quarta-feira, janeiro 28, 2009

John Updike: O Coelho Descansa em Paz


O escritor norte-americano John Updike, um dos mais prolíficos autores da literatura norte-americana, faleceu ontem, aos 76 anos, vítima de cancro pulmonar.
Considerado pela crítica um dos mais acutilantes analistas da sociedade norte-americana, Updike identificou o sexo, a arte e a religião como "as três grandes coisas secretas" da experiência humana.
John Updike nasceu na Pensilvânia em 18 de Março de 1932. Na adolescência era gago e acreditava que a capacidade de escrita lhe vinha dessa dificuldade em falar. Foi a mãe, aspirante a escritora, que o incentivou a escrever e a desenhar. O pai era professor de matemática. Depois de estudar Artes plásticas em Oxford, Inglaterra, John Updike viria a licenciar-se em Língua inglesa na Universidade de Harvard.
A sua carreira de escritor começou em 1954, quando a revista "The New Yorker" publicou um dos seus contos e um dos seus poemas, acabando por aceitar, no ano seguinte, um convite para fazer parte da equipa da revista "The New Yorker", ficando aí até 1957. Por esta altura mudou-se para o Massachusetts, onde decidiu ser escritor a tempo inteiro. Sobretudo conhecido como romancista, John Updike escreveu também poemas e contos, fez crítica literária e escreveu um livro de memórias e um famoso ensaio sobre o jogador norte-americano de basebol Ted Williams.
John Updike escreveu mais de 50 livros, muitos deles traduzidos em Portugal, como "A Feira", "A Escola de Música" (contos), "Casais Trocados", "O Centauro", "As Bruxas de Eastwick", "Corre Coelho", "Coelho Enriquece", "Brasil", e "O Terrorista".
Pelos romances "Coelho Enriquece" (1982) e "Rabbit at Rest" (1991) da famosa pentalogia Coelho, John Updike recebeu dois Pulitzer e ao longo da vida nunca lhe faltaram prémios, recebendo, entre outros prémios, o National Book Award in Fiction, o American Book Award e o National Book Critics Circle Award For Fiction.
As suas obras, além de ser distinguidas com alguns dos mais prestigiosos prémios literários, estiveram muitas vezes nas listas dos "best-sellers" nos Estados Unidos.
Membro da American Academy of Arts and Letters desde 1976, recebeu em 2003 a National Medal for Humanities, na Casa Branca, juntando-se a um grupo restrito de notáveis que foram contemplados com a medalha.
Sempre gostei do estilo do John Updike, apesar de conhecer mal a sua obra, conhecimento que se resume à saga do "Coelho" editada em Portugal e aos livros "O Terrorista" e "Procurai A Minha Face". Não obstante, é com tristeza que vejo partir um dos mais aclamados escritores norte-americanos da sua geração. Descansa em Paz, "Coelho".(Com Lusa).

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Obama Encerra Guantánamo


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou esta quinta-feira o decreto que ordena o encerramento da prisão de Guantánamo no prazo de um ano marcando assim a ruptura com a política controversa de luta contra o terrorismo de George W. Bush.
Obama assinou o decreto na Sala Oval, cercado de militares reformados com quem esteve reunido momentos antes para debater a política de interrogatório e de detenção de pessoas suspeitas de terrorismo.
O presidente também impôs que os Estados Unidos se adaptem à Convenção de Genebra sobre as prisões.
O novo presidente comprometeu-se a fechar o polémico campo de detenção ainda durante a campanha eleitoral.
"O centro de detenção de Guantánamo objecto desta ordem será fechado o mais rápido possível e, no mais tardar, no prazo de um ano a partir da data da ordem", afirma o rascunho da ordem executiva, divulgado no site da associação American Civil Liberties Union e confirmado pela fonte da Casa Branca.
Acrescenta, também, que serão usados "meios legais" para tratar os detidos que não possam ser transferidos para outros países ou julgados em tribunais americanos.
A notícia do projecto foi revelada um dia depois de Barack Obama pedir a suspensão, durante 120 dias, dos julgamentos que acontecem em Guantánamo, com o objectivo de permitir a revisão das políticas e condições de detenção na prisão.
A prisão de Guantánamo, actualmente com um total de 245 detidos, foi aberta em 2002 como parte da "guerra contra o terrorismo" iniciada pelo governo de George W. Bush depois dos atentados de Nova York e Washington a 11 de Setembro.
Os tribunais de excepção para julgar alguns de seus prisioneiros foram criados em 2006.
As novas medidas estabelecidas pelo presidente "modificam as regras de detenção e de interrogatório da CIA”, definidas no Manual de Terreno do Exército.

Óscares 2009


A corrida aos Óscares começou hoje com o anúncio à breves momentos pelo presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Sid Ganis e pelo actor Forest Whitaker, dos finalistas da 81ª cerimónia de entrega dos prémios da Academia.
O grande nomeado pela Academia para os Óscares 2009 é o filme de David Fincher, "O Estranho Caso de Benjamin Button", com 13 nomeações.
"Quem Quer Ser Bilionário?", concorre em dez categorias para os Óscares, seguida de "O Cavaleiro das Trevas" e "Milk" com oito nomeações cada.
Entre outras nomeações, confirma-se a nomeação póstuma para Heath Ledger pelo papel de Joker em "O Cavaleiro das Trevas", e a curiosidade do casal Pitt/Jolie estar nomeado na principal categoria de actuação: Melhor Actor para Brad Pitt por "O Estranho Caso de Benjamin Button" e Angelina Jolie como Melhor Actriz por "A Troca". Meryl Streep recebeu a sua 15ª nomeação para os Óscares, pelo seu papel de freira vingativa no filme a "Dúvida".

OS NOMEADOS SÃO:

Melhor Filme:
"O Estranho Caso Benjamin Button”, “Frost/Nixon”, “Milk", “The Reader”, “Quem Quer Ser Bilionário?”.


Melhor Actriz:
Anne Hathaway por “Rachel Getting Married”, Angelina Jolie por “A Troca”, Melissa Leo por “Frozen River”, Meryl Streep por “Dúvida” e Kate Winslet por “The Reader” .

Melhor Actor:
Frank Langella por “Frost/Nixon”, Sean Penn por “Milk”, Brad Pitt por “O Estranho Caso de Benjamin Button”, Mickey Rourke por “The Wrestler” e Richard Jenkins por “The Visitor” .


Melhor Actriz Secundária:
Amy Adams por “Dúvida”, Penelope Cruz por “Vicky Cristina Barcelona”, Viola Davis por “Dúvida”, Taraji P. Henson por “O Estranho Caso de Benjamin Button” e Marisa Tomei por “The Wrestler”.


Melhor Actor Secundário:
Josh Brolin por “Milk”, Robert Downey Jr. por “Tempestade Tropical”, Philip Seymour Hoffman por “Dúvida”, Heath Ledger por “O Cavaleiro das Trevas” e Michael Shannon por “Revolutionary Road” .

Melhor Realizador:
Danny Boyle por “Quem quer ser Bilionário?”, Stephen Daldry por “The Reader”, David Fincher por “O Estranho Caso de Benjamin Button”, Ron Howard por “Frost/Nixon” e Gus Van Sant, “Milk”.

Melhor Filme de Animação:"
Bolt" da Walt Disney, "WALL.E", da Pixar, e "Kung Fu Panda" da Dreamworks.

Melhor Filme Língua Estrangeira:
O Complexo de Baader-Meinhof” (Alemanha), “A Turma” (França), “Departures” (Japão), “Revanche” Áustria), e “A Valsa com Bashir” (Israel).

A 81ª cerimónia dos Óscares decorrerá no dia 22 de Fevereiro de 2009 em Hollywood, no Teatro Kodak, em pleno coração do bairro histórico do cinema no noroeste de Los Angeles.

Razzies 2009


O actor canadiano Mike Myers recebeu sete nomeações para os Golden Raspberry Awards, os Razzies, os prémios que, ao contrário dos Óscares, elegem o pior do cinema nos Estados Unidos, informou a organização, que também nomeou Paris Hilton em várias categorias.
Algo surpreendentemente, Al Pacino também é nomeado para o prémio de Pior Actor pela sua participação em "88 minutes".
Mas "Love Guru", filme escrito, produzido e protagonizado por Myers no início de 2008, ultrapassa tudo e todos, tendo sido nomeado para as principais categorias: Pior Filme, Pior Realizador, Pior Actor e Pior Argumento.
Para a 29ª edição do prémio criado pelo jornalista e escritor John Wilson, que acontece no dia 21 de Fevereiro, Paris Hilton também foi uma das mais nomeadas, principalmente pela sua participação no filme "The Hottie & the Nottie", que entrou para a história como um dos maiores fracassos de bilheteira.
Pela sua participação neste filme, a herdeira da rede de hotéis foi nomeada para Pior Filme, Pior Casal (juntamente com Christine Lakin) e Pior Actriz Secundária por "Repo: The Genetic Opera".
A academia, formada por cerca de 700 cinéfilos de todo o mundo, também nomeou para Pior Filme o "thriller" de M. Night Shyamalan "The Happening", produção considerada "desastrosa", que "apresenta a visão mais divertida do apocalipse".
Na categoria Pior Actor, Myers competirá com Eddie Murphy ("Meet Dave"), Al Pacino ("88 minutes"), Mark Wahlberg ("The Happening" e "Max Payne") e o comediante Larry the Cable Guy ("Witless Protection").
Na categoria Pior Actriz, disputarão o troféu de plástico dourado Jessica Alba (pelo mesmo filme de Myers e "The Eye"), Cameron Diaz ("Fear And Loathing In Las Vegas"), Kate Hudson ("My Best Friend`s Girl" e "Fool`s Gold"), além de todo o elenco de "The Women" - Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith e Meg Ryan.
John Wilson, que criou os "Razzies" em 1980, disse que Myers foi o mais nomeado por "ter feito tudo, menos fazer o público rir" com sua pretensa comédia. Lusa.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Amnistia Internacional pede encerramento de Guantánamo


Amnistia Internacional (AI) pediu hoje ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que fixe a data de encerramento da prisão de Guantánamo, onde estão detidos suspeitos de ligações ao terrorismo.
Num comunicado emitido a propósito do sétimo aniversário da chegada dos primeiros presos a Guantánamo (11 de Janeiro de 2002), a Amnistia Internacional apela a Barack Obama para que cumpra o seu compromisso de pôr fim às violações dos Direitos Humanos que marcaram as políticas e práticas anti-terroristas dos Estados Unidos nos últimos sete anos.
A organização também pede a Obama que apoie a criação de uma comissão independente de investigação das alegadas violações dos Direitos Humanos cometidas pelos Estados Unidos ou em nome dos norte-americanos na "guerra contra o terrorismo", a fim de garantir a prestação de contas e como sinal da mudança da política anti-terrorista dos EUA.
"Não pedimos o impossível. Barack Obama já manifestou a sua determinação de remediar alguns dos males que o último governo norte-americano autorizou em nome da segurança nacional e pedimos-lhe que torne realidade esse compromisso", afirma a secretária-geral da AI, Irene Khan, no comunicado.
Na nota, a dirigente da AI manifesta "satisfação" pela prioridade que está a ser dada ao problema de Guantánamo.
"A questão de Guantánamo pode ser o início de uma clara ruptura com as políticas de detenção do passado, que só pode ser feita se os Estados Unidos cumprirem plenamente as obrigações internacionais que contraiu", adianta Irene Khan.
O comunicado sublinha que s secretário de Estado da Defesa norte-americano, Robert Gates, pediu à sua equipa que elabore planos para fechar Guantánamo, um encerramento que considera de alta prioridade para o novo governo dos EUA.
"Isto deve incluir um plano detalhado para o futuro dos detidos", vincou a dirigente da AI. O documento destaca que todo o plano de encerramento de Guantánamo deve incluir o abandono imediato dos julgamentos por comissões militares e que qualquer julgamento futuro deve decorrer nos tribunais civis comuns.
De acordo com a Amnistia, outros países devem facilitar o fecho da prisão de Guantánamo oferecendo protecção humanitária aos detidos cuja libertação tenha sido autorizada mas que estejam impedidos de regressar ao seu país por receio de perseguições ou tortura.
Alguns países comunitários, entre os quais Portugal e a Alemanha, manifestaram o seu apoio à ideia de aceitar detidos de Guantánamo e a própria União Europeia está a debater a adopção de um enfoque comum, destaca a Amnistia Internacional.
"Guantánamo fez parte de uma estratégia de detenção com a qual os Estádios Unidos perpetraram uma agressão sistemática durante sete anos contra os Direitos Humanos fundamentais - como o direito a um julgamento justo a receber um tratamento humano - em nome da luta contra o terrorismo", acentua a secretária-geral da AI.
A AI pede a Barack Obama que durante os seus primeiros 100 dias no cargo empreenda reformas concretas em matéria de Direitos Humanos, como, por exemplo, o anúncio dos pormenores do plano de encerramento do centro de detenção da baía de Guantánamo, em Cuba, num período relativamente breve.
A organização pede também um decreto presidencial que proíba a tortura e outros maus-tratos, como define o Direito Internacional, e a criação de uma comissão independente que investigue os alegados abusos cometidos pelo governo norte-americano na sua "guerra contra o terrorismo".
A Amnistia Internacional recorda que ainda permanecem 250 pessoas presas em Guantánamo e acrescenta que, no dia 11 de Janeiro, activistas da AI em mais de 35 países pedirão de novo aos Estados Unidos que modifiquem a sua política de detenção no contexto da luta contra o terrorismo. Lusa.

