segunda-feira, maio 12, 2008

Manchester United Campeão


Ia escrever um post, sobre a vitória do Manchester United no campeonato inglês e também que o Cristiano Ronaldo, está prestes a ganhar a Bota de Ouro, de melhor goleador europeu.
Mas depois lembrei-me, que o João é capaz de passar por aqui.

domingo, maio 11, 2008

a um deus desconhecido


A UM DEUS DESCONHECIDO

Ele é que nos faz respirar e a força é dádiva Sua.
As altas divindades respeitam os Seus mandamentos.
A Sua sombra é Vida, a Sua sombra é Morte;
Quem é Ele. a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Apesar do Seu poder, tornou-se senhor da vida e do mundo resplandecente.
E governa o mundo, os homens e as bestas.
Quem é ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Da Sua força as montanhas tomaram forma, e também o mar
E o distante rio;
Sãos esses o Seu corpo e os seus dois braços.
Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Fez o Céu e fez a Terra e, pela Sua vontade, ocuparam os seus lugares,
Contudo, olham-No e estremecem.
O Sol nascente brilha sob a Sua vontade.
Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Olhou sobre as águas que entesouraram o Seu poder e engendraram a imolação.
É o Deus dos Deuses.
Quem é Ele a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Que não nos fira Aquele que fez a Terra,
Que fez o Céu e o Mar reluzente?
Quem é o Deus a quem oferecemos sacrifícios?

Após o armazenamento das colheitas na quinta Wayne, próximo de Pittsford, no Vermont, quando a lenha para o Inverno estava cortada e a primeira fina camada de neve jazia no solo, Joseph Wayne foi ter com o pai, que se encontrava sentado na cadeira de costas altas, junto da lareira. Aqueles dois homens eram semelhantes. Ambos tinham grandes narizes e maças do rosto salientes; ambos os rostos pareciam feitos do mesmo material, mais duro e durável que a carne, uma substância semelhante à pedra, que não se altera com facilidade. A barba de Joseph era negra e sedosa, ainda suficientemente rala para que o esboço sombreado do queixo se visse através dela. A do velho era longa e branca. Cofiava-a aqui e ali, com dedos cautelosos, tornando-lhe as pontas para a proteger. Só passado um bocado deu pela presença do filho a seu lado. Ergueu os olhos velhos, conhecedores e plácidos olhos muito azuis. Os de Joseph eram também da mesma cor, mas orgulhosos e curiosos com a juventude. Agora que se encontrava junto do pai, hesitava comunicar-lhe a sua nova heresia.
Preâmbulo e 1º página do livro, A Um Deus Desconhecido, de John Steinbeck, editora Livros do Brasil.

Poster de Eusébio


Segundo o Swissinfo, este exemplar de um poster de Eusébio, que se diz, ser único, vai ser colocado à venda no próximo dia 1 de Junho, por um valor fixo de um milhão e meio de euros, numa cerimónia que terá lugar num grande hotel em Neuchatel, data esta que coincide com a presença da selecção de portuguesa em terras helvéticas para a fase final do Euro 2008.
O poster encontra-se guardado a sete chaves num cofre de um banco suíço. O valor pedido de um milhão e meio de euros, caso seja atingido, será empregue em obras do foro social.
O poster em questão foi adquirido pela quantia de mil francos suíços num leilão, no mês de Dezembro de 1989, numa festa para a comunidade portuguesa na Suiça, que contou com a presença do Eusébio, o qual autografou o respectivo poster. Desde então tem merecido a atenção de muitos simpatizantes benfiquistas que têm manifestado interesse em adquirir o mesmo, oferecendo montantes cada vez mais exorbitantes.
Ao que tudo indica, a cerimónia de leilão vai contar com a presença de Eusébio e será circunscrita a jornalistas e a altas individualidades convidadas para o efeito.
Não sei se o poster é único ou não, (duvido muito que o seja, excepto o facto, de ser o único que tem uma assinatura do Eusébio) mas muito mal está este mundo se um simples poster ( de qualidade duvidosa) de uma revista, (a revista Motor?), for licitado e arrematado pelo valor pedido.
Haja vergonha.

Repórteres Sem Fronteiras

Reporters Without Borders
Advertising Agency: McCann Erickson, Geneva, Switzerland
Creative Director: Timo Kirez
Art Director / Illustrator: Angelo Sciullo
Copywriters: David von Ritter, Chantal Panozzo

sexta-feira, maio 09, 2008

Se Isto É Um Homem


SE ISTO É UM HOMEM

Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelos e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repetias aos vossos filhos.
Ou então que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entreve,
Que os vossos filhos vos virem a cara.

Fui capturado pela Milícia fascista a 13 de Dezembro de 1943. Tinha vinte e quatro anos, pouco bom senso, nenhuma experiência e uma acentuada inclinação, favorecida pelo regime de segregação ao qual desde há quatro anos fora obrigado pelas leis raciais, para viver num mundo só meu, pouco real, povoado por civilizados fantasmas cartesianos, por sinceras amizades masculinas e por amizades femininas evanescentes, Cultivava um moderado e abstracto sentido de rebelião.
Não fora fácil para mim escolher a via das montanhas e contribuir para pôr de pé a que, na minha opinião e de outros amigos pouco mais experientes do que eu, deveria transformar-se numa brigada de partigiani filiada no grupo “Giustizia e Libertá”. Faltavam-nos os contactos, as armas, o dinheiro e a experiência para os arranjar; faltavam os homens capazes e, pelo contrário, estávamos submersos por um dilúvio de pessoas desqualificadas, de boa e de má-fé, que chegavam até lá acima vindas da planície à procura de uma organização inexistente, de quadros, de armas, ou apenas de protecção, de um esconderijo, de uma fogueira, de um par de sapatos.
Naquele tempo, ainda ninguém me ensinara a doutrina que mais tarde havia de aprender rapidamente no Lager, segundo a qual a primeira tarefa do homem é tentar alcançar os seus objectivos com meios adequados, e quem errar, paga; por isso, não posso deixar de considerar justo o sucessivo desenrolar dos acontecimentos. Três centúrias da Milícia, partidas no meio da noite para surpreender outra brigada, bem mais potente e perigosa do que a nossa, aninhada no vale adjacente, irromperam numa espectral madrugada de neve no nosso refúgio e levaram-me para o vale como suspeito.
Preâmbulo e 1ª página, do livro, Se Isto É Um Homem, de Primo Levi, Editorial Teorema, sem data de edição.

