terça-feira, maio 06, 2008

Ataque Com Napalm


Fotografia de Nick Ut, Associated Press.
Esta fotografia de Nick Ut, Associated Press, tirada em 8 de Junho de 1972, simboliza toda a tragédia que foi a Guerra do Vietname .
O fotógrafo Huynh Cong "Nick" Ut estava a sessenta quilómetros de Saigão quando aviões americanos borbadearam por engano uma aldeia que suspeitavam ser um refúgio vietcong.
Um minuto depois, a pequena Kim Phuc, a rapariga nua no centro da fotografia e outras crianças, correram na sua direcção. Depois de tirar a fotografia, Nick Ut, borrifou com água o corpo de Kim Phuc e levou-a imediatamente ao hospital.
Kim Phuc tinha na altura nove anos e mostra com os seus braços estendidos todo o terror, impotência, dor e sofrimento, infligido pelos bombardeamentos americanos.
Nick Ut ganhou o Prémio Pullitzer, com esta fotografia.

Kim Phuc


Kim Phuc, em 1997 com o seu primeiro filho. Hoje tem 45 anos e vive em Toronto, Canadá, com o seu marido e os seus dois filhos. Kim Phuc passou catorze meses num hospital de Saigão para curar as queimaduras, que sofreu em mais de 90% do corpo. Em 1996, o reverendo John Plummer, que reivindicou a autoria do ataque, pediu-lhe perdão.
Nick Ut e Kim Phuc, encontraram-se em 1989 na cidade de Havana, Cuba, e esta garantiu que o fotógrafo lhe salvou a vida.

segunda-feira, maio 05, 2008

A Última Estação


O ano mudou mais uma vez, trazendo-nos até ao fim da primeira década do novo século. Escrevo os números no meu diário.1910. Será possível?
Lióvuchka está agora a dormir e não vai acordar até ao nascer do dia. Há pouco tempo, o som cavo dos seus roncos fez-me atravessar o corredor até chegar ao quarto. Os roncos dele ressoam pela casa como uma porta que range, e os criados riem-se disso. “Lá está o velhote a serrar lenha”, é o que eles costumam dizer, mesmo à minha frente. Já não me respeitam, mas continuo a sorrir-lhes.
A forma como Lióvuchka ressona já não me incomoda, uma vez que dormimos agora em quarto separados. Quando dormíamos na mesma cama, ele tinha dentes, o que atenuava o ruído.
Seitei-me na cama pequena e estreita e puxei-lhe o cobertor, com motivos de chaves estampadas, até ao queixo. Ele sobressaltou-se e fez uma careta monstruosa, mas não acordou. Quase nada acorda Lev Tolstói. Tudo aquilo que ele faz, fá-lo por completo, quer seja a dormir, trabalhar, dançar, andar a cavalo ou a comer. Estão sempre a escrever sobre ele na imprensa. Até mesmo em Paris, os matutinos adoram todos os mexericos acerca dele, acerca de nós – verdadeiros ou falsos, isso não importa. “O que é que o conde Tolstói gosta de comer ao pequeno-almoço, condessa?”, perguntam eles, a fazerem fila no alpendre da frente para obterem entrevistas nos meses de Verão, quando o tempo em Tula faz desta localidade um destino muito agradável. “É ele quem corta o próprio cabelo? O que está ele agora a ler? Já lhe comprou um presente para comemorar o dia do santo dele?”
As perguntas não me incomodam. Forneço-lhes apenas o suficiente para os enviar de volta felizes. Lióvuchka parece não se importar. De qualquer forma, já não lê os artigos, mesmo quando os deixo na mesa ao lado do pequeno-almoço.”Não têm qualquer interesse”, diz ele. “Não sei por que é que alguém se dá ao trabalho de publicar esse lixo”.
No entanto, olha de relance para as fotografias. Há sempre um fotógrafo por aqui a tirar fotografias a tudo e a implorar por um retrato. Tcherkov é quem mais problemas causa. Pensa que é um artista com a câmara fotográfica, mas é tão absurdo com ela como é com tudo o resto.
1ª Página do livro, A Última Estação, de Jay Parini, Editorial Presença, 1ª edição, Dezembro de 2007.
Nota: Romance histórico baseado nos diários daqueles que integravam o círculo mais próximo de Lev Tolstói, o livro retrata o último ano de vida do famoso escritor.
Lev Nikolaievitch Tolstói, conde de Tolstói, nasceu no seio de uma família nobre, em Yasnaya Polyana, província de Tula, em 28 de Agosto de 1828.
Perdeu os pais ainda muito novo tendo sido criado por parentes. Em 1844, Lev Tolstói iniciou os seus estudos em Direito e Literatura Oriental na Universidade de Kazan, no entanto abandonou a faculdade antes de se licenciar.
Insatisfeito com a educação, regressou aos seus estudos em Yasnaya Polyana, passando grande parte do tempo em Moscovo e em São Petesburgo.Em 1851, o sentimento de vazio existencial levou-o a juntar-se ao irmão, soldado no Cáucaso.
É nesta época que inicia a sua carreira literária, ao publicar a primeira parte da trilogia autobiográfica Infância (1852), que foi concluída com Adolescência (1854) e Juventude (1857).
Em 1857, visitou a França, a Suíça e a Alemanha. Depois das viagens, instalou-se em Yasnaja Polyana e fundou uma escola para filhos de camponeses. Para Tolstói, o segredo para mudar o mundo residia na educação.
Durante as suas viagens pela Europa, analisou a teoria e a prática educacional, tendo publicado artigos e manuais sobre o tema.
Em 1862, casou com Sonya Andreyevna Behrs, que se tornou a sua secretária devota. A sua leitura abrangia a ficção e a filosofia. Entre os seus autores preferidos encontravam-se Platão, Rousseau, Dickens e Sterne. Nos anos 50 lia e admirava Goethe, Stendhal, Thackeray e George Eliot.
A obra Guerra e Paz (1863-69) reflectia o ponto de vista de Lev Tolstói, de que tudo estava predestinado. A sua outra obra-prima surgiu em 1873-77, Anna Karenina.Em 1880, escreveu obras filosóficas como A Confession e What I Believe, que foi banida em 1884.
Começou por ver-se mais como um sábio e um líder moral do que como artista.A partir de 1880, Tolstói atravessou uma profunda crise espiritual e assumiu diversas posições de cariz moral, incluindo a resistência passiva ao mal, a rejeição da autoridade (religiosa ou civil) e a propriedade privada, e um regresso ao cristianismo místico.
Foi excomungado pela igreja ortodoxa, tendo as suas obras posteriores sido proibidas. A Morte de Ivan Ilitch (1886), A Sonata a Kreutzer (1890), Ressurreição (1889-99) e Hadji Mourat (1890-1904) fazem parte deste período.
O desejo que o autor tinha de renunciar aos seus bens e de viver como um camponês perturbou a sua vida familiar, tendo acabado por fugir de casa e morrer com pneumonia numa estação de caminhos-de-ferro em Astapovo, em 7 de Novembro de 1910.

Execução do Guerrilheiro Vietcong


Fotografia Eddie Adams/Associated Press
Esta fotografia tirada por Eddie Adams no dia 1 de Fevereiro de 1968, no início da Ofensiva do Tet, tornou-se um dos ícones dos protestos contra a Guerra do Vietname.
O comandante da polícia de Saigão, o general Nguyen Ngoc Loan, executa com um único tiro um prisioneiro acusado de ser capitão vietcong. No exacto momento em que Loan executa o prisioneiro, o fotógrafo Eddie Adams, da Associated Press, fixou o acontecimento, ganhando o Prémio Pulitzer, com a fotografia.
Adams nunca aceitou o dinheiro do prémio que ganhou com esta fotografia. Quando o general Loan morreu de cancro em 1998, Eddie Adams afirmou: “ O tipo era um herói! A América devia estar a chorá-lo. Detesto vê-lo a partir desta forma, sem as pessoas saberem nada a seu respeito”. Mas, nada mais, disse.

sábado, maio 03, 2008

As velas ardem até ao fim


De manhã o general demorou-se muito na cave do lagar. Foi para a vinha de madrugada, com o vinhateiro, porque dois barris do seu vinho tinham começado a fermentar. Já passava das onze quando acabou o engarrafamento e voltou para casa. Debaixo das colunas do pórtico, cheio de bolor devido às pedras húmidas, esperava o guarda-caça que entregou uma carta ao seu senhor que chegava.
- Que queres? – disse ele, parando com um ar aborrecido. Puxou para trás o seu chapéu de palha, cuja aba larga lhe ensombrava inteiramente o rosto encarnado. Há alguns anos que não abria nem lia cartas. Um feitor abria e seleccionava a correspondência no escritório do caseiro.
-Trouxe-a um mensageiro – disse o guarda-caça que aguardava hirto.
O general reconheceu a letra, pegou na carta e meteu-a no bolso. Entrou no vestíbulo fresco e em silêncio entregou o chapéu e a bengala ao guarda-caça. Procurou os óculos no bolso interior, aproximou-se da janela e, na penumbra, à luz que vinha das frestas das persianas semicerradas, começou a ler a carta.
-espera – disse por cima dos ombros ao guarda-caça que se apresentava a partir com o chapéu e a bengala.
Enfiou a carta no bolso.
-Diz ao Kálmán que prepare o coche para seis. O landau, porque vai chover. Que ponha a libré de gala. Tu também – disse com uma ênfase inesperada, como se alguma coisa o tivesse enfurecido.
- Quero tudo a brilhar. Comecem imediatamente a limpar o coche e a ferramenta. Vestes a libré, percebes? E sentas-te na boleia, junto ao Kálmán.
-Percebo, Excelência – respondeu o guarda-caça, olhando fixamente o patrão. – Para as seis.
- Vão partir às seis e meia – disse o general e movia os lábios silenciosamente como se fizesse cálculos. – Apresentas-te na Águia Branca. Diz apenas que fui que te mandei e que o coche veio para levar o senhor capitão. Repete.
1ª Página do livro, As Velas Ardem Até Ao Fim, de Sándor Márai, Dom Quixote, 7ª edição Fevereiro de 2005.
Nota: Gosto muito desta passagem do livro, que passo a transcrever:
É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem.O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano. Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas nem louvores.Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os defeitos, egoísmo e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão.Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos.Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é o mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa.

Santa Nostalgia

Maddie, Morreu Há Um Ano

Faz hoje um ano que angélica Maddie morreu. Uma morte triste, solitária e nebulosa, para tão curta existência.

sexta-feira, maio 02, 2008

Uma Conspiração De Estúpidos


O boné verde de caçador apertava-lhe o alto da cabeça, que era um balão carnudo. As abas verdes, preenchidas com orelhas enormes, cabelos compridos e a penugem rala dos ouvidos, elevavam-se de ambos os lados, quais sinais de trânsito que indicassem dois sentidos ao mesmo tempo. Os lábios cheios e franzidos salientavam-se sob o bigode negro e farfalhudo e, aos cantos, descaíam em pequenas rugas cheias de censuras e de restos de batatas fritas. À sombra da pala do boné verde, os olhos azuis e amarelos de Ignatius J. Reilly fitavam com sobranceria as outras pessoas que esperavam debaixo do relógio dos armazéns D. H. Holmes, examinando a multidão, em busca de sinais de mau gosto no vestir. Ignatius reparou que várias roupas eram suficientemente novas e caras para poderem considerar-se propriamente ofensas ao bom gosto e à decência. O facto de uma pessoa possuir uma peça de vestuário nova ou cara só reflectia a sua falta de teologia e de geometria; podia até suscitar dúvidas acerca da sua alma.
Ignatius estava vestido com conforto e sensatez. O boné de caçador protegia-lhe as orelhas do frio. As volumosas calças de tweed eram duráveis e permitiam-lhe mover-se com uma invulgar facilidade. As suas pregas e ângulos continham bolsas de ar quente e viciado que confortava Ignatius. A camisa de flanela aos quadrados dispensava o uso de um casaco e o sobretudo protegia a pele exposta de Reilly entre as abas e o colarinho. O conjunto era aceitável à luz de quaisquer padrões teológicos e geométricos, ainda que abstruso, e sugeria uma vida interior rica.
Balançando as ancas à sua maneira arrastada e elefantina, Ignatius projectava ondas de carne que se agitavam debaixo do tweed e da flanela e iam rebentar nos botões e nas costuras. Entretanto, pensava que já estava há muito tempo à espera da mãe. Acima de tudo, pensava no desconforto que começava a sentir. Parecia que todo o seu ser estava prestes a rebentar pelas botas inchadas de camurça e, para comprová-lo, voltou os olhos singulares para os pés. De facto, parecia que tinha os pés inchados. Estava pronto a apontar à mãe aquelas botas inchadas como prova da sua negligência. Levantando a cabeça, reparou que o sol começava a descer sobre o Mississipi, ao fundo de Canal Street. O relógio Holmes indicava que eram quase cinco horas. Ignatius dava os últimos retoques numa série de acusações cuidadosamente preparadas para conduzir a mãe ao arrependimento ou, pelo menos, à confusão. Muitas vezes era obrigado a pô-la no seu lugar.
1ª Página do livro, Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole, Terramar, 2ª edição Fevereiro de 1998.

Nota: Quando John Kennedy Toole, acabou de escrever este seu livro, submeteu o manuscrito à apreciação de uma das mais importantes editoras norte-americanas, que recusou editá-lo. Outras sete se seguiriam e todas se recusaram a fazer a edição do livro. Frustrado, por este insucesso, John Kennedy Toole, suicidou-se em 26 de Março de 1969, com a idade de 31 anos.
Em 1976, a mãe do autor, Thelma Toole, insistiu junto do escritor e académico, Walker Percy, para ter uma opinião do manuscrito que o filho tinha deixado completo. Contrariado, pela persistência da senhora, Percy não teve outra solução que ler o manuscrito, na esperança que ele fosse tão fraco, que ao fim de meia dúzia de páginas, em consciência, não fosse obrigado a ler mais. Era muito bom.
Com o patrocínio de Walker Percy, a Louisiana State University Press, fez em 1980 uma edição de 2500 exemplares. Esta edição, foi um acontecimento marcante no mundo literário norte-americano, o que levou Toole a receber postumamente, em 1981 o Prémio Pulitzer de Ficção. O livro já vendeu mais de um milhão e meio de cópias e está editado em dezoito línguas.

Campanha Da Amizade


Recebi este selo de amizade através do César Paulo Salema, do blogue A Vida é Uma Magnólia, ao qual agradeço a atribuição e a distinção.
Este selo faz parte da corrente da blogosfera, Campanha da Amizade, que consiste em copiar o selo aqui exibido e nomear cinco blogues amigos, avisando cada um deles da sua nomeação.
Apesar de não gostar nada de correntes, só o nome mete-me pavor, não é por mim que esta corrente será quebrada.
Assim nomeio, os cinco ilustres blogues amigos:

Not A Game

Action Mines Canada: Not a game
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The search continues (also meaning the game is not over). Anti-personnel landmines still kill 15000 people every year.

Advertising Agency: Palm Arnold, Montréal, Canada
Creative Director: Pascal De Decker
Art Director: Sebastien Boutebel
Copywriter: Jean-Laurent Py

