terça-feira, abril 21, 2009

Novo Livro de Dan Brown


“The Lost Symbol”, ou “O Símbolo Perdido”, é o título do novo livro de Dan Brown, que sairá no Outono. O autor do “Código Da Vinci” regressa com uma nova aventura do especialista em simbologia Robert Langdon, transformado em detective, que terá apenas 12 horas para resolver as peripécias em que se verá envolvido.
A expectativa é enorme: a primeira edição, lançada a 15 de Setembro, terá 6,5 milhões de cópias. É a maior primeira edição de sempre da editora Random House.Não foram adiantados grandes pormenores, mas o jornal “The Guardian” diz que a história se deve passar em Washington.
“Este livro foi uma viagem estranha e maravilhosa”, comentou Brown. “Foi preciso tecer cinco anos de pesquisa numa trama de 12 horas, foi um desafio entusiasmante. A vida de Robert Langdon é vivida a um ritmo muito mais rápido que a minha.”
Em 2006 estreou-se o primeiro filme inspirado num livro de Brown, “O Código Da Vinci”, com Tom Hanks a fazer o papel de Langdon. O segundo, “Anjos e Demónios”, chega aos cinemas a 15 de Maio.(Público).

segunda-feira, abril 20, 2009

José Saramago


Os textos que o escritor José Saramago publicou no seu blogue na Internet desde Setembro de 2008 foram reunidos em "O Caderno", livro que será editado na quinta-feira, Dia Mundial do Livro.
A obra, que terá uma tiragem de cinco mil exemplares, é uma edição conjunta da Editorial Caminho e da Fundação José Saramago.
"O Caderno" reúne textos publicados ao longo de seis meses no blogue que José Saramago inaugurou a 17 de Setembro de 2008.

Último Romance de Vladimir Nabokov


O último romance escrito por Vladimir Nabokov (São Petersburgo, 22 de Abril de 1899 — Montreux, Suíça, 2 de Julho de 1977), "O original de Laura", será publicado em Novembro, anunciou a editora Penguin.
O autor, famoso a partir da escrita de "Lolita", romance transposto para o cinema por Stanley Kubrick, deixou instruções para que "O original de Laura" fosse destruído após a sua morte, mas o filho e testamenteiro da sua obra, Dmitri, decidiu publicá-lo.
Segundo a cadeia pública britânica BBC, os herdeiros de Nabokov receberam uma soma superior a um milhão de dólares por este trabalho, que chegará simultaneamente a 3 de Novembro às livrarias do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Vladimir Nabokov


O que procuramos na literatura é um estremecimento na espinha dorsal.
Vladimir Nabokov

Biblioteca Digital Mundial


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e 32 instituições parceiras lançam na terça-feira (21/04) a Biblioteca Digital Mundial, uma página na internet que oferece gratuitamente materiais culturais únicos de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. A página será apresentada nas sete línguas da ONU, incluindo o português, graças à participação do Brasil como parceiro fundador.
O projecto da Biblioteca Digital Mundial, vai permitir que fiquem disponíveis na Internet, gratuitamente e em várias línguas, conteúdos essenciais de várias culturas mundiais como manuscritos, mapas, livros raros, partituras, gravações, filmes, fotografias, desenhos arquitectónicos, etc.
Um dos objectivos é aumentar os conteúdos de outras línguas na Internet (além da inglesa) e de outras culturas que não a ocidental e contribuir para a investigação académica. Lado a lado, poder-se-ão ali encontrar antigos manuscritos chineses e postais de Sarah Bernhardt, originais de Rabelais ao lado de uma gravação áudio da voz de Fountain Hughes, antigo escravo norte-americano de 101 anos. A página da Internet vai ser uma montra digital através da qual os utilizadores podem consultar e estudar dezenas de milhares de tesouros culturais de diversos países, como Suécia, Arábia Saudita e África do Sul, explica o jornal "The Guardian".
Tudo começou há quatro anos quando James Billington, bibliotecário da Biblioteca do Congresso em Washington, deu a ideia de se fazer esta biblioteca digital, com todo o conteúdo livre de direitos num sítio traduzido em sete línguas diferentes. O director do projecto é John Van Oudenaren, que disse ao "The Guardian" que espera que a Biblioteca Digital Mundial aproxime as culturas e que sirva de base para educadores em qualquer parte do mundo. Neste momento, já têm 32 parceiros (a Biblioteca Nacional do Brasil é uma delas e a Biblioteca de Alexandria também) e o Médio Oriente tem um grande peso. Por exemplo, diz o "The Guardian", a Biblioteca Nacional e os Arquivos do Iraque contribuíram com uma selecção de jornais do século XIX e XX escritos em árabe, inglês, curdo e turco otomano. A Biblioteca Nacional Francesa contribuiu, por exemplo, com filmes dos irmãos Lumière (Com Ípsil
on).

J.G. Ballard 1930-2009


O escrito J. G. Ballard morreu ontem, aos 78 anos (15 November 1930 – 19 April 2009) , vítima de doença prolongada. A notícia foi dada pela agente Margaret Hanbury, que disse que o autor de “Crash” e “Império do Sol” estava doente há já “vários anos”, adiantou a BBC.
Filho de um executivo britânico, James Graham Ballard nasceu em Xangai, na China, e cresceu na comunidade de expatriados da cidade.
Ballard era apresentado como escritor de ficção científica, mas costumava dizer que os seus livros eram “uma imagem da psicologia do futuro”. “Império do Sol”, o seu livro mais aclamado, baseava-se na sua infância passada num campo de prisioneiros japoneses, na China, durante a II Guerra Mundial. Publicado pela primeira vez em 1984, “Império do Sol” ganhou o Guardian Fiction Prize e o James Tait Black Memorial Prize, tendo sido finalista do Booker Prize; foi adaptada a cinema pelo realizado Steven Spielberg.
Também “Miracles of Life” começa e termina em Xangai, a cidade onde nasceu e onde passou a maior parte da guerra. Nele faz um relato de como passou do campo de Lunghua para uma Inglaterra traumatizada pela guerra, e como este país se transformou ao longo das décadas seguintes.
Entre os seus 15 romances, está o polémico "Crash", que conta a história de um grupo de pessoas com fascínio sexual por acidentes de carro, e que foi levado ao cinema pelo também controverso realizador David Cronenberg em 1996.
Ballard tirou o curso de Medicina em Cambridge e foi porteiro do Covent Garden, antes de partir para o Canadá. Publicou o seu primeiro romance em 1961, “The Drowned World”. Continuou a escrever artigos científicos a acompanhar a sua carreira literária. (Com o Público)