Imagem Icónica de Obama


Um retrato de Barak Obama, feito pelo designer gráfico Shepard Fairey durante a campanha do então candidato democrata norte-americano, vai integrar a colecção permanente da National Portrait Gallery dos Estados Unidos.
De acordo com a BBC, a galeria, sediada em Washington, adquiriu o retrato e poderá exibi-lo no a 20 de Janeiro, dia da tomada de posse de Barak Obama como presidente dos Estados Unidos.
O retrato de Obama, feito em stencil com os tons da bandeira dos Estados Unidos, foi um dos mais divulgados em 2008 por ocasião da campanha do candidato democrata à Casa Branca.
Shepard Fairey desenhou vários cartazes com o rosto do candidato e com palavras como “Hope”, “Change” e “Vote” e acabou por ser convidado pela revista Time a desenhar a capa da edição da figura do ano, dedicada a Barak Obama. A icónica imagem acabou ainda estampada em dezenas de camisolas e autocolantes durante a campanha eleitoral.
Shepard Fairey, 38 anos, vive em Los Angeles, é um artista de rua, ilustrador, disc-jockey e designer gráfico.
Em 2004, juntamente com os artistas Robbie Conal e Mear One, assinou uma campanha de rua com cartazes anti-Bush e contra a guerra. São da sua autoria as capas dos álbuns “Monkey Business”, dos Black Eyed Peas, “Zietgeist”, dos Smashing Pumpkins, e “Mothership”, dos Led Zeppelin, e o cartaz do filme “Walk the Line”.
Tem trabalhos nas colecções do Museu de Arte Moderna em Nova Iorque, Museu de Arte de Los Angeles e Victoria e Albert Museum de Londres.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Harold Pinter


O Prémio Nobel da Literatura 2005 Harold Pinter morreu ontem à noite, aos 78 anos de idade, anunciou hoje a sua mulher, Antonia Fraser.
Harold Pinter nasceu a 10 de Outubro de 1930 em Hackney, Londres, tendo abandonado a capital britânica aos nove anos, durante a II Guerra Mundial devido aos constantes bombardeamentos da aviação nazista, regressando três anos depois. Este facto, foi um dos factos mais marcantes da sua vida. Harold Pinter confessaria mais tarde, que a experiência da fuga debaixo dos bombardeamentos nunca o abandonou.
Em 1948, Harold Pinter, filho de pai com ascendência luso-judaica, ingressou na Real Academia de Arte Dramática e dois anos depois publicou os primeiros poemas.
Autor de mais de 30 peças de teatro, Pinter foi também poeta, encenador, e autor de guiões para filmes, entre os quais adaptações de várias das suas obras.
Iniciou-se na escrita de peças de teatro em 1957 com “The Room”, a que se seguiu, no mesmo ano, “The Birthday Party”, considerada no início um fiasco, mas tornando-se depois numa das peças mais representadas.
Entre as suas peças mais conhecidas estão “The Caretaker” (1959), “The Homecoming” (1964), “No Man‘s Land” (1974) e “Ashes to Ashes” (1996).
Nas obras de Harold Pinter destacam-se personagens que se defendem a si próprias contra a intrusão ou contra os seus próprios impulsos, mergulhando numa existência reduzida e controlada. Outro tema predominante é a volatilidade e o carácter esquivo do passado.
De um período inicial de realismo psicológico, Pinter passa depois para uma fase mais lírica com peças como “Landscape” (1967) e “Silence” (1968), e depois para outra ainda, mais política, com “One of the Road” (1984), “Mountain Language” (1988) ou “The New World Order” (1991).
Teve como principais influências, Samuel Beckett, Luis Buñuel, Franz Kafka, Wilfred Owen, Marcel Proust, William Shakespeare e o Surrealismo.
A Academia Sueca atribuiu-lhe em 2005 o prémio Nobel da literatura justificando a atribuição do galardão com o facto de ele ter “recuperado para o teatro os seus elementos básicos: um espaço fechado e um diálogo imprevisível, onde as pessoas estão à mercê umas das outras”.
Foi na altura, considerada pela Academia Sueca um autor que “nas suas peças, revelava o abismo existente nas conversas banais e força a sua entrada nos espaços fechados da opressão”.
Harold Pinter é “visto como o principal representante da dramaturgia britânica da segunda metade do século XX”, uma posição “ilustrada pela adaptação do seu nome para um adjectivo - ‘pinteresco’ - usado para descrever uma atmosfera e ambiência específicas em teatro”, considerou a Academia ao atribuir-lhe o galardão.
Harold Pinter é um escritor de créditos firmados mas como homem é controverso e activista. Pacifista por natureza, opôs-se fortemente à invasão do Iraque em 2003, contestando as políticas de George W. Bush e do homem que então governava a Grã-Bretanha, Tony Blair.
Acusou o então primeiro-ministro britânico de ser “um criminoso de guerra”, e referiu os Estados Unidos como um país “dirigido por um bando de delinquentes”.
Em 10 de Junho de 2000, Pinter profere uma palestra na Conferência pela Paz nos Balcãs, em que se manifestou claramente contra o bombardeamento de civis pela OTAN na Sérvia.
Em 2001 Pinter participa no Comité Internacional de Defesa de Slobodan Milosevic que exigia então um julgamento justo e a libertação do antigo líder sérvio.
Em 2004, assina um manifesto de artistas por Milosevic a quem considera como uma figura digna e um “herói nacional” da Sérvia.(Com agências).

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Barack Obama: Personalidade do Ano 2008

Barack Obama foi eleito Personalidade do Ano 2008 pela revista norte-americana TIME. A escolha não surpreende, depois da extraordinária vitória presidencial de Barack Obama. Venceu uma das mais disputadas eleições presidenciais de sempre na história americana, derrotou dois candidatos muito mais experientes e superou as divisões raciais dos Estados Unidos, para se tornar no primeiro presidente afro-americano do país.
Barack Obama foi o eleito pela TIME “por ter a confiança de projectar um futuro ambicioso durante tempos sombrios”, informou a direcção editorial da revista. Atrás de Obama ficaram o secretário americano do Tesouro, Henry Paulson; o Presidente francês Nicholas Sarkozy; a candidata a vice-Presidente pelo lado republicano e governadora do Alasca Sarah Palin e o director criativo da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em Agosto, Zhang Yimou.

Barack Hussein Obama nasceu em Honolulu, no Havai a 4 de Agosto de 1961, quando o seu pai, Barack Obama, um economista queniano, e a mãe, Ann Dunham, antropóloga norte-americana do Kansas, estudavam na Universidade do Havai. Os pais separaram-se quando Obama tinha dois anos e, com o casamento seguinte da mãe, foi viver para Jacarta, na Indonésia durante quatro anos, voltando ao Havai aos 10.Formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Columbia em 1983 e em Direito em 1991 em Harvard, onde foi o primeiro afro-americano a ser presidente da prestigiada Harvard Law Review.
Terminados os estudos de Direito, foi para Chicago para exercer como advogado de direitos civis e leccionar na Universidade de Chicago. Em 1992, organizou uma das maiores inscrições de votantes na história de Chicago para ajudar Bill Clinton nas eleições desse ano. Foi então que decidiu concorrer ao Senado de Illinois, tendo sido eleito para o cargo em 1996. No Senado, trabalhou com democratas e republicanos na elaboração de legislação relativa a ética, cuidados de saúde e programas educacionais para os mais desfavorecidos.

