quinta-feira, dezembro 20, 2007

John Steinbeck


John Steinbeck nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 27 de Fevereiro 1902. De uma família de classe baixa, John Steinbeck testemunhou desde cedo a vida dos trabalhadores urbanos e rurais. Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919, ingressando nesse ano na Universidade de Stanford. Para poder pagar os seus estudos, teve diversas profissões. No entanto, abandonou os estudos universitários em 1925, partindo para Nova Iorque, onde trabalhou como operário da construção civil, pouco tempo antes de conseguir um lugar de repórter no New York American, no intuito de seguir carreira literária. Regressou à Califórnia para ser caseiro de uma propriedade, aceitando trabalhos como servente, aprendiz de pintor ou apanhador de fruta, ocupações que foram indispensáveis à construção de algumas das suas personagens.
O seu primeiro romance, Cup of Gold (1929), uma narrativa histórica sobre um pirata jamaicano, antecedeu aquela que, segundo os críticos, seria a sua década de criação mais produtiva. A um Deus Desconhecido (1933) é o primeiro grande um romance de Steinbeck. Um romance quase místico, que tem por tema central "o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente".
Em 1935, publicou Tortilla Flat, o primeiro sucesso popular, um estudo humorístico da vida dos agricultores de Monterey. Seguiu-se, em 1936, Batalha Incerta, em 1937, Ratos e Homens.
Neste livro John Steinbeck, conta-nos a história de dois amigos inseparáveis, George e Lennie, mas completamente diferentes entre si. George é baixo, franzino e astuto, Lennie é um gigante, com uma força bruta impossível de calcular, mas com a inteligência de uma criança. O que os une é a simples amizade e a marginalização imposta pelo sistema. O livro passa-se numa quinta da Califórnia, onde ambos trabalham como contratados da quinta, ganhando pouco mais que a comida e a dormida. Durante o seu árduo trabalho na quinta, encontram outros pobres e explorados, mas também, outras personagens, o filho do patrão e a sua fogosa mulher, que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Ambos têm o sonho de ter um espaço de terra só para eles, situação que nunca se concretizará. Em Ratos e homens, Steinbeck, demonstrou a sua capacidade de criar personagens realistas e cativantes e também de, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna. Ratos e Homens é um dos primeiros grandes clássicos sobre o doloroso período da Grande Depressão americana.
Em 1939 edita As Vinhas da Ira, livro aclamado pela crítica popular mas que suscitou controvérsia, tendo alguns exemplares sido queimados publicamente como forma de protesto e a obra banida nas bibliotecas públicas do Kansas City e de Oklahoma, enquanto se tornava leitura obrigatória nos colégios de Nova Iorque. A obra foi mais tarde galardoada com os prémios Pullitzer e National Book Award.
As Vinhas da Ira, um dos melhores clássicos da literatura do século XX, dá a conhecer os Joad, uma família rural e pobre do Oklahoma que tenta uma nova vida, tendo por pano de fundo os horrores da Grande Depressão. Esta família vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. Ao seu lado estão milhares de migrantes que se deslocam pelos mesmos motivos, em velhos camiões, em direcção a um futuro incerto. Durante a viagem passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho camião pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.
Na maioria das suas obras, marcadas pela paisagem e o quotidiano californianos, o autor explora as duras condições de vida das populações rurais, obrigadas a sobreviver no limiar da pobreza ou forçadas a longas e miseráveis migrações. Procurando tornar evidente que cada ser humano deve ser analisado no ambiente em que se insere, o autor dedicou-se, sobretudo, ao retrato de personagens inadaptadas. A Leste do Paraíso (1952), adaptado ao cinema por Elia Kazan e protagonizado por James Dean, é um dos melhores exemplos, com homens e mulheres no limite das suas forças, prestes a renunciar aos valores morais que a América proclamava.
Em 1941, publicou Sea of Cortez em colaboração com Edward Ricketts. No ano seguinte, Noite Sem Lua, foi adaptado ao teatro, tendo-se seguido Bombs Away. Em 1943, foi correspondente de guerra do New York Herald Tribune nas frentes de combate da Europa e da África do Norte. Em 1945, publicou Bairro da Lata e A Pérola, em 1947. A Pérola é baseada num conto popular mexicano, conta-nos a história de Kino, e da sua família. Kino um pobre pescador encontrou a maior pérola do mundo, que desperta nele e nas pessoas que vivem numa pequena povoação do litoral mexicano sentimentos e desejos vis. Um livro a ler e a reler.
Em 1948, John Steinbeck foi eleito para a Academia Americana das Artes e das Letras. Em 1950, publicou Burning Bright, adaptado mais tarde, ao teatro. Dois anos depois, colaborou no filme Viva Zapata. Em 1953, o livro Os Náufragos do Autocarro foi incluído na listas dos livros desaconselhados pela comissão Gathings.
De 1954 a 1960, publicou Sweet Thursday, O Breve Reinado de Pepino IV e O Inverno do Nosso Descontentamento. No livro O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck, conta-nos a história de Ethan Hawley, descendente de uma família muito rica mas que ficou na ruína financeira. Ethan foi forçado a aceitar a humilde posição de empregado de balcão num armazém de um emigrante italiano com um passado desconhecido. Ethan fica constantemente dividido entre a sua vontade de ser íntegro e o deslumbramento da riqueza e da glória que tiveram os seus antepassados. John Steinbeck faz-nos penetrar na amargura e na infelicidade de Ethan Hawley, que questiona a sua relação com a mulher, filhos, patrão, clientes e amigos. Ethan começando por apresentar uma moralidade a toda a prova, que se vai transformando gradualmente, acabando por alcançar o sucesso financeiro à custa de golpes de moralidade duvidosa.
Afastando-se dos círculos intelectuais e académicos, John Steinbeck foi frequentemente repudiado na América, principalmente nos últimos anos, não merecendo a atenção de outros autores contemporâneos, como Hemingway ou Faulkner.
Em 1962, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Dois anos depois, recebeu a Medalha da Liberdade dos EUA e em 1966, publicou America and Americans, um conjunto de reflexões sobre a América contemporânea.
Morreu em 20 de Dezembro de 1968, em Nova Iorque.

Mãe Migrante


Fotografia de Dorothea Lange (1936).
A fotografia retrata Florence Thompson, uma trabalhadora agrícola da Califórnia e os seus filhos, durante a época da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. Florence Thompson, que na época tinha 32 anos, está, com um bebé adormecido ao colo, contemplando o vazio, enquanto que, as outras crianças, com o cabelo desgrenhado e as roupas sujas, escondem o rosto por detrás dos seus ombros. A família vivia num acampamento de apanhadores de ervilhas no Vale do Nipomo, na Califórnia, nesse dia, tinha ficado sem trabalho, depois de as ervilhas que iam colher terem congelado.
Momentos antes de ser apanhada pela objectiva de Lange, Florence Thompson, tinha vendido a sua tenda e os pneus do seu carro para comprar comida, para os seus sete filhos. Dorothea Lange, que trabalhava para o governo dos Estados Unidos, tirou esta e outras fotos destinadas a documentar os efeitos da Grande Depressão, na sociedade americana. As fotos de Lange, ajudaram o governo a dar maior apoio aos trabalhadores agrícolas. Florence Thompson morreu pobre em 1983, apesar desta fotografia, ter sido publicada em milhares de jornais e revistas, e reproduzida em selos dos correios americanos.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Alexandre O’Neill


Alexandre O'Neill, (n.19.12.1924-m.21.08.1986).
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
Os convencidos da vida só se isolam, por assim dizer, quando atingem uma certa cotação. As expressões “deixou de frequentar” e “passou a frequentar” podem muito bem indicar, na desprevenida conversa quotidiana, subidas ou descidas de cotação ou, mais simplesmente, mudanças de estratégia do convencido da vida. O convencido que se isola não o faz por desgosto da sua pessoa, senão perderia o estatuto e a prática de convencido da vida e correria o risco de se tornar um homem vulgar. Fá-lo para, arteiramente, tomar as suas distâncias. Por isso, quando isolado, o convencido “vai soprando notícias”, “vai fazendo constar”…Maneira de, ausente, estar presente. Não há, nesse estudado isolamento, nenhum Vale de Lobos.
No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima.
A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface».
Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim”.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Steven Spielberg