sexta-feira, abril 17, 2009

A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao


Pré-publicação: A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, de Junot Díaz, vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2008.
O nosso herói não era um daqueles gatos dominicanos de quem toda a gente passa a vida a falar – não era nenhum jogador capaz de fazer um home-run, nem um dançarino de bachata, todo produzido, nem um playboy com um milhão de gajas no papo.
E, excepto durante um período muito inicial da sua vida, o tipo nunca tinha tido muita sorte com mulheres (uma coisa tão pouco dominicana).
Tinha sete anos, nessa altura.
Naqueles dias abençoados da sua juventude, o Oscar era qualquer coisa como um Casanova. Um daqueles namoradinhos do jardim-escola, sempre a tentar beijar as miúdas, sempre a aparecer-lhes por detrás durante um merengue e a dar-lhes aquela bombada com a pélvis; o primeiro negro a aprender o perrito, e aquele que o bailava em cada oportunidade que lhe aparecia. Como naquele tempo ele era (ainda) um miúdo dominicano «normal», criado numa família dominicana «típica», a sua mulherenguice nascente foi encorajada pela família e pelos amigos, de maneira igual. Durante as festas – e havia muitas, muitas festas, naqueles já tão longínquos dias dos anos setenta, antes de Washington Heights se tornar Washington Heights, antes de Bergenline se ter tornado um tiro e queda para os Espanhóis, em quase cem blocos de habitações – algum seu parente já com os copos empurrava inevitavelmente o Oscar na direcção de uma rapariguinha e, então, toda a gente se punha a berrar enquanto o miúdo e a miúda imitavam o movimento de ancas dos adultos.
Deviam tê-lo visto, suspirava a mãe nos seus Últimos Dias. Ele era o nosso pequeno Porfirio Rubirosa .
Todos os outros miúdos da sua idade evitavam as miúdas como se elas fossem uma daquelas formas horríveis em que o Captain Trips se transformava. O Oscar, não. Aquele homenzinho gostava de fêmeas, tinha «namoradas» à brava. (Era um miúdo forte, a caminhar rapidamente para o gordo, mas a mãe arranjava-lhe sempre uns cortes de cabelo e umas roupas catitas, e antes de as proporções da sua cabeça mudarem, ele tinha aqueles olhos que cintilavam adoravelmente e aquelas bochechas firmes, visíveis em todas as suas fotografias). As miúdas – as amigas da sua irmã, a Lola, as amigas da mãe, até a vizinha, a Mari Colón, uma funcionária dos Correios, de uns trinta e tais, que pintava os lábios de encarnado e caminhava como se tivesse um sino de bronze em vez de um cu –, todas se apaixonaram por ele, supostamente. Ese muchacho está bueno! (Fazia alguma coisa ao caso que ele fosse um miúdo sério e tivesse dificuldades de concentração? Nenhuma!) Na República Dominicana, durante as visitas de Verão à residência da família em Baní, ele era do piorio, plantava-se em frente à casa da Nena Inca e gritava para as mulheres que passavam – Tú eres guapa! Tú eres guapa! – até que um Adventista do Sétimo Dia fez queixa à avó, que fez calar aquela cantilena de sucesso a grande velocidade. Muchacho del diablo! Isto não é nenhum cabaré!
Para o Oscar, aquela foi, na verdade, uma Era Dourada, uma era que atingiu a sua apoteose no Outono do seu sétimo ano, quando ele teve duas namoradinhas ao mesmo tempo, o seu primeiro e único ménage à trois de sempre. Com a Maritza Chacón e a Olga Polanco.
A Maritza era uma amiga da Lola. De cabelo longo e nojentinha, e tão bonita que poderia ter desempenhado o papel da Dejah ThorisII. A Olga, por outro lado, não era amiga da família. Vivia na casa ao fundo do bloco, aquela da qual a mãe do Oscar se queixava de estar cheia de porto -riquenhos que estavam sempre por ali, pela entrada do bloco, a beber cerveja. (Olha que isto, não poderiam ter feito isso lá em Cuamo?, perguntava a mãe do Oscar, de mau humor.) A Olga tinha assim como que noventa primos, os quais pareciam chamar-se todos Hector, ou Luis, ou Wanda. E como a mãe dela era uma maldita borrachona (para usar as palavras da mãe do Oscar), nalguns dias, a Olga tinha um cheiro a cu, motivo pelo qual os miúdos lhe começaram a chamar Dona Porcalhota.
Dona Porcalhota ou não, o Oscar gostava da sua maneira de ser, calada, de como ela o deixava atirá-la ao chão e andar à bulha com ela, do interesse que ela demonstrava pelos seus bonecos do Star Trek. A Maritza era bela, só isso, sem qualquer outro tipo de atracção, também sempre por ali, e foi mesmo um golpe de puro génio que o convenceu a atirar-se a ambas, ao mesmo tempo. Primeiro, fingiu que se tratava do seu herói número um, Shazam, quem queria namorar com elas. Mas, depois de elas o aceitarem, deixou cair todos os fingimentos. Não era o Shazam, era o Oscar.
Eram dias bem inocentes, aqueles, e, por isso, a relação deles equivalia a ficar juntinho a cada uma delas, na paragem de autocarro, a um dar as mãos, às escondidas, e a uma dupla de beijos nas faces, muito a sério, primeiro, à Maritza, e, depois, à Olga, lá onde uns arbustos impediam que fossem vistos da rua. (Olhem para aquele pequeno macho, diziam os amigos da mãe. Que hombre.)
Aquele arranjinho a três durou apenas uma única e bela semana. Um dia, depois da escola, a Maritza encostou-o atrás do baloiço e ditou as regras, Ou ela ou eu! O Oscar segurou a mão da Maritza e falou de um modo grave, e bastante, sobre o seu amor por ela, recordando-lhe que eles tinham concordado em partilhar, mas a Maritza não quis ouvir nada daquilo. Tinha três irmãs mais velhas, sabia tudo o que necessitava saber acerca do que era partilhar. Não me voltes a dirigir a palavra a não ser que te vejas livre dela! Com a sua pele cor de chocolate e os seus olhos estreitinhos, a Maritza expressava já a energia Ogún com que enfrentaria toda a gente durante o resto da sua vida. Taciturno, o Oscar dirigiu-se para casa, para as suas bandas desenhadas da era anterior às fábricas clandestinas coreanas – para os Herculoids e o Space Ghost. O que é que se passa contigo?, perguntou a mãe. Estava a arranjar-se para ir para o seu segundo emprego, o eczema nas suas mãos a fazer lembrar um qualquer prato de comida mal amanhado que já tivesse assentado. Quando o Oscar se lamentou, As raparigas, a Mãe De León quase explodiu. Tu ta llorando por una muchacha? Levantou-o do chão por uma orelha.
Mami, pára com isso, gritou a irmã dele, pára!
Ela atirou-o para o chão. Dale un galletazo, disse, ofegante, e logo vais ver como essa putinha passa a respeitar-te.
Se ele fosse um gajo diferente, talvez tivesse considerado aquela hipótese do galletazo. Não era apenas o facto de ele não ter um pai qualquer para lhe mostrar as regras dos homens, faltavam-lhe, simplesmente, quaisquer tendências agressivas e marciais. (Ao contrário da irmã, que bulhava com rapazes e com bandos de morenas que odiavam o seu nariz fino e o cabelo assim para o liso.) Numa avaliação de combate, o Oscar teria assim como que um zero; até a Olga, com os seus braços como palitos, era capaz de lhe bater os pés. Agressão e intimidação estavam fora de questão. Por isso, reflectiu sobre o assunto. Não demorou muito a decidir. Ao fim e ao cabo, a Maritza era bela, e a Olga, não; às vezes, a Olga cheirava a mijo, e a Maritza, não. A Maritza tinha permissão para ir a casa deles, e a Olga, não. (Uma porto-riquenha aqui em casa?, dizia a mãe, com escárnio. Jamás!) Assim, o seu raciocínio lógico aproximou-se tanto da matemática do sim ou não dos insectos quanto um gajo lá podia chegar. Terminou tudo com a Olga, no dia seguinte, no recreio, com a Maritza a seu lado, e como a Olga tinha chorado! A tremer como um farrapo, naquela sua roupa herdada e naqueles sapatos quatro tamanhos acima dos dela! O ranho a sair-lhe do nariz e tudo! (Público).
Ficha do livro
Código: 04148
Editora: Porto Editora
ISBN-13: 978-972-0-04148-7
Última Edição: Setembro de 2008
N.º de Páginas: 296
Preço de Capa: EUR 16,50
Encadernação: Capa mole
Dimensões: 15 x 23,5 cm

