIÓPIA, FILIPINAS, GABÃO, GANA, GUATEMALA, GUINÉ, GUINÉ EQUATORIAL, GUIANA, IEMÉN, ÍNDIA, INDONÉSIA, IRÃO, IRAQUE, JAMAICA, JAPÃO, JORDÂNIA, KOWEIT, LAOS, LÍBANO, LESOTO, LIBÉRIA, LÍBIA, MALAWI, MALÁSIA, MONGÓLIA, NIGÉRIA, OMAN, PAQUISTÃO, QATAR, QUIRGIZSTÃO, RUANDA, ST CHRISTOPHER E NEVIS, SAINT LUCIA, SAINT VINCENT E GRENADINES, ARÁBIA SAUDITA, SERRA LEOA, SINGAPURA, SOMÁLIA, SUDÃO, SUAZILÂNDIA, SÍRIA, TAIWAN, TAJIQUISTÃO, TANZÂNIA, TAILÂNDIA, TRINIDAD E TOBAGO, UGANDA, UZBEQUISTÃO, VIETNAME, ZÂMBIA, ZIMBABWÉ.

quinta-feira, outubro 04, 2007

FREE AUNG SAN SUU KYI


Segundo a Amnistia Internacional antes da crise actual, existiam no Myanmar, antiga Birmânia, 1150 prisioneiros de consciência, número exponencialmente aumentado com as detenções das últimas semanas, levadas a cabo pela ditadura birmanesa, na tentativa de parar as manifestações pacíficas, que pedem a democratização do país e o elementar respeito pelos Direitos Humanos.
De todos prisioneiros de consciência birmaneses o mais conhecido é: Aung San Suu Kyi.
Quem disser o seu nome junto de um militar corre o risco de ser imediatamente preso, sem sequer passar pelo tribunal.
A "Dama de Bambu", a líder do principal partido de oposição na Birmânia, a Liga Nacional para a Democracia, é uma espinha atravessada na garganta dos generais que comandam o país.
A "senhora", o "monstro" ou o "fenómeno" -nomes de código utilizados pelo povo- está em prisão domiciliária desde de Maio de 2003. O número 54 da University Road, em Rangun, é a casa mais vigiada do país, quem tentar fotografar a sua vivenda é preso.
Aung San Suu Kyi nasceu em Rangun a 19 de Junho de 1945. O pai de Suu Kyi, o general Aung San, foi o pai-fundador do país. Nascido na aristocracia rural, tornar-se-ia líder estudantil e nacionalista convicto. Sonhava expulsar os Britânicos da sua terra colonizada no século XIX e, para tal, viria a comandar o Exército de Independência da Birmânia, treinado secretamente pelos Japoneses. Entraria na Birmânia à sua frente em princípio de 1942, para vir a mudar de lado em 1945, ajudando os Britânicos a pôr fim à ocupação japonesa. Mas esse serviço ao povo birmanês foi ceifado cedo: um rival político mandou abatê-lo em 1947, apenas 6 meses antes de a Birmânia declarar a independência. Tinha 32 anos. Suu Kyi tinha apenas 2 anos.
Suu Kyi estudou na Índia e na Universidade de Oxford (Reino Unido) a partir de 1960, tendo posteriormente trabalhado nas Nações Unidas e passado a viver no Reino Unido. Quando regressou do Reino Unido, em 1988, fundou o movimento de oposição Liga Nacional para a Democracia, como protesto contra as violações dos direitos humanos e contra a brutal repressão da discordância na Birmânia e para lutar por reformas democráticas. Em Abril de 1989, escapou por pouco a uma tentativa de assassinato por parte de uma unidade militar birmanesa.
Os militares tinham recebido ordens para matar a activista numa das muitas manifestações que encabeçava. Foi salva por uma contra-ordem de um oficial.Em Julho de 1989, o regime militar determinou a prisão domiciliária da activista pró-democracia.
Suu Kyi foi colocada sob a lei marcial, que possibilitava a sua detenção sem acusação formada nem julgamento por um período de três anos. A activista birmanesa entrou em greve de fome para proteger os estudantes que haviam sido levados da sua casa para o Centro de Interrogação do regime. Foi reconhecida como objectora de consciência pela Amnistia Internacional.Apesar da detenção da sua presidente, em Maio de 1990 a Liga Nacional para a Democracia obteve um resultado extraordinário nas eleições gerais, tendo conseguido 82% dos votos. No entanto, a Junta Militar recusou-se a reconhecer os resultados das eleições.
Em Outubro do mesmo ano, Suu Kyi foi galardoada com o Prémio Rafto para os Direitos Humanos e, em Julho de 1991, com o Prémio Sakharov (prémio para os Direitos Humanos do Parlamento Europeu).Em Agosto de 1991, o regime militar decidiu alterar a lei sob a qual Suu Kyi estava detida e aumentar para cinco anos o período de prisão sem acusação formada nem julgamento.
Dois meses depois, a actividade pró-democracia da activista foi reconhecida com o Prémio Nobel da Paz, prémio esse que foi utilizado num fundo de saúde e educação para o povo birmanês criado por Suu Kyi.Em Janeiro de 1994, a Junta Militar voltou a alterar a lei marcial, adicionando-lhe mais uma ano de detenção. Suu Kyi foi posta em liberdade em Julho de 1995. Nunca deixando de parte os seus ideais, Suu Kyi prosseguiu na sua luta. Em Março de 2000, recebeu a condecoração irlandesa Freedom of the City, atrbuída pelo reconhecimento do seu activismo. Foi o seu filho, Kim Aris, que se deslocou a Dublin para receber o prémio. Em Setembro de 2000, Suu Kyi desafiou as autoridades militares birmanesas e anunciou que iria sair da capital do país. Em resposta, os militares montaram um verdadeiro cerco em volta dela e voltaram a colocá-la em prisão domiciliária, juntamente com outros líderes do partido. Em Dezembro de 2000, o reconhecimento pelo seu activismo chegou dos EUA. O então presidente Bill Clinton conferiu-lhe a maior condecoração civil do país - a Medalha Presidencial da Liberdade. Durante a prisão domiciliária, Suu Kyi recebeu a visita de uma delegação da União Europeia, de diplomatas norte-americanos e de representantes das Nações Unidas. Em Maio de 2002, depois de 19 meses em prisão domiciliária, Aung San Suu Kyi foi libertada. Desde Outubro de 2000 que Suu Kyi mantinha conversações secretas com uma delegação da Junta Militar. Suu Kyi continuou a defender a plena democracia e o desmantelamento do poder militar. No entanto os militares têm alegado que o país não se encontra preparado para a democracia. Suu Kyi conta com o apoio do Ocidente e da maioria das nações asiáticas. Foi novamente presa em fim de Maio de 2003 e ainda se encontra em prisão domiciliária. Tem recusado o fim da prisão domiciliária enquanto não forem libertados todos e cada um dos seus apoiantes.
Aung San Suu Kyi transformou-se num símbolo da luta a favor da democracia na Birmânia e um ícone dos direitos humanos.
Libertação imediata para Aung San Suu Kyi e para todos os prisioneiros de consciência.