O realizador com maior êxito comercial na história de Hollywood, Steven Spielberg nasceu em Cincinnati a 18 de Dezembro de 1946 e começou a desenvolver as primeiras curtas-metragens quando era ainda criança, aprimorando essa capacidade na Universidade da Califórnia.
O seu percurso inicial como realizador foi marcado por trabalhos para a televisão, como nas séries “Columbo” e “Marcus Welby M.D.” ou no episódio-piloto de “Night Gallery”.
A estreia nas longas-metragens deu-se com “Duel”, em 1971, um thriller de baixo orçamento cuja gestão do suspense foi bastante elogiada, fazendo com que o filme, originalmente concebido para televisão, viesse a ter também passagem pelas salas de cinema e se tornasse numa obra de culto. “The Sugarland Express” (1974) voltou a valer-lhe o estatuto de realizador promissor e “Tubarão” confirmou o seu talento, destacando-se como o filme mais bem sucedido de 1975 e iniciando a tradição dos blockbusters, filmes de alto orçamento cuja estreia decorre maioritariamente no Verão e que são, muitas vezes, êxitos de bilheteira.
“Encontros Imediatos do Terceiro Grau” (1977) foi outro marco, uma obra determinante dentro da ficção científica que o cinema apresentou nas últimas décadas e que surpreendeu devido à inovação dos efeitos especiais. A comédia sobre os meandros da guerra, “1941” (1979) foi um fracasso comercial, mas “Os Salteadores da Arca Perdida” (1980) compensou, e muito, esse deslize pontual, figurando entre os grandes sucessos dos anos 80 e apresentando um dos seus heróis mais carismáticos: Indiana Jones, personagem que protagonizou ainda duas sequelas e uma série televisiva.
Outro filme capaz de conquistar o público de todas as idades foi “E.T.” (1982), outra aposta na ficção científica, um dos títulos mais emblemáticos de Spielberg que se tornou num clássico instantâneo e que ainda hoje cativa várias gerações. “A Cor Púrpura” (1985), drama sobre a xenofobia e a Grande Depressão, proporcionou-lhe 11 nomeações para os Óscares, e embora não tenha ganho nenhum foi mais um forte êxito de bilheteira. Menos bem sucedidos comercialmente foram “O Império do Sol” (1987) e “Sempre” (1989), outras apostas em domínios dramáticos, ou “Hook” (1991), que revisitou as clássicas aventuras de Peter Pan.
Em 1993, contudo, Steven Spielberg criaria dois dos marcos da sua carreira: “Parque Jurássico”, um portento de feitos especiais que despoletou um sucesso global (com receitas que ultrapassaram um bilhão de dólares); e “A Lista de Schindler”, um drama épico sobre o Holocausto, galardoado com sete Óscares que comprovou que o cineasta era capaz de oferecer mais do que consistentes filmes de entretenimento.
Para além do cargo de realizador, Spielberg desempenhou também funções de produtor em filmes da autoria de terceiros, como “Poltergeist” (1982), “Regresso ao Futuro” (1985) ou “Quem Tramou Roger Rabbit?” (1988), através da sua companhia, Ambli Entretainment.
Nos anos 90 formou a Dreamworks, juntamente com Jeffrey Katzenber (ex-patrão da Disney) e David Geffen (da editora Geffen), sendo produtor executivo de muitas das suas películas, casos de “Tornado” (1996), “Homens de Negro” (1997), “Impacto Profundo” (1998) ou “A Máscara de Zorro” (1998). “Mundo Perdido” e “Amistad”, ambos de 1997, não foram dos mais marcantes da sua filmografia, mas “O Resgate do Soldado Ryan”, surgido um ano depois, assinalou o regresso à forma, revitalizando o género do filme de guerra e arrecadando cinco Óscares, provando, mais uma vez, que o cineasta também era interessante quando enveredava por obras “sérias”, adultas e complexas. O regresso à ficção científica deu-se com “A.I. – Inteligência Artificial” (2001) e “Relatório Minoritário” (2002), o primeiro baseado numa ideia de Stanley Kubrick e o segundo num conto de Phillip K. Dick. Ambos inovaram na utilização das tecnologias e na sugestão de impressionantes cenários futuristas, embora “Relatório Minoritário” tenha obtido maior consenso tanto perante a crítica como junto do grande público.
“Apanha-me se Puderes” (2002) foi outro sucesso, desta vez baseado numa história verídica e seguindo os jogos de engano de Frank Abagnale Jr., e a aposta num misto de drama e comédia repetiu-se em “Terminal de Aeroporto” (2004), também inspirado num caso real e seguindo as peripécias de um imigrante que passa a habitar um aeroporto norte-americano.
“Guerra dos Mundos” (2005), foi mais um digno blockbuster e um dos seus filmes mais negros, baseado no livro homónimo de H.G. Wells e voltando a focar o confronto de humanos com alienígenas.
“Munique” (2005) é mais um olhar sobre questões polémicas, desta vez o conflito israelo-palestiniano, partindo de um episódio real decorrido durante os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique.

sábado, dezembro 15, 2007

Oscar Niemeyer


O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, completa hoje 100 anos de vida. Considerado um génio da arquitectura mundial, é também, o maior arquitecto vivo do século XX.
Oscar Niemeyer Soares Filho, nasceu em 15 de Dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Formou-se na Universidade do Brasil, iniciando a carreira no escritório de Lúcio Costa, em 1934.
No ano seguinte, trabalhou com o arquitecto Le Corbusier no “revolucionário” projecto do edifício dos ministérios da Saúde e da Educação brasileiros, concluído em 1936.
A obra de Niemeyer começou a ser notada quando o jovem arquitecto tinha 33 anos, através de um projecto que englobou a construção de quatro edifícios em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Juscelino Kubistchek era, na altura, governador e encomendou-lhe os projectos de construção do Casino, da Casa de Baile, do Yatch Clube e da Igreja de São Francisco.
Em 1947, novamente com Le Corbusier, projecta a sede da Unesco, nos Estados Unidos. A originalidade e a imaginação que Niemeyer revelou nos seus trabalhos valeram-lhe a reputação de líder da arquitectura moderna.
Entre 1951 e 1954 Oscar Niemeyer assina outra grande obra: a Oca, Parque Ibirapuera, em S.Paulo, Brasil. Trata-se de um conjunto de três prédios destinados a exposições, incluindo um museu e um grande auditório.
Primou pela originalidade de todos os edifícios, e a partir daí, nunca mais parou e do seu gabinete começaram a surgir esquissos de edifícios para o Mundo inteiro, com incidência para o seu país, o Brasil.
Niemeyer empenhou-se, por exemplo, no projecto da criação da nova cidade de Brasília, nomeadamente do Palácio Planalto. Tinha 50 anos quando desenhou todos os edifícios oficiais de Brasília, a nova capital do Brasil, que foi construída em três anos e meio. A cidade foi inaugurada em 1960 e é considerada património cultural da humanidade pela Unesco desde 1987.
A arquitectura de Brasília, prevista nos esboços com que Lúcio Costa concorreu ao concurso internacional de projectos para a nova capital do Brasil, foi o impulso definitivo de Oscar Niemeyer na cena da história internacional da arquitectura contemporânea. As cúpulas, côncavas e convexas do Congresso Nacional e as colunas dos palácios da Alvorada, do Planalto e do Supremo Tribunal, deram-lhe grande prestígio internacional pela sua configuração original.
Em 1965, projecta a sede do partido Comunista Francês, em Paris. Majestoso e esteticamente brilhante, o edifício foi considerado, na altura, pelo presidente George Pompidou, “a única coisa boa que os comunistas fizeram”.
Mais recentemente (2003), projectou a Galeria Serpentina, em Londres, actualmente considerado um dos melhores edifícios existente na capital inglesa.
O Funchal é a única cidade de Portugal a possuir uma obra erguida de Oscar Niemeyer - o Pestana Casino Park, um projecto de 1966 mas concluído em 1976 e que é composto por três edifícios: um Casino, um Centro de Congressos e um hotel de 5 estrelas.
A presença constante de Oscar Niemeyer no cenário da arquitectura contemporânea internacional, desde 1936 até hoje, transformou-o na mais destacada figura brasileira da actualidade. Recebeu inúmeros prémios, destacando-se de entre eles o Prémio Pritzker (1988), sendo o primeiro arquitecto de língua portuguesa a receber tal distinção.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Wangari Maathai


“Como tínhamos dito durante muitos anos, a humanidade precisa de repensar a paz, a segurança e o trabalho para culturas de paz, governando-se de forma mais democrática, respeitando o primado da lei, promovendo deliberada e conscientemente justiça e equidade, e gerindo os recursos com maior responsabilidade e fiabilidade – não só para as gerações presentes como também para as futuras.
Ao tentar explicar esta ligação, inspirei-me num banco tradicional africano com três pernas e uma bacia como assento. Para mim, as três pernas representam três pilares críticos das sociedades justas e estáveis. A primeira perna representa o espaço democrático, onde os direitos são respeitados, sejam os direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos das crianças ou os direitos ambientais. A segunda representa a gestão sustentável e equitativa dos recursos. E a terceira representa as culturas de paz que são deliberadamente cultivadas no seio das comunidades e das nações. A bacia, ou assento, representa a sociedade e as suas perspectivas de desenvolvimento. A menos que as três pernas estejam no seu lugar, suportando o assento, nenhuma sociedade consegue prosperar. Nem os cidadãos conseguem desenvolver as suas capacidades e criatividade. Quando uma perna está em falta, o assento é instável; quando faltam duas pernas, é impossível manter vivo qualquer Estado; e quando não há pernas disponíveis o Estado vale tanto como um Estado falhado…
Estes temas de boa governação, respeito pelos direitos humanos, equidade e paz são de particular preocupação em África – um continente que é tão rico em recursos e, no entanto, tem sido tão devastado pela guerra.”
In INDOMÁVEL Uma Luta pela Liberdade.