Em 2002, foi um dos adversários do presidente George W. Bush na decisão de atacar o Iraque, considerando que Saddam Hussein, apesar de ser um reconhecido ditador, não constituía uma ameaça directa aos Estados Unidos nem aos seus países vizinhos. Na convenção do partido democrata no Verão de 2004 roubou o protagonismo ao candidato à presidência, John Kerry, com um discurso simples. “Não há uma América negra, uma América branca e uma América hispânica: há os Estados Unidos da América”, disse Obama.
Nas primárias democratas de 2004, conseguiu a nomeação democrata para o Senado dos EUA e, em Novembro do mesmo ano, venceu as eleições gerais para o Senado, tendo tomado posse como senador em Janeiro de 2005.
Em Fevereiro de 2007, anunciou a sua candidatura à nomeação democrata para a presidência dos Estados Unidos. Tendo como principal adversária à nomeação a senadora Hillary Clinton, poucos eram os que, nessa altura, acreditavam que conseguisse vencer as primárias. Mas o seu carisma e os seus ideais fizeram com que os democratas se rendessem a ele, dando-lhe a vitória nas primárias democratas.
Em Junho de 2008, Barack Obama tornou-se, assim, o candidato do Partido Democrata à presidência dos EUA, derrotando Hillary Clinton. Seguia-se uma batalha política entre o jovem Barack Obama e o veterano John McCain, apoiado pelo ainda presidente Bush e o seu Partido Republicano.
Em 4 de Novembro de 2008, os americanos acorreram em massa às urnas para dizerem a Obama: Yes, We Can, o lema da campanha do democrata. Com uma vitória esmagadora tanto em votos expressos como em termos de colégios eleitorais, Barack Obama tornou-se assim no primeiro presidente afro-americano da História dos EUA e devido à sua história pessoal, é visto por muitos como um conciliador carismático e unificador, que é no fim de contas, o que mundo e os americanos precisam, depois de George W. Bush, ter passado afincadamente os últimos oito anos, a tornar o planeta um lugar perigoso para se viver.(Fonte Biblioteca Universal).

Estamos no Século XXI


A actriz sul-coreana Ok So-ri,(na foto), uma das mais conceituadas do país, foi condenada a oito meses de prisão por adultério.
Tinha sido anteriormente condenada a dois anos de prisão, mas como So-ri admitiu o “crime” o tribunal decidiu reduzir a pena.
A actriz admitiu ter um caso com um conhecido cantor sul -coreano e o seu marido, Park Chul, tinha pedido uma “pena severa” para a mulher.
O julgamento efectuou-se depois de a actriz não conseguir que o Tribunal Constitucional sul-coreano tivesse em conta a sua petição para revogar a lei que criminaliza o adultério.
Na petição, So-ri disse, o que é mais que evidente, que a lei era uma violação dos direitos humanos. De acordo com a legislação da Coreia do Sul, uma pessoa considerada culpada por adultério pode ser condenada até dois anos de cadeia.
Com notícias destas é difícil de constatar que estamos no século vinte e um.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

60 Anos de Direitos Humanos



Há 60 anos, no dia 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas adoptava em Paris a Declaração Universal dos Direitos Humanos, um pequeno documento que deu origem ao sonho de o mundo respeitar a dignidade de todos os seres humanos.
Inspirada na Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, e na Declaração de Independência dos Estados Unidos, de 1776, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem na sua origem o trauma provocado pela Segunda Guerra Mundial e pela barbárie nazista.
O texto foi adoptado pelos então 58 Estados membros da Assembléia Geral da ONU, com excepção da União Soviética, dos países do Leste europeu, da Arábia Saudita e da África do Sul, que se abstiveram.
Mesmo sem valor coercivo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos inspirou todos os tratados internacionais do pós-guerra, e é reconhecida como o fundamento do direito internacional relativo aos direitos humanos.
As convenções internacionais para banir a discriminação contra as mulheres, de 1979, além das convenções contra a tortura (1984) e pelos direitos das crianças (1990), junto com a criação do Tribunal Penal Internacional em 1998 são fruto da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A Declaração também inspirou “o direito de ingerência" e de assistência humanitária, no entanto, o documento não impediu o genocídio do Ruanda, em 1994, não impede o genocídio no Darfur onde se continuava a morrer de fome ou violência, não impede que a Somália se aproxime rapidamente duma tragédia igual ao do Darfur; também não impede que a junta no poder na Birmânia mantenha à 14 anos sobre prisão o Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi e mais mil prisioneiros de consciência.
Muito menos impede a violação diária dos direitos fundamentais em diversas partes do mundo e ainda menos, obriga ao desmantelamento dessa aberração anacrónica que é o campo de concentração de Guantánamo.
Diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos que, todos os homens nascem livres e iguais, mas 60 anos depois, não restam dúvidas que George Orwell tinha razõa quando escrevia no seu livro "O Triunfo dos Porcos", que uns nascem mais iguais do que outros, num mundo cada vez mais grotesco.

Declaração Universal dos Direitos Humanos


Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do homem;
Considerando que é essencial a protecção dos direitos do homem através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;
Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;
Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declararam resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;
Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais;
Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:
A Assembleia Geral
Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
ARTIGO 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
ARTIGO 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
ARTIGO 3.º
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
ARTIGO 4.º
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
ARTIGO 5.º
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
ARTIGO 6.º
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica.
ARTIGO 7.º
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
ARTIGO 8.º
Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
ARTIGO 9.º
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
ARTIGO 10.º
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.
ARTIGO 11.º
1 - Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
2 - Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.
ARTIGO 12.º
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
ARTIGO 13.º
1 -
Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
2 - Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
ARTIGO 14.º
1 - Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
2 - Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
ARTIGO 15.º
1 - Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
2 - Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
ARTIGO 16.º
1 -
A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
2 - O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
3 - A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado.
ARTIGO 17.º
1 - Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade.
2 - Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
ARTIGO 18.º
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
ARTIGO 19.º
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
ARTIGO 20.º
1 - Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
2 - Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
ARTIGO 21.º
1 - Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2 - Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
3 - A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
ARTIGO 22.º
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
ARTIGO 23.º
1 -
Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
2 - Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3 - Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
4 - Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses.
ARTIGO 24.º
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
ARTIGO 25.º
1 -
Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
2 - A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais.
Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social.
ARTIGO 26.º
1 - Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
2 - A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
3 - Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos.
ARTIGO 27.º
1 - Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
2 - Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
ARTIGO 28.º
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciados na presente Declaração.
ARTIGO 29.º
1 - O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
2 - No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
3 - Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
ARTIGO 30.º
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.
Divulgue, para quem sabe a Humanidade sair do papel.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Cristiano Ronaldo vence "Bola de Ouro"


Cristiano Ronaldo é o vencedor da «Bola de Ouro» em 2008, sucedendo ao brasileiro Kaká na distinção atribuída pela revista France Football para o melhor jogador do ano. O jogador do Manchester United torna-se, aos 23 anos, no terceiro português a arrecadar o troféu, depois de Eusébio (1965) e Luís Figo (2000).
Cristiano Ronaldo reuniu 446 pontos, superando Lionel Messi (281), do Barcelona, e Fernando Torres (179), do Liverpool, segundo e terceiro mais votados, respectivamente.
Com 77 nomeações para a primeira posição, num total de 96, Cristiano Ronaldo ficou uma aquém de Kaká em 2007 (o brasileiro contou, então, com 78 para o primeiro lugar), mas superou o brasileiro do AC Milan com total de 446 pontos contra 444, em 480 possíveis. De resto, o português foi o único a ser citado em todos os votos dos 96 jurados reunidos pela France Football.
Depois de Eusébio e Luís Figo, Cristiano Ronaldo é o terceiro jogador português a ser distinguido com a «Bola de Ouro».
Quando Eusébio arrecadou a «Bola de Ouro», em 1965, o prémio era atribuído ao melhor jogador europeu a alinhar em campeonatos no «Velho Continente», sendo que quando foi Luís Figo o eleito, em 2000, a distinção destinava-se ao melhor jogador a alinhar em campeonatos europeus, independentemente da nacionalidade. Desde 2007, o troféu distingue o melhor futebolista do mundo, independentemente do campeonato e da nacionalidade.
Com a «Bota de Ouro» e a «Bola de Ouro» garantidas, Cristiano Ronaldo está ainda na corrida pelo prémio FIFA Word Player of the Year 2008, que resulta da votação dos seleccionadores nacionais e capitães de equipa das 207 federações inscritas na FIFA.(Lusa).

