domingo, janeiro 27, 2008

Óscares: Década de 30


O “Star System” que corresponde ao período imperial, simbolizado e concretizado pela supremacia de Hollywood, está no seu auge. A MGM dizia com vaidade que tinha "mais estrelas do que as que havia no céu". No entanto as estrelas mais famosas e representativas da época, Greta Garbo e Marlene Dietrich, nunca ganharam a desejada estatueta. Greta Garbo apesar de ter sido nomeada em 1930 por “Anna Christie” e “Romance, “Camille” em 1936 e “Ninotchka” em 1939, nunca recebeu o merecido prémio da Academia. Marlene Dietrich foi apenas nomeada em 1930 por “Marocco”, mas não recebeu o prémio.
Por esta altura, no entanto aparecia, uma das mais brilhantes estrelas de Hollywood, Katharine Hepburn, que com o filme "Morning Glory", de 1933, ganhava o seu primeiro Óscar, de uma carreira que a levaria por 12 vezes às nomeações para o Óscar e que o receberia por 4 vezes. Nesta altura, não bastava a beleza, era preciso que as estrelas soubessem também falar e ter uma boa voz. Os estúdios sentiam que era preciso mostrar as estrelas e de preferência todas juntas. O primeiro exemplo deste modo de pensar foi o filme “Grand Hotel”, de Edmund Goulding que contava no seu elenco com nomes que se tornariam os “monstros sagrados” de Hollywood como: Lionel e John Barrymore, Greta Garbo, Wallace Beery e Joan Crawford.
A nível de realizadores Frank Capra dominou esta década com três Óscares, o primeiro em 1934 com o filme "Uma Noite Aconteceu", o segundo em 1936, com o filme "Doido com Juízo" e em 1938 o terceiro com "Não o levarás Contigo". Distingue-se nesta época um jovem actor de seu nome Spencer Tracy, que receberia em dois anos consecutivos o Óscar de melhor actor. Em 1937, pela interpretação do português Manuel, no filme "Capitain's Courageous", e em 1938 pelo desempenho no filme " Boys Town".
Enquanto a guerra começava na Europa, em Hollywood estreava-se um dos mais importante filmes da história do cinema: "E tudo o vento levou", de Victor Fleming que arrebatou 9 Óscares da Academia. Vivien Leigh receberia o primeiro dos seus dois Óscares. Estreia-se também o filme o "Feiticeiro de Oz", que daria a Judy Garland um Óscar especial pelo seu desempenho juvenil.
Bette Davis recebe nesta década por duas vezes o Óscar de melhor actriz, em 1935 no filme "Dangerous" e em 1938 pelo seu desempenho no filme "Jezebel". Clark Gable receberia o Óscar de melhor actor do ano pelo filme "It happened one night" em 1934.

Greta Garbo


Greta Lovisa Gustafsson, nasceu em Estocolmo, Suécia a 18 de Setembro de 1905, de família pobre, ficou órfã aos 15 anos tendo começado a trabalhar nessa altura numa loja de moda, acabando por se tornar modelo de chapéus!
Descoberta pela publicidade foi convidada por E. A. Petschler para figurar num pequeno filme como banhista. Entrou para a Real Academia de Arte Dramática de Estocolmo, em 1922 e no ano seguinte faz o primeiro casting para cinema.
Em 1923, foi descoberta por Mauritz Stiller (um dos cineastas da idade de ouro do cinema sueco), que lhe oferece o nome (Garbo) e também o seu primeiro papel importante no cinema, em A Lenda de Gösta Berling (1924), depois de A Rua Sem Sol (1925), sob a direcção G. W. Pabst, vai para os EUA contratada por Louis B. Mayer, patrão da MGM, torna-se uma estrela fulgurante do cinema mudo, através de filmes como A Tentadora (1926), iniciado por Stiller e concluído por Fred Niblo, ou O Demónio e a Carne (1927), de Clarence Brown; apesar do cepticismo da indústria, resiste à passagem para o sonoro e, com Ana Cristina (1930). Quando apareceu neste filme, a publicidade foi feita com a expressão "Garbo talks!".
Em 1932 entra em "Mata Hari", seguindo-se "A Rainha Cristina", 1934, "Ana Karenina", 1935, "Camille", (para os críticos o seu melhor filme) e ainda "Margarida Gautier", 1936, "Maria Walewska" (1937) "Ninotchka", 1939. Heroína romântica e trágica, lenda viva da sétima arte, protagonizou uma década de apoteose artística e comercial.
Em 1941, logo após a conclusão de «A Mulher de Duas Caras», sob a direcção de George Cukor, contra todas as expectativas, Greta Garbo declarou que se ia afastar do cinema. E assim foi, nunca voltau a participar num filme. Saiu de cena no auge da fama tendo conquistado um lugar único na 7ª Arte.
Foi nomeada três vezes para o Óscar de melhor actriz. Em 1955 recebeu o Óscar da Academia pelo conjunto da sua carreira.
Símbolo universal do glamour, possuía uma beleza sofisticada e misteriosa, envolta numa aura de inacessibilidade, imagem que estendeu à sua vida privada. Faleceu em Nova Iorque, a 15 de Abril de 1990.

Óscares: 1939


Apresentação: Bob Hope

Auditório: Coconut Grove do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: Gone with the wind, de Victor Fleming

Realizador: Victor Fleming, por Gone with the wind

Actor: Robert Donat, por Goodbye, Mr Chips

Actriz: Vivien Leigh, por Gone with the wind

Actor Secundário: Thomas Mitchell, por Stagecoach

Actriz Secundária: Hattie McDaniel, por Gone with the wind

Argumento: Sidney Howard, por Gone with the wind

Fotografia:Gregg Toland, por Wuthering heights (Preto/Branco) e Ernest Haller e Ray Rennahan, por Gone with the wind (Cor)

Decoração: Lyle R. Wheeler, por Gone with the wind

Som: Bernard B. Brown, por When tomorrow comes

Canção: Harold Arlen (música) e E.Y. Harburg (letra) por “Over the Rainbow”, em The wizard of Oz

Banda Sonora: Richard Hageman, Frank Harling, John Leipold e Leo Shuken, por Stagecoach

Banda Sonora (partitura original): Herbert Stothat, por The wizard of Oz

Montagem: Kern e James E. Newcom, por Gone with the wind

Efeitos Especiais: E.H. Hansen e Fred Sersen, por The rains came

Curta-metragem de uma bobina: Busy little bears, da Paramount

Curta-metragem de duas Bobinas: Sons of Liberty, da Warner Bros

Curta-metragem de Animação: The ugly duckling, de Walt Disney

Memorial Irving G. Thalberg: David O. Selznick

Prémios Especiais: Douglas Fairbanks, primeiro presidente da Academia, pela sua contribuição ao desenvolvimento do cinema mundial; The Motion Picture Relief Found, pelos seus serviços à indústria; Judy Garland, pelo seu trabalho como intérprete juvenil; William Cameron Menzies, pelos avanços no uso na cor em Gone with the wind e, a companhia Technicolor, pela contribuição à melhoria da cor nas produçãoes cinematográficas.

Óscares: 1938


Apresentação: Frank Capra

Auditório: Biltmore Bowl do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: You can’t take it with you, de Frank Capra

Realizador: Frank Capra, por You can’t take it with you

Actor: Spencer Tracy, por Boys town

Actriz: Bette Davis, por Jezebel

Actor Secundário: Walter Brennan, por Kentucky

Actriz Secundária: Fay Bainter, por Jezebel

Argumento Original: Eleanore Griffin e Dore Schary, por Boys town

Argumento Adaptado: Ian Dalrymple, Cecil Lewis e W.P. Lipscomb, por Pygmalion, original de George Bernard Shaw.

Fotografia: Joseph Ruttenberg, por The great waltz

Decoração: Carl J. Weyl, por The adventures of Robin Hood

Som: Thomas Moulton, pot The cowboy and the lady

Canção: Ralph Rainger (música) e Leo Robin (letra), por “Thanks for the memory”, em Big Broadcast of 1938

Banda Sonora: Erich Wolfgang Korngold, pot The adventures of Robin Hood

Montagem: Ralph Dawson, por The adventures of Robin Hood

Curta-metragem de uma bobina: That mothers might live, da Metro-Goldwyn-Mayer

Curta-metragem de duas bobinas: Declaration of independence, da Warner Bros

Curta-metragem de Animação: Ferdinand the bull, de Walt Disney

Memorial Irving G. Thalberg: Hal B. Wallis

Prémios Especiais: Deanna Durbin e Mickey Rooney, pela sua significativa personificação da juventude no ecrã; Harry M. Warner, em reconhecimento pelo seu serviço patriótico mediante a produção de curtas-metragens de conteúdo histórico; Walt Disney, pela inovação suposta por Branca de Neve e os Sete Anões; Oliver Marsh e Allen Davey pela fotografia a cores de Sweethearts; Gordon Jennings, Jan Domella, Dev Jennings, Irwin Roberts, Art Smith Farciot Edouart, Loyal Griggs, Loren Ryder, Harry Mills, Louis H. Mesenkop e Walter Oberst, pelos efeitos especiais de Spawn of the North e, J. Arthur Ball, pela sua significativa contribuição ao desenvolvimento da fotografia cinematográfica a cores.

Óscares: 1937


Apresentação: Bob Burns

Auditório: Biltmore Bowl do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: The life of Emile Zola, de William Dieterle

Realizador: Leo McCarey, pot The auful truth

Actor: Spencer Tracy, pot Capitains corageous

Actriz: Luise Rainer, por The good earth

Actor Secundário: Joseph Schildkraut, por The life of Emile Zola

Actriz Secundária: Alice Brady, por In old Chicago

História Original: William A. Wellman e Robert Carson, por A star is born

Argumento: Heinz Herald, Geca Herczeg e Norman Reilly Raine, por The life of Emile Zola

Fotografia: Karl Freund, por The good earth

Decoração: Stephen Goosson, por Lost horizon

Ajudante de Realização: Robert Webb, por In old Chicago

Som: Thomas Moulton, por The hurricane

Canção: Harry Owens (música e letra), por “Sweet Leilani”, em Waikiki wedding

Banda Sonora: Charles Precin (Universal), por One hundred men and a girl

Coreografia: Hermes Pan, por “Fun house”, em Damsel in distress

Montagem: Gene Havlick e Gene Milford, por Lost horizon

Curta-metragem de uma Bobina: The Private life of the gannets, da Skibo Productions

Curta-metragem de duas Bobinas: Torture Money, da Metro-Goldwin-Mayer

Curta-metragem a cores: Penny wisdom, de Pete Smith

Curta-metragem de Animação: The old mill, de Walt Disney

Memorial Irving G. Thalberg: Darryl F. Zanuck

Prémios Especiais: Mack Sennett, pela contribuição à comédia; Edgar Bergen, pela criação do personagem cómico “Charlie McCarthy”; The Museum of Modern Art Film Library, pelo seu trabalho de reconstituição e investigação cinematográficas e W. H.oward Greene, pela fotografia a cores de A Star is born.

Suharto


O antigo ditador indonésio, Haji Muhammad Suharto morreu, aos 86 anos, num hospital da Indonésia, onde estava internado desde 4 de Janeiro, confirmou a polícia do país. Entrou em coma durante a noite, não tendo resistido aos problemas de coração, rins e pulmões.
Suharto governou a Indonésia durante a 32 anos com mão de ferro. Abdicou do poder em 1998, na sequência de uma grave crise económica.
Foi o segundo presidente da Indonésia, tendo chegado ao poder em 1967 na sequência de um golpe para retirar a presidência a Sukarno. Muhammad Suharto nasceu a 8 de Junho de 1921, em Kemusuk, na ilha de Java, numa família camponesa e muçulmana.
No percurso para chegar à liderança do país lutou contra o Partido Comunista Indonésio, que em 1965 acusou de tentativa de golpe de Estado, justificando desta forma mais de 500 mil mortes.Brandia a ameaça comunista ou do integrismo islâmico para conquistar o apoio da comunidade internacional, em particular dos Estados Unidos.
Construiu um Governo forte e de orientação centralista. Em nome da estabilidade no arquipélago tentou travar os separatismos regionais e tentou calar os dissidentes políticos.Foi eleito presidente da Indonésia, em 1968, pelo Parlamento, cujos membros eram nomeados pelo próprio Suharto.
O seu Governo da “Nova Ordem” permitiu que o conjunto de 17.500 ilhas atingisse a estabilidade económica, em virtude das exportações de têxteis.
Suharto era acusado com frequência pelas organizações de defesa dos direitos do Homem e foi criticado pelo massacre cometido em Timor-Leste, cuja invasão ordenou em 1975. Na luta contra a Fretilin terá morrido um terço da população de Timor ao longo de mais de 20 anos. Timor foi declarada a 27.ª província indonésia a 17 de Junho de 1976.
A Indonésia só aceitou a transferência da administração de Timor para as Nações Unidas e o referendo que iria dar a independência a Timor após a saída de Suharto.
Entregou o poder ao seu número dois em Maio de 1998, após a revolta popular estimulada pela crise financeira. Suharto foi alvo de suspeitas relativas ao seu enriquecimento, tendo mesmo sido acusado de corrupção pelo desvio de mais de 570 milhões de dólares de fundos públicos. Nunca chegou a ser julgado devido ao seu estado de saúde frágil. (Lusa).

sábado, janeiro 26, 2008

Marlene Dietrich


Marie Magdelene Dietrich von Losch, nasceu em Berlim, a 27 de Dezembro de 1901. Orfã de pai desde muito cedo, cresceu numa família conservadora da classe média alta alemã. Começou por aprender violino, mas cedo decidiu ser actriz. Em 1922, entrou para a escola de teatro de Max Reinhardt, começando pouco tempo depois a fazer pequenos papéis em peças de teatro e filmes mudos alemães, como Tragédia de Amor (1923) que assinalou a sua estreia como actriz de cinema. Em 1924 casou com Rudolf Sieber, de quem teve uma filha, Maria Riva. No final da década de 20 era já uma conhecida actriz na Alemanha, comparada a Greta Garbo e Elizabeth Bergner.
Foi descoberta por Josef Von Sternberg em 1930 em O Anjo Azul, onde contracenou com Emil Jannings. No mesmo ano, assinou um contracto com a Paramount e foi para Hollywood, deixando o marido e a filha. Dos seus sete primeiros filmes com a Paramount, seis foram dirigidos por Josef Von Sternberg que imortalizou para sempre Dietrich, transformando-a num mito.
Da sua filmografia destacam-se Marrocos (1930), O Expresso de Xangai (1932),A Vénus Loira (1932) e The Devil is a Woman (1935), o último filme da dupla Dietrich/Sternberg. Em 1939, obteve a cidadania americana. Durante a II Guerra Mundial interrompeu a carreira de actriz para acompanhar o contingente militar norte-americano na Europa, fazendo animações e espectáculos para as tropas, serviço pelo qual foi galardoada com diversas medalhas de honra e mérito, em França e nos EUA. Os seus filmes foram proibidos na Alemanha, por ter recusado ofertas para voltar a filmar no seu país e por ter participado em campanhas anti-.nazis. Após a guerra, regressou à América e retomou a sua carreira no cinema com Berlim Ocidental (1948), Pânico nos Bastidores (1950) e Sede do Mal (1958), tendo iniciado uma nova fase como cantora em espectáculos musicais.
Nos últimos anos era raramente vista em público. Colaborou ainda com Maximilian Schell na realização de um filme autobiográfico, mas nunca deixou que a filmassem. Apenas permitiu a gravação da sua voz. O resultado final do trabalho - Marlene (1984) - foi uma excelente montagem entre filmes antigos e o registo vivo da estrela. Morreu em Paris, a 6 de Maio de 1992.
Em 1993, a filha, Maria Riva, publicou uma biografia escrita pela própria Marlene, intitulada Marlene: An Intimate Memoir.

Ritmo Louco


No filme Swing Time (Ritmo Louco, na traduçaõ portuguesa), Lucky Garnett (Fred Astaire), um bailarino e jogador ocasional, chega atrasado ao seu casamento com Margaret Watson (Betty Furness) para encontrar o pai da noiva furioso, pois, o juiz (Landers Stevens) tinha cancelado o casamento. O juiz desafia Lucky a ir para Nova Iorque para ganhar 25.000 dólares para poder recuperar a mão de Margaret.
Em Nova Iorque, Lucky conhece Penny (Ginger Rogers), uma professora de dança, que perde o emprego por causa deste encontro casual. Contudo, o par é enviado para uma audição no clube nocturno Silver Sandal, onde acaba por surpreender os clientes e ser contratado.
Quando Margaret chega a Nova Iorque para dizer a Lucky que conheceu e se apaixonou por outro homem, Lucky e Penny ficam livres para continuar a sua relação como amantes e bailarinos.
Neste filme de George Stevens, a dança é usada como uma expressão de desenvolvimentos românticos, um procedimento frequentemente utilizado nos musicais da década de 30 do século passado.
Não há iconologia mais emblemática do género musical de Hollywood do que as duas figuras dançantes de Fred Astaire e Ginger Rogers.(MOMA).

Origem: E.U.A (Estúdios RKO, Película a preto e branco)
Data de estreia: 27 DE Agosto de 1936
Realização:
George Stevens
Produção: Pandro S. Berman
Argumento: Erwin Gelsey, Howard Lindsay e Allan Scott, adaptado da história Portrait of John Garnett, de Elwim Gelsey.
Fotografia: David Abel
Música: Jeremy Kern e Dorothy Fields
Elenco: Fred Astaire, Ginger Rogers, Victor Moore, Helen Broderick, Eric Blore, Betty Furness.

Óscares:1936


Apresentação: George Jessel

Auditório: Biltmore Bowl do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: The Great Ziegfeld, de Robert Z. Leonard

Realizador: Frank Capra, por Mr. Deeds Goes to Town

Actor: Paul Muni, por The Story of Louis Pasteur

Actriz: Luise Rainer, por The Great Ziegfeld

Actor Secundário:Walter Brennan, por Come and get it

Actriz Secundária: Gale Sondergaard, por Anthony Adverse

História e Argumento Original: Pierre Collins e Sheridan Gibney, por The Story of Louis Pasteur

Fotografia: Gaetano Gáudio, por Anthony Adverse

Decoração: Richard Day, por Dodsworth

Ajudante de Realização: Jack Sullivan, por The Charge of the Light Brigade

Som: Douglas Shearer, por San Francisco

Canção: Jerome Kern (música) e Dorothy Fields (letra), por “The Way you look tonight”, em Swing Time

Banda Sonora: Erich Wolfgang Korngold, por Anthony Adverse

Coreografia: Seymour Felix, por “A Pretty Girl is Like a Melody”, em The Great Ziegfeld

Montagem: Ralph Dawson, por Anthony Adverse

Curta-metragem de uma Bobina: Bored Education, de Hal Roach

Curta-metragem de duas Bobinas: The Public Pays, da Metro-Goldwyn-Mayer

Curta-metragem a Cores: Give me Liberty, da Warner Bros

Curta-metragem de Animação: The Country Cousin, de Walt Disney

Prémios Especiais: March of Time, pela sua contribuição para a indústria cinematográfica; W. Howard Greene e Harold Rossom pela fotografia a cores de The Garden of Allah.

Óscares:1935


Apresentação: Frank Capra

Auditório: Biltmore Bowl do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: Mutiny on the Bounty, de Frank Lloyd

Realizador: Jonh Ford, por The Informer

Actor: Victor McLaglen, por The Informer

Actriz: Bette Davis, por Dangerous

História Original: Bem Hecht e Charles MacArthur, por The Scoundrel

Argumento: Dudley Nichols, por The Informer

Fotografia: Hal Mohr, por A Midsummer Night’s Dream

Decoração: Richard Day, por The Dark Angel

Ajudantes de Realização: Paul Wing e Clem Beauchamp, por Lives of Bengal Lancer

Som: Douglas Shearer, por Naughty Marietta

Canção: Harry Warren (música) e Al Dubin (letra), por “Lullaby of Broadway” em Broadway Melody of 1936: e “Straw Hat”, em Folies Bergere

Banda Sonora: Max Steiner (RKO), por The Informer

Coreografia: David Gould, por “I’ve got a feeling you’re fooling”, em Brodway Melody of 1936, e “Straw Hat”, em Folies Bergere

Montagem: Ralph Dawson, por Midsummer Night’s Dream

Curta-metragem Humorística: How to Sleep, de Jack Chertok

Curta-metragem de Animação: Three Orphan Kittens, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental: Wings Over Mt. Everest, de Gaumont British e Skibo Productions

Prémios especiais: David Wark Griffith, pelos seus méritos como realizador, produtor e pela sua contribuição para a arte cinematográfica.

Óscares: 1934


Apresentação: Irvin S. Cobb

Auditório: Biltmore Bowl do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: It Happened One Night, de Frank Capra

Realizador: Frank Capra, por It Happened One Night

Actor: Clark Gable, por It Happened One Night

Actriz: Claudette Colbert, por It Happened One Night

Argumento Original:Arthur Caesar, por Manhattan Melodrama

Argumento Adaptado: Robert Riskin, por It Happened One Night

Fotografia: Victor Milner, por Cleopatra

Decoração: Cederic Gibbons e Frederic Hope, por The Merry Widow

Ajudante de Realização:John Walters, por Viva Villa!

Som:Paul Neal, por One Night of Love

Canção:Com Conrad (música) e Herb Magidson (letra), por “The Continental”, em The Gay Divorcee

Banda Sonora:Louis Silvers (Columbia), por One Night of Love

Montagem: Conrad Nevig, por Eskimo

Curta-metragem Humorística: La Cucaracha, de Kenneth Macgowan

Curta-metragem de Animação: The Tortoise and the Hare, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental:
City of Wax, de Horace Woodard e Stacy Woodard

Prémios especiais: Shirley Temple, pela sua contribuição ao cinema de entertenimento

sexta-feira, janeiro 25, 2008

King Kong


Apesar de no essencial, ser um filme de série B, King Kong é uma das maiores e mais amadas obras-primas do cinema. A história recria o antiquíssimo conflito entre a cidade e a natureza. Uma expedição chega à ilha chamada Skull Island, com o intuito de trazer para Nova Iorque e explorar como uma sensação um gorila gigante e pré-histórico, temido e venerado pelos nativos. Mas o poderoso Kong reage mal ao facto de estar enjaulado e foge numa onda de destruição pela cidade.
As cenas na Skull Island são surpreendentes até hoje, desde a primeira aparição de King Kong até às inúmeras criaturas pré-históricas que ele e a expedição enfrentam ao tentar respectivamente, proteger ou encontrar, a raptada Ann Darrow. King Kong sente-se intimidado pela beleza de Ann, e quando escapa do cativeiro e vagueia por Nova Iorque, a primeira coisa que faz é capturar a jovem amada e retê-la como sua prisioneira. No cimo do Empire State Building, a lutar contra os aviões, King Kong preferiu sacrificar a própria vida a fazer mal a Ann, o que dá ao filme um final famoso e tocante: “A bela matou o monstro…simpático”

Origem: E.U.A (Estúdios RKO, Película a preto e branco)
Data de estreia: 2 de Março de 1933
Realização: Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
Produção: Merian C. Cooper, Ernest B. Schoedsack E David O. Selznick
Argumento: James Ashmore Creelman, Ruth Rose e Edgar Walace
Fotografia: Edward Linden, J.O. Taylor, Vernon L. Walker e Kenneth Peach
Música: Max Steiner
Elenco: Fay Wray (Ann Darlow), Robert Armstrong (Carl Denham), Bruce Cabot (John “Jack” Driscoll), Frank Reicher ( Cap. Englehorn), Sam Hardly (Charles Weston)

Walt Disney


Walter Elias Disney nasceu em Chicago a 5 de Dezembro de 1901. Passou a maior parte de sua infância numa quinta em Marceline, no Missouri. Com 14 anos entrou para o Kansas City Art Institute e aos 16 foi voluntário da Cruz Vermelha em França, no final da Grande Guerra.
Em 1919, começou a trabalhar num estúdio, em Kansas, onde conheceu Ub Iwerks, um promissor artista que se tornaria o seu mais longo e fiel colaborador.
Em 1923, fundou o seu próprio estúdio em Hollywood e, juntamente com o seu irmão Roy e o colaborador Iwerks, começou a produzir uma série de animação em movimento intitulada Alice in Cartoonland.
Em 1927, a produção continuou com a criação de uma outra série de desenhos animados: Oswald the rabbit.
No ano seguinte, em 1928, nascia Mickey Mouse, ou Rato Mickey. Os dois primeiros cartoons eram mudos (Plane Crazy e Gallopin Gaucho), sendo o terceiro já sonorizado (Steamboat Willie). A voz do Rato Mickey era a do próprio Walt Disney que, encorajado pelo recente sistema sonoro, concebeu uma nova série — Silly Symphony, em que a acção dos desenhos animados era criada de forma a acompanhar a música (pré-gravada). O mais famoso cartoon desta série é The Three Little Pigs (1933). Em 1932, começou a produzir filmes coloridos e a utilizar a câmara multiplana, que permitia uma maior perspectiva e profundidade.
O sucesso de Mickey originou uma série de animais que se tornaram verdadeiras estrelas populares: Minnie, Pato Donald, Pateta e Pluto. Às curtas-metragens vieram juntar-se as grandes produções de desenhos animados (em longa-metragem), como Snow White and the Seven Dwarfs/A Branca de Neve e os Sete Anões (1938), Pinocchio/Pinóquio (1940) e Dumbo (1941), com um enorme sucesso em todo o mundo.
A ideia de que miúdos e adultos vivessem o mesmmo sonho toma corpo em1955, a Walt Disney inaugurou o seu primeiro parque de diversões — a Disneylândia, na Califórnia. O rápido sucesso alcançado leva-o a desenvolver um projecto ainda mais ambicioso: a criação de um verdadeiro universo de lazer, a que não chega assistir porque morre a 15 de Dezembro de 1966, em Los Angeles.
Mas o seu irmão Roy e a sua equipa agarram no sonho e abrem, em 1971, a Walt Disney World Resort na Florida, um conceito que em 1992 é exportado para a Europa com o Disneyland Paris.
Os estúdios Disney dedicaram-se igualmente à produção de filmes de pura acção como Treasure Islands (1950) e documentários sobre a natureza, como The Living Desert (1953). Produziram também longas-metragens reais, com figuras humanas, entre as quais The Swiss Family Robinson/A Família Robinson (1960) e a famosa Mary Poppins (1964).
Em 1961, a figura de Walt Disney tornou-se familiar para milhões de pessoas através das primeiras séries televisivas a cores, que o próprio apresentava no início de cada sessão. Muitos filmes se seguiram tais como os famosos A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro, Anastasia, Alladino, Robin Hood, Rei Leão, Hercules, Pocahontas, Mulan e Tarzan.

Óscares:1932/1933


Apresentação: Will Rogers

Auditório: Fiesta Room do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: Cavalcade, de Frank Lloyd

Realizador: Frank Lloyd, por Calvacade

Actor: Charles Laughton, por The Private Life of Henry VIII

Actriz: Katharine Hepburn, por Morning Glory

Argumento Original: Robert Lord, por One Way Passage

Argumento Adaptado: Victor Herman e Sarah Y. Mason, por Little Women

Fotografia:Charles Bryant Lang Jr., por A Farewell to Arms

Decoração: William S. Darling, por Cavalcade

Som:Harold C. Lewis, por A Farewell to Arms

Curta-metragem Humoristica: So this is Harris, de Louis Brock

Curta-metragem de Animação: The Three Little Pigs, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental: Krakatoa, de Joe Rock

Óscares:1931/1932


Apresentação: Conrad Nagel

Auditório:Fiesta Room do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: Grande Hotel, de Edmund Goulding

Realizador: Frank Borzage, por Bad Girl

Actor: Wallace Beery, por The Champ; e Fredric March, por Dr. Jekyll and Mr. Hyde

Actriz: Helen Hayes, por The Sino f Madelon Claudet

Argumento Original: Francis Marion, por The Champ

Argumento Adaptado: Edwin Burke, por Bad Girl

Fotografia: Lee Garmes, por Shanghai Express

Decoração: Gordon Wiles, por Transatlantic

Som: Departamento de sem dos estúdios Paramount

Curta-metragem Humorística: The Music Box, de Hal Roach

Curta-metragem de Animação: Flowers and Trees, de Walt Disney

Curta-metragem Experimental: Wrestling Swordfish, de Mack Senett

Prémio Especial: Walt Disney, pela criação de Mickey Mouse

Óscares:1930/1931


Apresentação: Lawrence Grant

Auditório: Sala D’Oro do Hotel Biltmore (Los Angeles)

Filme: Cimarron, de Wesley Ruggles

Realizador: Norman Taurog, por Skippy

Actor: Lionel Barrymore, por A Free Soul

Actriz: Marie Dressler, por Min and Bill

Argumento Original: John Monk Dauders, por The Dawn Patrol

Argumento Adaptado: Howard Estabrook, por Cimarron

Fotografia:Folyd Crosky, por Tabu

Decoração:Max Ree, por Cimarron

Som: Departamento de sem dos estúdios Paramount

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Óscares:1929/1930


Apresentação: Conrad Nagel

Auditório: Fiesta Room do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: All Quiet on the Western Front, de Lewis Milestone