RUANDA


Fotografia de James Nachtwey/ Magnum Photos.
O Ruanda foi palco de uma das maiores atrocidades da história da humanidade onde, em apenas 100 dias, quase um milhão de tutsis foram brutalmente assassinados por milícias de etnia hutu e pelo exército ruandês.
Esta fotografia de 1994 de James Nachtwey, foi tirada num Hospital da Cruz Vermelha, e mostra um homem que foi mutilado por uma catana, pela simples suspeita de pertencer à etnia tutsi. A fotografia venceria, nesse ano a World Press Photo.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Foi no dia 10 de Dezembro de 1948, que a Assembleia Geral das Nações Unidas, reunida em Paris aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
No dia em que estes direitos deixarem de ser violados, a Humanidade dará um salto sem precedentes em toda a nossa História.

Artigo 1º.Liberdade e igualdade de todos os seres humanos.
Artigo 2º.Não discriminação.
Artigo 3º.Direito à vida.
Artigo 4º.Poibição de escravatura.
Artigo 5º.Proibição de tortura.
Artigo 6º.Direito à personalidade jurídica.
Artigo 7º.Igualdade perante a lei.
Artigo 8º.Direito a recurso efectivo perante jurisdições nacionais.
Artigo 9º.Proibição de prisão, detenção ou exílio arbitrários.
Artigo 10º.Direito a ser julgado num tribunal independente.
Artigo 11º. nº1:Presunção de inocência até prova em contrário.
nº2:Não retroactividade da lei penal.
Artigo 12º.Direito à vida privada, familiar e protecção de correspondência.
Artigo 13º. nº1:Liberdade de circulação.
nº2:Direito de sair e entrar em qualquer país.
Artigo 14º.Direito de requerer e receber asilo.
Artigo 15º.Direito à nacionalidade.
Artigo 16º.Direito de se casar e constituir família.
Artigo 17º. nº1:Direito de propiedade.
nº2:Proibição da privação arbitrária da propiedade.
Artigo 18º.Liberdade de pensamento,consciência e religião.
Artigo 19º.Liberdade de expressão e opinião.
Artigo 20º.Liberdade de reunião e associação.
Artigo 21º. nº1:Direito de participação nos assuntos públicos do seu país.
nº2:Igualdade de acesso a funções de natureza pública no seu país.
nº3:Direito a sufrágio directo e universal e direito ao voto secreto.
Artigo 22º.Direito à segurança social.
Artigo 23º. nº1:Direito ao trabalho.
nº2:Direito a salário igual para trabalho igual.
nº3:Direito a remuneração suficiente.
nº4:Direito à constituição e filiação em sindicatos.
Artigo 24º.Direito a lazer,repouso e tempos livres.
Artigo 25º. nº1:Direito a um nível de vida suficiente.
nº2:Protecção especial da maternidade e infância.
Artigo 26º. nº1:Direito à educação,princípios da gratuitidade e obrigatoriedade do ensino Básico, acesso generalizado ao ensino técnico e profissional e igualdade de acesso ao ensino superior.
nº2:A educaçao deve favorecer o desenvolvimento da personalidade,tolerância, compreensão mútua e amizade entre os povos.
nº3:Direito dos pais escolherem a educação a dar aos seus filhos.
Artigo 27º. nº1:Direito de participar na vida cultural e de gozar os frutos do progresso científico.
nº2:Protecção dos direitos de autor.
Artigo 28º.Direito a que existam condições permitindo a plena aplicação dos direitos enunciados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Artigo 29º. nº1:Princípio de que o indivíduo tem deveres para com a comunidade.
nº2:As únicas limitações ao exercício dos direitos devem ser previstas por lei,com vista a satisfazer exigências da moral,de ordem pública e de bem-estar geral.
nº3:Os direitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos não podem ser exercidos contrariamente aos fins e princípios da Carta das Nações Unidas.
Artigo 30º.Nenhuma interpretação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ligitimar actividades que visem a aniquilação dos direitos e liberdades nela consagrados.

Divulgue, para quem sabe a Humanidade sair do papel.

Dia Europeu contra a Pena de Morte

Os ministros da Justiça da União Europeia, reunidos hoje em Bruxelas, aprovaram por unanimidade a instituição do Dia Europeu contra a pena de morte, disse à Agência Lusa fonte da presidência portuguesa.A iniciativa havia sido bloqueada em Setembro pela Polónia, mas a mudança entretanto verificada no panorama político naquele país - com a eleição para primeiro-ministro de Donald Tusk, que sucedeu ao conservador Jaroslaw Kaczynski - permitiu agora o consenso entre os 27.
A presidência portuguesa, que tencionava inicialmente instituir o Dia Europeu na conferência contra a pena de morte realizada em Outubro em Lisboa, decidiu recolocar o tema na agenda da reunião de ministros da Justiça e Assuntos Internos que decorre entre quinta-feira e hoje em Bruxelas, tendo o acordo sido alcançado esta manhã.
Nessa conferência internacional realizada a 09 de Outubro estava prevista a assinatura de uma Declaração Conjunta, por instituições da UE e Conselho da Europa, a instituir o Dia Europeu contra a Pena de Morte, todos os anos a 10 de Outubro, com a participação do primeiro-ministro, José Sócrates, pelo Conselho da UE, e Durão Barroso, pela Comissão Europeia. O Dia Europeu acabaria por ser instituído, mas apenas a nível do Conselho da Europa, já que, no seio da União, a Polónia “de” Kaczynski surpreendeu tudo e todos, em Setembro, ao inviabilizar a iniciativa, alegando que a UE deveria abrir antes um debate mais amplo sobre o direito à vida, que incluiria a condenação do aborto e da eutanásia.
Apesar da pressão exercida pela presidência portuguesa e da indignação da generalidade dos restantes Estados-membros, Varsóvia manteve-se inflexível, cenário alterado com a mudança de Governo, no final de Outubro. Já na “recta final”, a presidência portuguesa da UE conseguiu assim retomar e ver aprovada aquela que era uma das suas iniciativas mais simbólicas do semestre.
A 15 de Novembro, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou, pela primeira vez, uma resolução sobre uma moratória sobre o uso da pena de morte apresentada por um grupo transregional liderado pela Albânia, Angola, Brasil, Croácia, Filipinas, Gabão, México, Nova Zelândia, Portugal (em nome da UE) e Timor-Leste, contando com 87 co-patrocinadores.As duas anteriores tentativas para fazer aprovar uma resolução deste género pela Assembleia-Geral da ONU falharam em 1994 e 1999. Agência Lusa

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Eric Schlosser


“A indústria do fast food gasta milhões de dólares todos os anos em actividades de lobby e milhares de milhões de dólares em marketing de massas. A riqueza e poder das grandes cadeias faz com que pareçam impossíveis de derrotar. E, contudo, essas empresas têm de obedecer às exigências de um grupo – os consumidores – que ansiosamente adulam e perseguem…
Ninguém nos Estados Unidos (e no resto do mundo) é obrigado a comprar fast food. O primeiro passo para que haja mudanças significativas é de longe o mais simples: deixem de comprá-la. Os gestores que gerem a indústria de fast food não são homens maus. São homens de negócio. Venderão hambúrgueres de carne orgânica, alimentada a erva e no pasto, se lho exigirmos. Venderão o que quer que seja que se venda com lucro. A utilidade do mercado, a sua eficácia como instrumento, dá para os dois lados. O verdadeiro poder do consumidor americano (e mundial) ainda não foi libertado. Os chefes da Burger King, KFC e McDonald’s deviam sentir-se intimidados; são muito menos. São três e nós quase 300 milhões (no mínimo 4 mil milhões no mundo com acesso a uma cadeia de fast food). Um bom boicote, a recusa de compra, pode falar muito mais alto do que meras palavras. Por vezes a força mais irresistível é a mais banal.
Empurrem a porta de vidro, sintam a corrente de ar fresco, entrem, ponham-se na fila e olhem à vossa volta, olhem para os miúdos que trabalham na cozinha, para os clientes nos seus lugares, para os os anúncios aos últimos brinquedos, estudem as fotografias coloridas e iluminadas por cima do balcão, pensem de onde vem a comida, como e quando é feita, o que é que cada compra de fast food acarreta, o efeito em cadeia perto ou longe, pensem nisso. Depois façam o vosso pedido. Ou voltem as costas e saiam.”
In Fast Food Nation. Os parêntesis são meus.

DARFUR


Fotografia de Tom Stoddart
Há milhões de fotografias a mostrar, violações constantes, mesmo os mais elementares, dos Direitos Humanos. Há 18 anos que uma guerra civil atravessa o Sudão, entre o Governo muçulmano do Norte e os cristãos e animistas do Sul.
A fome tornou-se uma inevitabilidade, à medida que um milhão de pessoas sairam das suas casas e a terra deixou de ser cultivada.
Os centros da UNICEF e dos Médicos Sem Fronteiras, em Ajiep, foram o destino de milhares de habitantes da região. Mas só as crianças com 60% abaixo do seu peso ideal foram aceites. Na altura que Tom Stoddart visitou estes centros em Ajiep, morriam mais de cem pessoas diariamente naquela povoação.
Esta fotografia é de Tom Stoddart e recebeu o Word Press Photo de 1998.