Classificação:
1. Cristiano Ronaldo (Portugal, Manchester Utd), 446 pontos
2. Lionel Messi (Argentina, Barcelona), 281 pts
3. Fernando Torres (Espanha, Liverpool), 179 pts
4. Iker Casillas (Espanha, Real Madrid), 133 pts
5. Xavi Hernandez (Espanha, Barcelona), 97 pts

quinta-feira, novembro 13, 2008

Médicos acreditam ter curado SIDA


Médicos alemães afirmaram ontem em Berlim, que um paciente que sofria de leucemia e SIDA, parece ter sido curado após um transplante de medula óssea de um doador que tinha resistência genética ao HIV.
Um comunicado do Hospital Universitário de Berlim – Charité - afirma que o homem de 42 anos – um americano que mora na Alemanha, cujo nome não foi identificado – foi infectado pelo vírus da SIDA há mais de uma década.
“Mais de 20 meses depois do transplante bem-sucedido, o vírus HIV não foi detectado no paciente”, afirma o comunicado.
Os médicos temem que o vírus ainda possa voltar, mesmo apesar dos testes. “Nós fizemos todos os testes, não apenas de sangue, mas também de outros tipos. Mas não podemos excluir a possibilidade de que o vírus ainda esteja lá”, disse o médico Thomas Schneider à imprensa.
Estudos na Europa e nos Estados Unidos mostram que aproximadamente uma em cada mil pessoas possui uma resistência genética ao HIV, que impede que o vírus atinja as suas células.
O caso do paciente de Berlim ainda não foi publicado em nenhuma revista científica.(BBC).

Ensaio Sobre a Cegueira

Estreia hoje em salas de todo país “Ensaio Sobre a Cegueira”, o filme que o realizador brasileiro Fernando Meirelles adaptou do romance que José Saramago escreveu em 1995.
“Ensaio Sobre a Cegueira”, uma co-produção entre Brasil, Canadá e Japão que se reflecte também na composição do elenco, conta com argumento de Don McKellar a partir do romance homónimo de José Saramago.
A história, passada numa cidade anónima e com personagens sem nome, parte de uma estranha epidemia de cegueira que causa o caos onde antes havia ordem.
Os que ficaram cegos são abandonados em quarentena num antigo asilo e aí têm que sobreviver em grupo, sem regras e sem hierarquias. De todos os que estão cegos só uma pessoa (Julianne Moore) não foi afectada e lidera um motim para abandonar o asilo.
Além de Julianne Moore, fazem parte do elenco Mark Ruffalo, Alice Braga, Gael Garcia Bernal, Don McKellar, Danny Glover, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, entre outros.
“Ensaio Sobre a Cegueira” é a quinta longa-metragem de Fernando Meirelles, e sucede aos mediáticos “Cidade de Deus” (2002) e “O Fiel Jardineiro” (2005), nomeados para os Óscares.
“Ensaio Sobre a Cegueira”, é o segundo romance de José Saramago a ser adaptado para cinema, depois de “A Jangada de Pedra”.
Título Original: Blindness
Origem: Canadá, Brasil e Japão (Miramax Films)
Realização: Fernando Meirelles
Argumento: Don McKellar, adaptado do romance Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago.
Fotografia: César Charlone, ABC
Música: Marco António Guimarães
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Yusuke Iseya, Yoshino Kimura, Danny Glover e Gael Garcia Bernal.
Duração: 118 minutos.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Quarto Aniversário


Com mais ou menos assiduidade, acompanhado ou sozinho, este blogue faz hoje quatro anos.
Obrigado a todos os que colaboraram ao longo do tempo neste blogue e também, muito obrigado às pessoas que se dão ao trabalho de o visitar.

domingo, novembro 09, 2008

A Noite de Cristal


Se há dia fatídico para a Alemanha esse dia é o 9 de Novembro; no século passado este dia foi a data de, pelo menos, quatro acontecimentos históricos que marcaram a História do país e modelaram, também, a história europeia.
No dia 9 de Novembro de 1918, o social-democrata Philipp Scheidemann proclamou a República na Alemanha, de uma varanda do Reichstag, na capital Berlim.
A 9 de Novembro de 1923, os nazistas de Munique, comandados por um desconhecido de nome Adolf Hitler, fizeram uma tentativa de golpe, com o objectivo de tomar o poder da Baviera para, em seguida tomar o poder do país. Esta tentativa de golpe passou à História como o “ Putsch da Cervejaria”, pois tudo começou na famosa cervejaria Burgebraukeller, onde o ex.cabo do exército alemão, reuniu um grupo de seguidores e após um tiro no tecto, marcharam até à sede do Ministério de Guerra Bávaro, para derrubar o que consideravam ser o governo traidor da Baviera, de modo a iniciar a marcha sobre Berlim. Os que não foram mortos, nesta tentativa de golpe, acabaram presos, como o desconhecido Adolf.
A 9 de Novembro de 1989, foi o dia que mudou o destino da Alemanha e do Mundo, com a queda do Muro de Berlim, um acontecimento de amplas consequências geográficas, políticas e estratégicas. Menos de um ano depois, a 3 de Outubro de 1990, dá-se a reunificação da Alemanha, que estivera dividida durante 41 anos em duas repúblicas, de um lado a R.F.A e do outro lado a R.D.A.
Com o fim da República Democrática Alemã, dá-se o desmoronamento de todos os regimes comunistas da Europa de Leste, colocando um ponto final na guerra-fria e mudando completamente o mapa político do Mundo.