William Faulkner


A sabedoria suprema é ter sonhos bastante grandes para não se perderem de vista enquanto os perseguimos.
William Faulkner.

segunda-feira, abril 13, 2009

Samuel Beckett



Considerado um dos maiores escritores e dramaturgos do século XX, o irlandês Samuel Beckett nasceu a 13 de Abril de 1906, na localidade de Foxrock, perto de Dublin. Nascido no seio de uma abastada família protestante, não teve uma infância muito feliz e depressa se tornou num jovem infeliz. Inadaptado às regras de uma sociedade que considerava repulsiva, refugia-se na solidão, que faz transparecer em toda a sua obra. Em 1923 ingressa no Trinity College, de Dublin para fazer a sua formação académica, onde em 1927, se licenciou em línguas modernas, francês e italiano, com uma excelente classificação. Em 1928, Beckett mudou-se para Paris, onde conheceu James Joyce, e depressa se tornou um seguidor do escritor. Esta amizade será decisiva para a sua carreira literária.
Aos 23 anos, escreveu um ensaio em defesa de "Ulisses", a obra-prima de James Joyce, que tinha sido proibida na sua Irlanda natal. Depois de um estudo sobre Proust, Samuel Beckett, chegou à conclusão que o hábito e a rotina eram o “cancro do tempo”: o tempo, inexorável, ao qual estamos presos. Samuel Beckett, faz questão de nos lembrar, que a cada momento, o fim se aproxima, que a morte espreita, que o jogo irá acabar e nós irremediavelmente, perderemos.
Se temos conhecimento disso, então por que continua-mos à espera? Porquê? Porque devemos saber que enquanto se espera a vida continua e devemos vive-la da melhor forma possível, a cada segundo, compreendendo-a pequena e grandiosa ao mesmo tempo. Por causa destas conclusões, abandonou o seu cargo no Trinity College e iniciou uma viagem pela Europa, visitando a França, Inglaterra e a Alemanha, onde viveu as mais diversas experiências que depois se traduziram em personagens.
Em 1938 fixou residência em Paris, onde dois acontecimentos o vão marcar para o resto da vida: é gravemente ferido ao ser agredido por um estranho, que lhe desferiu uma facada no peito, e conhece Suzanne Deschevaux-Dusmenoil, o amor da sua vida e com quem se casaria em 1961.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Beckett permaneceu em Paris, onde lutou pela Resistência, até que alguns membros o seu grupo foram presos e Beckett foi forçado a refugiar-se, com a sua mulher na zona conhecida como "França Livre", a parte da França que não tinha sido ocupada, pelas tropas nazistas.
Em 1945, regressou a Paris e iniciou o seu período mais prolífico enquanto escritor. No período cinco anos, entre 1948 e 1953, produziu a sua obra mais significativa.
Escreveu "Eleutheria" (1948), "À espera de Godot" (1952), e a trilogia, universalmente aclamada como essencial à compreensão da experiência humana, “Molloy” (1951), “Malone está a Morrer” (1951) e “O Inominável” (1953).O seu primeiro sucesso, chegou, em 1952 com "À Espera de Godot". Apesar das especulações, a pequena peça onde nada acontece, tornou-se num sucesso repentino e um marco no teatro do absurdo.
As personagens desta peça, exemplificam a situação do homem encurralado num mundo de rotina: dois vagabundos, Vladimir e Estrabon, indecisos e inertes, esperam em vão a chegada de um personagem enigmático e misterioso, Godot, símbolo do inalcançável, que de um modo inexplicável, melhorará as suas vidas.Depois do sucesso de "À Espera de Godot", Samuel Beckett dedica-se a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever nesta língua, construindo, um caso raro na Literatura moderna, uma obra bilingue.
As obras de Beckett traduzem com um grande poder de síntese, toda a condição humana. As questões que são necessárias esclarecer dessa condição são amplamente trabalhadas e poeticamente materializadas. Os personagens das suas obras, reflectem a posição do autor em relação à vida, à morte, aos desejos, aos fracassos e à impossibilidade da felicidade.
O reconhecimento crescente do seu trabalho culminaria com o Prémio Nobel da Literatura, em 1969. Depois disso e apesar de ser aclamado a nível mundial, continuou a escrever até à sua morte, que ocorreu em Paris, a 22 de Dezembro de 1989, vitima de enfisema, contra o qual lutou nos últimos três anos, da sua vida .

Samuel Beckett


Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.
Samuel Beckett

sábado, abril 11, 2009

Corín Tellado


Corín Tellado viveu a sua carreira à sombra numérica de um homem: Miguel de Cervantes, o único autor de língua castelhana que vendia mais do que ela. Mas a escritora, que morreu hoje em Gijón aos 82 anos, bateu o autor de Dom Quixote noutros números: Corín Tellado publicou mais de quatro mil obras, novelas e romances de cordel que marcaram várias gerações, e entrou no Guiness por ter vendido mais de 400 milhões de exemplares dos seus escritos.
“A vasta produção de Corín Tellado ficará como exemplo de um fenómeno sociocultural”, comentou um dia o escritor Mario Vargas Llosa. Ontem, a conselheira asturiana da Cultura e Turismo, Mercedes Alvarez, elogiou os “rasgos de modernidade” da obra de Tellado, “uma mulher muito avançada em relação ao seu tempo”.
Mas Corín, de seu nome María del Socorro Tellado López, não se considerava tão progressista. “Um dia a mulher terá o mesmo peso que o homem, mas ainda lhe falta andar muito”, disse numa entrevista publicada no seu site. Nascida em 1926 em Viavélez, na costa asturiana, viveu, casou e teve os dois filhos em Gijón. Mas o casamento da autora de novelas românticas mais lida do mundo castelhano não durou mais do que três anos. Em 1962, quando se divorciou, assinou contrato exclusivo com a editora Bruguera, a mesma em que publicou a seu primeira novela, Atrevida Apuesta (1946), pouco antes de fazer 20 anos.
A sua carreira fez-se então de novelas de cordel, fotonovelas e romances mais extensos, como Lucha Oculta (1991), que disse ser a sua obra favorita. Muitos foram publicados em Portugal, nomeadamente pela Agência Portuguesa de Revistas, tanto em pequeno formato como no de fotonovela, indica a Lusa.
Defensora do asturiano como língua co-oficial das Astúrias e distinguida pela UNESCO pela quantidade de leitores conseguidos em vida, não gostava de livros que não fossem de fácil compreensão. Defendia as suas obras como “entretenimento” e preferia as ideias que tinha à noite. Considerava ter “muita sorte” com a sua imaginação — “Alinhavo um argumento em cinco minutos”. Inspirava-se na vida quotidiana e juntava-lhe os ingredientes base: amor, ciúme e infidelidade.
As histórias de Corín Tellado atravessaram meios: foram adaptadas para a rádio (Lorena, em 1977), para o cinema (Tengo Que Abandonarte, 1970) e para a televisão de vários países. Em 2000 publicou a sua primeira obra na Internet, Milagro en el Camino. Paralelamente, e de acordo com o diário asturiano La Nueva España, também escreveu contos infantis e juvenis e assinou, sob o pseudónimo Ada Miller, uma colecção de novelas eróticas.
A sua última história, ditada à nora (já não usava a máquina de escrever), foi terminada quarta-feira. O seu destino é a revista cubana Variedades, com a qual colaborava desde 1951, altura em que, graças à presença dos seus escritos, aumentou a tiragem de 16 mil para 68 mil exemplares, como recorda o diário ABC. Corín Tellado, que terá morrido na sequência de um acidente vascular cerebral, será sepultada segunda em Gijón, onde há uma rua com o seu nome.(Público)