Johannes Heesters


Segundo o Guiness Book of Records, Johannes Heesters é o actor mais idoso do Mundo em actividade.
Não é de admirar. Ontem comemorou o seu centésimo quarto aniversário, com uma representação na casa de espectáculos, a Admiralpalast, em Berlim.
Nascido a 5 de Dezembro de 1903 em Amersfoort, na Holanda, Johannes Heesters queria ser sacerdote católico. Após ir com o pai assistir a um teatro, no dia em que completava 16 anos, decidiu tornar-se actor.
Teve aulas de canto e representação, estreando-se no palco com 17 anos em Amesterdão. Durante mais de uma década actuou na Holanda e na Bélgica em clássicos do teatro, com sucesso mediano.
Só chamou a atenção depois de se ter especializado em operetas, tendo sido convidado para participar numa representação de O Estudante Mendigo, na Ópera Popular de Viena, em 1934. Em 1936 interpretou o mesmo papel, em Berlim, no filme com o mesmo nome.
Entretanto, tinha-se casado com a actriz belga, Louise Ghijs, sua companheira durante 53 anos, com a qual teve duas filhas. Após a morte de Louise Ghijs, em 1983, Heesters voltaria a casar em 1992, com a actriz alemã Simone Rethel, 46 anos mais nova que ele.
Com ela, representou durante cinco anos, de 1996 até 2001, o papel principal na peça Gesegnetes Alter, sempre com a plateia esgotada.
Johannes Heesters goza de uma grande popularidade na Alemanha, ao contrário do seu país natal, a Holanda, onde é votado ao ostracismo e acusado de colaborar com o regime nazista.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

É Natale? Scopiamo?


O fotógrafo Oliviero Toscani, conhecido em todo o mundo pelas suas polémicas campanhas publicitárias, volta a provocar com o seu slogan de Natal. Um convite ao sexo estampado numa T-Shirt para ser usada no Natal é a nova polémica.
Oliviero Toscani foi seleccionado pela Autarquia de Milão, juntamente com outras 29 celebridades italianas, para criar uma T-Shirt com uma mensagem de Natal para ser vendida em todas as lojas do shopping da Via della Spiga, cujos benefícios serão destinados a obras de caridade. O Concelho da cidade de Milão imprimiu o texto È Natale? Scopiamo?
(É Natal?Fodemos?).
As campanhas de Oliviero Toscani podem ser polémicas, porém eu prefiro vê-las pelo lado artístico e pela sua mensagem associada.
Ao contrário de outras campanhas, nomeadamente as que estão nos post's seguintes, esta frase estampada numa T-shirt, para mim, está ausente de qualquer polémica.
Estamos no Natal, celebramos, se é que celebramos, o nascimento de Jesus Cristo. Quando há nascimento, exceptuando as gravidezes com técnicas científicas e a da Virgem Maria, teve que haver sexo, logo esta chamada de atenção da parte de Toscani, enquadra- se perfeitamente no espírito natalício. Para além de ser uma das coisas mais naturais do mundo, o sexo, é bom para a saúde mental, para a saúde física e faz bem à pele.
Como diz um amigo meu: "Sexo? até os bichinhos gostam."

Anorexia Segundo Toscani


Recentemente, Oliviero Toscani, foi notícia em todo mundo pelas fotografias da modelo francesa Isabelle Caro, de 31 quilos, numa campanha para a marca Nolita, que trazia o slogan "No Anorexia", ("Não à Anorexia").
Todos os outdoors da marca foram retirados das ruas, por ordem conselho auto - regulador publicitário italiano, por, segundo este, violar o código de conduta do sector. A imagem "explora comercialmente" a doença, disse o Instituto de Controle da Publicidade.
Estas fotografias de Oliviero Toscani, sensibilizaram alguns sobre o problema da anorexia, mas também recebeu críticas de associações que a consideraram exagerada.
De todas as maneiras, pôs meio mundo a falar da anorexia, como um dos problemas de saúde mais graves, na sociedade “ocidental”.

David Kirby


Fotografia de Therese Frare
Quando a LIFE publicou esta fotografia de David Kirby, a revista foi considerada a publicação que mais contribuiu para diminuir o estigma que envolvia os doentes com SIDA.
A fotografia mostra toda a família a confortar o moribundo David Kirby, no seu leito de morte.
Imagem extremamente forte, onde ressalta as expressões de angústia e de dor dos familiares. Já a face de David Kirby, não apresenta qualquer expressão, os seus olhos fitam o vazio.
O pai de David, William Kirby, ficou impressionado com a reacção que a fotografia causou no público.
A seguir, a família permitiu que o fabricante italiano de moda Benetton usasse a imagem num anúncio. A fotografia foi colorida sobre supervisão de Oliviero Toscani e a Benetton afirmou que a intenção da sua apresentação estilizada era levar as pessoas a reflectir sobre a epidemia da SIDA. Mas enquanto a LIFE foi aplaudida por humanizar a SIDA, a Benetton foi duramente criticada por explorar a miséria humana para fins comerciais.

Sir Bernard Crick


“A pessoa que deseja que a deixem em paz e não ter de se preocupar com a política acaba por ser aliado inconsciente daqueles que consideram que a política é um espinhoso obstáculo para as suas sacrossantas intenções de não deixar nada em paz.”

terça-feira, dezembro 04, 2007

Erich Fromm


“Todos estamos determinados pelo facto de nascermos humanos e, consequentemente, pela tarefa interminável de ter de escolher constantemente, temos de escolher meios juntamente com os fins. Não devemos confiar em que alguém nos salve, mas conhecer bem o facto de que as escolhas erradas nos tornam incapazes de nos salvarmos.”

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Christiaan Barnard


Passam hoje 40 anos que o cirurgião sul-africano Christiaan Barnard fez o primeiro transplante de coração humano. Louis Waskansky, de 55 anos, foi o primeiro homem a receber o coração de um estranho. O órgão transplantado por Christiaan Barnard e a sua equipa, numa operação de 9 horas, era de uma jovem de 25 anos, que tinha morrido num acidente. O coração de uma pessoa morta palpitou, pela primeira vez, no peito de outro humano às 5h25 de 3 de Dezembro de 1967, no hospital Grote-Schuur, na Cidade do Cabo. Waskansky faleceu 18 dias depois da cirurgia histórica, em consequência de uma infecção pulmonar. Um mês depois desta operação espectacular, Barnard fez o segundo transplante de coração e, desta fez, com grande sucesso: o dentista Philip Blaiberg viveu um ano e sete meses com o coração novo.
Christiaan Neethling Barnard nasceu a 8 de Novembro de 1922, Beaufort West, uma pequena cidade de Karoo, a região semi - desértica da África do Sul.
Especializou-se em Cirurgia Torácica e Cardiovascular nos EUA, na University of Minnesota. Fundou o Departamento de Cirurgia Cardíaca do Groote Schuur hospital, na Cidade do Cabo, em 1958. Em 1959 realizou o primeiro transplante renal da África do Sul. Em 1961 tornou-se Chefe do Departamento Cirurgia Torácica e Cardiovascular da University of Cape Town. A 3 de Dezembro de 1967, faz o primeiro transplante cardíaco do mundo. Combatente contra o apartheid, provocou em 1968 uma grande polémica, na África do Sul, ao transplantar o coração de um homem mestiço no dentista Philip Blaiberg de raça branca.
Christiaan Barnard também foi pioneiro em técnicas bastante ousadas para a época, como transplantes duplos , válvulas artificiais e o emprego de corações de animais para tratamentos de emergência.
Em 1983, doutor Christiaan Barnard teve que deixar de fazer operações porque sofria de artrite reumática, dedicando-se a partir desta altura, à pesquisa de como retardar o processo de envelhecimento.Os últimos anos da sua vida, Christiaan Barnard passou-os a dar conferências em vários países e dividia seu tempo entre a Europa e sua fazenda na província do Cabo, no seu país natal.
Morreu a 2 de Setembro de 2001, na cidade balneária de Paphos, no Chipre, ironicamente, vítima de ataque cardíaco.

John Stuart Mill


"A única liberdade que merece esse nome é a de buscarmos o nosso próprio bem, pelo nosso próprio caminho, enquanto não privarmos os outros do seu ou os impedirmos de se esforçarem por consegui-lo. Cada um é o guardião natural da sua própria saúde, seja física, mental ou espiritual. A humanidade acaba por ganhar mais consentindo que cada um viva à sua maneira que obrigando-o a viver à maneira dos outros."

domingo, dezembro 02, 2007

GRUPO DE PORTUGAL NO EURO 2008


Portugal acaba de conhecer os seus adversários do Euro 2008,que vai decorrer entre 7 e 29 de Junho na Áustria e Suiça. Portugal fica integrado no Grupo A, e vai ter como adversários a equipa da casa, a Suíça, a República Checa e a Turquia.
Portugal estreia-se a 7 de Junho, em Genebra, contra a Turquia, defronta quatro dias depois a República Checa, também em Genebra, e fecha a sua participação na fase de grupos a 15 de Junho, frente à Suíça, em Basileia.
Portugal já defrontou por várias vezes todos os adversários que lhe calharam em sorte neste sorteio, com os quais temos boas e más recordações:
Portugal leva ligeira vantagem nos confrontos com os helvéticos. Em nove jogos oficiais, Portugal ganhou por três vezes, empatou quatro, e perdeu por duas vezes.
A República Checa traz más recordações a Portugal. No único jogo oficial entre as duas selecções, eliminaram-nos nos quartos-de-final do Euro-96, batendo a equipa das quinas por 1-0.
A Turquia era o adversário teoricamente mais acessível no pote, que incluía a Rússia, Polónia e a França. Portugal ganhou os quatro jogos oficiais disputados com a Turquia, entre eles o triunfo nos quartos-de-final do Euro 2000, por 2-0.