Realizador: Lewis Milestone, por All Quiet on the Western Front

Actor: George Arliss, por Disraeli

Actriz: Norma Shearer, por The Divorcee e Their Own Desire

Argumento: francês Marion, por The Big House

Fotografia: Joseph T. Rucker e Willard Van Der Veer, por With Byrd at the South Pole

Decoração: Herman Rosse, por The King of Jazz

Som: Douglas Shearer, por The Big House

Óscares:1928/1929


Apresentação: William C. De Mille

Auditório: Coconut Grove do Hotel Ambassador (Los Angeles)

Filme: The Broadway Melody, de Harry Beaumont

Realizador: Frank Lloyd, por The Divine Lady

Actor: Warner Baxter, por In Old Arizona

Actriz: Mary Pickford, por Coquette

Argumento: Hans Kraly, por The Patriot

Fotografia: Clyde De Vinna, por White Shadows in the South Seas

Decoração:Cedric Gibbons, por The Bridge of Sam Luís Rey

Óscares:1927/1928


Apresentação: Douglas Fairbanks e William C. De Mille

Auditório: Blossom Room do Hollywood Roosevelt Hotel (Hollywood)

Filme: Wings, de William A. Wellman

Prémio à qualidade artística de produção: Sunrise, de F.W. Murnau

Realizador de Comédia: Lewis Milestone, por Two Arabian Knights

Realizador de Drama: Frank Borzage, por 7th Heaven

Actor: Emil Jannings, por The Last Command e The Way of All Flesh

Actriz: Janet Gaynor, por 7th Heaven e Street Angel

Argumento Original: Bem Hecht, por Underworld

Argumento Adaptado: Benjamim Glazer, por 7th Heaven

Autor de Títulos: Joseph Farnham, por Telling the World

Fotografia: Charles Rosher e Karl Struss, por Sunrise

Decoração: William Cameron Menzies, por The Dove

Efeitos Especiais de Engenharia: Roy Pomeroy, por Wings

Prémios Especiais: Warner Bros., pela produção de The Jazz, primeiro filme sonoro; e Charles Chaplin pela realização de The Circus.

O Anjo Azul


O filme O Anjo Azul, baseado numa novela de Heinrich Mann, Professor Unrat, foi o primeiro de sete filmes em que Josef von Sternberg e Marlene Dietrich colaboraram entre 1930 e 1935. Este filme catapultou a actriz alemã para o estrelato, tornando-a numa das mais inesquecíveis femmes fatales do cinema.
Em o Anjo Azul, Marlene Dietrich representa Lola Lola, uma estrela de cabaret popular, que canta e representa num cabaret sujo de uma vila pequena, Der Blaue Engel.
Provocantemente vestida, a sereia enfeitiça o respeitável director de uma escola, Immanuel Rath (Emil Jannings), para longe do seu mundo ordenado, seguro e previsível para o mundo dela, bizarro, de mágicos, palhaços e outros actores desfavorecidos. Fascinado e seduzido pela sua aura carismática, o professor envelhecido casa com Lola Lola e troca a sua posição no ensino pela servidão dela. Passados alguns anos, o humilhado Rath, é desiludido pela relação aberta que a sua mulher tem com um jovem.
Meticulosamente iluminado e embelezado pelo guarda-roupa e acessórios extravagantes, os espantosos números de Lola Lola deixam a audiência tão atraída por ela como Rath, que pode ser visto como um substituto para o desejo masoquista do espectador de ser vitima dos encantos destrutivos de Marlene Dietrich. (MOMA)

Origem: Alemanha
Data de estreia: 1 de Janeiro de 1930
Realização:
Josef von Sternberg
Produção: Erich Pommer
Argumento: Robert Liebmann e Josef Von Sternberg
Baseado na novela: Professor Unrat de Heinrich Mann
Fotografia: Gunther Rittau, Hans Schneeberger
Música: Max Steiner
Elenco: Marlene Dietrich (Lola Lola), Emil Jannings (Prof.Immanuel Rath), Kurt Gerron (Kiepert), Rosa Valetti (Guste Kiepert), Hans Albers (Mazeppa).

Charles Chaplin


Charles Spencer Chaplin nasceu a 16 de Abril de 1889, em Londres, e faleceu a 25 de Dezembro de 1977, em Vevey, na Suíça. Filho de artistas do vaudeville, viveu uma infância humilde, marcada pelo abandono do lar por parte do pai alcoólico.
Aos 5 anos, já participava em espectáculos, cantando e dançando nas ruas da capital inglesa ao lado do seu irmão Sydney. Depois duma breve passagem por um orfanato, junta-se a uma companhia infantil de teatro. Mais tarde, por influência de seu irmão Sidney, é contratado pela Companhia Teatral de Fred Karno, onde permaneceu até 1912, alcançando algum prestígio a nível interno.
Em 1912, durante uma digressão aos Estados Unidos, onde actuou ao lado de Stan Laurel, chamou a atenção do produtor cinematográfico Mack Sennett, patrão do Keystone Studios. Após uma difícil negociação, estrear-se-ia- em 1914 com uma prestação secundária em Making a Living (1914). Neste mesmo ano, participou em 35 filmes da Keystone e cada participação fez crescer a sua cotação como actor.
Em Mabel's Strange Predicament (A Estranha Aventura de Mabel, 1914), desempenhou pela primeira vez a personagem que o imortalizaria aos olhos de milhões de cinéfilos: Charlot, o vagabundo com o chapéu de coco, calças largas e bengala em constante movimento que numa sucessão de gags cómicos procura libertar-se de forma pouco ortodoxa de inúmeras situações desfavoráveis, ora pontapeando agentes da lei, ora cortejando belas mulheres. O facto de os espectadores se identificarem com as peripécias de Charlot ajudou ao retumbante êxito da personagem que surgiria novamente em The Masquerader (Charlot Faz de Vedeta, 1914), Laughing Gas (Charlot Dentista, 1914),The Rounders (Que Noite!, 1914) e Mabel's Busy Day (Charlot e as Salsichas, 1914).
Começou também a dirigir as suas próprias curtas-metragens, iniciando essa nova faceta com Making a Living (1914). Após mais um sucesso com The Tramp (Charlot Vagabundo, 1915), Chaplin recebeu um contrato milionário da First National Studios com uma cláusula irrecusável: a de manter o controlo absoluto da criação artística dos filmes que interpretava e dirigia. Dando asas a toda a sua imaginação e talento, somou êxitos em cadeia, dos quais se destacou o célebre The Kid (O Garoto de Charlot, 1921).
No início dos loucos anos 20, era o comediante mais bem pago de Hollywood, facto que o levou a enveredar por uma nova aventura: juntamente com o realizador D.W.Griffith e os actores Douglas Fairbanks e Mary Pickford, fundou a United Artists que em breve se tornou numa das produtoras de maior sucesso do Mundo. Nesta tripla faceta de actor-realizador-produtor, continuou a maravilhar os espectadores, imortalizando cenas clássicas como a de comer atacadores dos sapatos cozidos, em Gold Rush (A Quimera do Ouro, 1925).
Em 1928, ainda a Academia dava os seus primeiros passos, já Chaplin recebia nomeações para 2 Óscares como Actor e Realizador em The Circus (O Circo, 1928). O seu último filme mudo foi o inesquecível Modern Times (Tempos Modernos, 1936) onde caricaturou de forma genial o sistema industrial. No seu filme seguinte, fez uma brilhante sátira a Adolf Hitler e ao regime nazi em The Great Dictator (O Grande Ditador, 1940), mas o filme não caiu bem entre a sociedade conservadora norte-americana, encabeçada pelo magnata da imprensa William Randolph Hearst que procurou ridicularizar a película.
No entanto, a sua interpretação de Adenoid Hinkel, Ditador da Tomânia, permitiu a Chaplin ser nomeado para o Óscar de Melhor Actor. A partir daí, a carreira de Chaplin começou a ressentir-se duma constante publicidade negativa, devido a divórcios litigiosos, acusações de adultério e vários processos de paternidade. Para agravar a situação, veio o estrondoso falhanço comercial de Monsieur Verdoux (O Barba Azul, 1947), uma comédia negra demasiado avançada para a época sobre um homem que se casa constantemente, assassinando em seguida as suas esposas para beneficiar das respectivas heranças.
Em 1952, o senador McCarthy acusou-o de simpatias comunistas e recusou-lhe o visto de entrada nos EUA, obrigando Chaplin a refugiar-se na Suíça. Foi na Europa que Chaplin promoveu o seu filme seguinte, o brilhante drama Limelight (Luzes da Ribalta, 1952) sobre um palhaço decadente que se apaixona por uma jovem bailarina.
Neste filme, salientou-se a magistral banda sonora (da autoria de Chaplin que lhe valeu um Óscar em 1972, ano em que o filme foi lançado comercialmente em Hollywood), o sketch cómico-musical com Buster Keaton e uma breve aparição de Geraldine Chaplin, sua filha e que viria também a tornar-se actriz de créditos firmados.
Chaplin ainda realizaria mais dois filmes: A King in New York (Um Rei em Nova Iorque, 1957), que passou quase despercebido, e A Countess From Hong-Kong (A Condessa de Hong-Kong, 1967), uma comédia romântica que, apesar de protagonizada por Marlon Brando e Sophia Loren, foi um fiasco de bilheteira.
Em 1972, aos 83 anos, recebeu finalmente permissão para entrar nos Estados Unidos e foi aplaudido entusiasticamente de pé durante dez minutos por uma plateia em êxtase quando recebeu um Óscar Honorário pelo seu contributo à arte cinematográfica.

Óscares


Entre hoje e o dia 24 de Fevereiro, dia da entrega dos Óscares, este blogue irá publicar, 3 postes diários, todos os vencedores dos Óscares, desde do longínquo ano de 1928 até aos nossos dias.
Será também publicada uma biografia de uma personalidade do cinema correspondente à época e um texto sobre um filme, estreado nesses anos mas que não ganhou ou não concorreu aos Óscares. O filme apresentado, é um filme que vi e que na minha perspectiva ficou de uma maneira ou outra no sub inconsciente colectivo.
Espero fazer um bom trabalho e espero que gostem.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Óscares 2008: Os nomeados são...