quinta-feira, maio 01, 2008

VERNON LITTLE, O Bode Expiatório


Está um calor de morrer em Martirio, mas os jornais que estão no alpendre até gelam com as notícias. Nem tentem adivinhar quem é que ficou toda a noite de terça-feira na rua. Uma pista: a velha e ranhosa Srª Lechuga. É difícil dizer se tremeu, ou se as traças e as luzes dos alpendres que passavam pelos salgueiros franziam a sua pele como o cetim dos caixões sob uma ventania. Fosse como fosse, quando amanheceu, tinha uma poça entre os pés. É para que vejam como as coisas normais fugiram da cidade a gritar. Se calhar, para sempre. Só Deus sabe como tentei aprender as regras deste mundo, até tive um pressentimento de que podíamos ter alguma glória; mas, depois do que aconteceu, esses pressentimentos já não são nada fáceis. Afinal, que merda de vida é esta?
Agora é sexta-feira e estamos no escritório do xerife. Parece uma sexta-feira na escola ou coisa do género. Escola – é melhor nem falar nessa merda.
Estou sentado à espera entre raios de luz que entram por várias portas seguidas, despido, só com uns sapatos, e com a roupa interior de quinta-feira. Parece que sou o primeiro que apanharam até agora. Não estou metido em sarilhos, não pensem mal de mim. Não tive nada a ver com o que aconteceu na terça-feira. Mas, mesmo assim, não iam querer estar aqui. Faz lembrar o Clarence Não-Sei-Quantos, aquele velho negro que apareceu nas notícias no Inverno passado. Foi o tarado que adormeceu nesta sala de madeira, mesmo à frente da câmara. Disseram nas notícias que isso mostrava quão pouco ele se importava com os efeitos dos seus crimes. O velho Clarence-Não-Sei-Quantos foi rapado como um animal e vestido com aquelas fardas de hospitais que vestem aos malucos, com óculos de fundo de garrafa e tudo, aqueles óculos que costumam usar pessoas que quase só têm gengivas e não têm dentes. Fizeram uma jaula no tribunal para o meterem lá dentro e condenaram-no à morte.
1ª Página do livro, Vernon Little, O Bode Expiatório, de DBC Pierce, Gradiva, 1ª edição Dezembro de 2003.

Nota: DBC Pierce não fez a coisa por menos, no seu primeiro romance, ganhou o Booker Prize. O melhor resumo do livro, foi feito pelo escritor escocês Andrew O’Hagan, diz ele: “é como se os Osbournes convidassem os Simpsons para beberem umas cervejas e aparecesse por lá o Don DeLillo para escrever uma nova música para o Eminem”.
Compreenderam? Não interessa, eu também não compreendi, antes de ler o livro.

Estavas tão bem, calado

Advertising Agency: Euro RSCG, Buenos Aires, Argentina
Executive Creative Director: Gustavo Reyes
Creative Directors: Tony Waissman, Mariano Dhualde, Maximiliano Sanchez
Art Director: Juan Hernandez
Copywriter: Nicolas Goldstein
"Not only we should fine the prostitutes, but also those who hire their services", Eliot Spitzer.
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Recorde-se que Eliot Spitzer, Governador de Nova Iorque, foi obrigado a renunciar ao cargo, no passado mês de Março, depois de ter reconhecido, que mantinha uma relação com uma prostituta brasileira.

quarta-feira, abril 30, 2008

Todas as Almas


Dois dos três morreram depois da minha partida de Oxford, e isso faz-me pensar, supersticiosamente, que talvez tivesse esperado que eu lá chegasse e consumisse o meu tempo para me darem a possibilidade de os conhecer e deles poder falar agora. Portanto, pode acontecer que – sempre supersticiosamente – esteja forçado a falar deles. Só morreram depois de eu ter deixado de contactar com eles. Se tivesse continuado nas suas vidas e em Oxford (se tivesse continuado nas suas vidas quotidianamente), talvez ainda estivessem vivos. Este pensamento não é apenas supersticioso, também é vaidoso. Mas para falar deles tenho de falar também de mim, e da minha estada na cidade de Oxford. Se bem que aquele que fala não seja o mesmo que lá esteve. Parece, mas não é o mesmo. Se me trato por eu, ou se utilizo um nome que me tem acompanhado desde o nascimento e por que alguns me recordarão, ou se conto coisas que coincidem com coisas que outros me atribuíram, ou se chamo minha casa à casa que antes e depois foi ocupada por outros mas eu habitei durante dois anos, é apenas porque prefiro falar na primeira pessoa, e não porque creia que basta a faculdade da memória para que alguém continue a ser o mesmo em tempos distintos e em espaços distintos. Aquele que aqui conta o que viu e aconteceu não é o que viu isso e a quem aconteceu, nem sequer o seu prolongamento, nem a sua sombra, nem o seu herdeiro, nem o seu usurpador.
A minha casa tinha três pisos e era piramidal e eu passava muito tempo nela, uma vez que as minhas obrigações na cidade de Oxford eram praticamente nulas ou inexistentes. Efectivamente, Oxford é, sem dúvida, uma das cidades do mundo onde menos se trabalha, e nela é muito mais decisivo o facto de estar do que o fazer e mesmo o de actuar. Estar lá requer tanta concentração e tanta paciência, e exige tanto esforço lutar contra a natural letargia do espírito, que seria uma exigência despropositada querer ainda que os seus habitantes se mostrassem activos, sobretudo em público, apesar de alguns colegas costumarem efectuar as suas deslocações sempre a correr para darem a impressão de perpétuo afogo e ocupação extrema nos intervalos entre aulas, as quais, contudo, haviam decorrido ou haveriam de decorrer no mais absoluto sossego e despreocupação, como parte que são do estar e do fazer e nem sequer do actuar.
1ª Página do livro, Todas as Almas, de Javier Marías, Publicações Dom Quixote, 1ª edição, Fevereiro de 2002.

Nota: O escritor Javier Marías entrou, no passado dia 27 de Abril para a Real Academia Espanhola da Língua, no discurso de boas-vindas, feito pelo o académico Francisco Rico, o orador disse entre outras coisas, que o “prepotente olhar do narrador” que há nos romances de Javier Marías encontra-se logo nas primeiras linhas de “Todas as Almas”, que está, segundo Francisco Rico, “entre a dúzia de começos mais memoráveis de toda a novelística espanhola”. Fica registado, mas esta nota não é importante para ler o livro.

O Herói dos Hippies


Albert Hofman, o herói dos “hippies” e da “flower power generation”, morreu ontem de ataque cardíaco em sua casa, contava 102 anos de idade, noticia a agência Lusa.
A sua morte foi hoje confirmada à agência Associated Press por Doris Stuker, um residente da aldeia de Burg im Leimental, aldeia dos montes Jura para onde Hofman se retirou quando se reformou em 1971.
Como noticiado aqui, Hofman, tornou-se mundialmente famoso com a descoberta da droga alucinogénia LSD (dietilamida do ácido lisérgico). Aparentemente, os laboratórios não encontraram qualquer utilidade prática para o composto, que teria caído no esquecimento se o próprio Hofman não o tivesse tomado involuntariamente durante uma experiência laboratorial a 16 de Abril de 1943.
"Tive de interromper o trabalho e ir para casa porque senti subitamente uma sensação de desassossego e de ligeira tontura", escreveu posteriormente num relatório aos seus chefes na Sandoz.
"Tudo o que via estava distorcido como num espelho deformado", lê-se na descrição da sua viagem de bicicleta do laboratório até casa, onde se sentou num divã e começou a sentir aquilo a que chamou uma "visão". "O que estava a pensar aparecia-me em cores e imagens", afirmou numa entrevista à televisão suíça SF DRS quando fez 100 anos: "Durou duas horas e depois desapareceu". Três dias depois, Hofman repetiu a experiência com uma dose maior: o resultado foi uma viagem de terror. "A substância que queria experimentar tomou conta de mim. Fui acometido por um medo avassalador que me enlouquecia. Fui transportado para um mundo diferente, um tempo diferente", escreveu.
O LSD alcançou fama internacional no final dos anos 50 e 60 graças ao professor de Harvard Timothy Leary, que defendeu o seu uso, e a numerosos músicos pop e até estrelas de cinema como Cary Grant que viram nela um meio de autodescoberta e auto-esclarecimento.
Mas à parte as "viagens" psicadélicas da geração hippy dos anos 60, sucederam-se histórias de terror de crimes e de pessoas que se atiravam de janelas sob o efeito de alucinações, bem como casos de danos psicológicos permanentes em grandes consumidores.
O governo norte-americano proibiu o LSD em 1966, uma decisão seguida depois pelos outros países.Hofman discordou, alegando que a droga não causa habituação.
Além disso, insistiu repetidas vezes que o LSD poderia dar uma importante contribuição para a investigação psiquiátrica.

Silenciado

Amnesty International: Silenced
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Your signature has the power.

Advertising Agency: TBWA Paris, France
Creative Director: Erik Vervroegen
Art Directors: Jessica Gérard-Huet, Marianne Fonferrier
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As vossas assinaturas têm poder.

terça-feira, abril 29, 2008

Uma Agulha no Palheiro


Se realmente estão interessados nisto, a primeira coisa que desejarão saber é o local onde nasci, o modo como passei a minha estúpida infância, a ocupação de meus pais, o que faziam antes de eu nascer, e tudo o mais, como se se tratasse de David Copperfield. Mas eu não estou com disposição para isso, se, de facto, querem que vos conte a verdade.
Em primeiro lugar, essas coisas aborrecem-me, e, em segundo lugar, os meus pais teriam duas hemorragias cerebrais se eu revelasse qualquer facto pessoal que lhes dissesse respeito. São muito sensíveis quanto a essas coisas; especialmente o meu pai. Não digo que não sejam boas pessoas, mas são sensíveis como os diabos. Além disso, não vos vou fazer a minha autobiografia ou coisa semelhante. Só vos falarei do que se passou comigo durante o passado Natal, antes de ficar um pouco confuso e de ter de vir para aqui. Aliás, será tudo o que já contei a D.B. E ele é meu irmão. Vive em Hollywood, que não fica muito longe desta bodega, e vem visitar-me praticamente todas as semanas. É ele quem me levará quando eu for para casa, talvez para o mês que vem. Comprou um Jaguar há pouco tempo, um desses carros ingleses que conseguem fazer cento e cinquenta quilómetros por hora. Custou-lhe perto de quatro mil dólares. Mas ele agora tem massa. Antigamente não tinha. Quando vivia connosco não passava de um escritor vulgar. Escreveu um livro de contos terrível – O Peixe Secreto -, em que talvez nunca tenham ouvido falar. O melhor conto era exactamente O Peixe Secreto. Tratava-se de um rapaz que não permitia que ninguém contemplasse o seu peixe, porque o comprara com as suas economias. Esse conto ia-me matando. Agora o meu irmão, o D. B., está em Hollywood e é uma espécie de prostituta. Se há coisas que eu odeie, o cinema é uma delas. Será preferível nunca me falarem nele.
1º Página do livro, Uma Agulha No Palheiro, de J. D. Salinger, Livros Brasil.

Nota: Os tradutores sempre tiveram muita dificuldade em encontrarem uma "forma suficientemente alusiva" para traduzirem para português o título original, da obra de J. D. Salinger, The Catcher in the Rye.
Durante muitos anos, a tradução foi sempre, Uma Agulha no Palheiro, nomeadamente quando esta obra era referida no cinema. No entanto, isso não impediu a Difel de lançar em 2005, uma edição do livro de J.D. Salinger com o título em português, À Espera no Centeio. Não sei se a primeira página deste livro, é igual à do post.

Mutilação Genital Feminina


AMAM - Association of Women Against Genital Mutilation: Plastic doll
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More than 140 million women in the world are condemned to feel nothing.
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Advertising Agency: Contrapunto BBDO, Barcelona, Spain
Creative Director: Tomas Oliva, Carlos De Javier
Art Director: Lucas Jatobá
Copywriter: Marta Caseny
Photographers: Corbis, Carles Nin, Eduardo Colesi
Post Production: Albert Fornos
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Mais de 140 milhões de mulheres no mundo estão condenadas a não sentir nada.

segunda-feira, abril 28, 2008

Geração X


Nos idos de setenta, estava eu com quinze anos, gastei tudo o que tinha no banco para atravessar o continente num jacto 747, até Brandon, Manitoba, no meio das pradarias canadianas, e assistir a um eclipse total do sol. Devo ter dado um estranho espectáculo, com a minha idade, fininho como um lápis e praticamente albino, a registar-me calmamente num motel TraveLodge para passar a noite sozinho, todo contente, a ver anúncios de banha da cobra num canal de televisão e a beber água por uns copos de vidro tão fartos de serem lavados e embrulhados em folhas de papel que parecia que lhes tinham dado lixa. Mas a noite passou-se depressa e, chegada a manhã do eclipse, evitei os autocarros de excursão e tomei um transporte público para o limite urbano. Lá, andei um pouco mais pela berma poeirenta de uma estrada e por um campo lavrado – um tipo qualquer de cereal verde-milho que dava pela altura do peito e fazia restolhada quando as folhas infligiam à minha pele pequenas queimaduras, como as das arestas do papel, enquanto caminha pelo meio delas. E nesse campo, chegada a hora, o minuto e o segundo da escuridão, deitei-me no solo, rodeado por hastes com grãos vigorosos e pelo ruído ténue dos insectos, sustendo a respiração, e senti uma coisa de que nunca viria a livrar-me por completo – uma sensação de escuro, e de inevitabilidade, e de fascínio – uma sensação que certamente todos os jovens tiveram desde a alvorada dos tempos sempre que torceram o pescoço a olhar o céu e o viram desaparecer.
1ª Página do livro Geração X, contos para uma cultura acelerada, de Douglas Coupland, Teorema, naõ tem a data da edição.

Execução de Mussolini


No dia 28 de Abril de 1945, no dia em que as tropas alemãs capitularam na Itália, o líder fascista Benito Mussolini e a sua amante Clara Petacci foram executados.
O fim de Mussolini começou no Verão de 1943, quando os Aliados desembarcaram na Sicília. No dia 25 de Julho desse ano, o rei Vítor Emanuel rendeu-se aos Aliados e declarou guerra à Alemanha nazista, demitindo e mandando prender o “Duce”.
Em resposta, os alemães ocuparam a Itália e libertaram Mussolini da prisão, proclamando a República de Saló, um governo fantoche da Alemanha. Enquanto isso, a população italiana organizava a resistência e cooperava com as tropas aliadas, que avançavam para o norte.
No final de Março de 1945, os guerrilheiros antifascistas, “os partigiani”, conquistaram Milão, fechando o cerco a Mussolini, que ainda tentou, sem sucesso, negociar a sua rendição. No dia 28 de Abril de 1945, os alemães capitularam.
Amargurado e resignado, Mussolini tentou fugir para a Suíça com sua amante Clara Petacci, num comboio de soldados alemães. Mas era tarde demais para o “Duce”: os partigiani interceptaram o comboio, reconheceram o líder fascista e fuzilaram-no juntamente com a amante. Os corpos foram levados para Milão e expostos, pendurados de cabeça para baixo, na praça do Loreto.

Cristiano Ronaldo


O internacional português do Manchester United, Cristiano Ronaldo, venceu ontem, pelo segundo ano consecutivo o prémio de melhor jogador da Premiership, igualando o feito alcançado pelo francês Thierry Henry (2003 e 2004), no Arsenal.
Na galeria dos prémios instituídos pela Associação dos Futebolistas Profissionais (PFA), o espanhol Fabregas (Arsenal) foi eleito o melhor futebolista jovem a actuar em Inglaterra.«Sinto-me muito feliz. Quando se treina toda a época para jogar bem, para fazer algo pela equipa, e no final recebemos um prémio como este da PFA, é um grande momento, uma honra e um prazer», comentou Cristiano Ronaldo, o melhor marcador do campeonato inglês, com 28 golos.(A Bola).

domingo, abril 27, 2008

Resistir


Há dias em que me levanto com uma esperança demencial, momentos em que sinto que as possibilidades de uma vida mais humana estão ao alcance das nossas mãos. Hoje é um desses dias.
Então, pus-me a escrever quase às cegas, de madrugada, com urgência, como quem sai à rua a pedir ajuda perante uma ameaça de incêndio, ou como um barco que, prestes a desaparecer, lançasse um último e fervoroso sinal a um porto que sabe próximo mas ensurdecido pelo ruído da cidade e pela quantidade de letreiros que lhe turvam o olhar.
Peço-vos que nos detenhamos a pensar na grandeza a que ainda podemos aspirar se nos atrevermos a valorizar a vida de outra forma. Peço-nos essa coragem que nos situa na verdadeira dimensão do homem. Todos, mais do que uma vez, nos vergamos. Mas há algo que não falha, é a convicção de que unicamente os valores espirituais nos podem salvar deste terramoto que ameaça a condição humana.
1ª Página do livro, Resistir, de Ernesto Sabato, Dom Quixote, 1ª edição, Abril 2005.