sexta-feira, abril 10, 2009

Allen Ginsberg


As manifestações culturais surgidas nos Estados Unidos e na Europa na década de 1960, feitas por jovens da classe média na sua maioria, que tiveram contacto com teorias de cientistas sociais e estudiosos do comportamento humano nas universidades, expandiram-se graças à imprensa. A imprensa norte-americana criou o termo Contracultura, para designar este conjunto de manifestações de carácter intelectual e estético que se opunha ou se diferenciava das instituições e dos valores dominantes na sociedade. Surgida nos anos 50, a Geração Beat - “Beat Generation”- foi o primeiro movimento de contracultura com forte importância histórica e cultural a acontecer nos EUA. Os seus membros eram conhecidos como beatniks (rótulo que Jack Kerouac reivindica como seu): uma corrupção do nome do satélite russo Sputnik com o termo inglês beat, de vários significados, entre eles o ritmo e o aspecto depressivo, que torna essa uma geração maldita.
Os beatniks eram jovens que se conheceram dentro e fora da universidade, interessados em escritos não ortodoxos como Rimbaud, Willian Blake, Melville, Withman, Kafka, Nietzsche, alguns dos quais vieram depois a ser adoptados nas universidades, sendo inclusive os professores acusados de transmitirem valores subversivos aos estudantes. Inquietos, marginais, pretendiam mostrar o seu desgosto com o status quo do consumismo e da tecnocracia, contrapondo propostas alternativas de vida. Não queriam mudar o mundo, nem fazer a revolução, mas lutar pelo direito de ser diferente. Não tinham soluções para os males do mundo. Nem para os próprios. Apesar das principais contribuições desta geração terem se dado na literatura, não é difícil identificar traços seus noutras formas de arte.
A Beat Generation na literatura compreendia um número pequeno de escritores, dos quais Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs são os mais conhecidos. Os três conheceram-se na Universidade Columbia, em Nova Iorque, no meio da década de 40, e tornaram-se grandes amigos, cada um encorajando o outro a escrever, até que as editoras começaram a levar o seu trabalho a sério no fim dos anos 50.
Allen Ginsberg é considerado o principal poeta da “Beat Generation”. Nascido a 3 de Junho de 1926, em New Jersey, Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade. Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, pensadores de almas selvagens, obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas e frequentando bares gays em Greenwich Village. Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou por se submeter a tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Allen Ginsberg ganhou popularidade a partir de 1956, com o seu poema/livro “Uivo”.
Lançado no Outono de 1956, o longo "Uivo" foi apreendido pela polícia de San Francisco, sob a acusação de se tratar de uma obra obscena. Depois de um tumultuoso julgamento, semelhante ao que foi submetida a novela de William Burroughs, Naked Lunch, o Supremo Tribunal autorizou a publicação e vendeu milhões de exemplares. Por esse período, Ginsberg viaja pelo mundo, descobre o budismo e apaixona-se por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro durante 30 anos, embora a sua relação não fosse monógama. No início dos anos 60, enquanto já era famoso, lança-se na cultura hippie, ajudando Thimoty Leary a divulgar o psicadélico LSD e participa num grande número de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM.
Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietname na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o guru tibetano Rinpoche, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve a sua agenda social activa até a sua morte, em 5 de Abril de 1997, em Nova Iorque. As suas últimas palavras, foram “pensei que iria ter medo mas estou animado”.

Allen Ginsberg



"(…)Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa “hipsters” com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contrato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite, que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tectos das cidades contemplando jazz, que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cómodos, que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e tragédias à luz de William Blake entre os estudiosos da guerra, que foram expulsos das universidades por serem loucos e publicarem odes obscenas nas janelas do crânio, que se refugiaram em quartos de paredes de pintura descascada em roupa de baixo queimando seu dinheiro em cestas de papel, escutando o Terror através da parede, que foram detidos em suas barbas púbicas voltando por Laredo, com um cinturão de marijuana para Nova York, que comeram fogo em hotéis mal-pintados ou beberam terebintina em Paradise Alley, morreram ou flagelaram seus torsos noite após noite com sonhos, com drogas, com pesadelos na vigília, álcool, caralhos e intermináveis orgias, (...) " .

segunda-feira, abril 06, 2009

John Steinbeck


John Steinbeck nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, em 27 de Fevereiro 1902. De uma família de classe baixa, John Steinbeck testemunhou desde cedo a vida dos trabalhadores urbanos e rurais. Terminou o curso secundário no Salinas High School, em 1919, ingressando nesse ano na Universidade de Stanford. Para poder pagar os seus estudos, teve diversas profissões. No entanto, abandonou os estudos universitários em 1925, partindo para Nova Iorque, onde trabalhou como operário da construção civil, pouco tempo antes de conseguir um lugar de repórter no New York American, no intuito de seguir carreira literária. Regressou à Califórnia para ser caseiro de uma propriedade, aceitando trabalhos como servente, aprendiz de pintor ou apanhador de fruta, ocupações que foram indispensáveis à construção de algumas das suas personagens.
O seu primeiro romance, Cup of Gold (1929), uma narrativa histórica sobre um pirata jamaicano, antecedeu aquela que, segundo os críticos, seria a sua década de criação mais produtiva. A um Deus Desconhecido (1933) é o primeiro grande romance de Steinbeck. Um romance quase místico, que tem por tema central "o modo como os homens tentam controlar as forças da natureza, e ao mesmo tempo compreender a sua relação com Deus e com o inconsciente".
Em 1935, publicou Tortilla Flat, o primeiro sucesso popular, um estudo humorístico da vida dos agricultores de Monterey. Seguiu-se, em 1936, Batalha Incerta, em 1937, Ratos e Homens.
Neste livro John Steinbeck conta-nos a história de dois amigos inseparáveis, George e Lennie, mas completamente diferentes entre si. George é baixo, franzino e astuto, Lennie é um gigante, com uma força bruta impossível de calcular, mas com a inteligência de uma criança. O que os une é a simples amizade e a marginalização imposta pelo sistema. O livro passa-se numa quinta da Califórnia, onde ambos trabalham como contratados da quinta, ganhando pouco mais que a comida e a dormida. Durante o seu árduo trabalho na quinta, encontram outros pobres e explorados, mas também, outras personagens, o filho do patrão e a sua fogosa mulher, que colocam em risco a sua miserável e humilde existência. Ambos têm o sonho de ter um espaço de terra só para eles, situação que nunca se concretizará.
Em Ratos e Homens, Steinbeck, demonstrou a sua capacidade de criar personagens realistas e cativantes e também de, falar de sentimentos comuns a todos seres humanos, como a solidão e a ânsia por uma vida digna. Ratos e Homens é um dos primeiros grandes clássicos sobre o doloroso período da Grande Depressão americana.
Em 1939 edita As Vinhas da Ira, livro aclamado pela crítica popular mas que suscitou controvérsia, tendo alguns exemplares sido queimados publicamente como forma de protesto e a obra banida nas bibliotecas públicas do Kansas City e de Oklahoma, enquanto se tornava leitura obrigatória nos colégios de Nova Iorque. A obra foi mais tarde galardoada com os prémios Pullitzer e National Book Award.
As Vinhas da Ira, um dos melhores clássicos da literatura do século XX, dá a conhecer os Joad, uma família rural e pobre do Oklahoma que tenta uma nova vida, tendo por pano de fundo os horrores da Grande Depressão. Esta família vê-se obrigada a abandonar as suas terras e partir para um novo mundo, a Califórnia, em busca de melhores condições de vida melhores. Ao seu lado estão milhares de migrantes que se deslocam pelos mesmos motivos, em velhos camiões, em direcção a um futuro incerto. Durante a viagem passam por diversos tipos de provações e quando chegam à Terra Prometida descobrem que era um lugar bem pior do que aquele que tinham deixado.
Ludibriados por falsas promessas, a família toda parte num velho camião pela famosa estrada 66 numa jornada em que nada pode ser previsto.Na maioria das suas obras, marcadas pela paisagem e o quotidiano californianos, o autor explora as duras condições de vida das populações rurais, obrigadas a sobreviver no limiar da pobreza ou forçadas a longas e miseráveis migrações. Procurando tornar evidente que cada ser humano deve ser analisado no ambiente em que se insere, o autor dedicou-se, sobretudo, ao retrato de personagens inadaptadas.
Em 1941, publicou Sea of Cortez em colaboração com Edward Ricketts. No ano seguinte, Noite Sem Lua, foi adaptado ao teatro, tendo-se seguido Bombs Away. Em 1943, foi correspondente de guerra do New York Herald Tribune nas frentes de combate da Europa e da África do Norte. Em 1945, publicou Bairro da Lata e A Pérola, em 1947.
A Pérola é baseada num conto popular mexicano, conta-nos a história de Kino, e da sua família. Kino um pobre pescador encontrou a maior pérola do mundo, que desperta nele e nas pessoas que vivem numa pequena povoação do litoral mexicano sentimentos e desejos vis. Um livro a ler e a reler.
Em 1948, John Steinbeck foi eleito para a Academia Americana das Artes e das Letras. Em 1950, publicou Burning Bright, adaptado mais tarde, ao teatro. Dois anos depois, colaborou no filme Viva Zapata.
A Leste do Paraíso (1952), adaptado ao cinema por Elia Kazan e protagonizado por James Dean, é um dos melhores exemplos, com homens e mulheres no limite das suas forças, prestes a renunciar aos valores morais que a América proclamava.
Em 1953, o livro Os Náufragos do Autocarro foi incluído na lista dos livros desaconselhados pela comissão Gathings.De 1954 a 1960, publicou Sweet Thursday, O Breve Reinado de Pepino IV e O Inverno do Nosso Descontentamento.
No livro O Inverno do Nosso Descontentamento, John Steinbeck, conta-nos a história de Ethan Hawley, descendente de uma família muito rica mas que ficou na ruína financeira. Ethan foi forçado a aceitar a humilde posição de empregado de balcão num armazém de um emigrante italiano com um passado desconhecido. Ethan fica constantemente dividido entre a sua vontade de ser íntegro e o deslumbramento da riqueza e da glória que tiveram os seus antepassados. John Steinbeck faz-nos penetrar na amargura e na infelicidade de Ethan Hawley, que questiona a sua relação com a mulher, filhos, patrão, clientes e amigos. Ethan começando por apresentar uma moralidade a toda a prova, que se vai transformando gradualmente, acabando por alcançar o sucesso financeiro à custa de golpes de moralidade duvidosa.
Afastando-se dos círculos intelectuais e académicos, John Steinbeck foi frequentemente repudiado na América, principalmente nos últimos anos, não merecendo a atenção de outros autores contemporâneos, como Hemingway ou Faulkner.
Em 1962, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Dois anos depois, recebeu a Medalha da Liberdade dos EUA e em 1966, publicou America and Americans, um conjunto de reflexões sobre a América contemporânea. Morreu em 20 de Dezembro de 1968, em Nova Iorque.

domingo, abril 05, 2009

John Steinbeck


Pela grossura da camada de pó que cobre a lombada dos livros de uma biblioteca pública pode medir-se a cultura de um povo.
John Steinbeck.

sábado, abril 04, 2009

Oscar Wilde


Nunca confie na mulher que diz a verdadeira idade, pois se ela diz isso... ela é capaz de dizer qualquer coisa.
Oscar Wilde

sexta-feira, abril 03, 2009

Jorge Luís Borges


A meta é o esquecimento. Eu cheguei antes.
Jorge Luís Borges

quarta-feira, março 11, 2009

Quinto Aniversário dos Atentados de Madrid


Cinco anos depois dos ataques terroristas de 11 de Março, em Madrid, recordam-se os factos: Às 07h37 (06h37 em Lisboa), uma bomba explodiu num comboio junto à estação de Atocha, um minuto depois ouvem-se outras explosões na mesma composição. No interior da estação de Atocha instala-se o caos e as centenas de passageiros tentam abandonar o terminal ferroviário. Às 07h38, mais duas bombas explodem nas estações de El Pozo e Santa Eugenia. Um minuto depois, às 07h39, quatro explosões destroem um comboio a 500 metros da estação de Atocha. A explosão de dez bombas, em apenas três minutos, provocou 191 mortos e mais de 1.500 feridos, naquele que é considerado o maior atentado terrorista de sempre na Europa.
Em Outubro de 2007, foi conhecida a sentença do julgamento dos atentados de 11 de Março. Dos 28 réus presentes a julgamento, 21 foram condenados a cumprir pena, mas 7 foram absolvidos. Nalguns casos, a acumulação de delitos levou a penas de 40.000 anos de prisão.
Em Julho de 2008, o Tribunal Supremo analisou um total de 31 recursos da sentença, apresentados pelo Ministério Público, por associações de vítimas e pela maioria dos condenados.
Acabou por absolver quatro dos 21 condenados por responsabilidade nos atentados de 11 de Março, condenando um outro arguido que tinha sido absolvido e mantendo a absolvição de um dos suspeitos de autoria intelectual do massacre.
O quinto aniversário dos atentados será o primeiro com os responsáveis na cadeia. O dia de hoje é marcado pela realização de homenagens e debates com especialistas e vítimas de terrorismo, numa altura em que as vítimas começam a ser esquecidas, pelas entidades governamentais. As iniciativas, organizadas pelas autoridades espanholas e pela Rede Europeia de Vítimas de Terrorismo, decorrerão em vários pontos de Madrid. (Público e RTP).
Memorial às vítimas construído na estação de Atocha.

