sábado, janeiro 26, 2008

Óscares: 1934


Apresentação: Irvin S. Cobb

Auditório: Biltmore Bowl do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: It Happened One Night, de Frank Capra

Realizador: Frank Capra, por It Happened One Night

Actor: Clark Gable, por It Happened One Night

Actriz: Claudette Colbert, por It Happened One Night

Argumento Original:Arthur Caesar, por Manhattan Melodrama

Argumento Adaptado: Robert Riskin, por It Happened One Night

Fotografia: Victor Milner, por Cleopatra

Decoração: Cederic Gibbons e Frederic Hope, por The Merry Widow

Ajudante de Realização:John Walters, por Viva Villa!

Som:Paul Neal, por One Night of Love

Canção:Com Conrad (música) e Herb Magidson (letra), por “The Continental”, em The Gay Divorcee

Banda Sonora:Louis Silvers (Columbia), por One Night of Love

Montagem: Conrad Nevig, por Eskimo

Curta-metragem Humorística: La Cucaracha, de Kenneth Macgowan

Curta-metragem de Animação: The Tortoise and the Hare, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental:
City of Wax, de Horace Woodard e Stacy Woodard

Prémios especiais: Shirley Temple, pela sua contribuição ao cinema de entertenimento

sexta-feira, janeiro 25, 2008

King Kong


Apesar de no essencial, ser um filme de série B, King Kong é uma das maiores e mais amadas obras-primas do cinema. A história recria o antiquíssimo conflito entre a cidade e a natureza. Uma expedição chega à ilha chamada Skull Island, com o intuito de trazer para Nova Iorque e explorar como uma sensação um gorila gigante e pré-histórico, temido e venerado pelos nativos. Mas o poderoso Kong reage mal ao facto de estar enjaulado e foge numa onda de destruição pela cidade.
As cenas na Skull Island são surpreendentes até hoje, desde a primeira aparição de King Kong até às inúmeras criaturas pré-históricas que ele e a expedição enfrentam ao tentar respectivamente, proteger ou encontrar, a raptada Ann Darrow. King Kong sente-se intimidado pela beleza de Ann, e quando escapa do cativeiro e vagueia por Nova Iorque, a primeira coisa que faz é capturar a jovem amada e retê-la como sua prisioneira. No cimo do Empire State Building, a lutar contra os aviões, King Kong preferiu sacrificar a própria vida a fazer mal a Ann, o que dá ao filme um final famoso e tocante: “A bela matou o monstro…simpático”

Origem: E.U.A (Estúdios RKO, Película a preto e branco)
Data de estreia: 2 de Março de 1933
Realização: Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
Produção: Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack E David O. Selznick
Argumento: James Ashmore Creelman, Ruth Rose e Edgar Walace
Fotografia: Edward Linden, J.O. Taylor, Vernon L. Walker e Kenneth Peach
Música: Max Steiner
Elenco: Fay Wray (Ann Darlow), Robert Armstrong (Carl Denham), Bruce Cabot (John “Jack” Driscoll), Frank Reicher ( Cap. Englehorn), Sam Hardly (Charles Weston)

Walt Disney


Walter Elias Disney nasceu em Chicago a 5 de Dezembro de 1901. Passou a maior parte de sua infância numa quinta em Marceline, no Missouri. Com 14 anos entrou para o Kansas City Art Institute e aos 16 foi voluntário da Cruz Vermelha em França, no final da Grande Guerra.
Em 1919, começou a trabalhar num estúdio, em Kansas, onde conheceu Ub Iwerks, um promissor artista que se tornaria o seu mais longo e fiel colaborador.
Em 1923, fundou o seu próprio estúdio em Hollywood e, juntamente com o seu irmão Roy e o colaborador Iwerks, começou a produzir uma série de animação em movimento intitulada Alice in Cartoonland.
Em 1927, a produção continuou com a criação de uma outra série de desenhos animados: Oswald the rabbit.
No ano seguinte, em 1928, nascia Mickey Mouse, ou Rato Mickey. Os dois primeiros cartoons eram mudos (Plane Crazy e Gallopin Gaucho), sendo o terceiro já sonorizado (Steamboat Willie). A voz do Rato Mickey era a do próprio Walt Disney que, encorajado pelo recente sistema sonoro, concebeu uma nova série — Silly Symphony, em que a acção dos desenhos animados era criada de forma a acompanhar a música (pré-gravada). O mais famoso cartoon desta série é The Three Little Pigs (1933). Em 1932, começou a produzir filmes coloridos e a utilizar a câmara multiplana, que permitia uma maior perspectiva e profundidade.
O sucesso de Mickey originou uma série de animais que se tornaram verdadeiras estrelas populares: Minnie, Pato Donald, Pateta e Pluto. Às curtas-metragens vieram juntar-se as grandes produções de desenhos animados (em longa-metragem), como Snow White and the Seven Dwarfs/A Branca de Neve e os Sete Anões (1938), Pinocchio/Pinóquio (1940) e Dumbo (1941), com um enorme sucesso em todo o mundo.
A ideia de que miúdos e adultos vivessem o mesmmo sonho toma corpo em1955, a Walt Disney inaugurou o seu primeiro parque de diversões — a Disneylândia, na Califórnia. O rápido sucesso alcançado leva-o a desenvolver um projecto ainda mais ambicioso: a criação de um verdadeiro universo de lazer, a que não chega assistir porque morre a 15 de Dezembro de 1966, em Los Angeles.
Mas o seu irmão Roy e a sua equipa agarram no sonho e abrem, em 1971, a Walt Disney World Resort na Florida, um conceito que em 1992 é exportado para a Europa com o Disneyland Paris.
Os estúdios Disney dedicaram-se igualmente à produção de filmes de pura acção como Treasure Islands (1950) e documentários sobre a natureza, como The Living Desert (1953). Produziram também longas-metragens reais, com figuras humanas, entre as quais The Swiss Family Robinson/A Família Robinson (1960) e a famosa Mary Poppins (1964).
Em 1961, a figura de Walt Disney tornou-se familiar para milhões de pessoas através das primeiras séries televisivas a cores, que o próprio apresentava no início de cada sessão. Muitos filmes se seguiram tais como os famosos A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro, Anastasia, Alladino, Robin Hood, Rei Leão, Hercules, Pocahontas, Mulan e Tarzan.

Óscares:1932/1933


Apresentação: Will Rogers

Auditório: Fiesta Room do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: Cavalcade, de Frank Lloyd

Realizador: Frank Lloyd, por Calvacade

Actor: Charles Laughton, por The Private Life of Henry VIII

Actriz: Katharine Hepburn, por Morning Glory

Argumento Original: Robert Lord, por One Way Passage

Argumento Adaptado: Victor Herman e Sarah Y. Mason, por Little Women

Fotografia:Charles Bryant Lang Jr., por A Farewell to Arms

Decoração: William S. Darling, por Cavalcade

Som:Harold C. Lewis, por A Farewell to Arms

Curta-metragem Humoristica: So this is Harris, de Louis Brock

Curta-metragem de Animação: The Three Little Pigs, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental: Krakatoa, de Joe Rock

Óscares:1931/1932


Apresentação: Conrad Nagel

Auditório:Fiesta Room do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: Grande Hotel, de Edmund Goulding

Realizador: Frank Borzage, por Bad Girl

Actor: Wallace Beery, por The Champ; e Fredric March, por Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Actriz: Helen Hayes, por The Sino f Madelon Claudet

Argumento Original: Francis Marion, por The Champ

Argumento Adaptado: Edwin Burke, por Bad Girl

Fotografia: Lee Garmes, por Shanghai Express

Decoração: Gordon Wiles, por Transatlantic

Som: Departamento de sem dos estúdios Paramount

Curta-metragem Humorística: The Music Box, de Hal Roach

Curta-metragem de Animação: Flowers and Trees, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental: Wrestling Swordfish, de Mack Senett

Prémio Especial: Walt Disney, pela criação de Mickey Mouse

Óscares:1930/1931


Apresentação: Lawrence Grant

Auditório: Sala D’Oro do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: Cimarron, de Wesley Ruggles

Realizador: Norman Taurog, por Skippy

Actor: Lionel Barrymore, por A Free Soul

Actriz: Marie Dressler, por Min and Bill

Argumento Original: John Monk Dauders, por The Dawn Patrol

Argumento Adaptado: Howard Estabrook, por Cimarron

Fotografia:Folyd Crosky, por Tabu

Decoração:Max Ree, por Cimarron

Som: Departamento de sem dos estúdios Paramount

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Óscares:1929/1930


Apresentação: Conrad Nagel

Auditório: Fiesta Room do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: All Quiet on the Western Front, de Lewis Milestone

Realizador: Lewis Milestone, por All Quiet on the Western Front

Actor: George Arliss, por Disraeli

Actriz: Norma Shearer, por The Divorcee e Their Own Desire

Argumento: francês Marion, por The Big House

Fotografia: Joseph T. Rucker e Willard Van Der Veer, por With Byrd at the South Pole

Decoração: Herman Rosse, por The King of Jazz

Som: Douglas Shearer, por The Big House

Óscares:1928/1929


Apresentação: William C. De Mille

Auditório: Coconut Grove do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: The Broadway Melody, de Harry Beaumont

Realizador: Frank Lloyd, por The Divine Lady

Actor: Warner Baxter, por In Old Arizona

Actriz: Mary Pickford, por Coquette

Argumento: Hans Kraly, por The Patriot

Fotografia: Clyde De Vinna, por White Shadows in the South Seas

Decoração:Cedric Gibbons, por The Bridge of Sam Luís Rey

Óscares:1927/1928


Apresentação: Douglas Fairbanks e William C. De Mille

Auditório: Blossom Room do Hollywood Roosevelt Hotel (Hollywood)

Filme: Wings, de William A. Wellman

Prémio à qualidade artística de produção: Sunrise, de F.W. Murnau

Realizador de Comédia: Lewis Milestone, por Two Arabian Knights

Realizador de Drama: Frank Borzage, por 7th Heaven

Actor: Emil Jannings, por The Last Command e The Way of All Flesh

Actriz: Janet Gaynor, por 7th Heaven e Street Angel

Argumento Original: Bem Hecht, por Underworld

Argumento Adaptado: Benjamim Glazer, por 7th Heaven

Autor de Títulos: Joseph Farnham, por Telling the World

Fotografia: Charles Rosher e Karl Struss, por Sunrise

Decoração: William Cameron Menzies, por The Dove

Efeitos Especiais de Engenharia: Roy Pomeroy, por Wings

Prémios Especiais: Warner Bros., pela produção de The Jazz, primeiro filme sonoro; e Charles Chaplin pela realização de The Circus.