Nota: Hoje criei uma etiqueta a que chamo “primeira página”, que não é nada mais que, a edição da primeira página dos livros que li durante a minha vida. Essencialmente, serve para meter alguma ordem na minha biblioteca, que apesar de não ser extensa, já é complicada gerir e também dar-vos a conhecer um pouco mais de mim, pois as pessoas podem ser conhecidas pelos livros que lêem e muito.

sábado, abril 26, 2008

Bombardeamento de Guernica


"Guernica", a obra política mais famosa do século XX foi motivada pelo bombardeamento da cidade do mesmo nome, centro da tradição cultural basca. O quadro é o reflexo da leitura subjectiva que Pablo Picasso faz da Guerra Civil de Espanha e vem provar que o tema da batalha também pode ser tratado pelos artistas modernos.
Conta-se que um oficial das SS lhe perguntou, apontando para a pintura:
-Foi o senhor que fez isso?.
Picasso respondeu:
-Não. Foi o senhor.
O quadro foi pintado para a Exposição Mundial de Paris, em 1937. Está hoje no Museu Rainha Sofia, em Madrid.
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Na segunda-feira, 26 de Abril de 1937 na cidade de Guernica, no País Basco, que até então permanecera praticamente ao lado da Guerra Civil Espanhola, a vida decorria com a normalidade quotidiana de uma pequena cidade de cinco mil habitantes.
A meio da tarde, por volta das quatro e meia, começa-se a ouvir na cidade algumas detonações isoladas, provocadas pelo lançamento de bombas por parte da força aérea italiana. A população entra em alvoroço, mas nada fazia prever o que viria a seguir.
Entre as seis horas e meia da tarde e as seis horas e quarenta e cinco, em vagas sucessivas, veio o ataque principal dos bombardeiros da nazista Legião Condor que reduziram a cinzas a cidade basca. O ataque aéreo, que teve uma duração total de três horas, custou a vida de 1.645 pessoas.
Calcula-se que, vinte e duas toneladas de explosivos foram lançados sobre aquela pequena cidade, entre pequenas bombas incendiárias e bombas de 250 quilos. Trezentas pessoas morreram imediatamente, milhares ficaram feridas, até porque os aviões alemães perseguiam e abatiam os fugitivos. Três quartos dos prédios foram arrasados e ao mesmo tempo , a rede de canalização da água foi também destruida, fazendo com que, os prédios que não foram dizimados pelos bombardeamentos, fossem consumidos pelas chamas que alastraram livremente, em frente de uma população impotente para as combater.
O criminoso diário de guerra dos franquistas, concluiu: “O tipo de construção das casas fez com que a destruição fosse total. Ainda se vêem os buracos das bombas na rua. Simplesmente fantástico”.
A política da Alemanha nazi, foi utilizar a Guerra Civil Espanhola como campo de testes para os pilotos e os aviões da Luftwaffe. O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeamento aéreo massivo contra a população civil na história europeia. A partir daí, e principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, o terror contra civis tornou-se um princípio.

quinta-feira, abril 24, 2008

Liberdade vs Saudosismo


Não raras vezes somos confrontados com comentários sobre a situação do país que invariavelmente terminam com expressões do género: - Para por isto direito, só com outro Salazar.
Quem faz este tipo de afirmações, e isto é o mais intrigante, tanto são os que viveram na ditadura como quem não a viveu. As suas opiniões resultam da redutora visão que têm do mundo. Exactamente por isto, qualquer tentativa de dialogar com pessoas assim, revela-se sistematicamente impossível.
A enorme ignorância demonstrada condiciona quer a capacidade para entender qualquer raciocínio que se tente estabelecer, quer a capacidade de argumentação de sentido contrário.
Existem ainda os saudosistas. Mas estes conhecem o significado pessoal do regresso ao passado e, por isso mesmo, não se assumem publicamente. A todos estes é importante lembrar que, a não ser uma qualquer patologia, não há nada que justifique a preferência por viver em países em que se torturam ou matam seres humanos apenas porque discordam do regime vigente.
Certamente, esta maioria saudosista eram os chamados “bufos” do antigo regime ou estavam instalados na entourage governamental e nunca foram incomodados durante a noite, para irem para os calabouços da PIDE, dizerem debaixo de tortura, aquilo que sabiam e não sabiam, aquilo que tinham dito e não dito. A verdade era relativa, na verdade, era aquilo o que os verdugos entendessem por verdade.
Normalmente estas barbaridades são proferidas na sequência de acontecimentos graves do ponto de vista criminal, com a justificação de que naqueles tempos nada disto acontecia, o que configura uma avaliação manifestamente errada da história. Sempre existiram todo o tipo de crimes e os maiores, eram mesmo perpetrados pelo Estado e pela sua polícia política. A diferença, com o que se passa hoje em dia, residia na censura, que não permitia a sua divulgação, na controlada imprensa portuguesa.
Em relação aos que nunca viveram ou viveram por tempo insuficiente sobre o jugo de um estado totalitário, embora não possam expressar na primeira pessoa os sentimentos que estão associados, bastaria conhecer os regimes ditatoriais ainda vigentes no nosso planeta, as experiências dos seus dissidentes, as denúncias dos defensores dos direitos humanos, os filmes e os livros, para perceberem o que é viver privado de Liberdade e deste modo, enaltecer este valor como o mais importante para a Humanidade.
O 25 de Abril não foi uma revolução perfeita e apesar de não haver muito mais a comemorar em relação aos ideais de Abril, ficou acima de tudo, esse valor maior que é a Liberdade. (com Filipe Pinto).