50 Anos de Anexação


A 10 de Março de 1959, o Dalai Lama foi convidado a assistir a um espectáculo no acampamento militar chinês nos arredores da capital tibetana, Lhasa. O convite especificava que devia vir sem escolta e os tibetanos acreditaram que os chineses queriam raptar o seu líder espiritual. Saíram em massa à rua num dia que ficou até hoje como um símbolo da revolta tibetana, que Pequim reprimiu violentamente nos dias seguintes.
A 17 de Março, a residência de Inverno do Dalai Lama era bombardeada pelos chineses. Tenzin Gyatso, então com 23 anos, decidiu deixar Lhasa. Disfarçado de soldado tibetano, com uma arma ao ombro, saiu do palácio de Norbulingka e passou pela multidão que rodeava o edifício.
Esperava-o uma caminhada de 13 dias através do Himalaia até à fronteira com a Índia, onde o Governo de Jawaharlal Nehru lhe daria asilo. Mas quando partiu, ainda não tinha escolhido um destino. "Se deixasse Lhasa, para onde iria, quem me daria asilo? Não sabíamos aonde a jornada nos conduziria nem como terminaria", escreveu na sua autobiografia. Mas a fuga não foi improvisada: uma parte do tesouro do palácio de Potala tinha sido previamente embalada para a viagem. Após deixar o palácio, o grupo de 20 pessoas, incluindo os familiares próximos do Dalai Lama, atravessou o rio Kyichu e viajou sob a protecção dos guerrilheiros Kampa, apoiados pelos EUA. Mas ninguém sabia da fuga, dentro e fora do Tibete, sustenta o governo tibetano no exílio.
Os chineses deram pela falta do Dalai Lama dois dias depois: a vigilância apertou, obrigando o grupo a viajar de noite, apesar das temperaturas negativas. Flechas disparadas por arqueiros transportavam mensagens sobre os desfiladeiros, avisando os aldeões para prepararem animais e guias para os fugitivos. As pontes de bambu foram cortadas e todos os caminhos foram bloqueados, excepto o que conduzia ao desfiladeiro de Khenzimana, na fronteira com a Índia, onde o Dalai Lama chegaria a 31 de Março. (Público).

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Óscares 2009


"Quem quer ser Bilionário?" conquistou o Óscar de Melhor Filme, terminando a noite da 81.ª edição dos prémios da Academia como a película mais premiada, com oito estatuetas douradas, entre as quais a de Melhor Realizador (Danny Boyle) e Melhor Argumento Adaptado. Sean Penn, Kate Winslet, Penélope Cruz e o falecido Heath Ledger levaram os prémios de interpretação.
Com a entrega do Óscar de melhor actor secundário a Heath Ledger, falecido há pouco mais de um ano, pelo seu papel de Joker em "O Cavaleiro das Trevas", Ledger tornou-se o segundo actor a receber um Óscar póstumo de interpretação, depois de Peter Finch, considerado o melhor actor de 1976 em "Escândalo na TV" dois meses depois da sua morte.
O grande derrotado da noite foi “O Estranho Caso de Benjamin Button”, que das 13 nomeações venceu apenas três e em categorias técnicas: direcção artística, caracterização e efeitos especiais.

Lista completa dos vencedores
Melhor Filme: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Realizador: DANNY BOYLE, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Actor: SEAN PENN, MILK
Melhor Actriz: KATE WINSLET, O LEITOR
Melhor Actor secundário: HEATH LEDGER, O CAVALEIRO DAS TREVAS
Melhor Actriz secundária: PENELOPE CRUZ, VICKY CRISTINA BARCELONA
Melhor Argumento original: DUSTIN LANCE BLACK, MILK
Melhor Argumento adaptado: SIMON BEAUFOY, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Longa-metragem de animação: WALL-E
Melhor Curta-metragem de animação: LA MAISON EN PETITS CUBES
Melhor Cenografia: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Melhor Guarda-Roupa: A DUQUESA
Melhor Caracterização: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Melhor Fotografia: ANTHONY DOD MANTLE, QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Efeitos Visuais: O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Melhor Efeitos Sonoros: O CAVALEIRO DAS TREVAS
Melhor Som: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Montagem: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Banda Sonora Original: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Canção Original: QUEM QUER SER BILIONÁRIO?
Melhor Documentário de longa-metragem: HOMEM NO ARAME
Melhor Documentário de curta-metragem: SMILE PINKY
Melhor Curta-metragem: THE PIG
Melhor Filme Estrangeiro: DEPARTURE (Japão)
Prémio Humanitário Jean Hersolt : JERRY LEWIS

terça-feira, fevereiro 17, 2009

O Melhor Emprego do Mundo


Advertising Agency: CumminsNitro Brisbane, Australia
Creative Directors: Nancy Hartley, James burchill
Art Directors: Ralphie Barnett, Cristian Staal
Copywriter: Merrin McCormack
Other additional credits: Adam Ford, Jason Kibsgaard, Darren McColl, Edwina Gilmour, Anne-Maree WilsonPublished: January 2009

Últimos dias de inscrição para o melhor emprego do mundo. Aqui.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

World Press Photo 2008


A fotografia de como a crise financeira atingiu a sociedade americana foi a vencedora do prémio de Melhor Fotografia na 52ªedição do World Press Photo, anunciou hoje em Amesterdão a organização do prestigiado prémio.
A imagem vencedora, a preto e branco, do americano Anthony Suau, feita para a revista Time, mostra o detective Robert Kole a verificar uma casa em Cleveland para garantir que a família que residia na casa se teria mudado do local depois de deixar de pagar a hipoteca.
É a segunda vez que Anthony Suau vence o World Press Photo. Em 1987 esta fotografia que nos mostra uma mãe que viu o seu filho ser preso numa manifestação na Coreia do Sul, em que acusavam o Governo de fraude na eleição presidencial, foi a vencedora do prestigiado prémio.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A Origem das Espécies


Quando observamos os indivíduos pertencentes à mesma variedade ou subvariedade das plantas cultivadas há mais tempo e dos animais domésticos mais antigos, um dos primeiros aspectos que sobressaem é que estes, geralmente, diferem muito mais uns dos outros do que o que acontece entre indivíduos pertencentes a qualquer espécie ou variedade selvagem. Se reflectirmos sobre a vasta diversidade das plantas que têm sido cultivadas e dos animais que têm sido domesticados, sofrendo variações ao longo dos tempos sob os mais diversos climas e circunstâncias, somos levados a concluir que esta grande variabilidade se deve simplesmente ao facto de as nossas produções domésticas terem sido criadas sob condições de vida menos uniformes, e de alguma forma diferentes, daquelas a que a espécie-mãe esteve exposta na natureza. Existe também, na minha opinião, alguma probabilidade real na ideia proposta por Andrew Knight de que esta variabilidade pode em parte estar associada ao excesso de alimento. Parece bastante evidente que os seres orgânicos tenham de ser expostos às novas condições de vida durante várias gerações, até que se produza qualquer variação apreciável; como também parece evidente que, uma vez que a organização interna comece a variar, esta continue em regra a fazê-lo por inúmeras gerações. Não existe nenhum registo de um caso em que um organismo variável tenha cessado de variar no estado doméstico. As nossas plantas com histórias de cultivo mais antigas, tal como o trigo, ainda produzem com frequência novas variedades. Os nossos animais domésticos mais antigos são ainda susceptíveis de modificações ou aperfeiçoamentos rápidos.
1ª Página do livro, A Origem das Espécies, de Charles Darwin, Publicações Europa-América, Edição Agosto de 2005.