O Primeiro-ministro tem razão


José Sócrates, 8 de Maio de 2008, na Assembleia da República, durante a discussão da moção de censura, apresentada pelo Partido Comunista Português, ao seu Governo.

Reciclar


Greenpeace: Recycling

Recycling: You're already doing it.We humans are born to recycle. So why not find out more on how to do all the different kinds of recycling?

Advertising Agency: Ogilvy Asia Pacific
Creative Directors: Andrew Lok, Gary Tranter, Matt Cullen
Art Directors / Copywriters: Andrew Lok, Shannon Tham
Illustrator: Shannon Tham
Published: May 2008

quinta-feira, maio 08, 2008

A Queda


Pelas três horas subiam ao céu negro umas bolas luminosas, submergindo a testa-de.ponte de Kustrin numa luz vermelho-brilhante. Após um momento de sufocante silêncio, começou o estrondo dos canhões, fazendo tremer as planícies do rio Oder muito além de Frankfurt. Como que movidas por uma mão fantasma, as sirenes começaram a entoar, ouvindo-se nalguns sítios até Berlim, os telefones gritavam e os livros caíam das prateleiras. Com vinte exércitos e dois milhões e meio de soldados, mais de quarenta mil lançadores de granadas e peças de campanha, como também centenas de lança-foguetes do tipo Katyusha, com trezentos projécteis por quilómetro, o Exército Vermelho abria a batalha naquele dia 16 de Abril de 1945…
1ª Página do livro, A Queda, Hitler E O Fim do Terceiro Reich, de Joachim Fest, Guerra e Paz Editores, 1ª edição 2007.
Nota: Na realidade não é a primeira página do livro, é apenas meia-página. Mas como repararam o livro não é ficção e tem tudo a ver com a fotografia abaixo publicada.
Esta obra do jornalista e historiador Joachim Fest, serviu de inspiração ao filme homónimo, estreado em 2004.
Joachim Fest ganhou notoriedade em 1973, quando lançou a biografia sobre Hitler, “Hitler. Eine Biografie” (“Hitler. Uma biografia”), considerada ainda hoje a principal obra de referência sobre o ditador.
Um mês antes de morrer (11 de Setembro de 2006) Joachim Fest, não poupou críticas a Gunter Grass, a quem classificou de uma "estridente mentira de vida" e de falso moralista, pela revelação que este fez no seu livro autobiográfico “Descascando a Cebola”, (que seria editado já depois da morte do historiador), de que teria pertencido à força nazista Waffen- SS. "A confissão chega tarde, sobretudo vinda de alguém que durante décadas se apresentou como a instância moral do país" sublinha Joachim Fest. "Grass sempre foi impiedoso quando se tratava de erros da juventude. Eu e muitos camaradas de escola fomos voluntários para a Wehrmacht porque sabíamos que assim evitaríamos acabar nas Waffen-SS", declarou.

Angola é Gerida Por Criminosos


“Angola é gerida por criminosos”, a afirmação é do ex. músico e activista Bob Geldof , proferida, anteontem, numa conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, em Lisboa.
Para sustentar a sua afirmação Bob Geldof disse que “as casas mais ricas do Mundo estão na baía de Luanda, são mais caras do que em Chelsea e Park Lane”, estabelecendo como comparação estes dois bairros luxuosos da capital inglesa.
O Grupo Espírito Santo, que co-organizou a conferência com o jornal Expresso, reagiu prontamente, demarcando-se das afirmações do músico. É natural as instituições financeiras serem esquivas. As instituições políticas, também.
Na realidade, as afirmações não são disparatadas*, por isso, impõe-se uma pergunta: Qual foi a parte que não compreenderam das afirmações de Geldof?
*A única actividade de José Eduardo dos Santos, nos últimos 28 anos, foi ser Presidente de Angola (este facto por si só, quase diz tudo), com esta actividade, tornou-se no homem mais rico de Angola e frequentemente apontado, como um dos 20 homens mais ricos do mundo, apesar de ser difícil, quantificar uma fortuna ilegítima. Como é isso possível?
A explicação, para o enriquecimento ilícito do presidente angolano, talvez esteja no facto de Angola ser considerada em 2003 " como um dos cinco países mais corruptos a nível mundial", no relatório da Transparência Internacional; Madagáscar, o Paraguai, a Nigéria e o Bangladesh são os outros quatro países que disputam com o Estado angolano o triste lugar de nação mais corrupta.
Como disse, Lord Acton, na sua carta ao Bispo M.Creighton, “quando se tem uma concentração de poder em poucas mãos, frequentemente homens com mentalidade de gangsters detêm o controle. A história provou isso. Todo o poder corrompe: o poder absoluto, corrompe absolutamente.”

