quinta-feira, dezembro 01, 2005

Dia Mundial da Sida


Segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas sobre a Sida e vírus HIV divulgado no passado dia 21 foram infectadas em todo o mundo em 2005, 4,9 milhões de pessoas, o maior salto desde que o primeiro caso foi descoberto, em 1981. Segundo o porta-voz do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Sida (ONUsida) e da OMS (Organização Mundial da Saúde), actualmente há 40,3 milhões de pessoas infectadas pelo vírus da Sida em todo o mundo—contra 37,5 milhões em 2003.
Os 4,9 milhões de novas infecções de HIV registados em 2005, ocorreram principalmente na África subsaariana, Rússia e países do Leste Europeu, segundo o relatório.
Só neste ano, mais de 3,1 milhões de pessoas morreram por causa da Sida, incluindo 570 mil crianças.
Segundo a OMS e a ONUsida, o Relatório Mundial sobre a Epidemia da Sida deste ano está centrado na prevenção do HIV.
“Temos novos dados que indicam que as taxas de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana em adultos caíram em alguns países e que as mudanças no comportamento para prevenir a infecção—o aumento da utilização de preservativos, o adiamento da primeira experiência sexual e a redução do número de parceiros desempenhou um papel decisivo nessa queda”, diz o relatório.
Apesar disso, o número de pessoas que contraem o HIV continua a aumentar todos os anos.
Em 2005, aproximadamente 13.500 pessoas foram infectadas por dia com o vírus HIV, a maioria delas, 95%, nos países mais pobre africanos, de acordo com o estudo.
A zona mais afectada pela epidemia continua sendo a África subsaariana, onde há 25,8 milhões de infectados pelo HIV e 2,4 milhões de pessoas morreram de Sida em 2005, segundo a OMS. O relatório mostra que, dos 4,9 milhões de novos casos deste ano, 3,2 milhões são desta região.
Na América Latina, a cifra de novos infectados com o HIV em 2005 chega a 200 mil pessoas, com 24 mil mortes . Segundo a OMS, aproximadamente 1,8 milhão de pessoas são seropositivas na América Latina.
O trabalho destaca alguns avanços recentes na região das Caraíbas (Bahamas, Barbados, Bermudas, República Dominicana e Haiti), que permitem um optimismo moderado: há concretamente uma clara redução do presença do HIV entre as mulheres grávidas, de um aumento na utilização do preservativo entre profissionais do sexo e da ampliação dos serviços de assistência e testes voluntários do HIV.
As Caraíbas é precisamente a única região onde o número de pessoas com HIV não aumentou em 2005.
A Europa Oriental e a Ásia Central registaram os maiores aumentos em contágio de HIV (1,6 milhão de novos infectados).
“Estamos esperançados com os progressos realizados por alguns países e pelo facto de que os programas sustentáveis de prevenção do HIV desempenharam um papel decisivo na redução do número de infecções. Mas a realidade é que a epidemia da Sida continua superando os esforços mundiais e nacionais para contê-la”, afirmou o Peter Piot, director executivo da ONUsida.
Peter Piot pediu para que haja uma ampliação urgente dos programas de prevenção do HIV, apesar de o relatório deste ano apontar que os níveis de acesso ao tratamento de HIV melhoraram nos últimos dois anos. De acordo com o texto, “calcula-se que neste ano foram evitados entre 250 mil e 350 mil mortes graças ao acesso maior ao tratamento do HIV”.
Em Portugal, desde 1983 e até 30 de Junho deste ano, estavam contabilizados 27013 casos e um total de 6277 mortes. Devido à subnotoficação, este número deverá ser exponencialmente maior. Segundo o Observatório Europeu para o HIV, Portugal deverá ter cerca de 60.000 casos, por oposição aos 27013 oficiais.
Dados do organismo das Nações Unidas dedicado ao combate à epidemia, revelam que Portugal é o segundo país europeu com mais altas taxas de infecção com o HIV - 280 novos casos por milhão de habitantes. Em cada milhão de habitantes, há 80 que são diagnosticados quando já sofrem de sida, ou seja, só descobrem a doença muitos anos depois de terem sido infectados. Só em 2004 foram diagnosticados 642 novos casos.

Os números são assustadores. Proteja-se!
Fonte: ONUsida e OMS

Sem comentários: