sexta-feira, abril 11, 2008

Não Sabem o Que Fazer Com o Dinheiro


Uma fotografia de um nu de Carla Bruni, mulher do presidente francês Nicolas Sarkozy e ex-modelo, foi adjudicada quinta-feira na leiloeira Christie's em Nova Iorque a um coleccionador chinês por 91 mil dólares.
A foto a preto e branco do fotógrafo Michel Comte, tirada há 15 anos, representa a jovem mulher numa pose que aparentemente faz referência ao quadro Les Poseuses do pintor francês Georges Seurat (1859-1891), as mãos juntas para dissimular a sua intimidade.
A foto de Carla Bruni-Sarkozy, lote 64, foi disputada entre os pregoeiros por telefone, na internet e na sala. O retrato de Carla Bruni-Sarkozy estava a leilão por quatro mil dólares mas começou logo a ser licitado nos dez mil dólares.(Lusa).
Fico admirado por esta má fotografia, ser arrematada por um valor tão elevado e por um chinês, especialmente por eles terem uma tara, por mulheres com seios fartos. No entanto, não deixa de ser verdade, que os novos-ricos chineses e são realmente muito ricos, não sabem, o que fazer com o dinheiro.

quinta-feira, abril 10, 2008

In An Absolut World


Advertising Agency: TBWA
Copywriters: TERAN/TBWA
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A empresa sueca produtora da Absolut Vodka, foi obrigada a retirar este anúncio da bebida no México, devido à polémica causada pelo mapa, que estende o território mexicano, até aos limites anteriores à guerra com Estados Unidos (1846-1848).
A publicidade da discórdia faz parte da campanha “In an Absolut World”, na qual a companhia convida os consumidores de cada país a distintas visões de um mundo supostamente ideal.
O mapa utilizado, situa sob controle mexicano os actuais estados do Texas, Califórnia, Arizona, Nevada, Utah, Novo México e oeste do Colorado, territórios que o México perdeu para os Estados Unidos com a assinatura do Tratado de Guadalupe Hidalgo, que colocou fim ao conflito entre as duas nações.
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Esta polémica faz-me recordar uma estória que se passou comigo, há uns anos atrás. Estava com um amigo francês, em Phnom Penh, numa reunião com cinco cambojanos, que eu não conhecia mas que o Jean Pierre Sebastia, é este o nome dele, conhecia, pois já tinha tido anteriores contactos.
Durante a reunião, perguntaram-me se eu era francês, ao qual respondi que, não senhor, era português.
Ora bem, pela cara com que ficaram, viu-se que os indivíduos não faziam a mínima ideia o que era ser português e onde ficaria esse país chamado Portugal.
O meu amigo, que tem uma veia de comediante, lá lhes explicou, que Portugal era uma região de França, banhada pelo Atlântico. Os cambojanos ficaram muito satisfeitos, com a informação.
Eu retorqui: Jean Pierre, fizestes em dez segundos, o que Napoleão não conseguiu fazer com três invasões do país: anexar Portugal.
...Foi um bom momento de humor.

quarta-feira, abril 09, 2008

O Velho Que Lia Romances De Amor


“O velho que lia romances de amor”, o mais conhecido livro do escritor Luís Sepúlveda, alcançou esta semana a impressionante cifra de 18 milhões de exemplares vendidos, 20 anos depois da sua publicação, informou o próprio autor.
“Provavelmente estamos perante o terceiro livro mais traduzido do espanhol para outras línguas, a seguir ao ‘Dom Quixote‘ e ‘Cem anos de solidão‘”, assegurou Sepúlveda em conferência de imprensa na cidade de Gijón.
Sepúlveda foi homenageado recentemente em Itália por ter vendido neste país cinco milhões de exemplares daquela obra, já traduzida em 60 idiomas, entre os quais o chinês e o hebraico, e publicada inclusivamente por editoras “piratas”.
“O velho que lia romances de amor” foi levado ao cinema com guião do próprio Luís Sepúlveda, realização do australiano Rolf de Heer e interpretação de Richard Dreyfuss. (Lusa).

O curto livro (110 páginas) “O Velho que lia romances de amor”, é um romance simples e de leitura rápida e leve, mas muito bem escrito por Luís Sepúlveda. O romance conta-nos a história de António Proaño, mas é ao mesmo tempo, um registo autobiográfico do autor. Luís Sepúlveda dedicou o livro ao seu amigo Chico Mendes, o grande defensor da floresta amazónica.
Antonio José Bolívar Proaño e Dolores Encarnación del Santíssimo Sacramento Estupiñán Otavalo, ficaram comprometidos aos 13 anos, e casaram-se dois anos depois. Quatro anos depois, após a morte do pai de Dolores, herdaram "uns poucos metros de terra, insuficientes para sustentar uma família, além de alguns animais domésticos que se foram com os gastos do velório". Descobriram entretanto que não podiam ter filhos. Inconformados, aceitam uma proposta do governo e mudam-se para a Amazónia, instalando-se em El Idilio, um lugar perdido na imensa floresta. Dois anos depois, Dolores sucumbe “consumida até aos ossos pela malária”.
Com a morte da mulher, a vida de António José Bolívar Proaño sofre uma completa transformação. Abandona o lugarejo onde vivia e junta-se aos índios xuar, onde passa vários anos com eles, aprendendo os segredos da vida na selva. Quando volta a El Idilio, descobre sua paixão pelos romances “que falavam do amor com palavras tão bonitas que às vezes lhe faziam esquecer a barbárie humana”. Os livros eram-lhe trazidos pelo dentista Rubicundo Loachamín, duas vezes por ano, nas suas viagens para arrancar os dentes das populações pobres das margens dos rios Zamora, Yacuambi e Nangaritza.
Um dia, "um gringo filho da puta", mata as crias de uma onça para aproveitar as suas peles. A onça, persegue-o e mata-o e passa a representar um perigo para a população de El Idilio. A população faz uma caçada à onça, mas sente-se incapaz de continuar, incumbindo a António José Bolívar Proaño, o velho que lia romances de amor, a dura tarefa de encontrar a alimária e matá-la.
No final do livro, Antonio José Bolívar Proaño percebe que no confronto entre a civilização e a vida selvagem, só há perdedores, nunca vencedores: “O velho acariciou-a (a onça morta)*, ignorando a dor do pé ferido, e chorou de vergonha, sentindo-se indigno, envilecido, de modo nenhum vencedor daquela batalha”.
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O parêntesis é meu.

Aquecimento Global

Greenpeace: Economy
Advertising Agency: Ogilvy Beijing, China
Executive Creative Directors: Nils Andersson, Wilson Chow, Andrew Lok
Creative Directors: Andrew Lok, Wilson Chow
Copywriters: Matthew Curry, Andrew Lok
Art Directors: He Shi Yang, Wilson Chow, David Seah, Nils Andersson
Photographer: Corbis
Retouching: He Shi Yang
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Campanha de propaganda feita com fina ironia para a Greenpeace.
Todos tem direito a emitir uma opinião.

Aquecimento Global (I)

Greenpeace: Oil
Advertising Agency: Ogilvy Beijing, China
Executive Creative Directors: Nils Andersson, Wilson Chow, Andrew Lok
Creative Directors: Andrew Lok, Wilson Chow
Copywriters: Matthew Curry, Andrew Lok
Art Directors: He Shi Yang, Wilson Chow, David Seah, Nils Andersson
Photographer: Corbis
Retouching: He Shi Yang

Aquecimento Global (II)

Greenpeace: Unemployment
Advertising Agency: Ogilvy Beijing, China
Executive Creative Directors: Nils Andersson, Wilson Chow, Andrew Lok
Creative Directors: Andrew Lok, Wilson Chow
Copywriters: Matthew Curry, Andrew Lok
Art Directors: He Shi Yang, Wilson Chow, David Seah, Nils Andersson
Photographer: Corbis
Retouching: He Shi Yang

terça-feira, abril 08, 2008

"Dalai Lama Clique"


Na imprensa oficial chinesa, não há notícia sobre o Tibete ou notícia má sobre os Jogos Olímpicos, em que não seja atribuída a responsabilidade dos acontecimentos, à “Dalai Lama Clique”. (A expressão tem sido traduzida para português como a “Camarilha do Dalai Lama”, penso que esta tradução é demasiado coloquial, quando se lê o sentido pejorativo com que os jornais chineses escrevem a expressão “Dalai Lama Clique”; em minha opinião, a tradução mais correcta é “A Corja do Dalai Lama”).
Apesar de ser uma expressão nova e infeliz, não está muito longe, da linguagem agressiva dos tempos da Revolução Cultural chinesa, dos anos 60 e 70 do século passado, quando Mão Tsé-Tung, tratava os seus inimigos, de "Clique Anti- Partido”, antes de os mandar fuzilar ou de os atirar perpetuamente para uma prisão.
Esta expressão é da autoria do Primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, quando a 18 de Março, durante uma conferência de imprensa sobre os acontecimentos do Tibete disse:” Temos muitas evidências, que provam que os incidentes foram organizados, premeditados, pensados e incentivados, pela “Dalai Lama Clique”.
Na realidade, as evidências de que fala o Primeiro-ministro chinês, são mentira, não há uma única evidência, que sustente tal acusação, no entanto, isso não impede que os media chineses, continuem a vincular “a corja do Dalai Lama”, a todas as manifestações nefastas para o governo chinês, quer se realizem no interior, quer se realizem no exterior da China.
Na ânsia de vincular o Dalai Lama aos acontecimentos, algumas notícias reportadas pelos media chineses, são tão inacreditáveis, tão manipuladas, tão falsificadas, que se tornam hilariantes.
A resistência à ocupação chinesa do Tibete não vem da “corja do Dalai Lama”, como pretende o primeiro-ministro chinês, mas sim, de todos os 6 milhões de tibetanos, espalhados por todo o Mundo.
Após o seu exílio em 1959, Tenzin Gyatzo reclamou junto do governo chinês e especialmente, junto das instâncias internacionais, a total independência do Tibete, durante mais de 25 anos, porém, desde há duas décadas, que o Prémio Nobel da Paz de 1989, afirma que não quer a independência do Tibete, mas apenas, uma verdadeira e real autonomia para salvaguardar o legado cultural tibetano.
É mais que tempo das autoridades de Pequim, levarem à letra as palavras do Dalai Lama e o comprometer numa solução conjunta, que satisfaça todas as partes envolvidas, em vez, de o ver como um inimigo violento, pois nunca, conseguirão impor esse ponto de vista unilateral à comunidade internacional, para além de fazer mossas na sua credibilidade.
Todos ficariam a ganhar, essencialmente, devido ao facto, de as “cliques chinesas”, serem sinónimo de tragédia, basta para isso, ver o que se passou com a “Clique Pró-Democracia”, em 1989.

Dalai Lama Clique (I)

Fotografia minha, de algumas "notícias" editadas pelo jornal estatal China Daily.

A Tocha Olímpica


A China refuta as informações ontem divulgadas de que a chama da tocha olímpica tinha sido extinta.
“As notícias dos meios de comunicação estrangeiros afirmando que a tocha olímpica teve que ser apagada durante o seu percurso em Paris são falsas”, disse o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.(Lusa).
Basta olhar para a fotografia, onde a tocha não tem chama nem, pelo menos, fumo, para se compreender por que razão a China, acusa os media ocidentais de terem dois pesos e duas medidas na cobertura noticiosa, do périplo da tocha olímpica.
Como ousam escrever que a tocha olímpica, se apagou?

A Imprensa Chinesa Tem Alguma Utilidade!

Advertising Agency: Giovanni+Draftfcb Rio de Janeiro
Creative Directors: Adilson Xavier, Cristina Amorim, Fernando Barcellos
Art Directors: Ricardo Câmara, Felipe Gomes
Copywriter: Leonardo Bartoli

segunda-feira, abril 07, 2008

Buraco Negro


(Fotografias e montagem minhas. No sentido dos ponteiros do relógio, a situação que se encontava, desde de sexta-feira e até ontem de manhã, as emissões da BBC e da CNN (entretanto, no Sábado a CNN, ficou sem nenhum sinal).
A terceira fotografia é o título da notícia do South China Morning Post (de Hong Kong) que dá conta do corte do acesso à Wikipédia. A quarta foto, é o "destaque" dado à notícia de prisão de Hu Jia, pelo jornal China Daily)
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É irónico que a Nomenklatura chinesa acuse os media ocidentais, de terem dois pesos e duas medidas, na cobertura dos dramáticos acontecimentos no Tibete e no périplo da Tocha Olímpica à volta do mundo. Essa ironia advém do simples facto, de a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão serem na China, um imenso buraco negro. Quando, as manifestações de Março começaram no Tibete, o único jornalista ocidental presente no Tibete, era James Miles, do The Economist, o qual fez um relato imparcial, que agradou às autoridades chinesas e satisfez a necessidade ocidental de ser informado. Apesar de James Miles, viver em Lassa, e por isso precisar das autoridades de Pequim, para a obtenção do visto de residência, a cobertura noticiosa, estava feita correctamente.
Agora, a cada dia que passa, após os acontecimentos do Tibete e com a Tocha Olímpica a visitar países passíveis de aumentarem a contestação à China, pelo não respeito dos direitos humanos, pela falta de liberdade de imprensa e pela falta de liberdade de expressão, o governo chinês aumenta a sua ansiedade e a sua fúria contra a imprensa estrangeira, revelando-se incapaz de abrir o mais pequeno diálogo contraditório.
Isso passou-se justamente na sexta-feira passada, quando a BBC World fez um directo de Pequim sobre a prisão de Hu Jia, ficando imediatamente sem sinal de transmissão, após terminar o directo.
Recorde-se que Hu Jia, um proeminente activista dos direitos humanos na China, foi acusado de subversão pela justiça chinesa e condenado a três anos e meio de prisão, e mais um ano de privação dos seus direitos políticos.
E o que fez este perigoso subversivo?
Escreveu dois artigos na Internet, onde num deles critica o conceito “Um país, dois sistemas”, dizendo que a China não precisa de dois sistemas, basta a democracia. Pura e simplesmente, o exercício da sua liberdade de expressão.
A imprensa estatal chinesa, nomeadamente o China Daily, o único jornal inglês que tinha acesso, durante a minha estadia na China, escreve eufemismos com o maior à vontade para justificar o injustificável. Entretanto, o governo chinês, desliga o acesso à Wikipédia, na sua versão inglesa, por não gostar do que lá está escrito sobre o Tibete, limitando, ao mesmo tempo, o acesso à versão chinesa, e corta o sinal de transmissão à CNN, num recrudescimento na luta contra uma informação livre, no interior da China.
A única lição que a China deve aprender da cobertura noticiosa - por parte dos media ocidentais – dos acontecimentos do Tibete e da viagem da Tocha Olímpica, é que é melhor confiar na imprensa livre para dar uma imagem justa dos factos, do que usar os “media fantoche” controlados pelo Estado, para tentar convencer o Mundo que a razão esta do lado dela. A imprensa livre, apesar de haver manipulações, tem uma credibilidade, que não é possível comparar, coma imprensa controlada por qualquer Estado.

Make Peace, Not War


Faz hoje 50 anos que um dos ícones da cultura popular, foi criado: o símbolo da paz.
No início do ano 1958, formou-se um grupo chamado, Campanha pelo Desarmamento Nuclear, que pôs em acção uma extensa campanha contra o uso de armas nucleares e incumbiu Gerald Holtom, um desenhador da área dos têxteis, de criar um símbolo, para dar mais colorido aos protestos.
O símbolo criado por Holtom era bastante simples mas sugestivo. As linhas direitas, representam o corpo humano, o círculo representa o planeta Terra. O importante era que cada pessoa pudesse fazer o seu próprio cartaz.
Com efeito, a 7 de Abril de 1958, 15 mil pacifistas britânicos, exibindo milhares de cartazes com o símbolo criado por Holtom, apesar do frio que se fazia sentir, fizeram uma marcha de 84 quilómetros, entre Londres e Aldermaston (o centro de pesquisas nucleares inglês) para protestaram contra o planeamento, a construção e o emprego de armas nucleares. As revindicações dos manifestantes eram bastante impopulares para a época, devido a por um lado, a Guerra Fria ir a caminho do seu clímax e por outro lado, ser uma época de pujança económica. Ironicamente, a Exposição Mundial de Bruxelas, cujo símbolo era o Atomium, seria inaugurada dois dias depois.
A marcha contra as armas nucleares e a favor da paz, foi um tremendo sucesso, inaugurando-se a tradição, mais popular nos países do Norte da Europa, de se fazer durante o período pascal - “As Marchas da Páscoa”- apelos a favor da paz.
As marchas atingiram o seu apogeu, durante a década de sessenta do século passado, enfraquecendo nos primeiros anos da década de 70. O movimento voltou a ser impulsionado em 1979, com a instalação dos mísseis nucleares americanos na Europa. Apesar de terem sofrido um pequeno incremento durante a primeira Guerra do Golfo, as “Marchas da Páscoa” estão em perda de força nos últimos anos, mas não o símbolo criado por Holtom.
Depois de ter sido o símbolo da “flower power generation” o símbolo criado por Holtom, foi adoptado pela organização Greenpeace, para as suas campanha de defesa do ambiente.
Com esta exposição toda, o símbolo acabou também por se tornar um chamariz comercial, e hoje, é por vezes utilizado, em acessórios na alta-costura, sendo mesmo, a imagem de marca da “Moschino”.

Levem o Sonho Olímpico ao Darfur


Dare To Think
Advertising Agency: Saatchi & Saatchi Brussels, Belgium
Creative Director: Jan Teulingkx
Art Director: Ilse Pierard
Copywriter: Raf de Smet
Photographers: Michael Meyersfeld, Evert Thiry, Kris van Beek
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O uso dos anéis olímpicos, nesta campanha da Universidade de Gent, foi numa primeira fase autorizado, pelo Comité Olímpico Internacional (COI). Actualmente, o COI, está a fazer pressão para que a campanha termine.
A Universidade de Gent, tem como único objectivo, como é implícito, "Provocar, para Pensar", isto é, utilizar uma imagem visual agressiva, para levar as pessoas a pensarem seriamente nos problemas.

domingo, março 30, 2008

Hitler vs. Chaplin


It's the hat.
Advertising Agency: Serviceplan Hamburg / München, Germany

Creative Directors: Axel Thomsen, Alexander Schill
Art Director: Jonathan Schupp
Copywriter: Francisca Maass
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No inesquecível filme "A Canção de Lisboa", Vasco Santana, deixou para a posterioridade duas das “postas de pescada” mais citadas durante décadas: "Chapéus há muitos, seu palerma!" e “Chapéus há muitos, cabeças há poucas”.
Esta publicidade da Hut Weber, desmente Vasco Santana.