GRUPOS DO EURO 2008

GRUPO A
Suíça
República Checa
Portugal
Turquia
GRUPO B
Áustria
Croácia
Alemanha
Polónia
GRUPO DA MORTE (C)
Holanda
Itália
Roménia
França
GRUPO D
Grécia
Suécia
Espanha
Rússia

Cristiano Ronaldo


O internacional português Cristiano Ronaldo, jogador do Manchester United, foi hoje consagrado como o melhor futebolista da Europa em 2007, ao ficar em segundo lugar na “Bola de Ouro” do France Football, atrás do brasileiro Kaká.
Depois do diário italiano La Gazetta dello Sport já ter avançado a vitória do médio do AC Milan, a revista francesa confirmou-a oficialmente: Kaká somou 444 pontos, contra 277 de Cristiano Ronaldo, segundo, e 255 de Lionel Messi (FC Barcelona), terceiro.
Os três jogadores - Kaká conta 25 anos, Ronaldo 22 e Messi 20 - formam o mais jovem pódio de sempre do troféu, criado em 1956, sendo que o jogador do AC Milan é o quarto vencedor brasileiro, depois de Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999) e Ronaldinho (2005).
Atrás de Kaká, Ronaldo e Messi, classificaram-se o costa-marfinense Didier Drogba (Chelsea), com 108 pontos, e o italiano Andrea Pirlo (AC Milan), com 41, num universo de 96 jornalistas, que votaram nos 50 futebolistas eleitos pela revista.
Cristiano Ronaldo, também candidato, juntamente com Kaká e Messi, ao título de melhor jogador do ano da FIFA, fica, em grande parte, a dever este título ao desaire no confronto directo com Kaká nas meias-finais da edição 2006/2007 da Liga dos Campeões.
O AC Milan superou os ingleses, com um desaire por 3-2 em Old Trafford, onde Kaká “bisou”, e uma vitória caseira por 3-0, com mais um tento do brasileiro, e sagrou-se, depois, campeão da Europa, ao vencer na final o Liverpool por 2-1 (“bis” Filippo Inzaghi).
“Somos muito semelhantes (eu e o Cristiano Ronaldo), mas a Liga dos Campeões é determinante neste. Ele perdeu pelo Manchester United e eu ganhei pelo AC Milan”, disse Kaká, deixando uma questão: “se tivesse sido ao contrário, para quem seria?”.
Cristiano Ronaldo falhou a “Champions”, mas foi o terceiro melhor marcador da edição 2006/2007 da Liga inglesa, com 18 tentos, levando o Manchester United ao título, e é, actualmente, um dos líderes dos goleadores da “Champions”, com cinco.
O “bronze” do argentino Leonel Messi é, igualmente, fácil de explicar, já que, e mesmo sem conquistar títulos, o jovem jogador catalão “fartou-se” de encantar, conseguindo mesmo um golo à “Maradona”, face ao Getafe, num embate da Taça do Rei de Espanha.
A “Bola de Ouro” já foi ganha por dois jogadores portugueses: Eusébio da Silva Ferreira venceu em 1965, numa altura em que o prémio só estava ao alcance dos jogadores europeus, e Figo em 2000.
Cristiano Ronaldo não vai conseguir, este ano, igualar a proeza, mas junta-se a outros internacionais lusos que já conquistaram o segundo lugar: Paulo Futre em 1987 e Deco em 2004, atrás de Ruud Gullit e Andrei Shevchenko, respectivamente.
No que respeita aos outros internacionais portugueses que figuram na lista dos 50 eleitos do “France Football”, o extremo portista Ricardo Quaresma e o médio Deco (FC Barcelona), nenhum deles recebeu qualquer voto, ficando no 36º lugar. © 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

sábado, dezembro 01, 2007

O Dérbi dos Dérbis


O dérbi eterno do futebol português, entre Benfica e Sporting, festeja hoje o centésimo aniversário. Foi a 1 de Dezembro de 1907 que os dois clubes se defrontaram pela primeira vez, em jogo referente à terceira jornada do segundo Campeonato Regional de Lisboa.
O primeiro jogo entre estes dois clubes, como não podia deixar de ser, foi logo rodeado de polémica. O Sport Lisboa teve grandes dificuldades para sobreviver, quando o Sporting C.P., veio no defeso contratar oito jogadores ao Benfica. Os "traidores" que trocaram o Sport Lisboa pelo Sporting, foram: José da Cruz Viegas, Emilío de Carvalho, Albano dos Santos, António Couto, António Rosa Rodrigues, Candido Rosa Rodrigues, Daniel Queirós dos Santos e Henrique Costa. O Sporting que vivia desafogado na sombra do dinheiro do avô de José Alvalade, o Visconde de Alvalade, tinha sede, campo próprio e balneários, ofereceu banhos quentes aos jogadores, a lavagem de equipamentos e uma bola nova em cada jogo, enquanto que o Sport Lisboa nem sequer campo de jogos tinha, que fará outros "luxos".
Nestas condições, o primeiro dérbi entre os clubes, reuniu uma grande afluência de público ao campo, por um lado, os sportinguistas, desejosos de ver a grande equipa construída por José Alvalade e por outro lado, os benfiquistas empenhados em apoiar os seus jogadores contra os "traidores". Também estavam muitos adeptos neutros, atraídos pela polémica à volta do jogo.
O jogo realizou-se na Quinta Nova, em Carcavelos e o árbitro foi o inglês Burtenshaw. O resultado, foi de 2-1 favorável ao Sporting, tornando-se assim no primeiro clube a vencer o dérbi.
Cândido Rodrigues, um dos "traidores", marcou o golo inaugural dos dérbis, dando vantagem à equipa sportinguista . O Sport Lisboa reagiu e Eduardo Corga empatou o jogo. Entretanto, segundo rezam as crónicas, começou a chover a cântaros, o que fez com que a partida fosse interrompida. Os jogadores só voltaram contrariados ao campo para reiniciar a partida, após serem convencidos pelo senhor Burtenshaw, o árbitro do jogo. O resultado final surgiria já na segunda parte, com um golo na própria baliza de Cosme Damião, o histórico fundador do Benfica.
As equipas alinharam:
Sport Lisboa: João Persónio, Luís Vieira e Leopoldo Mocho, Alves, Cosme Damião e Marcolino Bragança, Félix Bermudes, António Costa e Eduardo Corga, António Meireles e Carlos Fraça.
Sporting CP: Emílio de Carvalho, Queirós dos Santos e José Belo, Albano dos Santos, António Couto e Nóbrega de Lima, António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues e Jacob Eagleson, Cruz Viegas e Henrique Costa.
No “dérbi dos dérbis” os momentos de inspiração individual ou colectiva, são decisivos para levar alguns destes jogos, por uma ou outra razão, a entraram para a história do futebol português. Entre esses jogos, há dois célebres, os 7-1 com que o Sporting humilhou o Benfica; e os 6-3 com que os benfiquistas responderam, em Alvalade.
No primeiro, a 14 de Dezembro de 1986, o Benfica perdeu a invencibilidade frente ao Sporting, orientado por Manuel José, que esteve intratável na segunda parte. O Sporting abriu o activo com um golo de Mário Jorge aos quinze minutos do primeiro tempo. No recomeço da segunda parte Manuel Fernandes (50m) aumentou a contagem para 2-0. O Benfica reduziria a desvantagem para um golo, quando aos 59 minutos Wando apontou o tento benfiquista. A partir desta altura foi o descalabro do Benfica, Manuel Fernandes por mais três vezes, Mário Jorge e Meade, fizeram o resultado final de 7-1. Apesar desta pesada derrota, o Benfica seria campeão nacional. O Sporting ficaria em terceiro, atrás do FC Porto.
Com arbitragem de Vítor Correia de Lisboa, as equipas alinharam:
Sporting C.P. – Damas, Gabriel, Venâncio, Virgílio e Fernando Mendes (Duílio 79m), Oceano, Litos, (Silvinho 79 m), Zinho, Mário Jorge, Manuel Fernandes e Meade.
S.L. Benfica – Silvino, Veloso, Oliveira, Dito e Álvaro, Diamantino (César brito 72m), Carlos Manuel, Shéu, (Nunes 58m), Chiquinho, Rui águas e Wando.
Sete anos depois, o Benfica clamou “vingança”, quando, a 14 de Maio de 1994, no jogo do título, venceu em Alvalade, por 6-3. O Sporting, esteve a vencer por 1-0 e 2-1, mas João Pinto, com um hat-trick na primeira parte, escreveu a mais bela página da sua carreira. No segundo tempo, Carlos Queiroz, técnico do Sporting, arriscou tudo e o Benfica aproveitou para chegar aos 6-2, por Isaías (2) e Hélder. Balakov ainda reduziu, de penálti.
Com a arbitragem de António Marçal de Lisboa, as equipas alinharam:
Sporting C.P.- Lemajic, Nelson, Valckx, Vujacic, Paulo Tores, (Pacheco 45m), Paulo Sousa, Capucho, Figo, Balakov, Cadete e Iordanov (Poejo 60m).
S.L. Benfica – Neno, Veloso, Mozer, Hélder, Kenedy, Abel Xavier, Vítor Paneira, Isaías, (Rui Costa 71m), Schwarz, João Pinto (Rui Águas 78m) e Ailton.
Nos anais da história dos dérbis entre Benfica e Sporting, também deve ser recordada, uma das páginas mais tristes do futebol português. Na final da Taça de Portugal, realizada no Estádio Nacional, a 18 de Maio de 1996, um adepto leonino morreu ao ser atingido no peito por um “very-light” lançado por adeptos benfiquistas.
Desde do longínquo 1 de Dezembro de 1907, o Benfica e o Sporting já se encontraram por 179 vezes, em jogos a contar para Campeonato Nacional, a Taça de Portugal, a Supertaça Cândido de Oliveira. Destes 179 jogos, 81 foram ganhos pelo Benfica, 60 pelo Sporting e 38 acabaram empatados.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Ingrid Betancourt


Ingrid Betancourt Pulecio nasceu em Bogotá, Colômbia, em 25 de Dezembro de 1961.Filha do ex. Senador e ex. Embaixador colombiano, Gabriel Betancourt e de Yolanda Pulecio, ex. Miss Colômbia. Passou parte da juventude em Paris, pois o seu pai era embaixador na UNESCO. Desde criança, habituou-se a conviver com gente como Pablo Neruda, o pintor Fernando Botero e Gabriel García Márquez, amigos da família. Fez os seus estudos no Instituto de Estudo Políticos de Paris, onde se licenciou em Ciências Políticas. Nesta altura conhece Fabrice Delloye, com o qual se casa em 1981. Deste casamento nasceram os seus dois filhos, Mélanie e Lorenzo, que vivem actualmente em França.
Em 1990 divorcia-se de Fabrice e o destino fá-la regressar à Colômbia para empreender uma carreira política, baseada na luta contra a máquina de corrupção movida pelo dinheiro do narcotráfico. Na Colômbia os cartéis da droga, que movimentam milhares de milhões de dólares, compram, literalmente, Deputados, Senadores e até, o Presidente da República.
“Sabem como são poderosos, na Colômbia, os cartéis da droga, esta droga que mina a vida dos nossos jovens. Certamente que têm ouvido falar das matanças e dos escândalos políticos que eles causam. Mas, por trás destas organizações mafiosas, está o meu povo – um povo corajoso e orgulhoso que deseja libertar-se desta engrenagem infernal. É por ele que luto." (Com Raiva no Coração, Terramar, Março 2002).

Quando decidiu seguir a carreira política, dois acontecimentos, moldaram-lhe o carácter: Por um lado, o assassinato em 1989, (por ordem de Pablo Escobar, o líder do cartel de Medellín) de Luis Carlos Galan, candidato à presidência da república colombiana, amigo da sua família e que era a favor da extradição dos narcotraficantes para os Estados Unidos e por outro lado a sua luta pessoal, contra o presidente Ernesto Samper, cuja campanha presidencial foi financiada com o dinheiro do narcotráfico.
Em 1994 é eleita Deputada, com a maior votação de sempre e nesse mesmo ano, casa-se com o publicitário Juan Carlos Lecompte. Em Junho de 1996, sofreu um atentado, a mando dos narcotraficantes. O carro em que seguia recebeu uma rajada de metralhadora que por mera casualidade não a matou. Em Dezembro desse mesmo ano, recebeu no seu gabinete um mensageiro (que se tinha introduzido no Parlamento com a conivência de algum Deputado ou Senador), que lhe transmitiu secamente um aviso: ” É preciso que saiba que corre perigo, que a sua família corre perigo. Parta enquanto pode, pois as pessoas que represento já fizeram um contrato para a abater. Para ser absolutamente exacto, doutora: já pagamos aos sicários.” (Com Raiva no Coração).
Mas, Ingrid Betancourt não se deixa intimidar: “Estou consciente dos perigos, mas estes não me farão recuar. É nisso que reside a minha esperança.”
Paladina da cruzada anti corrupção, foi também conquistada pela defesa do ambiente, tendo criado em 1998, o Oxigénio, um pequeno partido ecologista, e logo de seguida consegue eleger-se Senadora, outra vez com a maior votação de sempre na eleição para o Senado.
Em 2001 candidata-se à presidência da República colombiana. Em 20 de Fevereiro de 2002, o governo rompe as negociações de paz com as FARC, próximo de San Vicente del Caguán, numa vasta zona desmilitarizada. Conduzindo uma violenta ofensiva, as forças governamentais reocupam a vila e as suas imediações. As autoridades recusam a solicitação de Betancourt que pede, enquanto candidata à presidência, para viajar de avião com os jornalistas que acompanham o Presidente Andrés Pastrana ao local. Apesar dos conselhos dos que tentam dissuadi-la, ela decide ir assim mesmo, por terra. Em 23 de Fevereiro, em companhia de sua assessora de imprensa, Clara Rojas, e de dois jornalistas, ela penetra na zona onde há combates intensos entre o exército e a organização terrorista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Foi raptada nesse dia pelas FARC, mantendo-se ainda em cativeiro.
Desde então, a sua família, com o apoio de intelectuais e políticos franceses e colombianos, tem lutado para que Ingrid Betancourt não seja esquecida e para que o governo consiga negociar a sua libertação. Ingrid Betancourt também conta com dezenas de comités de apoio na França e em outros países europeus, todos mobilizados pela sua libertação.
Ingrid Betancourt, é uma mulher de coragem, pela luta solitária que trava contra a poderosíssima força mafiosa do narcotráfico e contra a corrupção nas altas esferas da política colombiana, mas é também a voz renovadora da esperança no triunfo da democracia na Colômbia.

Ingrid Betancourt (I)


Ingrid Betancourt, a candidata às eleições presidenciais da Colômbia, que foi raptada em Fevereiro de 2002 pelos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC), às quais várias organizações internacionais, pediam uma prova de vida, encontra-se viva, conforme anunciou hoje o governo colombiano, após a detenção de três elementos da rede urbana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em Bogotá, tendo encontrado em seu poder vídeos de Ingrid Betancourt e de outros reféns.
Nas imagens, Ingrid Betancourt aparece sentada em frente a uma pequena mesa, “bastante magra”, “com o cabelo muito comprido” e com uma mão aparentemente “acorrentada”, explicou à televisão LCI a irmã da refém, Astrid Betancourt.
Há três meses, Hugo Chávez foi encarregado pelo governo colombiano de mediar a troca de 45 reféns das FARC, entre os quais Ingrid Betancourt, por 500 guerrilheiros presos na Colômbia.
Na sua recente visita a França, Hugo Chávez disse ao Presidente francês Nicolas Sarkozy que o chefe das FARC " tinha prometido uma carta contendo uma prova de vida antes do final do ano", relacionada com Ingrid Betancourt e os outros reféns mantidos em cativeiro pela guerrilha.
Aparentemente as FARC estavam a tentar fazer chegar as provas de vida de Ingrid Betancourt ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
O Comité de Apoio a Ingrid Betancourt assinalou que as provas de vida encontradas na posse dos guerrilheiros “demonstram a eficácia” da mediação de Chávez e Piedade Córdoba.
“É inegável que os seus esforços foram coroados por um êxito. Esperamos que o seu trabalho possa ser retomado, em concertação com o governo colombiano”, refere um comunicado do Comité de Apoio a Ingrid Betancourt.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Bad Sex Fiction Award

O escritor americano Norman Mailer, recentemente falecido, foi o vencedor do prémio "Bad Sex in Fiction Award", pela pior descrição de um acto sexual na literatura de ficção em inglês.
Norman Mailer foi agraciado com o prémio, atribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review por uma passagem do seu último livro, The Castle in the Forest, editado em português com o título O Fantasma de Hitler.
O objectivo do prémio, segundo a revista é “chamar a atenção para uso de trechos com descrições sexuais redundantes, de mau gosto, grosseiras e frequentemente superficiais em livros modernos”.
O trecho premiado descreve uma cena de sexo oral, entre Alois e Klara.Na edição portuguesa (Dom Quixote, 1ª edição Agosto 2007) do livro o trecho está na página setenta e dois:
“…Contudo, nessa noite quente de Verão quando tentava abrir-lhe as pernas fechadas, empurrando mais do que nunca com a força dos seus braços, houve um momento em que lhe faltou a respiração. Uma agonia assustadora! Por um instante, sentiu-se como se tivesse sido derrubado por um raio. Aquilo era o coração dele? Seria o próximo a morrer?
“Estás bem?” gritou ela quando ele se deitou a seu lado a procurar recuperar a respiração, com o fôlego a entrar e a sair num ronco que soava tão horrível como os últimos sopros dos seus filhos desaparecidos.
“Tudo bem. Sim. Não”, disse ele, e nesse momento ela pôs-se em cima dele. Não sabia se isto o ressuscitaria ou se acabaria com ele… Por isso Klara virou-se dos pés para a cabeça, e pôs a sua parte mais indecorosa no nariz e na boca dele que respiravam com dificuldade, e levou o velho aríete aos lábios. O Tio estava agora tão mole como uma rosca de excremento. Não obstante chupou-o com uma avidez que só podia ser obra do Demónio – isso ela sabia. Sabia de onde viera o impulso. Assim, agora tinham ambos as cabeças nas extremidades erradas, e o Demónio estava ali com eles. Ele nunca estivera tão próximo.
O Cão de Caça começou a ganhar vida. Ali dentro da boca dela. Isso surpreendeu-a. Alois estivera tão flácido. Mas, agora, era novamente um homem! Coma boca a espumar com os fluidos dela, virou-se e agarrou-lhe na cara com toda a paixão dos seus próprios lábios e cara, finalmente pronto a esfregar-se dentro dela com o Cão de Caça, a arremessá-lo contra a piedade dela, maldita piedade, pensou Alois - maldita mulher beata, maldita igreja! - regressara do mundo dos mortos - por alguma espécie de milagre, estava ali inteirinho, com o orgulho de uma espada. E em seguida o momento foi ainda mais longe, já que ela - a mulher mais angélica de Brannau - se entregava ao Diabo, sim ela sabia que ele estava ali, ali com Alois e com ela, todos os três soltos no géiser que saiu dele, e a seguir dela, juntos naquele momento, e eu estava lá com eles...”
Na realidade, deverá ser difícil encontrar na Literatura mundial, uma descrição tão canhestra de um simples 69.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Alberto Moravia