Mas o acontecimento, que é a razão deste texto deu-se faz hoje setenta anos. Na noite do 9 para 10 de Novembro de 1938, agentes nazistas assassinaram 91 judeus e outros 30 mil foram detidos, para além de incendiarem 267 sinagogas, saquearem e destruírem cerca de 7500 lojas e empresas da comunidade judaica. Os judeus com mais de 18 anos foram humilhados, amedrontados, presos e enviados para campos de concentração.
A Noite de Cristal (Kristallnacht) em referência aos vidros partidos dos estabelecimentos comerciais destruídos, marcou o início do Holocausto, que causou a morte de seis milhões de judeus na Europa até o final da II Guerra Mundial.
A razão apresentada pelos nazistas para o pogrom de 1938 foi o assassinato do diplomata alemão Ernst von Rath, em Paris, pelo jovem estudante polaco e judeu Herschel Grynszpan de 17 anos, dois dias antes.
No entanto, a perseguição nazista à comunidade judaica alemã já havia começado em Abril de 1933, com o apelo feito pelo regime nazista aos cidadãos alemães de boicotarem estabelecimentos judeus. Mais tarde, os judeus foram proibidos de frequentar todos os estabelecimentos públicos, inclusive escolas e hospitais.
No Outono de 1935 a perseguição aos judeus, considerados inimigos dos alemães, atingiu um ponto de não retorno com a chamada, Legislação Racista de Nuremberga. A lei de 15 de Novembro de 1935 proibia os casamentos de judeus com alemães, as relações extraconjugais entre alemães e judeus, que alemães fizessem serviços domésticos para famílias judaicas ou que um judeu hasteasse a bandeira nazista. Ainda em 1938, as crianças judaicas foram expulsas das escolas e foi decretada a expropriação compulsiva de todas as lojas, indústrias e estabelecimentos comerciais dos judeus.
Os ataques que ficaram na História como “ A Noite de Cristal” foram o sinal definitivo de que o regime nazista não conhecia limites em relação à perseguição dos judeus. A destruição, humilhação, prisões e mortes daquele dia foram o prenúncio do Holocausto e o primeiro passo rumo ao que o regime nazista designaria como Solução Final para o extermínio dos judeus.

quinta-feira, novembro 06, 2008

Michael Crichton


O escritor, argumentista e realizador Michael Crichton, um mestre do thriller norte-americano, autor de, entre outros livros, o Parque Jurássico, O Mundo Perdido, Congo, Presas ou Next, mas também da série televisiva ER-Serviço de Urgência, morreu ontem em Los Angeles, aos 66 anos anunciou a família num comunicado emitido pela estação norte-americana de televisão CNN.
A morte de Michael Crichton foi inesperada, adiantou a família, apesar do escritor, travar há já algum tempo uma batalha contra um cancro.
Segundo a família, Michael Crichton, é descrito como “um pai e marido dedicado e um amigo muito generoso”, ficará lembrado pelo modo como mostrava “as maravilhas do mundo através de um olhar diferente”. “E fez isso com um sentido de humor que todos os que tiveram o privilégio de o conhecer pessoalmente nunca esquecerão”.
Embora nunca tenha exercido medicina, a experiência no hospital serviu-lhe de matéria-prima para escrever a série televisiva ER-Serviço de Urgência, que deu a conhecer George Clooney. A série foi capa da revista Newsweek e vencedora de oito prémios Emmy, em 1995.
A trilogia "Parque Jurássico" – com realização de Steven Spielberg os dois primeiros filmes e de Joe Johnson o terceiro – é a obra cinematográfica inspirada num livro do autor mais conhecida, no entanto, Crichton teve 13 dos seus livros adaptados ao cinema.
John Michael Crichton nasceu em Chicago em 1942 ( 23 de Outubro), era filho de um jornalista que o incentivou a escrever. Michael Crichton passou os primeiros anos de sua infância em Chicago até que a família se mudou para Nova Iorque onde, apenas com 14 anos, publicou o seu primeiro artigo no "The New York Times". Os seus primeiros livros apareceram assinados com pseudónimo: Jeffery Hudson.
Estudou Antropologia em Harvard 1965 e mais tarde formou-se em Medicina na Harvard Medical School e nos primeiros anos da década de 70 partiu para a Califórnia, aí começando a dirigir filmes baseados nos seus livros.
Aos 29 anos teve o seu primeiro livro, The Andromeda Strain, adaptado ao cinema em 1971. No ano seguinte, já como realizador fez o tele-filme Pursuit e em 1973 dirigiria Westworld. Em 1978 escreveu e dirigiu o filme Coma, baseado no livro do mesmo nome, do escritor Robin Cook, especialista em escrever livros de suspense na área da medicina.
Da sua carreira como realizador é de salientar ainda os filmes The Great Train Robbery, Looker (1981),Runaway (1984) e Physical Evidence (1989).
Michael Crichton já vendeu mais de 100 milhões de livros em todo o mundo, encontrando-se traduzido em 35 línguas. Na sua basta obra (Sol Nascente, O Mundo Perdido, O Homem Terminal, Congo, A Esfera, Resgate no Tempo, Revelação, Estado de Pânico, Presas e Next) popularizou temas de ciência e tecnologia, tais como a clonagem,a nanotecnologia ou a inteligência artificial. Desaparece um grande contador de histórias.

quinta-feira, outubro 30, 2008

A Guerra Dos Mundos


Era uma noite normal de Outono, naquele dia 30 de Outubro de 1938, até que a emissora de rádio CBS interrompeu a sua programação habitual para noticiar uma suposta invasão de marcianos.
Dramatizando o livro de ficção científica A Guerra dos Mundos, do escritor inglês H.G. Wells, o programa relatava a chegada de marcianos a bordo de naves extraterrestres à cidade de Grover’s Mill, no Estado de Nova Jersey. Os méritos da genial adaptação, produção e direcção da peça eram do então jovem e quase desconhecido actor e realizador de cinema Orson Welles.
O programa transmitido com reportagens em directo, entrevistas com testemunhas que estariam a viver os acontecimentos, opiniões de peritos e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, a emoção dos supostos repórteres e comentaristas, dava a impressão de ser um acontecimento real, aumentando assim o carácter dramático do teatro radiofónico.
O medo e o pânico, tomou conta das cidades de Nova Jersey, Nova Iorque e Newark, com fugas em massa e reacções desesperadas dos moradores.
A CBS calculou que o programa foi ouvido em directo por cerca de seis milhões de pessoas, metade das quais, sintonizou o programa quando este já tinha começado, perdendo a introdução que informava tratar-se de um teatro radiofónico. Mais de um milhão de pessoas acreditou ser um facto real.
O jornal Daily News resumiu na manchete do dia seguinte a reacção ao programa: “Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos”.
A Guerra dos Mundos não só tornou Orson Welles mundialmente famoso como é, segundo cientistas da área da comunicação social, o programa que mais marcou a história dos media no século XX.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Hu Jia


O Prémio Sakharov 2008 para a liberdade de pensamento foi hoje atribuído ao dissidente chinês Hu Jia, apesar das pressões exercidas pela China sobre os eurodeputados no sentido de fazerem outra escolha, anunciou hoje o grupo político dos Verdes no Parlamento Europeu.
Hu Jia conhecido internacionalmente pelas campanhas em defesa do ambiente, da liberdade religiosa ou dos direitos dos portadores de HIV, foi detido pelas autoridades chinesas em 27 de Dezembro de 2007, junto com a sua mulher Zeng Jinyan, sendo condenado
no passado dia 3 de Abril por “incitação à subversão do poder estatal e do sistema socialista” a três anos e meio de prisão, e mais um ano de privação dos seus direitos políticos.
E o que fez este perigoso subversivo?
Escreveu dois artigos na Internet onde num deles, critica o conceito “Um país, dois sistemas”, dizendo que a China não precisa de dois sistemas, basta a democracia. No outro artigo, escrito em conjunto com Teng Biao, professor de direito, advertiam os estrangeiros que vão visitar Pequim durante os Jogos Olímpicos que: “Deveis saber que este entusiasmo, estes sorrisos, esta harmonia e prosperidade existem à custa da injustiça, de lágrimas, de prisões, tortura e sangue”.
Pura e simplesmente, o exercício da sua liberdade de expressão.
O Prémio Sakahrov é atribuído pelo Parlamento Europeu, a personalidades que se distinguiram na defesa dos direitos humanos. A entrega do prémio decorrerá numa cerimónia solene do Parlamento Europeu, em Estrasburgo a 17 de Dezembro.
O Prémio Sakahrov celebra este ano o vigésimo aniversário e já distinguiu grandes personalidades da defesa dos Direitos Humanos, como são o antigo presidente da África do Sul Nelson Mandela, a militante birmanesa Aung San Suu Kyi e o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