Bandeira Soviética no Reichstag


Fotografia de Yevgeny Khaldei/ITAR/TASS
O fotógrafo Yevgeny Khaldei acompanhou as tropas soviéticas na ocupação de Berlim, transportando uma bandeira vermelha atada à cintura.
Sobre os escombros da capital do Reich, entregou-a aos soldados que a ergueram no cimo do Reichstag, no dia 2 de Maio de 1945.
A bandeira soviética a esvoaçar no topo do destruído Parlamento alemão foi apenas o culminar da longa batalha de duas longas semanas, de 16 de Abril a 2 de Maio, pela capital do III Reich. Estima-se que mais de 300 mil russos tenham perdido a vida nesta batalha, assim como mais de 100 mil civis alemães.
A Segunda Guerra Mundial acabaria na Europa, dias depois, a 8 de Maio de 1945, quando o marechal Wilhelm Keitel assinou a rendição incondicional da Wehrmacht.
Berlim seria definitivamente libertada, 44 anos depois com a queda do Muro de Berlim.

terça-feira, maio 06, 2008

Desgraça


Para um homem da sua idade, cinquenta e dois anos, tem resolvido bastante bem, segundo ele, o problema do sexo. Nas tardes de quinta-feira vai de carro até Green Point. Pontualmente, às duas da tarde, carrega na campainha da entrada para a Windsor Mansions, diz o nome e entra. À sua espera, á porta do 113, está Soraya. Dirige-se directamente para o quarto, que tem um cheiro agradável e uma iluminação suave, e despe-se. Soraya, da casa de banho, deixa cair o robe e, deslizante, deita-se na cama a seu lado. – Tivestes saudades minhas? - pergunta ela. – Tenho sempre saudades tuas - responde ele. Acaricia-lhe o corpo cor de mel no qual o sol não deixou marca; estende-a e beija-lhe os seios; fazem amor.
Soraya é alta e esguia, de longos cabelos negros e olhos escuros e húmidos. Tecnicamente, ele tem idade suficiente para ser pai dela; mas, também, é possível ser-se pai aos doze anos. Há mais de um ano que ele a visita; considera-a completamente satisfatória. No deserto da semana, a quinta-feira tornou-se um oásis de luxe et volupté.
Na cama Soraya não é exuberante. Na verdade, o seu temperamento é bastante reservado, reservado e dócil. As suas opiniões são, surpreendentemente, moralistas. Fica ofendida com as turistas que mostram os seios (as “tetas” como ela lhes chama) nas praias públicas; acha que os vagabundos deveriam ser presos e mandados varrer as ruas. A ele pouco lhe importa como ela consegue conciliar tais opiniões com a profissão que tem.
Já que ela lhe dá prazer, já que o seu prazer é contínuo, afeiçoou-se-lhe bastante. Acredita que, até certo ponto, esta afeição é recíproca. A afeição pode não ser igual ao amor, mas anda lá perto. Olhando para as suas origens pouco prometedoras, ambos tiveram sorte: ele por tê-la encontrado, ela por tê-lo encontrado a ele.
Os sentimentos dele, está consciente, são complacentes, até excessivamente ternos. Não obstante, não deixa de se agarrar a eles.
1ª Página do livro, Desgraça, de J. M. Coetzee, Publicação Dom Quixote, 1ª edição: Abril de 2000

Ataque Com Napalm


Fotografia de Nick Ut, Associated Press.
Esta fotografia de Nick Ut, Associated Press, tirada em 8 de Junho de 1972, simboliza toda a tragédia que foi a Guerra do Vietname .
O fotógrafo Huynh Cong "Nick" Ut estava a sessenta quilómetros de Saigão quando aviões americanos borbadearam por engano uma aldeia que suspeitavam ser um refúgio vietcong.
Um minuto depois, a pequena Kim Phuc, a rapariga nua no centro da fotografia e outras crianças, correram na sua direcção. Depois de tirar a fotografia, Nick Ut, borrifou com água o corpo de Kim Phuc e levou-a imediatamente ao hospital.
Kim Phuc tinha na altura nove anos e mostra com os seus braços estendidos todo o terror, impotência, dor e sofrimento, infligido pelos bombardeamentos americanos.
Nick Ut ganhou o Prémio Pullitzer, com esta fotografia.

Kim Phuc


Kim Phuc, em 1997 com o seu primeiro filho. Hoje tem 45 anos e vive em Toronto, Canadá, com o seu marido e os seus dois filhos. Kim Phuc passou catorze meses num hospital de Saigão para curar as queimaduras, que sofreu em mais de 90% do corpo. Em 1996, o reverendo John Plummer, que reivindicou a autoria do ataque, pediu-lhe perdão.
Nick Ut e Kim Phuc, encontraram-se em 1989 na cidade de Havana, Cuba, e esta garantiu que o fotógrafo lhe salvou a vida.

segunda-feira, maio 05, 2008

A Última Estação


O ano mudou mais uma vez, trazendo-nos até ao fim da primeira década do novo século. Escrevo os números no meu diário.1910. Será possível?
Lióvuchka está agora a dormir e não vai acordar até ao nascer do dia. Há pouco tempo, o som cavo dos seus roncos fez-me atravessar o corredor até chegar ao quarto. Os roncos dele ressoam pela casa como uma porta que range, e os criados riem-se disso. “Lá está o velhote a serrar lenha”, é o que eles costumam dizer, mesmo à minha frente. Já não me respeitam, mas continuo a sorrir-lhes.
A forma como Lióvuchka ressona já não me incomoda, uma vez que dormimos agora em quarto separados. Quando dormíamos na mesma cama, ele tinha dentes, o que atenuava o ruído.
Seitei-me na cama pequena e estreita e puxei-lhe o cobertor, com motivos de chaves estampadas, até ao queixo. Ele sobressaltou-se e fez uma careta monstruosa, mas não acordou. Quase nada acorda Lev Tolstói. Tudo aquilo que ele faz, fá-lo por completo, quer seja a dormir, trabalhar, dançar, andar a cavalo ou a comer. Estão sempre a escrever sobre ele na imprensa. Até mesmo em Paris, os matutinos adoram todos os mexericos acerca dele, acerca de nós – verdadeiros ou falsos, isso não importa. “O que é que o conde Tolstói gosta de comer ao pequeno-almoço, condessa?”, perguntam eles, a fazerem fila no alpendre da frente para obterem entrevistas nos meses de Verão, quando o tempo em Tula faz desta localidade um destino muito agradável. “É ele quem corta o próprio cabelo? O que está ele agora a ler? Já lhe comprou um presente para comemorar o dia do santo dele?”
As perguntas não me incomodam. Forneço-lhes apenas o suficiente para os enviar de volta felizes. Lióvuchka parece não se importar. De qualquer forma, já não lê os artigos, mesmo quando os deixo na mesa ao lado do pequeno-almoço.”Não têm qualquer interesse”, diz ele. “Não sei por que é que alguém se dá ao trabalho de publicar esse lixo”.
No entanto, olha de relance para as fotografias. Há sempre um fotógrafo por aqui a tirar fotografias a tudo e a implorar por um retrato. Tcherkov é quem mais problemas causa. Pensa que é um artista com a câmara fotográfica, mas é tão absurdo com ela como é com tudo o resto.
1ª Página do livro, A Última Estação, de Jay Parini, Editorial Presença, 1ª edição, Dezembro de 2007.
Nota: Romance histórico baseado nos diários daqueles que integravam o círculo mais próximo de Lev Tolstói, o livro retrata o último ano de vida do famoso escritor.
Lev Nikolaievitch Tolstói, conde de Tolstói, nasceu no seio de uma família nobre, em Yasnaya Polyana, província de Tula, em 28 de Agosto de 1828.
Perdeu os pais ainda muito novo tendo sido criado por parentes. Em 1844, Lev Tolstói iniciou os seus estudos em Direito e Literatura Oriental na Universidade de Kazan, no entanto abandonou a faculdade antes de se licenciar.
Insatisfeito com a educação, regressou aos seus estudos em Yasnaya Polyana, passando grande parte do tempo em Moscovo e em São Petesburgo.Em 1851, o sentimento de vazio existencial levou-o a juntar-se ao irmão, soldado no Cáucaso.
É nesta época que inicia a sua carreira literária, ao publicar a primeira parte da trilogia autobiográfica Infância (1852), que foi concluída com Adolescência (1854) e Juventude (1857).
Em 1857, visitou a França, a Suíça e a Alemanha. Depois das viagens, instalou-se em Yasnaja Polyana e fundou uma escola para filhos de camponeses. Para Tolstói, o segredo para mudar o mundo residia na educação.
Durante as suas viagens pela Europa, analisou a teoria e a prática educacional, tendo publicado artigos e manuais sobre o tema.
Em 1862, casou com Sonya Andreyevna Behrs, que se tornou a sua secretária devota. A sua leitura abrangia a ficção e a filosofia. Entre os seus autores preferidos encontravam-se Platão, Rousseau, Dickens e Sterne. Nos anos 50 lia e admirava Goethe, Stendhal, Thackeray e George Eliot.
A obra Guerra e Paz (1863-69) reflectia o ponto de vista de Lev Tolstói, de que tudo estava predestinado. A sua outra obra-prima surgiu em 1873-77, Anna Karenina.Em 1880, escreveu obras filosóficas como A Confession e What I Believe, que foi banida em 1884.
Começou por ver-se mais como um sábio e um líder moral do que como artista.A partir de 1880, Tolstói atravessou uma profunda crise espiritual e assumiu diversas posições de cariz moral, incluindo a resistência passiva ao mal, a rejeição da autoridade (religiosa ou civil) e a propriedade privada, e um regresso ao cristianismo místico.
Foi excomungado pela igreja ortodoxa, tendo as suas obras posteriores sido proibidas. A Morte de Ivan Ilitch (1886), A Sonata a Kreutzer (1890), Ressurreição (1889-99) e Hadji Mourat (1890-1904) fazem parte deste período.
O desejo que o autor tinha de renunciar aos seus bens e de viver como um camponês perturbou a sua vida familiar, tendo acabado por fugir de casa e morrer com pneumonia numa estação de caminhos-de-ferro em Astapovo, em 7 de Novembro de 1910.

Execução do Guerrilheiro Vietcong


Fotografia Eddie Adams/Associated Press
Esta fotografia tirada por Eddie Adams no dia 1 de Fevereiro de 1968, no início da Ofensiva do Tet, tornou-se um dos ícones dos protestos contra a Guerra do Vietname.
O comandante da polícia de Saigão, o general Nguyen Ngoc Loan, executa com um único tiro um prisioneiro acusado de ser capitão vietcong. No exacto momento em que Loan executa o prisioneiro, o fotógrafo Eddie Adams, da Associated Press, fixou o acontecimento, ganhando o Prémio Pulitzer, com a fotografia.
Adams nunca aceitou o dinheiro do prémio que ganhou com esta fotografia. Quando o general Loan morreu de cancro em 1998, Eddie Adams afirmou: “ O tipo era um herói! A América devia estar a chorá-lo. Detesto vê-lo a partir desta forma, sem as pessoas saberem nada a seu respeito”. Mas, nada mais, disse.

sábado, maio 03, 2008

As velas ardem até ao fim


De manhã o general demorou-se muito na cave do lagar. Foi para a vinha de madrugada, com o vinhateiro, porque dois barris do seu vinho tinham começado a fermentar. Já passava das onze quando acabou o engarrafamento e voltou para casa. Debaixo das colunas do pórtico, cheio de bolor devido às pedras húmidas, esperava o guarda-caça que entregou uma carta ao seu senhor que chegava.
- Que queres? – disse ele, parando com um ar aborrecido. Puxou para trás o seu chapéu de palha, cuja aba larga lhe ensombrava inteiramente o rosto encarnado. Há alguns anos que não abria nem lia cartas. Um feitor abria e seleccionava a correspondência no escritório do caseiro.
-Trouxe-a um mensageiro – disse o guarda-caça que aguardava hirto.
O general reconheceu a letra, pegou na carta e meteu-a no bolso. Entrou no vestíbulo fresco e em silêncio entregou o chapéu e a bengala ao guarda-caça. Procurou os óculos no bolso interior, aproximou-se da janela e, na penumbra, à luz que vinha das frestas das persianas semicerradas, começou a ler a carta.
-espera – disse por cima dos ombros ao guarda-caça que se apresentava a partir com o chapéu e a bengala.
Enfiou a carta no bolso.
-Diz ao Kálmán que prepare o coche para seis. O landau, porque vai chover. Que ponha a libré de gala. Tu também – disse com uma ênfase inesperada, como se alguma coisa o tivesse enfurecido.
- Quero tudo a brilhar. Comecem imediatamente a limpar o coche e a ferramenta. Vestes a libré, percebes? E sentas-te na boleia, junto ao Kálmán.
-Percebo, Excelência – respondeu o guarda-caça, olhando fixamente o patrão. – Para as seis.
- Vão partir às seis e meia – disse o general e movia os lábios silenciosamente como se fizesse cálculos. – Apresentas-te na Águia Branca. Diz apenas que fui que te mandei e que o coche veio para levar o senhor capitão. Repete.
1ª Página do livro, As Velas Ardem Até Ao Fim, de Sándor Márai, Dom Quixote, 7ª edição Fevereiro de 2005.
Nota: Gosto muito desta passagem do livro, que passo a transcrever:
É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem.O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano. Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas nem louvores.Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os defeitos, egoísmo e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão.Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos.Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é o mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa.

Santa Nostalgia

Maddie, Morreu Há Um Ano

Faz hoje um ano que angélica Maddie morreu. Uma morte triste, solitária e nebulosa, para tão curta existência.

sexta-feira, maio 02, 2008

Uma Conspiração De Estúpidos


O boné verde de caçador apertava-lhe o alto da cabeça, que era um balão carnudo. As abas verdes, preenchidas com orelhas enormes, cabelos compridos e a penugem rala dos ouvidos, elevavam-se de ambos os lados, quais sinais de trânsito que indicassem dois sentidos ao mesmo tempo. Os lábios cheios e franzidos salientavam-se sob o bigode negro e farfalhudo e, aos cantos, descaíam em pequenas rugas cheias de censuras e de restos de batatas fritas. À sombra da pala do boné verde, os olhos azuis e amarelos de Ignatius J. Reilly fitavam com sobranceria as outras pessoas que esperavam debaixo do relógio dos armazéns D. H. Holmes, examinando a multidão, em busca de sinais de mau gosto no vestir. Ignatius reparou que várias roupas eram suficientemente novas e caras para poderem considerar-se propriamente ofensas ao bom gosto e à decência. O facto de uma pessoa possuir uma peça de vestuário nova ou cara só reflectia a sua falta de teologia e de geometria; podia até suscitar dúvidas acerca da sua alma.
Ignatius estava vestido com conforto e sensatez. O boné de caçador protegia-lhe as orelhas do frio. As volumosas calças de tweed eram duráveis e permitiam-lhe mover-se com uma invulgar facilidade. As suas pregas e ângulos continham bolsas de ar quente e viciado que confortava Ignatius. A camisa de flanela aos quadrados dispensava o uso de um casaco e o sobretudo protegia a pele exposta de Reilly entre as abas e o colarinho. O conjunto era aceitável à luz de quaisquer padrões teológicos e geométricos, ainda que abstruso, e sugeria uma vida interior rica.
Balançando as ancas à sua maneira arrastada e elefantina, Ignatius projectava ondas de carne que se agitavam debaixo do tweed e da flanela e iam rebentar nos botões e nas costuras. Entretanto, pensava que já estava há muito tempo à espera da mãe. Acima de tudo, pensava no desconforto que começava a sentir. Parecia que todo o seu ser estava prestes a rebentar pelas botas inchadas de camurça e, para comprová-lo, voltou os olhos singulares para os pés. De facto, parecia que tinha os pés inchados. Estava pronto a apontar à mãe aquelas botas inchadas como prova da sua negligência. Levantando a cabeça, reparou que o sol começava a descer sobre o Mississipi, ao fundo de Canal Street. O relógio Holmes indicava que eram quase cinco horas. Ignatius dava os últimos retoques numa série de acusações cuidadosamente preparadas para conduzir a mãe ao arrependimento ou, pelo menos, à confusão. Muitas vezes era obrigado a pô-la no seu lugar.
1ª Página do livro, Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole, Terramar, 2ª edição Fevereiro de 1998.

Nota: Quando John Kennedy Toole, acabou de escrever este seu livro, submeteu o manuscrito à apreciação de uma das mais importantes editoras norte-americanas, que recusou editá-lo. Outras sete se seguiriam e todas se recusaram a fazer a edição do livro. Frustrado, por este insucesso, John Kennedy Toole, suicidou-se em 26 de Março de 1969, com a idade de 31 anos.
Em 1976, a mãe do autor, Thelma Toole, insistiu junto do escritor e académico, Walker Percy, para ter uma opinião do manuscrito que o filho tinha deixado completo. Contrariado, pela persistência da senhora, Percy não teve outra solução que ler o manuscrito, na esperança que ele fosse tão fraco, que ao fim de meia dúzia de páginas, em consciência, não fosse obrigado a ler mais. Era muito bom.
Com o patrocínio de Walker Percy, a Louisiana State University Press, fez em 1980 uma edição de 2500 exemplares. Esta edição, foi um acontecimento marcante no mundo literário norte-americano, o que levou Toole a receber postumamente, em 1981 o Prémio Pulitzer de Ficção. O livro já vendeu mais de um milhão e meio de cópias e está editado em dezoito línguas.

Campanha Da Amizade


Recebi este selo de amizade através do César Paulo Salema, do blogue A Vida é Uma Magnólia, ao qual agradeço a atribuição e a distinção.
Este selo faz parte da corrente da blogosfera, Campanha da Amizade, que consiste em copiar o selo aqui exibido e nomear cinco blogues amigos, avisando cada um deles da sua nomeação.
Apesar de não gostar nada de correntes, só o nome mete-me pavor, não é por mim que esta corrente será quebrada.
Assim nomeio, os cinco ilustres blogues amigos:

Not A Game

Action Mines Canada: Not a game
.
The search continues (also meaning the game is not over). Anti-personnel landmines still kill 15000 people every year.

Advertising Agency: Palm Arnold, Montréal, Canada
Creative Director: Pascal De Decker
Art Director: Sebastien Boutebel
Copywriter: Jean-Laurent Py

quinta-feira, maio 01, 2008

VERNON LITTLE, O Bode Expiatório


Está um calor de morrer em Martirio, mas os jornais que estão no alpendre até gelam com as notícias. Nem tentem adivinhar quem é que ficou toda a noite de terça-feira na rua. Uma pista: a velha e ranhosa Srª Lechuga. É difícil dizer se tremeu, ou se as traças e as luzes dos alpendres que passavam pelos salgueiros franziam a sua pele como o cetim dos caixões sob uma ventania. Fosse como fosse, quando amanheceu, tinha uma poça entre os pés. É para que vejam como as coisas normais fugiram da cidade a gritar. Se calhar, para sempre. Só Deus sabe como tentei aprender as regras deste mundo, até tive um pressentimento de que podíamos ter alguma glória; mas, depois do que aconteceu, esses pressentimentos já não são nada fáceis. Afinal, que merda de vida é esta?
Agora é sexta-feira e estamos no escritório do xerife. Parece uma sexta-feira na escola ou coisa do género. Escola – é melhor nem falar nessa merda.
Estou sentado à espera entre raios de luz que entram por várias portas seguidas, despido, só com uns sapatos, e com a roupa interior de quinta-feira. Parece que sou o primeiro que apanharam até agora. Não estou metido em sarilhos, não pensem mal de mim. Não tive nada a ver com o que aconteceu na terça-feira. Mas, mesmo assim, não iam querer estar aqui. Faz lembrar o Clarence Não-Sei-Quantos, aquele velho negro que apareceu nas notícias no Inverno passado. Foi o tarado que adormeceu nesta sala de madeira, mesmo à frente da câmara. Disseram nas notícias que isso mostrava quão pouco ele se importava com os efeitos dos seus crimes. O velho Clarence-Não-Sei-Quantos foi rapado como um animal e vestido com aquelas fardas de hospitais que vestem aos malucos, com óculos de fundo de garrafa e tudo, aqueles óculos que costumam usar pessoas que quase só têm gengivas e não têm dentes. Fizeram uma jaula no tribunal para o meterem lá dentro e condenaram-no à morte.
1ª Página do livro, Vernon Little, O Bode Expiatório, de DBC Pierce, Gradiva, 1ª edição Dezembro de 2003.

Nota: DBC Pierce não fez a coisa por menos, no seu primeiro romance, ganhou o Booker Prize. O melhor resumo do livro, foi feito pelo escritor escocês Andrew O’Hagan, diz ele: “é como se os Osbournes convidassem os Simpsons para beberem umas cervejas e aparecesse por lá o Don DeLillo para escrever uma nova música para o Eminem”.
Compreenderam? Não interessa, eu também não compreendi, antes de ler o livro.

Estavas tão bem, calado

Advertising Agency: Euro RSCG, Buenos Aires, Argentina
Executive Creative Director: Gustavo Reyes
Creative Directors: Tony Waissman, Mariano Dhualde, Maximiliano Sanchez
Art Director: Juan Hernandez
Copywriter: Nicolas Goldstein
"Not only we should fine the prostitutes, but also those who hire their services", Eliot Spitzer.
.
Recorde-se que Eliot Spitzer, Governador de Nova Iorque, foi obrigado a renunciar ao cargo, no passado mês de Março, depois de ter reconhecido, que mantinha uma relação com uma prostituta brasileira.