Passam hoje cem anos do nascimento de um dos mais prestigiados escritores italianos do século XX, Alberto Moravia.
Alberto Pincherle nasceu em Roma
em 28 de Novembro de 1907. Renunciaria anos mais tarde ao apelido judaico de seu pai (Carlo Pincherle Moravia), devido ao regime fascista, que começava a incomodar todos os judeus. Adoptou o apelido da sua avó paterna, e assim ficou mundialmente conhecido: Alberto Moravia. Tendo sofrido de tuberculose durante toda a sua infância, Moravia viveu toda a sua juventude internado em sanatórios e tornou-se um verdadeiro autodidacta.
Ele próprio aponta os factos decisivos da sua biografia: “O primeiro passou-se na minha juventude, quando estive cinco anos preso à cama, atingido pela tuberculose. O segundo foi o triunfo do fascismo, ao qual me opus, e que me proibiu de publicar o que pretendia. Estes dois factores formaram o meu carácter.”
Aos 22 anos estreia-se com Os Indiferentes, uma condenação moral do cinismo da burguesia, romance muito bem recebido pela crítica e pelo público; em 1935, com a publicação de La Bella Vita e de Le Ambizioni Sbagliate, a reacção da Itália oficial à obra de Moravia torna-se mais áspera. Alberto Moravia é proibido de publicar as suas obras e começa a ser perseguido.
Face estas perseguições do regime fascista de Mussolini, resolveu expatriar-se, primeiro para os EUA e depois para a China e Índia.
Em 1941 Alberto Moravia casou-se com a escritora Elsa Morante autora do romance "La Storia", que aborda as relações sociais durante os anos da Grande Guerra.
Regressa a Itália no final da Segunda Guerra Mundial e é daí em diante que publica a parte mais importante da sua obra. Em 1947 publica A Romana, crónica social do regime fascista Mussolini.
Os seus conhecimentos do humano, de diversos ambientes, aliados à perspectiva histórica a que nunca subtrai as suas personagens, continuarão a revelar-se em, A Desobediência (1948), O Conformista (1951) O Desprezo (1954) O Tédio (1960) e A Atenção (1965) e tantos outros pontos altos da vida literária de um romancista, ensaísta e polemista notável da cultura europeia, cuja a atenção se fixa sobre o estudo e condições objectivas, para nelas explorar todas as implicações psicológico-morais e sociais.
Nos anos cinquenta do século passado, depois de ter sido perseguido pelo fascismo, arranjou um outro inimigo de peso: O Vaticano. Todas as obras editadas por Alberto Moravia neste período, são condenadas pelo Vaticano devido “à linguagem realista e às temáticas indecentes”.
A Ciociara (1957) é no entender de Carlo Salinari, um dos maiores críticos italianos, “o romance mais acabado e bem realizado de Moravia, porque nele a dialéctica “normalidade-anormalidade” coincide com a relação histórica de “paz-guerra” e, dessa forma, a normalidade transforma-se numa aspiração consciente temperada pela dor, para superar as misérias, o luto e as destruições da guerra.”
No final dos anos cinquenta, surge o reconhecimento internacional de Alberto Moravia, quando este, ocupou a presidência do Pen Club Internacional entre os anos de 1959 e 1962, e é proposto por duas vezes, ao Nobel da Literatura.
Vários livros seus foram adaptados ao cinema, de entre eles O Desprezo (1963) realizado por Jean-Luc Godard e O Conformista, do realizador Bernardo Bertolucci, em 1970. O filme de 1960 do realizador italiano Vittorio de Sica, La Ciociara (Duas Mulheres em português), baseado na obra homónima de Moravia, daria nesse ano o Óscar de melhor actriz, a Sophia Loren.
Em 1984 é eleito pelo Partido Comunista deputado ao Parlamento Europeu, cargo que ocupou até à sua morte, ocorrida em Roma , a 26 de Setembro de 1990.
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terça-feira, novembro 27, 2007

O Testamento de Alfred Nobel


A criação do Prémio Nobel ocorreu por um "feliz" incidente jornalístico. Dizem que a verdadeira motivação de criar o Prémio não foi a fortuna colossal do inventor da dinamite mas que se deveu ao facto de um jornal sueco publicar um longo obituário de Alfred Nobel (1833 - 1896), por engano, acreditando que foi ele a morrer, quando tinha sido o seu irmão, Ludvig. Dizia o jornal: "Morreu Alfred Nobel, o Mercador da Morte, o homem que dedicou a sua vida a encontrar maneiras de destruir e matar".
Alfred Nobel ficou horrorizado com a maneira como viria a ser recordado. Sem a Fundação Nobel e os prémios concedidos anualmente em seu nome, é muito provável que Nobel, fosse lembrado desta maneira ou ainda mais provável, seria que ninguém se lembrasse dele.
No dia 27 de Novembro de 1895 Alfred Nobel, iria esvaziar de conteúdo o obituário apressado feito pelo jornal sueco, quando no Clube Sueco em Paris, assinou o seu testamento, homologado por quatro compatriotas seus.
O documento continha legados pequenos a algumas pessoas e acrescentava: “Todo o meu património deverá ser tratado da seguinte maneira. O capital será investido pelos meus executores em títulos seguros e com os seus juros anuais, distribuídos prémios para os que trouxerem os maiores benefícios à humanidade. O dito prémio deverá ser dividido em cinco partes iguais, que deverá ser aplicado como se segue: uma parte para a pessoa que deverá ter feito a mais importante descoberta ou invenção no campo da física (Prémio Nobel da Física); uma parte para a pessoa que deverá ter feito a mais importante descoberta química ou aperfeiçoamento (Prémio Nobel da Química) ; uma parte para a pessoa que deverá ter feito a mais importante descoberta no domínio da fisiologia ou medicina (Prémio Nobel da Medicina); uma parte para a pessoa que deverá ter produzido no campo da literatura o mais impressionante trabalho de uma tendência idealista (Prémio Nobel da Literatura); e uma parte para a pessoa que deverá ter feito mais ou melhor trabalho para a fraternidade entre as nações, para a abolição ou redução de exércitos permanentes e para conservação e estímulos de congressos de paz (Prémio Nobel da Paz). O prémio para físicos e químicos deverá ser entregue pela Academia Sueca das Ciências; o de fisiologia ou trabalhos médicos pelo Instituto Caroline de Estocolmo; o de literatura pela Real Academia de Estocolmo; e para os campeões da paz, por um comité de cinco pessoas eleito pelo Parlamento Norueguês. É meu desejo expresso que quando entregarem os prémios nenhuma consideração deverá ser feita à nacionalidade dos candidatos, para que o mais qualificado receba o prémio, seja ele escandinavo ou não.” (O Prémio Nobel da Economia só seria instituído em 1969 e é financiado pelo Banco da Suécia).
Feito sem instrução jurídica, o testamento continha muitas falhas. Nobel legou a sua fortuna, mas a quem? Ele deixou escrito apenas que determinada corporação deveria distribuir o dinheiro dos juros em cinco prémios e não fez determinações sobre a administração do fundo. Ele estabeleceu apenas que as cinco instituições assumiriam a tarefa de distribuir os prémios. E o que deveria acontecer se elas recusassem?
A longa série de processos sobre o último desejo de Nobel começou com a questão sobre o lugar do seu domicílio. Seria a cidade sueca Bofors, onde ele estava registrado como habitante quando morreu? Estocolmo, onde pagava impostos? Ou em Paris, onde viveu longos anos e gozava dos direitos de cidadania local, embora tenha mantido seu passaporte sueco?
A questão era interessante não só por causa do imposto sobre herança, mas também para a validade jurídica do testamento. Por motivos formais, os tribunais franceses teriam declarado o documento inválido. Depois de processos em várias instâncias, foi decidido que o domicílio seria Bofors.
Entretanto, o Estado Sueco propôs a criação de uma fundação à luz do direito sueco para cuidar do património de Nobel. O Governo fez as reformas legais necessárias e pediu às instituições mencionadas no testamento que reconhecessem e assumissem as tarefas deixadas por Nobel.
Logo depois, três das quatro instituições deram sua resposta positiva e, ao mesmo tempo, fizeram sugestões para os estatutos da fundação e directrizes para a concessão dos prémios. A Academia Sueca de Ciências foi a única entidade que considerou essa tomada de posição inoportuna antes do fim de todos os processos.
Os testamenteiros, as instituições e parentes de Nobel negociaram durante um ano, após o que assinaram um acordo e encerraram todos os processos sobre o testamento. Só então começaram as negociações sobre os estatutos da Fundação Nobel.
Em Junho de 1900, ela foi finalmente confirmada e aprovada pelo governo sueco e no ano seguinte foram pela primeira vez concedidos os Prémios Nobel.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Eles estão doidos!