O Anjo Azul


O filme O Anjo Azul, baseado numa novela de Heinrich Mann, Professor Unrat, foi o primeiro de sete filmes em que Josef von Sternberg e Marlene Dietrich colaboraram entre 1930 e 1935. Este filme catapultou a actriz alemã para o estrelato, tornando-a numa das mais inesquecíveis femmes fatales do cinema.
Em o Anjo Azul, Marlene Dietrich representa Lola Lola, uma estrela de cabaret popular, que canta e representa num cabaret sujo de uma vila pequena, Der Blaue Engel.
Provocantemente vestida, a sereia enfeitiça o respeitável director de uma escola, Immanuel Rath (Emil Jannings), para longe do seu mundo ordenado, seguro e previsível para o mundo dela, bizarro, de mágicos, palhaços e outros actores desfavorecidos. Fascinado e seduzido pela sua aura carismática, o professor envelhecido casa com Lola Lola e troca a sua posição no ensino pela servidão dela. Passados alguns anos, o humilhado Rath, é desiludido pela relação aberta que a sua mulher tem com um jovem.
Meticulosamente iluminado e embelezado pelo guarda-roupa e acessórios extravagantes, os espantosos números de Lola Lola deixam a audiência tão atraída por ela como Rath, que pode ser visto como um substituto para o desejo masoquista do espectador de ser vitima dos encantos destrutivos de Marlene Dietrich. (MOMA)

Origem: Alemanha
Data de estreia: 1 de Janeiro de 1930
Realização:
Josef von Sternberg
Produção: Erich Pommer
Argumento: Robert Liebmann e Josef Von Sternberg
Baseado na novela: Professor Unrat de Heinrich Mann
Fotografia: Gunther Rittau, Hans Schneeberger
Música: Max Steiner
Elenco: Marlene Dietrich (Lola Lola), Emil Jannings (Prof.Immanuel Rath), Kurt Gerron (Kiepert), Rosa Valetti (Guste Kiepert), Hans Albers (Mazeppa).

Charles Chaplin


Charles Spencer Chaplin nasceu a 16 de Abril de 1889, em Londres, e faleceu a 25 de Dezembro de 1977, em Vevey, na Suíça. Filho de artistas do vaudeville, viveu uma infância humilde, marcada pelo abandono do lar por parte do pai alcoólico.
Aos 5 anos, já participava em espectáculos, cantando e dançando nas ruas da capital inglesa ao lado do seu irmão Sydney. Depois duma breve passagem por um orfanato, junta-se a uma companhia infantil de teatro. Mais tarde, por influência de seu irmão Sidney, é contratado pela Companhia Teatral de Fred Karno, onde permaneceu até 1912, alcançando algum prestígio a nível interno.
Em 1912, durante uma digressão aos Estados Unidos, onde actuou ao lado de Stan Laurel, chamou a atenção do produtor cinematográfico Mack Sennett, patrão do Keystone Studios. Após uma difícil negociação, estrear-se-ia- em 1914 com uma prestação secundária em Making a Living (1914). Neste mesmo ano, participou em 35 filmes da Keystone e cada participação fez crescer a sua cotação como actor.
Em Mabel's Strange Predicament (A Estranha Aventura de Mabel, 1914), desempenhou pela primeira vez a personagem que o imortalizaria aos olhos de milhões de cinéfilos: Charlot, o vagabundo com o chapéu de coco, calças largas e bengala em constante movimento que numa sucessão de gags cómicos procura libertar-se de forma pouco ortodoxa de inúmeras situações desfavoráveis, ora pontapeando agentes da lei, ora cortejando belas mulheres. O facto de os espectadores se identificarem com as peripécias de Charlot ajudou ao retumbante êxito da personagem que surgiria novamente em The Masquerader (Charlot Faz de Vedeta, 1914), Laughing Gas (Charlot Dentista, 1914),The Rounders (Que Noite!, 1914) e Mabel's Busy Day (Charlot e as Salsichas, 1914).
Começou também a dirigir as suas próprias curtas-metragens, iniciando essa nova faceta com Making a Living (1914). Após mais um sucesso com The Tramp (Charlot Vagabundo, 1915), Chaplin recebeu um contrato milionário da First National Studios com uma cláusula irrecusável: a de manter o controlo absoluto da criação artística dos filmes que interpretava e dirigia. Dando asas a toda a sua imaginação e talento, somou êxitos em cadeia, dos quais se destacou o célebre The Kid (O Garoto de Charlot, 1921).
No início dos loucos anos 20, era o comediante mais bem pago de Hollywood, facto que o levou a enveredar por uma nova aventura: juntamente com o realizador D.W.Griffith e os actores Douglas Fairbanks e Mary Pickford, fundou a United Artists que em breve se tornou numa das produtoras de maior sucesso do Mundo. Nesta tripla faceta de actor-realizador-produtor, continuou a maravilhar os espectadores, imortalizando cenas clássicas como a de comer atacadores dos sapatos cozidos, em Gold Rush (A Quimera do Ouro, 1925).
Em 1928, ainda a Academia dava os seus primeiros passos, já Chaplin recebia nomeações para 2 Óscares como Actor e Realizador em The Circus (O Circo, 1928). O seu último filme mudo foi o inesquecível Modern Times (Tempos Modernos, 1936) onde caricaturou de forma genial o sistema industrial. No seu filme seguinte, fez uma brilhante sátira a Adolf Hitler e ao regime nazi em The Great Dictator (O Grande Ditador, 1940), mas o filme não caiu bem entre a sociedade conservadora norte-americana, encabeçada pelo magnata da imprensa William Randolph Hearst que procurou ridicularizar a película.
No entanto, a sua interpretação de Adenoid Hinkel, Ditador da Tomânia, permitiu a Chaplin ser nomeado para o Óscar de Melhor Actor. A partir daí, a carreira de Chaplin começou a ressentir-se duma constante publicidade negativa, devido a divórcios litigiosos, acusações de adultério e vários processos de paternidade. Para agravar a situação, veio o estrondoso falhanço comercial de Monsieur Verdoux (O Barba Azul, 1947), uma comédia negra demasiado avançada para a época sobre um homem que se casa constantemente, assassinando em seguida as suas esposas para beneficiar das respectivas heranças.
Em 1952, o senador McCarthy acusou-o de simpatias comunistas e recusou-lhe o visto de entrada nos EUA, obrigando Chaplin a refugiar-se na Suíça. Foi na Europa que Chaplin promoveu o seu filme seguinte, o brilhante drama Limelight (Luzes da Ribalta, 1952) sobre um palhaço decadente que se apaixona por uma jovem bailarina.
Neste filme, salientou-se a magistral banda sonora (da autoria de Chaplin que lhe valeu um Óscar em 1972, ano em que o filme foi lançado comercialmente em Hollywood), o sketch cómico-musical com Buster Keaton e uma breve aparição de Geraldine Chaplin, sua filha e que viria também a tornar-se actriz de créditos firmados.
Chaplin ainda realizaria mais dois filmes: A King in New York (Um Rei em Nova Iorque, 1957), que passou quase despercebido, e A Countess From Hong-Kong (A Condessa de Hong-Kong, 1967), uma comédia romântica que, apesar de protagonizada por Marlon Brando e Sophia Loren, foi um fiasco de bilheteira.
Em 1972, aos 83 anos, recebeu finalmente permissão para entrar nos Estados Unidos e foi aplaudido entusiasticamente de pé durante dez minutos por uma plateia em êxtase quando recebeu um Óscar Honorário pelo seu contributo à arte cinematográfica.

Óscares


Entre hoje e o dia 24 de Fevereiro, dia da entrega dos Óscares, este blogue irá publicar, 3 postes diários, todos os vencedores dos Óscares, desde do longínquo ano de 1928 até aos nossos dias.
Será também publicada uma biografia de uma personalidade do cinema correspondente à época e um texto sobre um filme, estreado nesses anos mas que não ganhou ou não concorreu aos Óscares. O filme apresentado, é um filme que vi e que na minha perspectiva ficou de uma maneira ou outra no sub inconsciente colectivo.
Espero fazer um bom trabalho e espero que gostem.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Óscares 2008: Os nomeados são...