quarta-feira, abril 30, 2008

Todas as Almas


Dois dos três morreram depois da minha partida de Oxford, e isso faz-me pensar, supersticiosamente, que talvez tivesse esperado que eu lá chegasse e consumisse o meu tempo para me darem a possibilidade de os conhecer e deles poder falar agora. Portanto, pode acontecer que – sempre supersticiosamente – esteja forçado a falar deles. Só morreram depois de eu ter deixado de contactar com eles. Se tivesse continuado nas suas vidas e em Oxford (se tivesse continuado nas suas vidas quotidianamente), talvez ainda estivessem vivos. Este pensamento não é apenas supersticioso, também é vaidoso. Mas para falar deles tenho de falar também de mim, e da minha estada na cidade de Oxford. Se bem que aquele que fala não seja o mesmo que lá esteve. Parece, mas não é o mesmo. Se me trato por eu, ou se utilizo um nome que me tem acompanhado desde o nascimento e por que alguns me recordarão, ou se conto coisas que coincidem com coisas que outros me atribuíram, ou se chamo minha casa à casa que antes e depois foi ocupada por outros mas eu habitei durante dois anos, é apenas porque prefiro falar na primeira pessoa, e não porque creia que basta a faculdade da memória para que alguém continue a ser o mesmo em tempos distintos e em espaços distintos. Aquele que aqui conta o que viu e aconteceu não é o que viu isso e a quem aconteceu, nem sequer o seu prolongamento, nem a sua sombra, nem o seu herdeiro, nem o seu usurpador.
A minha casa tinha três pisos e era piramidal e eu passava muito tempo nela, uma vez que as minhas obrigações na cidade de Oxford eram praticamente nulas ou inexistentes. Efectivamente, Oxford é, sem dúvida, uma das cidades do mundo onde menos se trabalha, e nela é muito mais decisivo o facto de estar do que o fazer e mesmo o de actuar. Estar lá requer tanta concentração e tanta paciência, e exige tanto esforço lutar contra a natural letargia do espírito, que seria uma exigência despropositada querer ainda que os seus habitantes se mostrassem activos, sobretudo em público, apesar de alguns colegas costumarem efectuar as suas deslocações sempre a correr para darem a impressão de perpétuo afogo e ocupação extrema nos intervalos entre aulas, as quais, contudo, haviam decorrido ou haveriam de decorrer no mais absoluto sossego e despreocupação, como parte que são do estar e do fazer e nem sequer do actuar.
1ª Página do livro, Todas as Almas, de Javier Marías, Publicações Dom Quixote, 1ª edição, Fevereiro de 2002.

Nota: O escritor Javier Marías entrou, no passado dia 27 de Abril para a Real Academia Espanhola da Língua, no discurso de boas-vindas, feito pelo o académico Francisco Rico, o orador disse entre outras coisas, que o “prepotente olhar do narrador” que há nos romances de Javier Marías encontra-se logo nas primeiras linhas de “Todas as Almas”, que está, segundo Francisco Rico, “entre a dúzia de começos mais memoráveis de toda a novelística espanhola”. Fica registado, mas esta nota não é importante para ler o livro.

O Herói dos Hippies


Albert Hofman, o herói dos “hippies” e da “flower power generation”, morreu ontem de ataque cardíaco em sua casa, contava 102 anos de idade, noticia a agência Lusa.
A sua morte foi hoje confirmada à agência Associated Press por Doris Stuker, um residente da aldeia de Burg im Leimental, aldeia dos montes Jura para onde Hofman se retirou quando se reformou em 1971.
Como noticiado aqui, Hofman, tornou-se mundialmente famoso com a descoberta da droga alucinogénia LSD (dietilamida do ácido lisérgico). Aparentemente, os laboratórios não encontraram qualquer utilidade prática para o composto, que teria caído no esquecimento se o próprio Hofman não o tivesse tomado involuntariamente durante uma experiência laboratorial a 16 de Abril de 1943.
"Tive de interromper o trabalho e ir para casa porque senti subitamente uma sensação de desassossego e de ligeira tontura", escreveu posteriormente num relatório aos seus chefes na Sandoz.
"Tudo o que via estava distorcido como num espelho deformado", lê-se na descrição da sua viagem de bicicleta do laboratório até casa, onde se sentou num divã e começou a sentir aquilo a que chamou uma "visão". "O que estava a pensar aparecia-me em cores e imagens", afirmou numa entrevista à televisão suíça SF DRS quando fez 100 anos: "Durou duas horas e depois desapareceu". Três dias depois, Hofman repetiu a experiência com uma dose maior: o resultado foi uma viagem de terror. "A substância que queria experimentar tomou conta de mim. Fui acometido por um medo avassalador que me enlouquecia. Fui transportado para um mundo diferente, um tempo diferente", escreveu.
O LSD alcançou fama internacional no final dos anos 50 e 60 graças ao professor de Harvard Timothy Leary, que defendeu o seu uso, e a numerosos músicos pop e até estrelas de cinema como Cary Grant que viram nela um meio de autodescoberta e auto-esclarecimento.
Mas à parte as "viagens" psicadélicas da geração hippy dos anos 60, sucederam-se histórias de terror de crimes e de pessoas que se atiravam de janelas sob o efeito de alucinações, bem como casos de danos psicológicos permanentes em grandes consumidores.
O governo norte-americano proibiu o LSD em 1966, uma decisão seguida depois pelos outros países.Hofman discordou, alegando que a droga não causa habituação.
Além disso, insistiu repetidas vezes que o LSD poderia dar uma importante contribuição para a investigação psiquiátrica.

Silenciado

Amnesty International: Silenced
.
Your signature has the power.