SPUTNIK


A 4 de Outubro de 1957, a União Soviética lançou, a partir do Centro Espacial de Baikour, na República do Cazaquistão, o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik I. Media 58 centímetros de diâmetro, pesava 83,6 quilos e completou a órbita da Terra em 96 minutos e 12 segundos.
A 3 de Novembro do mesmo ano, o Sputnik II foi por sua vez lançado no espaço com êxito. A bordo seguia a cadela Laika, que se tornou a primeira criatura viva a sair da atmosfera da Terra, mas o satélite nunca foi recuperado, e Laika foi assim sacrificada em nome da pesquisa biológica do espaço.

quarta-feira, outubro 03, 2007

FREE BURMA

O movimento internacional de Bloggers de apoio à campanha Free Burma, a realizar amanhã, (International Bloggers Day for Burma on the 4th of October) está a recolher adesões a esta campanha e a solicitar que os Blogues de todo o Mundo insiram textos, onde se apele à liberdade e ao respeito pelos direitos humanos na antiga Birmânia, actual Myanmar.
Inscrevi-me nesta iniciativa, número 3341, e amanhã farei um post sobre a senhora Aung San Suu Kyi.
Quebro o jejum de meses para me associar a esta campanha.

terça-feira, outubro 02, 2007

Guerrilheiro Heróico


Fotografia Alberto Diaz "Korda"
A imagem do guerrilheiro argentino, Ernesto "Che" Guevara, com olhar distante, de cabelos longos debaixo de uma boina com uma estrela, já virou ícone popular omnipresente do século 20.A fotografia despertou a imaginação dos estudantes parisienses que se revoltaram nas ruas em Maio de 1968 e virou símbolo da revolta idealista de toda uma geração.
O autor desta fotografia, o cubano Alberto Diaz, mais conhecido como Korda, chamou-a de "Guerrilheiro Heróico". A fotografia mundialmente famosa foi obtida em 1960, durante a cerimónia fúnebre pelos guerrilheiros cubanos que perderam a vida na Revolução.
A foto de Korda não foi publicada pelo jornal onde trabalhava, no dia seguinte. Sete anos mais tarde, quando o editor italiano Giangiacomo Feltrinelli apareceu procurando uma foto para a capa de uma edição do “Diário Boliviano” de Che, Korda deu-lhe duas cópias da foto de graça.
Che Guevara foi capturado seis meses depois na selva boliviana, após o fracasso da sua tentativa de fazer uma revolta de camponeses na Bolívia. Ao ouvir a notícia de sua morte, Feltrinelli cortou a foto e publicou pósteres grandes, que em pouco tempo, venderam 1 milhão de cópias. Che Guevara foi transformado em mártir, celebridade pop e ícone radical.
Korda disse: nunca recebi um centavo de Feltrinelli.

sábado, setembro 01, 2007

Massacre de Beslan


Fotografia EPA
1 de Setembro de 2004.
Era o primeiro dia de aulas.
Um dia de festa para centenas de crianças.
Pais, filhos e professores confraternizavam, num ambiente alegre.
Tiros inesperados.Explosões súbitas.
Um comando tchetcheno sequestrou 1.200 pessoas na escola número 1 de Beslan, Ossétia do Norte, a maior parte das quais crianças que assistiam à cerimónia de início do ano escolar.
Cianças aterrorizadas, aos gritos e choros, agarradas aos adultos que nada poderiam fazer, sem água, sem comida, sobre um calor sufocante, vigiadas por terroristas armados e mascarados.
Os que resistiram foram abatidos imediatamente.
O assalto das tropas russas, a 3 de Setembro, é a resposta aos terroristas, deixando um rasto de sangue e de morte, de 331 civis, 186 dos quais crianças, além de 31 terroristas e mais de 700 feridos.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Black Power


Fotografia de John Dominis
A insatisfação que existia entre os negros americanos atingiu o rubro com o assassinato do Reverendo Martin Luther King, em Abril de 1968, dando força ao Black Power e aos Black Panthers, que defendiam a luta armada. Crescia a resistência ao serviço militar e à Guerra do Vietnam. No mundo inteiro eram feitas manifestações nas universidades e nas ruas. O sociólogo Harry Edwards incitou os atletas negros a boicotarem os Jogos Olímpicos do México em 1968, como protesto contra as desigualdades nos direitos civis nos Estados Unidos da América. O boicote não foi avante. Edwards, porém, conseguiu influenciar muitas pessoas, incluindo Tommie Smith e John Carlos, colegas de atletismo da Universidade de San José, na Califórnia. Ambos subiram ao pódio, em primeiro e terceiro lugar, respectivamente, na prova dos 200 metros. Descalços subiram ao pódio, usando crachás de apoio ao Projecto Olímpico pelos Direitos Humanos, projectado por Harry Edwards. Ouviram o hino nacional com os punhos fechados e as mãos cobertas por luvas, a saudação típica dos Black Panthers. "Esta é uma vitória dos povos negros de todos os lugares da Terra", disse Tommie Smith. Tommie Smith e John Carlos foram expulsos dos Jogos, mas o seu gesto teve muitíssimo impacto. O medalha de prata, o velocista australiano Peter Norman, também pôs ao peito um crachá do Movimento.

quinta-feira, julho 05, 2007

Raising the Flag on Iwo Jima


Fotografia de Joe Rosenthal
Joe Rosenthal ficou mundialmente conhecido pela fotografia dos marines americanos a colocarem a bandeira americana em Iwo Jima (Japão). Rosenthal, ganhou o Prémio Pulitzer com esta lendária foto, tirada no dia 23 de Fevereiro de 1945, quando trabalhava como correspondente de guerra da Associated Press.
A fotografia a preto e branco, mostra seis soldados esforçando-se para içar um mastro com a bandeira americana no Monte Suribachi, durante a batalha pela estratégica ilha de Iwo Jima, na qual morreram quase 20 mil japoneses e mais de seis mil norte-americanos.
Rosenthal, teve que lutar durante toda a vida contra aqueles que diziam que a fotografia tinha sido foi forjada. Joe Rosenthal sempre afirmou que o momento foi espontâneo.
No entanto, numa uma entrevista de 1995, explicou que aquela fora a segunda vez que os marines erguiam a bandeira no monte porque os comandantes das forças americanas quiseram colocar uma bandeira maior que a içada originalmente.
A partir de hoje vai ser aberta, neste blogue, a secção "Fotografia Com História", baseada nas "Fotografias do Século XX", da extinta revista "Life".

segunda-feira, abril 30, 2007

Até Já!