Os filmes “Este país não é para velhos” e “Haverá Sangue” são os principais rivais, com oito nomeações cada, na disputa dos Óscares, anunciou hoje a Academia norte-americana de Artes e Ciências Cinematográficas.
Entre as nomeações que os dois filmes recolheram contam-se, por exemplo, melhor realização, filme, fotografia e montagem.
Para melhor realizador estão nomeados Paul Thomas Anderson (“Haverá Sangue”), Ethan e Joel Coen (“Este país não é para velhos”), Tony Gilroy (“Michael Clayton”), Jason Reitman (“Juno”) e Julian Schnabel (“O escafandro e a borboleta”).
“Expiação”, “Juno”, “Michael Clayton”, “Este país nao é para velhos” e “Haverá Sangue” competem pelo Óscar de melhor filme.
“Expiação”, filme de Joe Wright, segue com sete nomeações, mas nas principais categorias apenas está nomeado para melhor filme, com os actores Keira Knightley e James Avoy a serem excluídos na interpretação.
Destaque para a dupla nomeação da australiana Cate Blanchett como protagonista de “Elizabeth: a idade de ouro” e na categoria de actriz secundária no papel de Bob Dylan, em “I´m not there”.
George Clooney, Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Viggo Mortensen e Johnny Depp irão disputar a estatueta para melhor actor principal.
O espanhol Javier Bardem, que venceu um Globo de Ouro pelo papel de um assassino no filme dos irmãos Coen, está nomeado para um Óscar de melhor actor secundário ao lado de Casey Affleck, Philip Seymour Hoffman, Hal Holbrook e Tom Wilkinson.
Na categoria de melhor documentário, dominam os filmes sobre a guerra no Iraque “No End in Sight”, “Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience” e “Taxi to the Dark Side”, aos quais se juntam “Sicko” e “War/Dance”.
Para melhor filme de animação a decisão será tomada entre “Persépolis”, “Ratatui” e “Surf´s Up”.
A 80/a edição dos Óscares está marcada para 24 de Fevereiro no Kodak Theatre, em Los Angeles e será conduzida pelo comediante Jon Stewart.
A produção garante a realização da cerimónia, embora paire a ameaça de cancelamento por causa da greve dos argumentistas de Hollywood, que dura desde Novembro.
Resta saber se os artistas nomeados irão ou não solidarizar-se novamente com os argumentistas.
A lista dos nomeados nas principais categorias:

Melhor filme:
“Expiação” - Joe Wright
“Juno” - Jason Reitman
“Michael Clayton” - Tony Gilroy
“Este país nao é para velhos” - Ethan e Joel Coen
“Haverá Sangue” - Paul Thomas Anderson

Melhor Actor:

George Clooney - “Michael Clayton”
Daniel Day-Lewis - “Haverá Sangue”
Tommy Lee Jones - “No vale de Elah”
Viggo Mortensen - “Promessas Perigosas”
Johnny Depp - “Swenney Todd: o terrível barbeiro de Fleet Street”

Melhor Actriz:

Cate Blanchett - “Elizabeth: a idade de ouro”
Julie Christie - “Away From Her”.
Marion Cotillard - « La Vie En Rose »
Laura Linney - “The Savages”
Ellen Page - “Juno”

Melhor Actor Secundário:

Casey Affleck - “O assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford”
Javier Bardem - “Este país não é para velhos”
Philip Seymour Hoffman - “Jogos de poder”
Hal Holbrook - “O lado selvagem”
Tom Wilkinson - “Michael Clayton”

Melhor Actriz Secundária:

Cate Blanchett - “I‘m Not There”
Ruby Dee - “Gangster americano”
Saoirse Ronan - “Expiação”
Amy Ryan - “Vista pela última vez”
Tilda Swinton - “Michael Clayton”

Melhor Documentário:

“No End in Sight” - Charles Ferguson e Audrey Marrs
“Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience” - Richard E. Robbins
“Sicko” - Michael Moore e Meghan O‘Hara
“Taxi to the Dark Side” - Alex Gibney e Eva Orner
“War/Dance” - Andrea Nix Fine e Sean Fine

Melhor filme estrangeiro:

“12” - Nikita Mikhalkov (Rússia)
“Beaufort” - Joseph Cedar (Israel)
“The Counterfeiters” - Stefan Ruzowitzky (Áustria)
“Katyn” - Andrzej Wajda (Polónia)
“Mongol” - Sergei Bodrov (Casaquistão)

Melhor filme de animação:

“Persépolis” - Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
“Ratatui” - Brad Bird
“Surf‘s Up” - Ash Brannon e Chris Buck

segunda-feira, janeiro 21, 2008

quinta-feira, janeiro 10, 2008

GOSTAVA DE ESCREVER UMAS COISAS!


A maioria dos blogues começou com a necessidade de escrever umas coisas.
Este também.
Depois tinha uns amigos, que também gostavam de escrever umas coisas.
Parece que ainda tem.
Diz a barra direita deste sítio, que este blogue é colectivo.
De colectivo tem pouco, digamos, quase nada.
Por outro lado, pode na realidade ser colectivo e eu não compreender o conceito de colectivo.
Também, nunca compreendi o Jean Paul Sartre e não deixo de ser o homem que sou.
Mas penso que para ser um blogue colectivo, tem que ser mais que uma pessoa a escrever.
Parece-me, que colectivo deveria ser plural.
Porém, Fernando Pessoa é único e plural.
Com a pluralidade que existe, posso estar enganado.
Apesar de ter a certeza que o Filipe não é Sá Carneiro, o Mário e o Gaspar não é Camus.
No entanto, eu compreendo, apesar de poder estar equivocado, a hibernação.
Ou provavelmente não!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Bom Ano.

Desejo a todos um Ano 2008 repleto de saúde, amor, alegria e muita paz.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Pinto da Costa


Odiado pela esmagadora maioria dos benfiquistas e dos sportinguistas, é o líder incontestado e idolatrado dos sócios e simpatizantes do FC Porto: Jorge Nuno Pinto da Costa, o "Presidente", o "Grande Líder" ou o "Papa", como é apelidado. Provocador, zombeteiro, frontal, corrupto, génio, sarcástico, malabarista, cáustico, arguto, perspicaz, reservado, intriguista, repentista, irónico, brilhante, os adjectivos para caracterizar Pinto da Costa, esgotaram-se desde de há muito tempo. Já foi acusado de tudo e já acusou toda a gente de tudo. Já foi gozado e já foi elogiado na televisão, tanto pelos adeptos portistas como pelos rivais. Já inspirou caricaturas de todos os tipos, mas também tem fama de caricaturar todas as pessoas com quem se cruza. Mas acima de tudo, tirou um clube pequeno do anonimato, e levou-o à alta-roda do futebol mundial. Quase 26 anos depois de ser eleito presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa acumula títulos, paixões e ódios, como ninguém antes dele. Com Pinto da Costa, o FC Porto ganhou todas as competições em que entrou, pelo menos uma vez, excepto a Taça das Taças e ganhou muito: 1 vez a Taça dos Campeões Europeus e uma outra vez a Liga dos Campeões. Uma Supertaça europeia e uma Taça UEFA. Duas vezes a Taça Intercontinental. A nível nacional, em 25 anos ganhou, por 15 vezes o Campeonato Nacional, 9 taças de Portugal e 14 Supertaças Cândido de Oliveira. Nos anos de presidência de Pinto da Costa, o FC Porto ganhou, ainda, centenas de títulos em outras modalidades mas a lista é demasiado extensa para caber neste artigo.
Os títulos falam por si, mas em verdade se diga, Pinto da Costa, é o melhor presidente de sempre num clube de futebol, em Portugal. Faz hoje setenta anos, desejo-lhe muitos anos de vida, se possível longe do dirigismo desportivo e do “seu” FC Porto.
Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa nasceu na cidade do Porto a 28 de Dezembro de 1937, no seio de uma tradicional família da burguesia nortenha. Filho de José Alexandrino Teixeira da Costa e Maria Elisa Bessa Lima de Amorim Pinto, tem mais quatro irmãos. Marcado por uma severa educação matriarcal, o menino Jorge Nuno fez a escola primária no colégio Almeida Garrett, tendo simultaneamente aulas particulares de Inglês e Francês. Aos 10 anos vai estudar para o Colégio Jesuíta das Caldinhas, em Santo Tirso.
É por influência do tio Armando Pinto, entusiasta de futebol que fora presidente do Famalicão, que Jorge Nuno Pinto da Costa começa a interessar-se por futebol. Tinha 14 anos quando, no dia 28 de Maio de 1952, pela mão do tio, assistiu à pomposa cerimónia de inauguração do Estádio das Antas.
Desde então não mais se desligou do clube, nem mesmo quando se encontrava longe do Porto, procurando sempre que possível ouvir o relato das partidas. Quando completa 16 anos, em Dezembro de 1953, a avó materna inscreve-o como sócio do FC Porto.
Após terminar os estudos secundários, Pinto da Costa começou a trabalhar como bancário, no Banco Português do Atlântico. Com cerca de 20 anos, é convidado pelo responsável pela secção de hóquei em patins para ocupar o lugar de vogal, e aceita. Em 1962 passaria a chefe de secção, cargo que viria a acumular com o de chefe da secção de hóquei em campo. Em 1967 passa a ser também chefe da secção de boxe, onde conhece Reinaldo Teles, na altura atleta da modalidade.
Entretanto abandona o Banco onde trabalhava e nos anos seguintes passou por várias empresas, como vendedor, chefe de vendas e empresário, e pelo ramo imobiliário.
Em 1969, é convidado por Afonso Pinto de Magalhães a integrar a sua lista para as eleições desse ano como director das modalidades amadoras. Assim, Pinto da Costa assume pela primeira vez um cargo eleito no FC Porto, de 1969 a 1971. No final desse período, apesar de ter sido convidado por Américo de Sá a candidatar-se com ele, recusou o convite por considerar que o novo candidato deveria apresentar-se às urnas com uma lista totalmente renovada.
Em Maio de 1976, é eleito dirigente na lista de Américo de Sá, tornando-se chefe do departamento de futebol. Pinto da Costa iniciou a sua carreira como director desportivo de forma polémica, trazendo para o FCP o treinador José Maria Pedroto, que fora afastado do clube e proibido de entrar nas suas instalações. Assumiu, desde o início, a postura que o tornou célebre, com as declarações polémicas que ainda hoje mantém. Alterou a organização do clube e a forma de relacionamento com os jogadores.
É com Américo de Sá como presidente, Pinto da Costa como director do futebol e Pedroto como treinador que o FC Porto consegue, ser campeão nacional na época de 1977-78, quebrando um jejum de 19 anos sem vencer um campeonato nacional. Na época seguinte, o FC Porto tornar-se-ia bi-campeão de Portugal. Apesar disso, Pinto da Costa e Pedroto acabam por abandonar o FC Porto em 1980, no chamado "Verão quente" portista.