Os filmes “Este país não é para velhos” e “Haverá Sangue” são os principais rivais, com oito nomeações cada, na disputa dos Óscares, anunciou hoje a Academia norte-americana de Artes e Ciências Cinematográficas.
Entre as nomeações que os dois filmes recolheram contam-se, por exemplo, melhor realização, filme, fotografia e montagem.
Para melhor realizador estão nomeados Paul Thomas Anderson (“Haverá Sangue”), Ethan e Joel Coen (“Este país não é para velhos”), Tony Gilroy (“Michael Clayton”), Jason Reitman (“Juno”) e Julian Schnabel (“O escafandro e a borboleta”).
“Expiação”, “Juno”, “Michael Clayton”, “Este país nao é para velhos” e “Haverá Sangue” competem pelo Óscar de melhor filme.
“Expiação”, filme de Joe Wright, segue com sete nomeações, mas nas principais categorias apenas está nomeado para melhor filme, com os actores Keira Knightley e James Avoy a serem excluídos na interpretação.
Destaque para a dupla nomeação da australiana Cate Blanchett como protagonista de “Elizabeth: a idade de ouro” e na categoria de actriz secundária no papel de Bob Dylan, em “I´m not there”.
George Clooney, Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Viggo Mortensen e Johnny Depp irão disputar a estatueta para melhor actor principal.
O espanhol Javier Bardem, que venceu um Globo de Ouro pelo papel de um assassino no filme dos irmãos Coen, está nomeado para um Óscar de melhor actor secundário ao lado de Casey Affleck, Philip Seymour Hoffman, Hal Holbrook e Tom Wilkinson.
Na categoria de melhor documentário, dominam os filmes sobre a guerra no Iraque “No End in Sight”, “Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience” e “Taxi to the Dark Side”, aos quais se juntam “Sicko” e “War/Dance”.
Para melhor filme de animação a decisão será tomada entre “Persépolis”, “Ratatui” e “Surf´s Up”.
A 80/a edição dos Óscares está marcada para 24 de Fevereiro no Kodak Theatre, em Los Angeles e será conduzida pelo comediante Jon Stewart.
A produção garante a realização da cerimónia, embora paire a ameaça de cancelamento por causa da greve dos argumentistas de Hollywood, que dura desde Novembro.
Resta saber se os artistas nomeados irão ou não solidarizar-se novamente com os argumentistas.
A lista dos nomeados nas principais categorias:

Melhor filme:
“Expiação” - Joe Wright
“Juno” - Jason Reitman
“Michael Clayton” - Tony Gilroy
“Este país nao é para velhos” - Ethan e Joel Coen
“Haverá Sangue” - Paul Thomas Anderson

Melhor Actor:

George Clooney - “Michael Clayton”
Daniel Day-Lewis - “Haverá Sangue”
Tommy Lee Jones - “No vale de Elah”
Viggo Mortensen - “Promessas Perigosas”
Johnny Depp - “Swenney Todd: o terrível barbeiro de Fleet Street”

Melhor Actriz:

Cate Blanchett - “Elizabeth: a idade de ouro”
Julie Christie - “Away From Her”.
Marion Cotillard - « La Vie En Rose »
Laura Linney - “The Savages”
Ellen Page - “Juno”

Melhor Actor Secundário:

Casey Affleck - “O assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford”
Javier Bardem - “Este país não é para velhos”
Philip Seymour Hoffman - “Jogos de poder”
Hal Holbrook - “O lado selvagem”
Tom Wilkinson - “Michael Clayton”

Melhor Actriz Secundária:

Cate Blanchett - “I‘m Not There”
Ruby Dee - “Gangster americano”
Saoirse Ronan - “Expiação”
Amy Ryan - “Vista pela última vez”
Tilda Swinton - “Michael Clayton”

Melhor Documentário:

“No End in Sight” - Charles Ferguson e Audrey Marrs
“Operation Homecoming: Writing the Wartime Experience” - Richard E. Robbins
“Sicko” - Michael Moore e Meghan O‘Hara
“Taxi to the Dark Side” - Alex Gibney e Eva Orner
“War/Dance” - Andrea Nix Fine e Sean Fine

Melhor filme estrangeiro:

“12” - Nikita Mikhalkov (Rússia)
“Beaufort” - Joseph Cedar (Israel)
“The Counterfeiters” - Stefan Ruzowitzky (Áustria)
“Katyn” - Andrzej Wajda (Polónia)
“Mongol” - Sergei Bodrov (Casaquistão)

Melhor filme de animação:

“Persépolis” - Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
“Ratatui” - Brad Bird
“Surf‘s Up” - Ash Brannon e Chris Buck

segunda-feira, janeiro 21, 2008

quinta-feira, janeiro 10, 2008

GOSTAVA DE ESCREVER UMAS COISAS!


A maioria dos blogues começou com a necessidade de escrever umas coisas.
Este também.
Depois tinha uns amigos, que também gostavam de escrever umas coisas.
Parece que ainda tem.
Diz a barra direita deste sítio, que este blogue é colectivo.
De colectivo tem pouco, digamos, quase nada.
Por outro lado, pode na realidade ser colectivo e eu não compreender o conceito de colectivo.
Também, nunca compreendi o Jean Paul Sartre e não deixo de ser o homem que sou.
Mas penso que para ser um blogue colectivo, tem que ser mais que uma pessoa a escrever.
Parece-me, que colectivo deveria ser plural.
Porém, Fernando Pessoa é único e plural.
Com a pluralidade que existe, posso estar enganado.
Apesar de ter a certeza que o Filipe não é Sá Carneiro, o Mário e o Gaspar não é Camus.
No entanto, eu compreendo, apesar de poder estar equivocado, a hibernação.
Ou provavelmente não!

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Bom Ano.

Desejo a todos um Ano 2008 repleto de saúde, amor, alegria e muita paz.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Pinto da Costa


Odiado pela esmagadora maioria dos benfiquistas e dos sportinguistas, é o líder incontestado e idolatrado dos sócios e simpatizantes do FC Porto: Jorge Nuno Pinto da Costa, o "Presidente", o "Grande Líder" ou o "Papa", como é apelidado. Provocador, zombeteiro, frontal, corrupto, génio, sarcástico, malabarista, cáustico, arguto, perspicaz, reservado, intriguista, repentista, irónico, brilhante, os adjectivos para caracterizar Pinto da Costa, esgotaram-se desde de há muito tempo. Já foi acusado de tudo e já acusou toda a gente de tudo. Já foi gozado e já foi elogiado na televisão, tanto pelos adeptos portistas como pelos rivais. Já inspirou caricaturas de todos os tipos, mas também tem fama de caricaturar todas as pessoas com quem se cruza. Mas acima de tudo, tirou um clube pequeno do anonimato, e levou-o à alta-roda do futebol mundial. Quase 26 anos depois de ser eleito presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa acumula títulos, paixões e ódios, como ninguém antes dele. Com Pinto da Costa, o FC Porto ganhou todas as competições em que entrou, pelo menos uma vez, excepto a Taça das Taças e ganhou muito: 1 vez a Taça dos Campeões Europeus e uma outra vez a Liga dos Campeões. Uma Supertaça europeia e uma Taça UEFA. Duas vezes a Taça Intercontinental. A nível nacional, em 25 anos ganhou, por 15 vezes o Campeonato Nacional, 9 taças de Portugal e 14 Supertaças Cândido de Oliveira. Nos anos de presidência de Pinto da Costa, o FC Porto ganhou, ainda, centenas de títulos em outras modalidades mas a lista é demasiado extensa para caber neste artigo.
Os títulos falam por si, mas em verdade se diga, Pinto da Costa, é o melhor presidente de sempre num clube de futebol, em Portugal. Faz hoje setenta anos, desejo-lhe muitos anos de vida, se possível longe do dirigismo desportivo e do “seu” FC Porto.
Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa nasceu na cidade do Porto a 28 de Dezembro de 1937, no seio de uma tradicional família da burguesia nortenha. Filho de José Alexandrino Teixeira da Costa e Maria Elisa Bessa Lima de Amorim Pinto, tem mais quatro irmãos. Marcado por uma severa educação matriarcal, o menino Jorge Nuno fez a escola primária no colégio Almeida Garrett, tendo simultaneamente aulas particulares de Inglês e Francês. Aos 10 anos vai estudar para o Colégio Jesuíta das Caldinhas, em Santo Tirso.
É por influência do tio Armando Pinto, entusiasta de futebol que fora presidente do Famalicão, que Jorge Nuno Pinto da Costa começa a interessar-se por futebol. Tinha 14 anos quando, no dia 28 de Maio de 1952, pela mão do tio, assistiu à pomposa cerimónia de inauguração do Estádio das Antas.
Desde então não mais se desligou do clube, nem mesmo quando se encontrava longe do Porto, procurando sempre que possível ouvir o relato das partidas. Quando completa 16 anos, em Dezembro de 1953, a avó materna inscreve-o como sócio do FC Porto.
Após terminar os estudos secundários, Pinto da Costa começou a trabalhar como bancário, no Banco Português do Atlântico. Com cerca de 20 anos, é convidado pelo responsável pela secção de hóquei em patins para ocupar o lugar de vogal, e aceita. Em 1962 passaria a chefe de secção, cargo que viria a acumular com o de chefe da secção de hóquei em campo. Em 1967 passa a ser também chefe da secção de boxe, onde conhece Reinaldo Teles, na altura atleta da modalidade.
Entretanto abandona o Banco onde trabalhava e nos anos seguintes passou por várias empresas, como vendedor, chefe de vendas e empresário, e pelo ramo imobiliário.
Em 1969, é convidado por Afonso Pinto de Magalhães a integrar a sua lista para as eleições desse ano como director das modalidades amadoras. Assim, Pinto da Costa assume pela primeira vez um cargo eleito no FC Porto, de 1969 a 1971. No final desse período, apesar de ter sido convidado por Américo de Sá a candidatar-se com ele, recusou o convite por considerar que o novo candidato deveria apresentar-se às urnas com uma lista totalmente renovada.
Em Maio de 1976, é eleito dirigente na lista de Américo de Sá, tornando-se chefe do departamento de futebol. Pinto da Costa iniciou a sua carreira como director desportivo de forma polémica, trazendo para o FCP o treinador José Maria Pedroto, que fora afastado do clube e proibido de entrar nas suas instalações. Assumiu, desde o início, a postura que o tornou célebre, com as declarações polémicas que ainda hoje mantém. Alterou a organização do clube e a forma de relacionamento com os jogadores.
É com Américo de Sá como presidente, Pinto da Costa como director do futebol e Pedroto como treinador que o FC Porto consegue, ser campeão nacional na época de 1977-78, quebrando um jejum de 19 anos sem vencer um campeonato nacional. Na época seguinte, o FC Porto tornar-se-ia bi-campeão de Portugal. Apesar disso, Pinto da Costa e Pedroto acabam por abandonar o FC Porto em 1980, no chamado "Verão quente" portista.