O meu sincero obrigado a todos pelo carinho que me dedicaram, nestes dois anos e meio de blogosfera.
Até já...

quarta-feira, abril 11, 2007

Lev Tolstoi


Lev Nikolaievitch Tolstoi, conde de Tolstoi, nasceu no seio de uma família nobre, em Yasnaya Polyana, província de Tula, em 28 de Agosto de 1828.
Perdeu os pais ainda muito novo tendo sido criado por parentes. Em 1844, Lev Tolstoi iniciou os seus estudos em Direito e Literatura Oriental na Universidade de Kazan, no entanto abandonou a faculdade antes de se licenciar. Insatisfeito com a educação, regressou aos seus estudos em Yasnaya Polyana, passando grande parte do tempo em Moscovo e em São Petesburgo.
Em 1851, o sentimento de vazio existencial levou-o a juntar-se ao irmão, soldado no Cáucaso. É nesta época que inicia a sua carreira literária, ao publicar a primeira parte da trilogia autobiográfica Infância (1852), que foi concluída com Adolescência (1854) e Juventude (1857).
Em 1857, visitou a França, a Suíça e a Alemanha. Depois das viagens, instalou-se em Yasnaja Polyana e fundou uma escola para filhos de camponeses. Para Tolstoi, o segredo para mudar o mundo residia na educação.
Durante as suas viagens pela Europa, analisou a teoria e a prática educacional, tendo publicado artigos e manuais sobre o tema.
Em 1862, casou com Sonya Andreyevna Behrs, que se tornou a sua secretária devota. A sua leitura abrangia a ficção e a filosofia. Entre os seus autores preferidos encontravam-se Platão, Rousseau, Dickens e Sterne. Nos anos 50 lia e admirava Goethe, Stendhal, Thackeray e George Eliot.
A obra Guerra e Paz (1863-69) reflectia o ponto de vista de Lev Tolstoi, de que tudo estava predestinado. A sua outra obra-prima surgiu em 1873-77, Anna Karenina.
Em 1880, escreveu obras filosóficas como A Confession e What I Believe, que foi banida em 1884. Começou por ver-se mais como um sábio e um líder moral do que como artista.
A partir de 1880, Tolstoi atravessou uma profunda crise espiritual e assumiu diversas posições de cariz moral, incluindo a resistência passiva ao mal, a rejeição da autoridade (religiosa ou civil) e a propriedade privada, e um regresso ao cristianismo místico. Foi excomungado pela igreja ortodoxa, tendo as suas obras posteriores sido proibidas. A Morte de Ivan Ilitch (1886), A Sonata a Kreutzer (1890), Ressurreição (1889-99) e Hadji Mourat (1890-1904) fazem parte deste período.
O desejo que o autor tinha de renunciar aos seus bens e de viver como um camponês perturbou a sua vida familiar, tendo acabado por fugir de casa e morrer com pneumonia numa estação de caminhos-de-ferro em Astapovo, em 7 de Novembro de 1910.

terça-feira, abril 10, 2007

UNESCO


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi fundada a 4 de Novembro de 1946 com o objectivo de contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações. Dedica-se, entre outras tarefas, a orientar os povos numa gestão mais eficaz do seu próprio desenvolvimento através dos recursos naturais e dos valores culturais, com a finalidade de obter o maior proveito possível da modernização, sem que por isso se percam a identidade e diversidade culturais.
Na educação, este organismo atribui prioridade ao êxito da educação elementar adaptada às necessidades actuais. Colabora, entre outros, com a formação de docentes e administradores educacionais e dá alento à construção de escolas e à dotação de equipamento necessário para o seu funcionamento.
As actividades culturais procuram a salvaguarda do património cultural mediante o estímulo da criação e a criatividade e a preservação das entidades culturais e tradições orais, assim como a promoção dos livros e a leitura.
Em matéria de informação, a UNESCO promove a livre circulação de ideias por meios audiovisuais, fomenta a liberdade de imprensa e a independência, o pluralismo e a diversidade dos meios de informação, através do Programa Internacional para a Promoção da Comunicação. Tem a sua sede em Paris, França.

Jogos Olímpicos


Os Jogos Olímpicos, são uma prova desportiva que decorre de quatro em quatro anos em diferentes cidades do mundo e que consiste em 28 desportos olímpicos divididos por diversas modalidades.
Os Jogos Olímpicos têm as suas raízes na Grécia Antiga. Pelos registos que se conhecem, os primeiros Jogos Olímpicos da Antiguidade terão tido lugar em 776 a.C., e, a partir daí, constituíram o palco da celebração da nobre competição e do valor educativo do desporto até ao ano de 393, data em que o Imperador Teodósio decidiu aboli-los por serem “demasiado pagãos”.
Só em 1896 é que os Jogos Olímpicos regressaram à história do desporto, devido ao esforço de Pierre de Coubertin, juntamente com Dimitrios Vikelas e outras personalidades da época. O ano de 1896 marca, assim, o início dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e a sua primeira edição foi realizada no seu país de origem, a Grécia. No séc. XX, os Jogos Olímpicos passaram a ser realizados em várias cidades do mundo, levando o espírito olímpico a todos os continentes.
Os Jogos Olímpicos da Antiguidade eram dedicados aos deuses do Olimpo e tinham lugar nas antigas planícies de Olímpia, onde se encontravam as estátuas de Zeus e Hera. Todos os gregos livres podiam participar nos Jogos, independentemente do seu estatuto social. Os participantes nos Jogos vinham de todo o mundo grego em busca do prémio final: uma coroa de ramos de oliveira e um regresso em glória às suas cidades-estado. Para além da glória, os participantes procuravam também os valores olímpicos: a competição nobre e o esforço para encontrar o equilíbrio entre corpo, determinação e mente.
Os Jogos eram sempre realizados na altura mais quente do ano. Inicialmente, tinham a duração de apenas um dia. A partir de 684 a.C, passaram a ser realizados durante três dias e, no século V a.C., já duravam cinco dias. Os Jogos Olímpicos da Antiguidade mantiveram-se durante 12 séculos, até serem abolidos, em 393 pelo Imperador Teodósio, que decidiu banir todos os cultos pagãos.
No dia 6 de Abril de 1896, Atenas, a capital grega, acolheu uma tripla comemoração: a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, o 75.º aniversário da Declaração da Independência Grega e a Páscoa, fazendo deste evento uma coincidência desportiva, nacional e religiosa, o que contribuiu ainda mais para o seu sucesso. Os Jogos realizaram-se num renovado Estádio Panathinaikon.Na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna participaram 241 atletas, provenientes de 14 países, que competiram em 9 modalidades diferentes: Atletismo, Natação, Ciclismo, Esgrima, Ginástica, Tiro, Ténis, Luta Livre e Halterofilismo. Foi neste ano que Spyros Louis, um grego sem treino especial, venceu a medalha de ouro na prova da Maratona, tornando-se assim uma figura lendária no mundo do desporto. Fonte Biblioteca Universal.