terça-feira, outubro 21, 2008

O Mito da Justiça Social


Desigualdade em Portugal entre pobres e ricos aumentou nos últimos anos Portugal está entre os países onde existem as maiores desigualdades na distribuição dos rendimentos entre cidadãos pobres e ricos. Os dados são avançados hoje num relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) intitulado “Crescimento e Desigualdades”.
O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior em quase todos os países membros da OCDE e Portugal está entre os piores ao lado dos Estados Unidos e apenas atrás da Turquia e México com as desigualdades a traduzirem-se num aumento da pobreza infantil.
As excepções, segundo o relatório da OCDE “Crescimento e Desigualdades”, chegam da Espanha, França e Irlanda, com os autores do estudo a colocarem a Dinamarca e a Suécia à frente dos países mais justos, com um coeficiente de 0,32.
No sentido oposto, ou seja, no topo da tabela dos mais injustos é colocado o México (0,47), seguido da Turquia (0,42) e de Portugal e dos Estados Unidos (ambos com 0,23).
Pode ler-se no relatório que “em três quartos dos 30 países da OCDE, as desigualdades de rendimentos e o número de pobres aumentaram durante as duas últimas décadas”, mas alguns países registaram melhores resultados do que outros.
Desde o ano 2000, por exemplo, o fosso entre ricos e pobres aumentou no Canadá, Alemanha, Noruega, Estados Unidos, Itália e Finlândia, mas diminuiu no México, Grécia, Austrália e Reino Unido, com a OCDE a definir como situação de pobreza quando os rendimentos são inferiores a 50 por cento da média de cada país.
Outros dos graves problemas levantados pelo relatório da OCDE refere-se à pobreza das crianças que aumentou nos últimos 20 anos e “situa-se hoje acima da média geral”.
Países como a Alemanha, República Checa, Canadá e Nova Zelândia viram a pobreza das crianças aumentar”, mas, em contrapartida, a faixa etária entre os 55 e os 75 anos “viu os seus rendimentos aumentar mais nos últimos 20 anos”.
Perante os dados apresentados neste relatório a OCDE avança com o pedido de implementação de medidas preventivas, nomeadamente a promoção do acesso a um trabalho remunerado, até porque a organização assinala ser nos países com maiores taxas de emprego que o número de pobres é menor. (Lusa).
A imoralidade não ficará por aqui. No nosso país, os políticos, os gestores, os altos quadros da administração pública e outros tantos empregados de topo, ganham ao nível de países mais desenvolvidos do mundo, o que seria muito bom para o país, não fosse o caso de os salários médios dos trabalhadores portugueses continuarem, ano após ano, a não passarem de salários de miséria. Com este fosso entre os salários dos mais ricos e os salários dos mais pobres, onde não há vislumbre de parar de aumentar, a situação de injustiça social tende a agravar-se e não a ser esbatida.

Unforgettable Colors




Unforgettable colors.
Advertising Agency: Martins + Andrade, Porto Alegre, Brazil
Creative Director: Gerson Lattuada
Art Director: Gustavo Panichi
Copywriter: Tiago Canto
Published: October 2008

sexta-feira, outubro 17, 2008

Uma Carta Para Garcia





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Vale a pena gastar vinte minutos a ler esta carta.

Uma Carta Para Garcia (I)





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Uma Carta Para Garcia (II)





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Uma Carta Para Garcia (III)




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Líderes Empenhados

Líderes europeus empenhados na procura da solução para a crise financeira.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Le Clézio


O Prémio Nobel da Literatura deste ano foi atribuído ao escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, anunciou esta manhã o Comité da Academia Sueca.
O Comité Nobel considerou o escritor merecedor do prémio pela sua narrativa de «aventura poética» e de «êxtase sensual», «explorador de uma humanidade para além (...) da civilização reinante».
Jean-Marie Gustave Le Clézio, escreveu o seu primeiro livro aos sete anos durante uma travessia marítima rumo à Nigéria.
A sua literatura confunde-se com as viagens, que não cessou de empreender. Ganhou a admiração de filósofos como Michel Foucault e Gilles Deleuze, que apreciaram a sua escrita inovadora e revoltada.
Filho de um cirurgião britânico e de uma francesa da Bretanha, nasceu em Nice, sul da França, em 13 de Abril de 1940.
Formado em Letras, trabalhou na Universidade de Bristol e de Londres, em Inglaterra, dedicando uma tese ao poeta Henri Michaux, também ele um viajante. Com 23 anos ganha o Prémio Renaudot, um importante galardão francês, por um ensaio que ainda hoje é considerado magistral, "Le procès-verbal".
Depois de ensinar nos Estados Unidos, em 1967 cumpre o serviço militar na Tailândia, como cooperante, donde é expulso por denunciar a prostituição infantil. Termina o seu serviço militar no México.
Durante quatro anos, de 1970 a 1974, partilha a vida com índios do Panamá, uma experiência que terá grande influência na sua escrita. Depois, ensina em Albuquerque, nos Estados Unidos.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.
Numa sondagem, realizada em 1994 pela revista francesa Lire, foi considerado como o "maior escritor vivo da língua francesa".
Casado e pai de duas filhas, Le Clézio vive em Albuquerque, mas desloca-se frequentemente entre Nice e uma casa que possui na Bretanha.
"O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto" (considerado a sua obra-prima), "Estrela errante", "Diego e Frida", "Índio branco", são os livros de Le Clézio traduzidos em Portugal, cuja obra ultrapassa os 50 títulos.
Em reacção à atribuição do Prémio Nobel o escritor francês, declarou estar "muito emocionado e muito sensibilizado", numa entrevista à rádio sueca.
"É uma grande honra para mim", disse ainda o laureado, precisando que agradecia "com toda a sinceridade à Academia Nobel".
Le Clézio afirmou ainda que estará em Estocolmo no dia 25 de Outubro para receber o prémio Stig Dagerman, um prémio literário sueco que lhe foi atribuído em Junho. (com Lusa).