Em Dezembro de 1981 as coisas corriam mal ao FC Porto, parecia estar de volta o tempo antes de Pinto da Costa ter sido chefe do departamento do futebol e é então que um grupo de sócios se une com o objectivo de convencer Pinto da Costa a candidatar-se à presidência do clube. Relutante em assumir a liderança, o antigo chefe do departamento de futebol na série de dois títulos consecutivos, aceita finalmente ser candidato. Com o slogan, “se quer um FC Porto forte em Portugal e na Europa vota na Lista B – Jorge Nuno Pinto da Costa” e com uma agressiva campanha eleitoral com sessões de esclarecimento de sala cheia na cidade do Porto e nos arredores, que levou o outro concorrente, Afonso Pinto de Magalhães, a desistir a poucos dias das eleições, Jorge Nuno Pinto da Costa vence as eleições de 17 de Abril de 1982, tornando-se o 33º presidente do FC Porto.
A 23 de Abril de 1982, as ruas do Porto enchem-se para festejar a tomada de posse do novo presidente do Futebol Clube do Porto. Do FC Porto de então dizia-se que sofria do «complexo da Ponte da Arrábida», que começava a perder logo que atravessava a ponte. No discurso de tomada de posse, Pinto da Costa deu o mote, para a sua longa presidência: «Lisboa não pode continuar a colonizar o resto do País. O desejo deles é que o FC Porto desça de divisão». A talvez sua frase mais famosa, traduz claramente a profunda rivalidade, quase insana, entre por um lado Benfica e Sporting, e do outro lado, o FC Porto.
No prosseguimento da sua “descolonização”, para que não fosse apenas Lisboa a ter o prestígio desportivo, Pinto da Costa trava em 1983, uma batalha para que a final da Taça de Portugal fosse, nesse ano, no Estádio das Antas. “Ou a final é no Estadia das Antas ou não há Final”. Foi e o Benfica ganhou a final à equipa da casa, por 1-0, com uma "bomba" de Carlos Manuel.
Aquando da sua eleição, Pinto da Costa prometera uma final europeia: cumpriu a promessa em Basileia a 16 de Maio de 1984. No entanto, o FC Porto, perderia essa final das Taças das Taças, para a Juventus. Devido à doença de Pedroto, que já não tinha orientado a equipa nos últimos meses da época 1983/84, incluindo a final da Taça das Taças, Pinto da Costa vê-se na obrigação de contratar outro treinador. Desta vez, contrata Artur Jorge, que conquistaria os primeiros campeonatos do reinado Pinto da Costa em 1985 e 1986 e partiria à conquista da Europa.
Em 1987, Pinto da Costa assistiu finalmente à primeira vitória do seu clube na Taça dos Campeões Europeus. Em 27 de Maio de 1987, no estádio Prater de Viena, o FC Porto vence Taça dos Campeões Europeus em futebol, batendo na final o poderoso Bayern Munique por 2-1. A 13 de Dezembro desse mesmo ano, em Tóquio, o FC Porto, ganha a Taça Intercontinental, ao derrotar o campeão Sul-americano, o Peñarol por 2-1. Um mês depois, a 13 de Janeiro de 1988 o FC Porto conquista a Supertaça Europeia vencendo no Estádio das Antas, o Ajax por 1-0, depois de já ter vencido na primeira-mão, em Amesterdão, por 1-0.
“ Pinto da Costa foi a pessoa que conseguiu acabar com aquele medo de passar a ponte para Sul, ele viu longe e não se limitou a querer ser campeão de Portugal, mas a ser um clube europeu e mundial e conseguiu-o”.
A 9 de Março de 1994 o então Ministro das Finanças, Eduardo Catroga, com o argumento que FC Porto tinha dívidas à Segurança Social e ao Fisco, manda penhorar diversos bens, entre os quais, a retrete da cabine do árbitro do Estádio das Antas. A 25 de Março, no decorrer de uma Assembleia-geral do FC Porto, Pinto da Costa, disparou “Acabem-se as eleições com partidos e votemos em chefes de finanças”. O resultado desta aventura de Eduardo Catroga, nunca chegou a ser conhecido pelo grande público.
A 22 de Maio 1999, O FC Porto, conquista o penta-campeonato, sob orientação de Fernando Santos, que concluiu o trabalho iniciado por Bobby Robson, 94/95 e 95/96, e António Oliveira, 96/97 e 97/98. Na sucessão de títulos, O FC Porto conseguiu com Pinto da Costa à frente dos destinos do clube, dois feitos inéditos no clube: o “tri” e o “penta”. Os cinco títulos consecutivos são uma façanha exclusiva do FC Porto, na história da Primeira Divisão do futebol português.
Como presidente, confirmou a sua perspicácia para nomear treinadores, ao chamar em Janeiro de 2001, José Mourinho, um treinador sem currículo nenhum, para treinar a equipa do FC Porto. Com Mourinho à frente da equipa, Pinto da Costa teria mais algumas alegrias: Em 21 de Maio de 2003, o FC Porto conquista a Taça UEFA, em Sevilha, batendo o Celtic de Glasgow no prolongamento por 3-2. No ano seguinte, a 26 de Maio de 2004, o FC Porto conquista a Liga dos Campeões batendo na final, em Gelsenkirchen, o Mónaco por 3-0. Os resultados ficaram na história. Os elogios ao treinador também ficaram registados. “Mourinho é o grande obreiro desta equipa”, disse Pinto da Costa em declarações à TSF.
No dia em que comemorou 21 anos à frente do FC Porto, Pinto da Costa realizou o sonho de uma vida: ser recebido pelo Papa. A 23 de Abril de 2003, João Paulo II, no discurso feito no Vaticano, falou em português e referiu-se especificamente ao FCPorto.
"Foi um momento inesquecível. Senti um grande orgulho e felicidade quando tive oportunidade de lhe beijar o anel. Foi um grande orgulho ouvi-lo falar em português e referir-se ao nosso clube", disse, na altura, Pinto da Costa.
A 12 Dezembro de 2004, já com o espanhol Victor Fernandez como treinador, o F.C. Porto vence a Taça Intercontinental, batendo os colombianos do Once Caldas na marcação de grandes penalidades, depois de um empate a zero.
Entretanto, tinha sido inaugurado, em 5 de Agosto 2002, o Centro de Treinos do Olival, um projecto financiado pela Fundação Porto/Gaia, que inclui o F.C. Porto e a Câmara Municipal de Gaia e a 16 de Novembro de 2003, o novo e moderno recinto desportivo do clube: O Estádio do Dragão.
A 20 de Abril de 2004, a Polícia Judiciária, através da Directoria do Porto, desencadeou, uma vasta acção policial, destinadas a verificar a existência de comportamentos ilícitos, susceptíveis de alterarem a verdade e lealdade na competição desportiva e os seus resultados. A esta operação foi dada o nome de “Apito Dourado”.
No decurso da complexa operação, a Polícia Judiciária procedeu à detenção de 16 pessoas, dirigentes desportivos e árbitros, incluindo o presidente da Liga de clubes e da Câmara Municipal de Gondomar, Valentim Loureiro, o líder da arbitragem da FPF, Pinto de Sousa, e o presidente do Gondomar SC e vice-presidente da Câmara de Gondomar, José Luís Oliveira.
A 2 de Dezembro de 2004, a Polícia Judiciária desloca-se a casa de Pinto da Costa, com mandados de busca e detenção, mas não encontra o Presidente do FC Porto. O árbitro Jacinto Paixão é detido no âmbito da investigação de um alegado esquema com prostitutas após o jogo FC Porto – E. Amadora, bem como Augusto Duarte, José Chilrito e Manuel Quadrado e o empresário António Araújo. No dia seguinte, Pinto da Costa comparece no Tribunal de Gondomar. Os interrogatórios são adiados quatro dias e a 7 de Dezembro o presidente portista é interrogado, saindo em liberdade mediante uma caução de 200 mil euros. Em 31 de Janeiro de 2006, o Ministério Público acusa 27 arguidos no processo de Gondomar, incluindo Valentim Loureiro, José Oliveira e Pinto de Sousa, extraindo 81 certidões que são remetidas a diversas comarcas.
A 1 de Dezembro de 2006, é publicado o livro "Eu, Carolina", da autoria da ex-companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado, que volta a trazer para as primeiras páginas dos jornais o processo «Apito Dourado», ao revelar várias acusações.
Logo de seguida, a 14 de Dezembro, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, nomeia Maria José Morgado como coordenadora do caso «Apito Dourado», com poderes para reabrir processos. A 16 de Janeiro de 2007, Maria José Morgado assina despacho onde reabre oficialmente os processos conexos ao de Gondomar, justificando a decisão com as declarações de Carolina Salgado.
A 22 de Junho de 2007, Pinto da Costa é acusado de corrupção desportiva activa, no Nacional -Benfica da época 2003/04, depois de ter sido constituído arguido nos casos dos jogos FC Porto - E. Amadora e Beira Mar-FC Porto.
Em 2005 publicou a sua autobiografia, “Largos Dias Têm Cem Anos”, com prefácio de Lennart Johansson, presidente da UEFA entre 1990 e 2007, onde este afirma que “O mapa do futebol português foi virado de pernas para o ar. O domínio dos clubes lisboetas foi apagado”.
Disse um dia Francisco Lucas Pires, um grande benfiquista, que o único dirigente desportivo com direito a biografia seria Jorge Nuno Pinto da Costa. Apesar de não ser a biografia oficial, já tem desde de Maio de 2007, “PINTO DA COSTA - Luzes e Sombras de um Dragão”, escrita a quatro mãos, por Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Benazir Bhutto


Ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, morreu hoje na sequência dos ferimentos que sofreu num atentado suicida na cidade de Rawalpindi. A líder da oposição paquistanesa foi ainda hospitalizada em estado grave mas acabou por não resistir aos ferimentos. O ataque suicida ocorreu num encontro político de apoio a Benazir Buttho e fez pelo menos 20 mortos.
De acordo com a estação de televisão britânica Sky News, Benazir Bhutto foi baleada no peito e no pescoço já depois da explosão, no momento em que fugia do local do atentado e se dirigia para a sua viatura.
O porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, Javed Cheema, confirmou a morte de Benazir Bhutto e tinha anteriormente dado a indicação de que a explosão registada no comício de apoio à ex-primeira-ministra tinha sido provocada por bombista suicida.
O ataque acontece a duas semanas da realização das eleições legislativas e teve como alvo a ex-primeira-ministra paquistanesa e candidata ao escrutínio.
Benazir Bhutto era considerada uma das principais líderes da oposição ao Presidente Pervez Musharraf. Há apenas dois meses e precisamente quando regressou ao seu país após quase nove anos de exílio, a comitiva onde seguia sofreu um violento atentado que causou mais de uma centena de mortos.
Nascida em 21 de Junho de 1953 na província de Sindh, no seio de uma família abastada, Benazir é educada em Harvard e em Oxford, no Reino Unido, onde estudou Ciências Políticas e Filosofia. Inicialmente relutante em iniciar-se na política, ganha credibilidade com o apelido Bhutto. A família Bhutto é uma das dinastias políticas mais conhecidas do Mundo, tal quanto a Nehru-Gandhi, na Índia.
Em 1973, o país é convertido em República Federal e Zulfikar Alí Bhutto, pai de Benazir, é nomeado primeiro-ministro – o primeiro do país. É um dos poucos líderes que, desde a independência em 1947, gere os destinos da nação sem o cunho do poder militar. É, porém, destituído quatro anos depois pelo general Mohammad Zía ul-Haq, que islamiza o país e impõe fortes medias repressoras.
Em 1979, Zulfikar Alí Bhutto é executado. Toda a família é detida. Benazir passa os cinco anos seguintes numa cela solitária, no deserto. A mais velha de quatro irmãos, Benazir reunira em si as expectativas paternas de seguir uma carreira política. Ainda detida, em 1984 e uma infecção no ouvido vale-lhe a autorização para deslocar-se a Londres. Aí se exila e inicia a luta anti-general Zía até 86, quando regressa ao Paquistão. O país recebe-a de “braços abertos”, aclamando-a e tornando-a no símbolo da luta “anti-Zía”.
Zía Ul-Haq morre em 1988, na explosão do avião em que seguia, permitindo ao Paquistão o regresso à democracia. É então que entra em cena Benazir, já líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP), fundado pelo pai: nomeada primeira-ministra, é a primeira mulher da História a tornar-se governante de uma nação islâmica. Casada com Asif Ali Zardari – homem de família humilde escolhido pela mãe de Benazir para seu noivo – é acusada de abuso de poder e de corrupção.
Em 1990 é destituída, seguindo-lhe Nawaz Sharif no cargo. As mesmas acusações destituem-no, porém, em 1993. Benazir regressa ao poder, agora sob acusações de arrogância e de despotismo. Acumula os cargos de primeira-ministra e ministra das Finanças. Em 1996 volta a ser destituída por alegações de corrupção e em 1999 é condenada a cinco anos de prisão.Desde então, Benazir viveu fora do país, exilada no Dubai, sempre com a sombra das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Sharif volta ao poder com a vitória eleitoral da Liga Muçulmana do Paquistão. É destituído com um golpe de Estado pelo chefe do Exército, o general Pervez Musharraf, que se auto - proclama Presidente em 2001. No ano seguinte, um referendo – qualificado de farsa pela oposição – legitima-o no cargo.
Exilada, Benazir visitou regularmente as capitais ocidentais, para encontros com governantes e conferências em universidades. A 18 de Outubro, chega a Carachi com promessas de devolver ao país a democracia, apostada num acordo de partilha de poder com o Presidente. Muitos falaram, porém, numa trama para ganhar imunidade nos tribunais, em troca de apoio político a Musharraf. (SIC ON-LINE).

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Vladimir Putin


O presidente russo, Vladimir Putin, foi designado personalidade do ano 2007 pela "Time". Putin "impôs a estabilidade a um país que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", explicou a revista para justificar a escolha. Num artigo com o título "escolher a ordem antes da liberdade", a revista lembra que "ser a personalidade do ano da “Time” não é, nem nunca foi uma honra". "Não é um apoio, não é um concurso de popularidade", sublinhou a revista que pretende, com estas escolhas, designar as pessoas que desempenharam um papel preponderante na cena internacional.
"Putin não é um escuteiro. Não é um democrata, de acordo com os critérios do Ocidente. Não é um modelo da liberdade de expressão", acrescentou. Este reconhecimento é atribuído ao chefe de Estado russo por ter remodelado um país que tinha "desaparecido do nosso mapa mental", sublinhou um dos chefes de redacção Richard Stengel.
"Com o sacrifício de princípios e valores que uma nação livre estima, Putin realizou, enquanto dirigente, uma proeza extraordinária, impôs a estabilidade a uma nação que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", acrescentou Stengel. "Por estas razões, Vladimir Putin é o homem do ano 2007 da “Time", concluiu.
Putin foi escolhido em detrimento do Nobel da Paz Al Gore, considerado pelo cantor Bono a consciência ambiental da América; da autora das aventuras de Harry Potter J.K.Rowling; do Presidente da China Hu Jintao, que conjuga a sabedoria ancestral e a doutrina comunista, e do comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general David Petraeus.
A "Time" recorre habitualmente à provocação quando escolhe a "pessoa do ano". Entre os anteriores "eleitos" contam-se Adolf Hitler, Joseph Estaline, ou o presidente norte-americano George W. Bush em 2004, um ano depois da invasão do Iraque. O antigo dirigente iraniano, o ayatollah Khomeini, foi escolhido em 1979, ano do fim do regime do Xá da Pérsia.(LUSA).
Vladimir Vladimirovich Putin, nasceu a 7 de Outubro de 1952, em Leninegrado (mais tarde S. Petersburgo), na Rússia.
Filho único, Putin cresceu junto da mãe e do pai, trabalhador fabril e veterano da Segunda Guerra Mundial, num apartamento comunal que dividia com diversas famílias. Em criança estudou artes marciais, e aos 16 anos era já especialista em sambo, uma combinação Russa de judo e luta livre.
Por volta desta idade, Putin foi escolhido para estudar na Escola de Leninegrado Nº 281, um colégio – preparatório para os melhores estudantes da cidade. Em 1970, entrou para a prestigiada Universidade do Estado de Leninegrado, onde se formou em lei civil, continuando a aperfeiçoar as suas técnicas de artes marciais. Foi campeão de Leninegrado em Judo em 1974, e um ano mais tarde terminou o curso universitário com distinção. Após terminado o curso, Putin foi recrutado pelo KGB, o serviço de segurança da União Soviética, liderado então por Yuri Andropov, um fanático da disciplina e mais tarde, durante um breve período, líder da União Soviética em 1983. Após os estudos de espionagem e política externa em Moscovo, onde aprendeu Alemão e recebeu o cinturão negro de judo, Putin começou trabalhar em contra - inteligência, juntando - se mais tarde ao Primeiro Directório do KGB como agente de inteligência internacional.
Em 1985, o KGB enviou Putin para a Alemanha Democrata, onde residiu na cidade de Dresden sob nome falso e com um emprego fictício como chefe da denominada associação de amizade Germano-Soviética. A natureza exacta do seu trabalho na RDA continua motivo de debate; as suas funções principais incluíam, certamente, actividades de espionagem sobre uma série de nações pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), recrutamento de informadores e agentes e recolha e análise de dados para envio para Moscovo. Durante a sua permanência na Alemanha dividida, Putin ficou exposto a uma série de ideias Ocidentais, tanto económicas como políticas, que iriam mais tarde ter um papel fundamental na sua carreira pós-KGB.
Com a subida ao poder de Mikhail Gorbatchev e da sua "perestroika", que viria a ter um papel fundamental no colapso do Comunismo na Europa de Leste no final da década de 80, o trabalho de Putin na Alemanha de Leste foi interrompido de forma abrupta. Voltou a Moscovo em 1990, após a queda do Muro de Berlim e da reunificação da Alemanha, como um dos agentes mais condecorados do KGB. A agência recompensou-o com um posto administrativo na sua alma mater, A Universidade do Estado De Leninegrado, que lhe serviu de cobertura para continuar o seu trabalho como agente secreto.
Pouco depois, Putin encontrou o seu ex-professor, Anatoly Sobchak, que já era então presidente do concelho da cidade e um dos líderes do movimento democrata Russo. Atraído pela política, Putin abandonou o KGB para se tornar um dos principais assessores de Sobchak. Após a vitória de Sobchak nas eleições para a presidência da câmara da rebaptizada S. Petersburgo em 1991, Putin foi nomeado vice-presidente da câmara. Além de gerir as actividades diárias de S. Petersburgo, Putin era também responsável pela abertura da cidade a uma série de investimentos estrangeiros, incluindo às grandes companhias como o Credit Lyonnais, Coca-Cola e a NEC, o gigante Japonês de material electrónico.
Em 1996, Sobchak foi derrotado na sua campanha para a reeleição; Putin abandonaria o governo da cidade em lealdade com o seu velho professor. Apesar de Sobchak ter sido acusado de corrupção oficial após ter abandonado a câmara, Putin permaneceu virtualmente intocado pelas alegações. Recebeu em 1997 um convite para o Kremlin, como assessor de Pavel Borodin, o líder do poderoso departamento de propriedades do Kremlin, em Moscovo.
O ex-agente do KGB subiu as escadarias do poder dentro do Kremlin de forma rápida e eficaz: em 1998, o então Presidente Boris Yeltsin apontou Putin para a chefia do Serviço Federal de Segurança, o sucessor doméstico do KGB. Em Agosto de 1999, altura em que o conflito na República da Chechénia começou a entrar na fase mais dramática, Yeltsin nomeou Putin, então com 47 anos, primeiro-ministro (o último de uma série de políticos que Yeltsin apontou sucessivamente para este posto).
De início, poucos consideraram que Putin, como sucessor designado do próprio Yeltsin, viesse a revelar – se um candidato viável para a presidência da Rússia. Mas o pulso forte do novo primeiro-ministro, quer nos assuntos domésticos como internacionais, especialmente a sua atitude de dureza contra os rebeldes Chechenos garantiram-lhe o apoio da população e a reputação de mais popular político Russo.
A 31 de Dezembro de 1999, Yeltsin resignou da presidência do país, seis meses antes do termo do seu mandato. Num acto claramente desenhado para atrair o máximo da atenção internacional, apontou Putin para a presidência da Rússia, anunciando que "a Rússia deve entrar no novo milénio com novos políticos, novas personalidades e com um novo povo, mais inteligente, forte e energético". Se o verdadeiro programa de Putin para a Rússia permaneceu, de início e durante alguns meses, algo obscuro, o novo líder conseguiu contudo aproveitar o apoio popular para garantir a vitória na primeira volta das eleições presidenciais, a 27 de Março de 2000, quando se tornou o segundo presidente da Rússia e o mais jovem líder desde 1922, quando Josef Estaline foi apontado como secretário-geral do Partido Comunista. Nas eleições de 2004, conseguiu mais de 70% dos votos.
Os dois mandatos à frente dos destinos da Rússia, foram marcados por constantes atropelos aos direitos humanos, um controle rígido da imprensa e por uma luta contra as actividades terroristas na Chechénia. Apesar de toda esta repressão, não evitou que a 1 de Setembro de 2004, os terroristas invadissem uma escola em Beslam, e massacrassem 186 crianças. A imprensa internacional, viria a responsabilizar Putin pelo massacre, devido à sua política repressiva na Chechénia. Outro lado negro dos mandatos de Putin, é a eliminação física de todos os que se lhe opõem, sendo de referir neste caso, o assassínio de Anna Politkovskaia e o envenenamento de Alexander Litvinenko, além da eliminação física de outros 12 jornalistas.
Apesar de Putin continuar a ser uma figura algo enigmática, tanto politica como pessoalmente, tem uma alta popularidade na Rússia, onde cerca de 75% dos eleitores, acha que ele deveria cumprir um terceiro mandato á frente dos destinos do país, apesar de ir contra a Constituição. De todas as maneiras, Vladimir Putin, que não pode ser de novo presidente da Rússia, prepara-se para abandonar a presidência, mas não o poder, pois é o mais sério candidato a tornar-se primeiro-ministro da Rússia, depois de ter "nomeado" para seu sucessor, Dmitri Medvedev, para as eleições presidenciais de Março de 2008.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