segunda-feira, março 26, 2007

O Maior dos "Portugueses"

António de Oliveira Salazar foi o nome escolhido pela maioria dos telespectadores da RTP1 que votaram na eleição do "Maior Português de Sempre", no âmbito do programa "Os Grandes Portugueses". Salazar ganhou a eleição de "Os Grandes Portugueses" com 41% dos votos.
Mau, muito mau, é o desempenho de um povo, de um país e de uma democracia quando elegem um ditador, como o seu maior representante.

quinta-feira, março 08, 2007

Piadas Feministas (II)

As mulheres hoje em dia estão há procura de razões para se apaixonarem pelo sexo oposto, segundo a minha mulher, cada vez mais, há menos razões para que tal aconteça, excepto, um pequeno rol de particularidades:

-Amamos os homens porque eles não conseguem fingir um orgasmo, mesmo que queiram.
-Porque jamais nos vão entender e mesmo assim continuam a tentar
-Porque conseguem ver a nossa beleza, mesmo quando nós mesmas já não conseguimos acreditar nisso.
-Porque entendem de politica, equações, matemática, economia, mas desconhecem o coração feminino.
-Porque são amantes que só descansam quando nós temos ou fingimos ter um orgasmo.
-Porque conseguiram elevar o futebol a algo próximo de uma religião.
-Porque jamais têm medo do escuro.
-Porque insistem em consertar coisas para além das suas habilidades, e dedicam-se a isso como se fossem adolescentes, e desesperam quando não conseguem.
-Porque são como as romãs, a maior parte do fruto é difícil de digerir, mas as sementes são deliciosas.
-Porque jamais comentam o que os vizinhos possam pensar.
-Porque nunca sabemos o que pensam mas quando abrem a boca dizem exactamente o que imaginávamos.
-Porque jamais sonharam em se torturar com saltos agulha de 7 cm.
-Porque adoram explorar o nosso corpo e conquistar a nossa alma.
-Porque uma miúda de 18 anos pode deixa-los em silencio e uma de 30 anos consegue doma-los sem muito esforço.
-Porque fazem o possível e o impossível para esconder as suas fragilidades.
-Porque o seu maior medo é não ser homem o que jamais passa pela cabeça de uma mulher (não ser mulher).
-Porque terminam sempre a comida que põem no prato sem sentir culpa por isso.
-Porque acham graça a temas completamente desinteressantes como futebol ou marcas de carros.
-Porque são dotados de ombros onde podemos descansar sem muito esforço.
.Porque estão em paz com os seus corpos excepto, com a calvície ou obesidade.
-Porque jamais mentem sobre a idade que têm.
-Porque apesar de tudo o que tentam demonstrar não conseguem viver sem uma mulher.
-Porque quando lhes dizemos que os "amamos" pedem-nos sempre para explicar como.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

O estado a que o Estado chegou

Estão reabertas as hostilidades contra os Funcionários Públicos.
Aproveitando o momento em que a sociedade portuguesa se encontra dividida na questão da despenalização do aborto e faz do referendo um acontecimento nacional, o governo, com a sua esperteza saloia, continua a sua “politica de terra queimada” num ódio mal disfarçado contra tudo que é público e aproveita o facto de estarem todos a olhar para o lado, para desferir mais uns ataques ao Sector Público e aos Trabalhadores do Estado.
Desta vez o mensageiro da (des)graça foi o Secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, que nos anuncia o alargamento dos despedimentos por motivos funcionais; a progressão por mérito sujeita a quotas e condicionada por disponibilidades orçamentais e ainda a eliminação de suplementos aos salários de um número significativo de funcionários públicos.
O regime actual limita o despedimento na função pública a situações extremas, tais como agressão ou injúria, grave insubordinação ou suborno, mas a partir de agora vai ser possível despedir por motivos de violação dos deveres funcionais e para quem não sabe o que são deveres funcionais, o Secretário de Estado esclarece: “Deveres funcionais são os que os funcionários públicos devem cumprir no exercício das suas funções" da mesma forma que estar vivo é o contrário de estar morto (ou talvez não). Esta definição aparentemente inócua mesmo que venha a ser objectivada em documento disciplinar vai permitir, pela sua redonda indefinição, total discricionariedade de quem tenha o poder de decisão, ficando o trabalhador numa situação de plena vulnerabilidade e subserviência sujeito a assédio dos que de alguma maneira controlam o poder. Mas, como uma desgraça nunca vem só, o governo acena com a progressão nas carreiras sujeita a mérito e a disponibilidade orçamental, isto é, primeiro há que haver mérito, mas pergunta-se: quem avalia o mérito? Com que critérios? Que instrumentos de controlo para que não haja abusos nem favores? Que competência tem quem avalia? Depois, mesmo que tudo seja feito de forma correcta e isenta, ainda fica nas mãos do “poder”, decidir se há ou não disponibilidade orçamental, podendo ficar a progressão adiada “sine die”.
Os Serviços Públicos estão a tornar-se naquilo que os partidos políticos do poder já se tornaram há muito: “grupos de amigos”, onde se trocam favores, se gerem influências e se trata da vidinha de cada um, por isso não se mexe na forma das nomeações dos lugares políticos, nem nas questões do recrutamento e selecção dos funcionários, apenas se retiram poderes e se fragilizam as relações laborais, os vínculos tornam-se precários, as funções são desvalorizadas, o despedimento é a espada de dâmocles que paira sobre a cabeça de quem não lamber as botas dos senhores.
Perspectiva-se um serviço mais corrupto, menos justo, menos solidário, menos competente, menos exigente, apenas mais subserviente, submisso, menos serviço público e mais serviço privado (de uns quantos que migram do aparelho dos partidos para o aparelho do Estado) num processo que se poderia designar de POLVO com as devidas conotações politicas, sociais e económicas que este nome suscita.
O Governo já demonstrou que não quer modernizar a administração pública, nem criar mecanismos de recrutamento e de formação que permitam a qualificação dos recursos humanos, está apenas interessado em desmantelar e entregar à iniciativa privada o que der lucro e o resto que sirva de moeda de troca para satisfazer clientelas pois é sempre preciso manter algum Estado, atendendo ao estado a que o Estado chegou.
Jorge Gaspar.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Opinião do Artista Quando Jovem