Em Dezembro de 1981 as coisas corriam mal ao FC Porto, parecia estar de volta o tempo antes de Pinto da Costa ter sido chefe do departamento do futebol e é então que um grupo de sócios se une com o objectivo de convencer Pinto da Costa a candidatar-se à presidência do clube. Relutante em assumir a liderança, o antigo chefe do departamento de futebol na série de dois títulos consecutivos, aceita finalmente ser candidato. Com o slogan, “se quer um FC Porto forte em Portugal e na Europa vota na Lista B – Jorge Nuno Pinto da Costa” e com uma agressiva campanha eleitoral com sessões de esclarecimento de sala cheia na cidade do Porto e nos arredores, que levou o outro concorrente, Afonso Pinto de Magalhães, a desistir a poucos dias das eleições, Jorge Nuno Pinto da Costa vence as eleições de 17 de Abril de 1982, tornando-se o 33º presidente do FC Porto.
A 23 de Abril de 1982, as ruas do Porto enchem-se para festejar a tomada de posse do novo presidente do Futebol Clube do Porto. Do FC Porto de então dizia-se que sofria do «complexo da Ponte da Arrábida», que começava a perder logo que atravessava a ponte. No discurso de tomada de posse, Pinto da Costa deu o mote, para a sua longa presidência: «Lisboa não pode continuar a colonizar o resto do País. O desejo deles é que o FC Porto desça de divisão». A talvez sua frase mais famosa, traduz claramente a profunda rivalidade, quase insana, entre por um lado Benfica e Sporting, e do outro lado, o FC Porto.
No prosseguimento da sua “descolonização”, para que não fosse apenas Lisboa a ter o prestígio desportivo, Pinto da Costa trava em 1983, uma batalha para que a final da Taça de Portugal fosse, nesse ano, no Estádio das Antas. “Ou a final é no Estadia das Antas ou não há Final”. Foi e o Benfica ganhou a final à equipa da casa, por 1-0, com uma "bomba" de Carlos Manuel.
Aquando da sua eleição, Pinto da Costa prometera uma final europeia: cumpriu a promessa em Basileia a 16 de Maio de 1984. No entanto, o FC Porto, perderia essa final das Taças das Taças, para a Juventus. Devido à doença de Pedroto, que já não tinha orientado a equipa nos últimos meses da época 1983/84, incluindo a final da Taça das Taças, Pinto da Costa vê-se na obrigação de contratar outro treinador. Desta vez, contrata Artur Jorge, que conquistaria os primeiros campeonatos do reinado Pinto da Costa em 1985 e 1986 e partiria à conquista da Europa.
Em 1987, Pinto da Costa assistiu finalmente à primeira vitória do seu clube na Taça dos Campeões Europeus. Em 27 de Maio de 1987, no estádio Prater de Viena, o FC Porto vence Taça dos Campeões Europeus em futebol, batendo na final o poderoso Bayern Munique por 2-1. A 13 de Dezembro desse mesmo ano, em Tóquio, o FC Porto, ganha a Taça Intercontinental, ao derrotar o campeão Sul-americano, o Peñarol por 2-1. Um mês depois, a 13 de Janeiro de 1988 o FC Porto conquista a Supertaça Europeia vencendo no Estádio das Antas, o Ajax por 1-0, depois de já ter vencido na primeira-mão, em Amesterdão, por 1-0.
“ Pinto da Costa foi a pessoa que conseguiu acabar com aquele medo de passar a ponte para Sul, ele viu longe e não se limitou a querer ser campeão de Portugal, mas a ser um clube europeu e mundial e conseguiu-o”.
A 9 de Março de 1994 o então Ministro das Finanças, Eduardo Catroga, com o argumento que FC Porto tinha dívidas à Segurança Social e ao Fisco, manda penhorar diversos bens, entre os quais, a retrete da cabine do árbitro do Estádio das Antas. A 25 de Março, no decorrer de uma Assembleia-geral do FC Porto, Pinto da Costa, disparou “Acabem-se as eleições com partidos e votemos em chefes de finanças”. O resultado desta aventura de Eduardo Catroga, nunca chegou a ser conhecido pelo grande público.
A 22 de Maio 1999, O FC Porto, conquista o penta-campeonato, sob orientação de Fernando Santos, que concluiu o trabalho iniciado por Bobby Robson, 94/95 e 95/96, e António Oliveira, 96/97 e 97/98. Na sucessão de títulos, O FC Porto conseguiu com Pinto da Costa à frente dos destinos do clube, dois feitos inéditos no clube: o “tri” e o “penta”. Os cinco títulos consecutivos são uma façanha exclusiva do FC Porto, na história da Primeira Divisão do futebol português.
Como presidente, confirmou a sua perspicácia para nomear treinadores, ao chamar em Janeiro de 2001, José Mourinho, um treinador sem currículo nenhum, para treinar a equipa do FC Porto. Com Mourinho à frente da equipa, Pinto da Costa teria mais algumas alegrias: Em 21 de Maio de 2003, o FC Porto conquista a Taça UEFA, em Sevilha, batendo o Celtic de Glasgow no prolongamento por 3-2. No ano seguinte, a 26 de Maio de 2004, o FC Porto conquista a Liga dos Campeões batendo na final, em Gelsenkirchen, o Mónaco por 3-0. Os resultados ficaram na história. Os elogios ao treinador também ficaram registados. “Mourinho é o grande obreiro desta equipa”, disse Pinto da Costa em declarações à TSF.
No dia em que comemorou 21 anos à frente do FC Porto, Pinto da Costa realizou o sonho de uma vida: ser recebido pelo Papa. A 23 de Abril de 2003, João Paulo II, no discurso feito no Vaticano, falou em português e referiu-se especificamente ao FCPorto.
"Foi um momento inesquecível. Senti um grande orgulho e felicidade quando tive oportunidade de lhe beijar o anel. Foi um grande orgulho ouvi-lo falar em português e referir-se ao nosso clube", disse, na altura, Pinto da Costa.
A 12 Dezembro de 2004, já com o espanhol Victor Fernandez como treinador, o F.C. Porto vence a Taça Intercontinental, batendo os colombianos do Once Caldas na marcação de grandes penalidades, depois de um empate a zero.
Entretanto, tinha sido inaugurado, em 5 de Agosto 2002, o Centro de Treinos do Olival, um projecto financiado pela Fundação Porto/Gaia, que inclui o F.C. Porto e a Câmara Municipal de Gaia e a 16 de Novembro de 2003, o novo e moderno recinto desportivo do clube: O Estádio do Dragão.
A 20 de Abril de 2004, a Polícia Judiciária, através da Directoria do Porto, desencadeou, uma vasta acção policial, destinadas a verificar a existência de comportamentos ilícitos, susceptíveis de alterarem a verdade e lealdade na competição desportiva e os seus resultados. A esta operação foi dada o nome de “Apito Dourado”.
No decurso da complexa operação, a Polícia Judiciária procedeu à detenção de 16 pessoas, dirigentes desportivos e árbitros, incluindo o presidente da Liga de clubes e da Câmara Municipal de Gondomar, Valentim Loureiro, o líder da arbitragem da FPF, Pinto de Sousa, e o presidente do Gondomar SC e vice-presidente da Câmara de Gondomar, José Luís Oliveira.
A 2 de Dezembro de 2004, a Polícia Judiciária desloca-se a casa de Pinto da Costa, com mandados de busca e detenção, mas não encontra o Presidente do FC Porto. O árbitro Jacinto Paixão é detido no âmbito da investigação de um alegado esquema com prostitutas após o jogo FC Porto – E. Amadora, bem como Augusto Duarte, José Chilrito e Manuel Quadrado e o empresário António Araújo. No dia seguinte, Pinto da Costa comparece no Tribunal de Gondomar. Os interrogatórios são adiados quatro dias e a 7 de Dezembro o presidente portista é interrogado, saindo em liberdade mediante uma caução de 200 mil euros. Em 31 de Janeiro de 2006, o Ministério Público acusa 27 arguidos no processo de Gondomar, incluindo Valentim Loureiro, José Oliveira e Pinto de Sousa, extraindo 81 certidões que são remetidas a diversas comarcas.
A 1 de Dezembro de 2006, é publicado o livro "Eu, Carolina", da autoria da ex-companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado, que volta a trazer para as primeiras páginas dos jornais o processo «Apito Dourado», ao revelar várias acusações.
Logo de seguida, a 14 de Dezembro, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, nomeia Maria José Morgado como coordenadora do caso «Apito Dourado», com poderes para reabrir processos. A 16 de Janeiro de 2007, Maria José Morgado assina despacho onde reabre oficialmente os processos conexos ao de Gondomar, justificando a decisão com as declarações de Carolina Salgado.
A 22 de Junho de 2007, Pinto da Costa é acusado de corrupção desportiva activa, no Nacional -Benfica da época 2003/04, depois de ter sido constituído arguido nos casos dos jogos FC Porto - E. Amadora e Beira Mar-FC Porto.
Em 2005 publicou a sua autobiografia, “Largos Dias Têm Cem Anos”, com prefácio de Lennart Johansson, presidente da UEFA entre 1990 e 2007, onde este afirma que “O mapa do futebol português foi virado de pernas para o ar. O domínio dos clubes lisboetas foi apagado”.
Disse um dia Francisco Lucas Pires, um grande benfiquista, que o único dirigente desportivo com direito a biografia seria Jorge Nuno Pinto da Costa. Apesar de não ser a biografia oficial, já tem desde de Maio de 2007, “PINTO DA COSTA - Luzes e Sombras de um Dragão”, escrita a quatro mãos, por Felícia Cabrita e Ana Sofia Fonseca.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Benazir Bhutto


Ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, morreu hoje na sequência dos ferimentos que sofreu num atentado suicida na cidade de Rawalpindi. A líder da oposição paquistanesa foi ainda hospitalizada em estado grave mas acabou por não resistir aos ferimentos. O ataque suicida ocorreu num encontro político de apoio a Benazir Buttho e fez pelo menos 20 mortos.
De acordo com a estação de televisão britânica Sky News, Benazir Bhutto foi baleada no peito e no pescoço já depois da explosão, no momento em que fugia do local do atentado e se dirigia para a sua viatura.
O porta-voz do Ministério do Interior paquistanês, Javed Cheema, confirmou a morte de Benazir Bhutto e tinha anteriormente dado a indicação de que a explosão registada no comício de apoio à ex-primeira-ministra tinha sido provocada por bombista suicida.
O ataque acontece a duas semanas da realização das eleições legislativas e teve como alvo a ex-primeira-ministra paquistanesa e candidata ao escrutínio.
Benazir Bhutto era considerada uma das principais líderes da oposição ao Presidente Pervez Musharraf. Há apenas dois meses e precisamente quando regressou ao seu país após quase nove anos de exílio, a comitiva onde seguia sofreu um violento atentado que causou mais de uma centena de mortos.
Nascida em 21 de Junho de 1953 na província de Sindh, no seio de uma família abastada, Benazir é educada em Harvard e em Oxford, no Reino Unido, onde estudou Ciências Políticas e Filosofia. Inicialmente relutante em iniciar-se na política, ganha credibilidade com o apelido Bhutto. A família Bhutto é uma das dinastias políticas mais conhecidas do Mundo, tal quanto a Nehru-Gandhi, na Índia.
Em 1973, o país é convertido em República Federal e Zulfikar Alí Bhutto, pai de Benazir, é nomeado primeiro-ministro – o primeiro do país. É um dos poucos líderes que, desde a independência em 1947, gere os destinos da nação sem o cunho do poder militar. É, porém, destituído quatro anos depois pelo general Mohammad Zía ul-Haq, que islamiza o país e impõe fortes medias repressoras.
Em 1979, Zulfikar Alí Bhutto é executado. Toda a família é detida. Benazir passa os cinco anos seguintes numa cela solitária, no deserto. A mais velha de quatro irmãos, Benazir reunira em si as expectativas paternas de seguir uma carreira política. Ainda detida, em 1984 e uma infecção no ouvido vale-lhe a autorização para deslocar-se a Londres. Aí se exila e inicia a luta anti-general Zía até 86, quando regressa ao Paquistão. O país recebe-a de “braços abertos”, aclamando-a e tornando-a no símbolo da luta “anti-Zía”.
Zía Ul-Haq morre em 1988, na explosão do avião em que seguia, permitindo ao Paquistão o regresso à democracia. É então que entra em cena Benazir, já líder do Partido do Povo do Paquistão (PPP), fundado pelo pai: nomeada primeira-ministra, é a primeira mulher da História a tornar-se governante de uma nação islâmica. Casada com Asif Ali Zardari – homem de família humilde escolhido pela mãe de Benazir para seu noivo – é acusada de abuso de poder e de corrupção.
Em 1990 é destituída, seguindo-lhe Nawaz Sharif no cargo. As mesmas acusações destituem-no, porém, em 1993. Benazir regressa ao poder, agora sob acusações de arrogância e de despotismo. Acumula os cargos de primeira-ministra e ministra das Finanças. Em 1996 volta a ser destituída por alegações de corrupção e em 1999 é condenada a cinco anos de prisão.Desde então, Benazir viveu fora do país, exilada no Dubai, sempre com a sombra das acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Sharif volta ao poder com a vitória eleitoral da Liga Muçulmana do Paquistão. É destituído com um golpe de Estado pelo chefe do Exército, o general Pervez Musharraf, que se auto - proclama Presidente em 2001. No ano seguinte, um referendo – qualificado de farsa pela oposição – legitima-o no cargo.
Exilada, Benazir visitou regularmente as capitais ocidentais, para encontros com governantes e conferências em universidades. A 18 de Outubro, chega a Carachi com promessas de devolver ao país a democracia, apostada num acordo de partilha de poder com o Presidente. Muitos falaram, porém, numa trama para ganhar imunidade nos tribunais, em troca de apoio político a Musharraf. (SIC ON-LINE).

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Vladimir Putin


O presidente russo, Vladimir Putin, foi designado personalidade do ano 2007 pela "Time". Putin "impôs a estabilidade a um país que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", explicou a revista para justificar a escolha. Num artigo com o título "escolher a ordem antes da liberdade", a revista lembra que "ser a personalidade do ano da “Time” não é, nem nunca foi uma honra". "Não é um apoio, não é um concurso de popularidade", sublinhou a revista que pretende, com estas escolhas, designar as pessoas que desempenharam um papel preponderante na cena internacional.
"Putin não é um escuteiro. Não é um democrata, de acordo com os critérios do Ocidente. Não é um modelo da liberdade de expressão", acrescentou. Este reconhecimento é atribuído ao chefe de Estado russo por ter remodelado um país que tinha "desaparecido do nosso mapa mental", sublinhou um dos chefes de redacção Richard Stengel.
"Com o sacrifício de princípios e valores que uma nação livre estima, Putin realizou, enquanto dirigente, uma proeza extraordinária, impôs a estabilidade a uma nação que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", acrescentou Stengel. "Por estas razões, Vladimir Putin é o homem do ano 2007 da “Time", concluiu.
Putin foi escolhido em detrimento do Nobel da Paz Al Gore, considerado pelo cantor Bono a consciência ambiental da América; da autora das aventuras de Harry Potter J.K.Rowling; do Presidente da China Hu Jintao, que conjuga a sabedoria ancestral e a doutrina comunista, e do comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general David Petraeus.
A "Time" recorre habitualmente à provocação quando escolhe a "pessoa do ano". Entre os anteriores "eleitos" contam-se Adolf Hitler, Joseph Estaline, ou o presidente norte-americano George W. Bush em 2004, um ano depois da invasão do Iraque. O antigo dirigente iraniano, o ayatollah Khomeini, foi escolhido em 1979, ano do fim do regime do Xá da Pérsia.(LUSA).
Vladimir Vladimirovich Putin, nasceu a 7 de Outubro de 1952, em Leninegrado (mais tarde S. Petersburgo), na Rússia.
Filho único, Putin cresceu junto da mãe e do pai, trabalhador fabril e veterano da Segunda Guerra Mundial, num apartamento comunal que dividia com diversas famílias. Em criança estudou artes marciais, e aos 16 anos era já especialista em sambo, uma combinação Russa de judo e luta livre.
Por volta desta idade, Putin foi escolhido para estudar na Escola de Leninegrado Nº 281, um colégio – preparatório para os melhores estudantes da cidade. Em 1970, entrou para a prestigiada Universidade do Estado de Leninegrado, onde se formou em lei civil, continuando a aperfeiçoar as suas técnicas de artes marciais. Foi campeão de Leninegrado em Judo em 1974, e um ano mais tarde terminou o curso universitário com distinção. Após terminado o curso, Putin foi recrutado pelo KGB, o serviço de segurança da União Soviética, liderado então por Yuri Andropov, um fanático da disciplina e mais tarde, durante um breve período, líder da União Soviética em 1983. Após os estudos de espionagem e política externa em Moscovo, onde aprendeu Alemão e recebeu o cinturão negro de judo, Putin começou trabalhar em contra - inteligência, juntando - se mais tarde ao Primeiro Directório do KGB como agente de inteligência internacional.
Em 1985, o KGB enviou Putin para a Alemanha Democrata, onde residiu na cidade de Dresden sob nome falso e com um emprego fictício como chefe da denominada associação de amizade Germano-Soviética. A natureza exacta do seu trabalho na RDA continua motivo de debate; as suas funções principais incluíam, certamente, actividades de espionagem sobre uma série de nações pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), recrutamento de informadores e agentes e recolha e análise de dados para envio para Moscovo. Durante a sua permanência na Alemanha dividida, Putin ficou exposto a uma série de ideias Ocidentais, tanto económicas como políticas, que iriam mais tarde ter um papel fundamental na sua carreira pós-KGB.
Com a subida ao poder de Mikhail Gorbatchev e da sua "perestroika", que viria a ter um papel fundamental no colapso do Comunismo na Europa de Leste no final da década de 80, o trabalho de Putin na Alemanha de Leste foi interrompido de forma abrupta. Voltou a Moscovo em 1990, após a queda do Muro de Berlim e da reunificação da Alemanha, como um dos agentes mais condecorados do KGB. A agência recompensou-o com um posto administrativo na sua alma mater, A Universidade do Estado De Leninegrado, que lhe serviu de cobertura para continuar o seu trabalho como agente secreto.
Pouco depois, Putin encontrou o seu ex-professor, Anatoly Sobchak, que já era então presidente do concelho da cidade e um dos líderes do movimento democrata Russo. Atraído pela política, Putin abandonou o KGB para se tornar um dos principais assessores de Sobchak. Após a vitória de Sobchak nas eleições para a presidência da câmara da rebaptizada S. Petersburgo em 1991, Putin foi nomeado vice-presidente da câmara. Além de gerir as actividades diárias de S. Petersburgo, Putin era também responsável pela abertura da cidade a uma série de investimentos estrangeiros, incluindo às grandes companhias como o Credit Lyonnais, Coca-Cola e a NEC, o gigante Japonês de material electrónico.
Em 1996, Sobchak foi derrotado na sua campanha para a reeleição; Putin abandonaria o governo da cidade em lealdade com o seu velho professor. Apesar de Sobchak ter sido acusado de corrupção oficial após ter abandonado a câmara, Putin permaneceu virtualmente intocado pelas alegações. Recebeu em 1997 um convite para o Kremlin, como assessor de Pavel Borodin, o líder do poderoso departamento de propriedades do Kremlin, em Moscovo.
O ex-agente do KGB subiu as escadarias do poder dentro do Kremlin de forma rápida e eficaz: em 1998, o então Presidente Boris Yeltsin apontou Putin para a chefia do Serviço Federal de Segurança, o sucessor doméstico do KGB. Em Agosto de 1999, altura em que o conflito na República da Chechénia começou a entrar na fase mais dramática, Yeltsin nomeou Putin, então com 47 anos, primeiro-ministro (o último de uma série de políticos que Yeltsin apontou sucessivamente para este posto).
De início, poucos consideraram que Putin, como sucessor designado do próprio Yeltsin, viesse a revelar – se um candidato viável para a presidência da Rússia. Mas o pulso forte do novo primeiro-ministro, quer nos assuntos domésticos como internacionais, especialmente a sua atitude de dureza contra os rebeldes Chechenos garantiram-lhe o apoio da população e a reputação de mais popular político Russo.
A 31 de Dezembro de 1999, Yeltsin resignou da presidência do país, seis meses antes do termo do seu mandato. Num acto claramente desenhado para atrair o máximo da atenção internacional, apontou Putin para a presidência da Rússia, anunciando que "a Rússia deve entrar no novo milénio com novos políticos, novas personalidades e com um novo povo, mais inteligente, forte e energético". Se o verdadeiro programa de Putin para a Rússia permaneceu, de início e durante alguns meses, algo obscuro, o novo líder conseguiu contudo aproveitar o apoio popular para garantir a vitória na primeira volta das eleições presidenciais, a 27 de Março de 2000, quando se tornou o segundo presidente da Rússia e o mais jovem líder desde 1922, quando Josef Estaline foi apontado como secretário-geral do Partido Comunista. Nas eleições de 2004, conseguiu mais de 70% dos votos.
Os dois mandatos à frente dos destinos da Rússia, foram marcados por constantes atropelos aos direitos humanos, um controle rígido da imprensa e por uma luta contra as actividades terroristas na Chechénia. Apesar de toda esta repressão, não evitou que a 1 de Setembro de 2004, os terroristas invadissem uma escola em Beslam, e massacrassem 186 crianças. A imprensa internacional, viria a responsabilizar Putin pelo massacre, devido à sua política repressiva na Chechénia. Outro lado negro dos mandatos de Putin, é a eliminação física de todos os que se lhe opõem, sendo de referir neste caso, o assassínio de Anna Politkovskaia e o envenenamento de Alexander Litvinenko, além da eliminação física de outros 12 jornalistas.
Apesar de Putin continuar a ser uma figura algo enigmática, tanto politica como pessoalmente, tem uma alta popularidade na Rússia, onde cerca de 75% dos eleitores, acha que ele deveria cumprir um terceiro mandato á frente dos destinos do país, apesar de ir contra a Constituição. De todas as maneiras, Vladimir Putin, que não pode ser de novo presidente da Rússia, prepara-se para abandonar a presidência, mas não o poder, pois é o mais sério candidato a tornar-se primeiro-ministro da Rússia, depois de ter "nomeado" para seu sucessor, Dmitri Medvedev, para as eleições presidenciais de Março de 2008.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