“O livro que abalou o mundo” como é muitas vezes referido, foi lançado no dia 24 de Novembro de 1859 com o título original de On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (Sobre a Origem das Espécies Através da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida). A primeira edição de 1250 exemplares esgotou no próprio dia, sucedendo-lhe mais cinco edições, que compreendiam dados adicionais e revisões contextuais para rebater os argumentos que se foram levantando. Curiosamente, a palavra evolução é pela primeira vez introduzida na sexta edição, assim como, a expressão “sobrevivência do mais apto”, que não é da autoria de Darwin, mas sim do filósofo Herbert Spencer. Portanto é inapropriado relacionar o conceito “darwinismo social” a Charles Darwin. “Luta pela sobrevivência”, “direito do mais forte” nunca foram palavras de Charles Darwin, mas sim conceitos manipulados por outros. O darwinismo social é um conceito que se deveria chamar de “spencerismo”, pois não tem absolutamente nada a ver com a teoria de evolução de Charles Darwin.
À data de publicação, “A Origem das Espécies” gera um escândalo sem precedentes. Mesmo que, no início, se iniba de evocar o homem e o macaco, toda a gente compreende o alcance da Teoria. Ao afirmar que todas as espécies vivas descendem de um antepassado comum em resultado de um processo de evolução que, por selecção natural, eliminou os menos adaptados, Darwin entra em conflito não só com a fé, mas também com o antropomorfismo. Escarnecido pela imprensa, acrescido de uma cauda e dotado de um corpo simiesco pelos caricaturistas, desprezado pela Igreja, Darwin tornou-se famoso da noite para o dia.
Desde a Antiguidade que a perfeição dos mecanismos naturais era assumida como prova da existência divina. Com a Teoria da Evolução Darwin, diz-se adeus à Providência. Trata-se, nem mais nem menos, de substituir a religião pela ciência. O francês Jean-Henri Fabre dedicará a sua vida a tentar desmontar a teoria darwiniana, na qual não vê senão “um jogo do espírito”. Outros entregam-se de corpo e alma à sua defesa, como Thomas Huxley ou o botânico Joseph Hooker.
O debate mais espectacular teve lugar na Universidade de Oxford, em 30 de Junho de 1860, perante uma plateia repleta. O duelo opõe os partidários do investigador, em particular o zoologista Thomas Huxley, apelidado de “buldogue de Darwin”, ao bispo de Oxford, Sam Wilberforce. Numa célebre interpelação, este último pergunta a Huxley se é “da parte do seu avô ou da sua avó que descende do macaco”, provocando uma réplica não menos memorável, embora persistam dúvidas sobre as suas exactas palavras: “Se a questão é se eu preferiria ter um macaco como avô ou um homem altamente favorecido pela natureza, que possui grande capacidade de influência, mas mesmo assim emprega essa capacidade e influência para o mero propósito de introduzir o ridículo numa discussão científica séria, eu não hesitaria afirmar a preferência pelo macaco!”
A “guerra do macaco” continua hoje em dia, mesmo que o Vaticano tenha admitido, em 1996, que a teoria da evolução era “mais do que uma hipótese”, os poderosos lóbis protestantes, nunca abdicarão de tentar impôr o"desígnio inteligente" da criação do Mundo.

Charles Darwin


Charles Darwin, nascido há 200 anos, colocou o homem no seu devido lugar ao localizá-lo na longa história da evolução das espécies, desmentindo a crença de uma criação divina e fundando a biologia moderna.
Revelada em 1859, em “A Origem das Espécies”, a Teoria Por Selecção Natural de Charles Darwin causou agitação entre aqueles que acreditavam na criação divina de espécies imutáveis. Hoje, a maioria dos cristãos aceita (excepto os criacionistas) o princípio científico da evolução, no entanto o papel desempenhado pelo acaso no surgimento das variações ou de novas espécies continua sendo para muitos um obstáculo.
Duzentos anos após seu nascimento, Darwin permanece um dos maiores expoentes das ciências naturais.
Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury, Inglaterra, em 12 de Fevereiro de 1809, no seio de uma família próspera e culta. O seu pai, Robert Waring Darwin, foi um médico respeitado. O avô paterno, Erasmus Darwin, poeta, médico e filósofo, era um evolucionista em potencial, cuja obra mais famosa, a Zoonomia, antecipava em muitos aspectos as teorias de Lamarck.
Em 1825 Charles Darwin foi para Edimburgo estudar medicina, carreira que abandonou por não suportar as dissecções. Todavia, interessou-se pelas ciências naturais. Matriculou-se a seguir no Christ’s College, em Cambridge, decidido a ordenar-se padre, embora não tivesse vocação religiosa. Ali tornou-se amigo do botânico John Stevens Henslow, que o aconselhou a aperfeiçoar seus conhecimentos em história natural. É Henslow quem proporciona a Darwin o momento decisivo da sua existência. A 24 de Agosto de 1831, pouco depois de obter o seu diploma, propõe-lhe acompanhar o capitão Fitz-Roy a bordo do “Beagle” para uma longa viagem de estudo. Charles foi eleito pelas suas qualidades de perfeito “gentleman”, mais do que pelos seus conhecimentos, os mais limitados à época. “Não é que vos considere um naturalista consumado”, escreve Henslow, “mas sois capaz de coleccionar e de notar o que é digno de ser registado.” O doutor Darwin recusa-se a dar o seu consentimento. Charles, escreve a Henslow para exprimir o seu profundo pesar, mas, diplomata, tenta assegurar o apoio do seu tio, que acaba por triunfar na decisão.
A 21 de Dezembro de 1831, o “Beagle” levanta âncora para uma volta ao mundo que durará cinco anos. Desta viagem incómoda, a lenda fez uma odisseia, um périplo fundador do qual todos os naturalistas devem recitar as etapas: a descoberta, próximo de Montevideu, de fósseis colossais, presumíveis antepassados dos tatus, a dos aborígenes na Austrália, o deslumbre perante o esplendor das florestas tropicais, a curiosidade face à diversidade das tartarugas específicas de cada uma das ilhas Galápagos, etc. É no decorrer desta experiência que a iluminação terá transformado o coleccionador aprendiz em especialista de génio.
O jovem naturalista regressou da viagem transformado, amadurecido — e acometido por uma estranha febre que não mais o deixará —, mas a ideia de “A Origem das Espécies” não nasceu a bordo do “Beagle”. Ela surgirá durante o período de triagem das suas descobertas para redigir o seu diário de bordo. Por si só, a ideia de uma evolução das espécies não é inovadora, Jean Lamark lançou-a em 1809, e mesmo o avô de Darwin, Erasmus, assinou uma “Zoonomia”, mais poética do que científica. A estas teorias só falta o essencial: o mecanismo que explica a transformação. Caberá a Darwin encontrá-lo. A natureza procede como os criadores de gado, por selecção sistemática, defende. É a luta pela vida que, a cada geração, privilegia, numa população, os que melhor se adaptam ao meio, a expensas dos mais fracos. A leitura em 1838 do livro “Ensaio Sobre o Princípio da População” de Thomas Malthus fez iluminar a mente de Darwin e descobrir a sua teoria: a selecção natural, segundo a qual só os indivíduos mais bem adaptados de cada população sobrevivem para deixar descendência. Depois, escondeu a sua teoria ao longo de mais de 20 anos, dedicando-se a reunir uma montanha de documentos para apoiar a sua tese, antecipando todas as objecções, acumulando as provas, inquirindo, numa troca de correspondência, sobre os métodos dos criadores de pombos, sobre o sentido de orientação das abelhas ou dos gatos domésticos, etc. Sem publicar uma linha a propósito das suas reflexões. Em 1839, casa com a sua prima Emma, culta, devota e dotada de rendimentos que, a juntar aos seus, lhe permitem viver sem exercer uma profissão. Em 1842, redige, ainda assim, um esboço da sua teoria, repleta de instruções no caso de se dar algum infortúnio, que permanecerá guardada anos a fio sob as escadas, enquanto Darwin se consagra a outros estudos. Não há motivos para pressas, pensa, coleccionando observações, como, no passado, os insectos. No entanto, em 1858, um jovem naturalista, Alfred Russel Wallace, envia-lhe uma dissertação (Sobre a Tendência das Variedades a Desviarem-se indefinidamente do Tipo Original) na qual defende, praticamente palavra por palavra, a mesma tese. O choque é duro. Vexado, reticente, mas instigado pela concorrência, Darwin, sob a insistência dos seus amigos, resigna-se em publicar, primeiro um esboço e a seguir “Da Origem das Espécies”, 500 páginas escritas em menos de um ano num estilo figurado, pessoal, bastante acessível — garantia de sucesso. Este sucesso quase não lhe renderá nada, fechado em casa, recusando obstinadamente as homenagens públicas, tal como foge das confrontações. Na Down House escreve, reflecte e continua a escrever para insistir na argumentação e responder aos seus detractores. Prosseguir a produção das obras parece- lhe a única forma honrada de se defender.
Darwin é a prova de que o génio pode ser modesto e não se faz, necessariamente, acompanhar pela excentricidade. Simples, afável, conciliador, tão sensível às críticas como aos elogios, preocupa-o bastante a recepção às suas ideias, não por vaidade, mas por necessidade de persuasão. Na sua autobiografia, escrita em 1876, seis anos antes da sua morte, só reconhece, para lá do amor à ciência, possuir os “dons de observação” e “uma paciência sem limite”.
De carácter simples, extremamente apegado à mulher e aos filhos, Darwin dedicou a sua vida à ciência, apesar da pouca saúde. A sua obra revela modéstia e escrúpulo, que despertaram a simpatia e a amizade de todos. Até os adversários admiravam o seu carácter e respeitavam-no como cientista. Darwin morreu de um ataque cardíaco em Down, a 19 de Abril de 1882, sendo enterrado na abadia de Westminster.
Fontes: A Origem das Espécies, A Vida e a Obra de Darwin de Alberto Candeias, The Complete Work of Charles Darwin Online, Público e AFP.