“Quanto ao poder laico, e livre, da política, é clara uma transferência do poder político para o poder religioso. É sintomático que as grandes discussões a que, desde há tempos, o País assiste tenham subjacente uma jaez militar ou religiosa. Progressivamente é essa a duplicidade institucional que ordena, solidifica. Do último ponto de vista dois exemplos recentes adensam a preocupação já expressa: por um lado a competição política, provinciana, que já se vislumbra e decerto crescerá, à volta da visita do Papa a Portugal. Pelo rumo que o facto leva vamos assistir naquele que devia ser um acontecimento pastoral e moral de extrema importância, a um jogo turvo de influências, para que saiba quem convidou, quem esteve mais minutos com Sua Santidade, quem mais o acompanhou, quem ganhou os seus louros. O segundo tem que ver com o tom ‘Cro-Magnon’ com que a questão do aborto tem sido tratada entre nós. (…) a AD não tem a menor autonomia de discurso, já se não pede de voto, nem de vontade, em relação à Igreja, e limita-se a repetir o que esta diz,a presenciar o que esta proclama. Os socialistas dividem-se entre a sua história e a história que a Igreja quer que eles façam.Só por referência lembre-se, por exemplo, que em França foi uma liberal, assumida como tal, da maioria giscardiana, a senhora Simone Weil quem, contra os mais conservadores e os mais ortodoxos, impôs a lei do aborto. Lá, os socialistas não tiveram dúvidas. Giscard, líder da maioria, não interferiu. Quer isto dizer, uma vez mais, que somos subdesenvolvidos; e que, no caso, andamos atrasados, à direita e à esquerda. A menos que se rejeite a Europa moral e apenas se queira a Europa económica…”.
“Não tem nada a ver com a Europa um país em que o discurso da social-democracia sobre as questões morais se limita a dizer que o aborto é a restauração da pena de morte. É próprio dos mais conservadores dentro dos conservadores, e sul-americano concerteza. Não tem nada a ver com a Europa que a livre iniciativa seja um palmarés deixado vazio, preterido pelas fáceis e dóceis concessões às corporações fácticas. É próprio dos Estados sobretudo confessionais e não de sociedades civis dinâmicas. Não tem nada a ver com a Europa que se regrida a ponto de substituir o acto livre e consciente, por isso pleno e sublime de escolher uma religião, pela imposição de um princípio de obrigatoriedade, por isso sem elevação, nas escolas, de uma confissão. É próprio do passado.”
“Nesta coluna não deixei de fazer notar divergências a uma série de atitudes e propostas que não se coadunavam com princípios modernos de relacionamento entre a sociedade, o Estado e as instituições. Assim se fez quando o Governo anunciou a concessão de um canal de Televisão à Igreja; assim se fez quando surgiu na maioria um discurso primitivo e desinteressante a propósito das questões éticas ou morais, como o aborto, mais afeito a ‘slogans’ que à percepção de um problema que não é fechado; assim se fez, recentemente, a propósito da reintrodução da obrigatoriedade das aulas da religião e moral nas escolas, por considerar-se a escolha religiosa um acto só sublime quando livre.”