Magnólia Viva

Ilustração Portuguesa

sexta-feira, março 28, 2008

Fitna


(CLICAR NA FOTOGRAFIA PARA VER O FILME )
Foi colocado na Internet o filme "Fitna" do deputado holandês de extrema-direita Geert Wilders, cuja divulgação promete gerar protestos em todo o mundo muçulmano.
O filme mostra imagens de recentes atentados e declarações de radicais islâmicos, associando os versículos do Corão em que se faz a defesa da guerra santa.
Com este filme, Wilders diz querer mostrar como o Corão incita à violência e promove o ódio contra as outras religiões.
A terminar o filme, surge um grande plano do Corão e uma mão pega numa das folhas. No plano seguinte, sob um fundo negro, ouve-se o som de uma folha a ser rasgada mas, em legenda, o autor garante que a página arrancada pertencia a uma lista telefónica.
“Não me cabe a mim, mas aos próprios muçulmanos rasgar os versos de ódio do Corão”, acrescentam as mesmas legendas, em que Wilders volta a acusar o Islão de “querer governar, submeter e destruir a civilização ocidental”. (Público).
A curta-metragem, dura 16 minutos e 48 segundos, tem muito pouca cinematografia, feita de uma maneira amadora, com imagens vistas e revistas, é por causa da sua mensagem radical, tão radical como a mensagem dos radicalistas islâmicos, que poderá gerar polémica.
Ainda não era conhecida uma só imagem do filme e já a Al-Qaeda tinha posto a cabeça de Geert Wilders a prémio. O Irão, Egipto e o Paquistão já ameaçaram a Holanda com um boicote económico. Os Talibãs ameaçam com nova ofensiva no Afeganistão.
Ao longo de muitos séculos, muitos europeus deram a vida para que, Geert Wilders, pudesse fazer este filme, claudicar no uso da sua liberdade de expressão é, acima de tudo, considerar inúteis essas mortes.
Apesar de não concordar com as ideias políticas de Wilders, a liberdade de expressão é uma das maiores conquistas do “mundo ocidental”, mas penso, que deve estar imbuída de responsabilidade.
Acicatar a fé dos muçulmanos desta forma, não me parece muito responsável, no entanto, os muçulmanos terão de se habituar à ideia, se quiserem viver no "Ocidente", que a democracia, o respeito pelos direitos humanos, a tolerância religiosa, a liberdade de imprensa e de expressão, são os maiores valores da nossa cultura.

Futebol Contra o Racismo (I)

Don't let racism be part of the game.
Advertising Agency: CLM BBDO, Boulogne Billancourt, France
Creative Directors: Gilles Fichteberg, Jean-François Sacco
Art Directors / Copywriters: Céline Artigau, Nicolas HurezI
llustrator: Nicolas Hurez
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Esta é a última campanha do movimento que luta contra o racismo no futebol, o Football Resistance.
NÃO DEIXE O RACISMO FAZER PARTE DO JOGO.
Este movimento tem como objectivo principal, a união dos adeptos do futebol, contra o racismo, que cada vez mais prolifera nos campos de futebol.

Futebol Contra o Racismo

Agency: CLM/BBDO, Paris, France
Creative Directors: Jean-François Sacco, Gilles Fichteberg
Copywriter: Matthieu Barrère
Art Director: Raphaël Ghisalberti

quinta-feira, março 27, 2008

Soldado da Liberdade

Zoo Hannover: Freedom Soldier
Advertising Agency: Springer & Jacoby Hamburg, Germany
Creative Directors: Thomas Walmrath, Martin Wider
Art Director: Sven Klasen
Copywriter: Toni SelzerI
llustrator: Sonia Raeder
Other additional credits: Christian Behrends

VIAGRA


Há precisamente dez anos, 27 de Março de 1998, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o Viagra, para o tratamento da disfunção eréctil, tornando-se a primeira pílula a ser aprovada nos Estados Unidos para este efeito. A “pílula azul” tinha sido patenteada em 1996, pela Pfitzer, entrando no circuito comercial dois anos depois. Rapidamente alcançou um grande sucesso comercial nos Estados Unidos, pouco usual para um medicamento, chegando nos meses seguintes, também com enorme sucesso, ao mercado europeu.
O Viagra revolucionou o tratamento da disfunção eréctil, ajudando também à desmistificação dos problemas sexuais. Até há dez anos atrás, a disfunção eréctil era uma doença vivida de forma escondida e envergonhada, por quem dela sofria, contribuindo o Viagra para a mediatização desta doença praticamente desconhecida e ao mesmo tempo, facilitando o tratamento desta mesma doença, contribuiu para o bem-estar de milhões de casais.

Semáforos



HONDA: STREET LIGHTS
Advertising Agency: Contract Advertising, Delhi, India
Art Director: Ayan Pal
Copywriter: Iraj Fraz Batla
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More people die in road accidents than in wars. Drive Safely.
MORREM MAIS PESSOAS EM ACIDENTES RODOVIÁRIOS QUE NAS GUERRAS. CONDUZA COM SEGURANÇA.

Pouco Barulho, Senão...!


O Governo chinês aconselhou hoje os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que se reúnem no próximo fim-de-semana, a evitarem tocar na questão tibetana, que Pequim afirma ser assunto interno da China.
“A questão tibetana é totalmente um assunto doméstico da China e não admite qualquer interferência”, afirmou Quin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Afirmando que as manifestações no Tibete são obra de “criminosos”, o porta-voz, que falava em Pequim em conferência de imprensa de rotina, comparou a experiência chinesa com a situação europeia.
“Também existem criminosos violentos nos países europeus. Como é que a polícia lida com estes casos na Europa?”, questionou o porta-voz comentando os planos já anunciados pela presidência eslovena da UE de discutir a situação no Tibete. Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que se reúnem em conselho informal sexta-feira e sábado, na Eslovénia, vão debater a situação no Tibete, como propôs a França.O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, propôs terça-feira que a repressão pela China das manifestações no Tibete fosse discutida no conselho informal e manifestou vontade de ver aprovada uma posição comum que tivesse em conta “as relações com esse grande país que é a China”, mas também “o sofrimento dos tibetanos e a actual violência”. Ocidentais.Lusa

quarta-feira, março 26, 2008

O Pensamento de Qualquer Homem...

...Fanático da sua Condição.
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Viagra/Freud
Advertising Agency: Arnoldvuga, Ljubljana, Slovenia
Creative Directors: Martin Mol, Tadovan Arnold
Art Director: Barbara Hiti
Copywriter: Martin Mol
Photographer: David Fartek
Account Director: Tanja Gvozdenovic
DTP: Andrej Juvan

terça-feira, março 25, 2008

A Chacina Das Focas


O Governo canadiano está a promover a deslocação de uma delegação de diplomatas e de caçadores de focas a cinco capitais europeias, com vista a evitar um boicote alargado aos produtos da espécie animal. Segundo noticiou a estação Radio-Canadá, a delegação, composta por um embaixador e caçadores de focas das regiões da Terra Nova, Quebeque e Nunavut, inicia a sua visita à Europa no próximo fim-de-semana e irá passar por cinco capitais: Londres (Reino Unido), Paris (França), Bruxelas (Bélgica), Berlim (Alemanha) e Viena (Áustria).
A deslocação visa sensibilizar os governos europeus para a importância da caça à foca enquanto actividade económica e demonstrar que é uma actividade sustentável e sujeita a rigorosa e cuidada política de gestão animal. A ida a Bruxelas assume particular interesse, porquanto a Bélgica foi o primeiro país da União Europeia a decretar, em Janeiro de 2007, um embargo total aos produtos derivados de foca, decisão que o Canadá contestou junto da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Ministério canadiano das Pescas e dos Oceanos anunciou este mês que a quota autorizada este ano para a caça às focas será de 275 mil animais, um aumento face aos 270 mil e 335 mil permitidos, respectivamente, em 2007 e 2006. Várias associações internacionais de defesa da vida animal, insurgiram-se contra a medida, entre as quais o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), mas Otava está firme quanto ao propósito de defender a caça à foca em todas as instâncias internacionais.
O massacre das focas bebés, no Canadá, é o maior e mais cruel massacre de animais que temos que assistir no nosso planeta. A caça é feita barbaramente, já que as focas bebé são mortas à cacetada e muitas vezes a pele é retirada com o animal ainda vivo, deixando na neve um rasto vermelho de sangue.
As autoridades canadianas justificam a caça dizendo que a população triplicou desde a década de 1970 e que existem hoje no Canadá mais de cinco milhões de focas.Segundo os pescadores, este número de focas está a afectar a pesca do bacalhau, já que cada foca adulta consome por ano cerca de uma tonelada de comida.
No entanto, estes argumentos não convencem as organizações de defesa dos animais, lembrando que a maioria das focas bebés são mortas com menos de um mês de vida sendo que nesta fase ainda não aprenderam a nadar e por isso não têm como escapar aos caçadores.
Estudos científicos sérios, provaram que a diminuição da população de peixes, deve-se em exclusivo, à excessiva actividade piscatória, perpetuado pela indústria pesqueira, a mesma que atribui a falta de pescado às focas.Os ambientalistas estão numa campanha internacional para parar o massacre das focas no Canadá, ameaçando realizar protestos mundiais para boicotar os produtos e o turismo no Canadá.