Há Dias Assim


Passam hoje 200 anos do nascimento de duas grandes figuras da história mundial:
Abraham Lincoln (Hodgenville, 12 de fevereiro de 1809 — Washington, DC, 15 de abrilde 1865)


Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de Fevereiro de 1809— Downe, Kent 19 de Abril de 1882.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Casamento entre Homossexuais


Noticia o Jornal Público que a Igreja pode apelar ao voto contra os partidos que apoiam o casamento entre homossexuais.
“Os cristãos, seguramente, tomarão as suas conclusões, porque não é fiável quem se mete por estas aventuras, em que a sociedade fica exposta a feridas, que são profundas”, declarou, em jeito de aviso, o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão, ontem, no final da reunião do conselho permanente, que decorreu em Fátima. Foi esta a fórmula, suficientemente vaga mas firme, que o padre Manuel Morujão utilizou para discorrer sobre a possibilidade de a Igreja vir a assumir uma posição pública de apelo aos católicos para que não votem nos partidos que defendem o casamento entre homossexuais. Uma das propostas inscritas na moção de Sócrates ao congresso do PS, que o líder socialista pretende levar a cabo no próximo mandato, se ganhar as eleições. Do encontro dos bispos portugueses saiu uma reprovação dura à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque “vai dividir os portugueses”, mas também porque “há outras prioridades” com as quais os políticos se deviam ocupar. Como com “a crise”, frisava o secretário da CEP, nomeadamente “dando os apoios de que as famílias precisam para responder aos desafios actuais”.Anunciando que a CEP irá fazer uma nota pastoral sobre esta matéria, que deverá ser divulgada dentro de duas semanas, o padre Manuel Morujão falou em “ameaça”, ergueu-se em defesa da “dignidade e da decência” e reiterou que “a sociedade não consegue ser ninguém sem as traves mestras que são o casamento e a família”. “As organizações da Igreja movimentar-se-ão, não contra ninguém, mas em favor de uma causa”, assumiu. (Público).
Eu também me oponho ao casamento entre homossexuais, na circunstância concreta, de os homossexuais serem padres; tenho família que é muito católica.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Está bem... façamos de conta


Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos. (Artigo de opinião de MÁRIO CRESPO no JN).

A Brasileira Mais Famosa de Sempre...é Portuguesa


Carmen Miranda nasceu em Marco de Canaveses, foi para o Rio de Janeiro com 10 meses, tornando-se num fenómeno da música brasileira nos anos 30. Nos anos 40 e 50 triunfou na Broadway e em Hollywood. Nunca abdicou da nacionalidade portuguesa.
Faz hoje 100 anos que nasceu.
Biografia.
Museu Virtual Carmen Miranda.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Phelps Suspenso por 3 Meses


O nadador norte-americano Michael Phelps, fotografado a fumar cannabis, veio para o jornal Baltimore Sun com “paninhos quentes”, dizer que não estava “orgulhoso” do seu comportamento, que qualificou de “estúpido”.
“Obviamente, faltou-me discernimento e é uma coisa de que não estou orgulhoso. Sempre tirei lições dos erros que cometi na minha vida. Tenho a intenção de fazer o mesmo após o sucedido”, indicou Phelps, acrescentando que “foi estúpido e não voltará a acontecer”.
Quem não esteve pelos ajustes foi a Federação de natação dos Estados Unidos que decidiu suspender por três meses o nadador olímpico.
Em comunicado, a Federação de Natação americana diz que não se trata de sancionar uma “conduta de doping”, mas antes de enviar uma “mensagem forte” à estrela olímpica, considerado um modelo para a juventude.“Não se trata de uma situação na qual houve violação das regras anti-doping, mas decidimos enviar uma mensagem forte a Michael, porque ele desiludiu muitas pessoas, em particular centenas de milhares de crianças membros do USA Swimming, que o respeitam e o consideram um modelo”, indica o comunicado.
Além da suspensão de três meses, a marca de cereais Kellogg anunciou que vai cessar o contrato que a liga a Michael Phepls, deixando de o patrocinar no fim do mês de Fevereiro.
Como não é a primeira vez que Michael Phelps é apanhado com o pé em falso, que aproveite o tempo de suspensão para reflectir sobre se a sua conduta pública é adequada ao estatuto que usufrui na opinião pública, quer como atleta quer como modelo para a juventude.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

JL 1000


Chega hoje às bancas a milésima edição do Jornal de Letras, Artes e Ideias (JL). Criado por José Carlos Vasconcelos, o JL foi publicado pela primeira vez a 3 de Março de 1981.
Parabéns a toda a equipa do JL.