L'Autre Monde de Le Clézio


Um texto soberbo de Daniel Rondeau, no jornal francês L'Express.
Long poème en prose, Révolutions parle de l'espèce humaine, de la douceur et de la douleur d'exister. Comme le point d'orgue d'une œuvre qui ne cesse, depuis quarante ans, d'explorer les territoires encore vierges qui s'étendent entre la réalité et nous
Révolutions est un roman remarquable où les sentiments passent l'ordinaire - l'enthousiasme et le courage ne sont pas exclus - où les époques se chevauchent, où les hommes se parlent et se répondent. Certains ont disparu dans le puits du temps. D'autres vivent loin de leur pays natal. Mais ils ne sont pas des isolés. Tous attendent, quelque chose ou quelqu'un. Ce peut être un instant de bonheur ou de liberté supérieure, une leçon de sagesse antique, un amour impossible. Ou tout simplement la mort. Il y a de la grandeur et de la fragilité dans leur veille.
L'auteur remue des ombres, les déplace avec sa plume d'un profil à l'autre. Le mouvement de ces ombres qui bougent est celui du livre tout entier. Les vivants et les morts, les continents et les îles, les mers et les océans, les jours d'hier et ceux d'aujourd'hui, les guerres et les révolutions en armes s'enchaînent à la révolution universelle des astres, de la lumière et de la nuit. Un autre monde apparaît. L'auteur se tient dans une position légèrement oblique par rapport à sa création. Nous reconnaissons aussitôt Jean-Marie G. Le Clézio.
«Votre livre, Le Procès-Verbal, m'a entraîné dans un autre monde,le vrai, probablement» Général de Gaulle
Débuts solaires.
La France des années 1960 avait vu apparaître un écrivain de 23 ans nommé Le Clézio, qui portait avec discrétion et noblesse ses orgueils intérieurs. C'était la saison des prix littéraires. Le visage du débutant, net et poétique, avec des yeux d'une pâleur pure, sa longue silhouette solaire focalisèrent cette année-là la lumière de l'automne. Il n'y avait pas que les photographes pour s'intéresser à ce jeune homme. Le général de Gaulle lui écrivit pour le remercier de l'envoi de son livre: «Votre livre, Le Procès-Verbal, m'a entraîné dans un autre monde, le vrai très probablement...» Beaucoup d'autres n'auraient pas survécu à pareil accueil. Le Clézio avait pour lui une liberté d'étoile, qui le protégea des caresses qui font mourir. Et sa fraîcheur ne fut pas perdue. Il continua ce pour quoi il était fait: écrire, écrire comme on cherche un trésor. Le romancier a raconté le désert, l'éblouissement du minéral, les nuits saisies dans leur beauté de glace, les errances d'hommes changés en pierre (il lui arrive d'être ennuyeux), puis s'est éloigné de cet univers de silice en se souvenant de ses aïeux, restés vivants dans ses pensées, malgré la puissance du temps.
Mirage de l'espace, plainte du temps. Chacun de ses livres, désormais, semblait ajouter un nouveau chapitre à une méditation jamais discontinuée sur l'enfance, sur le destin, souvent absurde, et sur les chimères capables d'enflammer l'esprit des hommes les plus sages. Avec ce nouveau roman, Le Clézio s'abandonne une fois encore au mirage de l'espace et à la plainte du temps. Mais son Révolutions n'est pas répétition. Lisons ce long poème en prose plutôt comme une œuvre d'une ampleur nouvelle, fécondée par la force de vieux songes, habitée par des apparitions plutôt que par des personnages, et qui parle de l'espèce humaine, de la douceur et de la douleur d'exister. D'une certaine façon, on peut affirmer que Révolutions est le point d'orgue d'un cycle, commencé avec une autorité surprenante, il y a quarante ans exactement, par un auteur fidèle aux voix et surtout aux silences de son enfance, dans un palais décrépi du vieux Nice, et qui n'a cessé de déchiffrer un palimpseste de territoires encore vierges, qui s'étendent entre la réalité et nous.
«Il pensait: je vais voyager. je vais continuer, nager vers l'horizon,si loin que je ne pourrai plusrevenir en arrière»
C'est l'histoire, très classiquement construite, de plusieurs existences, ressuscitées par la quête du narrateur, Jean, qui cherche les chaînons manquants, les éléments décisifs qui font défaut à ces destins et reconstitue le puzzle. Pendant ce temps, sa vie continue et fait écho à ce passé murmuré qui chante à ses oreilles. Ce Jean en question ressemble aux héros habituels de Le Clézio. «Il pensait: je vais voyager. Je vais continuer, nager vers l'horizon, si loin que je ne pourrai plus revenir en arrière. Un instant il avait pensé cela, non pas mourir, mais partir. Mais quelque chose l'en avait empêché. Le soleil était devenu immobile, il s'était durci. Sous le corps de Jean, la mer était devenue profonde, froide, effrayante.» Ce qui est nouveau, c'est la façon qu'a l'auteur de rendre ce Jean à son temps - la guerre d'Algérie, le décompte des morts, les sursitaires, le départ des pieds-noirs, le Londres prolétarien des années Blow up, les rues sombres, les façades de brique, la pluie, l'indifférence des passants, les émeutes de Mexico en 1968, la tristesse de la ville, son collier de volcans - et de l'envoyer en lune de miel à l'île Maurice. Il y a du Bildungsroman dans ce Révolutions, qui est aussi l'éducation sentimentale et politique d'un jeune homme né près de la Méditerranée, à une époque où les peuples antiques qui habitaient ces deux rives commencent d'entrer dans leur agonie. L'éternité aussi est fragile.
Le récit s'appuie sur des noms magiques, calices toponymiques où macèrent les songes, les regrets, les désirs d'aventure et de solitude à la Robinson. Citons-en quelques-uns: la Kataviva, Ipah (Malaisie), Odessa, sur la mer Noire, Chichester, Trieste, Ekaterinbourg, Palma de Majorque, Rozilis, Ebène, etc. A Gethsémani, un ange passe. D'autres noms, plus inattendus chez Le Clézio, appellent l'Histoire et la font vivre au présent. Châlons, Les Islettes, la forêt d'Argonne. Les soldats de l'an II sont la Révolution en marche. Ils traversent la France à pied pour sauver la République. Sous les ailes du moulin de Valmy, le «voisinage du sang» et le «bourdonnement d'abeilles des boulets» bercent étrangement les cœurs et métamorphosent ces fils de rien venus de leurs provinces lointaines défendre la patrie et la liberté.
L'ivresse des batailles n'interdit pas la réflexion. La mère du sans-culotte dit à son fils qu'il y a un autre pays, au sein de la Nation, qui n'appartient qu'à Dieu, et les massacres de Septembre, les campagnes devenues déserts troublent la belle ardeur des volontaires. La liberté n'est pas trahie seulement sur le sol de la patrie. Sous les tropiques aussi, des hommes de 1789 oublient leurs devoirs sacrés et laissent les esclaves dans les chaînes. Il y a quelque chose d'irréparable dans cette tragédie, et dans le soulèvement de ceux qui veulent rejoindre «les libres», narrée comme si elle était vécue et soufferte personnellement par l'auteur, même s'il cherche à s'en dégager. L'odeur du sang se mêle à celle des fleurs et à celle de la terre après la pluie. Tout se passe toujours ailleurs et finit là où tout a commencé. Des hommes écoutent la vie se précipiter au fond d'eux-mêmes, des souvenirs grondent, s'apaisent, des visages aimés s'effacent. Tout cela, ce qu'on appelle l'Histoire, a-t-il un sens? Non, répond Jean, qui s'abandonne à la rêverie. Tout est vent, seulement vent. Mais quand même: le livre ne se ferme pas sans qu'un nouveau visage apparaisse. C'est un enfant.