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Eusébio da Silva Ferreira



Eusébio da Silva Ferreira nasceu no dia 25 de Janeiro de 1942,em Mafalala, um bairro pobre de Lourenço Marques, actual Maputo, em Moçambique. Oriundo de uma família muito modesta, a sua infância foi passada a jogar na rua com bolas de trapos.
"Quando Eusébio tinha cerca de 6 anos, entrou para a Escola primária, sem que revelasse especial apetência pelo estudo. Já as bolas de papel, de trapos ou de meias, cruzavam-se à frente dos seus olhos arregalados.”Falta um”, alguém gritou, recorda Eusébio, no belo dia que se sentiu pela primeira seleccionado. E até nada o perturbou por ter sido última escolha. O cenário foi um campo de terra quente, ligeiramente acidentado, de balizas improvisadas com pedras ou talvez caniços.
Amava a bola. Amava o jogo. As proibições, as reprimendas, as sovas de varapau, constrangiam Eusébio. Tinha 11 anos quando o Chico se encostou à sua vida. “O senhor Chico”, lembra em sinal de respeito “era doido por futebol”. Deficiente físico, sem braço direito, adepto do Belenenses, vendia cautelas nas ruas da cidade. Era um entusiasta dos imperdíveis jogos dos miúdos do bairro. O Chico teve uma ideia peregrina, o de formar uma equipa de futebol, a que deu o nome de “os brasileiros”, clube que usava alcunhas dos jogadores do Brasil: Eusébio era o “Pele”."
Mais tarde, recusado pelo “Desportivo”, foi para o Sporting de Lourenço Marques, onde chega ao título de campeão moçambicano com apenas 16 anos, sendo o mais jovem jogador da equipa sénior e um dos melhores marcadores da equipa.
Em 1960 a equipa do Sporting de Lourenço Marques foi numa digressão às Ilhas Maurícias, e na metrópole ouviam-se ecos de um rapaz que fazia maravilhas com a bola.
O assédio do exterior não se fez esperar. O FC Porto foi o primeiro clube a manifestar interesse em trazer Eusébio para a Metrópole. Só que o Benfica já estava avisado do seu valor, e os responsáveis «encarnados», aproveitando uma viagem que entretanto fizeram com a equipa à capital moçambicana, trataram logo do negócio. Na tentativa de provocar um volta-face, o Sporting ainda se intrometeu no processo, e a ordem de ataque chegou a partir, quase em simultâneo, de Alvalade, mas já era tarde.
Eusébio ainda hoje agradece a Jaime Duarte (que contara com a ajuda de Hilário para fazer a aproximação) a atitude que este tomou, não forçando em excesso a sua resistência. É que, por mais anos que viva, nunca esquecerá a sensação que teve quando aquele ex-representante leonino lhe colocou 500 contos em cima de uma mesa; bastava-lhe rabiscar o nome num contrato para elas passarem para as suas mãos. «Nunca tinha visto tanta nota junta. Mas não as aceitei, porque iria arranjar um problema de todo o tamanho se desrespeitasse a palavra da minha mãe.» A verdade é que, apesar de resistir, estava fascinado por ver tanto dinheiro à sua frente. Jaime Duarte compreendeu-o. Num gesto brusco, meteu as notas no bolso, despediu-se e saiu porta fora.
Foi um alívio. Eusébio mantinha assim vivo o comentário que a mãe fizera quando o brigadeiro Rodrigues Carvalho conseguira obter o seu compromisso a troco de 110 contos, também entregues em mão: «Filho, isto é que é dinheiro grosso.» Em todo o caso, o episódio teve o condão de fazer o Benfica aumentar a parada, dando-lhe mais 140 contos e fixando-lhe o ordenado mensal em seis mil escudos. Eusébio teve muitos dias de glória sobre os relvados de todo o mundo, mas no seu álbum de recordações está registada a letras de ouro uma noite vivida no recato de um quarto algarvio, muito antes de entrar na galaria das estrelas. O «forcing» do Sporting fez com que os dirigentes do Benfica levassem Eusébio em segredo para o Algarve, a fim de evitarem mais aproximações. Desesperado por não jogar e assustado com a situação criada à sua volta, sempre que telefonava à mãe pedia-lhe que o fizesse regressar a casa: «Mãe, vou voltar, porque há aqui homens que me querem fazer mal.» E Dona Elisa tentava tranquilizá-lo: «Filho, tem calma, aguenta, que eles no Benfica vão resolver tudo.» Os dias passavam, monótonos, sem ponta de interesse para aquele jovem africano, na clausura da Meia Praia, em Lagos. Fazia umas corridas, treinava sozinho com uma bola, comia e enfiava-se no quarto. Até que um dia Domingos Claudino, que o acompanhava, lhe veio dar a boa nova. Acabara de receber um telefonema de Gastão Silva: «Chama aí o miúdo e diz-lhe que está tudo tratado, já está inscrito pelo Benfica na Federação.» Finalmente recebia a notícia que mais ambicionava. Pulou de contente. «Foi uma satisfação enorme. Eu só queria jogar, e à noite tinha aquela angústia de nunca mais ver resolvido o problema. Estava habituado a marcar golos e tinha medo que quando entrasse em campo oficialmente já não fosse capaz de o fazer.»
A 23 de Maio de 1961, Eusébio estreia-se com a camisola do Benfica num jogo de Reservas contra o Atlético, num jogo que o Benfica ganhou por 4-2, com três golos de Eusébio.
Dia 10 de Junho de 1961.No pé esquerdo colocou a talismã moeda de 25 tostões que trouxera de Moçambique.” Subi os degraus, velozmente. Quando entrei e se me deparou uma multidão que gritava o meu nome, num testemunho de confiança que nunca esqueci, fiquei tonto. Ninguém imagina como estava nervoso, mas os aplausos cada vez mais quentes deram-me ânimo”. Era a estreia de Eusébio na equipa principal do Benfica, num jogo contra o Belenenses, que o Benfica ganhou por 4-0, com um golo de Eusébio.
No defeso da época, mais propriamente no dia 17 de Junho de 1961, o Benfica defrontou o Santos de Pelé, no Parque dos Príncipes, na final do torneio de Paris. No final da primeira parte e com Eusébio no banco o Benfica perdia 4-0.Guttmann anunciou que Eusébio entraria no recomeço. Pensou que estava a ser lançado às feras, ideia confirmada quando aos 48 minutos, o Santos elevou para 5-0. Mas a tranquilidade de um jogo decidido foi abalada entre os 63 e 80 minutos. Eusébio marcou três golos em pouco mais de um quarto de hora e ainda sofreu um penalti que José Augusto desperdiçou, deixando a plateia de boca aberta.
No dia seguinte a fotografia de Eusébio sai na primeira página do jornal francês L’Équipe.
“No dia em que deveria ser conhecida a lista de convocados que se deslocaria ao Luxemburgo, a minha cabeça não sossegava”, diria Eusébio mais tarde.
Sem motivo. Foi convocado. Imaginou-se a olhar para a bandeira das quinas ao som da “portuguesa”. Peyroteo era o treinador. Costa Pereira, Mário Lino, Morato, Hilário, Péricles, Lúcio, Yaúca, José Águas, Coluna, Cavem e Eusébio foi a equipa apresentada.
A estreia foi desastrosa, decorria o dia 8 de Outubro de 1961. Ao intervalo Portugal perdia por 2-0.No final, uma derrota por 4-2. Eusébio teve uma exibição modesta apesar do golo marcado. Ficou a honra de vestir a camisola das quinas. A 1 de Novembro Eusébio estreia-se na Taça dos Campeões Europeus. O Benfica defrontava o Áustria de Viena e consegue fora um empate. Na Luz, o Áustria perde por 5-1 com Eusébio a marcar o quarto golo do jogo.
Era chegada a hora de medir forças com o Real Madrid, esse colosso da Europa, de Di Stefano, Puskas, Gento e Santamaria. Ao Benfica competia fazer a defesa do Titulo de Campeão Europeu. O jogo foi preparado com rigor sob o comando de Bella Guttmann.