O Verdadeiro Espírito Olímpico

AMNISTIA INTERNACIONAL/The true spirit of the Olympics.
Advertising Agency: Inkognitocph, Copenhagen, Denmark
Creative Director / Copywriter: Thomas Kolster
Art Director: Ulrik Ahlefeldt

segunda-feira, março 24, 2008

José Sócrates


(CLIQUE NA IMAGEM PARA AUMENTAR)
Advertising Agency: Heads Propaganda, Curitiba, Brazil
Creative Director: Kike Borell
Art Director: Paulo de Almeida
Copywriters: Gustavo Frare, Isis Ribeiro
Photographer: Nuno Papp
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"Each one will give one’s best for a fairer country, for a poorer country".
José Sócrates, Prime Minister of Portugal, addressing the Portuguese people.
The world needs a tape like this.
"Cada um de vós, dará o seu melhor para um país mais justo, para um país mais pobre".

sábado, março 22, 2008

Movimento 22 de Março


Em 22 de Março de 1968, surgia o levantamento dos estudantes da Universidade de Nanterre, que ficou conhecido pelo “Movimento 22 de Março” e foi o acontecimento embrionário do Maio de 68. Neste dia, há 40 anos atrás, uma centena e meia de estudantes, liderados por Daniel Cohn-Bendit, ocuparam os serviços administrativos da Faculdade de Letras, em protesto contra a prisão de 6 estudantes que, dias antes, se tinham manifestado contra a guerra do Vietname.Com o aumento dos protestos estudantis, o Governo francês encerra a Universidade de Nanterre no dia 2 de Maio, na tentativa de acabar com os protestos dos estudantes. Estes não contentes com a situação, ocupam no dia seguinte a Sorbonne, dando início à revolução, conhecida por Maio de 68.
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CRONOLOGIA DE UMA UTOPIA

Março 22 - Estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit ocupam a universidade de Nanterre, na França. A ocupação, que marca o início da revolta estudantil no país, ficou conhecida como “Movimento de 22 de Março”.
Dia 28 – O reitor da Faculdade de Letras de Nanterre suspende os cursos por um período de 4 dias.
Abril 25 – Moção de censura ao Governo francês recusada na Assembleia.
Maio 2 – Novos incidentes em Nanterre.O reitor da Faculdade de Letras volta a suspender os cursos.
Dia 3 – A pedido do reitor a polícia evacua a Sorbonne durante a execução de um plenário de estudantes. Primeiros confrontos entre a polícia e os estudantes, dos quais resultam diversas prisões.
Dia 5 – Condenação de 13 manifestantes.
Dia 6 – Confronto entre a polícia e estudantes no Quartier Latin, durante os quais mais de 600 estudantes e 300 polícias ficam feridos. A polícia procede a numerosas detenções.
Dia 7 – Mais de 30000 estudantes atravessam Paris cantando a Internacional como protesto contra os acontecimentos do dia anterior.
Dia 10 - Aparece, em Paris, o grafite “É Proibido Proibir - Lei de 10/5/1968”, em oposição à inscrição oficial “É Proibido Colar Cartazes - lei de 29/07/1881”, afixada nos muros da cidade. Acontece a Noite das Barricadas, quando 20 mil estudantes enfrentam a polícia. Mais de 60 veículos são incendiados. Novos confrontos entre a polícia e os estudantes.
O Festival de Cannes é aberto oficialmente, com a exibição do filme “...E tudo o Vento Levou” (1939).
Dia 11 – Regresso de Georges Pompidou a Paris que anuncia a reabertura da Sorbonne no dia 13.
Dia 13 – É decretada, por estudantes e trabalhadores franceses, greve geral de 24 horas em Paris, em protesto contra as políticas trabalhista e educacional do governo. Ocupação da Sorbonne.
Dia 14 – De Gaulle abandona a França e parte para a Roménia. Ocupação da fábrica Sud-Aviation Express.
Dia 15 – Ocupação do Ódeon e da fábrica da Renault em Cléon.
Dia 17 – Fábricas na França são ocupadas por cerca de 100 mil grevistas. As operações do aeroporto de Orly e da Rádio e Televisão da França são afectadas pela greve. Em Paris, as ruas são vigiadas por cerca de 60 mil polícias armados.
Dia 18 – Os cineastas Louis Malle, François Truffaut, Roman Polanski, Alain Resnais e Milos Forman retiram os seus filmes da competição oficial do Festival de Cannes, em apoio ao movimento estudantil. O Festival acaba por ser suspenso após a invasão de directores, actores e técnicos na sala de projecção. Regresso De Gaulle.
Dia 20 – Paris amanhece sem metro, transportes públicos, telefones e outros serviços. Seis milhões de grevistas ocupam 300 fábricas na França.
Dia 21 – Trabalhadores ocupam as centrais de energia eléctrica, gás e luz em Paris.
Dia 22 – Derrota da moção de censura na Assembleia.
Dia 23 – Novos confrontos no Quartier Latin.
Dia 24 – Discurso de De Gaulle anunciando a realização de um referendo.
Dia 25 – O primeiro-ministro francês, Georges Pompidou, inicia negociações com as centrais sindicais francesas. Os trabalhadores em greve chegam a 10 milhões em todo o país. Início de incêndio na Bolsa de Paris. ORTF adere ao movimento grevista.
Dia 29 – O cineasta Jean-Luc Godard filma os confrontos entre estudantes e polícias no Quartier Latin. No mesmo dia acontece, em Paris, grande manifestação da CGT com cerca de 200 mil pessoas.
Dia 30 – O presidente francês Charles De Gaulle dissolve a Assembleia Nacional, com o apoio das Forças Armadas, e convoca eleições gerais. Manifestação gaullista em Paris.
Dia 31 – Remodelação governamental. Eleições marcadas para 23 e 30 de Junho.
Junho 4 – Recomeço do trabalho em algumas empresas.
Dia 10 – Abertura da campanha para as eleições legislativas.
Dia 11 – Manifestação em Paris. Confrontos violentos em Sochaux. Fim das greves nos liceus.
Dia 12 – O Governo interdita a realização de manifestações em todo território francês. Dissolução de diferentes organizações políticas.
Dia 16 – Evacuação da Sorbonne.
Dia 23 – Primeira volta das eleições legislativas: forte votação gaullista.
Dia 30 – Segunda volta das eleições: gaullistas com votação massiva.
Julho 10 – Demissão de Georges Pompidou. Maurice Couve de Murville nomeado primeiro – ministro.
Dia 12 – Fim da greve dos jornalistas da ORTF.
Dia 31 – Reorganização da ORTF: mais de 1000 jornalistas são despedidos.