O sociólogo e cronista português António Barreto, tem uma crónica semanal no jornal PÚBLICO, intitulada o "Retrato da Semana". Esta é a crónica dele no Público de 25 de Novembro. Pela sua importância para o dia a dia de milhares de portugueses, fica aqui reproduzida na íntegra.
A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da “fast food”, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e “petiscos”, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta “produto não válido”, mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.

domingo, novembro 25, 2007

Ramalho Eanes


António dos Santos Ramalho Eanes, filho de Manuel dos Santos Eanes e Maria do Rosário Ramalho, nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco a 25 de Janeiro de 1935, no seio de uma família modesta, mas desafogada. A formação académica teve início em 1942, quando entra para o Liceu de Castelo Branco.
Após completar os estudos liceais, abandona o sonho de ser médico e segue a carreira militar entrando para o exército em 1952, onde concluiu, em 1956, o curso da Escola do Exército, sendo promovido a alferes no ano seguinte. Militar de carreira, foi sucessivamente promovido a: tenente (1959); capitão (1961); graduado a major (1970); major (1973); tenente-coronel (1974); coronel (1976); graduado general (1975) e general (1976).
Durante a guerra colonial prestou serviço no Estado Português da Índia (1958-1960) e em Macau (1962). Esteve também em Moçambique (1964 e 1966-1968), na Guiné (1969-1971) e em Angola (1971 até Abril de 1974).
Nomeado para a Comissão Ad-hoc para os Meios de Comunicação Social, foi director de programas e presidente do conselho de administração da RTP entre 1974 e 1975.No período conturbado que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes comandou as operações militares de 25 de Novembro de 1975.
Ao longo de todo o Verão e começo do Outono de 1975, confrontaram-se duas concepções de modelo de sociedade para Portugal. Uma, de matriz europeia, sustentada numa democracia representativa; e uma segunda, importada da União Soviética, para a “sovietização” do país.
Os militares, no poder desde o 25 de Abril de 1974, dividiram-se entre os dois apelos e tornaram-se nos principais protagonistas de uma disputa que terminou com a vitória das forças moderadas, precisamente no dia 25 de Novembro de 1975, quando uma revolta iniciada por tropas pára-quedistas, que contariam, numa segunda fase, com o apoio de unidades do Exército e da Armada, foi sustida e derrotada. O detonador involuntário do 25 de Novembro foi Vasco Lourenço.
No dia 20 de Novembro tinha sido nomeado pelo Conselho da Revolução para comandante da Região Militar de Lisboa. A sua nomeação foi prontamente contestada pelos sectores político-militares influenciados quer pelo PCP quer pela extrema-esquerda. Posto em causa, o então capitão, exigiu ser reconfirmado, o que sucedeu na reunião de 24 de Novembro do Conselho da Revolução. Sem demora e sem formalidades, Vasco Lourenço tomou posse do cargo na manhã de 25 e instalou-se no Palácio de Belém.
Nesta altura, durante a madrugada, já os pára-quedistas da Base Escola de Tancos, tinham ocupado o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas, na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 pára-quedistas de Tancos. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva.
O golpe estava na rua, logo de seguida o contra-golpe estaria em marcha.Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove, (grupo militar liderado por Ramalho Eanes e composto por Garcia dos Santos, Gabriel Teixeira, Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Aurélio Trindade, Tomé Pinto, José Pimentel e José Manuel Barroco), como o indício de um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda.
Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país, recorrendo às poucas forças verdadeiramente operacionais de que o país dispunha, ou seja, o Regimento de Comandos da Amadora, comandado pelo então coronel Jaime Neves; a Força Aérea, que deslocou para a Base de Cortegaça os principais meios, a Região Militar do Norte, comandada pelo então brigadeiro Pires Veloso, que enviou para Lisboa três companhias.
Os focos de resistência foram sendo neutralizados ao longo do dia sem grande oposição dos revoltosos, verificando-se um confronto armado apenas na calçada de acesso ao Regimento de Polícia Militar, em Lisboa, em que morreram dois militares do Regimento de Comandos - o tenente José Coimbra e o aspirante José Ascenso. Testemunhos da época garantem que foram baleados pelas costas por civis armados. Na troca de tiros, foi também atingido mortalmente o furriel Joaquim Pires.
Numa mensagem ao país, feita pelo telefone e transmitida através dos estúdios do Porto da Emissora Nacional, cerca das 22 horas, o presidente da República decretou estado de sítio parcial na região de Lisboa, uma medida que restringia o direito de liberdade de reunião. Os bancos encerraram e os jornais de Lisboa não se publicaram. No resto do país, a situação foi sempre menos tensa. A emissão da RTP passou igualmente a ser assegurada do Porto, depois de uma tentativa de um dos revoltosos em falar ao país, a pedir apoio para os revoltosos.
O clima de radicalização inerente ao PREC , chegou ao fim com o 25 de Novembro de 1975, o dia em que o país esteve a um pequeno passo da guerra civil.
O 25 de Novembro trouxe a Ramalho Eanes um grande prestígio. Nomeado Chefe do Estado-Maior do Exército nesse mesmo mês, manteve-se no cargo até 1976, para logo de seguida ocupar o de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas até 1981.
Devido ao seu desempenho, Ramalho Eanes facilmente reuniu em torno da sua candidatura a presidente da República, em 1976, o apoio de três dos quatro partidos principais de então: o Partido Socialista (PS), o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS).
Sá Carneiro e o PPD anunciaram o apoio a 28 de Abril e o PS a 12 de Maio, dois dias antes da apresentação da candidatura. Ramalho Eanes era o candidato presidencial dos que defendiam o fim do PREC (processo revolucionário em curso), batendo-se, sobretudo, contra Otelo Saraiva de Carvalho e Octávio Pato.
A garantia de estabilidade e segurança que representava, depois de momentos tão agitados na história política portuguesa, garantiu-lhe a vitória, com 61,6% dos votos. Após a vitória, fez a declaração que os seus sucessores adoptaram, no discurso de vitória: "Sou Presidente de todos os portugueses".
Ao longo do primeiro mandato, empossou um governo minoritário do PS, outro de coligação do PS com o CDS e três de iniciativa presidencial. Acusando-o de deriva esquerdista, Sá Carneiro cria a AD e proclama a máxima "uma maioria, um Governo, um Presidente".
Entretanto, na conferência de Imprensa da apresentação da sua recandidatura, Eanes tenta "namorar" o eleitorado da AD, quando já tinha o apoio expresso do PS e tácito do PCP. No entanto a AD, apresenta o seu candidato, o General Soares Carneiro. Mário Soares, abrindo a crise com o Secretariado, que iria repercutir-se na história do partido, ao não conseguir convencer o PS, retira-lhe o seu apoio pessoal.
Ramalho Eanes venceria as eleições presidenciais de 1980, à primeira volta, com 56,44% do eleitorado, derrotando o General Soares Carneiro, que recebeu 40,23% dos votos.
Em 1985, impulsionou a criação de um novo partido, o PRD (Partido Renovador Democrático), chefiado a princípio por Hermínio Martinho, mas do qual ele próprio veio a assumir a liderança, entre 1986 e 1987. O PRD alcançou 17,9% dos votos nas eleições legislativas de 1985, a primeira vez que participou nas eleições para a Assembleia, tornando-se o terceiro partido a seguir ao PSD e ao PS.
Em 1987, a aprovação de uma moção de censura, apresentada pelo PRD na Assembleia, provocou a queda do governo minoritário do PSD. O presidente Mário Soares convocou eleições em que o PRD não passou dos 4,9%. Mais tarde, nas eleições de 1991, já dirigido por Pedro Canavarro, o PRD perdeu a representação parlamentar.
Ramalho Eanes é General de quatro estrelas desde 1978 e passou à reserva em Maio de 1986.
Recebeu vários louvores e condecorações militares, entre os quais a Cruz de Guerra e a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma. Detém ainda a Ordem da Torre e Espada. Actualmente, é por inerência (como todos os Presidentes, que tenham já cumprido os seus mandatos, e tenham sido eleitos na vigência da actual Constituição) conselheiro de Estado vitalício (desde 18.3.1986). Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões ético-políticas, a promoção a Marechal.
No dia 15 de Novembro de 2006, o General António Ramalho Eanes, defendeu a sua tese de Doutoramento em Ciência Política, intitulada Sociedade Civil e Poder Político em Portugal, na Universidade de Navarra, em Pamplona. O ex-presidente da República foi aprovado por unanimidade e com nota máxima ‘Suma cum laude’ nesta prova de doutoramento. Fonte principal, página oficial da Presidência da República e DN.