John Steinbeck


John Steinbeck nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 27 de Fevereiro 1902. De uma família de classe baixa, John Steinbeck testemunhou desde cedo a vida dos trabalhadores urbanos e rurais. Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919, ingressando nesse ano na Universidade de Stanford. Para poder pagar os seus estudos, teve diversas profissões. No entanto, abandonou os estudos universitários em 1925, partindo para Nova Iorque, onde trabalhou como operário da construção civil, pouco tempo antes de conseguir um lugar de repórter no New York American, no intuito de seguir carreira literária. Regressou à Califórnia para ser caseiro de uma propriedade, aceitando trabalhos como servente, aprendiz de pintor ou apanhador de fruta, ocupações que foram indispensáveis à construção de algumas das suas personagens.
O seu primeiro romance, Cup of Gold (1929), uma narrativa histórica sobre um pirata jamaicano, antecedeu aquela que, segundo os críticos, seria a sua década de criação mais produtiva. A um Deus Desconhecido (1933) é o primeiro grande um romance de Steinbeck. Um romance quase místico, que tem por tema central "o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente".
Em 1935, publicou Tortilla Flat, o primeiro sucesso popular, um estudo humorístico da vida dos agricultores de Monterey. Seguiu-se, em 1936, Batalha Incerta, em 1937, Ratos e Homens.
Neste livro John Steinbeck, conta-nos a história de dois amigos inseparáveis, George e Lennie, mas completamente diferentes entre si. George é baixo, franzino e astuto, Lennie é um gigante, com uma força bruta impossível de calcular, mas com a inteligência de uma criança. O que os une é a simples amizade e a marginalização imposta pelo sistema. O livro passa-se numa quinta da Califórnia, onde ambos trabalham como contratados da quinta, ganhando pouco mais que a comida e a dormida. Durante o seu árduo trabalho na quinta, encontram outros pobres e explorados, mas também, outras personagens, o filho do patrão e a sua fogosa mulher, que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Ambos têm o sonho de ter um espaço de terra só para eles, situação que nunca se concretizará. Em Ratos e homens, Steinbeck, demonstrou a sua capacidade de criar personagens realistas e cativantes e também de, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna. Ratos e Homens é um dos primeiros grandes clássicos sobre o doloroso período da Grande Depressão americana.
Em 1939 edita As Vinhas da Ira, livro aclamado pela crítica popular mas que suscitou controvérsia, tendo alguns exemplares sido queimados publicamente como forma de protesto e a obra banida nas bibliotecas públicas do Kansas City e de Oklahoma, enquanto se tornava leitura obrigatória nos colégios de Nova Iorque. A obra foi mais tarde galardoada com os prémios Pullitzer e National Book Award.
As Vinhas da Ira, um dos melhores clássicos da literatura do século XX, dá a conhecer os Joad, uma família rural e pobre do Oklahoma que tenta uma nova vida, tendo por pano de fundo os horrores da Grande Depressão. Esta família vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. Ao seu lado estão milhares de migrantes que se deslocam pelos mesmos motivos, em velhos camiões, em direcção a um futuro incerto. Durante a viagem passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho camião pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.
Na maioria das suas obras, marcadas pela paisagem e o quotidiano californianos, o autor explora as duras condições de vida das populações rurais, obrigadas a sobreviver no limiar da pobreza ou forçadas a longas e miseráveis migrações. Procurando tornar evidente que cada ser humano deve ser analisado no ambiente em que se insere, o autor dedicou-se, sobretudo, ao retrato de personagens inadaptadas. A Leste do Paraíso (1952), adaptado ao cinema por Elia Kazan e protagonizado por James Dean, é um dos melhores exemplos, com homens e mulheres no limite das suas forças, prestes a renunciar aos valores morais que a América proclamava.
Em 1941, publicou Sea of Cortez em colaboração com Edward Ricketts. No ano seguinte, Noite Sem Lua, foi adaptado ao teatro, tendo-se seguido Bombs Away. Em 1943, foi correspondente de guerra do New York Herald Tribune nas frentes de combate da Europa e da África do Norte. Em 1945, publicou Bairro da Lata e A Pérola, em 1947. A Pérola é baseada num conto popular mexicano, conta-nos a história de Kino, e da sua família. Kino um pobre pescador encontrou a maior pérola do mundo, que desperta nele e nas pessoas que vivem numa pequena povoação do litoral mexicano sentimentos e desejos vis. Um livro a ler e a reler.
Em 1948, John Steinbeck foi eleito para a Academia Americana das Artes e das Letras. Em 1950, publicou Burning Bright, adaptado mais tarde, ao teatro. Dois anos depois, colaborou no filme Viva Zapata. Em 1953, o livro Os Náufragos do Autocarro foi incluído na listas dos livros desaconselhados pela comissão Gathings.
De 1954 a 1960, publicou Sweet Thursday, O Breve Reinado de Pepino IV e O Inverno do Nosso Descontentamento. No livro O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck, conta-nos a história de Ethan Hawley, descendente de uma família muito rica mas que ficou na ruína financeira. Ethan foi forçado a aceitar a humilde posição de empregado de balcão num armazém de um emigrante italiano com um passado desconhecido. Ethan fica constantemente dividido entre a sua vontade de ser íntegro e o deslumbramento da riqueza e da glória que tiveram os seus antepassados. John Steinbeck faz-nos penetrar na amargura e na infelicidade de Ethan Hawley, que questiona a sua relação com a mulher, filhos, patrão, clientes e amigos. Ethan começando por apresentar uma moralidade a toda a prova, que se vai transformando gradualmente, acabando por alcançar o sucesso financeiro à custa de golpes de moralidade duvidosa.
Afastando-se dos círculos intelectuais e académicos, John Steinbeck foi frequentemente repudiado na América, principalmente nos últimos anos, não merecendo a atenção de outros autores contemporâneos, como Hemingway ou Faulkner.
Em 1962, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Dois anos depois, recebeu a Medalha da Liberdade dos EUA e em 1966, publicou America and Americans, um conjunto de reflexões sobre a América contemporânea.
Morreu em 20 de Dezembro de 1968, em Nova Iorque.