John Steinbeck


John Steinbeck nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 27 de Fevereiro 1902. De uma família de classe baixa, John Steinbeck testemunhou desde cedo a vida dos trabalhadores urbanos e rurais. Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919, ingressando nesse ano na Universidade de Stanford. Para poder pagar os seus estudos, teve diversas profissões. No entanto, abandonou os estudos universitários em 1925, partindo para Nova Iorque, onde trabalhou como operário da construção civil, pouco tempo antes de conseguir um lugar de repórter no New York American, no intuito de seguir carreira literária. Regressou à Califórnia para ser caseiro de uma propriedade, aceitando trabalhos como servente, aprendiz de pintor ou apanhador de fruta, ocupações que foram indispensáveis à construção de algumas das suas personagens.
O seu primeiro romance, Cup of Gold (1929), uma narrativa histórica sobre um pirata jamaicano, antecedeu aquela que, segundo os críticos, seria a sua década de criação mais produtiva. A um Deus Desconhecido (1933) é o primeiro grande um romance de Steinbeck. Um romance quase místico, que tem por tema central "o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente".
Em 1935, publicou Tortilla Flat, o primeiro sucesso popular, um estudo humorístico da vida dos agricultores de Monterey. Seguiu-se, em 1936, Batalha Incerta, em 1937, Ratos e Homens.
Neste livro John Steinbeck, conta-nos a história de dois amigos inseparáveis, George e Lennie, mas completamente diferentes entre si. George é baixo, franzino e astuto, Lennie é um gigante, com uma força bruta impossível de calcular, mas com a inteligência de uma criança. O que os une é a simples amizade e a marginalização imposta pelo sistema. O livro passa-se numa quinta da Califórnia, onde ambos trabalham como contratados da quinta, ganhando pouco mais que a comida e a dormida. Durante o seu árduo trabalho na quinta, encontram outros pobres e explorados, mas também, outras personagens, o filho do patrão e a sua fogosa mulher, que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Ambos têm o sonho de ter um espaço de terra só para eles, situação que nunca se concretizará. Em Ratos e homens, Steinbeck, demonstrou a sua capacidade de criar personagens realistas e cativantes e também de, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna. Ratos e Homens é um dos primeiros grandes clássicos sobre o doloroso período da Grande Depressão americana.
Em 1939 edita As Vinhas da Ira, livro aclamado pela crítica popular mas que suscitou controvérsia, tendo alguns exemplares sido queimados publicamente como forma de protesto e a obra banida nas bibliotecas públicas do Kansas City e de Oklahoma, enquanto se tornava leitura obrigatória nos colégios de Nova Iorque. A obra foi mais tarde galardoada com os prémios Pullitzer e National Book Award.
As Vinhas da Ira, um dos melhores clássicos da literatura do século XX, dá a conhecer os Joad, uma família rural e pobre do Oklahoma que tenta uma nova vida, tendo por pano de fundo os horrores da Grande Depressão. Esta família vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. Ao seu lado estão milhares de migrantes que se deslocam pelos mesmos motivos, em velhos camiões, em direcção a um futuro incerto. Durante a viagem passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho camião pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.
Na maioria das suas obras, marcadas pela paisagem e o quotidiano californianos, o autor explora as duras condições de vida das populações rurais, obrigadas a sobreviver no limiar da pobreza ou forçadas a longas e miseráveis migrações. Procurando tornar evidente que cada ser humano deve ser analisado no ambiente em que se insere, o autor dedicou-se, sobretudo, ao retrato de personagens inadaptadas. A Leste do Paraíso (1952), adaptado ao cinema por Elia Kazan e protagonizado por James Dean, é um dos melhores exemplos, com homens e mulheres no limite das suas forças, prestes a renunciar aos valores morais que a América proclamava.
Em 1941, publicou Sea of Cortez em colaboração com Edward Ricketts. No ano seguinte, Noite Sem Lua, foi adaptado ao teatro, tendo-se seguido Bombs Away. Em 1943, foi correspondente de guerra do New York Herald Tribune nas frentes de combate da Europa e da África do Norte. Em 1945, publicou Bairro da Lata e A Pérola, em 1947. A Pérola é baseada num conto popular mexicano, conta-nos a história de Kino, e da sua família. Kino um pobre pescador encontrou a maior pérola do mundo, que desperta nele e nas pessoas que vivem numa pequena povoação do litoral mexicano sentimentos e desejos vis. Um livro a ler e a reler.
Em 1948, John Steinbeck foi eleito para a Academia Americana das Artes e das Letras. Em 1950, publicou Burning Bright, adaptado mais tarde, ao teatro. Dois anos depois, colaborou no filme Viva Zapata. Em 1953, o livro Os Náufragos do Autocarro foi incluído na listas dos livros desaconselhados pela comissão Gathings.
De 1954 a 1960, publicou Sweet Thursday, O Breve Reinado de Pepino IV e O Inverno do Nosso Descontentamento. No livro O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck, conta-nos a história de Ethan Hawley, descendente de uma família muito rica mas que ficou na ruína financeira. Ethan foi forçado a aceitar a humilde posição de empregado de balcão num armazém de um emigrante italiano com um passado desconhecido. Ethan fica constantemente dividido entre a sua vontade de ser íntegro e o deslumbramento da riqueza e da glória que tiveram os seus antepassados. John Steinbeck faz-nos penetrar na amargura e na infelicidade de Ethan Hawley, que questiona a sua relação com a mulher, filhos, patrão, clientes e amigos. Ethan começando por apresentar uma moralidade a toda a prova, que se vai transformando gradualmente, acabando por alcançar o sucesso financeiro à custa de golpes de moralidade duvidosa.
Afastando-se dos círculos intelectuais e académicos, John Steinbeck foi frequentemente repudiado na América, principalmente nos últimos anos, não merecendo a atenção de outros autores contemporâneos, como Hemingway ou Faulkner.
Em 1962, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Dois anos depois, recebeu a Medalha da Liberdade dos EUA e em 1966, publicou America and Americans, um conjunto de reflexões sobre a América contemporânea.
Morreu em 20 de Dezembro de 1968, em Nova Iorque.