sexta-feira, março 21, 2008

Dia Mundial da Árvore



WWF/ TARZAN
Advertising Agency: Uncle Grey, Denmark
Art Directors: Rasmus Gottliebsen, Jesper Hansen, Rasmus Dunvad
Creative Director: Per Pedersen
Copywriter: Michael Paterson
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A superfície florestal mundial está a desaparecer a um ritmo equivalente a 40 mil campos de futebol por dia, segundo as conclusões de um relatório da organização ecologista WWF.De acordo com o relatório da World Wildlife Fund (WWF), a floresta ocupa actualmente uma superfície de 3.866 milhões de hectares, cerca de metade do espaço que ocupava há oito mil anos. Só na última década desapareceram quase 94 milhões de hectares de floresta, o equivalente a 5,6 milhões de campos de futebol por ano. O abate ilegal de árvores e a desflorestação para cultivo agrícola são os principais responsáveis por estes números, a par dos incêndios. Actualmente, só um quinto da superfície florestal está num estado considerado de “conservação favorável”, adianta ainda o relatório.

Dia Mundial da Poesia


O Dia Mundial da Poesia foi instituído na 30ª sessão da Conferência Geral, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), reunida em Paris, em Novembro de 1999, com o objectivo de defender a diversidade linguística.
O Director-Geral na UNESCO, da altura, o japonês Koichiro Matsura lançou um apelo aos 191 estados-membros para promoverem a educação artística nas escolas, e justiçou a criação do Dia Mundial da Poesia pela “universalidade e natureza transcendental desta forma de expressão, constituindo por isso mesmo, um meio incomparável para a compreensão inter - cultural e para a consolidação da paz no Mundo”.
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Escolho para celebrar o Dia Mundial da Poesia, o Poema 20, de Pablo Neruda, do seu livro "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada".
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Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
”A noite está estrelada e tiritam, azuis, os astros ao longe”
O vento da noite gira no céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quis e às vezes ela também me quis…
Em noites como esta, tive-a entre os meus braços
Beijei-a tantas vezes debaixo do céu infinito
Ela me quis às vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos?
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Pensar que não a tenho Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E o verso cai na alma como na relva o orvalho
Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo
Ao longe alguém canta. Ao longe
Minha alma não se contenta com tê-la perdido
Como para aproximá-la meu olhar a procura
Meu coração a procura e ela não está comigo
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores
Nós, os de então, já não somos os mesmos
Já não a quero, é certo
Porém quanto a queria!
A minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido
De outro. Será de outro
Como antes de meus beijos?
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é verdade,
Porém talvez a queira
É tão curto o amor e tão longo o esquecimento
Porque em noites como esta
Eu tive-a entre os meus braços,
Minha alma não se contenta por havê-la perdido
Ainda que seja a última dor que ela me causa
E estes, os últimos versos que lhe escrevo.