Advertising Agency: TBWA Paris, France
Creative Director: Erik Vervroegen
Art Directors: Jessica Gérard-Huet, Marianne Fonferrier
.
As vossas assinaturas têm poder.

terça-feira, abril 29, 2008

Uma Agulha no Palheiro


Se realmente estão interessados nisto, a primeira coisa que desejarão saber é o local onde nasci, o modo como passei a minha estúpida infância, a ocupação de meus pais, o que faziam antes de eu nascer, e tudo o mais, como se se tratasse de David Copperfield. Mas eu não estou com disposição para isso, se, de facto, querem que vos conte a verdade.
Em primeiro lugar, essas coisas aborrecem-me, e, em segundo lugar, os meus pais teriam duas hemorragias cerebrais se eu revelasse qualquer facto pessoal que lhes dissesse respeito. São muito sensíveis quanto a essas coisas; especialmente o meu pai. Não digo que não sejam boas pessoas, mas são sensíveis como os diabos. Além disso, não vos vou fazer a minha autobiografia ou coisa semelhante. Só vos falarei do que se passou comigo durante o passado Natal, antes de ficar um pouco confuso e de ter de vir para aqui. Aliás, será tudo o que já contei a D.B. E ele é meu irmão. Vive em Hollywood, que não fica muito longe desta bodega, e vem visitar-me praticamente todas as semanas. É ele quem me levará quando eu for para casa, talvez para o mês que vem. Comprou um Jaguar há pouco tempo, um desses carros ingleses que conseguem fazer cento e cinquenta quilómetros por hora. Custou-lhe perto de quatro mil dólares. Mas ele agora tem massa. Antigamente não tinha. Quando vivia connosco não passava de um escritor vulgar. Escreveu um livro de contos terrível – O Peixe Secreto -, em que talvez nunca tenham ouvido falar. O melhor conto era exactamente O Peixe Secreto. Tratava-se de um rapaz que não permitia que ninguém contemplasse o seu peixe, porque o comprara com as suas economias. Esse conto ia-me matando. Agora o meu irmão, o D. B., está em Hollywood e é uma espécie de prostituta. Se há coisas que eu odeie, o cinema é uma delas. Será preferível nunca me falarem nele.
1º Página do livro, Uma Agulha No Palheiro, de J. D. Salinger, Livros Brasil.

Nota: Os tradutores sempre tiveram muita dificuldade em encontrarem uma "forma suficientemente alusiva" para traduzirem para português o título original, da obra de J. D. Salinger, The Catcher in the Rye.
Durante muitos anos, a tradução foi sempre, Uma Agulha no Palheiro, nomeadamente quando esta obra era referida no cinema. No entanto, isso não impediu a Difel de lançar em 2005, uma edição do livro de J.D. Salinger com o título em português, À Espera no Centeio. Não sei se a primeira página deste livro, é igual à do post.

Mutilação Genital Feminina


AMAM - Association of Women Against Genital Mutilation: Plastic doll
.
More than 140 million women in the world are condemned to feel nothing.
.
Advertising Agency: Contrapunto BBDO, Barcelona, Spain
Creative Director: Tomas Oliva, Carlos De Javier
Art Director: Lucas Jatobá
Copywriter: Marta Caseny
Photographers: Corbis, Carles Nin, Eduardo Colesi
Post Production: Albert Fornos
.
Mais de 140 milhões de mulheres no mundo estão condenadas a não sentir nada.

segunda-feira, abril 28, 2008

Geração X


Nos idos de setenta, estava eu com quinze anos, gastei tudo o que tinha no banco para atravessar o continente num jacto 747, até Brandon, Manitoba, no meio das pradarias canadianas, e assistir a um eclipse total do sol. Devo ter dado um estranho espectáculo, com a minha idade, fininho como um lápis e praticamente albino, a registar-me calmamente num motel TraveLodge para passar a noite sozinho, todo contente, a ver anúncios de banha da cobra num canal de televisão e a beber água por uns copos de vidro tão fartos de serem lavados e embrulhados em folhas de papel que parecia que lhes tinham dado lixa. Mas a noite passou-se depressa e, chegada a manhã do eclipse, evitei os autocarros de excursão e tomei um transporte público para o limite urbano. Lá, andei um pouco mais pela berma poeirenta de uma estrada e por um campo lavrado – um tipo qualquer de cereal verde-milho que dava pela altura do peito e fazia restolhada quando as folhas infligiam à minha pele pequenas queimaduras, como as das arestas do papel, enquanto caminha pelo meio delas. E nesse campo, chegada a hora, o minuto e o segundo da escuridão, deitei-me no solo, rodeado por hastes com grãos vigorosos e pelo ruído ténue dos insectos, sustendo a respiração, e senti uma coisa de que nunca viria a livrar-me por completo – uma sensação de escuro, e de inevitabilidade, e de fascínio – uma sensação que certamente todos os jovens tiveram desde a alvorada dos tempos sempre que torceram o pescoço a olhar o céu e o viram desaparecer.
1ª Página do livro Geração X, contos para uma cultura acelerada, de Douglas Coupland, Teorema, naõ tem a data da edição.

Execução de Mussolini


No dia 28 de Abril de 1945, no dia em que as tropas alemãs capitularam na Itália, o líder fascista Benito Mussolini e a sua amante Clara Petacci foram executados.
O fim de Mussolini começou no Verão de 1943, quando os Aliados desembarcaram na Sicília. No dia 25 de Julho desse ano, o rei Vítor Emanuel rendeu-se aos Aliados e declarou guerra à Alemanha nazista, demitindo e mandando prender o “Duce”.
Em resposta, os alemães ocuparam a Itália e libertaram Mussolini da prisão, proclamando a República de Saló, um governo fantoche da Alemanha. Enquanto isso, a população italiana organizava a resistência e cooperava com as tropas aliadas, que avançavam para o norte.
No final de Março de 1945, os guerrilheiros antifascistas, “os partigiani”, conquistaram Milão, fechando o cerco a Mussolini, que ainda tentou, sem sucesso, negociar a sua rendição. No dia 28 de Abril de 1945, os alemães capitularam.
Amargurado e resignado, Mussolini tentou fugir para a Suíça com sua amante Clara Petacci, num comboio de soldados alemães. Mas era tarde demais para o “Duce”: os partigiani interceptaram o comboio, reconheceram o líder fascista e fuzilaram-no juntamente com a amante. Os corpos foram levados para Milão e expostos, pendurados de cabeça para baixo, na praça do Loreto.