Mãe Migrante


Fotografia de Dorothea Lange (1936).
A fotografia retrata Florence Thompson, uma trabalhadora agrícola da Califórnia e os seus filhos, durante a época da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. Florence Thompson, que na época tinha 32 anos, está, com um bebé adormecido ao colo, contemplando o vazio, enquanto que, as outras crianças, com o cabelo desgrenhado e as roupas sujas, escondem o rosto por detrás dos seus ombros. A família vivia num acampamento de apanhadores de ervilhas no Vale do Nipomo, na Califórnia, nesse dia, tinha ficado sem trabalho, depois de as ervilhas que iam colher terem congelado.
Momentos antes de ser apanhada pela objectiva de Lange, Florence Thompson, tinha vendido a sua tenda e os pneus do seu carro para comprar comida, para os seus sete filhos. Dorothea Lange, que trabalhava para o governo dos Estados Unidos, tirou esta e outras fotos destinadas a documentar os efeitos da Grande Depressão, na sociedade americana. As fotos de Lange, ajudaram o governo a dar maior apoio aos trabalhadores agrícolas. Florence Thompson morreu pobre em 1983, apesar desta fotografia, ter sido publicada em milhares de jornais e revistas, e reproduzida em selos dos correios americanos.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Alexandre O’Neill


Alexandre O'Neill, (n.19.12.1924-m.21.08.1986).
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
Os convencidos da vida só se isolam, por assim dizer, quando atingem uma certa cotação. As expressões “deixou de frequentar” e “passou a frequentar” podem muito bem indicar, na desprevenida conversa quotidiana, subidas ou descidas de cotação ou, mais simplesmente, mudanças de estratégia do convencido da vida. O convencido que se isola não o faz por desgosto da sua pessoa, senão perderia o estatuto e a prática de convencido da vida e correria o risco de se tornar um homem vulgar. Fá-lo para, arteiramente, tomar as suas distâncias. Por isso, quando isolado, o convencido “vai soprando notícias”, “vai fazendo constar”…Maneira de, ausente, estar presente. Não há, nesse estudado isolamento, nenhum Vale de Lobos.
No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima.
A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface».
Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
Alexandre O’Neill, in “Uma Coisa em Forma de Assim”.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Steven Spielberg


O realizador com maior êxito comercial na história de Hollywood, Steven Spielberg nasceu em Cincinnati a 18 de Dezembro de 1946 e começou a desenvolver as primeiras curtas-metragens quando era ainda criança, aprimorando essa capacidade na Universidade da Califórnia.
O seu percurso inicial como realizador foi marcado por trabalhos para a televisão, como nas séries “Columbo” e “Marcus Welby M.D.” ou no episódio-piloto de “Night Gallery”.
A estreia nas longas-metragens deu-se com “Duel”, em 1971, um thriller de baixo orçamento cuja gestão do suspense foi bastante elogiada, fazendo com que o filme, originalmente concebido para televisão, viesse a ter também passagem pelas salas de cinema e se tornasse numa obra de culto. “The Sugarland Express” (1974) voltou a valer-lhe o estatuto de realizador promissor e “Tubarão” confirmou o seu talento, destacando-se como o filme mais bem sucedido de 1975 e iniciando a tradição dos blockbusters, filmes de alto orçamento cuja estreia decorre maioritariamente no Verão e que são, muitas vezes, êxitos de bilheteira.
“Encontros Imediatos do Terceiro Grau” (1977) foi outro marco, uma obra determinante dentro da ficção científica que o cinema apresentou nas últimas décadas e que surpreendeu devido à inovação dos efeitos especiais. A comédia sobre os meandros da guerra, “1941” (1979) foi um fracasso comercial, mas “Os Salteadores da Arca Perdida” (1980) compensou, e muito, esse deslize pontual, figurando entre os grandes sucessos dos anos 80 e apresentando um dos seus heróis mais carismáticos: Indiana Jones, personagem que protagonizou ainda duas sequelas e uma série televisiva.
Outro filme capaz de conquistar o público de todas as idades foi “E.T.” (1982), outra aposta na ficção científica, um dos títulos mais emblemáticos de Spielberg que se tornou num clássico instantâneo e que ainda hoje cativa várias gerações. “A Cor Púrpura” (1985), drama sobre a xenofobia e a Grande Depressão, proporcionou-lhe 11 nomeações para os Óscares, e embora não tenha ganho nenhum foi mais um forte êxito de bilheteira. Menos bem sucedidos comercialmente foram “O Império do Sol” (1987) e “Sempre” (1989), outras apostas em domínios dramáticos, ou “Hook” (1991), que revisitou as clássicas aventuras de Peter Pan.
Em 1993, contudo, Steven Spielberg criaria dois dos marcos da sua carreira: “Parque Jurássico”, um portento de feitos especiais que despoletou um sucesso global (com receitas que ultrapassaram um bilhão de dólares); e “A Lista de Schindler”, um drama épico sobre o Holocausto, galardoado com sete Óscares que comprovou que o cineasta era capaz de oferecer mais do que consistentes filmes de entretenimento.
Para além do cargo de realizador, Spielberg desempenhou também funções de produtor em filmes da autoria de terceiros, como “Poltergeist” (1982), “Regresso ao Futuro” (1985) ou “Quem Tramou Roger Rabbit?” (1988), através da sua companhia, Ambli Entretainment.
Nos anos 90 formou a Dreamworks, juntamente com Jeffrey Katzenber (ex-patrão da Disney) e David Geffen (da editora Geffen), sendo produtor executivo de muitas das suas películas, casos de “Tornado” (1996), “Homens de Negro” (1997), “Impacto Profundo” (1998) ou “A Máscara de Zorro” (1998). “Mundo Perdido” e “Amistad”, ambos de 1997, não foram dos mais marcantes da sua filmografia, mas “O Resgate do Soldado Ryan”, surgido um ano depois, assinalou o regresso à forma, revitalizando o género do filme de guerra e arrecadando cinco Óscares, provando, mais uma vez, que o cineasta também era interessante quando enveredava por obras “sérias”, adultas e complexas. O regresso à ficção científica deu-se com “A.I. – Inteligência Artificial” (2001) e “Relatório Minoritário” (2002), o primeiro baseado numa ideia de Stanley Kubrick e o segundo num conto de Phillip K. Dick. Ambos inovaram na utilização das tecnologias e na sugestão de impressionantes cenários futuristas, embora “Relatório Minoritário” tenha obtido maior consenso tanto perante a crítica como junto do grande público.
“Apanha-me se Puderes” (2002) foi outro sucesso, desta vez baseado numa história verídica e seguindo os jogos de engano de Frank Abagnale Jr., e a aposta num misto de drama e comédia repetiu-se em “Terminal de Aeroporto” (2004), também inspirado num caso real e seguindo as peripécias de um imigrante que passa a habitar um aeroporto norte-americano.
“Guerra dos Mundos” (2005), foi mais um digno blockbuster e um dos seus filmes mais negros, baseado no livro homónimo de H.G. Wells e voltando a focar o confronto de humanos com alienígenas.
“Munique” (2005) é mais um olhar sobre questões polémicas, desta vez o conflito israelo-palestiniano, partindo de um episódio real decorrido durante os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique.

sábado, dezembro 15, 2007

Oscar Niemeyer


O arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, completa hoje 100 anos de vida. Considerado um génio da arquitectura mundial, é também, o maior arquitecto vivo do século XX.
Oscar Niemeyer Soares Filho, nasceu em 15 de Dezembro de 1907, no Rio de Janeiro. Formou-se na Universidade do Brasil, iniciando a carreira no escritório de Lúcio Costa, em 1934.
No ano seguinte, trabalhou com o arquitecto Le Corbusier no “revolucionário” projecto do edifício dos ministérios da Saúde e da Educação brasileiros, concluído em 1936.
A obra de Niemeyer começou a ser notada quando o jovem arquitecto tinha 33 anos, através de um projecto que englobou a construção de quatro edifícios em Belo Horizonte, estado de Minas Gerais. Juscelino Kubistchek era, na altura, governador e encomendou-lhe os projectos de construção do Casino, da Casa de Baile, do Yatch Clube e da Igreja de São Francisco.
Em 1947, novamente com Le Corbusier, projecta a sede da Unesco, nos Estados Unidos. A originalidade e a imaginação que Niemeyer revelou nos seus trabalhos valeram-lhe a reputação de líder da arquitectura moderna.
Entre 1951 e 1954 Oscar Niemeyer assina outra grande obra: a Oca, Parque Ibirapuera, em S.Paulo, Brasil. Trata-se de um conjunto de três prédios destinados a exposições, incluindo um museu e um grande auditório.
Primou pela originalidade de todos os edifícios, e a partir daí, nunca mais parou e do seu gabinete começaram a surgir esquissos de edifícios para o Mundo inteiro, com incidência para o seu país, o Brasil.
Niemeyer empenhou-se, por exemplo, no projecto da criação da nova cidade de Brasília, nomeadamente do Palácio Planalto. Tinha 50 anos quando desenhou todos os edifícios oficiais de Brasília, a nova capital do Brasil, que foi construída em três anos e meio. A cidade foi inaugurada em 1960 e é considerada património cultural da humanidade pela Unesco desde 1987.
A arquitectura de Brasília, prevista nos esboços com que Lúcio Costa concorreu ao concurso internacional de projectos para a nova capital do Brasil, foi o impulso definitivo de Oscar Niemeyer na cena da história internacional da arquitectura contemporânea. As cúpulas, côncavas e convexas do Congresso Nacional e as colunas dos palácios da Alvorada, do Planalto e do Supremo Tribunal, deram-lhe grande prestígio internacional pela sua configuração original.
Em 1965, projecta a sede do partido Comunista Francês, em Paris. Majestoso e esteticamente brilhante, o edifício foi considerado, na altura, pelo presidente George Pompidou, “a única coisa boa que os comunistas fizeram”.
Mais recentemente (2003), projectou a Galeria Serpentina, em Londres, actualmente considerado um dos melhores edifícios existente na capital inglesa.
O Funchal é a única cidade de Portugal a possuir uma obra erguida de Oscar Niemeyer - o Pestana Casino Park, um projecto de 1966 mas concluído em 1976 e que é composto por três edifícios: um Casino, um Centro de Congressos e um hotel de 5 estrelas.
A presença constante de Oscar Niemeyer no cenário da arquitectura contemporânea internacional, desde 1936 até hoje, transformou-o na mais destacada figura brasileira da actualidade. Recebeu inúmeros prémios, destacando-se de entre eles o Prémio Pritzker (1988), sendo o primeiro arquitecto de língua portuguesa a receber tal distinção.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Wangari Maathai


“Como tínhamos dito durante muitos anos, a humanidade precisa de repensar a paz, a segurança e o trabalho para culturas de paz, governando-se de forma mais democrática, respeitando o primado da lei, promovendo deliberada e conscientemente justiça e equidade, e gerindo os recursos com maior responsabilidade e fiabilidade – não só para as gerações presentes como também para as futuras.
Ao tentar explicar esta ligação, inspirei-me num banco tradicional africano com três pernas e uma bacia como assento. Para mim, as três pernas representam três pilares críticos das sociedades justas e estáveis. A primeira perna representa o espaço democrático, onde os direitos são respeitados, sejam os direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos das crianças ou os direitos ambientais. A segunda representa a gestão sustentável e equitativa dos recursos. E a terceira representa as culturas de paz que são deliberadamente cultivadas no seio das comunidades e das nações. A bacia, ou assento, representa a sociedade e as suas perspectivas de desenvolvimento. A menos que as três pernas estejam no seu lugar, suportando o assento, nenhuma sociedade consegue prosperar. Nem os cidadãos conseguem desenvolver as suas capacidades e criatividade. Quando uma perna está em falta, o assento é instável; quando faltam duas pernas, é impossível manter vivo qualquer Estado; e quando não há pernas disponíveis o Estado vale tanto como um Estado falhado…
Estes temas de boa governação, respeito pelos direitos humanos, equidade e paz são de particular preocupação em África – um continente que é tão rico em recursos e, no entanto, tem sido tão devastado pela guerra.”
In INDOMÁVEL Uma Luta pela Liberdade.