Eusébio escreveu uma das mais bonitas páginas sobre futebol naquele 2 de Maio de 1962. Costa Pereira, Mário João, Ângelo, Cavem, Germano, Cruz, José Augusto, José Águas, Coluna e Simões foram os companheiros da gloriosa jornada. Ao intervalo, o Real Madrid vencia por 3-2, com hat-trick de Puskas. No descanso Guttmann só pronunciou uma frase -“o jogo está ganho, não se preocupem”-para estupefacção geral. “ Olhamos uns para os outros, pensando que o homem estava doido mas a verdade é que dito acabou consciente ou inconscientemente por nos galvanizar”, sustenta José Augusto. Logo aos cinco minutos, surgiu o empate, autoria de Coluna. Eusébio, após magistral apontamento, caiu na área, derrubado em falta.Com carinho colocou a bola na marca, “maricon” lhe chamou Santamaria com o intuito de o desconcentrar. Eusébio não entendeu e em surdina questionou Coluna.” Marca o golo e chama-lhe “cabron” ”. Foi o que fez.
Aos 23 minutos, livre directo perto da grande área.” Coluna deu um toque na minha direcção. Atirei fortíssimo e fiz golo”Aquela metade complementar foi inesquecível, resultando na vitória por 5-3, numa reviravolta memorável. Vaidade de bicampeões da Europa. Sua Majestade Eusébio subia ao trono.
Nesse jogo histórico, com o Real Madrid, Eusébio concretizou um dos maiores sonhos da sua vida, ao obter o troféu que mais ambicionava: a camisola do seu ídolo Alfredo Di Stefano. «O Benfica tinha conquistado a mais importante taça da Europa a nível de clubes, mas, para mim, a camisola do Di Stefano era o máximo, dava-me mais gozo possuí-la.» No entanto, teve de esforçar-se bastante para não a perder. Na euforia da vitória, e porque tinha marcado dois golos, os adeptos tiraram-lhe o equipamento. Então foi vê-lo a andar pelo relvado, descalço e quase nu, com a taça na mão direita e a esquerda metida dentro das cuecas para proteger a preciosidade que ali havia escondido. Quando regressou aos balneários, tirou-a do esconderijo e beijou-a com devoção.
Logo nesse ano, a Juventus, de Turim, fez-lhe um tentador convite, oferecendo-lhe 25 mil contos. Quase na mesma altura, o Real Madrid, por influência de Di Stefano, também o pressionou com uma oferta igual. Eusébio ficou eufórico ante a perspectiva de se transferir para o estrangeiro, ainda por cima por uma verba astronómica. O Benfica deve ter falado com o então Presidente do Conselho, Salazar mandou-me chamar e disse-me que eu não podia sair do País, porque era património do Estado! Fui prejudicado nesse momento. Hoje teria uma grande fortuna”. Tinha apenas 22 anos. Como “prémio do título atribuído por Salazar”, foi incorporado no serviço militar. Foi despachado para a tropa. Nos ficheiros consta o recruta 1987/63 da 1ª bateria de instrução do RAAF. Pela selecção militar fez doze jogos e marcou nove golos.
No dia 23 de Outubro de 1963, estreou-se com a camisola da FIFA, num jogo de comemoração do centenário da Federação Inglesa de Futebol. Era a primeira vez na história, que o chamado Resto do Mundo fazia um jogo, seleccionado pelo chileno Fernando Riera. Em campo entraram Yashin (União Soviética), Djalma Santos (Brasil), Pluskal (Checoslováquia), Pophular (Checoslováquia), Schnellinger (RDA), Denis Law (Escócia), Masopust (Checoslováquia), Kapa (França), Di Stefano (Argentina/Espanha), Eusébio (Portugal) e Gento (Espanha).
Jogou com as insígnias da UEFA no final da temporada 1963/64, numa partida entre a selecção da Escandinávia e o Resto da Europa, convocado juntamente com José Augusto. Lançado na segunda metade, ainda atempo de fazer um golo. Venceu por 4-2. Na época seguinte, nova chamada à selecção da UEFA, na companhia de José Augusto e Simões. Quatro golos marcou e o outro ainda falou português, apontado por José Augusto. O Resto da Europa venceu por 7-2 a Selecção da Jugoslávia.
Voltou a jogar pela selecção da FIFA, em Santiago do Chile, frente à Universidade Católica (4-3 com dois golos da sua autoria). Pela UEFA, em Madrid, com a Espanha (3-0 um golo), na homenagem a Zamora; perante o Hamburgo (7-3 um golo) na então RFA, por ocasião do abandono de Uwe Serbas e ante a selecção da América Latina (4-4, um golo) em Barcelona no 1º Dia Mundial do Futebol.Com carácter oficioso representou a Selecção do Mundo, em Londres, no confronto com o West Ham (4-4) e também em Bruxelas, frente ao Anderlecht (3-8).
O ano de 1965 é um ano inesquecível para Eusébio, a prestigiada revista France Football elege-o como Melhor Futebolista Europeu do Ano.
Chega o ano de 1966, Portugal está pela primeira vez no Campeonato do Mundo de Futebol, que é realizado em Inglaterra. A nossa selecção parte como uma incógnita para o Mundial. No dia 11 de Julho a Rainha Isabel II declara aberto o Mundial de Inglaterra, Portugal estava inserido no grupo do bicampeão Mundial, o Brasil, mais a Hungria e a Bulgária, com sede em Manchester.
O primeiro jogo de Portugal realiza-se no dia 13 de Julho contra a Hungria que é despachada com 3-1, quatro dias depois Portugal despacha a Bulgária com um concludente 3-0 com um golo de Eusébio.
Dia 19 de Julho 1966, o embate esperado entre Portugal de Eusébio e o Brasil de Pelé, Campeão Mundial em título, leva o mesmo Campeonato ao rubro. Sessenta mil espectadores no Goodison Park em Liverpool como testemunham. Simões marcou primeiro e aos 26 minutos, depois de um toque de Torres, Eusébio nas alturas violou as redes.”Foi um golo muito importante para mim, o primeiro de cabeça na selecção”. Rildo ainda reduziu, mas o jogo continuava controlado, ao cair do pano Eusébio enlouqueceu as bancadas. Na sequência de um canto, Eusébio disparou quase à velocidade da luz, numa fantástica explosão da sua habilidade, fulminando as redes. Era a melhor forma de selar uma exibição de grande esplendor. “Ao abandonar o estádio a caminho do autocarro, foi uma loucura. Centenas de pessoas esperavam-nos, cantando e gritando”, disse Eusébio mais tarde. Portugal arrepiava caminho para os quartos de final do Mundial.
Dia 23 de Julho de 1966, Portugal – Coreia Norte, para os Quartos de Final do Campeonato do Mundo de 1966, um jogo que tornar-se-ia arrepiante e inigualável. A equipa asiática entrou de rompante, assinando o primeiro golo ainda no minuto inaugural. No curto espaço de outro fatídico minuto, o 14 º, mais dois golos de rajada acentuaram o temor. Ninguém percebia o que se estava a passar. Eusébio foi o primeiro dos imperturbáveis. Rebelou-se com o seu ímpeto galvanizante. Dois golos marcou antes do intervalo. Otto Glória colérico disse “ coisas que jamais tinha ouvido da boca de um treinador” disse Eusébio. A reprimenda, bem adjectivada, surtiu efeito. A equipa jogou nos limites. Eusébio fez o resto. Desconcertante. Aos 11 minutos apontou o golo da igualdade. Pouco depois, olhos na bola, percorreu todo o flanco esquerdo, aguentando tentativas desesperadas para o suster, até que tombou dentro da área. Foi penalti, convertido de forma autoritária. José Augusto fez o golo da confirmação dos 5-3, na mais bela página do futebol português. Os quatro golos num jogo, ainda por cima, nos quartos de final do Campeonato do Mundo, fizeram de Eusébio uma lenda planetária. Portugal acabaria por ficar em terceiro lugar do Mundial depois de perder a meia – final, de uma maneira escandalosa para a Inglaterra, 2-1, e após a vitória de 2-1 sobre a União Soviética de Yashin.
A esta fabulosa participação de Portugal deve-se juntar, o título de melhor marcador do Mundial para Eusébio com 9 golos marcados, o melhor jogador do Campeonato do Mundo para Eusébio e para Portugal o ataque mais concretizador da competição.