O Show dos Cobardes

Love that kills.
The Cowards Show.
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Advertising Agency: Wunderman, Chile
Creative Director: Eduardo Ibarra
Art Director / Illustrator: Pato Valenzuela
Copywriter: Mauro Garcia
Photographer: Rodrigo Barrionuevo
Published: April 2008
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Amor que mata.
O show dos cobardes.

quarta-feira, abril 23, 2008

Tortura Por Simulação de Afogamento


A Amnistia Internacional lançou ontem um vídeo sobre a prática do waterboarding, que consiste numa espécie de afogamento simulado dos prisioneiros.
O anúncio, que será transmitido nos cinemas britânicos a partir de 9 de Maio, foi produzido para chocar os espectadores. As imagens iniciais dão a impressão de que se trata de uma publicidade a uma água mineral. No entanto, o final do anúncio mostra a água a ser despejada na boca do prisioneiro, a exemplo do que acontece com a prática do waterboarding, usada nos interrogatórios feitos pela CIA. Para a Amnistia Internacional e outras organizações de defesa dos direitos humanos, a simulação da sensação de afogamento é tortura.
Segundo Kate Allen, a directora da Amnistia Internacional no Reino Unido, “o filme mostra o que a CIA não quer que se veja – a realidade repugnante de quase afogar uma pessoa e chamar isso de ‘interrogatório aprimorado”, numa referência clara, ao presidente americano, George W. Bush, que vetou em Março uma lei que proibiria a prática do que ele chamou de “práticas de interrogação aprimoradas” pela CIA.
O director da CIA, Michael Hayden, admitiu no passado mês de Fevereiro, que a agência americana, usou esta técnica em três suspeitos da rede terrorista al-Qaeda em interrogatórios relacionados aos atentados de 11 de Setembro.
O especialista em segurança americana Malcolm Nance disse que o filme da Amnistia Internacional retrata com precisão como a prática é realizada: “Treinei oficiais americanos sobre técnicas de resistência ao waterboarding e posso afirmar que o filme mostra exactamente como a técnica é realizada”, disse.
Intitulado "Stuff of Life" - Coisas da Vida - o filme faz parte de uma campanha da Amnistia Internacional para mobilizar a sociedade pelos direitos humanos, na chamada “guerra contra o terrorismo”. (com BBC).

Dia "Mundial" do Livro

UNICEF
More Education For Girls In Islamic Countries.

terça-feira, abril 22, 2008

Nascer da Terra


Nascer da Terra, William Anders, 1968, NASA

O falecido fotógrafo Galen Rowell chamou a esta imagem, “ a mais influente fotografia ambiental jamais tirada”. Captada na véspera do Natal de 1968, a fotografia do nascer da Terra inspira à contemplação da nossa frágil existência e lugar no Universo.
Frank Borman e William Anders, da missão Apolo 8, cada um por si estava convencido de ser o autor desta fotografia. Uma investigação feita a dois rolos, demonstrou que Borman tinha feito uma foto anterior, a preto e branco, mas que a sombólica fotografia a cores, foi efectivamente feita por Anders. Esta fotografia foi reproduzida em selo pelos correios americanos e é capa de milhares de livros a nível mundial.

Pálido Ponto Azul


No dia 14 de Fevereiro de 1990, Carl Sagan pediu à NASA, que orientasse a sonda Voyager 1, de maneira a que esta pudesse, tirar uma fotografia da Terra do ponto onde se encontrava, no limite do Sistema Solar.
O resultado foi esta fotografia, “Pale Blue Dot” – Pálido Ponto Azul - tirada a uma distância de 6,4 mil milhões de quilómetros do nosso planeta.

Dia Da Terra


"Mearth", montagem/fotografia da WWF.
O Dia da Terra é celebrado a 22 de Abril, desde 1970 quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. Este ano, no seu 38º aniversário será celebrado sobre o lema “Healthy Wetlands, Healthy People”, numa tradução minha e à letra, “Zonas Húmidas saudáveis, Gente saudável”.
O Dia da Terra deverá servir como um momento de reflexão para todos nós enquanto cidadãos, sobre a forma como as nossas rotinas diárias contribuem para a destruição do frágil equilíbrio do nosso Planeta. Temos a obrigação moral, de pelos menos deixar o Planeta como o encontrámos quando cá chegámos, para que as gerações vindouras, possam também usufruir dele.
Num mundo globalizado e consumista é difícil ter a noção do ciclo de vida de muitos dos produtos que adquirimos ou usamos no nosso dia a dia.
Uma maior exigência ao nível da qualidade da informação que nos é facultada enquanto consumidores e cidadãos, mas também a adopção de uma postura mais activa na exigência dessa mesma informação e na adopção de práticas que respeitem o ambiente, são passos fundamentais para que sejamos verdadeiros cidadãos do mundo ao contribuir diariamente para o desenvolvimento harmonioso a nível local, e global.
O pensamento deve ser global, mas a acção local. Para mantermos o equilíbrio do planeta é preciso consciência da importância da alteração da maneira como consumimos os recursos do planeta, a começar pelas crianças. Não se pode acabar com os recursos naturais, essenciais para a vida humana, pois não haverá como repô-los. Vale a pena pensar nisto.

domingo, abril 20, 2008

Queda da Natalidade


Um dos problemas actuais é a proliferação de estudos. Há estudos para tudo, mesmo para o problema da minha unha encravada. Basta ter tempo para procurar e encontra-se, meia dúzia de “cientistas” a atestarem que o meu problema, é não saber cortar as unhas.
Este estudo sobre a queda da natalidade, é tão ridículo como outro qualquer.