RUANDA


Fotografia de James Nachtwey/ Magnum Photos.
O Ruanda foi palco de uma das maiores atrocidades da história da humanidade onde, em apenas 100 dias, quase um milhão de tutsis foram brutalmente assassinados por milícias de etnia hutu e pelo exército ruandês.
Esta fotografia de 1994 de James Nachtwey, foi tirada num Hospital da Cruz Vermelha, e mostra um homem que foi mutilado por uma catana, pela simples suspeita de pertencer à etnia tutsi. A fotografia venceria, nesse ano a World Press Photo.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Foi no dia 10 de Dezembro de 1948, que a Assembleia Geral das Nações Unidas, reunida em Paris aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
No dia em que estes direitos deixarem de ser violados, a Humanidade dará um salto sem precedentes em toda a nossa História.

Artigo 1º.Liberdade e igualdade de todos os seres humanos.
Artigo 2º.Não discriminação.
Artigo 3º.Direito à vida.
Artigo 4º.Poibição de escravatura.
Artigo 5º.Proibição de tortura.
Artigo 6º.Direito à personalidade jurídica.
Artigo 7º.Igualdade perante a lei.
Artigo 8º.Direito a recurso efectivo perante jurisdições nacionais.
Artigo 9º.Proibição de prisão, detenção ou exílio arbitrários.
Artigo 10º.Direito a ser julgado num tribunal independente.
Artigo 11º. nº1:Presunção de inocência até prova em contrário.
nº2:Não retroactividade da lei penal.
Artigo 12º.Direito à vida privada, familiar e protecção de correspondência.
Artigo 13º. nº1:Liberdade de circulação.
nº2:Direito de sair e entrar em qualquer país.
Artigo 14º.Direito de requerer e receber asilo.
Artigo 15º.Direito à nacionalidade.
Artigo 16º.Direito de se casar e constituir família.
Artigo 17º. nº1:Direito de propiedade.
nº2:Proibição da privação arbitrária da propiedade.
Artigo 18º.Liberdade de pensamento,consciência e religião.
Artigo 19º.Liberdade de expressão e opinião.
Artigo 20º.Liberdade de reunião e associação.
Artigo 21º. nº1:Direito de participação nos assuntos públicos do seu país.
nº2:Igualdade de acesso a funções de natureza pública no seu país.
nº3:Direito a sufrágio directo e universal e direito ao voto secreto.
Artigo 22º.Direito à segurança social.
Artigo 23º. nº1:Direito ao trabalho.
nº2:Direito a salário igual para trabalho igual.
nº3:Direito a remuneração suficiente.
nº4:Direito à constituição e filiação em sindicatos.
Artigo 24º.Direito a lazer,repouso e tempos livres.
Artigo 25º. nº1:Direito a um nível de vida suficiente.
nº2:Protecção especial da maternidade e infância.
Artigo 26º. nº1:Direito à educação,princípios da gratuitidade e obrigatoriedade do ensino Básico, acesso generalizado ao ensino técnico e profissional e igualdade de acesso ao ensino superior.
nº2:A educaçao deve favorecer o desenvolvimento da personalidade,tolerância, compreensão mútua e amizade entre os povos.
nº3:Direito dos pais escolherem a educação a dar aos seus filhos.
Artigo 27º. nº1:Direito de participar na vida cultural e de gozar os frutos do progresso científico.
nº2:Protecção dos direitos de autor.
Artigo 28º.Direito a que existam condições permitindo a plena aplicação dos direitos enunciados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Artigo 29º. nº1:Princípio de que o indivíduo tem deveres para com a comunidade.
nº2:As únicas limitações ao exercício dos direitos devem ser previstas por lei,com vista a satisfazer exigências da moral,de ordem pública e de bem-estar geral.
nº3:Os direitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos não podem ser exercidos contrariamente aos fins e princípios da Carta das Nações Unidas.
Artigo 30º.Nenhuma interpretação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ligitimar actividades que visem a aniquilação dos direitos e liberdades nela consagrados.

Divulgue, para quem sabe a Humanidade sair do papel.

Dia Europeu contra a Pena de Morte

Os ministros da Justiça da União Europeia, reunidos hoje em Bruxelas, aprovaram por unanimidade a instituição do Dia Europeu contra a pena de morte, disse à Agência Lusa fonte da presidência portuguesa.A iniciativa havia sido bloqueada em Setembro pela Polónia, mas a mudança entretanto verificada no panorama político naquele país - com a eleição para primeiro-ministro de Donald Tusk, que sucedeu ao conservador Jaroslaw Kaczynski - permitiu agora o consenso entre os 27.
A presidência portuguesa, que tencionava inicialmente instituir o Dia Europeu na conferência contra a pena de morte realizada em Outubro em Lisboa, decidiu recolocar o tema na agenda da reunião de ministros da Justiça e Assuntos Internos que decorre entre quinta-feira e hoje em Bruxelas, tendo o acordo sido alcançado esta manhã.
Nessa conferência internacional realizada a 09 de Outubro estava prevista a assinatura de uma Declaração Conjunta, por instituições da UE e Conselho da Europa, a instituir o Dia Europeu contra a Pena de Morte, todos os anos a 10 de Outubro, com a participação do primeiro-ministro, José Sócrates, pelo Conselho da UE, e Durão Barroso, pela Comissão Europeia. O Dia Europeu acabaria por ser instituído, mas apenas a nível do Conselho da Europa, já que, no seio da União, a Polónia “de” Kaczynski surpreendeu tudo e todos, em Setembro, ao inviabilizar a iniciativa, alegando que a UE deveria abrir antes um debate mais amplo sobre o direito à vida, que incluiria a condenação do aborto e da eutanásia.
Apesar da pressão exercida pela presidência portuguesa e da indignação da generalidade dos restantes Estados-membros, Varsóvia manteve-se inflexível, cenário alterado com a mudança de Governo, no final de Outubro. Já na “recta final”, a presidência portuguesa da UE conseguiu assim retomar e ver aprovada aquela que era uma das suas iniciativas mais simbólicas do semestre.
A 15 de Novembro, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou, pela primeira vez, uma resolução sobre uma moratória sobre o uso da pena de morte apresentada por um grupo transregional liderado pela Albânia, Angola, Brasil, Croácia, Filipinas, Gabão, México, Nova Zelândia, Portugal (em nome da UE) e Timor-Leste, contando com 87 co-patrocinadores.As duas anteriores tentativas para fazer aprovar uma resolução deste género pela Assembleia-Geral da ONU falharam em 1994 e 1999. Agência Lusa

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Eric Schlosser


“A indústria do fast food gasta milhões de dólares todos os anos em actividades de lobby e milhares de milhões de dólares em marketing de massas. A riqueza e poder das grandes cadeias faz com que pareçam impossíveis de derrotar. E, contudo, essas empresas têm de obedecer às exigências de um grupo – os consumidores – que ansiosamente adulam e perseguem…
Ninguém nos Estados Unidos (e no resto do mundo) é obrigado a comprar fast food. O primeiro passo para que haja mudanças significativas é de longe o mais simples: deixem de comprá-la. Os gestores que gerem a indústria de fast food não são homens maus. São homens de negócio. Venderão hambúrgueres de carne orgânica, alimentada a erva e no pasto, se lho exigirmos. Venderão o que quer que seja que se venda com lucro. A utilidade do mercado, a sua eficácia como instrumento, dá para os dois lados. O verdadeiro poder do consumidor americano (e mundial) ainda não foi libertado. Os chefes da Burger King, KFC e McDonald’s deviam sentir-se intimidados; são muito menos. São três e nós quase 300 milhões (no mínimo 4 mil milhões no mundo com acesso a uma cadeia de fast food). Um bom boicote, a recusa de compra, pode falar muito mais alto do que meras palavras. Por vezes a força mais irresistível é a mais banal.
Empurrem a porta de vidro, sintam a corrente de ar fresco, entrem, ponham-se na fila e olhem à vossa volta, olhem para os miúdos que trabalham na cozinha, para os clientes nos seus lugares, para os os anúncios aos últimos brinquedos, estudem as fotografias coloridas e iluminadas por cima do balcão, pensem de onde vem a comida, como e quando é feita, o que é que cada compra de fast food acarreta, o efeito em cadeia perto ou longe, pensem nisso. Depois façam o vosso pedido. Ou voltem as costas e saiam.”
In Fast Food Nation. Os parêntesis são meus.

DARFUR


Fotografia de Tom Stoddart
Há milhões de fotografias a mostrar, violações constantes, mesmo os mais elementares, dos Direitos Humanos. Há 18 anos que uma guerra civil atravessa o Sudão, entre o Governo muçulmano do Norte e os cristãos e animistas do Sul.
A fome tornou-se uma inevitabilidade, à medida que um milhão de pessoas sairam das suas casas e a terra deixou de ser cultivada.
Os centros da UNICEF e dos Médicos Sem Fronteiras, em Ajiep, foram o destino de milhares de habitantes da região. Mas só as crianças com 60% abaixo do seu peso ideal foram aceites. Na altura que Tom Stoddart visitou estes centros em Ajiep, morriam mais de cem pessoas diariamente naquela povoação.
Esta fotografia é de Tom Stoddart e recebeu o Word Press Photo de 1998.