Á chegada a Lisboa, a selecção é recebida em apoteose. Apesar da hora tardia de chegada, três horas da manhã, milhares de pessoas esperavam pela equipa das quinas. No dia seguinte, houve um cortejo em carro aberto desde da Praça Marquês de Pombal até São Bento onde os magriços iriam ser recebidos por Salazar.
Depois do Mundial Eusébio e sua mulher Flora foram gozar férias para Itália, a convite do Inter de Milão, clube com o qual chegou a um acordo de princípio. O Inter pagava-lhe noventa mil contos para assinar contrato, uma fortuna para a época. diz Eusébio “ Naquele tempo dava-me para comprar os Restauradores”. Eusébio chegou a acreditar que lhe abririam as portas, pois além de ter sido o melhor goleador do Mundial e de ter ajudado a selecção a conquistar o 3º lugar já ganhara vários Campeonatos, Taças, a Bota de Ouro, Bolas de Prata, etc. Enganou-se. Salazar manteve-se irredutível, e nem na oitava vez que foi a São Bento conseguiu demovê-lo.Outros convites se seguiriam, mas o Benfica, irredutível, não permitiu a sua saída. Só a meio da década de setenta o libertou.
Em 1969 ganha a sua sétima Bola de Prata, com 40 golos, e em 1972 ganha pela segunda vez a Bota de Ouro.
Em 28 de Março de 1973, Eusébio marca o último golo pela selecção de Portugal, num jogo disputado em Conventry contra a Irlanda do Norte que acabou empatado a uma bola.
No dia 25 de Setembro de 1973 o Estádio da Luz vestiu-se de gala, para a festa de homenagem a Eusébio, promovida pelo Benfica, “ no cumprimento de uma cláusula do Contrato”. Milhares de apoiantes participaram entusiasticamente no tributo ao Rei Eusébio.
Com Fernando Cabrita como responsável técnico, o Benfica empatou 2-2 frente a uma selecção mundial. Nené apontou os golos do Benfica, e Banks, Iribar, Jackie Charlton, Blakembourg, Netzer, Bobby Charlton, Paulo César, Best, Keita, Kaiser, Seeler, Dirceu e Gento, regressaram aos seus países de origem com o certificado de participação numa jornada inolvidável.
No dia 13 de Outubro de 1973, Eusébio despede-se dos jogos da selecção num empate a dois golos na Luz, frente à Bulgária. A 24 de Outubro marca o último golo na Taça dos Campeões Europeus. O último jogo de Eusébio pelo Benfica ocorreu em 18 de Junho de 1975, um jogo particular realizado em Casablanca, Marrocos, contra uma selecção africana, que o Benfica perdeu por 2-1. Eusébio deixava o Benfica ao fim de 715 jogos.
Essencialmente a carreira de Eusébio está ligada ao Benfica, mas após deixar o Benfica ainda representou em 1975 o Bóston Minuteman, 8 jogos 2 golos, em 1975/1976 o Monterrey, do México, 10 jogos 1 golo, e foi vice-campeão mexicano, 1976 Toronto Metro-Stars, 25 jogos 18 golos e sagrou-se campeão da NASL, regresso a Portugal para representar o Beira – Mar, 12 jogos 3 golos, 1977 o Las Vegas Quicksilvers, 17 jogos 2 golos, e finalmente em 1978 novo regresso a Portugal para representar o União de Tomar da segunda divisão.
Em Fevereiro de 1979, o maior embaixador do futebol português anunciou o adeus definitivo aos estádios de futebol.
As Bodas de Ouro natalícias propiciaram em 1992 o Ano de Eusébio. A verdadeira festa de homenagem do Benfica e dos benfiquistas a Eusébio. No dia 25 de Janeiro de 1992, data do seu Quinquagésimo aniversário, foi inaugurada a sua estátua, hoje verdadeiro ex.libris do parque desportivo do Benfica, e seguramente a estátua mais fotografada de Portugal. É uma obra do escultor norte-americano Duker Bower, e foi oferecida por Vítor Baptista, um açoriano radicado nos Estados Unidos, e grande benfiquista.
A FIFA deu a Eusébio – no dia 12 de Janeiro de 1998 em Paris – o título de grandeza que lhe faltava, ao consagrá-lo como um dos dez melhores jogadores de futebol de todos os tempos.
Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, já lhe havia atribuído a Ordem do Infante, a 1 de Dezembro de 1992, e o próprio organismo dirigido por João Havelange, no Congresso de Chicago, a 15 de Junho de 1994, distinguira-o com a Ordem de Mérito da FIFA.
Mas nem a homenagem do chefe do Estado nem a distinção do Congresso da FIFA ao antigo futebolista do Benfica corresponderam à importância da actual escolha do ex-atleta para figurar no International Football Hall of Fame.
O maior pilar da mística benfiquista e da selecção portuguesa será para sempre um ponto de referência obrigatório dos tratados do futebol mundial.
Com a simplicidade que o caracteriza, Eusébio disse ter ficado orgulhoso, mas ao mesmo tempo sinceramente surpreendido. “Nunca na minha vida pensei, mesmo depois de atingir o patamar que atingi, vir a ser considerado um dos dez melhores de sempre. Isto não é para qualquer pessoa, e dali já ninguém me tira”. O júri, composto por cem elementos, votou no antigo jogador português e enalteceu o contributo e a forma marcante como ele ajudou a escrever tantas páginas brilhantes do mais popular desporto do nosso tempo.
Numa votação pela Internet no ano 2000, para considerar quem foi o Melhor jogador do Século, Eusébio ficou em 3º lugar, atrás de Maradona e Pelé.
Eusébio é uma das figuras do século, o único dos nossos a integrar a galeria restrita onde só cabem Di Stefano, Puskas, Pelé, Cruyff, Beckenbauer, Platini e Maradona. Por todas as razões continua a ser duas décadas volvidas sobre o abandono dos relvados, o cidadão português mais conhecido no mundo. É o maior do País no estrangeiro, o rosto mais conhecido, um rei que soube merecer o trono que um pouco por toda a parte lhe ergueram.
O Benfica e o futebol português devem-lhe uma década como nunca tinha tido, e se não for incómodo reconhecer, nunca mais voltou a ter. Por mais gerações de ouro que seja capaz de fabricar. Foi o maior de todos. Pelos dados objectivos mas também pela magia de um futebol feito de instinto e génio. Foi único. Eusébio da Silva Ferreira, “king” para os amigos, alcunha da responsabilidade do jugoslavo Filipovic, foi e é o mais célebre jogador português de todos os tempos.
Palmarés:
Campeonato Nacional: 11 títulos (60/61, 62/63, 63/64, 64/65, 66/67, 67/68, 68/69, 70/71, 71/72, 72/73 e 74/75).
Taça de Portugal: 5 vitórias (61/62, 63/64, 68/69, 69/70e 71/72).
Taça de Honra da AFL: 5 vitórias.
Taça dos Campeões Europeus: 1 vitória (61/62).
Selecção Nacional: 64 jogos/41 golos, entre 8 de Outubro de 1961 e 13 de Outubro de 1973, com 33 vitórias, 12 empates e 19 derrotas.
Competições europeias: 75 jogos/57 golos.
Vice-Campeão Nacional do México: 75/76.
Campeão na NASL (Estados Unidos): 1976.
Melhor marcador do Campeonato do Mundo de 1966: 9 golos.
Bola de Ouro (melhor jogador europeu): 1965.
Bola de Prata (2.º melhor jogador europeu): 1962 e 1966.
Bota de Ouro (melhor marcador europeu): 2 vezes em 67/68 (42 golos) e 72/73 (40 Golos).
Bola de Prata (melhor marcador nacional): 7 vezes em, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1970 e 1973.
Selecção UEFA/FIFA: 9 jogos 10 golos.
Campeonato Nacional: 313 jogos 320 golos (317 pelo Benfica 3 pelo Beira- Mar).
Taça de Portugal: 60 jogos 97 golos.
Taça de Honra: 10 jogos 8 golos.
Recordista absoluto de golos marcados em Portugal: 733
Envergou a camisola do Benfica 715 vezes.
Está na FIFA Hall of Champions depois de 1998.
Condecorações:
Medalha de Prata da Ordem do Infante D. Henrique (1966).
Grande Colar do Mérito Desportivo (1981).
Ordem do Infante (1992).
Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa (1992).
Ordem de Mérito da FIFA (1994).
Fontes: “Obrigado, Eusébio” de João Malheiro, “A Bola”, “Expresso” e “Record”.